Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 03/10/2012

Alex e o Coritiba

Alex rompeu com o Fenerbahçe da Turquia nessa semana. Por coincidência, às vésperas do aniversário de 103 anos do Coritiba, no próximo dia 12. É o que basta para um alvoroço da volta do meia ao clube. Bem, em primeiro lugar, até pode sair acerto já, mas é preciso deixar claro que Alex não joga no Brasil em 2012. As inscrições estão encerradas e o único time brasileiro que ele poderia defender nessa temporada seria o Corinthians, em uma improvável negociação para o Mundial. Para 2013, o Coxa disputa o meia com Palmeiras e Cruzeiro. Coxa-branca declarado, Alex foi ídolo do clube sem justificar isso em campo. Ficou pouco tempo. É bem-quisto por nunca deixou de se assumir coxa, mesmo com outras camisas, sem fazer média. Noves fora o risco da Série B (tão vivo para o Palmeiras quanto para o Coritiba) e a Libertadores, não existe outro caminho para Alex que não seja o Alto da Glória. Que o diga Ronaldinho.

Intolerância

Neymar entra em campo cercado de crianças gremistas no Olímpico. Por aqui, Lucas é cuspido e uma fã de 13 anos, infiltrada na torcida do Coritiba, é acossada junto com o pai, enquanto ganhava uma camisa do jogador. Em São Paulo, um turista escocês é constrangido e retirado da área VIP (aquela dos bem nascidos) por estar desavisadamente com a camisa verde e branca do Celtic em meio a corintianos. Quando foi que desaprendeu-se educação no Paraná e em São Paulo? Não há justificativa que aplaque os péssimos exemplos de intolerância nos dois estados. Os gaúchos, por sua vez, mostram que sabem levar o futebol como ele é: um esporte. A flauta de que colorado não tem azulejo, “tem vermelejo”, não passa pro campo da hostilidade. É folclore inteligente. Ainda dá tempo de aprender.

Longe de casa

O número mágico do acesso pode chegar a 69; historicamente é 64. O Atlético deve perseguir algo em torno disso para voltar ao seu lugar na elite nacional. Começa no sábado, contra o América-MG, mas passará por importante decisão em São Caetano do Sul, no dia 03/11, contra o time da casa. Será um dos três jogos contra concorrentes diretos longe de Curitiba (Vitória e Criciúma são os demais) e o mais decisivo deles, justamente no palco da maior glória rubro-negra. Daqui até lá, no entanto, o Furacão não tem mais direito a erro. Como observado semana passada, será um trabalho com a cabeça, porque os pés que aí estão não podem ganhar companhias mais qualificadas.

Um ano

Passa voando. Essa coluna marca um ano de nosso convívio semanal aqui no Metro. Um jornal que pegou a cidade de jeito, ganhou pela qualidade e objetividade. Só tenho a agradecer a confiança da casa, o respaldo pela liberdade e, principalmente, o carinho e a sua participação, leitor, opinando, criticando, pautando e debatendo. Que continuemos assim.

Sobe ou não sobe?

Foto: Geraldo Bubniak

Paulo Baier está pensativo na foto. Não é pra menos. O Atlético, nas 11 rodadas que restam, terá que se apegar a calculadora.

Não, a situação não é desesperadora – ainda. É “apenas” preocupante e é também fruto de escolhas anteriores. Que não voltam mais e nem respondem a pregunta chave do post: sobe ou não sobe?

Primeiro, é preciso assumir que o Vitória já tem uma vaga. Foi o melhor time da Série B ao longo da competição e, mesmo perdendo um pouco do pique nesse momento, tem tanta gordura que não fica fora da Série A. Restam, portanto, três vagas.

Três? Talvez duas. O Criciúma está bem na pontuação e dificilmente repita 2007, quando justamente na reta final patinou a ponto de sair da liderança para fora do G4.

Duas? Deixemos por uma. O Goiás tem jogado bem e já está a 7 rodadas no G4. Abriu frente de 5 pontos do 5o colocado, Joinville, e também não deve voltar a demonstrar queda. Oficialmente já se coloca como candidato ao título.

A média de pontos histórica pro acesso é de 64; sete para o Vitória, nove para o Criciúma, 12 para o Goiás, com 33 a serem disputados. Talvez a média suba um pouco, 65, 66. Mas é difícil imaginar esses três times não fazendo essa pontuação.

