Mini-guia Copa do Brasil, fase III

E chegamos a fase 3 da Copa do Brasil com 75% dos times paranaenses no páreo. Pode comemorar: desde 1996 o Estado não vê os três principais times chegar às oitavas de final. E aquela ainda foi a única vez.

Então, se você vai ao estádio ainda hoje, esse é o lugar para saber o que o seu time vai enfrentar; se você vai ao estádio amanhã, aqui também tem tudo sobre o confronto do seu time; e se você só vai ao estádio semana que vem, fique sabendo já o que pode acontecer com o seu time. É o mini-guia da Copa do Brasil, parte III, torcendo muito para que tenhamos versões IV, V e VI. Quiça um feliz prólogo.

Vamos por ordem cronológica:

Paraná x Palmeiras

Ida: 25/04 – 21h50 – Vila Capanema, Curitiba
Volta: 09/05 – 22h – Arena Barueri, Baruei

O Paraná passou pelo Ceará no sufoco, conseguindo um suado empate nos minutos finais no jogo da Vila Capanema e passando de fase pelos gols marcados fora de casa. Vai para o quinto jogo do ano e já contra um time de Série A, num ano em que 90% de seus adversários terão poder de fogo inferior ao desta fase.

Em compensação, o Palmeiras chega a Curitiba em crise. Eliminado no Paulista pelo Guarani, chegou a liderar o estadual vizinho mas despencou na classificação. O que poderia ser um quadro de franco favoritismo palmeirense se tornou ligeiramente equilibrado graças ao momento psicológico das equipes.

O primeiro jogo na Vila será decisivo para o Paraná abraçar de vez a condição de zebra. Não é impossível eliminar o Palmeiras – mas é melhor não criar muita expectativa em cima de um time jovem e recém-montado. O Tricolor é franco-atirador, a melhor posição nesse momento. Um resultado de vitória, especialmente sem levar gols, ou ainda um empate sem gols pode ser comemorado.

O Palmeiras tem como destaque a mesma base que despencou na reta final do Brasileirão 2011. Os homens mais perigosos são o atacante Barcos (fez 10 gols na temporada, mas vem mal desde a derrota para o Corinthians no Paulistão) e os meias Marcos Assunção e Valdívia – este, não vem sendo titular.

Barcos é o homem-gol do Palmeiras

Na história são 20 jogos, com cinco vitórias do Paraná e 13 do Palmeiras. Os times se enfrentaram nas quartas de final da Copa do Brasil 1996: Paraná 0-2 Palmeiras em SP e Paraná 1-3 Palmeiras em Curitiba.

Se passar pelo Palmeiras, o Tricolor pega o vencedor de Atlético x Cruzeiro.

Coritiba x Paysandu

Ida: 26/04 – 19h30 – Couto Pereira, Curitiba
Volta:  03/05 – 19h30 – Mangueirão, Belém

É sem dúvida o confronto mais tranquilo dos paranaenses, mas a grande lição ao Coxa está justamente na fase anterior, quando o Paysandu surpreendeu o Sport Recife, colega alviverde na Série A, e venceu as duas partidas: 2-1 em Belém e 4-1 em Recife. Ainda assim, não há como negar: o Coritiba é favorito na série.

O Coxa vinha de atuações irregulares no ano, mas, justo antes de iniciar a reta final da Copa do Brasil, aplicou 4-2 no rival Atlético e deixou a torcida mais confiante. Não pelo placar, mas pelas mudanças que Marcelo Oliveira fez no time, especialmente a entrada de Éverton Ribeiro, dando velocidade ao meio campo. O que pode complicar o Coritiba na série é ter que fazer a viagem mais longa dos paranaenses: 3208 km. Mas vale lembrar que o Coxa já foi ao norte do país, pegar o Nacional em Manaus.

Ok, mas o Paysandu não tem nada a oferecer? Negativo. Em campo é 11 contra 11 e tal. Mas mais do que isso, a arma (já nem tão) secreta do Papão é essa:

Ops! Não, esse não é o Pikachu certo. Esse sim:

Yago Pikachu: não parece, mas é perigoso

O lateral-direito Yago Pikachu, 19 anos, vem fazendo grandes partidas, atuando na verdade mais como ponta do que como lateral (alô Lucas Mendes).  É tratado como a nova jóia do futebol paraense, tendo começado a carreira sob a tutela de Capitão, o mesmo técnico que revelou Paulo Henrique Ganso, do Santos. Contra o Sport, o primeiro gol foi dele:

O elenco do Paysandu ainda tem como rostos conhecidos o volante Vânderson (aquele, ex-Atlético) e o atacante Adriano Magrão, campeão da Copa do Brasil 2007 pelo Fluminense. Foi eliminado nas semifinais do Paraense pelo Águia de Marabá e vai disputar a Série C nacional. À exemplo do Paraná Clube, busca retomar seu lugar ao sol no futebol brasileiro. Tem tradição e torcida. Para o Coritiba, o ideal é resolver a parada já no primeiro jogo e não se aventurar no Mangueirão.

Na história, vantagem coxa-branca com 7 vitórias e duas derrotas em 14 jogos.

Se passar pelos Paysandu, o Coritiba encara Botafogo-RJ ou Vitória na outra fase.

