Falta pouco para o Atletiba #352 da história, que vale a taça do Paranaense 2012. E para alimentar a conversa nos botecos nos momentos que antecedem a decisão, uma lista de razões para que o seu time saia campeão no domingo:
#Atlético – Na última decisão com partida final no Couto Pereira, em 1990, foi campeão sem precisar vencer: 2-2.
#Coritiba – Não perde para o Atlético no Couto Pereira desde 2008, com 8 jogos de invencibilidade e 4 vitórias no período.
#Coritiba – No Couto Pereira, aproveitamento com Marcelo Oliveira é de 89,1%, com 42 vitórias e apenas 2 derrotas em 49 jogos.
#Atlético – Venceu 50% dos jogos fora de casa nesse ano: 7 vitórias e 3 empates em 14 jogos.
#Atlético – Venceu 7 das 13 decisões de Paranaenses entre os clubes desde 1924.
#Coritiba – Na última vez que decidiu no Couto Pereira em pênaltis, em 1978, foi campeão.
#Coritiba – Não jogou durante a semana, só treinando e recuperando para o Atletiba; deve ter a volta de Rafinha.
#Atlético – Venceu e eliminou o Cruzeiro, vai embalado pro Atletiba; deve ter a volta de Guerrón.
#Atlético – Já foi campeão no Couto Pereira em três ocasiões: 1982 (x Colorado), 1983 e 1990 (x Coritiba).
#Coritiba – Terá maioria absoluta de torcida a seu favor dentro do Estádio.
Uma tendência triste, da qual se torna cada vez mais difícil escapar: semanas pós-clássico no Paraná têm tido mais discussões em cima de arbitragens, violência e condutas extra-campo do que do jogo em si. O resultado é nítido: estádios esvaziados. Não à toa a decisão do Estadual 2012 levou apenas cerca de 9 mil pessoas a Vila Capanema. O futebol paranaense retrocedeu no tempo. Estancou na arbitragem, incompetente e sem renovação; erra nas fórmulas dos campeonatos e intransigência dos mandatários; peca no controle à violência, incentivando diferenças. Andamos para trás nos últimos anos. É uma hora uma profunda reflexão. A apregoada modernidade que a Copa 2014 pode trazer não combina com 90% do que vem sendo feito na terrinha.
Crescimento e desproporção
O Coritiba foi o 5º clube que mais cresceu em arrecadação em 2011, segundo estudo do balanço financeiro coxa-branca feito pela Pluri consultoria, divulgado ontem. Foram 117% de receitas a mais que em 2010, ano em que disputou a Série B, com boa parte dos jogos em Joinville. Em compensação, as despesas cresceram 74%. Natural: mudaram as ambições e circunstâncias. Mas o Coxa ainda está longe de poder competir com os gigantes brasileiros em receitas. A principal dela, responsável por 56% do volume de arrecadação, vem da TV: R$ 24,8 milhões. Corinthians e Flamengo recebem cerca de R$ 110 milhões da mesma fonte. Os sócios representam 26% do volume da renda do Coxa. Atlético e Paraná não tiveram seus estudos apresentados pela empresa até o fechamento da coluna.
Mico
Alguém não identificado, mas com o texto em tom muito parecido com o que usa o presidente Mário Celso Petráglia, usou o twitter oficial do Atlético para reclamar de arbitragem e se queixar das mazelas do clube em tom nada solene. Um mico ainda sem responsável. O canal institucional do clube não deve se prestar a desabafos e rompantes e sim servir a comunidade esportiva com informações precisas e técnicas, ou promoção institucional. Tratá-lo como parte de uma posse pessoal mostra que o profissionalismo está passando longe da Baixada.
Informações que interessam
Mas como o twitter atleticano se propôs a um bate papo “aberto” sobre as coisas do clube, enquanto o principal gestor se recusa a dar entrevista, lanço algumas perguntas abertas, para quem sabe encontrar respostas no mesmo canal: qual o critério na montagem do time, mantendo a base rebaixada e repatriando jogadores sem sucesso em passagens anteriores, como o goleiro Vinícius e o zagueiro Bruno Costa? Qual o valor e o destino das cadeiras da Arena, removidas do estádio? Qual a versão dos dirigentes para as acusações da “Operação Uruguai”, denunciada recentemente, envolvendo favorecimento pessoal em transações nos anos 90? No aguardo.
