O Papa do futebol no País do Futebol

"Venho... do bairro de Boedo... Um bairro de bandas de rua e carnaval..."

Jorge Mario Bergoglio poderia ser apenas mais um entre os tantos fanáticos do San Lorenzo, tradicional equipe da Argentina, 14 vezes campeã nacional. Poderia se juntar a massa azulgrana aos domingos para vibrar e sofrer com seu time nos jogos do campeonato. Mas domingo é dia de Missa e Jorge Bergoglio não é um torcedor comum. É também o Papa Francisco, maior líder da Igreja Católica, ainda a igreja com mais adeptos no Mundo, cerca de 1,1 bilhão de pessoas. Por isso Jorge, hoje residente no Vaticano, não pôde ver de perto a luta do Ciclón pelo título da temporada, que acabou nas mãos do Newells Old Boys, com o San Lorenzo acabando em quarto lugar, contrariando a fé do Pontífice:

Pois nessa semana o Papa do Futebol visita o País do Futebol. O Brasil ainda é predominantemente católico, o que faz com que a mobilização em cima da visita do Papa seja grande. Segundo o censo do IBGE 2010, 64,6% dos brasileiros são católicos, seguidos de 22,2% de evangélicos, 8% sem religião e 2% de espíritas, com os 3,2% restantes se dividindo entre diversas religiões. Francisco chega ao Brasil em um momento de fé para a torcida do Atlético Mineiro. Derrotado por 2-0 em Assunção na primeira partida da Libertadores, o Galo precisa de um “milagre” para ficar com a taça, só conseguido uma vez em decisões, em 1989, quando o Atlético Nacional devolveu o mesmo placar contra o mesmo Olimpia e depois venceu nos pênaltis. Se o Papa vai entrar nessa ou não, não se sabe. Mas, anteriormente, ele já deu força ao time mineiro – leia aqui.

Em 1980, na primeira visita do antecessor João Paulo II ao Brasil, a torcida do Fluminense colocou o então Papa dentro do futebol. Na decisão do estadual contra o Vasco, os tricolores entoaram um canto que ecoa até hoje: “A benção, João de Deus” (veja abaixo). A fé colou e o Flu ficou com o título nos pênaltis. A visita ainda acirra a rivalidade no Paraná. Detentor do maior público da história no estádio do Coritiba, o Atlético vê o Coxa contestar a informação usando o Papa. Para o Coxa, a visita de João Paulo II é o recorde oficial do estádio e não os 67.391 torcedores que acompanharam a vitória por 2-0 do Furacão sobre o Fla, na semifinal do Brasileiro em 1983.

Futebol e religião se misturam a todo momento. E não só no Brasil. Em Roma, o Papa costuma receber jogadores e torcedores em busca de um apoio espiritual para suas missões. A última bola dividida foi na decisão da Copa da Itália, transmitida pelo Terra no primeiro semestre. Romanistas e laziales procuraram Francisco pedindo benção. Ele atendeu às duas equipes, mas a taça ficou com a Lazio de Hernanes – conhecido também, vejam só, como “o Profeta”.

A agenda do Papa será apertada no Brasil. Chega nesta segunda e fica até domingo, sempre com eventos. Talvez consiga ver pela TV um ou outro jogo, em semana de Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. Em Aparecida do Norte-SP, na quarta, terá a oportunidade de ver a enorme coleção de camisas de futebol que estão no santuário, levadas por fiéis que querem ajuda para seus clubes, de torcedores a jogadores.

Faixas e camisas no Santuário de Aparecida

Do Brasil, Francisco voltará à Roma. Não irá ao bairro de Boedo, onde poderia acompanhar, na semana que vem, a estreia do San Lorenzo contra o Olimpo pelo Torneo Inicial 2013 e quem sabe se juntar aos hinchas na arquibancada.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Descontentes, atleticanos “vão pra rua” antes do jogo com o Corinthians

Movimento na internet quer mudanças no Furacão

“Vem pra rua” foi o hit da Copa das Confederações. Os protestos políticos esfriaram, mas a relação deles com o futebol ainda não terminou. Neste domingo (21), o Atlético recebe o Corinthians na Vila Capanema, em Curitiba. Na mesma data, torcedores organizam um protesto contra a situação atual do time e, por que não dizer, do clube.

