Shakira, bem-vinda a Curitiba!

Shakira no Largo não será mais montagem fotográfica

Shakira, que alegria te ver de volta! Isso porque nos meus sonhos já te vi várias vezes, mas dessa vez é pra valer. Tudo bem que você veio com o seu marido, mas eu também sou casado. E como não estou muito preocupado com o bem estar dele, vou te levar pra sair.

Ok, entre nós sabemos que você vai torcer mesmo pra Colômbia – que Espanha que nada! Mas é bom ficar de olhos abertos. Entre uma volta na Avenida Batel e outra na Cruz Machado, esse um que você escolheu pra viver pode se distrair. Nossas meninas são lindas, confesso. A Cruz Machado é a cruz que todo curitibano de bem carrega – como já dizia Paulo Leminski, esse atleticano incorrigível – e onde a perdição se torna salvação na calada da noite. Shakira, deixa disso. Você merece mais.

Merece o pedal no Passeio Publico, de mãos dadas. Deixe esse tal de futebol pra lá. Vamos até a Feira do Largo da Ordem, ouvir o Plá cantar seus versos desafinados enquanto comemos um pastel ou dois. Ou três submarinos, com o canequinho legitimamente roubado do Bar do Alemão. Podemos cantar umas no Cavalo Babão ou até no Hangar – e quem fecharia o palco para olhos assim, como os seus?

Vamos experimentar uma bela carne do onça e mataremos nossa ressaca do Tubão no Parque Barigui. Correremos o que der, entre uma capivara e outra. Deixa Piqué treinar com Xavi e Iniesta lá no frio do Caju, enquanto trocamos de estações quatro vezes por dia. Não prometo não tentar nada, afinal o Jacaré é manso, mas é um jacaré.

Podemos ver o jogo na Fun Fest na Pedreira – e vamos de ônibus, que já foi melhor, mas ainda é bom. Metro? Só a da Cruz Machado, onde começamos o passeio. Esquece isso de Shopping, de SoHo. Curitiba tem de bom mesmo é a vina, o costelão, o bolinho de carne no O’ Torto do Magrão, o pinhão, a mistura interior-capital, cabeça do mato em corpo de metrópole. Vamos nos divertir, naquele arrasta-pé do Brasileirinho, e esse negócio de Copa que dure 30 dias. E dá pra achar ruim?

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Robinho: Copa só no álbum

Jessica Tadmor é a responsável pela coordenação do projeto do álbum da Copa da Editora Panini no Reino Unido e, em entrevista à revista britânica Four Four Two, explicou como a editora define os jogadores que entram na coleção – motivo de muita discussão entre os torcedores e colecionadores. “Bem, temos que advinhar antes deles serem convocados”, conta, “mas nós cruzamos as informações das confederações com os palpites de jornalistas em todo o Mundo.” Com bom humor, tirou de letra as críticas pelos erros. “Aparentemente, David Beckham ficou muito honrado em estar no álbum de 2010, apesar de não estar nos planos do [então técnico inglês] Fábio Capello”.

Ao todo (ao menos por enquanto) 69 jogadores que estão entre as quase 650 figurinhas do álbum estão fora da Copa.

Tadmor ainda revelou que o principal produtor mundial é o Brasil: “Podemos produzir cerca de 25 milhões de pacotes por dia.” 

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Messi imortalizado na expectativa do título mundial

A imagem acima, do canal TyC Sports da Argentina, mostra uma das três estátuas inauguradas nesta quinta, 05/06, em Buenos Aires na Argentina. Messi, o principal nome da atual seleção vizinha, mesmo sem ainda ter confirmado um grande feito com a camisa alviceleste e tampouco ter marcado época em algum clube local – começou no Newell’s, mas saiu cedo para brilhar no Barcelona – já garantiu sua imortalidade nas ruas do bairro Recoleta, como parte da empolgação dos hermanos para a Copa.

As obras são do artista plástico argentino Fernando Pugliese e ganharam apoio do governo local. Além de Messi, foram imortalizados Gabriel Batistuta, atacante que brilhou nos anos 80 e 90, e, claro, Diego Maradona.