Atlético x Cruzeiro

Ida: 02/05 – 21h50 – Vila Capanema, Curitiba
Volta:  09/05 – 21h50 – Arena do Jacaré, Sete Lagoas-MG

Se o Paraná Clube é franco-atirador e o Coritiba é franco-favorito, francamente, entre Atlético e Cruzeiro, não há vantagem para nenhum dos lados. É um clássico do futebol brasileiro, já tendo sido decisão de título nacional (a Seletiva 99) e regional (Copa Sul-Minas 2002) com um triunfo pra cada lado. Atleticanos e cruzeirenses costumam ser amigos fora de campo (paradoxalmente, o rival do Cruzeiro, também Atlético – Mineiro – vê seus torcedores se aliarem com os rivais do Atlético, o Coritiba) mas a disputa na reta final do Brasileirão 11 para evitar a queda e as suspeitas das torcidas atleticanas de PR e MG sobre o resultado que livrou a Raposa da queda (6-1 no clássico mineiro) deram um tempero extra a esse confronto.

O Atlético é instável na temporada e vai à decisão do Estadual e desta vaga sem saber o que pode apresentar: se o time frágil que tropeçou no Roma-PR e levou 4 no Atletiba 350 ou a máquina de gols que enfiou 5 no Criciúma e joga ofensivamente contra qualquer rival.

Pois o Cruzeiro não é diferente. No Estadual, chegou em segundo lugar na fase de classificação, perdendo para o Guarani e empatando o clássico com o Atlético-MG. Isso o botou na rota do Derby Mineiro, com o América. E perdeu na ida, 2-3, resultado que ficou até bom, pois perdia por 0-3. Corre risco de ficar de fora da final mineira.

No entanto, tem um elenco forte, que mesmo sem decolar nas mãos do técnico Vagner Mancini, tem jogadores que podem desequilibrar: o bom goleiro Fábio, o zagueiro Alex Silva, os meias Roger e Montillo e os atacantes Wellington Paulista (ex-Paraná) e Wallyson (ex-Atlético). Quem também está pela Toca da Raposa é o lateral-esquerdo/volante Marcelo Oliveira, que defendeu o Furacão em 2011.

Montillo e Marcelo Oliveira, agora do mesmo lado

O exemplo para o Atlético superar o Cruzeiro está em seu próprio passado. Ao conquistar a Seletiva 99, fez 3-0 em Curitiba e jogou tranquilo em BH, perdendo por 1-2 e ficando com a taça; em 2002, fez o jogo de ida pela Sul-Minas em casa e perdeu, 1-2. Foi ao Mineirão e perdeu de novo, na despedida de Sorín, 0-1. Traduzindo: é fazer o resultado em casa e ir a Minas Gerais decidir a sorte.

Na história, 10 vitórias atleticanas e 13 cruzeirenses em 39 jogos. Os times já se enfrentaram duas vezes na Copa do Brasil. Em 1999, deu Atlético: 0-0 em Curitiba e 3-3 em BH; em 2000, revanche celeste: 2-1 em BH e 2-2 em Curitiba.

Se eliminar o Cruzeiro, o Atlético pega o vencedor de Paraná x Palmeiras.

Nova tabela da Série Prata: “Eu que tenho que aguentar”, diz diretor da FPF

Stival sobre a nova tabela, ainda à perigo: "É um risco"

A FPF teve que mexer pela terceira vez na tabela da Série Prata/2a divisão Estadual 2012, como antecipamos na tabela comentada, caso o Paraná eliminasse o Ceará pela Copa do Brasil – o que aconteceu.

A má notícia é que se o Paraná eliminar o Palmeiras e seguir na Copa do Brasil, a tabela terá que sofrer novas adaptações. A boa notícia é que… bem, não há uma boa notícia. Serão jogos em cima de jogos, como por exemplo os confrontos contra os Grêmios maringaenses (Maringá e Metropolitano) em 48h nos dias 12 e 14 de maio.

O Tricolor voltará a campo pela Série Prara em 16/05, mas se eliminar o Palmeiras, tem jogo nessa data pelas quartas da Copa do Brasil. Então, sem analisar novamente a possível (hoje única referência) sequência de jogos, sugiro que você visite o link com a tabela completa e se sinta um pouco na pela de Amilton Stival, vice-presidente da FPF, que quebrou a cuca para montá-la. E desabafou em entrevista por telefone:

Napoleão de Almeida: Foi difícil ter que mexer na tabela mais uma vez?

Amilton Stival: Nossa senhora! Quando você ver a tabela, vai ver o trabalho que deu. Jogos terça, quinta, sexta… fizemos o que deu.

NA – Teve que costurar com os times de novo?

AS – Se for costurar, não sai. Tivemos que fazer assim e usar a prerrogativa da Federação. Conseguimos fazer tudo dentro do prazo das horas [de intervalo necessárias entre um jogo e outro]… quer dizer, tem um pouco pra cima, tem um pouco pra baixo, nada muito a ferro e fogo senão não dava.

NA – Foi pensado no caso de o Paraná avançar mais uma fase na competição?

AS – Olha… eu tenho datas lá pra frente, se for o caso… cada vez que o Paraná passar, e é bom que ele passe, porque aumenta o ranking e dizer que a FPF torce contra é a maior besteira que alguém pode falar… bem, como o calendário da segunda divisão é de maio a agosto, a ultima rodada está planejada para 14/07. Ainda tem mais um mês, isso se o Paraná conquistar o título direto. Se não, se tiver semifinais, vamos ter que remanejar. É um risco.

NA – Sendo sincero: olhando todo esse rolo, se você pudesse voltar no tempo e antecipar a competição…

AS – Aí é o que você me perguntou sobre costurar com os outros clubes. Eu tinha a resposta dos clubes que eles não quiseram antecipar, bateram o pé, alguns deles pelo menos. E os que não quiseram não vão poder reclamar. Vai ter que pagar lá na frente mais salários, vai esticando o calendário. Às vezes, tem dirigente de clube que só vê o momento e acha que tá certo. Tem que olhar além da ponta do nariz.

