Atlético recria a Hungria de Puskás

Puskas parece o Walter, mas era melhor fisicamente que a imensa maioria

O ano era 1952. A Hungria já tinha alguma tradição, vice-campeã do Mundo em 1938 ao perder para a Itália. O futebol era recanto de bôemios, marginalizado pela sociedade, embora curiosamente já arrastasse multidões para os estádios. Começando pelo Honved e chegando até a seleção, os húngaros fizeram algo que até então ninguém havia pensado: se prepararam fisicamente. O jogadores tornaram-se atletas. A Hungria ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Helsink, na Finlândia e em 52 jogos internacionais até 1956, perdeu apenas um. Justamente a final da Copa de 1954, para a Alemanha, a quem na primeira fase havia enfiado 8-3. Coisas do futebol.

O ano é 2013. Em decisão polêmica, mezzo técnica, mezzo política, o Atlético retira o time principal do Estadual e leva para uma pré-temporada na Espanha. Vence um torneio curto, contra times do Leste Europeu, enquanto o time Sub-23 apanha no Paranaense. Volta e fica no aguardo, vendo a reação do Sub-23, que, dada a estrutura do clube, a precariedade dos adversários e três ou quatro talentos, chega a decisão contra o forte Coritiba de Alex. O clube perde, mas o projeto estava 50% pronto, como constatado aqui. Os outros 50% dependiam do sucesso do elenco profissional, que patinava em amistosos contra reservas de Cruzeiro, Figueirense, Goiás e Atlético-GO.

A pré-temporada durou seis longos meses. O Brasileiro começa e, sem ritmo, o Atlético entrega pontos para Fluminense e Vitória, mesmo jogando melhor, e cede empates para Flamengo e Cruzeiro, depois de abrir 2-0. Questionado, o técnico Ricardo Drubscky é substituído por Vagner Mancini, mais experiente e mais próximo dos jogadores. Depois da Copa das Confederações, o Atlético sai da 19a posição para o 4o lugar. Derruba uma invencibilidade histórica do xará mineiro no Horto, bate no líder Botafogo, impõe 3-0 ao Palmeiras, líder isolado na Série B. Tudo com um time mediano, cujo talento máximo é Paulo Baier, 38 anos. Qual o segredo?

As pernas.

Não são apenas um ou dois lances que demonstram isso nos jogos do Atlético. Especialmente no 2o tempo dos jogos, o Furacão passa a sobrar em campo. Jogadores rápidos, como Léo, Manoel e Marcelo, se tornam ainda mais rápidos que os demais; o zagueiro do Atlético nunca chega atrasado nas bolas. Não leva cartões nem permite muitos lances de perigo. Os atacantes chegam quase na frente dos adversários. Um clube com orçamento menor que outros 12 clubes na Série A vai cumprindo seu objetivo. Ainda tem chão, tanto na Copa quanto no Brasileirão. Falar em título pode ser utopia para alguns, mas, com um campeonato tão aberto, mesmo com elenco modesto, o Furacão se permite sonhar. Ao menos com uma vaga na Libertadores.

Dos titulares – 12, se incluído Ederson, o reserva de luxo artilheiro do Brasileirão – apenas o volante Bruno Silva e o atacante Dellatorre não estiveram na pré-temporada. Zezinho é o único que disputou o Estadual. Destaques como Douglas Coutinho, Deivid e outros ainda desfalcam o elenco. E ainda há os misteriosos Maranhão, meia que veio do México, e Frán Mérida, formado no Barcelona, que não deu as caras nesse time de 2013.

Enquanto todos jogavam os Estaduais, o Atlético inventou seu calendário. Aguentou a festa do rival Coritiba tetracampeão e agora parece estar colhendo os frutos. O Corinthians, campeão do Mundo, teve de antecipar as férias e já fez 28 jogos a mais que o Furacão; o líder Cruzeiro, 15 a mais; o Botafogo, 20 a mais. O que menos jogou na Série A foi o Vasco, 12 partidas a mais que o Atlético, e isso porque foi eliminado precocemente do Cariocão.

Todas as equipes vão perder jogadores por lesão e cartões; todas vão sentir as pernas em algum momento. São Paulo e Santos chegarão ao absurdo de fazer quatro partidas em menos de 10 dias, para cumprir a tabela em função de viagens ao exterior – outro desgaste. O Atlético estará nessa, mas com menos desgaste.

Para confirmar a vitória da ideia, o Furacão precisa ser ao menos semifinalista da Copa do Brasil e beliscar uma vaga na Libertadores. Se não conseguir, já deixará uma pulga na orelha de todos os clubes. Se conseguir isso ou mais – um título, por que não? – poderá mudar a cara do futebol brasileiro.

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Em patrocínio inusitado, Organizada devolve ao clube o que ela mesma tira

A camisa do Paraná, patrocinada pela "Fúria Independente": mão invertida

O inusitado patrocínio da torcida organizada “Fúria Independente” ao Paraná Clube é caso para ser estudado à fundo e deixar todos, especialmente o torcedor comum, de olhos bem abertos.

Não vou entrar nos méritos da possível ingerência da TO no clube pois, além de suposição, é também óbvio que ela já aconteceria mesmo sem o patrocínio. Torcidas Organizadas tem poder de milícia, vigiam a vida de jogadores e dirigentes (imprensa também), normamente de maneira pouco cordial. Duas derrotas e se pede a cabeça de todo mundo. Ou quase: existe quem se proteja pagando um soldo às mesmas. Vale para todas. Seguindo essa lógica, é melhor então que as cobranças acompanhem um repasse financeiro ao clube, no melhor estilo “paguei, cobrei”, já que fariam de qualquer maneira – o histórico não me desmente.