Foi um grande jogo. Placar de 2-2 e vantagem pequena para o Coritiba, que agora decidirá em casa, onde não perde há 4 anos para o Atlético – que, de quebra, terá que fazer jogo duro em MG, contra o Cruzeiro, enquanto o Coxa descansa.
O Atletiba 351 merecia ser lembrado pelas alternativas: o Coxa que saiu na frente em jogada individual de Éverton Ribeiro, limpando bem o bote errado de Bruno Costa e batendo com o “pé ruim”, segundo ele. Menino tem estrela em clássicos; poderia também ser lembrado pela insistência de Liguera no primeiro gol atleticano, ao brigar pela posse de bola duas vezes, até que no bate-rebate, sobrasse para Bruno Mineiro. Que se não é um Batistuta, mete gols (não a toa tem 12 gols, mesmo tendo ficado de fora de quase todo o segundo turno). O insistente Liguera também dividiu com Vanderlei, que falhou no gol da virada rubro-negra; depois, Anderson Aquino empatou, premiando a ousadia de Marcelo Oliveira em detrimento do erro de Juan Carrasco, que sacou Ricardinho para entrada de Zezinho, recuando o time. Oliveira foi pra cima e buscou o empate.
Mas aí começam as reclamações. E, sempre com a ressalva de estar horas depois, com o controle da TV na mão, peguei mais um piolho na arbitragem ruim de Evandro Rogério Roman, que pelo porte físico acima do peso mostra que a Secretaria de Esportes lhe está dando prosperidade.
Anderson Aquino estava impedido no gol de empate do Coxa. Vi, revi o lance, voltei a imagem, já no Revista RPC. Tarde, mas válida observação por que vai de encontro ao evidente: a arbitragem paranaense está em baixa. Primeiro, a imagem:
Emerson toca na bola para driblar Manoel e ela sobra para Aquino, impedidoO vídeo abaixo tem os melhores momentos da partida. Em velocidade, percebe-se melhor, no ângulo lateral, o erro de arbitragem que ia passando batido:
Não foi por falta de aviso: o campeonato inteiro foi repleto de erros de arbitragem. Como a questão se tornou política, esqueceram de se preocupar com a qualidade. Mas os dois melhores, Heber e Roman, vivem má fase. Pelo físico, Roman já está pensando em se aposentar. E Heber Lopes segue o mesmo caminho, apitando de longe os lances.
Já está virando folclore, claro. Afinal, o Atlético sempre acaba tendo algo a reclamar e, como a vantagem recente do Coritiba em clássicos perdura, tudo caminha para chacota. Normal para os torcedores.
Mas para quem dirige o futebol paranaense, não. Não creio em teorias da conspiração. Não seria a mesma FPF que brigou com o Coxa pelo uso do Couto Pereira ao Atlético que iria armar um campeonato para o Alviverde. A resposta é bem mais simples: desqualificação.
Ainda há tempo de pensar em árbitros melhores para a finalíssima.
Fiasco
Alguém, escrevendo em tom parecido com o que o presidente Mário Celso Petraglia usa em seu twitter pessoal, usou a ferramenta de comunicação do clube para culpar a arbitragem (nada sobre o lance de Anderson Aquino, acredito que a primeira menção seja aqui no blog) e… “desabafar” contra o momento do próprio clube.
Um fiasco. O twitter do clube, com cerca de 40 mil seguidores, é uma ferramenta institucional de comunicação. Não pode se prestar a desabafos de quem quer que seja. Se foi um estagiário ou profissional contratado, deve ser identificado e responder por isso; se foi o presidente, que já negou (mas tem um estilo muito característico de se expressar para ser confundido), pior ainda, pois teria se apossado de um meio institucional que ele mesmo prega ser o melhor canal de comunicação do clube. Provou que, nesse caminho, está longe disso.
Aliás, o próprio TJD-PR pode impor uma sanção ao clube, que tem meios oficiais para reclamar, protocolando na FPF.
Feio.
Vantagem
Uma semana para descansar, tratar Rafinha, defender um tabu de 4 anos, com casa cheia. O Coritiba é favorito para ser campeão, embora seja uma vantagem muito curta, já que os times são parelhos. Joga só pela vitória (novo empate e teremos pênaltis) mas evitou que o Atlético usasse o seu mando de campo como arma.
Longe de dizer que o Atlético está morto, porque não está. Mas existe uma pequena e inegável vantagem para que o Coxa chegue ao tri-estadual.
