Dois nomes e o fim de um tabu de 16 anos

Terminou em instantes o Paratiba #95. O duelo entre coxas e paranistas teve um Coritiba que só acordou no 2o tempo, guiado por Alex, e um Paraná aplicado, inspirado e que pôs fim a um tabu de 16 anos ao vencer o rival no Couto Pereira. A última havia sido em 28 de julho de 1996, com gol de Ricardinho e tetracampeonato paranaense.

De lá para cá, jogando no seu estádio, o Coxa não conheceu mais derrota para o Tricolor. Do jogo de hoje, com 5 gols e muita movimentação, todos vão falar. Mas o assunto aqui é a coincidência histórica. Naquele dia, como neste domingo, dois nomes estavam em campo.

Toninho era zagueiro do Coritiba vice-campeão de 1996; Alex era o meia daquele time, em seu segundo ano como profissional. Hoje, ambos brilharam, cada um a sua maneira. Mas só um saiu vencedor.

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Toninho Cecílio, que ganhou nome composto depois de virar técnico, vinha sendo cobrado pela torcida paranista. Armou um time com marcação forte e saída rápida de jogo. Viu sua equipe abrir o placar logo cedo, passou a jogar nos erros do adversário. Conseguiu fazer 2-0 e parecia soberano. Aí apareceu o ex-colega.

Alex era menino no time do experiente Toninho de 1996. Mas já era talentoso. Tanto que já estava na mira do turbinado Palmeiras da Parmalat – o mesmo clube que revelou o técnico do Paraná para o futebol, ainda como jogador. Alex empatou o jogo e poderia até ter virado. Mas o Tricolor jogava nos erros do Coxa. E o Coxa errou mais uma vez. Estava escrito: o Paraná tinha que quebrar o jejum numa ponte entre Alex e Toninho Cecílio.

Nos anos que separaram as últimas duas vitórias paranistas no Couto, Toninho e Alex passaram pelo Palmeiras e pelo futebol do exterior; o ex-zagueiro no Japão, o capitão coxa na Turquia. Cecílio e Alex também defenderam outra equipe em comum: o Cruzeiro. Mas as coincidências param aí: entre 1996 e 2013, Alex chegou a ser capitão da Seleção Brasileira, enquanto o técnico paranista encerrou a carreira no Santo André. Como técnico, ainda constrói uma carreira, depois de tentar ser gerente de futebol; Alex já programou o fim, mas ainda não sabe se seguirá no mundo da bola.

Toninho quebrou o tabu que começou com ele e Alex, que ainda persegue outro tabu: um título com o Coxa. Em 1996, coincidência, o Paraná foi tetracampeão, título que o Coritiba pode alcançar neste ano. Será a chance de Alex desafiar o tempo e a mística do futebol, que se não entra em campo, convence quem é supersticioso.

Abaixo, o vídeo do jogo de 1996:

Na Alemanha, rádio compra direitos exclusivos de transmissão de jogos

No Brasil, a discussão ainda engatinha. O Atlético já tentou forçá-la duas vezes, de maneiras diferentes e sempre sozinho, o que resultou em insucesso e críticas (o que penso sobre o tema está aqui). Mas, enquanto isso, na Alemanha, já é realidade: as rádios têm de pagar para transmitir jogos. Nessa semana, a DFL (Federação Alemã de Futebol, em tradução livre) confirmou um acordo de cinco temporadas com a Rádio ARD. A notícia, claro, mexeu com o futebol alemão.

A ARD é uma rádio pública com 10 emissoras espalhadas por toda a Alemanha. O grupo também tem emissoras de TV. As rádios operam em sistema digital e também pela internet. A compra dos direitos aconteceu em leilão aberto e deram a ARD três dos quatro pacotes de direitos oferecidos na cobertura das primeira e segunda divisões da Bundesliga, a Supercopa da Alemanha e o playoff do rebaixamento. A ARD será a única rádio a poder transmitir os jogos na íntegra e ainda terá alguns privilégios em entrevistas com os jogadores – não exclusividade. O leilão, no entanto, deixou os mesmos direitos abertos para a Internet nas mãos da Sport1.

Segundo o site da Revista Kicker, “o pacote ‘Audio Broadcast’ inclui os direitos de distribuição nacionais de áudio para FM e o pacote ‘Netcast Audio’ tem os direitos de distribuição de áudio para web e móvel. Ambos os pacotes dão direito a relatar todos os jogos.” As emissoras, no entanto, não tem direito exclusivo à cobertura jornalística, permitindo-se que os concorrentes façam coberturas curtas de áudio, incluindo entrevistas, tais qual o boletim do jogo em curso – como está, em que tempo, etc., no formato notícia ou, em interpretação livre, como os plantões do rádio brasileiro.

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Os valores não foram divulgados. O contrato se inicia na temporada 2013/14 e vai até a de 2016/17. Na imprensa europeia, especula-se um valor de 7 milhões de Euros por temporada. Aqui, mais um detalhe: na Alemanha, as cotas são divididas entre os clubes com base no desempenho esportivo da temporada anterior.

  • Jornalismo x Entretenimento

O modelo alemão tenta conciliar a difusão do espetáculo (entretenimento) sem desrespeitar o acesso à informação (jornalismo). Dá privilégios ao comprador dos direitos em entrevistas exclusivas, mas não proíbe as emissoras que façam as mesmas nem que compareçam às coletivas de imprensa. O que, aliás, é mais divulgação para o torneio. Principalmente: parte da confederação, que responde por todos os clubes. Para coroar, ainda há a divisão de cotas com critério desportivo. Um avanço.

No Brasil a TV Bandeirantes, com Luciano do Valle à frente, foi a primeira a, adquirir direitos exclusivos da transmissão do Campeonato Paulista, no começo dos anos 80, dando início ao negócio que conhecemos hoje. Record, SBT, CNT e principalmente a Rede Globo já transmitiram futebol ao vivo em algum momento. A Globo é a atual detentora dos direitos do Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil e de muitos Estaduais em TV aberta. No rádio, o único modelo de exclusividade conhecido é com as Copas do Mundo. Rádios do Brasil já se acostumaram a pagar à Fifa para poder transmitir as partidas. Quem não tem os direitos, não pode sequer fazer o off-tube.

No Paraná, o Atlético tentou, individualmente, vender os direitos de transmissão dos seus jogos em 2008. Não conseguiu, tendo a ideia barrada pela justiça. É um raciocínio lógico: ainda que uma rádio compre os direitos do clube, o jogo conta com duas equipes. Logo, a outra também precisa vender os direitos. Em 2013, o clube partiu para outra tentativa: proibiu seus funcionários de darem entrevistas para rádios, sites e TVs que não sejam do clube. Inicialmente apenas na internet, a Rádio CAP fez uma parceria com a 95.7 FM de Curitiba, que é a única para quem os jogadores tem orientação de falar. O modelo da parceria não foi explicado publicamente. A rádio não transmite outros jogos, se anuncia como “Rádio CAP 957” e não tem veiculado anúncios – que são a base de sustentação de toda emissora. Estima-se que uma equipe esportiva enxuta e que faça viagens para acompanhar os clubes necessite de uma renda mínima de R$ 30 mil por mês, entre despesas e salários.