NA – Mas a FPF não podia ter forçado mais pra antecipar?

AS – Nós agimos democraticamente. Não dá pra ser uma ditadura. Claro que se chega num extremo, a FPF tem o voto minerva. Como no arbitral, que uns queriam começar dia 01 de maio, outros dia 15 e eu decidi então por 1ro de maio. Mas antecipar não. Agora, que eu não tenho essa prerrogativa da decisão, eu tenho que agüentar.

Atletiba #350: personagens e projeções

Personagem 1: Marcelo Oliveira

Retranqueiro, conservador, covarde. Guarde qualquer qualificação pejorativa que você tenha do técnico do Coritiba para uma próxima vez. Marcelo Oliveira acertou em cheio no clássico 350 e conquistou a vaga na decisão. Se o fez porque o Atlético teve um homem a menos (assunto tratado logo abaixo), não importa: o Coritiba que entrou em campo mandado por Oliveira conduziu a partida ao longo do 90″, a ponto de não passar um susto sequer.

Tomou dois gols, um em bola parada, outro em falha de marcação, mas sempre esteve a frente do placar. Abafou a reação de um valente Atlético sem dar muitas chances: mal cedeu o empate e já voltou a fazer 3-2. E acertou em cheio em todas as decisões: matou (e irritou) Guerrón com a entrada de Lucas Mendes, deu velocidade ao time com a opção por Éverton Ribeiro no início, sem Lincoln, e quando colocou o experiente meia, foi premiado com um gol (passe de Lucas Mendes). Pra fechar, ainda viu o xodó pessoal Renan Oliveira fechar o placar.

O Atletiba 350 foi de Marcelo Oliveira, não tenho dúvidas.

Personagem 2: Guerrón

Guerrón é daqueles personagens que o futebol produz e que ajudam a construir ricas histórias. Ele consegue ser herói e vilão, consegue dividir a torcida atleticana e deixar sempre um quê de dúvida sobre seu comportamento imprevisível. Ontem, Guerrón pisou na bola e ajudou a afundar o Atlético no 350. A expulsão depois de uma clara agressão ao zagueiro Lucas Mendes, quando o Furacão estava no campo de ataque, deixou o time com um a menos. A imagem abaixo não deixa dúvidas: Guerrón chutou Mendes.

No lance corrido (estará mais abaixo) percebe-se que Guerrón e Lucas Mendes vem se empurrando ao longo da disputa. Aí o equatoriano perde a cabeça e chuta o zagueiro alviverde. Com um a menos, o Atlético até foi brioso e buscou dois empates, mas também permitiu espaços que possibilitaram ao Coritiba matar o jogo.

Guerrón é o bandido do 350.

Personagens 3: Trio de arbitragem

Das reclamações sobre o trio de arbitragem – em especial feitas pela torcida atleticana – uma procede com absoluta certeza: Lincoln estava impedido no lance do segundo gol do Coxa:

A imagem acima não deixa dúvidas e está no melhor ângulo, paralelo a linha da grande área. Recebi outra imagem, em ângulo inverso, que dá a impressão de que a perna de Manoel daria condições a Lincoln; mas ela está na transversal, supondo uma diagonal, o que não permite que se enxergue bem a linha de impedimento. Nota-se na imagem acima que o auxiliar está ligeiramente encoberto por outros dois jogadores, que também estão na jogada.

A reclamação em cima do lance do primeiro gol do Coritiba, de que Anderson Aquino estaria impedido no lançamento, vai ficar para as eternas discussões de boteco sobre o Atletiba 350. Olhando em várias imagens, de várias emissoras, é impossível afirmar categoricamente que Aquino estava impedido no lançamento. Nenhuma imagem mostra a linha entre ataque e defesa no momento do passe. Como a distância é muito grande entre a origem e o fim da jogada, não há como matar a dúvida.

E aqui faço uma defesa a todos os colegas de imprensa, que devem ter recebido N e-mails sobre “porque não mostraram o lance?” e etc., assunto recorrente pela manhã no Twitter: sem teoria da conspiração, estou certo que nenhuma emissora tem o lance esclarecedor. Aquino está muito à frente? Está. Mas ele pode ter partido de antes do meio campo, quando não há impedimento, bem como Manoel pode ter parado no lance e pedido impedimento. Nessa, vai ser difícil chegar a alguma conclusão.

O vídeo abaixo tem os lances da partida sem caracteres visuais e com todos os gols. Vale para ilustração.

Projeção:

Serão dois grandes jogos na decisão do Paranaense 2012. A derrota do Atlético no 350 não terá peso extra na decisão, a não ser o conhecido: o fato do Coritiba jogar a finalíssima no Couto Pereira o que, como se viu ontem (e nos últimos 4 anos) tem sido diferencial nos clássicos.

As equipes partem com tudo zerado. Não há favorito para o título antes do primeiro jogo. Que, aliás, creio que pode decidir o campeonato. Desta vez o Coxa pode ir como franco-atirador, já que poderá ter a revanche em seu abrigo; já o Atlético tem que procurar fazer o placar sob seu mando e jogar a responsabilidade pro lado oposto.