Vice-lanterna do Brasileirão, o Furacão passou os primeiros 5 meses do ano em pré-temporada. Os resultados não vieram. De quebra, o maior rival, Coritiba, é o atual líder do campeonato sem ter aberto mão do Estadual – vencido pelo Coxa pela quarta vez consecutiva. Sem informações do clube que não sejam as oficiais, o torcedor ainda teve que aguentar um aumento de R$ 50 para os sócios, que já pagam mensalidade, usarem lugares cobertos na Vila Capanema, estádio que o clube alugou para a Série A. A derrota no Atletiba 357 esgotou a paciência da torcida, que promete ir às ruas reivindicar promessas da campanha eleitoral.

Cartaz que será colado nas paredes da Arena cobra promessas e postura da diretoria

Pelo menos é a ideia de Roni Rodrigues, faturista de 23 anos, torcedor do Atlético que é sócio do clube e teme novo rebaixamento, como em 2011. Ele mantém uma página de torcedores no Facebook com quase 8 mil pessoas chamada “Jofre Cabral”, nome de um dos mais importantes presidentes do clube. “Queremos o nosso Atlético de novo, o verdadeiro Furacão. O torcedor está cansado, está inseguro e queremos mudança, estamos com sede de mudança”, diz. Até o momento deste papo, quase 600 pessoas confirmaram que irão para a frente do estádio do clube, antes do jogo contra o Timão.

Rodrigues afirma que o protesto é apolítico – fato raro na vida do Atlético, com grupos bem divididos sempre às turras por conta do gênio do presidente Mário Petraglia. “Eu não faço parte de nenhuma torcida organizada, não conheço e nem tenho contato com nenhum diretor. Hoje o principal problema do Atlético é o futebol. Amargamos o meio da tabela ou brigando para não cair e é o que mais irrita o torcedor.”

O mote do protesto é o cartaz acima, que reúne promessas de campanha da Chapa “CAP Gigante”, que levou Petraglia de volta ao poder. “Será colado ao redor da Arena da Baixada com todas as promessas do nosso presidente e que até agora está deixando a desejar.” Petraglia, figura que mudou o status quo do Furacão, transformando um clube regional em uma potência nacional, desagrada a muitos pela personalidade forte e decisões centralizadoras, “O Atlético não tem dono e conta com uma torcida que deve ser ouvida, ele esquece disso”, diz o torcedor.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Sport e Vitória, campeões mundiais em publicidade

Sport e Vitória, leões de ouro em Cannes

Vitória e Sport vivem bons momentos dentro de campo: um é o vice-líder da Série A e outro engatou a terceira vitória consecutiva, entrando no G4 da Série B. Objetivos modestos, distantes do que ambos conseguiram recentemente fora de campo: seis títulos mundiais.

Os dois rubro-negros, Leões do Barradão e da Ilha, trouxeram mais alguns para a alcateia, diretamente da França. Cannes é a cidade que recebe o mais famoso festival de publicidade do planeta.  É o Oscar da propaganda.

Sport e Vitória, pela ordem, conquistaram prêmios importantíssimos no último festival do segmento. Duas campanhas, mexendo com a emoção do torcedor ao solicitar doações de órgãos e sangue, num ativismo social pouco visto no futebol. Dois belos vídeos, que você pode ver abaixo.

Os pernambucanos trouxeram quatro leões para o Brasil e outros dois rumaram para a Bahia. Bom para a OGLIVY, que criou a campanha do Sport e foi a agência brasileira mais premiada no ano. E também para a Leo Burnett Tailor Made, criadora da campanha do Vitória.

  • As premiações:

Área: Promo & Activation (avalia o efeito da ação promocional junto ao público – a adesão à ideia, para simplificar)

Sport Club Recife – Grand-PrixMelhor campanha integrada

Sport Club Recife – Leão de OuroMelhor imagem corporativa

Área: Direct (avalia a mensagem diretamente ao público)

Esporte Clube Vitória – Leão de Ouro:  Melhor uso de marketing direto.

Esporte Clube Vitória – Leão de Prata:  Melhor uso de mídia não-convencional/ação viral

Área: saúde pública e alertas populacionais

Sport Club Recife – Leão de PrataMelhor uso de mídia não-convencional/ação viral

Sport Club Recife – Leão de BronzeMelhor uso de mídia digital

  • As peças:

Vitória:

Sport:

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Com a ajuda do Fabrício Kichalowsky.

 

Horto ou Mineirão? Política, dinheiro e resultados explicam

A CBF entrou na briga para que o Atlético Mineiro use o Independência na decisão da Libertadores (veja aqui). A defesa política ao filiado é justa e lícita, embora contrarie um regulamento que, de fato, interessa só às vezes, como a história mostra. Com 53 jogos e 43 vitórias no Horto, o Galo tem mais motivos do que apenas o rendimento em campo para usar o estádio de apenas 23 mil pessoas em detrimento do Mineirão, que por muitos anos recebeu os jogos do time.

