O ano de Adriano?

A Seleção Brasileira tem um grande ponto de interrogação no ataque. Depois da Copa das Confederações, a lesão de Fred, a recusa de Diego Costa, a queda de produção de Jô e a instabilidade de atacantes como Leandro Damião, Robinho e outros deixaram o técnico Felipão e a torcida em alerta. A tentativa de Adriano voltar o futebol no Atlético pode ser uma solução. Pode? Ele próprio tem um grande ponto de interrogação para elucidar. No período de folga, festejos com a família no Rio e ausência depois de confirmar presença no jogo festivo de Zico no Maracanã.
Adriano tem jeito? É a pergunta que fiz para João Ricardo Lebert Cozac, presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia no Esporte:
“Confesso que olho com estranheza a proximidade de Adriano com o Atlético Paranaense. O atleta, que já teve ótimas oportunidades no Flamengo e Corinthians, demonstrou que os fatores que mobilizam sua atenção e dedicação são diferentes dos exigidos no mundo da bola. Adriano está mais perto da Vila Cruzeiro – dos amigos de infância – do retorno às coisas mesmas. De toda forma, vale a reflexão sobre essa nova possibilidade que o futebol oferece ao jogador.
No campo motivacional, vale frisar que ninguém consegue “instalar” necessidades quando não existe um apelo íntimo e real para a execução adequada de uma tarefa ou, até, no desenvolvimento e manutenção de uma profissão. Por mais que se diga por aí que a questão do Adriano é psicológica – de nada vai adiantar o empenho do Atlético – se ele próprio não assumir que precisa de ajuda.
Chega uma hora que os apelos extra-campo são mais fortes e, se o atleta não consegue equilibrar a vida pessoal com a profissional, o resultado tende a ser catastrófico. Especialmente num esporte de alto rendimento como o futebol que exige uma preparação esportiva (física, técnica e mental) acima da média. Além disso, a pressão e expectativa da torcida dificultam ainda mais a força de reação interna que lhe é solicitada a todo instante.
Não consigo imaginar o Adriano acordando cedo para treinar, ficar preso nos hotéis durante as concentrações e, acima de tudo, cuidar do corpo e ficar longe das baladas. Há outras coisas que fazem mais sentido a ele. E não é de hoje. O Corinthians errou ao trazê-lo para a capital paulista. Estive na Itália uma semana após a rescisão de seu contrato com a Roma e o que escutei por lá a seu respeito em nada se diferencia do que ouço por aqui. Noitadas, mulheres, bebidas, sobrepeso e falta de comprometimento.
É um panorama muito ruim para a convivência e harmonia do time. Um atleta que recebe uma fortuna como Adriano e não consegue se manter em forma – pode representar, se não houver um comando técnico/comportamental adequado da situação, uma variável danosa ao senso coletivo e de coesão do grupo. Já atuei como psicólogo do esporte em diversos clubes do país e posso atestar que essas diferenças nos salários dos atletas costuma ser terríveis para a esfera coletiva. Sempre houve, há e haverá vaidade no futebol – e fora dele. É preciso cuidado para não pisar em campo minado e, reforço: tenho dúvidas sobre a disponibilidade interna (e externa) de Adriano para continuar jogando futebol.
Torço, de verdade, para que a contratação da equipe paranaense contribua – de alguma maneira, com a saúde física e mental do atleta. Do contrário, a situação ficará como a de adolescente desobediente que cabula uma aula atrás da outra para ir ao shopping. Chega uma hora em que os pais terão de assinar o boletim escolar do filho e aí, amigos, não tem jeito: é bronca e castigo na certa!
Adriano já é homem formado e sabe o que quer da vida neste momento. E assim o fará.
De um jeito, ou de outro, certo?”
‘Rei dos clássicos’, Fla quase dobra Timão em torcida visitante; e o seu time?

Depois da primeira parte do estudo sobre a presença de público visitante no Brasileirão, o blog avança sobre o tema e inclui os clássicos locais nos números. A exclusão anterior tinha um simples objetivo: apontar – em tese – qual torcida “viaja” mais para ver seu clube do coração. Com os números dos clássicos locais incluídos, a conta soma também os jogos em que a torcida visitante não precisa sair da sua cidade – exceção óbvia feita ao Santos. Novamente, deu Flamengo na ponta. No entanto, a grande novidade é o aumento da vantagem sobre o Corinthians. Se sem os clássicos apenas 76 torcedores flamenguistas a mais foram aos estádios como visitantes, em relação ao Timão, somando-se os derbies locais a vantagem fica enorme:

Novamente, é necessário que se façam algumas ressalvas quanto ao estudo, tudo por conta da desorganização das federações locais nos borderôs. Os problemas são basicamente os mesmos apontados no texto anterior: a federação Mineira não discrimina o público visitante no Mineirão, o que excluiu todos os jogos com mando do Cruzeiro do estudo. Outras, como a Carioca, só passaram a discriminar o público visitante apenas na reta final do Brasileirão. Algumas federações que receberam jogos de outras praças, como a Catarinense e a Matogrossense não apontaram o valor. Novamente, vale o elogio às federações do Paraná e de São Paulo, as mais claras e transparentes em relação aos borderôs.

