Escudero e os porcos

Há poucos dias, recebemos o paranaense Gilson Kleina, técnico do Palmeiras, no Terra. Fora do ar, falávamos sobre a timidez e “frieza” dos curitibanos. Disse-me: “O curitibano não é frio. Só que se for à casa dele, bata na porta antes de entrar. Aí, você vai ser bem recebido”.

Escudero, zagueiro do Coritiba, não bateu à porta após o empate em 2-2 com o Atlético, na final do Paranaense 2013. O argentino, que falhou feio no segundo clássico do estadual, entrou nervoso na decisão. Agrediu sem bola o atacante Crislan, do time B atleticano, que pela política do clube, disputa o campeonato. A arbitragem não viu. Logo depois, perdeu a cabeça novamente e levou amarelo. Escudero queria mesmo era prejudicar o próprio time.

Não satisfeito, comprou uma briga que pode se alastrar pelas arquibancadas, tensas como sempre em Atletibas. De banho tomado, em casa, usou as redes sociais para agredir a instituição Atlético Paranaense:

Ao contrário do que assumiu o Palmeiras, no Paraná, “porco” é ofensa, Coitado do bichinho, criado para alimentar por puro preconceito, pois é um dos mais inteligentes no reino animal. Atleticanos xingam coxas-brancas de porco; coxas, como visto acima, fazem o mesmo.

Está errado, e quem defende também. Quando fica nas arquibancadas, é do jogo, mas não é legal. A intolerância é que motiva a violência. Escudero não representa o Coritiba. Não representa o futebol argentino.

Dirão alguns que é puritanismo barato; não é. Rafinha falou durante toda a semana do clássico, motivou, foi contundente sem ser deseducado. Rafinha é craque, é brincalhão. Provoca e faz bem ao jogo.

Escudero não. 

Quando um jogador assume essa postura, está sendo anti-profissional. Hoje Escudero é do Coritiba; amanhã, pode ser do Atlético. Ou do Palmeiras, o Porco, sem ser pejorativo como o zagueiro afirmou. 

Escudero criou um problema que ele e principalmente o Coritiba não precisavam. Deveria muito mais se preocupar em melhorar sua condição física e técnica. Ao misturar-se aos porcos, baixando o nível, o zagueiro mostrou que não merece a centenária camisa coxa, nem disputar um clássico como o Atletiba.

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Sem refresco para Mourinho

Divertida a ação de marketing dos refrigerantes Pepsi em Buenos Aires, durante uma palestra do novo técnico do Bayern de Munique, o ex-barcelonista Pep Guardiola.

Usando da ironia e do trocadilho com o apelido de Josep, a marca provocou a rivalidade entre os treinadores, que durante três anos rivalizaram-se no duelo eterno entre Barcelona e Real Madrid. Veja um dos anúncios:

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Mourinho deve trocar o Real pelo Chelsea ao final da temporada, embora ainda negue os rumores. Já Guardiola terá a responsabilidade de, no mínimo, manter o alto nível apresentado pelo Bayern nas últimas quatro temporadas, quando chegou a três finais de Liga dos Campeões (incluindo 2012/13).

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Futebol, o bem e o mal

O Atletiba 355 vai iniciar a decisão do Paranaense 2013. Era pra ser o jogo do radinho, mas o Atlético surpreendeu a todos nesta sexta-feira ao anunciar um acordo de última hora com a emissora de TV que comprou os direitos da competição sem o clube no início do ano. Primeiro, a divulgação de que não só o 355, mas também o 356, passariam em TV fechada, ao contrário do que vinha acontecendo com o Furacão; depois, a TV aberta entrou na dança e também irá transmitir os jogos.

Muito se falou e especulou sobre o tema. Afinal, a postura do Atlético até aqui era também política. Mário Celso Petraglia disse, para os veículos oficiais do clube, que não acertaria jamais o acordo pras finais com a TV. A questão, soube-se, era mais que econômica. E ao longo da competição houve muita confusão entre as restrições para a imprensa e a medida de se jogar com o Sub-23. Confusão proposital de alguns, diga-se. Uma coisa é fechar o clube, o que até os patrocinadores consideraram nocivo. Outra é colocar o time principal numa pré-temporada, uma tentativa válida (embora tenha sido longa e exagerada) de fugir do péssimo calendário brasileiro.