O conflito se dá não pelo formato ou pela compra de direitos e sim pelo comportamento de quem cobre o futebol. Será preciso acompanhar na Alemanha como o jornalismo atuará a partir da novidade. No Brasil, costuma-se confundir o direito à informação com publicidade e também há um constrangimento em se tecer críticas e informações inerentes ao jogo e ao meio pelo simples fato de se ter direitos ou parcerias estabelecidas. A relação perigosa pode ser evitado de uma maneira simples: exercitando-se o caráter. Mas isso não se ensina em curso nenhum.

A Alexdependência tem outro nome

“Alexdependência” é o termo da moda para se falar do Coritiba. O time do criticado Marquinhos Santos tem tido dificuldades no Estadual para convencer a torcida – ainda assim, ganhou o primeiro turno com alguma folga e segue invicto. Como o futebol não perdoa, os dois empates na saída do returno já bastaram para as várias cobranças. É bem verdade também que esperava-se mais do Coxa no Atletiba #353 e que o time ganhou algumas partidas sem jogar bem: J. Malucelli e Toledo, além dos empates com ACP e Operário – três dos jogos no Couto Pereira.

De uma maneira ou de outra, só nas cinco partidas citadas acima, Alex foi decisivo. É uma ilha de bom futebol no mar de inconstância alviverde. Daí o surgimento do termo. Mas, com alguns reforços que chegaram ao clube – como o próprio Alex, Deivid, Arthur, Julio César, Botinelli e outros – o time não deveria estar jogando mais? Não.

A “Alexdependência” atende pelo conhecido nome de desentrosamento. Ou, num panorama mais global, reformulação. Para confirmar a teoria, pesquisei os times-base do Coxa nos últimos quatro anos. A base iniciada em 2009 rendeu um título nacional da Série B, três estaduais e dois vice-campeonatos da Copa do Brasil. Os dados apontam os jogadores mais frequentes na equipe em momentos decisivos. Alguns não completaram a temporada citada pelo clube. O time de 2013 é o que esteve em campo contra o Cianorte (2-0) no dia 17 de março. Confira:

Ano após ano, o Coxa manteve uma base com poucas mudanças em relação à última temporada. O estilo de jogo de Ney Franco foi mantido por Marcelo Oliveira, que aos poucos foi dando sua cara ao time; as peças que saíam, com exceções pontuais, procuravam ser repostas dentro de uma característica. Com Marquinhos Santos, já no Brasileirão 2012, o projeto seguiu. Mas voltando bem no tempo, percebe-se que apenas quatro jogadores da espinha dorsal entrosada e vitoriosa estão na equipe.

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Sim, existem outros que permanecem e já atuaram como titulares em algum momento – caso de Gil – ou estão apenas machucados – caso de Emerson; mas a tabela acima, mostrando as mudanças graduais batem com a teoria: o Coxa ainda é um time em formação. No entanto, carrega nas costas alguns problemas: a desconfiança criada por setores sobre o trabalho de Marquinhos Santos, jovem na profissão; a chegada de Alex, que criou na cabeça dos torcedores a ideia de se ver um futebol mágico; as conquistas recentes e a ausência de um grande antagonista no Estadual, o que em tese deixam as coisas  mais fáceis; e, por fim, o pouco tempo de existência deste novo time, que atua junto apenas desde 31 de janeiro, quando os principais jogadores entraram em campo. Menos de dois meses, portanto.

Não é preciso girar muito no País para ver que outros clubes também tem a sua dependência: Neymar e o Santos, Bernard e o Atlético-MG ou a mais sentida entre os times da Libertadores: Lucas e o São Paulo, que ainda não aprendeu a viver sem ele. Prova de que é normal apostar e depender do craque. Mas, no momento, o que existe no Coritiba é uma reformulação e desentrosamento – que pode até não vir, mas é cedo para dizer qualquer coisa.

Drubscky disse o que todos sabiam

E Ricardo Drubscky falou em público o que muitos não puderam.

E só o fez porque não contava que a imprensa de Goiás, na contramão do que fizeram até aqui os veículos oficiais, fosse tão firme ao inquerir-lo sobre a pré-temporada inédita do Atlético, abrindo mão de jogar o Paranaense para fazer alguns amistosos, mantendo o time inativo desde 24 de novembro em jogos oficiais: “Essas questões de a gente ficar sem jogos, a gente não vai entrar nesse mérito. É decisão da diretoria do clube, é política, e a gente ficou. Se eu não quisesse não tinha ficado. Em função disso, e aí eu posso dizer, há realmente uma perda e estamos tentando reparar com amistosos, torneios. Não é a mesma coisa, mas a gente está tentando.”

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Se Drubscky não falasse, os resultados falariam por ele. As derrotas por 1-3 para o Goiás (que, atuou só no primeiro tempo com os titulares) e 1-2 para os reservas do Atlético-GO mostraram que, mesmo pra quem despreza o Estadual, a inatividade pode custar caro ao clube. As derrotas foram para equipes do mesmo porte do Atlético, que não sabe como irá sair em um jogo pra valer. Luiz Felipe Scolari, técnico da Seleção Brasileira campeão do Mundo em 2002, exaltou o calendário competitivo do Brasil em 2013, com a Copa das Confederações no meio do ano, “por ter jogos para valer”. Jogador, quer jogar.

  • Planejamento em xeque

E a Copa das Confederações será mais um período de pausa para um ano de poucas atividades para o elenco principal do Atlético. Talvez esquecida no planejamento, a competição-teste da Fifa irá paralisar o calendário brasileiro por mais 23 dias entre 09 de junho e 03 de julho. Para o Furacão, 2013 terá exatos 123 dias sem jogos profissionais. A renúncia aos jogos, em nome de um título mundial prometido pela atual diretoria em campanha, permite uma comparação: o Barcelona, clube que vem apresentando o melhor futebol do Mundo há pelo menos 4 temporadas, tem quanto tempo de atividade anual?

A resposta deve levar em consideração o desencontro entre os calendários europeu e sul-americano. Com o verão em junho e julho, os europeus paralisam as competições, enquanto isso acontece no Brasil entre dezembro e janeiro – e em menos tempo. Os Estaduais ocupam um espaço precioso do calendário – até aí, pouco se discute sobre uma reformulação  geral e o Atlético, assim como o Grêmio, tomou uma decisão própria, ao relegar a disputa caseira ao segundo plano. No entanto, o Tricolor Gaúcho tem a Taça Libertadores no calendário, o que já o colocou em atividade.

O Barcelona venceu a Copa do Rey sobre o Athletic Bilbao por 3-0 em 25 de maio de 2012. Depois, deu férias aos seus jogadores e retomou as atividades em julho, fazendo seu primeiro jogo na nova temporada em 24 de julho, um amistoso contra o Hamburgo. Foram 60 dias sem jogos. O primeiro jogo oficial aconteceu apenas em 19 de agosto, vitória por 5-1 sobre a Real Sociedad – portanto, 85 dias depois do último jogo. Se seguisse o planejamento do Barcelona, o Atlético, que enfrentou o Paraná em 24 de novembro de 2012 no Derby (1-1) da última rodada da Série B, entraria em campo com o time principal em 17 de fevereiro – a 9a rodada do Paranaense aconteceu em 16/02, com o Sub-23 atleticano vencendo o J. Malucelli por 3-1. Na semana seguinte, foi jogado o Atletiba #353.