O que chama a atenção é a relação comercial entre uma empresa com CNPJ e tudo mais – no caso, a “Fúria” e um clube de futebol que tem no anunciante um concorrente direto.

Sob a justificativa de que “apoiam incondicionalmente” e “estão juntos em todos os momentos”, as Organizadas se sentem um pouco donas de seus clubes. Assim, se apoderam das marcas dos mesmos, usando isso como fonte de renda. Explicando melhor: para qualquer torcedor, é mais barato comprar uma camisa ou um agasalho da torcida organizada do que investir nos (caros) materiais oficiais do clube do coração. Uma camisa da “Fúria” custa R$ 80 (R$ 70 para sócios da torcida em dia – outra concorrência interna, tratada a seguir) enquanto a camisa oficial sai por R$ 129,90. São 49,90 de diferença, podendo chegar a R$ 59,90.

Para um torcedor menos abastado, a simbologia é a mesma. Perante os amigos, ele marca sua paixão pelo clube e ainda ganha o “bônus” de se dizer pertencente à uma facção – o que no futebol significa respeito. O símbolo do Paraná Clube – e de tantos outros – está presente na camisa que, curiosamente, é sempre desvinculada pelas diretorias das TOs em episódios de violência. Além das camisas, as organizadas vendem outros artigos, como copos, bonés, etc. Tudo, claro, sem repasse de royalties.

O desconto para o sócio da torcida é outra concorrência desleal, que vampiriza o clube. O Paraná Clube hoje tem cerca de 4 mil sócios do futebol (há também sócios do clube social); a “Fúria” tem 15 mil cadastrados, com 500 em dia. Não obtive informações de quantos são sócios de ambos, mas, para ser sócio da torcida, são três planos: Ouro, a R$ 1000, Prata, a R$ 500, e Bronze, a R$ 100. Uma vez pago o valor, a manutenção custa R$ 10/mês. Já o Paraná Clube cobra R$ 80 reais a mensalidade para torcedores que queiram ficar no mesmo local da TO no estádio – a Curva Norte. Para contribuir com ambos, é necessário desembolsar uma média de R$ 170 por mês no melhor plano. Ou quase 1/3 do salário mínino, custo para poucos. Em número de sócios, cerca de 15% de perda associativa para a TO. Aqui, cabe uma ressalva: a “Fúria” garante que repassa 50% do valor de sua associação para o próprio clube. Não há confirmação se há relação direta com cessão de ingressos. Os benefícios são descontos em produtos e viagens e participação em festas – outra fonte de arrecadação.

Ao pagar R$ 50 mil para o clube, por dois jogos (Sport e Guaratinguetá), a “Fúria” passa o recibo de ser colaborativa mas, na verdade, apenas está devolvendo ao Paraná o que ela mesmo tira. É uma mão invertida. Ela está pagando agora o benefício de usar a marca do clube por tanto tempo. Não sem antes aproveitar para ela mesma se divulgar.

Após as entrevistas do técnico Dado Cavalcanti e do presidente em exercício Paulo Cesar Silva, de que o clube está sem dinheiro e precisa de toda a ajuda possível para se manter, é difícil condenar a ação da TO. No entanto, é preciso refletir o quanto a própria (e todas as outras) colaboram para que os clubes arrecadem menos e estejam em situação financeira precária.

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Arbitragem ruim: vai acontecer com seu time também

O pênalti da discórdia: vai acontecer com todo mundo

O Coritiba foi prejudicado por um pênalti mal marcado à favor do Corinthians, o que transformou um empate que manteria o Coxa no G4 numa derrota que pôs o Timão lá. Isso é um fato: o árbitro marcou um pênalti que é tão unânime não ter existido que até nos faz pensar se não foi mesmo. E não foi.

Então, é o Corinthians, no Pacaembu. E as teorias da conspiração começam. Não foi a primeira vez que o Coritiba foi prejudicado por um erro de arbitragem e não será a última. Não foi a primeira vez que o Corinthians foi beneficiado e, acreditem, não será a última. Proposital?

Como jornalista e apaixonado pelo esporte, enquanto não se tiver provas, não tenho como acreditar que seja proposital. Que na verdade trata-se de acaso e incompetência.

Senão, vejamos: na última quarta-feira, em Curitiba, o Coxa arrancou um empate suado com a Portuguesa depois dos 45 do segundo tempo, com um gol de Bill, em posição de impedimento. O jogo não foi num domingo à tarde, com transmissão para boa parte do Brasil, como o duelo entre corintianos e coxas-brancas. As reclamações da Lusa passaram batidas. A Lusa não é a única a ser prejudicada, como o Coxa também não é. 

Segundo o site Placar Real, que monitora reclamações dos clubes e simula uma classificação sem os supostos erros, os times mais prejudicados no Brasileirão até aqui são Atlético Paranaense, Vasco, Grêmio, Portuguesa e, acreditem, Corinthians – isso, antes das avaliações da 15a rodada. Entre os beneficiados, o destaque é o Inter, com três pontos contabilizados, seguido de Goiás, Cruzeiro e Criciúma.

