Típicamente curitibano

Mais curitibano impossível: ambos perderam (foto: Geraldo Bubniak)

A maior instituição esportiva do Paraná, o Atletiba, não poderia ter um retrato mais curitibano do que o #348 apresentou hoje; autofágico como o cidadão local, o clássico terminou com uma vitória atleticana, mas sem ninguém tendo realmente o que comemorar. Pior: duas comemorações pelo fracasso do rival, jogando o futebol da terrinha na mediocridade de sempre. Agora, temos um clube a mais na Série B nacional e nenhum na Libertadores. Restou o de sempre: puxar o outro pra baixo.

Claro, não havia como ambos saírem sorrindo. E o texto também não é apológico a que um ajudasse o outro; são rivais, antagônicos, existem para superar um ao outro. Mas o retrato em que ambos se derrubam é fiel a principal crítica a nossa cidade: a de que ninguém se ajuda, mal se cumprimenta no elevador, fica feliz quando o carro do vizinho é roubado e critica o sucesso alheio, que só acaba tendo valor quando vem de fora. Atlético 1-0 Coritiba não salvou o Furacão e matou o Coxa; enquanto isso, em Minas Gerais, Cruzeiro 6-1 Atlético-MG e uma humilhação suprema do Galo, com os dois mineiros salvos.

A crítica é dura sim; e se reflete na defesa de que esse foi o maior Atletiba de todos os tempos, o que eu discordo veementemente. Como o maior clássico de todos os tempos pode ter dois derrotados? Como um jogo com um placar magro pode suplantar as várias histórias dos outros 347 jogos? Não concordo.

Concordo sim que, para os atleticanos, valeu a “queda em pé”; ironia do destino, o fim de um tabu de três anos sem vencer o rival se deu em um jogo tal qual a última vitória, em 2008: sem alegria. Ameniza a dor? Não acredito. Apenas rechaça o selo de que seria o Coxa quem rebaixou o Atlético. E, claro, não foi: em 38 rodadas, inúmeros erros. Mas esse é um assunto para outro post.

Concordo também que para os coxas, apesar do amargo de perder a vaga que estava nas próprias mãos para um rival que durante o próprio jogo já estava rebaixado (cada gol do Cruzeiro confirmava a queda), o isolamento na Série A após anos de ostracismo e sofrimento em relação ao Atlético, vale o troco de cada sarro. Ameniza a perda? Não acredito. Apenas demonstra que o clube vive um momento melhor que o rival, o que ainda é pouco. Esse foi cantado como o maior time da história alviverde e perdeu duas grandes chances de ao menos carimbar uma vaga na maior competição da América. Mas esse também é assunto para outro post.

A vida segue. Lamentavelmente, dentro da mediocridade de sempre do futebol paranaense, perdendo objetivos em qualquer uma das cores que você olhe. Mesmo saindo por cima, o Coritiba deixou escapar a consolidação. Agora, é 2012. Que será duro para o Atlético, longe da Arena e na segundona nacional após 16 anos.

Talvez, se há algo a se orgulhar, é o fato de que rivalidade mesmo é a curitibana. Só não sei se é algo para se alegrar.

 

Sobre heróis e vilões

“O Atletiba de todos os tempos”. Ao menos é assim que boa parte dos colegas de imprensa venderam o clássico. Eu prefiro esperar. As possíveis combinações, o cenário do clássico, até dão a possibilidade de que isso seja real; mas, e se for um modorrento 0-0, rebaixando o Atlético e tirando o Coritiba da Libertadores, ainda será o maior? Rotular o clássico antes da bola rolar é o mesmo que achar que o favoritismo analítico do Coxa já garantiu a vaga na competição sul-americana e, de quebra, rebaixou o Furacão. Isso, talvez, só depois das 19h de amanhã.

Um clássico para ser histórico tem de ter muitos elementos. O 348 se apresenta com credenciais, mas ainda não o é. Não é maior que o histórico Atlético 4-3 Coritiba de 1971, o #156, com diversas viradas, com Nilson Borges perdendo pênalti para o Atlético, que perdia por 2-0; não é maior que o #275, de 1995, quando Brandão aplicou um chocolate na páscoa atleticana, transformando os 5-1 do Coritiba sobre o rival no estopim da revolução petraglista. Ou ainda o #146, quando Paulo Vecchio impediu, no último minuto, que o Atlético saísse de uma fila de 9 anos sem títulos, no 1-1 que deu ao Coxa o título daquela temporada. Quem sabe o #305, quando depois de estar perdendo por 0-1, o Furacão aplicou 4-1 no adversário em pleno Couto Pereira, na Seletiva da Libertadores em 1999, o de maior relevância nacional até aqui. São 347 edições e entre Bergs e Dirceus, Tutas e Danilos, o clássico tem muitos heróis e vilões.