Não há vantagem no saldo de gols: se um time vencer por 5-0 e perder por 0-1, pênaltis; não há vantagem também no empate. Há uma ligeira vantagem para o Atlético no primeiro jogo, por jogar em seu mando (possivelmente na Vila Capanema) e ver o Coxa encarar uma viagem até Belém na quinta-feira anterior. Vantagem essa que volta ao Coritiba no domingo seguinte, pois aí é o Furacão que vai até Minas Gerais fazer a sua rodada de volta pela Copa do Brasil.

Pela quantidade de críticas que a arbitragem paranaense sofreu ao longo desse campeonato, acho que é uma boa idéia fazer as finais com árbitros de fora. Nenhum árbitro local tem condições de apitar os dois jogos sem estar pressionado. Não se trata de suspeita, mas sim de uma necessidade latente: a arbitragem paranaense está num nível terrível. Heber Roberto Lopes, o melhor, já está mais que desgastado em Atletibas; Evandro Rogério Romam é hoje mais secretário de Estado que juiz de futebol; e os demais não inspiram confiança.

Mas isso é assunto pra um post futuro, analisando prós e contras dessa medida.

#350: O melhor Atletiba dos últimos tempos

Cordialidade, antes do apito; depois o bicho pega em campo

 O Atletiba 350 tem tudo para ser o melhor Atletiba dos últimos tempos. Talvez o melhor desde o 342, no já distante outubro de 2009, quando o Furacão saiu na frente com um gol contra de Ariel, que empatou logo em seguida; Jéci virou, Marcinho empatou na metade do 2o tempo e quando o empate, ruim para os dois, parecia consolidado, Marcos Aurélio fez o terceiro. Os times brigavam contra o rebaixamento na Série A e parecia que o Atlético tinha encomendado a passagem com o resultado. Mas não foi o que aconteceu: quem acabou caindo foi o Coritiba. Desta vez, porém, o resultado deve ser mesmo fatal para um dos dois.

Explico: quem vencer o clássico, põe a mão no título de 2012. A obviedade da frase tem nuances, em especial para o Coritiba. O Atlético, se vencer, será campeão paranaense. Não matematicamente, mas é pouco provável que o time não vença o ACP na Vila Capanema na última rodada e confirme a conquista. Se perder, verá o Coxa conquistar matematicamente o returno e garantir a decisão no Alto da Glória. Ou seja, terá que fazer o jogo derradeiro na casa do inimigo, como fará amanhã. Para o Atlético, é vencer ou vencer. Não há nada a perder. Se houver uma derrota do rubro-negro amanhã, o máximo que pode acontecer é o time ter que vencer um dos jogos da final e buscar o empate no outro. Se vencer, mata tudo já na raiz. Logo, será um Atlético ofensivo, franco-atirador.

O Coritiba não. O Coxa, paradoxalmente, não precisa vencer, embora seja proibido a ele perder. É claro que também pode matar o problema na raíz, derrotar o rival e já garantir que terá que ir buscar um empate em campo alheio para trazer tudo para o Couto. Mas também pode administrar o empate. Se mantiver a diferença de dois pontos na classificação, o Alviverde garante o turno e a vantagem do mando na finalíssima ao bater o Roma em Apucarana na última rodada. O que deve acontecer com tranquilidade, pois o Roma pode até mesmo já estar rebaixado. Logo, o Coritiba não precisa atacar, basta não errar. Pode ser cauteloso.

Só que o Coritiba jogará em casa, no embalo da torcida alviverde, única presente ao estádio. O que pode ser um peso psicológico ao jovem time do Atlético, bem como pode ser um belo combustível. Não se sabe. Só após os primeiros minutos é que poderemos ter uma noção se estar com a torcida toda a favor será mesmo bom para o Coritiba ou se o Atlético poderá tirar proveito da situação. Pode ser que o Coxa esqueça a cautela e se empolgue; pode ser que o Furacão não se intimide. São muitas as alternativas.

Mas não é tudo. Justamente num jogo em que um pode ser cauteloso e outro franco-atirador, os técnicos parecem que estão encontrando os cenários que mais gostam.

Marcelo Oliveira nunca negou que gosta de posse de bola, de jogo cadenciado, com marcação firme no meio. O Coritiba 2011, de tanto sucesso, fazia do toque de bola sua principal arma. O time abusava das tabelas rápidas e tinha ainda alternativas como os chutes de fora da área, as jogadas individuais de Rafinha e os cruzamentos para Emerson e Pereira. Neste ano, perdendo peças, Oliveira não conseguiu ainda repetir a fórmula. O Coxa segue valorizando a posse de bola, fazendo com que ela rode bastante no meio. Mas não tem a velocidade do ano passado e ainda conta com um Rafinha em baixa. A marcação segue sendo prioridade, mas sem o mesmo poder. Oliveira pode fechar um cinturão e apostar nas bolas paradas e na individualidade. O cenário permite, há uma zona de conforto.

Esquema tático do Coritiba: reforço no meio-campo

Com essa formação, o Coritiba terá 4 homens para girar a bola (Tcheco-Lincoln-Rafinha-Roberto), 2 na marcação (Urso-Tcheco) e 2 mais agudos (Rafinha-Aquino). Rafinha deve alternar posição com Roberto, empurrando o avante para a área quando Jonas descer. Eltinho, se confirmado no time, fará o mesmo quando puder, com Tcheco mais atrás e a chegada de 5 homens em alguns momentos (Eltinho-Lincoln-Rafinha-Aquino-Roberto).