Dito isto, os números: talvez pela relação do novo Maracanã com o público carioca, enquanto que São Paulo ainda não tem suas novas arenas prontas – e muitos jogos foram mandados no interior, o Fla abriu enorme vantagem sobre o Timão ao se incluir os clássicos locais. Um detalhe importante, lembrado por alguns leitores: a carga de ingressos para visitantes nos clássicos em SP é de apenas 5%. A Fonte Nova, reformada, também abrigou bons públicos, em especial no Vitória x Bahia, que fez o Tricolor abrir boa margem em relação ao rival. Em Minas, só o público cruzeirense no clássico com o Galo foi computado. No jogo do Mineirão, ausência de dados. O mesmo vale para o Grenal da Arena Grêmio. O Atlético levou mais gente que o Coritiba quando visitante no clássico paranaense, mas, de fato, o público foi decepcionante nos dois jogos – o menor entre os seis principais clássicos estaduais. A exemplo de SP, o Paraná limita a carga visitante, mas a 10%.
Se o Fla é o time que mais arrasta torcida longe de seus domínios, o Goiás não tem o mesmo apelo longe do Serra. Com apenas 71 pessoas em média por jogo como visitante, nem a ótima campanha do Esmeraldino comoveu seu povo a seguir a equipe longe de Goiás.
O maior público visitante de todo o Brasileirão foi de 14.632 torcedores do Flamengo na 28a rodada, contra o Botafogo. O público total desta partida foi 31.720. No jogo, Fogão 2 a 1. O menor público visitante, exceção às atribuições de zero torcida – como especificado no texto anterior – foi de apenas 1 (um!) solitário torcedor da Portuguesa contra o Inter na 23a rodada e outro solitário torcedor do Criciúma contra o Coritiba na 35a rodada. Curiosamente, mesmo sem apoio de seus torcedores, Lusa (1-0) e Tigre (2-1) venceram estes jogos.
Nos 323 jogos computados nesse estudo (de 380 possíveis) a média de torcida visitante no Brasileirão 2013 foi de 852 pessoas. Seis times superaram essa expectativa: Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco, Grêmio e Botafogo, a grande surpresa deste índice, se levarmos em consideração a última pesquisa nacional de torcidas, que coloca na mesma ordem os quatro primeiros colocados deste estudo, com o Grêmio em oitavo no geral e o Fogão apenas na 12a posição.
O blog ainda trará outros dois estudos sobre o público visitante do Brasileirão 2013 após os festejos de Natal. Fique atento e Feliz Natal!
Mais fiel que do Corinthians, torcida do Fla é maior visitante; veja o seu time e rivalidades locais
Qual a torcida que segue em toda a parte? A que nunca abandona, a mais fiel? Um estudo inédito feito pelo blog aponta a torcida que mais acompanhou o seu time longe de seus domínios durante o Brasileirão 2013. O resultado não chega a surpreender: excluindo os clássicos na mesma cidade (serão tratados a contento), por 76 torcedores em média por jogo, a torcida do Flamengo superou a fidelidade corintiana.
Cruzeirenses viajaram mais que atleticanos mineiros, gremistas acompanharam mais seu time do que colorados, coxas-brancas foram em maior número que atleticanos nos jogos longe do Paraná e por uma pequena margem a torcida do Bahia foi mais fiel que a do Vitória.
Aos números, no entanto, cabem algumas ressalvas. A primeira delas: a desorganização e falta de padrão dos borderôs emitidos pelas federações Brasil afora. Foram 323 borderôs pesquisados e revisados, dos 380 jogos disputados. Quase 20% das partidas não ofereceram estatísticas concretas de quantos visitantes estiveram nos jogos.
Desta forma, as equipes que tiveram mais jogos computados foram Criciúma (18 partidas) e Coritiba, Náutico, Goiás e Inter (17) enquanto as que tiveram menos jogos computados foram Flamengo, Fluminense, Santos e Portuguesa (13).
As piores federações ou estádios nesse controle são a Mineira, em relação ao novo Mineirão. Absolutamente todos os jogos com o Cruzeiro como mandante não oferecem a parcela de ingressos visitantes nos borderôs – algo a ser investigado? Além dela, a Carioca, que passou a fornecer os dados concretos apenas da metade para o fim do campeonato e as de Brasília, Ceará, Santa Catarina e Mato Grosso, que receberam partidas mas não discriminaram o público visitante.