Para o matemático Tristão Garcia, do site Infobola, 10 times estão na briga:

Clique na imagem para ver outros números no site

Atrás na tabela, o Atlético aparece a frente do Joinville nas chances calculadas pelo matemático. Isso porque a fórmula usada cruza os resultados dentro e fora de casa, com uma média projetada de pontuação. Estima-se, portanto, que o Furacão faça mais pontos que o JEC, mas menos que o São Caetano.

Cada jogo é um jogo, futebol é uma caixinha de surpresas, blablabla e outros Bragantinos podem aparecer no caminho não só do Atlético, mas de São Caetano e Joinville. Depois do Fluminense 2009, é impossível até mesmo desprezar os Américas. Mas a briga deve mesmo se restringir a paulistas, catarinenses e paranaenses.

Tenho visto mais jogos do Joinville por conta da programação da TV. O JEC tem um bom time, que joga em cima do adversário em casa (com uma média ótima de 10 mil pessoas por jogo) e marca forte fora. Perder Tiago Real não fez diferença significativa. Lima, o artilheiro do time, é um atacante que qualquer equipe gostaria de ter.

Vi pouco o São Caetano. Pela oscilação em parte do campeonato, achei que iria cair na tabela. Não o fez. Contra o Paraná perdeu em um jogo equilibrado. O Tricolor fez a diferença em casa. Leão mantém o estilo de montar equipes que ocupam espaços no campo de defesa, jogando compactadamente. O São Caetano não tem torcida e até imaginava-se não ter dinheiro, especialmente em um ano político. Mas está indo bem.

O Atlético oscila demais. Faz belas partidas (Barueri, CRB e, mesmo com a derrota, contra o Goiás) e outras péssimas, como a com o Bragantino. É o preço a se pagar por um trabalho recente e um time jovem. A demora da diretoria a trazer reforços custa caro na tabela. Depois das chegadas de dois laterais, um volante, dois meias e um atacante (6 jogadores) o time andou. O Atlético também demorou pra achar uma casa. E isso faz tanta diferença que é o trunfo do Joinville. E é a barreira a ser quebrada para o acesso.

O Furacão tem melhor aproveitamento dentro que fora de casa. Melhor inclusive que o São Caetano, mas inferior ao do Joinville – que, por sua vez, vai muito mal fora de casa, pior que o time paranaense. Só que a tabela prevê jogos chave para o Atlético na casa dos adversários.

A próxima rodada (28a), por exemplo, prevê jogo duro para o Atlético, contra o América-MG, enquanto o JEC pega o Barueri fora e o São Caetano recebe o Guaratinguetá. Um erro contra o Coelho e a tendência é que os rivais abram vantagem.

Na rodada seguinte, o Joinville recebe o Azulão e o Atlético vai ao Frasqueirão pegar o ABC. De novo, tem que vencer a qualquer preço, pois qualquer resultado em SC é ruim. Se o JEC vence e mantém a frente que tem, não pode ser alcançado mais em confronto direto; se dá Sanca, o confronto direto existe, mas no Anacleto Campanella – de boas lembranças para o atleticano, mas em outros tempos.

Jogar fora de casa é mesmo o calo atleticano. Vitória, São Caetano e Criciúma (os dois últimos garantidamente confrontos diretos) serão em território adverso. Jogos daqueles “vencer ou vencer”. A Série B 2012 está com erro quase zero – e dos três citados, em casa, o Atlético só venceu o Tigre.

O São Caetano também tem jogos duros fora de casa. Vitória e Criciúma, por coincidência. O Goiás visitará o ABC. Aos atleticanos, a torcida pelos que estão em cima já é válida. É melhor que disparem. O Joinville tem o clássico com o Criciúma fora, mas pega o Vitória em casa. E na última rodada, o Goiás no Serra Dourada – enquanto o Atlético tem um Derby e o Azulão joga em Campinas, com o Guarani.

Em síntese, o Rubro-Negro só sobe se melhorar fora de casa e vencer o confronto direto com o São Caetano, procurando ao menos não perder para Vitória e Criciúma. Para isso, precisa melhorar o comportamento em relação ao que aconteceu em Bragança Paulista.

  • E se não subir?

A diretoria atleticana evita falar em fracasso em 2012. No começo do ano, até se culpava mais a gestão passada pela má fase, mas hoje essa não cola mais. Não que não havia fundamento; havia. Mas houve tempo o suficiente para mudar o quadro. Se não subir, a culpa é da diretoria. Se subir, oras, o mérito também será. Dessa responsabilidade ninguém escapa – só as escolhas é que deveriam ter sido feitas antes.