O problema não está no pênalti inexistente marcado para o Corinthians. Está na qualidade da arbitragem, não só no Brasil, mas em todo o planeta. Arbitragem que pode ser covarde, conivente, incompetente e, principalmente, humana – portanto, falível. Mesmo com dois auxiliares novos extras na linha de fundo. Neste sábado, transmiti pelo Terra a vitória do Bayern sobre o Eintracht em Frankfurt. O time da casa teve um gol mal-anulado e acabou derrotado. Há que se dizer: não se viu em campo as reclamações acintosas que se vê no Brasil. Questão cultural. 

As teorias da conspiração vão manter os bares e mesas-redondas com assunto até a próxima rodada. Até o próximo erro grave. São muito fruto de uma cultura brasileira que dá muito espaço para os clubes de Rio e São Paulo e pouco olha para fora. O Coritiba – que poderia ser o Atlético, o Bahia, o Sport e até mesmo os mineiros e gaúchos – se sente desprestigiado em relação ao Corinthians. Está menos na mídia, gera menos polêmica, tanto pro bem, quanto pro mal.

O Corinthians, por sua vez, ficou estigmatizado pelo escândalo de 2005, no qual não teve nenhuma relação. As falcatruas por apostas ilegais envolvendo o então árbitro Edilson Pereira de Carvalho fizeram o campeonato ter jogos anulados. O Timão se beneficiou nas novas oportunidades enquanto o Inter perdeu a vantagem que havia construído antes. No confronto direto, erro grave a favor dos paulistas, no pênalti em Tinga, não marcado e que ainda gerou a expulsão do gaúcho. O Corinthians acabou campeão. Levou a taça e a imagem, mas, convenhamos: foi proposital? O próprio arbitro Márcio Rezende de Freitas já assumiu que errou no lance.

Se há conspiração, por que o gol de Aloísio, que aliviaria a situação do São Paulo, foi anulado contra a Portuguesa? Como o Palmeiras foi parar na Série B? Como o Atlético Mineiro chegou ao título da Libertadores, com direito a um pênalti corretamente marcado para o Tijuana, no meio do caminho, sendo que o Corinthians acabou eliminado com erros de arbitragem contra o Boca? A Conmebol afinal não desejava que um brasileiro fosse campeão mais uma vez, certo?

O problema é que o futebol é caro demais e profissional demais para permanecer com arbitragem amadora e sem auxílio de equipamentos eletrônicos. As decisões, que hoje custaram a um clube com o orçamento do Coritiba, bem menor que o do Corinthians, uma vaga no G4, estão na mão de apenas uma pessoa. Sem auxílio e com segundos para fazê-la.

Em Flamengo x São Paulo também houve pênalti mal marcado. Jadson perdeu. E aí entramos em outro assunto: se por um lado a Fifa deveria rever para ontem o auxílio eletrônico, os clubes também não devem se encostar no papel sedutor de vitima.

Um estudo publicado no livro Soccernomics (um Freaknomics da bola) aponta que os jogos com pênaltis marcados (correta ou incorretamente) acabam com vitória do favorito em 49% das vezes, enquanto os jogos sem nenhum tipo de pênalti marcado resulta em vitória do favorito em 46% das vezes. Os números foram extraídos de 1520 partidas na Premier League inglesa (que também tem times grandes e pequenos). Apenas 3% de diferença, estatisticamente desprezível. E isso porque pênalti (mal) marcado não é sinônimo de gol. Jadson que o diga.

Se os clubes se encostarem nos erros, se os torcedores se encostarem nas teorias conspiratórias e se a imprensa não identificar a causa real de tantos erros de arbitragem ao longo da história, o ciclo não terá fim. Bom para conversas de boteco, mas péssimo para o futuro do futebol num todo. Ninguém gosta de um jogo previsível e com cartas marcadas. E pode ter certeza: vai acontecer com o seu time também.

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Sergio Cabral e ministro articulam para amortizar dívida do Vasco

Vascaíno, Cabral articula política em prol do clube

Está preparado e pode ser assinado nos próximos dias um documento com a determinação dos Ministérios da Fazenda e da Advocacia Geral da União que abrirá, se confirmado, um precedente único em prol do Vasco, amortizando a dívida do clube com a Receita Federal. Com a participação do governador do Estado do Rio de Janeiro, o vascaíno Sérgio Cabral Filho, o ministro Guido Mantega e o Advogado-Geral Luís Inácio Lucena Adams devem referendar uma redução de um terço nos pagamentos penhorados pela Justiça junto ao time cruzmaltino, alargando também os prazos de pagamento das pendências do clube com a Receita.

A informação corre nos bastidores em Brasília. O blog teve acesso a minuta elaborada que pode favorecer ao Vasco que, se não cumprir seu acordo atual, pode perder o patrocínio principal da camisa, a Caixa Econômica Federal.

O Vasco tem um total de R$ 135 milhões em dívidas com a Receita. Destes, 20 milhões já estão depositados judicialmente em razão de penhoras; outros 75 milhões seguem em aberto, oriundos principalmente do não-recolhimento de impostos dos salários de funcionários (atletas incluídos) após retenção na fonte. 

Este valor está sendo pago em parcelas mensais de R$ 1,8 milhão, desde a metade de 2012, com valores de receitas futuras penhoradas pela Justiça, entre elas, a antecipação de verbas dos direitos de televisão. Parte do valor pago pela emissora, com antecipação de contratos, sequer passa pelo clube, indo diretamente para a Receita.