A temporada européia começa com um primeiro mês com 4 jogos oficiais. O Barça ainda arrumou datas para 4 amistosos. Em agosto de 2012, venceu Real Sociedad e Osasuña pela Liga, perdeu o título da Supercopa da Espanha em dois duelos com o Real Madrid (3-2 e 1-2, vice no gol qualificado) e fez amistosos com PSG (2-2), Manchester United (0-0), Dínamo Bucareste (2-0) e Sampdoria (0-1). No período equivalente, o Atlético fez 10 jogos. Fevereiro reservou 6 jogos oficiais (2-1 Cianorte, 0-0 ACP, 0-2 Londrina, 1-1 Arapongas, 3-1 J. Malucelli e 1-2 Coritiba) e 5 amistosos, com a conquista da Marbella Cup sobre Ludogorets Razgrad (6-2), Dínamo de Kiev (1-0) e Dínamo Bucareste (1-0) e mais a derrota por 1-3 para o Cluj e o empate em 1-1 com o Otelul Galati.

Durante o período de inatividade do elenco principal, além dos adversários goianos, o Atlético enfrentou mais dois adversários interestaduais: Joinville e Figueirense, ambos atuando com o time reserva. O Furacão venceu os dois jogos, 3-0 e 3-1. O clube tentou amistosos na Argentina, Uruguai e Chile, mas todos os clubes procurados deram prioridade aos seus calendários oficiais.

O desempenho do Atlético no Estadual e nos amistosos no Brasil, as reclamações dos jogadores pedindo mais jogos e um comparativo com o melhor modelo de planejamento de futebol do Mundo deixam a pergunta: o Atlético, mesmo politicamente abrindo mão do campeonato mais possível de se conquistar, age bem em pensar só na política?

Paraná Clube na Bolsa de Valores: entenda os riscos e as possibilidades

 

A partir de Abril, o Paraná Clube será o único clube brasileiro a estar com ações na Bolsa de Valores. A Bovespa vai comercializar as ações do Tricolor dentro de um investimento já existente: a Atletas Brasileiros Sociedade Anônima. Será uma inovação mundial: ao contrário do que se faz na Europa e em outros clubes na América do Sul, o Paraná disponibilizará apenas os direitos econômicos dos atletas do clube. Conversei com Alexandre Azambuja, o empresário responsável pela holding que ingressará o capital do Paraná na Bolsa. Ele explicou a ideia:

Blog: Quando as ações estarão disponíveis? A que preço médio?
Azambuja: Possivelmente no começo de Abril. Estamos aguardando algumas liberações. O Paraná entra num investimento já pronto, chamado Atletas Brasileiros S/A, mas ele vai ter controle. O preço alvo da ação, imagina-se, será R$ 2,40 em lotes de cem ou mil. São 5 milhões de ações, na verdade é a Bovespa quem vai orientar quantos lotes. No caso, 5 mil vezes 1000 ações, vezes os R$ 2,40 – um pacote sairá algo em torno de R$ 2.400,00. O volume será 10% do total de ações. A AB S/A* vai comprar todos os 59 jogadores do Paraná. Num segundo momento, vamos buscar outros jogadores.

*abreviatura usada no texto para Atletas Brasileiros S/A

B: Jogadores que poderão vestir a camisa do Paraná?
A: Não necessariamente. Pode-se eventualmente adquirir direitos de um atleta, ele vai pro clube, mas o técnico decidirá quem joga. Além disso, podemos ter direitos de atletas que nem passem pelo Paraná, pelo atrativo de mercado.

B: Comprar os direitos do Neymar, por exemplo.
A: Isso. Ele somaria a carta. Mas a ideia central é outra, é exportar. Vamos montar escritórios na Ucrânia, Rússia, Portugal, Coreia do Sul, China e Argentina. Vamos buscar jogadores e fazer a ponte. Chama-se off taker. Você compra direitos e ganha a preferência.

B: E dos jogadores que hoje são do Paraná, qual fração irá pra Bolsa?
A: Cem por cento do percentual que cabe ao Paraná. Todos os direitos que seriam do Paraná serão transferidos pra AB S/A. O que eventualmente for de empresários, de outro clube, não.

Goleiro Luiz Carlos é um dos que irão compor a carta na Bolsa de Valores

B: Quem decide quando transferir o atleta de clube?
A: A venda é sempre feita pelo clube. Como será previamente alienado à companhia, a mesma toca o negócio. Na verdade, o Paraná poderá fazer duas coisas quando essas vendas acontecerem: distribuir o lucro entre os acionistas ou comprar mais jogadores. O Paraná decide quando vender, quem. Aí elimina-se a pressão entre investidor e clube.

B: Quanto, do total da carta de ações será de direito do Paraná?
A: Dois terços, digamos 66% do total.

B: E se as finanças do clube apertarem?
A: Nesse caso, quando o Paraná precisar de dinheiro, vende ações. É claro que também pode vender jogadores. Aliás, eles serão vendidos, mas o clube pode esperar a melhor hora.

B: Assim como na Europa, o clube disponibilizou patrimônio físico?
A: Não. Nenhum patrimônio do Paraná entrou. O único ativo é o direito econômico. Hoje, o elenco do Paraná é avaliado em R$ 380 mil, contabilizados no balanço como investimento. É um ativo intangível. Quando o Paraná transferir pra AB S/A haverá a cotação em bolsa e essas ações vão ser contabilizadas nos ativos. A gente espera que na precificação inicial valha 63 milhões de reais.

B: Qual é o universo total de ações da Atletas Brasileiros?
A: A companhia tem 45 milhões de ações. Vão entrar mais ações e proporcionalmente o percentual será menor. A companhia vai emitir novas ações para entrada de novos acionistas.

B: Como o Paraná vai lucrar?
A: Vendendo os jogadores ou ações. E há um compromisso duradouro no contrato. A gente negociou fortemente com a direção que se o Paraná sair do negócio, tira-se o interesse do investidor. O clube é quem tem os direitos, o que dá uma segurança jurídica ao investidor. Se você compra os direitos e o clube despede o jogador, por exemplo, seu dinheiro virou pó. E ao invés de ser um banco financiando vários clubes, era melhor uma parceria com um clube só, que se comprometesse até o fim. É uma engenharia diferente.

B: E se as coisas apertarem para o Paraná a ponto do clube vender ações até se tornar acionista minoritário? Pode perder o controle do próprio time?
A: A relação fica normal entre investidor e clube. Se inverter, digamos, se o Paraná tiver 30% e os investidores 70%, segue normal. Porque o clube segue gerando atletas na base e segue alimentando a companhia, mesmo não sendo mais controlador. E, em todo, caso vai ter embolsado o dinheiro da venda das ações. Isso, na precificação inicial, vai equivaler à metade do patrimônio do clube, que hoje é avaliado em R$ 124 milhões, sem vender nenhuma sede.