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Em Dublin, vai ter Copa e vai ter copo

Os irlandeses não são conhecidos mundialmente por sua excelência no futebol. São apenas três participações em Mundiais, com o incrível feito de ter chegado às quartas-de-final da Copa em 1990 sem ter vencido um jogo sequer (foram 4 empates com Inglaterra, Egito, Holanda e Romênia até a derrota para dona da casa Itália por 0-1). Mesmo assim, eles adoram futebol. E ainda não perdoaram o árbitro sueco Martin Hansson pelo erro que os eliminou da Copa de 2010, nas eliminatórias européias contra a França.

"França rouba", diz a pichação no estádio do Bohemians

Festivos, os irlandeses armam seus bares para ver o Mundial e boa parte adotará o Brasil como time para torcer. Apesar das ligações com a Inglaterra, não há uma simpatia – nem uma confiança – geral nos “Three Lions” (verdadeiro apelido do time inglês, e não ‘english team’), ao contrário do que acontece com os clubes ingleses. E mesmo tendo o futebol gaélico e o rugby como esportes mais populares, os irlandeses não perdem a chance de uma festa. Logo…

A admiração pelo futebol brasileiro também se deve à Sócrates. O Doutor atuou apenas uma partida pelo Garfoth Town, já nos anos 2000, depois de aposentado, mas o suficiente para deixar todos na região – Dublin está há apenas 1h de viagem de Garforth – com histórias para contar. É comum ver irlandeses com camisas com o rosto de Sócrates.

Um pouquinho de Brasil

As ligações com o Brasil também se dão pelo número de brasileiros vivendo na cidade. Isto porque a Irlanda é um dos raros países que permitem que se estude inglês e se possa trabalhar enquanto acontece o curso. Isso serve de porta de entrada de muita gente na Europa. Pessoas que tentam aprender a lingua mais falada no planeta e, principalmente, ganhar a vida em Euro. No entanto, em virtude de fraudes no sistema, vários brasileiros enfretam situação difícil na cidade atualmente.

As dificuldades e a Copa são um belo motivo para voltar. Quem não o fizer, no entanto, não ficará sem Copa. Apesar do fuso-horário (são 5 horas a mais no momento), vários bares devem abrigar os torcedores brasileiros na expectativa pelo Hexa. Um deles é o D-One, cujo dono é brasileiro. O bar já é ponto de encontro brazuca em Dublin e serve pratos como coxinha, pastel, feijoada e, claro, caipirinha. Além disso, exibe os jogos do Brasileirão.

Amigos como os rubro-negros Pedro Oliveira e Alison Karas se reunem lá para ver seus times. O primeiro é Sport, o segundo, Atlético Paranaense. Na expectativa de ver os jogos da rodada – tinha Atletiba e Sport x Corinthians – foram ao D-One. Na tela, Santos x Flamengo. Ao menos o sinal 4G realmente funciona na Europa. Alison apelou para o PFC Online, recurso oferecido pela Globosat, e viu o clássico paranaense na tela do… celular.

Alison apelou para a telinha e acabou premiado: deu Atlético sobre o Coxa

Pedro, por outro lado, insistiu com o garçom para que ao menos uma das telas do bar saísse do duelo entre Peixe e Fla para ver seu Sport contra o Timão. Demorou, mas conseguiu – há tempo de ver alguns corintianos se aproximarem para acompanhar o jogo, tudo na maior paz, como sempre deveria ser. Para azar de Pedro, o Sport esteve num péssimo dia e acabou encaixotado pelo Corinthians, 1-4.

Pedro e o jogo pelo radinho, via web

Bom para molhar a garganta

Dublin é conhecida por ser a cidade do U2, de vários castelos e da ótima cerveja Guinness – que também edita o Livro dos Recordes. Visitar a fábrica da cerveja tipo Stout é parada obrigatória. 