Há ainda pendências da loteria Timemania, na ordem de R$ 40 milhões, fechando a conta acima. Recentemente, o Vasco passou a atrasar em até dois meses o pagamento das parcelas, mas ainda assim conta com benefícios e redução de juros. A lei prevê que esses direitos são perdidos apenas quando três parcelas são atrasadas.

O clube assinou um documento, com a atual diretoria se comprometendo com esse acordo. Mas resolveu mudar a estratégia. Encaminhou um pedido de redução das parcelas para R$ 600 mil mensais, pedindo ainda um prazo de 5 anos para a quitação desta dívida. A Receita negou o pedido, mas esbarrou na articulação política de Cabral, que mobilizou-se para tentar atender os pedidos do clube do coração. Se assinado, o documento abre um precedente para que outras dívidas e devedores sigam o mesmo caminho. A medida não deverá constar em Diário Oficial, sendo levada diretamente ao Poder Judiciário para homologação.

Sem contar com o mesmo “apoio” do governador fluminense, em fevereiro deste ano o Flamengo, aproveitou receita de um contrato publicitário e quitou R$ 11 milhões restantes de uma penhora de R$ 18 milhões que o clube tinha, zerando esse débito com a Receita. Assim, conseguiu as certidões negativas que precisava para receber o patrocínio da Caixa.

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Ceni, São Paulo, Super-Homem e o comunismo

Mito. Ídolo. Super-Homem. Controla tudo. (DC Comics)

Acabo de ler a mini-série “Superman: Red Son”, ou “Filho Vermelho”, que trata a realidade alternativa, nos quadrinhos, de como seria o Mundo se o foguete de Kal-El, partindo de Krypton, tivesse caído na Ucrânia e não nos EUA. Descoberto por Stalin, o Super-Homem tornou-se um símbolo do comunismo. Mesmo a DC Comics sendo uma editora norte-americana, a trama passa longe de condenar o sistema comunista e mais longe ainda das patriotadas típicas de Hollywood. Escrita por Mark Millar, mostra a ascensão do sistema sob o comando do Super-Homem após a morte de seu “pai” político, Stálin, na mesma medida em que ruía o capitalismo – e por consequência, os EUA. O Mundo, exceção feita aos norte-americanos, adere ao comunismo e vive seu momento mais glorioso. Ninguém passa fome, as doenças têm cura, não há criminalidade e sequer chove sem que o líder Super-Homem verifique se todos saíram de casa com seus guarda-chuvas. Enquanto isso, nos EUA, um indignado Lex Luthor tenta combater, sem sucesso, a ascensão comunista. Até que ele descobre o calcanhar de Aquiles do Super-Homem.

Qual seria e o que isso tem a ver com Rogério Ceni e o São Paulo? Comando e controle.

Luthor faz com que o Super-Homem perceba que, por melhores que sejam suas intenções, ele passou a ser o grande controlador de toda a humanidade. Ninguém tem liberdade de ação ou pensamento. Todos devem pedir autorização, até para errar, ao comandante. E erros, claro, não são bem-vindos. O Super-Homem se torna o ditador que ele sempre combateu e via no comando capitalista norte-americano.

Rogério Ceni é o maior ídolo da história do São Paulo, não há dúvidas. Poucos fizeram tanto por um clube dentro de campo. Ceni é politizado e não foge dos debates. É liderança e negar tudo o que ele fez de bom pelo São Paulo é lutar contra a história. Mas tudo na vida tem um tempo. 

Ao atirar contra Ceni, o ex-técnico Ney Franco abriu feridas no clube do Morumbi e talvez não tenham dado às declarações dele a real importância. Dividiram-se os críticos entre os que não suportam ver a imagem de Ceni arranhada e os que detestam o goleiro são-paulino por tudo que ele representa. Conheço Ney Franco pessoalmente e não conheço Rogério Ceni no mesmo grau. Acompanhei o trabalho de Franco no Atlético, em 2008, e no Coritiba, de 2009 a 2010, na pior fase da história do clube. Ney Franco é bom sujeito e bom caráter. Pode até não ter agido bem ao falar bem depois de ter saído do clube, mas, afinal, não é o que todos esperávamos e sempre esperamos? Que se escancarem as “caixas-pretas” do futebol? Franco, como Luthor, pode até ser pintado como vilão aos são-paulinos, mas deve ser melhor entendido, não dividido entre os que amam e os que odeiam.

Colocar todo o peso da crise do São Paulo nos colos de Ceni é demais, mesmo pra ele. A crise envolve questões políticas, ambiente interno e até qualidade técnica dos jogadores. Ceni não é o único a falhar nem o único a ter proteção no clube. Mas é o símbolo, não só do time, mas do clube num todo. Quando Franco traz elementos de vestiário, dizendo da força do capitão do São Paulo, é preciso pensar que peso isso tem na hora em que ele, e não um atacante, decide cobrar um pênalti; na hora em que um afobado Aloísio coloca a mão na bola que entraria e traria ao menos um empate no derby com a Portuguesa; no momento em que se quer mexer em Luís Fabiano ou no próprio Ceni, mas não se faz, para evitar conflitos internos.