Sede Tarumã, que irá a leilão: ações na Bolsa prometem alcançar metade do valor do patrimônio do clube já na largada

B: Mas pode haver um grupo controlador externo então…
A: Poderá haver isso, mas só se pode comprar ações ofertadas. Para alguém tomar o controle do clube, o próprio Paraná tem que por elas a venda. Não tem como tomar o controle no take over (termo usado quando há mais sobrando ações no mercado), o Paraná está seguro e não vai perder, a não ser que ele venda. E mais: quando alguém entra comprando pesado, o preço sobe, então o clube vai lucrar.

B: Ainda assim, você diria que isso seria prejudicial?
A: Os investidores vão querer o sucesso do clube. O maior sentido dessa engenharia é o Paraná subir pra Série A. Os atletas vão ter vitrine maior, valer mais. O interesse do investidor é o mesmo do torcedor.

B: Quem poderá comprar?
A: Qualquer pessoa que tiver conta em corretora. Qualquer banco que tenha corretora, você pode buscar via home broker ou em uma operadora.

B: Quanto tempo deve-se manter os papéis?
A: No mínimo pelo primeiro ano, vai ter viés de subida. Vamos captar o dinheiro e abrir os escritórios fora, comprando jogadores – não necessariamente jogarão no Paraná. A tendência é que o preço suba. Mas isso pode ser melhor dito por uma consultora.

B: Quantos clubes têm esse tipo de ação no Brasil?
A: É inédito no Mundo. Os clubes que tem capital aberto na Europa, eles envolvem tudo com o clube, desde verba de TV, patrimônio e mais. Aqui, só os direitos econômicos.

B: Qual a relação entre os resultados de campo e o crescimento das ações?
A: Em qualquer lugar do Mundo, todos os clubes tem essa relação. Se o clube vai bem, ações sobem. Se vai mal, caem. Isso vai junto no pregão da bolsa. Pode-se, de repente, ter um investidor torcedor, que vai manter a acão independente do resultado.

  • O histórico na Europa

Os ingleses foram pioneiros. Em 1983, o Tottenham Hotspurs foi o primeiro clube do Mundo a entrar na Bolsa de Valores. Hoje, a crítica principal gira na administração dos fundos gerados pela Bolsa: os fundos entram para dar lucro aos acionistas, mas perdem-se nos salários exorbitantes que são pagos aos jogadores – principal moeda dos clubes no mercado de ações. Trinta anos depois, mais da metade dos clubes da Premier League já se declararam insolventes em algum momento – fato que alguns bilionários russos e árabes aproveitaram para adquirir os clubes, como Chelsea, Manchester City e o próprio Tottenham.

Ao todo são 24 clubes europeus listados na bolsa. Entre os grandes, a Juventus da Itália, o Lyon da França e o Benfica de Portugal. Na América do Sul, destaque para os chilenos Colo-Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica, que chegou a levantar 25 milhões de dólares na bolsa em 2009. Com o dinheiro, foi bicampeão chileno em 2010-11.

Mas nem tudo são flores. Recentemente o Liverpool anunciou um prejuízo de 40,5 milhões de libras (118 milhões de reais). Uma das soluções dos donos do clube foi jogar novas ações no mercado, adquiridas em grande parte pelos próprios donos, que consideraram a medida um “empréstimo sem cobrança de juros.” No entanto, o clube passou a ser 100% dos investidores. Isso não impediu, no entanto, um corte de salários na casa dos 13,5 milhões de libras (40 milhões de reais) entre os jogadores. O Liverpool, maior vencedor da Liga Inglesa até 2011, não vence o campeonato desde 1990 (quando venceu o 18º), sendo ultrapassado pelo Manchester United, que hoje tem 19 conquistas.

Liverpool e Manchester United tomaram caminhos opostos depois da entrada no mercado de ações

O Manchester United é, aliás, a exceção mais bem sucedida. Em 1990, o Manchester United ingressou na bolsa. Esteve nas mãos de Rupert Murdock, dono de grupos de comunicação nos EUA. Mas a guinada veio com a compra da maior parte das ações em 2003 por outro norte-americano, que ampliou a ação na bolsa no mercado dos EUA – o milionário Malcolm Glazer, que também é proprietário do Tampa Bay Bucaneers, time de futebol americano campeão da NFL em 2003, sediado na Flórida. Um dos segredos foi o investimento dos fundos na melhoria do Old Trafford, o estádio dos Red Devils.

Outro segredo atribuído por especialistas é o fato de 98% das ações atualmente pertencerem a Glazer, que controla tudo referente ao Manchester Utd. Com menos influência, ele pensa o negócio do fio ao pavio – e trabalha pelo sucesso dele. É o perfil do gestor, que cancelou o contrato com a bolsa, assim como Chelsea e Man. City, comprados na totalidade. Glazer, campeão 5x da Premier League, 1x da FA CUP, 3x da Copa da Liga, 1x campeão da Liga dos Campeões e 1x Campeão Mundial, não escapou, porém, da pressão da torcida.

Revoltada com a compra do clube pelo capital estrangeiro já em 1998, quando Murdock se tornou acionista majoritário, os torcedores criaram um fundo para compra de ações, o ShareHolders United. O grupo teve problemas internos e, obviamente, não conseguiu concorrer com a força do dinheiro dos norte-americanos, até que Glazer adquiriu 98% das ações.

Outro grupo, ainda mais revoltado com a compra do MUFC por Glazer, fundou um novo time: o FC United of Manchester, com as mesmas cores do United original. Fundado em 2005, começou na 9ª divisão inglesa e atualmente disputa a Unibond Premier League, um campeonato regionalizado que equivale à 7ª divisão – dá acesso a primeira das ligas profissionais do futebol inglês.

15 minutos com Rafael Cammarota

Voltei aos anos 80 nesta quinta. Direto de São Paulo para uma infância em Curitiba, num papo com uma lenda do futebol paranaense, um dos ídolos de todo garoto que gostava de futebol naquela década: Rafael Cammarota. Campeão no Atlético, campeão no Coritiba, Rafael tinha – e ainda tem – aquele bigode texano e cabelos compridos.

Conseguiu o feito de ser ídolo nos maiores rivais do Paraná – quase ganhou o Brasileirão pelos dois. Melhor para o Coxa, que teve nele, em 1985, um paredão intransponível. Rafael Cammarota é paulista de nascimento, mas se diz curitibano. Nesta quinta, o recebi no Terra para ser comentarista em Steaua Bucareste 1-0 Chelsea, pela Liga Europa. Foram 90 minutos de bola rolando, com o atual técnico – ainda sem clube – comentando. Mas antes, batemos um papo de 15 minutos sobre os anos 80 no futebol paranaense.

O jeitão é o mesmo dos tempos de jogador. Fala, conta histórias. A primeira delas, ainda na redação foi afirmar categoricamente: na histórica semifinal do Brasileirão de 1985, no Mineirão, aos 33 do 2o tempo, um chute muito contestado pelo lado do Atlético-MG , não entrou. “De jeito nenhum! Tirei na linha, tenho foto e tudo mais. Isso é choro dos mineiros!” O título de 1985 é a grande recordação dos tempos de jogador. “Era um grupo legal. O professor Ênio [Andrade, técnico campeão] conhecia muito de futebol.” O arrojo nas saídas do gol é a razão para o sucesso, contou: “Eu era meio maluco, me jogava mesmo na bola. Se goleiro é viado ou louco, eu sou pirado.”