Não há como esconder o favoritismo do Coritiba, aberto nos objetivos distintos e nos números de toda a competição. Será que o herói vestirá alviverde? Marcos Aurélio, um ex-atleticano, pode fazer o gol da sentença rubro-negra? Ou Jéci, o capitão do Coxa mágico de 2011, do recorde mundial? Ou Vanderlei, vilão em 2009, salvará o Coxa de lances agudos? Conseguirá o Coritiba a vaga para a 3a Libertadores da sua história ou sua gente deixará a Arena frustrada? Clássico tem favorito? No Estadual, teve. E agora, no jogo que pode mudar a história dos dois clubes?

Ou o herói vestirá rubro-negro, podendo ser Cléber Santana, que perdeu pênalti ao longo do campeonato em pontos que hoje fariam a diferença? Poderá ser o “maestro” Paulo Baier, que não brilhou ainda em Atletibas, e pode quebrar um tabu de 3 anos, que corresponde a passagem dele e do presidente Marcos Malucelli no clube? E se o Atlético fizer 2, 3 a zero no Coritiba e não for o suficiente? O herói atleticano virá de Minas Gerais ou da Bahia? Poderá ser Souza ou Cuca, um no Bahia, outro no Galo, salvando o Furacão do rebaixamento, como De Vaca, do Libertad o fez em 2005, quando fracassou por conta própria na Arena (o que não é permitido dessa vez) ao levar 1-4 do Medellín, mas contou com a derrota do América em Cali para chegar ao vice da Libertadores, hoje o sonho do Coritiba, que ganhou segunda chance após a Copa do Brasil.

Quem, entre tantos que mal dormiram nessa semana, arrisca cravar? A gigantesca expectativa, a semana cercada de silêncio dos dois lados, mas com trocas de provocações entre as torcidas – diga-se, a torcida do Coxa deitou nos atleticanos como nunca se viu – mas que, também ressalte-se, parece apontar para um cenário tranquilo no jogo. A soma de tudo, para termos novos heróis e vilões, para que a previsão dos colegas sobre a relevância do #348 se confirme.

Será impossível agradar os dois lados. Ótimo, não? É disso que a rivalidade é construída; antagonismo. E não inimizade, violência. No futebol, nada é impossível, tudo é mágico. E certamente muitos terão histórias a contar a partir de segunda-feira. Com paz e tranquilidade, espera-se.

E um ótimo espetáculo dentro de campo.

Rápidas e precisas

Dia longo e produtivo, mas só agora pude sentar pra atualizar o blog. Vamos então direto ao que interessa:

Atlético

1) Jadson

Tudo surgiu no Twitter e movimentou a comunidade rubro-negra: Jadson voltaria ao Atlético? Pois bem: noves fora o trâmite para trazê-lo, a sondagem houve e a resposta do jogador, há 7 anos na Ucrânia, foi positiva. Mas tem vários poréns. Vamos primeiro ao fato:

Mário Celso Petraglia é ex-presidente do Atlético e, ainda não oficialmente, candidato a voltar ao posto. Fez um convite público ao jogador para que volte a defender o Furacão no próximo ano. E recebeu como resposta um “gostaria de estar junto”. É notícia: um ex-diretor e candidato sonda um craque para vir, e este diz que pode topar.

Se é jogada eleitoreira ou se vai ser a grande contratação do Atlético em 2012, não me cabe julgar. Aliás, o blog (e os veículos no qual emito minha opinião/informação) não é apolítico, porque não sou acéfalo; mas é apartidário: aqui, o negócio é notícia. Cabe agora a você, leitor, refletir e a todos esperarmos e acompanharmos pra saber se foi blefe ou Petraglia está com o às na manga.

2) Festa dos 10 anos do título de 2001

A ser realizada no dia 8 de dezembro deste ano, com ou sem rebaixamento, a festa pode acabar esvaziada. Tudo porque muitos jogadores temem entrar no meio da disputa política do clube. A organização do evento faz questão de dizer que é uma festa atleticana, sem partidarismo. Ouvi de um jogador campeão brasileiro, o qual faço questão de preservar, duas coisas: que muitos pode cancelar a presença pela política; e que Petraglia teria procurado alguns para ter cargos na próxima gestão. Contrasenso? Veremos em seis dias.

Coritiba

Keirrison de volta ao Coxa em 2012? Pode ser. Tudo vai depender de uma conversa entre o empresário dele, Marcos Malaquias, e a diretoria do Coritiba. O que acontece é o seguinte: o jogador, que pertence ao Barcelona, teve uma lesão na perna direita em 2010 e não conseguiu mais recuperar-se a ponto de jogar o futebol que o destacou no próprio Coritiba. Rodou por clubes como Santos, Benfica e agora Cruzeiro, sem destaque. A idéia é trazê-lo a um ambiente familiar e beneficiar-se da estrutura médica do Coritiba. Conversando com um diretor do Coxa (sigilo de fonte), a postura foi clara: “Pode ser sim, mas o Coritiba não vai atrás dele. O Keirrison está num patamar de mercado europeu. Vamos deixar que nos procurem. Ele tem potencial.”

Outro que pode pintar no Alto da Glória ano que vem é o volante Júnior Urso, que está no Avaí e defendeu o Paraná neste ano. Urso confidenciou a amigos em Florianópolis que está certo com o Coxa, mas o clube nega a contratação até aqui.