A casa do América-MG passou a ser o caldeirão do Galo e virou símbolo nessa Libertadores. Ao entrar na briga, a CBF fortalece o aspecto político para decisão contra uma equipe paraguaia, local da sede da Conmebol. O principal argumento do Atlético-MG para utilizar o Horto é a justiça: o Defensores del Chaco, principal e maior estádio paraguaio, tem capacidade apenas para 38 mil lugares. Se o regulamento prevê o mínimo de 40 mil lugares, por que a Confederação Sul-Americana ignorou a regra? O próprio site da Associação Paraguaia de Futebol atesta isso:

AFP documenta: Defensores recebe no máximo 38 mil pessoas

O Defensores del Chaco já recebeu até 50 mil pessoas, mas uma reforma orientada pela Fifa, visando segurança, reduziu e modernizou o estádio. O Olímpia já decidiu outras cinco edições da Libertadores no Estádio. A última, para 40 mil pessoas, contra o São Caetano. Há quem argumente que a redução seja por conta da segurança dos torcedores e que o estádio, de fato, cabe mais de 38 mil torcedores. Um contra-senso, sem dúvida, pois mudar os laudos para atender um regulamento que preza por segurança e conforto, contrariando o mesmo item que reduziu a capacidade, é apenas por necessidade política. Que se mude o regulamento, então.

O próprio futebol brasileiro já se beneficiou de algo parecido. Com capacidade reduzida para 37.952 pessoas pelos órgãos de segurança de São Paulo, o Pacaembu foi “inflado” novamente em 2009, quando novos laudos foram emitidos para elevar a capacidade para 40.199 lugares, o que atendeu as necessidades de Santos em 2011, para a final contra o Peñarol, e Corinthians em 2012, contra o Boca Jrs. Algo que não poderá acontecer com o Independência, pois a capacidade de 23 mil lugares é muito inferior a exigida. No entanto, regra é regra, certo?

Não. Em 2006, Colo-Colo e Pachuca decidiram a Copa Sul-Americana com um dos estádios comportando menos de 40 mil lugares. O Estádio Hidalgo, casa do Pachuca, tem 30 mil lugares e recebeu o primeiro jogo da decisão. O Pachuca seria campeão no Chile, depois de um 1-1 em casa, ao bater o Colo-Colo por 2-1 no Estádio Nacional (47 mil lugares). O Colo-Colo não se opôs à decisão na casa do rival. Diferente do que aconteceu na decisão da Libertadores 2005, quando o Atlético Paranaense foi impedido de jogar na Arena, então com capacidade para 26 mil torcedores. Nos bastidores e com o regulamento na mão, o São Paulo vetou o jogo na Arena, mesmo com a instalação de arquibancadas móveis que capacitaram o estádio para os 40 mil lugares. A Arena recebeu um único jogo nesse formato: o clássico Atletiba, maior rivalidade do Paraná, assegurado em segurança pelo Crea e Corpo de Bombeiros. O São Paulo não aceitou e o jogo foi disputado no Beira-Rio, em Porto Alegre – empate em 1-1. Na volta, o Tricolor Paulista fez 4-0 e ficou com a taça. Outro episódio aconteceu em 1999, quando o Palmeiras decidiu a Libertadores no Parque Antártica. As informações sobre o público daquele jogo são imprecisas em várias fontes, mas apontam, em média, 32 mil pessoas presentes.

Diferente do xará paranaense, o Galo tem uma opção em Belo Horizonte. O Furacão não pôde contar com o Couto Pereira, vetado pelo próprio Coritiba, que divugou laudos que atestavam uma capacidade de 37 mil lugares em sua casa – curiosamente, em 2006 pela Série B, o Coxa recebeu 43.646 torcedores na derrota para o Marília por 2-3, que poderia resultar no acesso do Alviverde à Série A. O Galo, por sua vez, tem o Mineirão, outrora sua principal casa. Por que não jogar lá?

  • Mineirão ou Minas Arena?

Desde o acordo para a reforma do Mineirão o Atlético-MG bateu o pé para o que lhe foi ofertado. Encontrou refúgio no Independência e criou uma simbiose. Porém, foi no Mineirão que o Galo viveu seus principais momentos na história: diversos títulos estaduais, incluindo o último, semifinais e finais de Brasileirão, Copa Conmebol e outros grandes jogos. Qual a insistência com o Horto?