O título brasileiro veio em 1985, mas podia ter vindo dois anos antes, no rival Atlético. Na semifinal contra o Flamengo, derrota no Rio por 0-3 e vitória em Curitiba por 2-0, construída no primeiro tempo. “Falam muita besteira desse jogo. Dizem que o Hélio Alves (então supervisor do Atlético) vendeu, mandou a gente se entregar. Que nada! A gente não fez o terceiro porque não conseguiu. Pô, do outro lado tinha Zico, Nunes, Adílio…”, conta.

Rafael fala pouco com os amigos daquele tempo. Heraldo, que o acompanhou na troca do Furacão pelo Coxa, é um deles. Ele se lamenta por Washington, que também brilhou no Fluminense, de quem era mais próximo. “Depois do jogo do Flamengo, o “seo” Hélio me ligou, já de madrugada. ‘Rafa, vem comigo, o Washington acertou o Gol’. Eu: como assim? O bicho tinha metido o carro numa loja no centro da cidade. Era o dia em que ele foi vendido para o Fluminense.” Triste, contou que soube que o ex-companheiro de equipe estava numa cadeira de rodas:  “Foi f., ele pegou essa doença [Esclerose Lateral Amiotrófica, ELA, uma doença degenerativa].”

A dupla Atletiba se mistura com a história de Rafael. Em 1985, era um dos melhores goleiros do Brasil. Foi convocado para a Seleção de Telê Santana, que iria para a Copa do México em 1986. Telê, como se sabe, era um dos técnicos mais disciplinadores do Brasil.

O Atletiba das faixas: fim da Seleção para Rafael (arquivo pessoal)

Campeão Brasileiro, o Coritiba resolveu fazer um amistoso comemorativo com o Campeão Paranaense. O rival Atlético. O jogo não terminou, após uma grande confusão. “Puta burrice, nunca vi fazer amistoso com inimigo. Dancei naquela, perdi a Seleção”, conta.

Rafael ainda rodou por Ponte Preta (vice paulista em 77), Grêmio Maringá (“O terceiro grande do Paraná”, diz), Corinthians, Fortaleza e Sport Recife (vice-campeão da 1a Copa do Brasil, em 1989), entre outros. Ao comentar Steaua x Chelsea, lembrou que excursionou com a Ponte à Romênia. “Eles tem umas namoradas bonitas por lá, viu?”, brinca, lembrando que, por falar italiano, ajudou a traduzir alguma coisa do que se falava por lá.

Pelo Sport, uma passagem marcante em 1989, não só para os pernambucanos. Vice-campeão da Copa do Brasil, defendeu o Leão também no Brasileiro. Acabou enfrentando o Coritiba no que viria ser um dos mais tristes episódios da história do clube: um torcedor invadiu o campo para agredi-lo. O Coxa perdeu um mando de campo, tendo que jogar em Juiz de Fora contra o Santos. Conseguiu uma liminar e não foi; levou WO e foi rebaixado para a Segunda Divisão. “Tem gente que diz que é culpa minha, tá louco! Eu fiz esse time ser campeão brasileiro. Foi tudo armação”, conta em detalhes: “O Jacob (Mehl, ex-presidente do Coxa) não gostava de mim porque eu ajudei muito o Evangelino. Com ele, assinava até contrato em branco. O Jacob não gostava. Quando cheguei no Couto pro jogo, o [Odivonsir] Frega, que era supervisor, me avisou: ‘Cuidado que querem aprontar pra você’. O jogo começou, o babaca invadiu o campo, me deu uma facada. Tomei dois pontos. Quem perdeu foram os clubes: o Sport tomou a virada e o Coxa deu naquilo.”

Depois, voltou ao interior de São Paulo. Foi buscado pelo técnico Zé Duarte para reforçar o Atlético, que viria a ser campeão estadual em 1990. “O Zé não confiava no Toinho (então goleiro) e o Marolla já não tava muito bem. Eu disse que não queria voltar, pois era difícil jogar, mas ele me convenceu.” Louco por carros, Rafael tinha um Opala preto. Num dos treinos na Baixada, apareceu entre os titulares. Chegou no carro, após o treinamento, e encontrou o Opalão cheio de velas de Macumba. “Foi o Toinho, aquele viado. Eu cheguei e disse pra ele: pode fazer a vontade. Quanto mais você fizer, mais eu vou pegar tudo.”

Encerrou a carreira na Ferroviária-SP, em 1995. Chegou a treinar alguns clubes, mas nunca conseguiu uma chance. “Eu queria treinar um time na minha terra, sou tão curitibano quanto você. Podia ser até o Jotinha, mas o Caxias [Alceu Mentta, ex-zagueiro, hoje comentarista] fica de onda, não me dá uma força com o Joel [Malucelli, presidente de honra do J. Malucelli]”, brinca. Curitibano que é, mesmo que por adoção, Rafael sabe que não será fácil vencer na terrinha. Por enquanto, valem as boas histórias que ele conta.

Todos atrás do Coxa – Guia do 2o turno do Paranaense

O Coritiba já cumpriu 50% da tarefa para conquistar o tetracampeonato estadual. Venceu o primeiro turno e, debates acalorados a parte, manteve-se invicto e garantiu-se na decisão com quatro pontos a mais que o Londrina, vice-líder. O Tubarão vai ter que deixar as queixas de lado a partir de agora: se não garantiu vaga na final, está perto de conquistar vaga na Série D e na Copa do Brasil. O Paraná foi até onde deu, brigando para ficar com o turno; os demais, foram figurantes.

Assim sendo, o que esperar do 2o turno? Haverá final?

O blog analisa o que foi, relembrando a análise anterior e o comparativo do que será daqui pra frente.

Coritiba

O Coxa confirmou o que foi afirmado na previsão do 1o turno:  “é, como há muito não se via, favorito disparado e aberto para a conquista.” O fez sem sustos, mas com cobranças. Com 8 vitórias e 3 empates, teve como trunfo a defesa – levou apenas 4 gols – e não o ataque que se desenhava poderoso, com Alex, Rafinha e Deivid. O grande momento foi o 7-0 no Rio Branco. Ainda assim, ficou atrás do Londrina neste quesito. O único, aliás, em que não é o melhor na competição.  “Passamos o primeiro turno ajustando a defesa, agora temos a obrigação de jogar mais”, reconheceu o técnico Marquinhos Santos, em entrevista à Rádio 98.

Repetir o 1o turno pode ser pouco pelas expectativas criadas, mas é o suficiente para ficar com a taça. Abre o 2o turno como favorito a antecipar a conquista sem a necessidade de final – terá 8 dos 11 jogos em Curitiba para confirmar isso.

Paraná Clube

Paraná mostrou brio e alguma técnica; pra título, foi pouco

“A condição de azarão cai bem ao Paraná, que se refaz aos poucos”, escrevi antes do primeiro turno. Mantenho: o Paraná corre por fora no Estadual. Mas já mostrou que tem potencial para mais. A foto acima causa arrepios nos tricolores: o jogo contra o J. Malucelli foi polêmico (segue rendendo) e poderia, naquele momento, ter mantido o time na briga pela 1o turno. No entanto, com 5 empates em 11 jogos, mostrou irregularidade. Como quando vencia o Arapongas em casa por 2-0 e viu a asa-negra empatar o jogo, por pouco não virando o placar.