E o Atlético, que precisa ganhar para matar a parada, mas pode perder que terá nova chance de ser campeão? Será do jeito que Carrasco gosta: ofensivo, com três homens fixos à frente, com um meio campo de toque de bola, em tese menos povoado que o rival, mas com qualidade o suficiente para avançar até a grande área com poucos toques. Durante todo o ano, o Atlético de Carrasco buscou o que ele chama de “contundência”: agride o adversário o tempo todo e tem rápida recomposição sem a bola. Ora com Ricardinho, ora com Bruno Furlan e Marcinho de um lado, e com Guerrón principalmente na direita, o Atlético sempre teve o seguinte desenho: dois homens abertos nas duas pontas, com pouco uso dos laterais; uma referência no meio, que hoje é Marcinho, mas pode ser Edigar e já foi Harrison; e um a dois armadores: Liguera e/ou Baier. Até mesmo o volante de marcação se aproxima do ataque, especialmente quando esse é Zezinho, um meia de origem.

Esquema do Atlético abusa da velocidade nas pontas

A formação acima ainda não é a confirmada. Mas ela inibe as descidas de Eltinho e até mesmo Jonas, pois Guerrón cai para os dois lados. Liguera, Marcinho e Baier avançam no toque de bola até a entrada da área. Edigar pode ser um homem de área ou um bom ponta, usando velocidade. Na formação acima, Deivid é o homem de marcação, com uma linha de 4 homens atrás (Marques-Manoel-Foguinho-Héracles). Durante o jogo, se Zezinho for opção em lugar de Deivid, Foguinho se junta a marcação no meio, com o quarteto de trás virando trio. Se quem sair for um dos meias, Zezinho aparece na armação e reforça a marcação atleticana. Que é feita por todos os homens – o que aliás pode sobrecarregar Paulo Baier.

Ainda sobre análise tática da partida, recomendo os posts de Leonardo Mendes Jr. sobre as 5 maneiras de cada time vencer:

http://www.gazetadopovo.com.br/blog/bolanocorpo?id=1246403&tit=5-maneiras-de-coritiba-e-atletico-vencerem-o-atletiba

E também a reportagem sobre a cabeça e estilo dos técnicos, de Lycio Vellozo Ribas e Silvio Rauth Filho:

http://www.bemparana.com.br/noticia/213414/um-classico-e-dois-estilos

Alternativas não faltam. O jogo certamente será franco, por mais que o Coritiba possa apostar em cautela, porque terá espaços. A riqueza de elementos, como pressão de uma só torcida, tamanho do campo, esquemas táticos tão diferentes, me fazem crer que teremos um Atletiba mágico, como nos velhos tempos.

Por favor, 0-0, passe longe do Couto amanhã.

Mais que uma vitória

Douglas rasga com Fernando Henrique e a vila explode: redenção

Existem vitórias e vitórias no futebol. Há o batido – e válido – bordão “venceu, mas não convenceu”; existem vitórias que não levam a nada, apenas cumprem protocolo ou são tardias demais para remediar um estrago anterior. Existem empates que são vitórias. E numa massagem no ego, foi o que o Paraná deu ao torcedor na última quarta.

Humilhado, constrangido, relegado ao segundo plano. O torcedor paranista vem aguentando há muito tempo pancada atrás de pancada. Já não é tratado como rival por atleticanos e coxas-brancas, o que fere o orgulho. Viu o time despencar, minguar, passar pelo constrangedor rebaixamento à segunda divisão estadual; viu o time liderar a Série B nacional ano passado, para depois perceber que não passava de ilusão. Acordou espremido pela FPF, que ignorou a força do clube e deu às costas para o problema do calendário. Não, o Tricolor não queria ser mais que os outros; queria apenas que a Federação lembrasse que ele ainda é um representante do Estado na Série B e que as tabelas são conflitantes.

“A segunda divisão molda caráter”, diz um amigo. É verdade. O futebol é pródigo em ser incoerente: enquanto os Barcelonas da vida desfilam classe e arrebatam crianças Mundo à fora, o sofrimento faz com que o sentimento ao clube do coração se torne maior. O orgulho de pertencer a um grupo que não se importa tão somente com vitórias. Aliás, o que é vencer no futebol mesmo?

Quarta, 18 de abril, o Paraná Clube ganhou o ano. Foi com um gol de Douglas, mas poderia ser de qualquer um. O herói, na verdade, apenas simboliza a esperança por dias melhores, que não significam necessariamente uma conquista do Mundial Interclubes. O paranista sabe que a realidade é bem mais dura. Fica pra daqui uns anos.

Mas pouco importa o que aconteça contra o Palmeiras, na próxima fase da Copa do Brasil. Para o Paraná Clube, levar 11 mil pessoas após meses sem sequer entrar em campo, manter o torcedor ligado os 90 minutos, chegar ao êxtase da classificação com um empate suado aos 46 do segundo tempo, já é o troféu do ano. Claro que se quer mais. Claro que a tarefa só estará cumprida quando o time voltar a elite estadual – e não será nada fácil, anotem – e para a elite nacional – ainda mais difícil. Mas não era isso, nem a vaga, que estava em jogo na quarta.

A cada depoimento que se ouviu após o apito final na Vila, ficou a certeza de que o futebol venceu. Os cearenses não vão concordar, mas eles precisavam menos desse triunfo que o Paraná Clube. “Esse é o Paraná!”, bradou um; “A gente vem pra ver perder, vem pra ver ganhar, não importa, a gente tá junto com o Paraná”, disse outro, nos microfones das rádios que cobriram o jogo. E futebol é isso. Mudassem as cores, e não o roteiro, e a paixão venceria junto da mesma forma, balançaria a rede junto com a bola chutada por Douglas. Futebol não se resume a títulos; é a soma das conquistas menores.