O Atlético reencontra o Cruzeiro hoje, na Copa do Brasil, quase cinco meses depois de ser rebaixado na Série A do Brasileiro em disputa direta com os mineiros. Historicamente aliados – inclusive com torcidas organizadas amigas – os dois clubes vivem um momento conturbado na relação. O Furacão foi prejudicado por um erro de arbitragem no jogo entre as equipes em Minas (1-1) quando teve um gol anulado que poderia livrá-lo da queda. Após fracassar por conta própria e perder para o América-MG (que recebeu incentivo financeiro do Cruzeiro e da FMF para vencer por 2-1) ainda viu a vitória no Atletiba 348 (1-0) não adiantar nada, já que o Cruzeiro venceu o clássico mineiro por 6-1 sobre o Galo, até então a melhor defesa do 2º turno. O jogo criou uma aura suspeita, nunca apurada, de que houve manipulação de resultados. A começar pelo fato de os clubes terem o mesmo patrocinador, que detém o direito de mais de 13 jogadores de ambos os times. Na internet, a torcida atleticana lançou campanha pela “honra” do clube nessa eliminatória. O jogo promete.
O procurador
O site oficial do Atlético trouxe a informação de que o procurador do TJD-PR Glaucio Josafat Bordun, que denunciou cinco jogadores do clube por confusão no Atletiba 350, seria sócio do Coritiba, quase que atribuindo a denuncia a esse fato. Ora, caso típico de clubismo exacerbado, como se o restante dos membros do TJD não tivessem também seus clubes do coração. O advogado do Atlético no caso (que consta em súmula feita pelo árbitro Antônio Denival de Moraes), Domingos Moro, é conselheiro vitalício do Coritiba. E aí? A ação dele muda nesse caso? Não. Há que se confiar no caráter e na qualidade profissional das pessoas. O procurador está no papel ao denunciar os jogadores, o que nem de longe significa puni-los: isso caberá aos auditores. Que também têm seus times.
Reforços
Finalistas do Paranaense, Atlético e Coritiba começam a se mexer para as Séries A e B do Brasileiro. O Coxa já apresentou o volante Sérgio Manoel, ex-Mirassol-SP. Também deve trazer outros dois volantes: França, do Noroeste-SP e Chico, do Palmeiras, ex-Atlético. O elenco alviverde tem hoje nada menos que sete volantes; quem sai? Precisava de outros? Já o Atlético deve apresentar nessa semana o atacante Fernandão, ex-Palmeiras, 25 anos, típico jogador de área. E ainda pode trazer o zagueiro Diego Sacoman, que está na Ponte Preta, mas pertence ao Corinthians.
Maratona
A coluna foi finalizada antes da estréia do Paraná na Série Prata, ontem à tarde. O primeiro jogo dos três jogos até domingo. Haja fôlego!
Quarta, Atlético x Cruzeiro; quinta, Paysandu x Coritiba. Os dois jogos, no início da reta final da Copa do Brasil (16 clubes seguem), tomaram dimensões acima do esperado em rivalidade extra-campo. O blog apresenta o que vai apimentar a disputa nesse meio de semana:
Atlético x Cruzeiro (jogo de ida)
Movimento no Facebook acirra ânimos para o jogo
Historicamente, cruzeirenses e atleticanos são aliados. Mas isso pode ter mudado desde o final do Brasileirão 2011. Tudo por conta do resultado do Cruzeiro contra outro Atlético, o Mineiro. O placar de 6-1 no clássico mineiro levantou muitas dúvidas, nenhuma apurada. O Ministério Público de Minas até ensaiou uma investigação, mas parou quando os organizadores do movimento citado nesse post, ambos torcedores do Galo, retiraram a petição online.
Ainda assim, a Raposa vem a Curitiba na mira dos rubro-negros, como mostra a imagem acima, retirada do Facebook. E debaixo de pressão, como conta o blogueiro Vinícius Dias, do “Toque di Letra”:
“Após ser eliminado nas semifinais do estadual, o Cruzeiro de Vágner Mancini enfrenta o Atlético/PR na quarta-feira, na Vila Capanema, visando reconquistar a confiança de seus torcedores. Decepcionados com a eliminação prematura no Estadual, os cruzeirenses se manifestaram, através das redes sociais, exigindo a saída do treinador, que tem contrato com o clube até Dezembro.