Para o 2o turno, pouco muda: a entrada de JJ Morales deu ânimo novo ao Tricolor, que tem uma defesa interessante e um entrosamento vindo da manutenção de Toninho Cecílio. Se o técnico (que está cotado no Criciúma) ficar, dá pra sonhar. E dá pra brigar pelo acesso na Série B nacional.

Atlético:

Douglas Coutinho, uma das poucas boas novas do Atlético no PR13

O torcedor atleticano deve esquecer a conquista do campeonato estadual. O mantra da diretoria pegou em boa parte da massa: “privilegiar a pré-temporada para colher no Brasileiro em detrimento ao Estadual”, como detalhado no guia do primeiro turno. Uma pré-temporada inédita, com quatro meses sem jogos oficiais – luxo que nem o Barcelona tem, mas esse é outro papo. Para o Paranaense, seguirá o time Sub-23 que foi abaixo da crítica no primeiro turno, amargando um quinto lugar. Seja por questões políticas, seja sob a justificativa de privilegiar o Brasileirão e a Copa do Brasil (a revelia de parte dos jogadores e comissão técnica), o Atlético não quer disputar o Estadual com o time principal.

O elenco S-23, no entanto, apresentou três boas surpresas: Hernani, Douglas Coutinho e Júnior de Barros. Foram as novidades que se salvaram em um time que, já se anunciou, seguirá trabalhando em 2013 em torneios internacionais e que em 2014 deve se manter disputando o Paranaense. Caminho aberto para os rivais serem hegemônicos no Estado – aposta, por outro lado, em um dezembro nacionalmente mais feliz. É esperar pra ver.

Londrina:

Celsinho está realmente aproveitando a chance

O LEC confirmou: “depois de muito tempo, aponta como um dos postulantes ao título estadual (ou ao menos a uma boa campanha)”. Danilo, Dirceu, Germano, Celsinho e Neílson formam a espinha do principal obstáculo do Coxa na luta pelo tetra. O Londrina foi bem dentro e fora do Café. Teve o melhor ataque (25 x 23 do Coritiba) e a segunda melhor defesa. No entanto, no segundo turno, fará apenas 5 jogos em casa – isso se não pegar nenhuma suspensão pelos eventos na última rodada do turno.

O Londrina já pode dizer que o Estadual foi bom. Se não for um desastre no 2o turno, vai confirmar as vagas na Copa do Brasil e na Série B; retomou o orgulho ao levar 30 mil pessoas no jogo contra o Coritiba; e, mesmo timidamente, pode dizer que brigará pela taça, após 21 anos.

Os demais:

Na categoria “correm por fora”, indiquei 3 clubes que não cumpriram a previsão. O Operário está muito mais próximo de brigar para não cair do que pelo título ou vagas; viveu uma relação bipolar com Lio Evaristo, que pediu demissão, voltou atrás e acabou saindo no final do turno, para chegada de Paulo Turra, que deixou o Cianorte, outra decepção. O Leão ainda reagiu no fim e jogou o Rio Branco na área de rebaixamento. No segundo turno, deve melhorar, mas não brigar em cima. Assim como o Arapongas, que até anunciou que irá parar as atividades ao final do campeonato.

Entre os figurantes, o  J. Malucelli surpreendeu, mas não deveria: é um clube organizado que mantém tudo em dia e dá uma estrutura aos jogadores, ainda que simples. Deve seguir em cima. Toledo e ACP ficaram e ficarão no meio da tabela. Drama vive o Rio Branco, que levou as duas piores goleadas da competição e terá a missão de ser melhor que os rivais que encerraram do 5o (Atlético, 14 pontos) ao seu 11o lugar, com 10 pontos. O Nacional, que em 2012 foi vice da segundona local subindo com o Paraná, já pode planejar a disputa da divisão inferior. Com 1 ponto em todo o turno, precisa de um milagre para escapar – algo como ganhar o 2o turno.

Arbitragem decidiu o primeiro turno no Paranaense? Participe do debate

O primeiro turno do Paranaense terminou com muita polêmica. Em xeque, a arbitragem paranaense. O blog então propõe um exercício.

Desde 2011, o site Placar Real acompanha, rodada a rodada, o desempenho dos árbitros no Brasileirão. Os critérios estão explicados nesse link e, resumidamente, presumem 1 gol para cada pênalti não marcado – decidido se corretamente ou não de maneira subjetiva, a partir da análise de profissionais de imprensa. Gols em impedimento são anulados, gols mal anulados são computados e assim vai. Como exemplo, em 2011, o site salvaria o Atlético do rebaixamento, colocando o Cruzeiro no lugar; em 2012, o Coritiba saltaria 5 posições, do 13o para o 8o lugar.

Aplicando os conceitos do “Placar Real”, exemplificando com imagens dos lances na internet e abrindo para a discussão (sem ofensas) nos comentários – o que inclui um update deste post mediante as sugestões do leitor – analisei 7 jogos que mudariam a classificação da primeira fase do Estadual. Vamos a eles:

1) 2a rodada: Nacional 1-1 Atlético

Árbitro: Paulo Roberto Alves Jr.
Reclamação: Pênalti mal marcado a favor do Atlético.
Lance:

Pela imagem, Héracles (aos 0’13) projeta o corpo antes do choque com o zagueiro do NAC.

Veredito: procedente.
Consequência: menos um ponto para o Atlético, mais dois para o NAC.

2) 2a rodada: Arapongas 1-1 Operário

Árbitro: Fábio Filipus
Reclamação: Pênalti não marcado para o Arapongas.
Lance: Indisponível.
Veredito: impossibilitado.
Consequência: nenhuma.

3) 4a rodada: Operário 2-1 Cianorte

Árbitro: Rafael Pedro Feza
Reclamação: Gol do Cianorte em posição de impedimento.
Lance:

Pela imagem, os dois atacantes do Cianorte, incluindo o artilheiro Mineiro, estão em posição legal (1’25).

Veredito: improcedente.
Consequência: nenhuma.

4) 4a rodada: Coritiba 1-0 J. Malucelli

Árbitro: Leandro Hermes.
Reclamação: pênalti não marcado de Escudero em Leandro.
Lance:

A partir dos 3’04, a sequencia de ataques do J. Malucelli acaba com um cruzamento na área em que o zagueiro coxa puxa o atacante do Jotinha.

Veredito: procedente.
Consequência: menos dois pontos para o Coxa, mais um para o J. Malucelli.

5) 6a rodada: Arapongas 0-0 Toledo

Árbitro: Antônio Valdir dos Santos.
Reclamação: pênalti a favor do Arapongas.
Lance: indisponível.
Veredito: impossibilitado.
Consequência: nenhuma

6) 8a rodada: J. Malucelli 2-2 Paraná

Árbitro: Adriano Milczvski
Reclamações: três pênaltis não marcados para o Paraná.
Lances:

Aos 1′ 36, Luizinho recebe e cai na área em dividida com o zagueiro; ele projeta o corpo e rapidamente se levanta – não foi pênalti; na sequência, novamente com Luizinho, cruzamento na área e a bola toca o braço do jogador do J. Malucelli, que está junto ao corpo, sem desviar a trajetória. De novo, nada. Aos 3’47, Alex Alves é puxado dentro da área: pênalti não marcado.