Enfim, não será o fim do mundo para o clube, mas será muito ruim. A construção do estádio projeta ao Atlético um futuro muito bom com ou sem Série A em 2013. Vai se machucar o orgulho novamente, mas é do futebol.

O comparativo que eu faço é com aquele aluno que reprovou a 5a série. É um atraso de vida. Ficou pra trás dos coleguinhas, passou de novo por tudo que já deveria ter sido superado, levou bronca dos pais e ouviu sarro dos amigos. Mas não morreu por isso. Nem deixará poder de ter um bom emprego no futuro e tocar a vida. Vai se arrumar, mas com atraso. O que já é ruim e se agrava no caso de se relembrar que é o clube com maior arrecadação na bezona. É tipo filho de rico reprovando –  só não pode ser mimado o suficiente pra achar que as coisas vão vir na mão.

Ex-atleticano decide jogo contra “Furacão” Bairro Alto

Mesmo sem Alex Mineiro e com Nem nas cabines, Bairro Alto contou com a estreia de Marcão, mas não conseguiu segurar o Iguaçu e a perna direita diferenciada de Luisinho Netto

por Ana Claudia Cichon*

Aos 38 anos, Luís Idorildo Netto da Cunha – ou Luisinho Netto, aquele mesmo, que a torcida do Atlético não se cansou de aplaudir – vem desequilibrando as partidas pelo lado do Iguaçu. O pé direito parece estar sempre calibrado, e a bola, velha conhecida, sabe exatamente qual direção tomar ao ser tocada, seja num passe, cruzamento, cobrança de falta ou escanteio.

O segredo do sucesso? “Após os treinos, fico cerca de meia hora treinando. Tenho o respaldo do Juninho [técnico da equipe], que deixa sempre um goleiro para me ajudar. É um hábito que eu tenho e vou levar até parar de jogar”.

Com dedicação admirável, Luisinho é o líder da equipe. Carrega a faixa de capitão e faz jus a ela dentro de campo. Orienta os atletas, cadencia o jogo quando necessário e troca muitas ideias com outro veterano que faz parte do elenco do Iguaçu: o zagueiro Flávio, ex-Coxa. E tudo isso sem deixar de ser ídolo: ao final da partida de sábado (29), contra o Bairro Alto, um torcedor entrou no gramado e pediu para Luisinho Netto autografar sua camisa do Atlético.

  • Amador desde cedo

Além da passagem pelo Furacão, Luisinho defendeu clubes como Atlético-MG, Sport, Inter, São Paulo e Cruzeiro. O início no futebol, porém, foi no amador, no clube de sua cidade natal – Cachoeira do Sul (RS). “A diferença para o profissional é bastante grande, mas é um campeonato muito gostoso de jogar”.

E o atleta tem propriedade para falar. Na sua segunda temporada pelo futebol amador de Curitiba já levantou três canecos. Pelo Internacional de Campo Largo conquistou o bicampeonato da Taça Paraná, em 2011 e 2012, e no ano passado chegou ao título da Suburbana com o Clube Atlético Bairro Alto.

“A expectativa para este ano? Ser campeão, é claro”.

  • O jogo

No jogo deste sábado (29), disputado contra o Bairro Alto no estádio Pedro de Almeida, a bola parada de Luisinho Netto fez a diferença novamente. Depois de sair atrás no placar (Marcelo Tamandaré marcou de pênalti), o Iguaçu conseguiu o empate na cabeçada de Douglas. E de onde veio a bola? Cobrança de falta de Luisinho Netto, é claro. A jogada se repetiu no terceiro gol da equipe de Santa Felicidade, mas desta vez com a conclusão do atacante Marlon.

  • Duelo atleticano na lateral 
Luisinho Netto de um lado, Marcão de outro (Foto: Ana Cichon)

O embate de sábado marcou a estreia de outro ‘ atleticano galáctico’ na equipe do Bairro Alto. O lateral esquerdo Marcão, que defendeu o Furacão em 2004 e 2005, se juntou aos campeões brasileiros de 2001 Rogério Correa, Alex Mineiro e Nem para ajudar o Caba na busca por uma vaga nas semifinais da Suburbana.

(Nem, aliás, deixou o cargo de técnico do Bairro Alto nesta semana e agora segue em recuperação para voltar aos gramados, conforme antecipado pelo blog na última postagem).

E logo em sua primeira partida, Marcão travou um duelo rubro negro na lateral do campo, justamente com o personagem da partida. Ele e Luisinho Netto não chegaram a jogar juntos pelo Atlético, mas são referências em suas posições na história do clube, além de grandes amigos. “Toda a semana nos encontramos para jogar society. Foi uma feliz coincidência estar presente na estreia dele na Suburbana”, conta Luisinho.