Além do ótimo retrospecto estatístico, não jogar no Mineirão é questão política. A negativa persistente do Galo sobre a oferta para voltar a velha casa tem como fundo os rendimentos. Parece um contra-senso preferir jogar para 23 mil pagantes no Horto, quando o Mineirão pode receber 63.936 pessoas. O problema está no contrato. Segundo o que foi divulgado no acordo com o Cruzeiro – que pode servir como base da análise – o clube mandante tem que ceder aproximadamente 10 mil ingressos para a gestora do estádio. Tem também que pagar 70% de todas as despesas. Alguns funcionários receberiam, por exemplo, cerca de 4 mil reais por jogo, o que gerou reclamações públicas do Cruzeiro. O presidente Alexandre Kalil já fez diversas reuniões com a administradora do estádio, mas chegou a qualificar como “draconiana” a proposta para o Galo.

Se a CBF conseguirá a mudança através de política, saberemos essa semana. Até o presente momento, o jogo segue marcado para o Mineirão. Mas, independente do que aconteça, é hora da Conmebol rever uma regra que vale só às vezes e, de fato, não acrescenta nada ao futebol. 

Por decisão inédita, Atlético-MG desafia coincidências

Galo 4o colocado em 1978: campanha de 2013 já é melhor

O Atlético Mineiro precisa de uma vitória por 3 gols de diferença – ou ao menos um 2-0 para levar aos pênaltis – para chegar pela primeira vez à decisão da Copa Libertadores.

Para tanto, terá que superar o bom time do Newell’s Old Boys e algumas coincidências históricas. 

Leia também:

Brasileirão, a máquina de moer técnicos

Time que desbancou Santos de Pelé está à venda

Joinville mistura futebol e religião – e se dá bem

Semifinalista pela última vez em 1978, o Galo também teve de enfrentar equipes argentinas. O regulamento era diferente. O então vice-campeão brasileiro (assim como agora) perdeu três dos quatro jogos que fez em um triangular semifinal contra River Plate e Boca Jrs., que acabou campeão. 

Contando outros torneios internacionais, outras coincidências. Na Copa Conmebol (atual Sulamericana) de 1998, quando foi semifinalista, acabou eliminado pelo Rosário Central – grande rival do Newell’s. Naquela oportunidade, no entanto, havia conquistado um grande resultado na Argentina, empatando em 1-1. Foi derrotado em casa por 0-1. Se conseguir reverter o placar contra o Newell’s, o Galo terá pela frente um adversário contra o qual já decidiu título: o Olímpia, rival na final da Copa Conmebol de 1992, da qual saiu vencedor.

Maestro do Atlético-MG, Ronaldinho também precisa superar alguns tabus. Nas semifinais internacionais que disputou, nunca reverteu o placar do jogo inicial. Campeão em 2004/05 pelo Barcelona, passou pelo Milan nas semis após vencer o primeiro jogo, 1-0. Em 2007/08 caiu na mesma fase ao perder para o Manchester United, que arrancou um 0-0 em Barcelona. Na última vez em que a Libertadores não teve um brasileiro sequer na decisão, em 2004, o técnico eliminado nas semifinais era Cuca. O atual comandante do Atlético-MG estava à frente do São Paulo, que acabou eliminado pelo surpreendente Once Caldas, da Colômbia. Victor, herói da classificação contra o Tolima, também terá que superar um tabu: nunca passou das semifinais da Libertadores. Em 2009, quando ajudou o Grêmio a ter a melhor campanha de toda a competição – a exemplo do Galo – acabou caindo frente ao Cruzeiro.

invicto há 52 jogos desde a reabertura do Independência, o Atlético Mineiro tem ao seu lado os números do novo alçapão e um pequeno tabu do lado do Newells. Os argentinos nunca eliminaram um brasileiro na competição. Nos dois encontros com o São Paulo, eliminação nas oitavas em 1993 e perda do título em 1992.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Suposta tabela de preços da Copa 2014 vaza no site da Fifa; confira

Suposta tabela tem preços para todas as praças

Uma suposta tabela de preços para os ingressos da Copa 2014 vazou no site da Fifa nesta terça. A imagem estava entre as imagens promocionais na área da Copa das Confederações realizada no Brasil esse ano.

O valor mais barato seria na categoria 4 em quatro cidades: Cuiabá, Curitiba, Manaus e Natal, a R$ 120. O mais caro, R$ 2.500, para a categoria 1 em Brasília.

A Fifa colocará os ingressos à venda em 20 de agosto.

Veja a suposta tabela abaixo:

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Dica do bom repórter Felipe Gustavo.