Agora, com a confiança reestabelecida, o Paraná vai seguir o caminho mais em paz. Já sabe o que pode e com quem pode contar. Se ao final de tudo o time passar pelo Palmeiras, ir avançando na Copa do Brasil sem atrapalhar os projetos principais, excelente. Senão, a vitória de quarta já cumpriu seu papel na história paranista.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/04/2012

Fifa: muitas mudanças no projeto irritam comitê local

A obra da Arena da Baixada em Curitiba está sendo tocada sem alvará de construção, sob uma licença especial e supervisão diária de um grupo da secretaria de urbanismo da prefeitura. Tudo porque a Fifa mudou mais uma vez as exigências para a Arena – segundo informações, a sexta vez desde 2007. Pequenos detalhes que atrasam ainda mais a construção do estádio. As constantes mudanças irritaram o comitê local, que agora corre para regularizar novamente o alvará. Atualmente, a obra tem o relatório prévio ambiental aprovado. Na próxima terça (24) o Atlético terá nova reunião no conselho deliberativo para debater esse e outros assuntos – como por exemplo cobrar uma participação mais efetiva dos governos na operação.

Prêmio gordo

Tentando retomar o prestígio nacional perdido com o rebaixamento em 2011, o Atlético ofereceu aos atletas e comissão técnica um prêmio gordo pelo título da Copa do Brasil: 50% dos ganhos do clube até a conquista. Significa dizer que quem estiver no grupo atleticano em uma virtual conquista pode faturar R$ 1,97 milhões a serem rateados entre os membros. Vale dizer que o Atlético está apenas no terceiro grupo de cotas da CBF por não estar na Série A nem entre os 10 melhores do ranking nacional, recebendo o menor percentual de cota.

Câmeras, ação!

Demorou, mas finalmente a Vila Capanema poderá receber a capacidade máxima de torcedores (20 mil pessoas): o clube instalou e apresentou laudos ontem das sete câmeras de seguranças que faltavam para que o estádio se enquadrasse nos pedidos do Estatuto do Torcedor. A medida já vale para o jogo de hoje, entre Paraná e Ceará, pela Copa do Brasil. O clube instalou três câmeras por conta e contou com parceiros, que bancaram o custo de outras 4. Os valores e nomes dos parceiros não foram divulgados. O Paraná precisa de empates em 0-0 ou 1-1 ou da vitória por qualquer placar para avançar na competição. Será o quarto jogo oficial do clube em 2012.

Torcida única reloaded

A medida antidemocrática e sectária de se realizar o clássico Atletiba com torcida única deverá ser referendada hoje, após uma reunião entre a PM, a FPF e os clubes. O Ministério Público, único que pode evitar a medida se protestar formalmente, deve compactuar com aquilo que o mesmo, ainda no primeiro turno, classificou como “rasgar o Estatuto do Torcedor”. Os ingressos devem ser postos a venda a partir de quinta. A coluna não discute se a torcida do Coxa deve ter direito a ir sozinha já que não pode ir no primeiro e sim o absurdo que a medida anterior – e essa – faz com a desportividade e convivência. Em tempo: no jogo de ida, só com atleticanos, houve violência do mesmo jeito.

Que beleza de camisa! #21 – Especial Atletiba #350

"Ai meu Deus... que jogão! Quem será que ganha??"

Pra matar as saudades da linda Kelly Pedrita, um “Que Beleza de Camisa!” especial sobre a 350a edição do clássico mais tradicional do futebol paranaense. E ninguém pode reclamar: a eterna musa do (ex) Jogo Aberto Paraná vestiu as duas camisas, para deleite das duas torcidas.

São 349 jogos e muita história até aqui. Para essa partida no Couto, alguns números (com ordem pelo mandante do clássico):

Último jogo (349): Atlético 0-0 Coritiba, em 22/02/2012, na Vila Capanema
Último jogo no Couto Pereira: Atletiba 347 – Coritiba 1-1 Atlético, em 27/08/2011

No Couto Pereira: 192 jogos – 84v Coritiba – 59 empates – 49v Atlético

Coritiba

Última vitória: Atletiba 346 – Atlético 0-3 Coritiba, em 24/04/2011, na Arena
Última vitória no Couto Pereira: Atletiba 345: Coritiba 4-2 Atlético, em 20/02/2011

Atlético

Última vitória: Atletiba 348 – Atlético 1-0 Coritiba, em 04/12/2011, na Arena
Última vitória no Couto Pereira: Atletiba 334 – Coritiba 0-2 Atlético, em 20/01/2008

As camisas:

Esse foi o uniforme número 3 do Coxa em 2006, ano em que o clube esteve na Série B, liderou por várias rodadas, mas despencou na reta final e não conseguiu o acesso. Foi usado poucas vezes ao longo do ano, que teve apenas um Atletiba: o 332, na Arena, válido pela Copa 100 anos e vencido pelo Atlético por 4-1. O Coritiba não usou essa camisa nesse jogo; o uniforme foi usado ocasionalmente na Série B nacional e aposentado na temporada seguinte. Mesmo assim, considero uma das camisas mais bonitas do clube, numa leitura diferente com dois tons de verde e discretas luminosidades brancas.

Esse foi o uniforme titular do Atlético em 2010, quando o Furacão quase voltou à Copa Libertadores – acabou o Brasileirão a uma posição da classificação. Foi usado por toda a temporada e em parte de 2011. Em 2010, foram dois Atletibas: o 343, 1-1 na Arena, e o 344, vencido pelo Coritiba no Couto Pereira, 2-0. Acho essa a camisa mais bonita da história recente do Atlético, por ser simples e clara, resgatando a gola, e com as listras em destaque e cores firmes.