Bairro Alto: Dida, George, Rogério Correa, Luciano, Juninho (João Paulo), Marcão, Zé Nunes, Massai, Marcelo Tamandaré, Caio e Fábio (Edmílson). Técnico: Bananinha

Iguaçu: Leandro, Murilo, Flávio, Luciano (Márcio), Émerson, Ricardo (Marlon), Luisinho Netto, Douglas, Nilvano, Laércio e Guilherme (João Vitor). Técnico: Juninho

  • Resultados da rodada

Bairro Alto 1 x 3 Iguaçu
Novo Mundo 0 x 0 Trieste
Nova Orleans 4 x 6 Combate Barreirinha
Urano 2 x 2 Santa Quitéria

*Ana Claudia Cichon é jornalista, apaixonada por futebol e pela Suburbana.

Pelo fim da intolerância

Quem é o verdadeiro amante de futebol hoje no Brasil? Quem é o torcedor que vai apoiar seu time e ver os astros – ou, para os menos favorecidos em seus elencos, vibrar pela camisa que ama?

Nesse final de semana, em dois episódios, descobrimos quem NÃO SÃO torcedores; num show de demonstração de força, intolerância, intransigência e imbecilidade, vimos o verde da esperança ser manchado por meia dúzia de patrulheiros que se acham donos dos estádios e pensam que controlam a maneira com a qual cada um deve torcer.

Na foto que abre o post, o mau exemplo em São Paulo; no vídeo abaixo, da TV Band, o ocorrido de ontem no Couto Pereira, quando uma menina de 13 anos e seu pai foram acossados após pegarem a camisa do meia sampaulino Lucas.

Sob o signo da defesa da honra, truculentos resolveram impor suas doutrinas e expulsar gente fragilizada do seu território – que, confesso, pensava ser dos clubes e das pessoas de bem.

Sim, concordo que não é muito prudente ir a um jogo do Corinthians de verde e branco; concordo também que é irresponsabilidade de um pai levar a filha adolescente no meio de uma torcida adversária (descobriu-se depois que a menina é torcedora do São Paulo) em um jogo fora de casa. Mas nada, absolutamente nada, justifica agressão e truculência.

Vejamos os fatos. Um escocês, turista, queria ver o futebol brasileiro de perto. Foi ao Pacaembu desavisadamente de verde e branco em um dia de jogo do Corinthians. Encontrou um povo intolerante às cores, como se elas fossem culpadas por qualquer frustração pessoal. De fato, a raiva cega não permite a alguns sequer ver cores: julgam a bel prazer o que é diferente do que conhecem como mal e atacam.

Pergunto: não seria melhor avisar o turista de que o verde é a cor do rival do Corinthians? Um abraço, uma troca de camisas dando a ele um presente com a camisa do time da casa e teríamos, quem sabe, uma nova amizade, um novo simpatizante do Timão.  Mas tivemos um episódio em que um cidadão estrangeiro, que pagou ingresso nas sociais para ver um jogo, foi abruptamente retirado de seu lazer. Levará para a Escócia a recomendação de que ninguém vá à Copa no Brasil – especialmente na Arena do Corinthians.

No Couto Pereira uma adolescente ganhava uma camisa de um ídolo da Seleção quando, nas palavras de Rodrigo Salvador, coxa-branca e testemunha do momento, “veio o primeiro tapa na cabeça do pai. A menina gritava e chorava, desesperada, não tinham por onde sair. Alguém meteu a mão na cara do pai e tirou os óculos da cara dele.

Um terrorismo injustificável, cujas imagens estão ali, incontestes. Um péssimo exemplo de intolerância, de falta de convivência. Já disseram por aí “no Couto quem manda é o Coxa!” ou “ela não tinha nada que estar lá”, etc. Justificar uma agressão (que não é apenas socos e pontapés, pode ser cusparadas e ofensas) a uma menina de 13 anos é a consolidação de um caminho sem volta para o fim do futebol.

Que o pai foi irresponsável, não se discute. Ele, como alguém mais velho, conhece a vida e os campos de futebol. Deveria saber que as pessoas de bem foram vencidas nessa guerra faz tempo.