Portal da felicidade, esta é a entrada do Tour da Guinness

São sete (!) andares com um museu com a história da cervejaria inaugurada em 1759, o processo e a história de fabricação, a importância da marca para a Irlanda, uma experiência de sabores e cheiros, o aprendizado de como servir a cerveja (e o porquê daquela bolinha dentro das latas) e a melhor visão de Dublin, no Gravity Bar, de onde você pode ver, entre outras coisas, o Aviva Stadium, casa da Seleção Irlandesa. O passeio custa entre 6 e 17 Euros, dependendo da faixa de idade. É a cerveja mais consumida na cidade, num dos exemplos de orgulho local.

Quase gaúchos

Dublin se orgulha da excelência da Guinness, valoriza o comercio local – é comum ver faixas em restaurantes e mercados dizendo que “aqui se vende carne irlandesa” – mas, no futebol, a preferência é pelos clubes ingleses, especialmente Liverpool e Manchester United, e pelo Celtic, da Escócia. Os escoceses contam com enorme torcida na cidade, tudo em virtude do catolicismo, religião de 11 entre 10 irlandeses. Reds e Devils ganham adeptos pela proximidade e pelos desempenhos favoráveis. Azar dos times de Dublin.

Bohemians, Athletic St. Patricks e Shamrock Rovers são os clubes de Dublin. Nenhum usa com frequência os dois principais estádios da cidade, o Aviva e o Croke Park – este muito usado pelo rugby e pelo futebol gaélico. A maior rivalidade é entre os Bohs e os Rovers. Ambos têm seus estádios, acanhados, para menos de 10 mil pessoas. O do Rovers é na verdade um estádio público, arrendado pela equipe, e muito mais moderno e confortável.

Os Rovers também são os mais bem sucedidos na cidade. Seu último orgulho foi a disputa da Liga Europa 2011/12, edição transmitida ao vivo aqui no Terra. O orgulho não se deu pelos resultados e sim pela turnê internacional contra Rubin Kazan da Russia, PAOK da Grécia e Tottenham da Inglaterra. Em campo, seis derrotas na fase de grupos, com 4 gols pró e 19 contra. O estádio ainda tem um enorme painel com o mapa da Europa e o logo da Liga, assim como um pequeno museu, cujo destaque, além das taças locais, é a placa abaixo, na referência ao duelo inaugural contra o Real Madrid, derrota por 0-1.

Pequenas glórias, pequenas alegrias no futebol irlandês

Cruyff dispara: não será uma grande Copa

Cruyff, craque da Holanda: craques estão esgotados

Johan Cruyff não anda bem humorado em relação ao futebol. Depois de “declarar guerra” a Neymar, o eterno craque da Holanda não acredita numa grande Copa do Mundo, pelo menos no aspecto técnico.

“Primeiro temos que ver quantos jogadores vão chegar bem ao torneio. Não muitos, eu acredito. As ligas nacionais estão exigindo tanto nos últimos tempos que eles estão minando seu nível físico”, disse em entrevista à revista da KLM, companhia aérea holandesa, que encontrou o ex-jogador em Barcelona, cidade onde ele reside. Cruyff não está tão distante da realidade: Falcão Garcia está fora por lesão, Cristiano Ronaldo e Ribery estão ameaçados e Messi já não vive grande fase, entre outros lesionados, como o holandês Strootman e o italiano Montolivo. A exceção é o Brasil.

A bronca tem também um certo bairrismo: “O orgulho de muitos sul-americanos está em jogo. E nenhum europeu nunca conseguiu vencer uma Copa na América do Sul”, aponta. A Holanda dele, em 1978 – já sem Cruyff, perdeu a segunda de suas três finais em 1978, na Argentina.

A Holanda é, aliás, uma das poucas seleções de ponta no Mundo a não ter um título de Copa. São três derrotas em três finais (1974 para a Alemanha, 78 para a Argentina e a última, 2010, para a Espanha). Campeã européia em 1988, a Holanda persegue o título com uma seleção forte, que fez brilhante campanha nas eliminatórias. As derrotas, porém, servem até de piada para os locais. Na loja “Copa”, especializada em futebol na cidade de Amsterdã, a camisa abaixo é sucesso de vendas.

Quase, Holanda...