Alguns jogos, como Santos x Flamengo na primeira rodada, saíram da conta exatamente pelo motivo acima. É público e notório que a torcida do Fla esteve em maior número que a do Peixe, mas o documento oficial não separava números. Além disso, há exemplos como os abaixo:

No caso acima, por uma questão lógica, o estudo atribuiu valor zero ao número de torcedores do Fluminense no jogo contra o Vitória. Parece evidente – e os vídeos da partida mostram isso – que havia torcida do Flu na Bahia, mas não é possível supor um número e o documento oficial atribui zero aos visitantes. Isso aconteceu em outras 19 partidas. O Náutico esteve em três delas.
As federações do Paraná e de São Paulo são as mais objetivas e claras na discriminação dos ingressos de visitantes. A lista completa dos jogos excluídos da conta – incluíndo os clássicos não registrados – estará mais abaixo; amanhã, uma nova postagem incluirá na conta os clássicos registrados. Explica-se: o estudo divide-se as torcidas que viajam ver o time e as que vão em grande número nos clássicos locais. No primeiro caso (este post) vantagem para clubes como Goiás, Náutico e Ponte Preta, por exemplo, que não jogaram clássicos; no que virá, melhor para Flamengo e Corinthians. Os jogos dos paulistanos contra a Portuguesa foram considerados clássicos.
Na tabela abaixo, os números dos visitantes excluíndo os clássicos, no total e na média. O leitor poderá notar que certos clubes que jogaram clássicos não tem nenhum jogo computado no desconto; isso acontece por conta da ausência dos dados concretos no borderô emitido pela federação local – caso do Grenal da Arena Grêmio, por exemplo.
Eis. Divirtam-se nos comentários abaixo e aguardem o estudo de amanhã, incluindo os clássicos, que apresentará resultados ainda mais polêmicos:
Jogos excluídos por falta de dados:
Santos x Flamengo
Botafogo x Santos
Flamengo x Ponte Preta
Atlético-MG x Grêmio
Botafogo x Cruzeiro
Flamengo x Náutico
Vasco x Atlético-MG
Cruzeiro x Corinthians
Cruzeiro x Inter
Vasco x Bahia
Cruzeiro x Náutico
Botafogo x Vitória
Flamengo x Atlético-MG
Cruzeiro x Coritiba
Flamengo x Portuguesa
Criciúma x Cruzeiro
Botafogo x Goiás
Cruzeiro x Santos
São Paulo x Atlético-PR
Flamengo x São Paulo
Cruzeiro x Vitória
Vasco x Corinthians
Flamengo x Grêmio
São Paulo x Fluminense
Cruzeiro x Vasco
Flamengo x Vitória
Goiás x Grêmio
Criciúma x Botafogo
Cruzeiro x Flamengo
Flamengo x Santos
Cruzeiro x Atlético-PR
Cruzeiro x Botafogo
Flamengo x Atlético-PR
Criciúma x Fluminense
Botafogo x Ponte Preta
Cruzeiro x Portuguesa
Cruzeiro x São Paulo
Criciúma x Portuguesa
Cruzeiro x Fluminense
Portuguesa x Flamengo
Botafogo x Atlético-MG
Cruzeiro x Criciúma
Criciúma x Ponte Preta
Cruzeiro x Grêmio
Cruzeiro x Ponte Preta
Cruzeiro x Bahia
E todos os clássicos regionais.
*Agradecimentos especiais a Thiago Fagury, Vinícius Paiva e Matheus Cajaíba pela colaboração.
Por que não confiamos no futebol brasileiro?
Uruguai, última rodada do Torneo Apertura. O Nacional, time que divide a maior torcida do país com o Peñarol, precisa da vitória em casa sobre o pequeno Fênix para provocar uma decisão extra com o River Plate local, desde que esse também ganhe seu jogo fora de casa contra o Defensor, terceiro time de Montevidéu. Se vencer e o River perder, fica com o título de forma direta. Correndo por fora está o Danúbio, que precisa vencer o Sud América fora e torcer por tropeços dos dois. Todo raciocínio conduz para o título do Nacional.
Brasil, última rodada do Brasileirão. Suspeita-se que o Atlético Paranaense possa “entregar” o jogo para o Vasco, para rebaixar o rival Coritiba; suspeita-se também de que o São Paulo amoleça para o Coxa, para derrubar o Fluminense, de quem, por sua vez, suspeita-se que encontrará “facilidade” em um Bahia já desinteressado, como suspeita-se que Portuguesa e Grêmio comodamente empatariam seu duelo, em resultado bom para ambos. Suspeitou-se neste ano de tudo isso e algo mais, como suspeitou-se nos anos anteriores.
No País vizinho, o Nacional fez 1-0 e viu o rival Defensor abrir o placar contra o River, encaminhando a taça. Não contava com os brios do Fênix, 13o. de 16 clubes na classificação, que virou o jogo em pleno Parque Central, cancha do Decano; o River empatou, mas quem comemorou mesmo foi o Danúbio, que venceu com gol de falta no fim e surpreendeu à todos. No Brasileirão, o Atlético acabou precisando do resultado e atropelou o Vasco em um dia marcado pela violência; nos outros jogos, vitória do Flu e empates para Sampa, Coxa, Lusa e Grêmio. Tudo normal, ou não.