Ambas camisas fazem parte do meu acervo pessoal (como a maioria da série de posts Que Beleza de Camisa!).

“Não se corrige um erro com outro”, me ensinou meu pai

O Coritiba pode perder entre amanhã e quarta uma chance histórica de demonstrar grandeza e ser condizente com a campanha “Amo minha terra, torço pelo meu Estado”, que quer mostrar a força do povo paranaense.

Pode dar um tapa de luva naqueles que buscaram a separação e o sectarismo, ser um exemplo de convivência, desportividade e de que nossa sociedade tem saída.

Mas que, talvez por serem poucas as vozes em prol do convívio pacífico, pode ficar para trás.

Para que isso aconteça, para que não se caia na vala comum, basta que o Coxa não aceite realizar o Atletiba 350 com torcida única e abra os portões do Couto Pereira para cerca de 3 mil atleticanos, mostrando como se faz um evento com segurança e beleza desportiva.

Rivais sempre, inimigos jamais.

Dirão que “no primeiro turno foi assim e é justo que agora seja assim também”; ok, porém está errado. “Um erro não se corrige com outro”, me ensinou logo cedo meu saudoso pai.

O que foi feito goela abaixo daqueles que gostam de futebol não precisa ser repetido. Um clássico esvaziado, sem a riqueza do colorido das arquibancadas, sem a flauta entre as torcidas. Uma ode à intolerância, que pouco adiantou, pois os episódios de violência aconteceram em pontos da cidade, como sempre acontecem. Nos terminais, nos bairros mais afastados, em que a PM deve agir ostensivamente. Não no estádio, em que a maioria gosta de futebol.

Dirão ainda que a vantagem técnica de se jogar com torcida única não pode ser desperdiçada. Balela. O Atletiba 350 pode dar o returno ao Coxa e o título ao Furacão. O estádio jamais estará vazio e isso significa dizer que serão quase 30 mil coxas, 10 vezes mais do que a eventual carga atleticana. Certamente, gente disposta a pressionar o rival do primeiro ao último minuto. Combustível para os dois lados, de qualquer jeito: um para embalar, outro para calar.

Dirão também que, se o Coritiba aceitar isso, será um passo atrás, será um demonstrativo de fraqueza. Errado. Será um demonstrativo de força e de inteligencia, pois também poderá melhorar a arrecadação ao invés de deixar um espaço às moscas no estádio.

Afinal, com ou sem acordo – e é bom que você saiba disso – os ingressos destinados ao Atlético deverão ser reservados e não poderão ser comercializados mesmo que o Furacão não os peça. É a reserva técnica, já feita no primeiro jogo, para o caso de algum consumidor entrar com uma ação judicial (para você ver como o caso é enrolado).

É um momento único de se demonstrar grandeza, de escolher qual caminho seguir no nosso futebol. Em Minas Gerais os clássicos vêm sendo realizados com torcida única há algum tempo. Desportivamente, o Cruzeiro segue surrando o Atlético-MG, porque em campo tem mais time; fora dele, as torcidas continuam quebrando o pau. Ano passado, uma morte e vários feridos nos confrontos. Já na Bahia, as torcidas de Vitória e Bahia se uniram e disseram um sonora NÃO a iniciativa sectarista. Não há relatos de confrontos entre torcidas em Salvador, pasmem.

Está nas mãos do Coritiba. Sim, porque não é preciso que o Ministério Público perca tanto tempo com isso. Não é possível que nossa polícia não seja capaz de reprimir a violência nos dias de jogos. Não é admissível que você, torcedor de bem, se tranque em casa enquanto destroem a cidade, com ou sem torcida única nos jogos.

É alimentar a roda da discórdia e ver onde isso vai parar ou, como diria um cabeludo famoso por aí, “oferecer a outra face”?

*Em tempo: não sei de quem é o carro, mas estava há alguns dias no Bosque Alemão e achei muito bacana a imagem.

Abrindo o Jogo – Coluna do Jornal Metro Curitiba de 11/04/2012

Nem lá, nem cá

Do feriado da Páscoa para cá muito se falou do encaminhamento do financiamento do BNDES para a Arena; primeiro, ou por erro de interpretação, ou por vontade exagerada de comemorar uma vitória, Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, divulgou que o banco havia confirmado a cessão do valor. Dias depois o BNDES finalmente se manifestou: “Houve interpretação incorreta por parte do clube. O empréstimo apenas avançou uma fase. Passou de carta-consulta para pedido enquadrado”, informou a assessoria do banco. Traduzindo do tecniquês, o pedido do Atlético foi formalizado com documentos aprovados e agora passará pela análise de viabilidade técnica. Mas, nem Petraglia com pressa de (con)vencer na parada, nem algumas divulgações da negativa do banco em financiar a obra foram precisas.

O perigo

É improvável que o BNDES não aprove o projeto do Atlético para o Mundial 2014, por N razões – especialmente a necessidade política que Curitiba e o Paraná têm de realizar o evento, o que deve desburocratizar alguns quesitos. Mas não é impossível. E o custo pode ser alto. Em carta enviada à coluna, o ex-presidente do conselho fiscal do Atlético e ex-diretor administrativo do BRDE (versão regional do banco nacional de desenvolvimento) Amadeu Geara, alertou sobre alguns problemas na conduta do caso. Primeiro, a informalidade dos acertos entre a atual gestão do clube e o governo; depois, a maneira com a qual pretende-se ser feito um aporte financeiro via Estado para a obra. E por fim a insistente relutância de Mário Celso Petraglia em trazer essas informações às claras, seja pela imprensa, seja somente ao conselho do clube.