Mas qual o mal de uma menina, ou um torcedor qualquer, pegar uma camisa de um atleta? Um souvenir, uma lembrança que em nada diminuiria a paixão de qualquer torcedor pelo seu time de coração, ainda que ela fosse coxa-branca – o que, sinceramente, pouco importa. O futebol não é uma guerra. Futebol é lazer, entretenimento. Deve ser tratado como tal. Imagina-se que os valentões das imagens acima não tenham irmãs ou amigas/os de outros times. O Coxa tem que mandar no Couto sim, mas em campo.

E, deixando bem claro, foi com o Coritiba, mas lamentavelmente sei que seria assim na maioria dos outros campos. Já vi exemplos parecidos na Arena, como se a cor verde fosse criminosa. Pinte-se a grama, então.

O Coritiba precisa se posicionar oficialmente e repudiar essa ação em sua praça. Combater a intolerância que quase quebrou o clube em 2009. A Polícia, impávida no caso, deve identificar e vigiar os valentões.

Mas acima de tudo isso, todos nós devemos por a mão na cabeça e pensar: o que queremos do futebol e da sociedade? Quando deixamos de ser apaixonados pelos nossos clubes para sermos vigilantes do comportamento alheio, intolerantes à diferença que antes movia brincadeiras e bom convívio?

Chega. Pelo fim da intolerância.

  • Carnaval

Para o Coxa ainda vale o alerta: ficar quieto é dar milho pra bode. Se as atitudes foram reprováveis e a indignação justificável, o clube que abra o olho com a movimentação de bastidores para que o Coritiba saia do Couto Pereira por uns jogos.

O Palmeiras, concorrente direto ao rebaixamento, perdeu quatro mandos de campo por arremesso de objetos no gramado.

Paboentemeipabá.

 

Gols: resumo da rodada européia de 25 a 29/09

Veja os gols dos jogos do Campeonato Alemão e Português no último final de semana:

Campeonato Alemão

25/09 – Eintracht Frankfurt 3-3 Borussia Dortmund

Grande jogo entre o atual bicampeão alemão e o dono da casa, recém-promovido da Série B e vice-líder. Seis gols e muita emoção, com direito a falha e redenção do brasileiro Anderson Bamba.

29/09 – Borussia Dortmund 5-0 Borussia Monchengladbach

Quatro dias depois de ceder o empate ao Eintracht, o Dortmund recebeu o xará de Monchengladbach em jogo que marcava a primeira vez do meia-atacante Marco Reus contra seu ex-clube. A transação (segunda maior da história do Dortmund, atrás apenas da do brasileiro Amoroso) rendeu 17,1 milhões de euros ao M’gladbach – que sofreu na mão do ex-ídolo.

Em tempo: Borussia é Prússia em latim, território que formou a Alemanha. O nome de ambos os clubes, de cidades diferentes, é uma referência a isso.

Campeonato Português

28/09 – Paços de Ferreira 1-2 Benfica

Bom jogo no acanhado Estádio da Mata Real (capacidade 5.172 ) entre o Paços de Ferreira e o Benfica do técnico Jorge Jesus, que foi salvo pelo ex-paranista Lima.

Visite também o blog do narrador Marcelo do Ó, com outros gols dos campeonatos europeus.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 26/09/2012

Coluna que aborda temas esportivos, em especial os voltados ao Paraná; veiculada semanalmente no Jornal Metro Curitiba

Passo à frente ou populismo?

Oportunismo eleitoral ou não – a descobrir – uma vereadora, candidata à reeleição, reivindicou formalmente junto a diversos políticos (incluindo a presidente Dilma) a inclusão de Curitiba nas sedes do torneio pré-olímpico de futebol de 2016. Politicagem a parte, a ideia deve ser levada a sério pela cidade. A Olimpíada será um evento nacional, embora os holofotes apontem o Rio. Mais do que receber jogos de futebol, Curitiba deve propor-se a ser cidade hospedeira (host) de delegações, envolvendo não só o futebol, mas clubes que possam ser CTs para tênis, basquete, atletismo, etc. A iniciativa já merece nota, mas a execução é o que interessará de fato. Aguardemos.

Patrocínio x burocracia

O Paraná Clube confirmou prospecção junto à Caixa Econômica Federal para estampar a marca do banco na camisa do clube – valores não divulgados. No entanto, a negociação está parada há meses: devedor no INSS, o Tricolor não pode ter apoio estatal enquanto tiver dívida com a União. Por essa razão, a Petrobrás deixou o Flamengo tempos atrás. “Gostaria de dar uma previsão, mas não é possível. Está no nosso jurídico”, me disse Vladimir Carvalho, diretor de marketing tricolor.