Nos quadrinhos, o Super-Homem sai de cena, derrotado pelo arqui-inimigo com o argumento já citado. Luthor aproveita tudo o que foi construído de bom pelo comunismo, reinstaura o capitalismo, muda-se o controle e o Mundo se sente mais livre. É o caminho para uma reação são-paulina em campo? Difícil dizer.

Mais difícil ainda é ver se alguém tem forças e coragem de se opor aos ícones do clube.

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O jeitinho argentino pra não matar o futebol

Torcida do Boca ignorou lei com a ajuda do adversário

Torcedores violentos – daqui pra frente chamados de bandidos – e cartolas “geniais” perderam a primeira batalha pelo fim do futebol na Argentina. No melhor estilo brasileiro, os hermanos deram um belo drible na lei que chegou ao cúmulo de proibir, primeiro a torcida visitante, depois que não-sócios vejam os jogos do Campeonato Argentino (leia clicando).

É bem verdade que os seguidos episódios de violência no país vizinho levaram a essa decisão. Apenas sócios do clube mandante podem assistir aos jogos nos estádios. Rapidamente, todos chiaram; os pequenos, porque perderão em arrecadação ao receberem os grandes; estes, por sua vez, por não ter suas fiéis e numerosas torcidas ao seu lado. Pelo menos é o que todos acharam.

“La mitad más uno”, como é conhecida a torcida do Boca Juniors, a maior da Argentina, deu um “rrreytigno” (favor pronunciar para melhor compreensão) de não abandonar a equipe em Córdoba, no jogo da última quarta (07/08) contra o Belgrano, pela 2a rodada do “Torneo Inicial”. Com o apoio da diretoria do Belgrano, foi criada uma modalidade de “sócios temporários”, com emissão de carteirinha e tudo mais. Exatos 5390 “novos sócios” se juntaram às fileiras do Belgrano nos dias das vendas dos ingressos, pagando, cada um, 70 pesos.

O volume foi tão acima do esperado que a Associação de Futebol Argentina, fingindo que nada sabia, teve que mudar o jogo de local. A partida saiu da casa do Belgrano, o Estádio Alberdi, com 28 mil lugares, para o Estádio Mário Kempes, para 57 mil pessoas. O público, não confirmado em borderô, foi de mais de 30 mil pessoas. 

O Boca venceu o jogo de virada, 2-1. Sem espaço para vibrar, a cantarolante torcida xeneize teve de comemorar calada os dois gols, como você pode perceber nesse vídeo da TV Missiones:

Não há previsão de mudança na norma baixada pelo Governo Argentino. Lá, como cá, prefere-se tapar o Sol com a peneira e matar o cachorro ao invés de tratar as pulgas.

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O 8-0 do Barcelona expõe todas as feridas do futebol brasileiro

Aranha caído: com ele, o futebol de clubes do Brasil

Não se pode aceitar com tanta naturalidade que o Barcelona tenha feito 8-0 no Santos. Nenhum grande clube brasileiro – diria até que nenhum que dispute a Série A – pode levar oito gols e entender, com humildade, que o Barça é poderoso demais. Especialmente um clube com a história e a camisa do Santos.

Sabe-se que o Santos está longe dos seus melhores momentos. Tem um time titular envelhecido e enfraquecido com a saída de Neymar – justamente para o Barcelona. Mas o Santos é um dos principais clubes do Brasil. Do futebol mais vitorioso do Mundo, o que revela mais talentos, o que mais ganhou jogos e títulos na história desde que a bola é redonda. Perder para o Barcelona é aceitável; perder de 8 e aceitar, não. Para nenhum time brasileiro.

Tão ruim quanto, embora muito menos impactante, foi ver o São Paulo “comemorar” a derrota para o Bayern de Munique por “apenas” 2-0. O placar não foi maior porque o São Paulo é melhor que o Santos – embora, vejam, perdeu no confronto direto no Brasileirão. Mas tem jogadores mais cascudos, mais ambientados e que não sentiram o mesmo impacto que os atletas santistas ao visitar um poderoso europeu. 

Santos e São Paulo deveriam ter vencido Barça e Bayern? Há que ser realista: não conseguiríam, hoje. Talvez o Atlético Mineiro, campeão da Libertadores, consiga fazer frente ao Bayern no fim do ano, jogando como Inter, São Paulo e Corinthians jogaram contra Barcelona, Liverpool e Chelsea: como o time menor. Jogando consciente de suas limitações, marcando duro e aproveitando os erros. Esse é o quadro realista. 

Mas por que raios os clubes brasileiros, soberanos na América, não conseguem fazer frente aos Europeus a ponto de uma das principais camisas do País ter sido sumariamente humilhada no Camp Nou? Porque o futebol brasileiro não se importa com seus clubes.

Falta à CBF uma diretoria de clubes. Aquilo que muita gente chama de Liga, com ou sem racha com a atual direção. Um grupo que faça com os clubes o mesmo que é feito com a Seleção. Falta intercâmbio. Falta enxugar os Estaduais, permitindo que jogadores e técnicos possam ir à Europa ou mesmo até a vizinha Argentina fazer uma boa pré-temporada.

Falta fazer com que chineses, coreanos e japoneses saibam que Neymar era do Santos, Zico foi do Flamengo, entre outros, e se interessem tanto pelos brasileiros quanto pelo Manchester United, ajudando-os no aumento de receitas. 