O Brasileirão 2013 não terminou naquele dia. Como não terminou nesta segunda e só terminará quando o recurso da Lusa for julgado. A Portuguesa, dizem todos os especialistas, errou ao escalar Héverton, seja por qual motivo tenha feito, confiando, por exemplo, no seu ex-advogado. De fato não há muito o que discutir: escalar um jogador irregular é errado, tendo ele feito 10 ou nenhum gol no jogo. O que se desconfia é de como o processo se deu. Por que a procuradoria deu parecer favorável ao Flu dois anos antes, em caso parecido? Ou outras coisas mais, cujos exemplos estão disponíveis no Google.
Não confiamos no modelo do futebol brasileiro. Eu, você e todos aqueles que gostam do jogo, acabamos por adorar uma teoria da conspiração. Claro que há limites.
Hoje, é o torcedor do Flu quem comemora a ‘lisura’ do processo, a despeito da dor lusitana; mas já não confiamos em 2011, quando a melhor defesa do returno levou 6 do Cruzeiro em um clássico local em Minas, com Raposa e Galo tendo juntos mais de 14 jogadores do mesmo fundo patrocinador; não confiamos em 2005, quando eclodiu o esquema de Edilson Pereira de Carvalho e anulação dos jogos que trocou o Inter pelo Corinthians na ponta da tabela; em 1999, quando a mudança no sistema de rebaixamento salvaria o Botafogo e derrubaria o Gama, entre outros, e esteve teve de ir à justiça comum; foi assim em 1996 com o mesmo Fluminense, amparado por um suposto esquema de arbitragem, no qual o então diretor Ivens Mendes pedia dinheiro aos cartolas para sua campanha política – posteriormente, todos foram absolvidos e Mendes faleceu; em 1993, quando a CBF puxou o Grêmio novamente para a Série A, blindando-o apesar da 12a colocação na Série B 92 em um grupo sem rebaixamento, com Atlético-PR, Paraná e Paysandu relegados ao grupo rebaixável – no mesmo ano, o América-MG entrou na justiça e foi punido com dois anos fora de qualquer competição nacional; em 1989, quando de posse de uma liminar o Coritiba não foi enfrentar o Santos em partida arbitrariamente marcada para Juiz de Fora-MG e acabou rebaixado por ato administrativo; em 1987, quando o Clube dos 13 excluiu o vice-campeão Guarani e o 3o colocado América-RJ da sua Copa União, voltando atrás mais tarde, aceitando um cruzamento com o campeonato da CBF, e refutando depois, gerando celeuma eterna.
Como você viu, não faltam exemplos.
E não confiamos não só pelos exemplos acima. Não confiamos por que o futebol nada mais é do que reflexo da nossa sociedade. O País do jeitinho, das artimanhas e negociatas, dos interesses excusos. Nunca sabemos se o que é visto em campo é realmente o que vai valer. Se os bastidores novamente não entrarão em cena.
Não discuto aqui se a decisão preliminar do STJD atende ou não a lei desportiva, que deve sim ser atendida. O ponto é outro. É cogitarmos de que, fosse outro que não o Fluminense, essa guerra toda não estaria acontecendo. É a imagem. Uma imagem desgastada, arranhada ao longo dos anos que passam mas não levam consigo velhos coronéis e manias. É por elas estarem aí que seguiremos não acreditando no futebol brasileiro.
E com tudo isso, ainda se discute ausência de público por preços de ingressos ou regulamento de campeonatos. Estaremos mudando de sofá, mais uma vez.
Acabou o futebol, e agora?! NFL na veia!

por André Tesser*
Bom Senso FC e discussões por calendário a parte, para muitos, o final do ano é o período de ressaca esportiva pelo recesso da paixão nacional esportiva do brasileiro: o futebol. Com o fim do Brasileirão – ao menos dentro do campo… – e da Copa Sulamericana, os amantes do futebol ficam restritos aos poucos jogos dos Mundial de Clubes ou ainda os Europeus, que o Terra transmite de graça, como o Alemão. O pior mesmo são as peladas de final de ano. Os intermináveis “Amigos de Ghiggia x Amigos de Forlán”, que mais parecem aqueles famosos casados x solteiros que precedem o último churrasco do ano dos amigos.
Uma excelente alternativa é a NFL, a liga profissional norte-americana de futebol. Ao contrário do futebol jogado com os pés, a NFL começa a atingir seu ápice no final do ano, passa ao longo de janeiro inteiro e tem seu clímax com sua final (o Super Bowl, evento esportivo de maior audiência televisiva do mundo) no primeiro domingo de fevereiro.
A temporada regular está terminando e faltam apenas três rodadas para a definição dos playoffs (mata-mata em partida única) e tem sido a mais emocionantes dos últimos anos. Basta dizer que, das 32 equipes da Liga, somente três já têm vaga garantida nos playoffs. E que, das equipes que restaram, 25 de 29 times ainda brigam por um lugar ao sol nas próximas fases.