Prospecção

Por falar em patrocínios, o Coritiba realiza hoje um evento em São Paulo, reunindo 20 agências de publicidade, para apresentar o projeto do clube ao mercado paulista e buscar apoio de grandes anunciantes nacionais.

Prioridades

O Cianorte perdeu a vaga na Série C em casa, nos pênaltis, para o Mogi Mirim-SP, depois de ter vencido por 2-1 fora. Um dos mais interessados na conquista, o presidente da FPF, não esteve no Albino Turbay. Em campanha política para ser vereador em Curitiba, não viu de perto o futebol paranaense deixar de ter quatro vagas garantidas em campeonatos nacionais. O vice, Amilton Stival, fez às vezes (novamente) da presidência. Em tempo: nenhum deles bate pênalti. Mas dão segurança a quem o faz.

Pouco sobre futebol?

A coluna tem batido na tecla da gestão e visão futura. É de boas gestões que os craques aparecem no gramado. Mas, de olho nas hipóteses de o Estado ter dois clubes na Série A 2013 (ou três na B) refleti desempenho no campo e tabelas. O Coxa preocupa. Pega rivais diretos fora de casa e tem uma reta final com seis equipes entre Libertadores e título. Mas, mais que isso, não joga bem longe do Couto. Já o Atlético mostra evolução, mas decidirá a vaga longe de Curitiba. Numa Série B de raros tropeços, pega São Caetano, Vitória e Criciúma fora. Ambos precisarão buscar pontos na casa dos adversários. O processo é mental, já que a técnica não pode mais ser melhorada.

Reflexo do rebaixamento, Atlético perde também no PPV

O site do Atlético divulgou os números que o clube recebeu da Globosat sobre a venda de pacotes Pay-Per-View em 2012. E o que percebeu-se é que não somente durante a “diáspora” rubro-negra o torcedor andou meio ausente.

Se a média de público do clube em Paranaguá girou em torno de 2 a 3 mil pessoas, imaginava-se que o atleticano tivesse aderido ao PPV para acompanhar o clube – o que não aconteceu.

De acordo com a tabela emitida pelo grupo de comunicação e publicitada pelo próprio clube, o Furacão despencou da 13a posição em 2011 para o 19o lugar em vendas nessa temporada.

O Coritiba, que quase chegou à Libertadores em 2011 mas não faz boa campanha em 2012, manteve-se na 15a posição em vendas de pacotes. Veja a tabela completa* e, logo abaixo, a análise:

Relegado à uma divisão inferior após 17 anos, vice-campeão estadual e com um começo claudicante na Série B, o Rubro-Negro perdeu praticamente um terço da arrecadação em PPV. Na contramão do rival até a metade deste Brasileirão, o Coxa teve um acréscimo nas vendas dos pacotes, mas não o suficiente para melhorar sua posição no ranking nacional.

Vice-campeão da Copa do Brasil por duas temporadas seguidas, pode-se imaginar que o crescimento em vendas veio com o tri-estadual e as boas campanhas na Copa, mas com o início claudicante no Brasileirão, o interesse esvaziou.

Numa análise global, percebe-se que o torcedor gosta mesmo é de time vencedor.

Maior torcida do Brasil, o Flamengo perdeu 10% da arrecadação com a campanha ruim que faz. O mesmo vale para o Palmeiras. Mal no Brasileirão, o time paulista perdeu duas posições e quase 30% do valor de vendas.

Já o Atlético-MG, que faz grande campanha, mostra a força nacional que tem e está catapultado ao 4o posto em vendas. O Galo, de acordo com a última pesquisa de torcidas do Datafolha, tem a 10a maior torcida do Brasil. O mesmo vale para o Vitória. O líder disparado da Série B praticamente dobrou seu volume de vendas em relação à 2011.

*Os números divulgados contemplam apenas os 18 clubes com contrato renovado por três anos na cisão do Clube dos 13.

Gols: resumo da rodada européia 20 a 23/09/12

A partir dessa semana, o blog irá disponibilizar os gols da rodada européia das transmissões do Terra, que está acompanhando a Liga Europa e os campeonatos Alemão, Português, Grego, Russo e a MLS, dos EUA. 

Confira gols e lances das transmissões que participei clicando nas imagens.