Fútbol brasileño

Juan Ramón Carrasco, técnico uruguaio do Atlético, não gostou de ser questionado pela improvisação do zagueiro Manoel como atacante no jogo do último final de semana com o Corinthians-PR (1-1) e soltou um “não sei como é aqui no Brasil, mas no Uruguai quem manda é o treinador.” Carrasco, que no geral faz um bom trabalho de reestruturação no clube (sem quase nenhum reforço, diga-se), passou um pouquinho no ponto, então é bom situá-lo: no Brasil, o futebol é o mais vitorioso do Mundo, com 5 Copas. E aqui funciona assim: se tomou uma decisão, explica-se e debate-se. As conseqüências são a cobrança e quem sabe até a perda do emprego – mas aí vai dos resultados e do patrão. Bem vindo ao país do futebol, Juan.

Escola de Gestão

A aposentadoria de Tcheco, antecipada há 15 dias aqui na coluna e confirmada ontem pelo próprio, pode ser o início de um trabalho essencial para o futebol paranaense: o processo sucessório nos clubes. Tcheco, 36 anos, curitibano de nascença e identificado com o Coxa, passará a trabalhar na administração do futebol alviverde ao lado de Felipe Ximenes. Tem perfil, já é empresário. A iniciativa é uma saída para que se construa uma escola de gestão no Estado, para que nossos clubes não vivam de brilharecos a cada década, esperando surgirem novos Evangelinos, Jofres, Petraglias ou Vilsons da vida.

Dallas Cup: ganhar é bom, mas o importante é revelar

Coxa bateu o alemão Frankfurt e decide com o Manchester United

O Coritiba enfrenta às 20h de hoje, em Dallas-EUA, o Manchester United da Inglaterra em busca do título da Dallas Cup, competição tradicional na categoria Sub-20.

Claro que vencer a competição dará alegria ao torcedor e prestígio aos jogadores, técnico e ao clube, internacionalizando a marca. Mas não é o principal.

O Coxa tentará conseguir o que o Atlético conseguiu duas vezes, em 2004 e 2005. Bicampeão nas temporadas citadas, o Furacão atualmente não tem um time S-20. O Coxa, aliás, é o único brasileiro na competição, que já revelou jogadores como Wayne Rooney e Michael Owen e foi vencida 10 vezes por clubes brasileiros nos 27 anos de disputa. Nas duas conquistas do Atlético, os adversários foram o Argentinos Jrs. (2004) e o Santos Laguna-MEX (2005).

Resolvi dar uma olhada no elenco do Furacão bicampeão da Dallas Cup nos anos citados para ter uma base do real valor dos títulos: as revelações e quem realmente deu certo entre os profissionais.

Hoje no Coxa, Anderson Aquino foi bicampeão pelo Atlético

A lista não é animadora – e aqui está o grande alerta para quem está gerenciando a base do Coritiba hoje. Muitas vezes o time é bom na base por ter conjunto, não necessariamente peças que possam ter sucesso entre os profissionais. Daqueles dois times atleticanos, dois jogadores verdadeiramente tiveram destaque com a camisa rubro-negra: o zagueiro Rhodolfo, hoje no São Paulo, e o volante Chico, atualmente no Palmeiras. Os demais, ou tiveram algum brilhareco ou desapareceram no mercado da bola.

O goleiro Vinícius, atualmente titular, o meia Evandro (vice da Libertadores 2005), os atacantes Anderson Gomes (que passou pelo Coxa), Anderson Aquino (hoje no Coritiba) e Schumacher (que teve destaque rápido no time titular em 2005), levantaram a primeira taça atleticana. O técnico era Lio Evaristo, que atualmente está no Operário. Nenhum conseguiu grande destaque no Atlético ou rendeu grande valor em dinheiro. Todos tiveram chances no profissional, o que é fundamental – e não está acontecendo hoje no Coritiba. Outro que era daquele time e rendeu uma boa venda ao futebol russo, ao Locomotiv Moscow.

No ano seguinte, o Atlético levou metade do elenco campeão, reforçado por outros nove jogadores – entre eles Chico. Nenhum foi aproveitado no elenco profissional. Ilustres deconhecidos como Thiago Gasparino e Leandro Bravin. O técnico era Leandro Niehues, hoje no Corinthians-PR.

O técnico Zé Carlos vem colhendo bons resultados com o Coritiba na base. Foi semifinalista na Copa São Paulo 2012 (o Atlético também) e terá que assumir uma continuidade do que fazia Marquinhos Santos, que agora é da base da CBF, trabalhando na Seleção. As principais promessas, já apresentadas na Copa São Paulo, são os meias José Rafael e Thiago Primão (em especial) e o atacante Alex, que enjoou de fazer gols na competição nacional (7, fechando como vice-artilheiro).

Mas de nada valerá se os meninos do Coxa não tiverem espaço no time titular e forem trabalhados para integrar elencos profissionais, não apenas formarem bons times na base. A mentalidade vencedora, formada já na base, valoriza a possível conquista de hoje. Mas, ganhando ou perdendo, é importante que os clubes saibam fazer a migração correta das revelações para o time profissional.

O twitter oficial do Coritiba (@coritiba) e o da Dallas Cup (@dallascuplive) acompanharão o jogo lance a lance. Eu atualizarei o resultado após a partida aqui no blog.

Atualização: O Coritiba venceu o Manchester United por 2-1, gols de Alex e Zé Rafael, e ficou com a taça!