Ainda, além das brigas pelas vagas nos playoffs, estão em jogo também nas rodadas finais da NFL as melhores posições dentro das duas conferências da Liga (AFC e NFC) que garantem aos times folgas (bye) na primeira rodada das fases eliminatórias e as vantagens de jogaram a partida única de cada fase dos playoffs em casa.
Na temporada regular, dois canais (ESPN e Esporte Interativo) transmitem até quatro jogos por domingo e um jogo na segunda-feira à noite. Mesmo com alguns jogos começando muito tarde (os dois jogos mais importantes da rodada, o Sunday Night Football e o Monday Night Football começam às 23h30’ por causa do fuso horário), a ESPN vem repetindo a transmissão de alguns jogos em horários mais, digamos, acessíveis.
Depois do final do ano (no primeiro fim de semana de janeiro, para ser mais exato), começam os playoffs e todos os jogos dessas fases, incluindo o Super Bowl no dia 02/02/2014 estarão na TV. Vale a pena assistir, porque, verdadeiramente, as fases eliminatórias costumam ser um campeonato diferente da temporada regular. Basta relembrar que os últimos três campeões do Super Bowl não foram as equipes de melhor campanha na temporada regular em suas Conferências. Aliás, sequer foram equipes que conseguiram garantir um bye na primeira rodada dos playoffs.
Então, meu amigo, dispa-se do seu preconceito e se permita (ao menos tentar) curtir o futebol americano. Sente na frente de sua TV com tempo e mente – e algum refresco – abertos. Uma bela cerveja americana (se puder ser uma IPA, melhor ainda) e preste atenção ao jogo, aproveitando as didáticas transmissões para o Brasil. Se você não se viciar na NFL, ao menos não perdeu tempo assistindo “Amigos do Ghiggia x Amigos do Forlán”.
*André Tesser é especialista em futebol americano e amigo do blog
Julgamento da Portuguesa: o correto, o moral e o justo
Acima de tudo: que não se vire a mesa no Brasileirão. E por virar a mesa deve-se entender a acomodação de mais clubes que as 20 vagas destinadas à Série A. Será um atestado de incompetência da administração a CBF e o fim de uma ilusão de que o futebol brasileiro está no caminho certo. Desde a instituição dos pontos corridos (um pouco antes na verdade) nunca se falou tanto em “tapetão”. Também é o período mais longo sem que os cartolas interfiram no resultado de campo desde a instituição do rebaixamento, em 1988. Mexeu-se em 1993, 1996 e 2000, sem contar o adiamento da fórmula de acesso e descenso, em 1987.
De maneira simples: quem errou, tem que pagar. Se a Portuguesa por infringir a lei ou o Fluminense por errar em campo, alguém deve cair. Já se sabe também que a petição do Vasco no jogo contra o Atlético deu em nada. O STJD acerta: o resultado de campo é soberano. Agora é aplicar a lei pela balbúrdia fora dele. Com o quadro atual, resta saber – para efeito de validação da tabela do Brasileirão 2013 – o “Caso Héverton”. E então é preciso que todos se dispam de suas preferências e procurem caminhar o máximo possível por 3 pilares: o que é correto, o que é moral e o que é justo.
Correto é aquilo que a lei determina. A Portuguesa foi incluída no artigo 214, que aponta:
Art. 214. Incluir na equipe, ou fazer constar da súmula ou documento equivalente, atleta em situação irregular para participar de partida, prova ou equivalente. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
PENA: perda do número máximo de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). (NR).
§ 1º Para os fins deste artigo, não serão computados os pontos eventualmente obtidos pelo infrator. (NR).
§ 2º O resultado da partida, prova ou equivalente será mantido, mas à entidade infratora não serão computados eventuais critérios de desempate que lhe beneficiem, constantes do regulamento da competição, como, entre outros, o registro da vitória ou de pontos marcados. (NR).
§ 3º A entidade de prática desportiva que ainda não tiver obtido pontos suficientes ficará com pontos negativos.
§ 4º Não sendo possível aplicar-se a regra prevista neste artigo em face da forma de disputa da competição, o infrator será excluído da competição. (NR).
A lei é clara e objetiva. O direito, nem tanto. O próprio CBJD prevê brechas, como algumas que a Lusa alega. Diz não ter sido informada de forma oficial. Assim, pode se defender com o artigo abaixo, por exemplo:
Capítulo V
DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS
(…)
Art. 47. A citação e a intimação far-se-ão por edital instalado em local de fácil acesso localizado na sede do órgão judicante e no sítio eletrônico da respectiva entidade de administração do desporto. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
§ 1º Além da publicação do edital, a citação e a intimação deverão ser realizada por telegrama, fac-símile ou ofício, dirigido à entidade a que o destinatário estiver vinculado. (AC).
§ 2º Poderão ser utilizados outros meios eletrônicos para efeito do previsto no § 1º, desde que possível a comprovação de entrega. (AC).