Mantido no cargo, Mancini promoverá duas alterações em sua equipe titular. Vetado pelo Departamento Médico, o uruguaio Victorino será substituído por Alex Silva, que fará sua estreia com a camisa celeste. Montillo, contundido, é outro desfalque. Souza, relacionado pela 1ª vez desde que chegou ao clube, e Wallyson, artilheiro da Libertadores 2011, com sete gols, disputam a vaga.
Esse será o quinto encontro entre as equipes pela Copa do Brasil. Nos duelos anteriores, muito equilíbrio: foram três empates e uma vitória cruzeirense. Em 1999, os curitibanos levaram a melhor. Um ano depois, os celestes saíram classificados, com dois gols do ex-atleticano Oséas.
Duelo de artilheiros
Goleador do Campeonato Mineiro, com 11 gols, o centroavante Wellington Paulista (ex-Paraná) tem se destacado nesse início de temporada, e é a principal arma da Raposa. Do outro lado, o equatoriano Joffre Guerrón (ex-Cruzeiro) é quem dá as cartas. Artilheiro da Copa do Brasil, com seis gols, ao lado do são-paulino Luís Fabiano, o meia-atacante tem incomodado os adversários.
Conexão América
Única possibilidade de título nesse semestre, a Copa do Brasil é também o caminho mais curto para se classificar à Taça Libertadores, torneio que o Cruzeiro disputou nas últimas quatro temporadas. Conscientes das dificuldades, os atletas da Raposa pregam respeito ao rival paranaense.”
Paysandu x Coritiba (ida: 1-4 Coxa)
A parada parece liquidada, certo? Não é o que pensam os jogadores e torcedores do Paysandu. Em Belém, um posicionamento do jornalista da Rádio e TV Transamérica Curitiba Dorival Chrispim fez com que o jogo se tornasse questão de vida ou morte para a torcida do Papão. O Coxa está sendo tratado como inimigo número 1 dos bicolores – e a expectativa é que o Mangueirão esteja lotado para a partida.
Quem conta a versão paraense da história é o jornalista Pedro Loureiro, dono do blog Pedrox:
Jogo com o Coxa tornou-se questão de honra para o Paysandu
“Os Vingadores do Futebol Paraense
Em cinemas abarrotados, filas quilométricas se formam para o filme que conta a história de super-heróis reunidos para uma missão especial, mas que falham miseravelmente em função de desentendimentos por vaidades e interesses difusos. Isso muda quando os protagonistas descobrem um objetivo comum, uma convicção que os motiva a lutar com todas as suas forças.
Quando pisou no Couto Pereira contra o Coritiba, o Paysandu disputava pela primeira vez uma oitava de final de Copa do Brasil. No cartel a campanha invicta na competição. Ter passado pelo Sport Recife com a autoridade de duas vitórias e goleada histórica em plena Ilha do Retiro dava a sensação de que vencer no Paraná não era algo impossível, mas a postura apática de um mal-escalado Papão e os 3 gols sofridos ainda no primeiro tempo escancararam a dura realidade de um clube que está na série C, eliminado pela campanha irregular no campeonato estadual e com orçamento 12 vezes menor que o do adversário.
O gol marcado por Tiago Potiguar e o pênalti defendido por Paulo Rafael no segundo tempo deram nova face ao confronto e ao Papão a esperança de que era possível reduzir a diferença e até empatar, se o ataque não perdesse tantas oportunidades. O pênalti convertido após expulsão do goleiro Paulo Rafael no finalzinho da partida poderia ter sido a pá de cal nas pretensões bicolores, que precisa vencer o jogo do volta em Belém por pelo menos 3 gols de diferença. A fatura estaria liquidada, pois a torcida do Paysandu – impaciente com os recentes fracassos do clube – não tem comparecido em grande número nos últimos jogos e a desclassificação iminente transformaria o Mangueirão em um campo neutro, sem torcida. Tarefa fácil para a classificação do Coxa.
A virada no roteiro aconteceu ainda no Couto Pereira, após o fim da partida, quando Dorival Chrispim, da rádio Transamérica, entrevistou o jogador bicolor Harisson, que havia entrado no segundo tempo, melhorado a movimentação do time e ainda substituiu o goleiro na sua expulsão:
O evidente tom de deboche do radialista e a defesa veemente que o meio campista bicolor fez da torcida do Paysandu funcionaram como uma bomba motivacional em Belém. Se imprensa, clube e torcida andavam se desentendendo no decorrer da temporada, Dorival Chrispim fez com que todos se unissem. Vários jornalistas paraenses desafiaram o apresentador a vir para Belém ver de perto a vibração da torcida, a fiel – que não andava tão fiel assim – está comprando ingressos como se fosse uma final de campeonato e o Mangueirão quando fica lotado ferve e faz o time do Papão jogar como se lutasse por um prato de comida.