Falta valorização interna. A distância aberta para o Barcelona é a mesma, por exemplo, que se tenta criar internamente, quando se paga mais em cotas de TV para alguns, desequilibrando o campeonato. O que já acontece na Espanha, que tem o Barça como um dos dois pólos, mas que tem um “país”, a Catalunha, trabalhando para si. Não o que acontece na Alemanha, do multi-campeão Bayern, que vê em Borussia Dortmund, Schalke 04, Bayer Leverkusen, Hamburgo e alguns outros rivais reais na briga pelo título nacional.

Por mais dolorosa que possa ter sido a goleada sofrida pelo Peixe, ela deve ser discutida abertamente por quem se importa com o futebol brasileiro. Santos, São Paulo e outros devem ir mais vezes ao exterior, como o Atlético Paranaense foi no começo do ano, disputar um torneio na Espanha em detrimento do Estadual. Como Cruzeiro e Fluminense fizeram nos EUA, durante a Copa das Confederações. Devem ir, interagir, vender sua marca, estudar mercados, ver novos jogadores. Devem contar também, principalmente, com a ajuda da CBF, desde repensar o calendário e a distribuição de renda até a conseguir que os clubes visitem esses mercados mais frequentemente.

Vai acontecer? Não sei. Depende da boa vontade de quem comanda o futebol brasileiro. Já as goleadas continuarão acontecendo, se nada disso for repensado.

  • Outro lado

Se a distância entre os brasileiros e os principais europeus ficou escancarada na derrota do Santos para o Barcelona, nas Américas, a economia do País está fazendo a diferença. Mesmo com todas as mazelas já citadas, pelo quarto ano seguido, o campeão da Libertadores é brasileiro; pelo nono ano seguido um brasileiro esteve na decisão, sendo que em 2005 e 2006 a final foi entre dois brasileiros. Nos últimos 21 anos – período que compreende também a consolidação do Plano Real – apenas em três ocasiões a final não teve ao menos um clube brasileiro. Do São Paulo de Telê ao Galo de Cuca, apenas em 1996, 2001 e 2004 a decisão deixou de ter um brasileiro, vagas que foram ocupadas pelos gigantes argentinos Boca (duas vezes) e River, América de Cali e Once Caldas da Colômbia e Cruz Azul do México.

Durante esse mês alguns clubes europeus visitaram a América invertendo o intercâmbio. Foram oito jogos com Porto de Portugal e os espanhóis, Sevilla e Atlético de Madrid visitando Nacional do Uruguai, Estudiantes de La Plata, Barcelona de Guayaquil, Deportivo Anzoátegui da Venezuela, Atlético Nacional da Colômbia, Universidade Católica do Chile e Sporting Cristal do Peru. No placar geral, 5 vitórias européias, 2 americanas e 1 empate. É difícil o exercício de colocar os brasileiros no comparativo. É possivel imaginar que se os três europeus ficassem apenas pelo Brasil, tivessem resultados piores. Mas é subjetivo e a realidade mais próxima é imaginar os brasileiros acima dos vizinhos, no nível dos médios europeus e abaixo dos grandes. Tanto é que o São Paulo acabou derrotando o Benfica, vice-campeão da Liga Europa.

É um posicionamento de mercado bom o suficiente para o que representa o futebol brasileiro?

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O atalho mais fácil para a Libertadores mudou

Começou nesta terça (30) a Copa Sulamericana 2013, daqui por diante, “o atalho mais fácil para a Libertadores”. Pelo menos é essa a expectativa de nove clubes brasileiros, com a mudança no regulamento que integrou os times da Libertadores à Copa do Brasil, tornando o antigo atalho mais espinhoso. Clubes da Série A, como Coritiba, Ponte Preta, Bahia e Vitória foram surpreendidos por Nacional do Amazonas (eliminou os dois primeiros), Luverdense-MT e Salgueiro-PE, equipes que estão nas Séries D e C do Brasileirão. Como prêmio de consolação, entraram na Sulamericana 2013 – bônus que atingiu até mesmo o Sport, hoje na Série B nacional.

Depois que a bola rolar nesta terça para Liga de Loja, do Equador, e Deportivo Lara, da Venezuela, a teoria poderá se tornar prática. Apesar da imensa maioria dos nomes da Sula assustarem menos os participantes do que equipes como o campeão da Libertadores Atlético-MG, do Mundial, Corinthians e o líder do Brasileirão, Cruzeiro, entre outros, não só de coadjuvantes é feita a competição dois da Conmebol. Na tabela abaixo, você pode ver os cruzamentos possívels até a decisão.

Equipes como o River Plate da Argentina (há também o River uruguaio nessa competição), os também argentinos Vélez e Lanús, a Universidade Católica do Chile, o Atlético Nacional da Colômbia, o Cerro Porteño do Paraguai e o Peñarol, do Uruguai, são tão postulantes ao título quanto os brasileiros. Outros ilustres desconhecidos, como o impagável El Tanque Sisley do Uruguai, o Deportivo Pasto da Colômbia ou o Inti Gás, da empresa peruana fornecedora de gás combustível, deixam a Sulamericana com a cara de uma grande competição entre bairros.

É grande a chance de um brasileiro estar na decisão, mas dependerá de Ponte ou Criciúma (quem avançar no duelo interno) fazer a primeira final nacional no torneio, que já teve dois brasileiros campeões: Inter, em 2008, e São Paulo, o atual detentor do título – que por isso entra diretamente nas oitavas de final. O Tricolor Paulista poderá encarar Bahia ou Portuguesa nas quartas. Baianos e paulistas têm na mesma chave o Atlético Nacional da Colômbia, campeão da Libertadores em 1989 e foi 12o no último campeonato colombiano – o Clausura 2013 acabou de começar.