Brasileirão, a máquina de moer técnicos

O futebol brasileiro já tem as novas arenas, trabalha bem o marketing e cobra preços de show por espetáculos ainda não tão prazeirosos. É a modernização que já está quase toda implementada fora de campo. Resta só que ela passe para o lado de dentro.

Silas (Náutico), Guto Ferreira (Ponte), Jorginho (Flamengo), Wanderley Luxemburgo (Grêmio), Muricy Ramalho (Santos), Ney Franco (São Paulo) e mais recentemente Ricardo Drubscky (Atlético) são as vitimas das seis primeiras rodadas do Brasileirão. Conte bem: sete nomes para seis rodadas. E enquanto você lê esse texto, é possível que mais um ou dois estejam com a demissão pronta.

A troca de técnicos é a saída mais fácil para que uma direção encubra falhas e tente realinhar o desempenho do time. Evidentemente, ninguém erra de propósito. Mas é muito mais simples mandar um funcionário embora do que 30. Especialmente quando muitos dos 30 são na verdade patrimônio dos clubes. É melhor apelar para a velha “chicotada psicológica” do que assumir que errou no planejamento, na contratação. Azar dos técnicos, mas ruim mesmo para as finanças e o torcedor.

Leia também:

Repensando o futebol brasileiro

Guia da Série A do Brasileiro

Time que desbancou Santos de Pelé está à venda

 

Os clubes invariavelmente arcam com multas altas ou o compromisso de manter o salário do treinador em dia após a saída. Os que não o fazem, arrumam um processo trabalhista para o futuro. Alguns fazem nova troca logo em seguida, o que só aumenta o bolo. Responsabilidade zero. E pior: sem solucionar o real problema.

Começa na avaliação. Você, leitor, em qualquer segmento que atue, certamente já passou por processo de seleção na hora de contratar. Avaliação de currículo, testes, provas, até que o empregador se convença de que você é o profissional com perfil indicado para aquela necessidade. No futebol isso é solenemente ignorado. Raramente alguém inicia um trabalho do zero; é sempre para sair de uma crise, com negociações em tempo recorde, a toque de caixa. Muitas vezes o real problema – má gestão de grupo, ambiente ruim, jogadores fracos – é ignorado. Um novo técnico traz novo ânimo. Será? Veremos abaixo.

O problema não está só na troca em si, mas principalmente na maneira com a qual ela é feita. Luxemburgo e Ney Franco foram demitidos de Grêmio e São Paulo imediatamente após o termino da Copa das Confederações. Ou seja, os clubes poderiam, cientes de que os profissionais já não serviam mais, buscar alguém que trabalhasse por um mês antes de estrear. Muricy foi demitido por telefone, após anos de serviços prestados ao Peixe. Mas ninguém fez pior do que o Atlético.

Se Ricardo Drubscky era ou não o único problema do vice-lanterna do Brasileirão, o tempo poderá mostrar. No entanto, o decantado projeto de uma pré-temporada com direito a excursão para a Europa, naufragou em meio a gestão centralizadora e autoritária do presidente do clube paranaense. O Atlético, por razões políticas, esticou o período de pré-temporada por 5 longos meses até o primeiro jogo oficial. A ideia era desvalorizar o estadual. No fim, acabou tendo que valorizá-lo, pois chegou a decisão. Perdeu, sem nunca testar seu time principal em jogos competitivos. Não aproveitou os talentos revelados no time B do Paranaense, perdeu o título, perdeu em imagem e perdeu a chance de avaliar o elenco. Jogou sem ritmo de jogo e agora demite o técnico, desperdiçando também a pausa da Copa. Quem chegar ao Furacão, seja jogador ou técnico, não aproveitará nada da pré-temporada.

Na contramão de tudo isso, não por coincidência, estão os líderes do Brasileirão. O Botafogo está com Osvaldo de Oliveira desde dezembro de 2011; o Coritiba, tem Marquinhos Santos no comando técnico desde setembro de 2012 ; Abel Braga dirige o Fluminense desde junho de 2011 e Caio Júnior é o que há menos tempo está no comando, entre os quatro primeiros: desde dezembro de 2012 é técnico do Vitória. O atual campeão mundial, Corinthians, está com Tite desde outubro de 2010 e o semifinalista da Libertadores Atlético-MG tem Cuca no comando desde agosto de 2011.