20/09 – Liga Europa:

Fenerbahçe 2-2 Olympique de Marselha

Alex, ex-Coritiba, Palmeiras e Cruzeiro, deixou o dele no empate do Fener em casa. Mas acabou substituído e o OM chegou ao empate na primeira rodada da fase de grupos. Veja:

No mesmo jogo, ao ser substituído, Alex soltou um palavrão contra a ação do técnico Aykut Kocaman. Há uma certa perseguição ao brasileiro neste momento no Fener: o técnico é o maior artilheiro da história do clube, com 150 gols em 210 jogos Alex é o segundo maior, com 137 gols em 235 jogos. Pra bom entendedor…

Bayer  Leverkusen 0-0 Metalist

Duelo que ficou no zero, mas que teve participação de vários brasileiros, entre eles Marlos (ex-Coritiba e São Paulo), Taison (ex-Inter) e Renato Augusto (ex-Flamengo). Veja os melhores momentos:

22/09 – Liga Portuguesa:

FC Porto 4-0 Beira-Mar

Favorito ao tricampeonato, o Porto recebeu o Beira-Mar no Estádio do Dragão sem Lucho González, que viajou para o funeral do pai em Buenos Aires. Na primeira rodada sem o ídolo Hulk, da Seleção Brasileira, os Dragões atropelaram e chegaram a liderança, com direito à golaço de colombiano e gol do brasileiro Maicon, ex-Cruzeiro. Assista:

 

Amador: ídolos do Furacão param em ex-tricolores

Com Nem de técnico e Alex Mineiro em campo, Bairro Alto ficou no 0-0 com Trieste de Ageu e Goiano; Suburbana é laboratório para ex-zagueiros começarem carreira de técnico

por Ana Claudia Cichon*

A partida entre Trieste e Bairro Alto realizada no sábado (21), no estádio Francisco Muraro, contou com um duelo especial nos bancos de reservas. Os ex-zagueiros Nem e Rossano Santana, que durante a década de noventa se enfrentaram nos gramados do futebol profissional com as camisas de Atlético e Paraná Clube, respectivamente, viveram a experiência de um confronto fora das quatro linhas.

Nem e Rossano; um tapa o buraco, outro quer projeção (Foto: Ana Cichon)

Em sua segunda partida como técnico do Bairro Alto, o ex-zagueiro do Atlético conquistou seu segundo empate e segue invicto, mas garante que a função é por pouco tempo. “Eu vim para jogar, mas como acabei me lesionando aceitei a proposta da diretoria para assumir o comando da equipe enquanto não encontrassem um novo técnico. Mas assim que tiverem um nome e eu estiver recuperado quero voltar para dentro de campo”, explica.

Já Rossano Santana está no seu segundo ano como treinador do clube de Santa Felicidade e afirma que largou de vez a posição de jogador. “Para mim este é um início para seguir carreira como técnico. Estou aqui no amador, comandando o Trieste pelo segundo ano, ganhando a cada dia mais experiência para quem sabe chegar a ser técnico de alguma equipe profissional em breve”.

Trieste quase marca, mas ninguém, nem Alex Mineiro, chacoalhou o limoeiro (Foto: Ana Cichon)

Comandando ex-companheiros

Apesar desta diferença nas projeções para o futuro, os técnicos possuem uma característica em comum: hoje passam instruções para seus ex-companheiros de clube, que ainda não saíram dos gramados. E este comando visto nos dois treinadores está diretamente ligado à função que ambos desempenhavam nos gramados.

“Se formos analisar a quantidade de ex-jogadores que estão como técnicos atualmente, quase 90% eram zagueiros. Geralmente são os líderes em campo, já possuem este espírito de liderança”, assegura Rossano. O técnico alvinegro confirma esta colocação, ressaltando que o fato de os zagueiros estarem atrás do meio de campo, tendo a visão de todo o jogo, facilita a questão de análise de posicionamento e outras noções que os técnicos precisam.

Na equipe do Trieste, por exemplo, Rossano lidera alguns ex-colegas de Paraná Clube, como Ageu, Goiano e Flávio e fala que, apesar de ser mais novo que alguns de seus comandados (Rossano tem 31 anos), o respeito é muito grande, principalmente por já se conhecerem de antes, de terem sido companheiros de equipe.

No Bairro Alto Nem conta com dois companheiros campeões brasileiros pelo Atlético em 2001: o também zagueiro Rogério Corrêa e o atacante Alex Mineiro. E a parceria que foi repetida antes da contusão do atual técnico pode ser percebida mesmo fora de campo. Durante todo o jogo Nem e Rogério Correa conversam, trocando opiniões sobre posicionamento e jogadas. “O Rogério é um grande amigo, e por ele ter a mesma experiência que eu como zagueiro fica fácil discutirmos estratégias e termos ideias para melhorarmos o rendimento da equipe”, comenta. Sobre a relação de comandar seus antigos companheiros Nem é enfático: “Não tem nenhuma diferença. Eu já os comandava quando estava em campo”.