O surpreendente clássico pernambucano na Sula pode definir um semifinalista contra outro brasileiro. Sport e Náutico se encontram no torneio sulamericano depois de o Timbu comemorar muito a vaga internacional no jogo do Brasileiro 2012 que definiu o rebaixamento rubro-negro. Quis o regulamento que os times se reencontrassem justamente na volta do Náutico à uma competição da Conmebol depois de 45 anos. Quem avançar, tem como mais tradicional possível adversário na chave o Barcelona de Guayaquil. Para que as quartas tenham duelos brasileiros, Coritiba ou Vitória devem superar equipes de menor expressão, naquela que pode ser considerada a chave mais fácil dos brasileiros na disputa. Coxa e Leão já se enfrentaram na Sulamericana. Em 2009, uma vitória por 2-0 pra cada lado, em casa, e o Vitória avançou nos pênaltis. Se o Coxa passar e encontrar o Barça equatoriano, reedita um confronto da Libertadores 86, quando foi 7o colocado.

Do outro lado, Ponte Preta ou Criciúma tem vida indigesta até uma eventual final. Quem passar, pode pegar o Colo-Colo nas quartas. O time chileno, campeão da Libertadores em 1991, foi 10o no Torneio “Transición”, que fez com que o calendário chileno se adequasse ao europeu. A nova competição começou no dia 27/07 – e o Colo-Colo perdeu na estreia, 0-4 para o Audax Italiano. Depois o caldo pode engrossar ainda mais, com possibilidades de confrontos com o também chileno Cobreloa, o tradicional uruguaio Peñarol ou o argentino Vélez Sarsfield.

Copa Sulamericana e Copa do Brasil, já há algum tempo, são tratadas apenas como um atalho para a Libertadores, o que é um equívoco. Vale sempre lembrar que vale taça continental e também duas vagas: uma para a Recopa Sulamericana, contra o Atlético-MG em 2014, e uma disputa intercontinental, a Copa Suruga, que opõe o vencedor da Sula ao da Liga Japonesa. E taça no museu é o que interessa, afinal.

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Libertadores para todos: quem está na fila?

Galo campeão da Libertadores: quem quiser que pegue a senha

A piadinha recorrente entre os rivais era de que o Governo acertou em cheio ao lançar o programa “Libertadores para todos”, uma gozação com a longa espera de Corinthians e Atlético Mineiro em conquistar o título que os rivais já tinham. Campeão, o Galo já pensa no Mundial e desafia os interessados a tentarem no ano que vem. Dos 16 maiores clubes do Brasil, 10 já têm a cobiçada glória. Quem, portanto, estraria no “LPT” fictício? 

O Fluminense abre a lista de espera. Vice-campeão em 2008, quando perdeu para a LDU do Equador, o Flu é o atual campeão brasileiro e tem feito boas campanhas nos últimos anos. Namora com a taça – tem seis participações e foi sétimo neste ano – mas começou mal o Brasileirão 2013 e terá de suar para chegar à Libertadores por essa via. Por outro lado, está na Copa do Brasil – outrora o caminho mais curto.

Outro vice-campeão continental que está na fila é o Atlético Paranaense. Depois de perder a final de 2005 para o São Paulo, não repetiu as boas atuações e até amargou uma Série B em 2011. Teve três participações no torneio continental – a última, no mesmo 2005 – e neste ano está mal no Brasileirão. O Furacão, a exemplo do Flu, também tem a Copa do Brasil como atalho para a glória.

Terceiro colocado no distante ano de 1963, o Botafogo é mais um dos grandes na lista de espera. Disputou a Libertadores em três ocasiões, sendo a última em 1996. Está na briga pelo Brasileirão 2013 e também está na Copa do Brasil.

Quinto colocado em 1989, o Bahia é outro que aguarda sua senha no painel. Participou três vezes da competição, sendo a última exatamente no ano de sua melhor campanha. No Brasileirão, está no meio da tabela, mas terá um atalho diferente para voltar à Libertadores: a Copa Sulamericana. Quem sabe um título continental seguido do outro?

O Coritiba é outro campeão brasileiro à espera da taça continental. Sétimo colocado em 1986, quando disputou a competição como campeão brasileiro, participou também em 2004 e não mais voltou. Briga na parte de cima da tabela no Brasileirão 2013 e pode tentar a volta também via Copa Sulamericana.

A lista dos grandes ainda sem Taça Libertadores se fecha com o Sport. Foi 11o colocado em 2009, quando disputou pela segunda e última vez a competição. Está na Série B nesta temporada, mas, curiosamente, pode disputar a Libertadores 2014: para tanto, precisa ganhar a Copa Sulamericana, competição na qual está por conta dos novos critérios da CBF.

  • Jejum e repeteco

Se quem ainda não ganhou a competição está sedento, a vontade dos que já faturaram em repetir não é menor. Dos 10 clubes brasileiros campeões da Libertadores, o maior jejum é o do Flamengo, campeão pela única vez em 1981. O Grêmio, bicampeão em 1995, já podia ter saído da fila, mas perdeu a decisão de 2007 para o Boca Jrs. Curiosamente, na sequência do jejum, está outro bicampeão que perdeu final recentemente: o Cruzeiro, que levou em 1997 mas perdeu para o Estudiantes em 2009.