O Atlético voltou atrás e sobrou para todo mundo. No Coritiba, o presidente do clube torceu o nariz. Disse Vilson Ribeiro de Andrade ao jornal Gazeta do Povo: “O Coritiba aceitou as regras e acreditou no campeonato desde o início, sempre disposto a colaborar com o futebol paranaense. Eles não. Humilharam o campeonato e agora aparecem na hora do filé mignon. Não acho correto.” Nas redes sociais, torcedores dos demais times paranaenses também ficaram contrariados e até mesmo sobrou pra imprensa, criticada por supostamente dobrar-se e aceitar as exigências atleticanas. Uma tentativa de dividir o futebol entre o bem e o mal. Errônea.

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Futebol é paixão, fidelidade, emoção, mas é também, amigo leitor, negócio. Não existe bem ou mal; existem interesses comerciais. Lá atrás não houve acerto entre as partes e o Atlético ficou sem aparecer na TV. Perderam todos, incluindo o produto. Nas finais, com uma conjuntura de fatores, as partes se acertaram. E aí o problema é só delas. Nunca foi de outros. Não cabe o discurso de fortalecimento do futebol paranaense, tampouco as reclamações de Vilson Andrade que, aliás, acabou beneficiando-se do acerto atleticano, com o Coritiba vendendo mais um espaço publicitário na camisa somente para a decisão.

A imprensa também não se vendeu, nem antes, nem agora. Os bons seguiram fazendo jornalismo. As emissoras que podiam, seguiram acompanhando o clube, com ou sem restrições – e quem disse que elas acabarão agora? O produto foi tratado como pôde e o torcedor, principal razão dessa atividade, atendido com as mais diversas visões. É a pluralidade da mídia que faz com que o torcedor inteligente separe o joio do trigo, escolha aquilo que lhe agrada mais e forme sua própria visão. Ninguém é do bem ou do mal. Nem os profissionais que seguiram na cobertura tradicional, ácida por natureza (às vezes até demais), nem os que estão no veículo oficial do clube, um trabalho digno como qualquer outro, com um editorial evidentemente institucional.

No domingo, no primeiro jogo entre os tradicionais rivais do Paraná, alguns vão querer misturar as ações. Vai se falar em bem e mal, certo e errado, fora de campo. Mas, o que haverá de fato, é o confronto entre os dois times mais vitoriosos do Estado, cada um com seu projeto. Vencerá o melhor nos dois jogos. E que vença a democracia e o esporte.

  • Em campo

O Coxa é favorito e tem a obrigação da conquista. Leva as vantagens de decidir em casa e, principalmente, de dois resultados iguais, num acerto do regulamento que evitará os pênaltis, sem levar em conta o peso dos gols fora de casa. É o time que mais investiu, o que se declarou disposto a conquistar um tetracampeonato que não vêm desde os anos 70. Pega um Atlético aguerrido, surpreendente, que chegou pela estrutura, pela camisa e por alguns poucos talentos formados na base.

O Furacão já pode considerar-se vencedor. Flertou com a queda mas acabou preparando Santos, Hernani, Douglas Coutinho e Zezinho, entre outros, para usar no elenco principal. E, de quebra, pode aprontar pra cima do rival. É Alex, o menino de ouro do Alto da Glória, contra os piás da Baixada, cada um querendo ser o que Alex já foi pelo Planeta Bola. E o que nenhum deles ainda foi: campeão paranaense.

  • Números

354 jogos até aqui na história entre ambos. Vantagem do Coritiba, com 135 vitórias, 109 empates e 110 triunfos do Atlético.

Em finais, equilíbrio total: esta será a 15a entre os times. Até aqui, sete conquistas para cada um – contando apenas campeonatos decididos em finais, ressalte-se. O Atlético venceu em 1943, 45, 83, 90, 98, 2000 e 2005; o Coxa levou em 1941, 68, 72, 78, 2004, 2008 e 2010. 

 

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