Paraná

O Tricolor está tentando mobilizar os clubes do interior que estão na Série Prata do Estadual a reunirem-se em uma associação informal, para tentar vender patrocínio para o campeonato. Já recebeu sinal positivo de Grêmio Metropolitano, FC Cascavel (o do Beletti) e do Nacional, de Rolândia. A idéia é montar uma comissão que busque verba, ajudando os clubes a terem um motivo a mudar o campeonato de maio para fevereiro. Na terça-feira 6, os nove dirigentes do interior mais a diretoria paranista se reúnem na Sede Kennedy para discutir termos.

Chegou-se a comentar na cidade de que o Paraná estaria comprando o campeonato. Não procede. O que acontece é que o clube está fazendo as vezes da FPF, que deveria por si transformar seu produto em algo mais rentável. Como a preocupação paranista é maior do que a da federação, restou ao clube buscar alternativas, que passam pela mídia e empresários ligados ao Paraná.

Legalmente, a mudança na data de início do campeonato só é possível se houver unanimidade na decisão.

Particularmente, acredito que a FPF tem sim que defender todos os seus filiados. E o Paraná é um deles. Não se trata de mudar a data do campeonato para privilegiar o Tricolor e sim de uma busca para viabilizar a competição. Para se ter uma idéia, cada clube do interior absorve cerca de 15 a 20 mil reais de prejuízo por jogo, com raríssimas exceções (Londrina em 2011 foi uma delas), pois arcam com taxas de arbitragem, transporte, hospedagem, abertura e manutenção de estádios, etc. Caso o pool se forme e consiga convencer o mercado da validade da idéia, será um grande passo. Espera-se que a FPF, que já mudou rumos no caso Pinheirão, passe a ajudar os 10 clubes e não dificultar a tarefa de amenizar prejuízos na segundona local.

Do contrário, a diretoria paranista promete colocar um time de juniores na Série Prata e centrar esforços na Série B nacional.

Atletiba 348

Amanhã, ainda antes do jogo, prometo escrever algumas linhas sobre. Volte aqui, se puder!

Que beleza de camisa! #20: Arapongas

"Adoro passarinhos!"

A semana é do #Atletiba348, mas nunca é demais ver mulher e camisa de futebol bonitas, certo? Por isso o Que beleza de camisa! mantém a tradição do atraso (sim, já se passaram mais de 15 dias desde o último) e, com a desculpa de que falta tempo para a pesquisa, vai pertinho, até Arapongas, contar a história do Arapongão, cuja indumentária* é trajada por ninguém menos que a estonteante @kellypedrita. “Adoro passarinhos, de todos os tipos! Arapongas são lindas”, diz a musa do Jogo Aberto Paraná. Que moral, hein?

*Agradecimento super-especial a Fabiano Ferreira Rocha, que me presenteou com a camisa!

Que beleza de camisa! #20 Arapongas Esporte Clube

Quem é? Clube do interior do Paraná, fundado em 06/06/1974.

Já ganhou o que? Nada.

Grande ídolo: Com uma história curta, retomada a partir de 2007 e com ápice em 2010, é difícil apontar um grande ídolo para o Arapongas EC; mas alguns nomes se destacam. O primeiro é o do atacante Diogo, que marcou os dois gols que garantiram a volta do time para a elite do futebol paranaense, em 2010, no 2-0 sobre o São José. Outro grande candidato é o meia Wellington, hoje no Paraná Clube, que entrou para a história do clube ao marcar o gol de abertura do placar da vitória do Arapongas sobre o Atlético, na Arena, na reestréia na elite:

Apelidos: Arapongão.

Como anda? Terminou em 5o. lugar o Paranaense 2011, depois de 20 anos sem disputar o campeonato na elite. Para a temporada 2012, já acertou a contratação do técnico Darío Pereyra, zagueiro que defendeu com brilho o São Paulo nos anos 80.

Curiosidades: O Arapongas foi o último time paranaense a arrancar pontos do Coritiba no Campeonato Paranaense. E foi no finalzinho do jogo. O Coxa vencia por 1-0 jogando no Estádio dos Pássaros, mas no último lance da partida o zagueiro Luciano deixou tudo igual:

Depois dessa partida, o Coritiba engatou a série de 24 vitórias que lhe rendeu menção como “clube com mais vitórias em sequência no Mundo” no Guinness Book. Já o Arapongas conseguiu a melhor classificação da sua história no futebol do Estado.

O Arapongas e o futebol paranaense: O grande rival do Arapongas é, hoje, o Roma Apucarana, da cidade vizinha. Quando jogam, caracteriza-se um dos clássicos com nome mais inusitado do Brasil: o Arapuca. Além do ano passado, o Arapongas participou do Paranaense em 1990, terminando em 22o. lugar (Atlético campeão) e em 91, quando foi 13o. colocado (Paraná campeão).

Atenção meninas: o blog oferece oportunidade não-remunerada de você posar para o quadro Que beleza de camisa! Se você tem interesse em ser modelo, como a Kelly Pedrita, é uma boa vitrine. Entre em contato pelos comentários deixando e-mail para retorno e participe do quadro semanal!