Campeão em 1998, o Vasco aumenta a fila dos jejuantes, seguido do Palmeiras, que poderia ter levado o bi entre 1999 e 2000, mas perdeu a segunda final. Um pouco menos impacientes estão os torcedores do São Paulo, tricampeão em 2005. Assim como os do Internacional, que levou o bicampeonato na primeira das quatro finais seguidas com brasileiros em 2010. Depois de um longo jejum – desde a Era Pelé – o Santos também não tem muito do que reclamar, campeão em 2011. O Corinthians, por sua vez, ainda está em lua de mel com a torcida pelo belo ano de 2012. E o do Atlético-MG… esse então, acha tudo isso aqui uma grande festa!

  • Menções honrosas

Dois clubes brasileiros não se encaixam no perfil acima, mas merecem menção pelas ótimas participações em Libertadores. Vice-campeão em 2002, o São Caetano não conseguiu se fixar entre os clubes mais fortes do Brasil, mas fez belas campanhas no início dos anos 2000, incluindo dois vices no Brasileirão e três participações na competição continental. Hoje patina na Série B.

Outro que tem história para contar na Libertadores é o Guarani. O Bugre foi terceiro colocado em 1979 e também jogou por três vezes a Libertadores, sendo a última em 1988. Atualmente disputa a Série C do Brasileirão.

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Organizada do São Paulo usa mailing oficial para atacar oposição

Mailing oficial foi cedido para Organizada manifestar-se

A principal torcida organizada do São Paulo conseguiu acesso ao banco de dados oficial dos sócios-torcedores do clube e, em mala direta, declarou que não apoiará o vereador e ex-diretor de futebol Marco Aurélio Cunha na possível candidatura do mesmo à presidência do São Paulo, em abril de 2014. A imagem acima mostra o endereço oficial do mailing dos sócios do São Paulo usado para a divulgação do texto.

Na nota, a facção cobra os maus resultados do Tricolor, mas atribui a confusão na sede social do São Paulo aos apoiadores de Cunha. Na confusão, o atual presidente, Juvenal Juvêncio, mostrou-se exaltado (veja aqui) e estimulou agressões a associados que o cobravam. Juvêncio teria convidado dois membros da Organizada a participar do evento na área social do clube.

Leia a nota abaixo, com o vídeo

Diante dos fatos ocorridos durante o final de semana vimos por meio desta esclarecer que antes de mais nada NÃO TEMOS NENHUM PARTIDO POLÍTICO dentro do clube, não somos a favor de A, B, C ou D, só que não podemos permitir calados que o SÃO PAULO FC seja presidido por alguém que não seja de fato são paulino.
A diretoria da Torcida Tricolor INDEPENDENTE não apoiará em nenhum momento o Sr. Marco Aurelio Cunha que teve um vídeo divulgado no Youtube onde o mesmo canta em alto e bom som o hino de um clube rival, conforme abaixo:

Marco Aurelio Cunha cantando hino de um clube rival em festa

Membros da diretoria da Torcida Tricolor INDEPENDENTE estavam ontem no evento realizado na sede social do clube para reinvindicar mudanças no que diz respeito ao nosso bem maior, o SPFC.
Não podemos aceitar os fiascos que temos passado diante de times de pouca expressão no cenário nacional.
Fomos para cobrar atitude dos que dirigem atualmente o futebol. Para os desavisados o evento era gratuito para sócios do clube e convidados pagavam ingresso como qualquer outro evento.

A confusão se deu quando membros da oposição (pró MAC) relataram torcer para outros times, rivais. Não é segredo que não temos uma bancada 100% são paulina decidindo o futuro do nosso amado SÃO PAULO FC, deixar isso tão explicitamente na mão dessas pessoas é o que não podemos permitir, por isso houve confusão.

Havia um grande número de torcedores de outros clubes ditos grandes de São Paulo em campanha, e que são associados do SPFC, inclusive pessoas com o pássaro alusivo a torcida rival tatuado! Está errado!

Pra nós o rabo está balançando o cachorro.

Inadmissível!

Não compactuamos com situação ou oposição, não somos vendidos, não fomos comemorar o fiasco dos últimos resultados nesse churrasco como estão falando nas redes sociais, apenas aproveitamos do momento para agir, lutamos pelo SÃO PAULO FC e na nossa concepção o mandatário do clube pode ser um lixeiro ou um porteiro do clube, sem demérito algum, mas que este seja são paulino, que tenha o sangue tricolor correndo nas veias como nós temos.

Em tempo, ressaltamos que o protesto contra a atual diretoria foi interrompido por diretores da Independente no sábado por estes estarem pedindo por Marco Aurelio Cunha, o que não vamos permitir.

Apoiaremos qualquer candidato que seja de fato são paulino e que queira trabalhar pelo bem do clube. E que este tenha em mente que nem em tom de brincadeira deverá cantar o hino de outro clube senão o nosso, seja em festa de casamento ou junina.

Lamentamos os pontos levantados pela imprensa que distorcem e acabam expondo apenas o que lhes convém. Além dos que querem polemizar e inventam inverdades porque um ligou pro outro, que disse que ouviu isso, que outro falou aquilo e ponto.

Não estamos satisfeitos com a atual situação e queremos mudanças, tanto quanto todos os milhões de são paulinos espalhados pelo mundo.

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