Talvez o obtuso radialista não tenha estudado o bastante para saber que quando o Paysandu esteve na primeira divisão, batia recordes com as maiores média de público do futebol brasileiro, mesmo figurando por muitas rodadas na zona de rebaixamento. Se tivesse feito o dever de casa, o radialista saberia que contra o Boca Juniors, na Libertadores da América de 2003, o Paysandu levou 65 mil torcedores ao estádio em dia de greve de ônibus com ingressos custando em média R$ 50 e também saberia que o torcedor paraense é um dos mais apaixonados do Brasil, não importa a divisão que seus times estejam.
O Papão, que precisa vencer por 3 a 0 para se classificar, volta ao papel de franco atirador e sabe da força do time Coxa-Branca. A torcida não tá nem aí para as estimativas desfavoráveis e em dois dias já comprou 20 mil ingressos – o dobro do público presente no Couto Pereira no jogo de ida – e está enfrentando sol e chuva nas filas para comprar mais. Espera-se a liberação da capacidade máxima do Estádio Olímpico do Pará (42 mil torcedores) para alcançar o recorde de público da Copa do Brasil de 2012. O torcedor do Papão sabe que a tarefa é dificílima, mas acredita que é capaz de empurrar o clube na superação de seus próprios limites.
Dorival Chrispim do alto de sua arrogância, mexeu no vespeiro e dificultou a vida do Coritiba, que perdeu a oportunidade de fazer um jogo tranquilo. Podem dizer que o Papão não tem estrutura, que falta dinheiro, que o futebol é desorganizado e que está na série C por (de)mérito próprio… Isso tudo é verdade. Porém, jamais mexam com a entidade que faz o futebol paraense sobreviver apesar de todas as dificuldades: a sua apaixonada torcida. Este foi o erro de Dorival, que despertou no torcedor e no time do Paysandu um legítimo espírito vingador!”
*Nota: Os dois textos, de Cruzeiro e Paysandu, são de autoria dos colegas blogueiros e ilustram o outro lado das séries eliminatórias entre as equipes, sendo assim um reflexo da opinião de cada um.
Cem anos não são cem dias, já diria o senso comum. E o centenário do Operário não poderia passar em branco no Que Beleza de Camisa! (agora em edições esporádicas). A musa do extinto Jogo Aberto Paraná novamente abrilhanta a tela do seu computador, agora com a camisa alvinegra: @kellypedrita põe a camisa do Fantasma, para alegria da moçada! “Sempre fui fã do Operário e do pessoal de Ponta Grossa”, me disse Pedrita, com um sorriso maroto.
Quem é? Clube do interior do Paraná, fundado em 01/05/1912.
Já ganhou o que? ~Campeão Paranaense da Série Prata em 1969; Campeão Paranaense Zona Sul em 1961.
Grande ídolo: “A Segunda Divisão molda caráter”, costuma dizer um amigo. No caso do Operário, formou uma geração. O grande time da história do Operário não levantou taça, mas garantiu que o clube não caísse no esquecimento de uma torcida que hoje ajuda o clube a tentar dias melhores. Foi em 1990 que o time abaixo chegou ao 5o lugar da Série B – perdeu a vaga na elite nacional para o Atlético, dentro de um dos grupos classificatórios na semifinal, mesmo sem perder para o campeão Sport Recife, nem para o vice, Atlético:
O time de 1990 representa mais que apenas uma figura para a torcida operariana. É o símbolo de que o clube pode sim estar entre os grandes do Brasil. Relembremos a campanha:
Como anda? Foi mal no primeiro turno do Paranaense 2012 e até reagiu no segundo, mas não o suficiente para ficar com uma das vagas na Série D nacional, que disputou ano passado. Na Copa do Brasil deste ano, fez a primeira participação, mas parou na primeira fase, ao perder para o Juventude-RS por 1-4 em casa. Agora terá que se planejar para o próximo ano, já que não tem calendário daqui até janeiro/13, quando recomeça o Paranaense.
Curiosidades: Foi o 3o colocado em média de público presente aos estádios em 2010 e 2011, a frente do Paraná Clube; Sem contar as duas partidas da final do Paranaense 2012, entre Atlético e Coritiba, tem o artilheiro do campeonato atual, Baiano, com 13 gols (Bruno Mineiro, do Atlético, tem 11 e pode fazer dois jogos ainda).