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O ‘Fantasma de 1950’ também assombra o Uruguai

A história secreta do Maracanazzo, na visão uruguaia: fantasma dividido

Muito já se falou e ainda se falará sobre a derrota do Brasil em casa na final da Copa de 1950 para o Uruguai. Depois de 64 anos, a Copa volta ao país que mais vezes ganhou o Mundial e uma nova derrota traria a tona todos os traumas da primeira vez aqui. No entanto, o que poucos sabem ou comentam é que o ‘Fantasma de 1950’ também assombra o Uruguai.

É a tese de Atilio Garrido, jornalista uruguaio autor do livro “Maracanã, a História Secreta”. O livro conta os bastidores daquela conquista histórica da Celeste, relembra que o mesmo Uruguai já havia vencido o Brasil meses antes da Copa e principalmente: atribui os últimos 64 anos de fracassos dos vizinhos, não só no esporte, aquela vitória épica.

Segundo o livro, o Uruguai era um país em plena evolução social, artística e política naqueles tempos. Expoente nas américas, os vizinhos já tinham representantes fixos na ONU e no tribunal internacional de Haya, eram reconhecidos internacionalmente pelo teatro, a poesia e a música (sem contar a eterna disputa com a Argentina para saber quem é o país de Carlos Gardel) e enquanto a América do Sul engatinhava politicamente, o Uruguai vivia uma democracia plena. 

Apenas 72 dias antes da histórica final no Maracanã, o Uruguai tinha feito 4-3 na mesma Seleção Brasileira, no dia 5 de maio de 1950, em São Paulo. Na ocasião, olhados os anos anteriores, eram os uruguaios os reis do futebol. Bicampeões olímpicos e campeões mundias em 1930, a Celeste também tinha 8 títulos da Copa América contra apenas três do Brasil (os argentinos tinham nove; hoje, Uruguai 15, Argentina 14, Brasil 8). Embora o Brasil fosse o campeão sul-americano de 1949, o Uruguai tinha mais lastro.

“Tínhamos mais time. Era um grande time de futebol”, conta Garrido. “Ganhar era normal, o problema foi como tudo aconteceu”. Ao enfrentar o país-sede na final, o ótimo Uruguai se viu na pele de vilão. O Brasil também tinha um grande time e havia feito uma campanha fabulosa. Diferente dos dias atuais, não havia final. O Brasil enfrentou o Uruguai na última rodada do quadrangular decisivo após atropelar a Suécia por 7-1 e a Espanha por 6-1, no jogo embalado pela marcinha “Touradas em Madri”. Os uruguaios haviam penado para bater os suecos (3-2) e não passaram de um empate em 2-2 com a Espanha. Na última rodada, o Brasil jogava pelo empate e saiu na frente, 1-0.

“O Maracanazzo foi um ponto central na vida e na cultura uruguaia. Aquela virada, atribuida ao espírito Criollo, acabou por mudar toda uma geração”, atesta a obra. O tal espírito é o que por aqui chamamos de raça. A abnegação uruguaia, a superação ao calar 200 mil vozes e virar o jogo no Rio de Janeiro, trouxe ao país um recado de que o esforço supera o estudo. “Desgraçadamente, em todos os cenários intelectuais, quis se mostrar que esse seria um país sem fé, de burocratas obsoletos. Depois do Maracanã ficou mais bonito sermos indolentes, mostrar fé, ser Criollo ao invés de privilegiar a dedicação e a preparação técnica”, aponta a obra.

“Ainda estamos vivendo aquele Maracanã. Aqui, sinto que nos instalamos no ontem e de lá não queremos sair” é outra frase forte que sustenta a tese de Garrido. No entanto, o livro não é só tristeza e lamúria, como se a conquista não fosse querida. A obra passeia pela montagem do time, de um rompimento político com a AUF (Associação Uruguaia de Futebol) e dos relatos de viagem e diários de todos os atletas, com clubes de origem.

Curiosamente, no Brasil a tese é oposta: foi a partir da derrota de 1950 e do sentimento de vira-lata criado e combatido que a Seleção se tornou a maior de todas, vencendo mais que qualquer uma.