Evidentemente, tanto STJD, quanto CBF, quanto Portuguesa, têm consigo um “recibo” assinado da informação, como de praxe na justiça, certo? Eis uma dúvida.
O direito moderno se divide entre aqueles que querem a aplicação da lei ao pé da letra e àqueles que entendem que a lei deve guardar uma reserva moral, dado o fato de que uma suposta igualdade jurídica pode apontar desigualdade ainda maior. Simplificando: existem pessoas que têm recursos e condições melhores e isso pode nublar o julgamento de uma infração. Aqui, caímos no conceito de moralidade, transportado ao futebol.
O que é o moral no caso Héverton? Eis um conceito pessoal, de cada julgador. Para o presidente da procuradoria do STJD, Paulo Schimitt, o moral já foi o oposto do que ele prega hoje, há apenas três anos. Também é moral equiparar casos similares na hora de decidir. Há o problema com André Santos, no Flamengo; há um problema que não está no jornais e talvez já tenha prazo caducado, envolvendo Kléber, do Grêmio. Tal qual André Santos, Kléber foi expulso após o fim da partida contra o Atlético Paranaense na Copa do Brasil e deveria cumprir – como André – no jogo seguinte pelo Brasileiro, mas esteve em campo contra o Cruzeiro. Uma punição similar para Lusa, Fla e Grêmio mexeria também com a parte de cima da tabela e até com a Copa Libertadores, que já conhece seus grupos para 2014.
Há ainda três outros casos: a aplicação apenas de multa em cima do Cruzeiro, pela escalação irregular do goleiro Elisson. A absolvição do Duque de Caxias-RJ, na Série B 2010. E a exclusão da seleção de Cabo Verde das Eliminatórias da Copa 2014. O último caso é esfera Fifa, que age de forma oposta ao STJD brasileiro em seus casos. Nos argumentos para a absolvição do Cruzeiro, por exemplo, está o fato de que ele não interferiu no jogo. Héverton, um jogador que atuou por apenas 97 minutos em todo o Brasileirão 2013, também não foi decisivo no 0-0 com o Grêmio – mas esteve em campo. Qual será a leitura dos auditores?
Aqui entra o conceito de justiça: não antecipar a decisão, seja qual for o anseio popular: se da imensa torcida tricolor ou daqueles que provocam com o bordão “paguem a Série B”. Os auditores, vestidos de toga, têm de manter distância do emocional e entender os pilares, com a convicção longe da política. É aqui que mora o maior temor de quem gosta de futebol: seja qual for a decisão, sempre haverá uma pontinha de descrédito em função do histórico negativo do tribunal.
Perdemos o futebol

Eu ainda era criança, tinha quatro ou cinco anos, quando meu avô, um são-paulino radicado no Paraná, me pegou no colo e disse: “Vamos dar uma volta, vou te levar nos estádios [de Curitiba] e você vai escolher um time da sua cidade pra torcer”. Escolhi. Durante todos os anos que vieram a seguir, vi meu amor por esse esporte crescer. Alegrias, tristezas. A paixão foi tanta que resolvi até trabalhar com isso, como jornalista. Foram momentos bons e ruins, inesquecíveis, ao lado da família, dos amigos, das namoradas… enfim, você que está lendo esse texto certamente passou por isso também.
Por isso é que eu sinto muito em lhe informar: perdemos o futebol.
Ele morreu. Foi embora, perdeu-se no tempo. Não foi ontem, na Arena Joinville. Como em tudo na vida, isso veio acontecendo há tempos. Desde aquela tarde de 20 de agosto de 1995, quando um torcedor do São Paulo foi espancado até a morte no Pacaembu, durante a Supercopa SP de Futebol Júnior, o futebol adoeceu. Perdeu seu objetivo. Nas Laranjeiras em 1996, a doença cresceu. Nas inúmeras e incontáveis brigas entre torcidas organizadas nas ruas das capitais, ela ganhou corpo. Em 2009, no Couto Pereira, se tornou incurável. Neste ano, matou Kevin Espada em Oruro, na Bolívia. E neste domingo chegou ao ápice, em Joinville. Nesses anos todos, de maneira passiva e muitas vezes partidária, assistimos impávidos a morte da nossa grande paixão.
Dirigentes coniventes e omissos, mesmo os mais radicais, se atrelam aos organizados por poder e manutenção de um colégio eleitoral favorávael. Dirão, pela milésima vez, que não é possível generalizar, que existem projetos sociais nas organizadas, blablabla. Pois lá estão elas, de novo, envolvidas em mais uma vergonha. Os rostos estão aí. O poder público não prende ninguém; se a polícia o faz, acaba tendo de soltá-los. Na próxima partida, estão lá. Você, não. A não ser que não tenha amor à vida.