*Texto de Felipe Liedmann, repórter da CBN Ponta Grossa, de uma série especial sobre o centenário do Operário.
Um dos 1os times do OFEC, vice PR em 1923 (foto: operarioferroviario.wordpress.com)
O Operário Ferroviário Esporte Clube completa amanhã (01/05) 100 anos de fundação. O Fantasma de Vila Oficinas, como é conhecido pelo torcedor, é o segundo clube mais antigo do futebol paranaense. Os pioneiros da história do futebol em Ponta Grossa eram construtores das ferrovias entre Paraná e Santa Catarina e, não à toa, o nome oficial do clube e a data definida como fundação fazem referências diretas aos operários daquela época.
O pontapé inicial do futebol paranaense aconteceu na cidade de Ponta Grossa, quando, em 1909, o Coritiba Foot Ball Club enfrentou o time de trabalhadores da rede ferroviária e foi derrotado pelos operários pontagrossenses por 1 a 0. Mas apenas três anos depois, foi oficializada a fundação do Foot-ball Club Operário Pontagrossense.
A primeira diretoria tinha os nomes de Raul Lara, primeiro presidente do clube, Oscar Wanke, Antônio Joaquim Dantas, João Gotardello, Joaquim Eleutério, Álvaro Eleutério, Victorio Maggi, Oscar Marques e João Simonetti.
Após três mudanças de nome, em 1933, com a incorporação do clube social dos ferroviários, o Operário passou a ser oficialmente: Operário Ferroviário Esporte Clube. As cores preta e branca, em homenagem às diferentes raças do país, nunca se alteraram nesses 100 anos de história do clube.
O estádio e a sede do clube, como não poderia ser diferente, foram construídos ao lado do terreno da rede ferroviária. Em outubro de 1941, Germano Krüger exercia um de seus três mandatos como presidente do clube e, na década de 1960, recebeu a homenagem de ter o próprio nome como casa do Operário no bairro de Vila Oficinas.
Já a capital paranaense é responsável pelo apelido de ‘Fantasma’. O meio esportivo de Curitiba se impressionava com a qualidade do Operário jogando principalmente em seus domínios e, de acordo com os próprios curitibanos, a equipe de Ponta Grossa assombrava os times da capital: surge, então, o apelido de Fantasma.
Operário vence o Atlético na Arena: espinho no caminho dos grandes da capital (vídeo: Notícia FC)
Em 1961, o Operário, após derrubar os times da capital, conquista a Zona Sul do Campeonato Paranaense contra o Coritiba. Porém, o clube perde a maior chance de se tornar campeão paranaense, ao ser derrotado na grande final pelo campeão da Zona Norte, Comercial de Cornélio Procópio.
A profissionalização do futebol no interior paranaense causou as primeiras fases de decadência no esporte em Ponta Grossa, que até então era representado por dois clubes: Operário e Guarani. Os dois primeiros rebaixamentos do Operário no Campeonato Paranaense vieram em 1965 e 1983.
Apesar das dívidas do clube, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) convida o Fantasma para retornar à elite estadual em 1989. O Operário passa a ser conhecido nacionalmente com as campanhas na Série B do Brasileirão: a melhor delas, o 5º lugar em 1990. Mas as decisões arbitrárias da CBF no Campeonato Brasileiro prejudicam o clube na sequência de uma possível ascensão nacional.
As dívidas trabalhistas e a dificuldade para formar uma equipe competitiva fazem o clube pedir licenciamento à FPF em 1995. O Operário passa quase uma década de sua história centenária sem futebol. O retorno à elite do futebol paranaense acontece após a suada Divisão de Acesso em 2009. Mais de 8000 pagantes assistiram ao empate em 0 a 0 contra a Portuguesa Londrinense, resultado que trouxe o Fantasma à 1ª divisão estadual. Desde então, o Fantasma fez boas campanhas com a 5ª colocação em 2010 e a 3ª em 2011, disputando a Série D nacional nas duas oportunidades. O acesso para a terceira divisão brasileira passou raspando em 2010, quando o Operário foi eliminado contra o Madureira nas quartas-de-final e acabou com o 6º lugar.
No total, o Operário tem 14 vice-campeonatos estaduais e um título da Divisão de Acesso.