O jogo

Futebol e religião se misturando na Suburbana (Foto: Ana Claudia Cichon)

Reeditando a final da Suburbana do ano passado, quando o Bairro Alto conquistou o título após vencer o Trieste por 4-0 no primeiro jogo e empatar em 1-1 na segunda partida, os dois clubes fizeram um bom duelo, mas que acabou sem gols. O melhor lance da partida aconteceu aos 41 minutos do segundo tempo com o meia triestino Goiano, mas o chute acabou parando na defesa parcial do goleiro Dida. Na sequencia Massai fez o corte, garantindo o empate ao Bairro Alto, que estava com um a menos após expulsão do zagueiro Flamarion.

Trieste: André, Rafael, Zico, Baloi, Lima, Adam, Geraldo, Pilo (Juninho), Goiano, Edvaldo e Flávio (Malzone). Técnico: Rossano Santana
Bairro Alto: Dida, Jorge, Rogério Correa, Flamarion, Luciano, Caíque (Caio), Zé Nunes, Massai, Douglas Silva (Marcelo Tamandaré), Alex Mineiro e Edmílson (Reinaldo). Técnico: Nem

Resultados da rodada
Trieste 0x0 Bairro Alto
Iguaçu 1×0 Novo Mundo
Santa Quitéria 2×1 Nova Orleans
Combate Barreirinha 1×1 Urano

*Ana Claudia Cichon é jornalista e vai trazer imagens e história da Suburbana semanalmente aqui no blog.

Emoção, transpiração, amor e paixão. Ou: futebol amador.

por Ana Claudia Cichon*

“Futebol amador eu chamo de cachaça, mas pra nós, lá da vila, isso é champagne”. A definição do dirigente do Urano, Elias Martins, é algo que revela a essência do futebol amador na vida daqueles que se dedicam a este filão do esporte das multidões. Nada me parece mais sincero e verdadeiro do que o futebol que mistura ex-jogadores famosos, ídolos de muitas torcidas, aos garotos da comunidade, que buscam ali uma chance de se destacarem no esporte e almejarem, por que não, uma chance no futebol profissional. Como descrever a cumplicidade que existe entre torcedores e atletas, que separados por questão de um ou dois metros e um fino alambrado trocam opiniões sobre posicionamento e possíveis jogadas durante o jogo?

O Campeonato Amador da Capital, popularmente conhecido como Suburbana, possibilita esta experiência aos que, às 15h30 de todos os sábados, escolhem dedicar algumas preciosas horas a este espetáculo. Enquanto comem os já famosos pães com bife dos estádios, os moradores torcem pelos times de seus bairros, esquecendo se mais tarde irão discutir com os vizinhos sobre os jogos de Atlético, Coritiba ou Paraná.

O Trio de Ferro, aliás, está presente em diversos clubes do amador, com ídolos aposentados que não conseguem largar o futebol. O Bairro Alto, atual campeão da competição, conta com os atleticanos Rogério Corrêa, Alex Mineiro, Douglas Silva e Marcão, além do ex-zagueiro Nem, atual técnico da equipe. Outro jogador que faz parte da memória da torcida atleticana e agora brilha na Suburbana é Luizinho Netto, que atualmente defende o Iguaçu, junto aos coxas-brancas Laércio e Flávio e ao paranista Hideo. No Trieste os destaques ficam por conta de Goiano e Ageu, que durante a década de 90 e dos anos 2000 defenderam a camisa tricolor.

Bairro Alto, atual campeão: luta pra manter a taça começa agora (Foto: Ana Claudia Cichon)

São personagens como estes e muitas outras histórias interessantes do amador que você pode acompanhar a partir de hoje no blog. A Suburbana inicia a sua segunda fase neste sábado (25), com oito clubes decidindo vaga nas semifinais através dos quadrangulares. Todos os jogos são realizados às 15h30.

Grupo A

Iguaçu x Novo Mundo (Estádio Egídio Pietrobelli)
Trieste x Bairro Alto (Estádio Francisco Muraro)

Grupo B

Combate Barreirinha x Urano (Estádio Recanto Tricolor)
Santa Quitéria x Nova Orleans (Estádio Maurício Fruet)

*Ana Claudia Cichon, jornalista, é apaixonada por futebol amador e vai colaborar com o blog semanalmente na cobertura da Suburbana, com histórias, imagens e a avaliação do pão com bife – aquele que você só encontra na várzea curitibana.