Não é difícil explicar o desempenho dos clubes. Difícil, muitas vezes, é fazer o simples.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Polêmica: clássico carioca gera resistência em Recife

Itaipava Arena: nenhuma das cores de Pernambuco no domingo (foto: divulgação)

Revolta de um lado, comemoração de outro. Desde essa quinta estão à disposição do torcedor pernambucano os ingressos para o grande clássico de domingo. Não, não se trata de nenhum jogo entre as três principais forças locais, Sport, Santa Cruz e Náutico – o “dono” da Arena. É sim o clássico Vovô, Botafogo e Fluminense, marcado para São Lourenço da Mata, região metropolitana do Recife. Será o primeiro grande clássico da Arena… Pernambuco. Alegria para os torcedores dos times do Rio na região, revolta daqueles que apoiam o futebol local.

Leia também:

Time que desbancou Santos de Pelé está à venda

Joinville mistura religião e futebol… e se dá bem

Intertemporada do Cruzeiro nos EUA foi impulso para “Liga de Pelé”

O jogo entre Botafogo e Fluminense fez com que a partida do único clube pernambucano com contrato com a Arena fosse antecipado. Náutico e Ponte Preta duelam no sábado, um dia antes do jogo entre os cariocas. Os torcedores locais se rebelaram, não importando a camisa. O Santa Cruz jogará também no domingo, no Arruda, contra o Cuiabá, pela Série C do Brasileiro. Um movimento intitulado Movimento Popular Coral, da torcida do Santa, lançou um desafio: colocar mais gente no Arruda que na Arena. Em entrevista ao jornalista Leonardo Mendes Jr. um dos líderes do MPC, Lucas de Souza, disse que os rivais se uniram na ideia de descredibilizar o duelo carioca: “Deslocaram o jogo do Náutico para sábado para dar vaga a esse Botafogo x Fluminense só com intenção financeira e de fazer os nossos torcedores torcerem por times de fora. Os pernambucanos sempre foram resistentes a times de outros estados e agora a revolta foi grande e rápida. A própria administração da Arena ficou surpresa pela reação. Conseguiram provocar uma rejeição das três torcidas. Vamos por mais público no Arruda para desmoralizar esse clássico carioca.”

A administração da Arena sentiu o golpe, mas justificou a ação. Ainda sem contratos com Sport e Santa – que não pretendem sair de suas casas – a ideia é buscar toda a renda possível com o novo estádio. Segundo informações do jornalista Cássio Zirpoli, “na parceria público-privada, o governo do estado terá que suprir o rombo no faturamento anual caso a receita da temporada seja abaixo de 50% da previsão inicial, de R$ 73,2 milhões, segundo aditivo assinado em 21 dezembro de 2010.” Os valores do aluguel para o jogo com mando do Botafogo ainda não foram divulgados, mas os ingressos custam entre R$ 30 e R$ 60, sendo que o sócio do Botafogo pode pagar 50% do valor. Nos jogos do Náutico, que está trocando os Aflitos pela Arena, o desconto ao associado é de 30%.

Em um estudo recente divulgado pela Pluri Consultoria, o Estado de Pernambuco ficou em 5o lugar entre os mais resistentes a “invasão” de torcedores de outras praças. Cerca de 60% da população prefere os times locais, índice maior que de praças tão fortes quanto, como Bahia e Paraná, e atrás apenas de quatro estados, pela ordem: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Habitualmente vista em jogos de times do sudeste na região, a faixa “Vergonha do Nordeste” expõe um pouco a rivalidade inter-estadual entre os torcedores locais e os que vem de fora. Nada que incomode o pessoal de torcidas como a “ReciFogo” e “ReciFlu”, que devem contar com reforço de simpatizantes dos mesmos clubes nas cidades da região.

A imprensa local entrou na briga. Na capa do SuperEsportes, portal de notícias da região, o fórum de discussão provoca: “Quem for à Arena domingo é Pernambubaca?” No blog de Zirpoli, uma enquete aponta rejeição de 70% das três torcidas a ideia de receber jogos “forasteiros”. Dos 30% favoráveis, 9% são torcedores do Náutico, em tese, os maiores interessados. Os tricolores, com ou sem reforço dos torcedores de Sport e Náutico, pretendem por três vezes mais torcedores no Arruda que o número presente na Arena. E a discussão deve continuar: em Pernambuco já se comenta que Flamengo x Grêmio, na 16a rodada em 25/08, deve ser jogado na Arena. Sem poder usar o Maracanã e nem o Engenhão, o Flamengo mandará o jogo desta mesma rodada, contra o Coritiba, em Brasília – onde os times locais praticamente não têm vez. 

E você, o que acha disso tudo?