Veredito: procedente.
Consequência: mais dois pontos ao Paraná, menos um para o J. Malucelli.

7) 11a rodada: Londrina 0-1 Coritiba

Árbitro: Felipe Gomes da Silva
Reclamações: três pênaltis não marcados para o Londrina, um para o Coritiba.
Lances:

Aos 0`33, bola chutada por Germano; ela desvia no peito e no braço de Pereira, saindo da direção do gol: pênalti. Aos 0’39, no cruzamento, os braços de Robinho, que estão junto ao corpo; normal. Aos 0’42, Rafinha dá um carrinho na área e carrega a bola com o braço; pênalti. Além desses lances, outro que não está no vídeo é o pênalti em Arthur, disponibilizado abaixo no site da RPCTV, clicando na foto.

Veredito: procedente.
Consequência: menos dois pontos ao Coritiba, mais um para o Londrina.

Logo, a classificação do 1o turno, com os jogos acima, ficaria assim:

Lembrou de mais algum lance? Concorda com todos, discorda de algum? O debate, com educação, é de vocês, nos comentários abaixo.

O levantamento tomou dois dias de pesquisas – o árbitro tem segundos para decidir um lance. A frase, lugar comum, explica mas não anula o problema. Não há clube que não tenha sofrido com o apito e isso acaba ficando na conta comum a todos. Ora um reclama, ora outro – mas, apesar da graça de se debater arbitragem, como reza outro senso comum, o bom juiz é o que não aparece.

O primeiro passo para se resolver uma situação é debater os problemas e encará-los de frente. Se a arbitragem paranaense, sem nenhum árbitro Fifa e com renovação contestada não está agradando, o pontapé inicial está dado com esse singelo levantamento.

UPDATE

Recebi ao longo do dia outros vários lances de discussão. A imensa maioria em Londrina x Coritiba – o post fala de todo o primeiro turno, mas o assunto mais quente é esse. Aos que entenderam a discussão, obrigado! Repito aqui o que disse no Twitter para alguns torcedores ao longo do dia: se esse debate não passar por uma reflexão de quem organiza o esporte, não terá validade além de discussões de boteco. É papel da imprensa trazer à tona – agrade ou desagrade quem seja.

Seguem os lances reclamados e a análise:

6a rodada: Operário 1-1 Paraná

Reclamação: falta de Alex em Anderson no gol do Operário.

Veredito: improcedente. O jogador do Fantasma aproveita-se do posicionamento ruim de Anderson – a defesa do Paraná sequer reclama o lance.
Consequência: nenhuma.

10a rodada: Londrina 0-1 Coritiba

Reclamações: pênalti em Chico, falta em Eltinho e cotovelada em Rafinha.

Veredito: procedente, exceção do pênalti em Chico, que é lance normal de jogo – os atletas sobem juntos na disputa de bola. No lance de ataque do Londrina, Eltinho é empurrado (o camisa 6 do Londrina, Silvinho, vai somente na direção do jogador) o que seria falta na origem do lance que originou a reclamação principal do Londrina e, posteriormente, o gol do Coritiba; no lance de ataque do Coritiba, pela imagem, fica clara a ação de Germano para bloquear a passagem do atacante do Coxa – não fica clara, no entanto, a cotovelada. O lance, rápido, ainda deixa outra dúvida: a falta se origina na entrada da área e termina dentro (0’58), o que está frisado abaixo. Entretanto, assim como as fotos que circulam no lance de Pereira, a dinâmica da ação deve ser percebida no vídeo acima.


Consequências: falta de Germano – passível de cartão – na entrada da área; impugnação de todo o lance que envolveu Pereira.

  • Arbitragens

É inegável que boa parte das queixas em Londrina x Coritiba vieram do acúmulo de erros nos jogos entre os dois times. A arbitragem de Felipe Gomes da Silva já recebeu críticas públicas do observador de árbitros da FPF, Gilson Bento Coutinho, disse que viu três pênaltis no jogo. Felipe Gomes da Silva é o mesmo árbitro que apitou Vasco x Olaria e marcou o pênalti abaixo para o Vasco (aos 3’00) em 2011. Veio apitar no Paraná, que atualmente não tem nenhum árbitro Fifa no quadro e vive uma dificuldade de renovar o quadro.

A campanha do Coritiba no 1o turno é irrepreensível. Ninguém, mais que o próprio coxa-branca, quer comemorar um título que fique maculado pelas más arbitragens – especialmente quem já sofreu em duas decisões da Copa do Brasil. Mas é fato que erros aconteceram. E, na dinâmica do futebol, sabe-se que apesar da brincadeira do “Placar Real” ser divertida,  um lance anulado ou apitado não necessariamente resulta em gol. Além de que, por exemplo, o pênalti não dado em J. Malucelli 2-2 Paraná (que eu mesmo tive dúvidas até ver várias vezes) poderia ter mudado o ânimo do campeonato. Os erros sucedem os jogos e mudam a própria competição.

Os erros em Londrina têm consigo outro “crime”: a luta para que uma cidade do porte da Capital do Café leve 30 mil pessoas a um jogo importante, no resgate do time da cidade em um dia de clássico paulista na TV, acaba se perdendo. Ganhar ou perder fazem parte do jogo; o que nem coxas, nem londrinenses, nem ninguém aguenta mais é estar à mercê de decisões subjetivas.

E, ressalte-se, são ERROS. Falar em direcionamento é conspiração – até que se prove o contrário – é leviano. Se você sabe de algo concreto, cabe a denúncia. A princípio, o que a FPF e a CBF precisam é de uma grande reciclagem nos árbitros, com melhor treinamento e orientação. E a Fifa precisa entender que a “graça” do subjetivo no futebol acaba quando se tem um prejuízo por estar de fora de uma competição após um erro.

Para encerrar – por ora – esse assunto, sugiro que ouçam a entrevista que o ex-diretor nacional de arbitragem, Aristeu Tavares, deu ao jornal “O Popular” de Goiânia. Ele assume que podem existir esquemas de arbitragem no país e que recebeu denúncias. Foi afastado do cargo pouco depois.

Londrina x Coritiba: rivalidade e boas histórias desde 1959

Eu era pequeno ainda quando entendi a rivalidade que existe entre Londrina e Curitiba no Paraná. Em uma época de férias, nos já distantes anos 80, estava na terra do Café quando me perguntaram de onde eu vinha, na companhia de uma prima do meu pai. “Da capital”, disse, curitibaninho da gema – mas com 8 anos de criação no norte do Paraná. “De São Paulo?”, me questionaram de novo.