Vampirizam os clubes, amedontram famílias e seguem impávidos no alto de seus tambores, marcando brigas e estabelecendo um reinado de terror nas ruas e nos estádios do Brasil. Perdi a conta das mortes. Ninguém se salva. Nenhuma cor, nenhuma camisa, nenhuma facção. Basta andar por uma delas e ver o consumo pesado de drogas, o uso desenfreado de bebidas alcoólicas. E você lá, proíbido até de tomar a sua cervejinha, “vilã” que saiu dos estádios, mas não levou a violência consigo.
Não tem mais fundo esse buraco. Não adianta falar, há que se agir. Identificar, punir e prender os vândalos, punir os clubes que lhes dão guarida, afastá-los do futebol. Na era das novas Arenas, o conceito está mais próximo do que era na Roma antiga.
Culpados e inocentes

Inocente em Joinville só mesmo os que assistiram horrorizados ao confronto nas arquibancadas. O Atlético e o Vasco concorrem com culpa indireta e devem ser punidos com o rigor da lei desportiva. As organizadas devem ser punidas também. Falar em fechamento é hipocrisia. Reunirão-se sob outro nome e outro símbolo, como já aconteceu, e seguirão nesse rentável negócio. é prender e multar o CNPJ da empresa que elas têm. Os sócios dos clubes, que perderão seu direito ao jogo, devem processar os clubes e as organizadas pela perda futura. Só doendo no bolso deste tipo de gente é que se muda algo.
O Ministério Público de Santa Catatina idealizou corretamente a ausência da Polícia Militar do mesmo Estado, dizendo o óbvio: evento particular, segurança particular. No entanto, erra também ao ignorar o risco de violência. Infelizmente, devemos assumir que não somos uma sociedade perfeita e que alguns animais devem ficar na jaula. No mundo ideal, a PM não deveria mesmo bancar babá de Organizada. Mas o Mundo está longe do ideal e é o cidadão comum que está sofrendo.
Ponte, amor, vida e morte na Copa Sul-Americana
“Enquanto a Ponte não for campeã eu não morro”, sempre disse Eduardo Polis, 77 anos, à neta Camila. Ela mais que ninguém está com o coração apertado. A Ponte começa nesta quarta a disputar seu título mais importante – pode ser o primeiro deles – contra o Lanús, da Argentina, no Pacaembu em São Paulo. Camila quer ver o avô feliz, mas vivo por muito tempo para comemorar.
‘Seo’ Eduardo, 77, dedicou uma vida pela Ponte Preta no anseio do grito de campeão. São 62 anos de Macaca. Paulistano, “seo” Eduardo foi à Campinas pela primeira vez em 1951, então com 15 anos, ver um duelo contra o Palmeiras. Foi amor à primeira vista. A final, claro, mexe com ele.
“A gente esperou muito tempo para ter título. Não podia ser um título vagabundinho que nem paulista, essas coisas. Tem que ser um grandão como esse aí.”
Carregar a Ponte no coração deixou de ser sentido figurado. Eduardo tem quatro delas, de safena. O time foi tomando conta da vida dele desde aquele 1951. “Enfiamos 3 a 1 neles. Coisa linda”, conta. Depois, mudou-se para a cidade da Macaca. Viu bons e maus tempos. E jurou: não vai morrer sem ver um título da Ponte. Nunca esteve tão perto desta alegria.
“Sabe por que [a Ponte Preta chegou na final]? Porque o Juiz não era brasileiro. Se não fosse isso… já tinham inventado pro São Paulo. Agora ficou mais difícil agora, porque tem a TV, mas em 1981 foi assim”, lembra, revoltado, das finais do Paulistão daquele ano. A idade septuagenária não o tornou mais manso com os rivais: “Os Bambis ficaram com medo de jogar aqui, mas nós fomos lá e enfiamos três e depois mais uma banana neles em Mogi”, brinca.
As provocações aos adversários da Ponte são naturais pra quem foi presidente até de torcida organizada, a “Ponterror”. O maior alvo, claro, é o Guarani: “Eu que inventei esse negócio de chamar eles de Galinhas. Sabe como é, vivem em puleiro, sobem no pau…”, provoca os eternos adversários. “Eu não gosto deles, são muito metidos. Vim pra Campinas em 1954, passei a gostar da Ponte.”
O Guarani não é o único alvo da ira do fanático vovô. “Você sabia que o Ruy Rei é contratado do Corinthians até morrer? Pois é…”, dispara, aderindo à uma teoria decantada em todos os lados que renegam o vice campeonato paulista de 1977, perdido para o Corinthians. Outros vieram depois, em 79, 81 e 2008. A Ponte sempre acabava batendo na trave.
A chance de finalmente gritar “É Campeão!” mexe com “seo” Eduardo. “Agora você vai ver se a Ponte for campeã, essa turma que me aguarde.”
Não vencer título algum não fez Eduardo amar menos a Macaca. “Faz 113 anos que eles falam que não tem título, nem precisa. A Ponte é titular. É a primeira do futebol brasileiro”, conta do orgulho de ser um dos clubes mais antigos no futebol do País, ao lado do São Paulo-RS. O fato virou até marchinha, composta por Polis nos tempos de torcida organizada:
“Le le le le-ô
O futebol na Ponte Preta começou
Desde 1900, o esporte nacional
A Ponte Preta é matriz o resto é filial”
A família, como Camila, vive a paixão com o avô. Bugrino? Nem genro. “Tudo mundo pontepretano, se tiver outro time eu deserdo. Guarani, nem pensar”, brada.