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Time que ganhou Brasileiro sobre Santos de Pelé está à venda

Que tal ser dono de um clube campeão brasileiro, em uma cidade rica e com 370 mil habitantes, um estádio público com capacidade para 23 mil pessoas e uma torcida carente pelos velhos tempos? Em tese é a oportunidade oferecida por Aurélio Almeida (nenhuma relação com o blogueiro) que está colocando à venda o Grêmio de Esportes Maringá. Um time que superou até o Santos de Pelé, mas desapareceu com seus três títulos estaduais em meio as más administrações, a ponto de estar rebaixado à terceira divisão do Paraná para 2014. 

O valor, não confirmado pelo clube, é de R$ 5 milhões de reais. O comprador teria direito tão somente à marca “Grêmio de Esportes Maringá”. Objeto de desejo, diga-se, dos maringaenses, que nunca aceitaram bem a ideia do empresário conhecido pelo seu comportamento fantarrão comandar o time da cidade. Tanto que Maringá já teve outras duas tentativas de ter um novo “Grêmio”: o Metropolitano, que também disputa a segundona local, e o já extinto “Galo Maringá”, fruto de uma parceria com a ADAP, clube que jogava em Campo Mourão – Galo é o mascote do Grêmio.

O anúncio da venda do Grêmio, destinado ao prefeito da cidade

Aurélio Almeida não atende à imprensa. O assessor do clube, Nelson Alexandre, atendeu ao telefonema na sede do clube: “Queria saber dele também”, disse, para depois afirmar: “Olha, ele está em São Paulo. Parece que conseguiu um comprador para o clube. Estamos aqui esperando a notícia.” Quem comprar terá que refazer a imagem do Grêmio na cidade. Outrora dono de dois parques, o clube não tem mais nada. O pouco que sobrou está na justiça, numa disputa com os sócios remidos, que viram tudo ir a leilão.

O empresário comprou o Grêmio em 2002, na terceira tentativa de emplacar um clube no futebol paranaense. Antes, havia criado o Real Brasil e o Império do Futebol, ambos finados em situações precárias. O Império foi o último usuário do também finado Pinheirão, num acordo de Almeida com o ex-presidente da FPF, Onaireves Moura. Ao chegar no Grêmio, prometeu novos tempos. Até que conseguiu: disputou dois estaduais antes de anunciar o licenciamento por falta de dinheiro. Em paralelo, perdia credibilidade ao dever para diversos empresários da cidade, desde o ramo de hospedagem até alimentação. Seu grande momento foi a vitória no Clássico do Café sobre o Londrina, 1-0, em 2004, com transmissão da afiliada da Globo no Paraná para todo o Estado.

Em 2009 Almeida resolveu reativar o Grêmio. Já na temporada seguinte subiu da terceira para a segunda divisão, onde estacionou. Enfrentou o Paraná Clube na passagem do Tricolor pela segundona paranaense em 2011, no confronto entre os campeões estaduais presentes na competição – e perdeu as duas, 1-2 e 1-4. Neste ano, sob o comando do ex-goleiro do São Paulo e da Seleção Waldir Peres, acabou rebaixado para a terceirona, somando um único ponto em nove jogos. Peres acreditou no projeto do amigo Almeida, mas teve que lidar com um time que por vezes sequer tinha jogadores suficientes para o banco de reservas.

O ex-goleiro apenas se juntou as histórias pitorescas do dono do Grêmio. Em 2010, ele anunciou um amistoso contra o Boca Jrs., da Argentina, cancelado posteriormente, segundo o próprio Grêmio, porque o Boca se assustou com as cenas de violência no jogo Coritiba e Fluminense, em 2009. Aurélio levou seus jogadores várias vezes para o exterior, é verdade. Ele jogou no futebol mexicano e – conta – foi técnico das seleções de Belize e Aruba, da América Central. Mais: Almeida diz ser também dono do Puebla, clube mexicano campeão continental em 1991 e que hoje está na Liga MX, a primeira divisão nacional. Se realmente for verdade, é também verdade que o Grêmio nunca viu nenhum recurso ou jogador do time mexicano.

Em Maringá diz-se pelos cantos que a venda do Grêmio é mais um blefe de Aurélio Almeida, que quer calar os críticos após mais um insucesso, provando que ninguém tem interesse em tocar o Grêmio. Enquanto isso, outros desportistas da cidade fundaram em 2010 o Grêmio Metropolitano Maringá, uma tentativa de ocupar o lugar do Galo no coração dos maringaenses. Ainda não deu certo: no “clássico” entre ambos (deu, Metrô 4-0) apenas 332 pessoas pagaram ingressos. O Metrô fez campanha inversa ao do Grêmio: invicto, líder, com sete vitórias em nove jogos. Mas não garantiu acesso à elite paranaense: precisará disputar um hexagonal para botar Maringá no mapa do futebol paranaense novamente.