As festividades do Centenário alvinegro seguem hoje (30) a partir das 20h com shows de bandas locais na sede do clube e virada festiva para comemorar o início dos 100 anos do Operário. Já na terça-feira haverá missa campal às 9h e, na sequência, carreata puxada por um dos símbolos do clube, o Trem Fantasma. Na tarde de terça, a partir das 14h, as comemorações acontecem no Germano Krüger com entrada gratuita: haverá homenagem a ex-diretores e jogadores do Operário, escolha e execução do Hino Oficial do Clube e amistoso da categoria Master contra o Guarani, de Ponta Grossa.
Atletiba: arbitragem de fora praticamente descartada
As pretensões do Atlético em trazer árbitros de fora para os dois clássicos finais do Paranaense 2012 devem dar em nada. O Furacão terá que travar uma queda de braço com a FPF e o Coritiba, já publicamente contrários a posição rubro-negra. Além disso, informações de bastidores já dão conta de que Héber Roberto Lopes e Evandro Rogério Roman irão apitar, cada um, uma das partidas – muito embora isso tenha de ser definido por sorteio.
Foi o que cravou o ex-árbitro Valdir de Córdova Bicudo na sua coluna no site Paraná Online na última terça-feira: “Segundo fui informado, foram “preservados” do clássico Atletiba do último domingo, para serem utilizados nos dois jogos decisivos envolvendo, Coritiba x Atlético/PR.”
Conversei com Vilson Ribeiro de Andrade sobre o assunto. Ele foi taxativo: “Isso é uma besteira. O Coritiba é contra e não vai aceitar. É um desprestigio com o futebol paranaense. Algumas das reclamações podem ser verdadeiras, mas a maior parte é invenção dos atleticanos. E eu vejo campeonato Paulista, Carioca, e a arbitragem deles, é tudo meio igual aqui.” Vilson ainda me disse que o Coritiba vetará e brigará para que os árbitros locais estejam na decisão, caso o pedido atleticano seja levado adiante.
Mário Celso Petraglia não concedeu entrevista, mas conversei com um conselheiro do clube que ouviu de Petraglia que já ouve um pedido oficial por árbitros de fora e que o mandatário atleticano está revoltado com a qualidade do apito local. Petraglia teria até bradado para o conselho, em tom jocoso, que “se for para sermos roubados, que seja por um desconhecido.”
Já a FPF demonstrou que não tem a menor disposição em chamar árbitros de outras federações para a decisão estadual. Amilton Stival, vice-presidente, comentou o pedido do Atlético: “Eles tem o direito de solicitar. Atender é outra situação.” Para Stival, não há porque mudar na decisão. “Eu não concordo com isso. Se eles [árbitros] serviram pra apitar 22 rodadas, porque agora trocar? Nós vamos dar crédito pros nossos árbitros. Somos formadores e acreditamos neles.
Questionei Stival se ele concorda que houve muitos erros ao longo do campeonato e que a imagem dos juízes paranaenses estaria desgastada. A resposta: “Eu não posso dizer que dá pra brigar com a máquina chamada TV. A pessoa para o lance, dá slow motion, etc. O árbitro é um ser humano que tem que decidir na hora. As vezes os críticos vêem 10x pra opiniar e o arbitro decide em um segundo. Aí ficam, ‘tava com o biquinho da chuteira impedido!’ Isso não tem, as vezes é tão rápido e o olho humano não é máquina.”
Opinião
Particularmente, independente das posições dos clubes, entendo que seria uma boa ideia trazer árbitros de fora para apitar. É inegável que o campeonato teve muita polêmica no apito e que, cobrança feita não hoje ou apenas ontem, mas ao longo de todo o campeonato, a arbitragem local deve ser reciclada.
Mas mais do que isso, basta ver quais são os principais nomes. Heber Roberto Lopes entra pressionado pelo Atlético, com forte – e pública – rejeição da diretoria e torcida do clube; Evandro Rogério Roman tem se dedicado mais à Secretaria Estadual de Esportes e, no jogo mais importante que apitou, errou três vezes, duas contra o Tubarão e uma contra o Coxa em Coritiba 1-0 Londrina. Está visivelmente sem ritmo. Adriano Milczevicz tem rejeição da torcida alviverde, Antônio Denival de Moraes foi questionado quando apitou o último Atletiba e os demais são muito crus.
Um Paulo César de Oliveira resolveria a parada e deixaria os times prontos para falar só em futebol. Tira a pressão antes do jogo.