O episódio faz tempo e nunca diminuiu o carinho que sempre tive por Londrina e região – afinal, se nasci em Curitiba, tenho pais “pés-vermelhos”. Mas reforçou um sentimento de paranismo que será exaltado como há tempos não se vê nesse domingo, quando a Capital do Café receberá a última rodada do 1o turno do Paranaense, vestida de decisão para coxas e alvicelestes. Não vai ser a primeira entre os clubes, que desde o ano passado têm, ao menos do lado do Tubarão, ainda mais exacerbada a rivalidade.

Coxa, de Carazai, Ivo e Miltinho, venceu a primeira final contra o LEC em 1959

A primeira aconteceu em 1959. O Coritiba venceu a Série Sul e o Londrina, então de Futebol e Regatas, venceu a Série Norte. Foram dois jogos entre as duas equipes – e deu Coxa duas vezes: 3-0 em Curitiba e 2-1 em Londrina. O Coxa seria bicampeão em 1960; o troco alviceleste viria dois anos depois.

O Londrina de 1962, com Gauchinho em campo, vencedor da segunda decisão entre os clubes

Novamente Londrina e Coritiba se encontraram numa final, desta vez em 1962. Era o segundo dos 4 anos em que os clubes do interior levariam a melhor sobre os da capital (Comercial de Cornélio em 61 e Grêmio Maringá em 63-64). Gauchinho, maior artilheiro do LEC com 217 gols, comandou o time em duas vitórias por 4-2, em Londrina e Curitiba. Era a primeira taça do Tubarão.

  • Folclore

Em 1972, o Coxa vivia o segundo ano de sua maior série vitoriosa (hexacampeão) enquanto o Tubarão andava mal das pernas. Nos 4 confrontos diretos, o LEC apenas conseguiu um empate, 1-1, em casa. O Coxa aplicou dois 4-0 e um 3-1. O jornalista J. Mateus, em seu livro “Londrina Esporte Clube 4o anos”, conta que o Tubarão chamou um pai-de-santo para resolver o problema do clube, após uma das derrotas.

“Tem um espírito, de alguém que foi ligado ao clube que está complicando tudo”, disse o pai-de-santo. “É uma dívida que não foi paga. Tem que mandar ele pra outro endereço”.

A diretoria do Londrina marcou a sessão espírita. O então supervisor Murilo Zamboni acompanhou os trabalhos desde às oito da noite até a 1 da manhã.

“Pronto”, disse o pai-de-santo, “agora é só escolher pra quem mandar”. Zamboni sugeriu: “Mande pro Coritiba, que está ganhando tudo!”. O pai-de-santo concordou e começou o despacho rumo ao Alto da Glória.

O Coritiba seria campeão com 31 vitórias em 44 jogos. O Londrina, ao menos, acabaria em quarto lugar.
(adaptação do texto da página 59)

  • Retomada

Londrina e Coritiba retomaram a rivalidade no ano passado. No último grande momento do Tubarão, quem estava mal era o Coxa. Eram o início dos anos 90, o Coritiba amargava um rebaixamento não-concretizado (caiu, mas não jogou) para a Série C nacional em 1990 enquanto o Londrina chegaria ao 3o título estadual em 1992 e ainda seria vice em 93 e 94. Quem reinava era o Paraná.  De 1995 pra cá, o Coxa se reencontrou, mesmo com altos e baixos; foi a vez de o Londrina cair vertiginosamente. Em 1999, quase subiu para a Série A, eliminado pelo Gama-DF; depois, sumiu. Caiu de divisão no Brasileiro até perder a vaga fixa e passou até pela segundona paranaense.

Os encontros de 2012 foram polêmicos. Em Londrina, um empate em 1-1 e muita reclamação em cima de um lance de pênalti a favor do Tubarão não dado em Arthur, hoje no Coxa, pelo árbitro Leandro Hermes – o atacante derrubado, porém, estaria impedido. Em Curitiba, um gol olímpico (leia-se falha de Vanderlei) mal-anulado que rendeu até discussão nos diretórios acadêmicos de física (vídeo da TV Transamérica):

Na história, são 125 jogos: 59 vitórias do Coritiba, 35 do Londrina e 31 empates (incluindo os jogos antes da mudança no nome do Londrina).

O outro “menino de ouro” do Coritiba agora é rival

Domingo será um dia especial para o meia Alex. Será a chance dele conseguir o primeiro título – ainda que apenas simbólico – com a camisa do Coritiba. O “Menino de Ouro” do Coxa deixou o clube ainda na época das vacas magras, em 1997, e nunca foi campeão pelo clube. Desde que deixou Curitiba rumo primeiro à São Paulo, depois a outros lugares no planeta, muitos “meninos de ouro” foram surgindo no Alviverde. Dirceu foi um deles.

Dirceu, de costas com a 5, na campanha da Copa SP 2007 (Foto: Coxanautas)

O então volante apareceu para a torcida coxa-branca na Copa São Paulo de Juniores de 2007. Logo na estreia, marcou 3 gols, chegando ao ataque com facilidade. Era também o cara das bolas paradas daquela equipe, que no profissional teria um ano difícil pela frente, com a queda para a Série B dois anos antes e não subira para a elite na primeira tentativa, com um time de astros. Todos os olhos estavam voltados para a base.

O Coxa deixou a Copa São Paulo nas oitavas. Dirceu iria demorar até ter chances no clube. Paranaense de Ibaiti, o então menino foi orientado a jogar como zagueiro – não se adaptou. Teve algumas chances com René Simões. Caiu no ostracismo e chegou a ser escalado de sopetão no Atletiba #342, vencido pelo Coxa por 3-2 no Brasileiro de 2009. Ambos estavam em situação difícil e o clássico parecia um divisor de águas. Derrotado, o Atlético se reinventou e escapou da queda; vitorioso com gol no último minuto, o Coxa se perdeu no elenco e acabou caindo novamente para a Série B no fatídico seis de dezembro.

Ao chegar no vestiário após o jogo contra o Fluminense, Dirceu, às lágrimas por vivenciar uma nova queda em seus 15 anos de clube, se deparou com uma cena que revoltou a ele, Edson Bastos e mais alguns atletas com identificação com o Coxa: um dos principais jogadores daquele elenco já estava de banho tomado e sorridente, abraçado com um conterrâneo e seus vários amigos, comemorando a transferência para um grande clube paulista. Houve bate-boca e ameaça de briga, contornada pela turma do deixa disso. Os “astros” deixaram o clube; Dirceu, Bastos e outros ficaram e o resto da história é conhecido.

Ainda assim, de “menino de ouro” a zagueiro com presença irregular na equipe, Dirceu nunca brilhou pelo Coritiba. A cada temporada, a cada técnico, o jogador acabava preterido no elenco. Mesmo quando agradava a alguns técnicos, não estava nos planos do departamento de futebol. Por isso, foi emprestado a Avaí, América-MG e agora, Londrina. Aos 25 anos, é considerado um dos pilares do Tubarão, ao lado de Germano e Celsinho. Ficará no LEC até maio – pelo menos.

Quis o destino que no próximo domingo Dirceu encarasse Alex na missão de impedir o ídolo de todo menino da base coritibana de conquistar o direito de tentar o primeiro título de sua vida como coxa-branca. Quis o destino que a primeira final em 21 anos para o Londrina de Dirceu passasse por um duelo contra o Coritiba que o formou. Coisas da vida, coisas do futebol.