  • A vitória sobre o Santos:

Em 1969 a CBD – então coordenadora do futebol brasileiro – resolveu promover um campeonato entre os campeões regionais Centro-Sul e Norte-Nordeste (Sport), mais os campeões da Taça Brasil (Botafogo) e do Roberto Gomes Pedrosa (Santos). Depois de superar times do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Grêmio venceu o Villa Nova-MG e passou pelo Sport Recife, duas vezes, por 3-0. O time encarou o Santos de Pelé em duas ocasiões (1-1 e 2-2), mas não houve o jogo desempate. A Revista Veja, à época, contou o caso:

Matéria de "Veja" conta o caso do jogo que não houve em 1969

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida

Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Ingleses escolhem Curitiba para democratizar Copa 2014

“As Copas normalmente são sobre os jogadores de elite do mundo mas o nosso objetivo é levar a Copa até aqueles que são esquecidos. Crianças de rua ou os menos afortunados que não podem ir aos jogos.”

A frase é de Craig Robson, parceiro de Michael Gardner, dois ingleses fanáticos por futebol – e pelo Newcastle United –  que escolheram Curitiba para um projeto social durante a Copa 2014, para ensinar inglês e até futebol a crianças carentes brasileiras. Será a terceira edição do projeto que começou em 2010 na África do Sul, passou pela Polônia (sede da Euro 2012) e chega ao Brasil sob o nome “Project Curitiba”.

Leia também:

Contagem regressiva para o legado

Você sabia que o Taiti já venceu um jogo por 30 a 0?

Por que os brasileiros torceram contra a Espanha

Democratizar o esporte e promover educação durante um ano no Brasil é o ideal de ambos, que ficarão como voluntários no País já a partir de janeiro de 2012. O trabalho será em comunidades carentes, habitualmente encrustadas em ambientes com alta criminalidade. Mas nem os protestos recentes quanto à política brasileira, com imagens de violência chegando ao exterior, chegam a inibir a realização do projeto.

“Na verdade, achamos o máximo ver os brasileiros mostrar algo positivo sobre o País. Não estamos assustados com a situação, achamos até que isso cria uma oportunidade positiva de mudança”, diz Gardner. “Quando ouvimos sobre desnutrição, falta de educação e em contrapartida os gastos para Olimpíadas e Copa do Mundo, talvez a gente se questione se esse dinheiro não poderia ser melhor gasto. Felizmente o Brasil pode realizar uma fantástica Copa e também mostrar que as pessoas se preocupam com a política”, completa.

E por que Curitiba, entre as tantas sedes? Fanáticos por futebol e pela seleção inglesa, Robson e Gardner sabem que terão pouca chance de ver o English Team na capital paranaense, que receberá apenas uma partida de cabeça de chave entre os quatro jogos que a Arena sediará. “Curitiba tem um ótimo sistema de transporte público, é uma cidade multicultural e achamos que será mais fácil manter um projeto lá do que em outros centros como Rio ou São Paulo. Além disso, o clima é mais familiar para a gente”, conta Robson, referindo-se ao frio – um susto previsto aos europeus que chegarem ao Brasil achando que só encontrarão altas temperaturas.

“Nós não vamos acompanhar a Inglaterra em outras cidades. Torcemos para que ela jogue em Curitiba, mas poderemos ver os jogos pela TV. Estaremos no Brasil para desenvolver um projeto, então ver os jogos nos estádios não é o mais importante. Talvez tenhamos sorte da Inglaterra jogar em Curitiba!”, torce Gardner. Atualmente, ambos realizam o “Brazil Day” em algumas escolas em Newcastle, cidade no norte da Inglaterra, um dia com atividades com futebol e cultura brasileira para crianças inglesas. Os dois já estão estudando português.

Sobre o futebol brasileiro, Robson e Gardner demonstram um bom conhecimento. “Conhecemos Santos, Gremio, Fluminense, muito porque grandes jogadores que nós crescemos assistindo saíram deles para os clubes europeus”, diz Robson, citando Ronaldinho, Ronaldo, Romario e Rivaldo. “Conhecemos também o Atlético, o Coritiba e o Paraná. Somos sempre perguntados para quem iremos torcer”, diz Gardner, “E certamente iremos a alguns jogos. O Atlético tem um ótimo time jovem e seus torcedores são únicos. O Coritiba tem o Alex, que nós conhecemos do Fenerbahçe e os torcedores têm sido ótimos com a gente. Chamamos eles de “exército verde”. Mas só iremos contar nossa torcida por aí (risos).”

Conheça mais:

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida

Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!