Chico coxa-branca?
A montagem acima pode acontecer em julho. Trabalhei em Paraná 1-2 Palmeiras pela Rádio Jovem Pan SP e, conversando com os colegas de lá, o Palmeiras dá como certa a vinda do volante, ex-Atlético, ao Coritiba. Conversei com Vilson Ribeiro de Andrade sobre a chegada do volante:
“O Chico termina contrato no final do ano [na verdade, Janeiro/2013] com o Palmeiras e vai ficar livre pra assinar pré-contrato. Me parece que o Palmeiras não o quer mais, mas entre o Coritiba e ele não há nada ainda”
– Mas não vai ser surpresa se ele chegar aqui em julho?
“Não.”
Pra bom entendedor…
Enfim, caso Chico assine com o Coritiba, entra pra história dos dois clubes como mais um “vira-casaca”. O último deu certo no Coxa: Marcos Aurélio.
Você, coxa-branca, vê a negociação com restrições por ser um ex-atleticano? Você, atleticano, sente-se como com a possível ida de Chico ao Coxa? Responda nos comentários. Eis Chico com a rubro-negra:
Paraná: novo esquema comercial
O Paraná Clube mudou a estratégia de marketing para explorar os espaços na Vila Capanema e na camisa tricolor. O clube montou três representações comerciais, no Rio, São Paulo e Brasília, para buscar patrocinadores. O patrocínio para dois jogos da papelaria Kalunga, estimado em cerca de R$ 80 mil, já veio desta forma, costurado pelo diretor geral da rede de rádios Transamérica, Guilherme Albuquerque, paranista e representante em SP.
Para o Atlético, Copa do Brasil só semana que vem, contra o Cruzeiro. Na hora certa, a coluna analisa. Hoje à noite, Paraná e Palmeiras abrem a série paranaense nas oitavas 2012. São três times do Estado entre os 16 melhores do País (fora os da Libertadores) no 1o semestre. Será a segunda vez na história. Na outra, em 1996, o Atlético caiu ante ao Grêmio e o Coritiba, ao Flamengo. Já o Tricolor foi o único que avançou, eliminando o Botafogo. Mas cairia na fase seguinte para esse mesmo Palmeiras, com duas derrotas: 0-2 e 1-3. O Palmeiras é favorito para o confronto, mas vem em baixa. A classificação não é impossível e passa muito pelo resultado de hoje: vencer e não tomar gol.
Vitrine
Sumido na temporada em virtude dos poucos jogos, o Paraná aproveitará a exibição de hoje à noite para faturar. O marketing do clube fechou um pacote de cota máster na camisa para os dois jogos contra o Palmeiras com a papelaria Kalunga. “Foi uma ótima oportunidade, vai ter transmissão em rede nacional. A gente ficou sem calendário cinco meses e isso significa um novo momento,” contou o diretor de marketing Vladimir Carvalho. Quatro canais transmitem o jogo para todo o Brasil: Band, Globo, ESPN e SporTV. O clube não revelou valores, mas estima-se que o pacote seja de R$ 80 mil.
Tabela Série Prata, parte III
Saiu ontem mais uma tabela da segunda divisão estadual – ou Série Prata. Outra versão que teve que ser adaptada após a classificação do Paraná na Copa do Brasil. A FPF já mudara em função da Série B e da própria Copa, antes que o Paraná avançasse. Amilton Stival, vice da FPF, em entrevista ao blog napoalmeida.com, desabafou: “Se avançar de novo, vamos ter que remanejar.” Acesse e leia a entrevista completa.
Bicho-papão e Pikachu
Calma criançada, não há motivo pra tanto susto. Com 89% de aproveitamento no Couto Pereira sob o comando de Marcelo Oliveira e em alta após o 4-2 no Atletiba, o Coxa recebe amanhã o Paysandu, o “Papão da Curuzu”. Time de tradição, mas que vem mal pelas tabelas, eliminado no Estadual e apenas na Série C, o Paysandu vem com a moral de eliminar o Sport Recife e tem como craque o meia Pikachu. Pouco para desbancar o Coxa – desde que se construa um bom resultado aqui. Na história, 14 jogos com sete vitórias coxas e duas do Papão – nenhuma em Curitiba.
Árbitros de fora nos Atletibas finais?
É assunto pra semana que vem, mas antecipo as posições: o Atlético quer, mas terá forte resistência. FPF e Coritiba já disseram ser contrários. Quem ganha a queda de braço?