Polis estará o Pacaembu (ou Macacaembu, como a torcida vem chamando) para tentar ver a realização do sonho de uma vida. Talvez até na Argentina. “Se eu puder, vou”.
Depois de 77 anos, viver ou morrer é só um detalhe para esse coração alvinegro ansioso pelo título.
Adriano no Atlético Paranaense: tacada ou loucura?

Como Arnold Schwarzenegger em “O Exterminador do Futuro”, Adriano se levantou mais uma vez das cinzas para ser destaque nos noticiários esportivos de todo o Planeta. Na Itália, onde rodou por Inter e Roma; em Portugal, na França e claro, por todo o Brasil. O acordo entre Adriano e o Furacão mexeu com as redações em todos os cantos, espantadas com uma nova chance ao Imperador – cuja melhor leitura pode ser feita na matéria do Guilherme Moreira. O Atlético, como de praxe, ainda não se manifestou oficialmente. Seus diretores não falam sobre o assunto.
Trazer alguém de maneira surpreendente não é uma novidade na vida do Atlético. O Furacão tem por hábito inovar em suas contratações, muitas vezes cotadas como jogadas de mídia. Foi assim com o árabe emiratense Abdulla Al Kamali, uma espécie de Zizao da Baixada, que tentava abrir o mercado árabe ao clube. Foi assim com o ídolo alemão e então técnico Lothar Matthäus, de passagem relâmpago. Havia sido nos anos 70 com Djalma Santos, já em fim de carreira. O mesmo com Eder Aleixo, nos anos 90. Exemplos não faltam.

O caso de Adriano é diferente de todos acima, exceção, claro ao efeito midiático. Se assemelha mais ao de Washington, o mais bem sucedido de todos. O “Coração Valente” chegou ao Caju diabético, com um problema cardíaco e desenganado, numa época terrível, com as mortes do camaronês Marc Vivian Foe e do húngaro Miklos Feher em campo. Ninguém apostaria um centavo na volta de Washington ao futebol. Ele havia chegado até à Seleção Brasileira ainda na Ponte Preta, mas via seus sonhos abreviados. Sem contrato, o Furacão o abraçou. Bancou sua recuperação e ganhou o maior artilheiro da história do Brasileirão e um vice-campeonado, em 2004. Washington seguiu sua vida até se aposentar, com saúde.
Adriano tem um problema social. Uma doença que é tratada de maneira jocosa, como se fosse um problema proposital. Não posso avaliar – nem devo ou quero – à distância se é desvio de conduta ou dependência química. A segunda opção é comum no Brasil. Tratada como “sem-vergonhice”. Já levou muitos, incluindo o ídolo Garrincha. Seja como for, o Atlético arrisca novamente. Pouco, diga-se: abre as portas de seu CT e oferece estrutura e tranquilidade para a recuperação de um atleta de apenas 31 anos. Contrato? Só após um período de testes de três meses (com Natal, Ano Novo e Carnaval no meio) com Adriano respondendo positivamente.
Curitiba e suas belas mulheres contrastam com uma cidade que não tem vida noturna às segundas – mas ferve aos sábados, véspera da maioria dos jogos. Força de vontade é um requisito. A timidez do curitibano possivelmente evitará grandes badalações ao Imperador. Ao jantar em um local na Avenida Batel, as pessoas o olharão e comentarão entre si, mas dificilmente se aproximarão. O vizinho levará meses para convidá-lo para um churrasco – tempo em que ele pode até já ter deixado a cidade. A praia mais próxima requer 100 km de viagem e passa a esfriar em março. Adriano encontrará no Atlético um escudo contra a imprensa (nós, esses malditos); um escudo tão forte que até põe em xeque a ideia de que o clube quer ganhar com ele em retorno de mídia.
Se ele emplacar, terá uma torcida numerosa e fanática ao seu lado, disposta a consumir tudo que se referir ao novo ídolo. Pode até disputar uma Libertadores e, como o amigo Ronaldinho no xará mineiro, reencontrar os caminhos das glórias. Não receberá os altos salários dos tempos anteriores, mas receberá em dia. E pode até pintar na Copa, por que não? Com Fred machucado e nenhum outro 9 de confiança, um Adriano motivado e em dia seria capaz de convencer Felipão.
Se der errado, ele volta para o Rio e o clube segue sua vida. Será mais uma vez alvo de diversas análises sobre “por que Adriano jogou fora sua carreira” e renderá tantas outras pautas à imprensa. Nesse caso a ampulheta vai diminuindo sua areia na parte de cima e serão poucos os que ainda apostarão nele.
Para Adriano, loucura era não dar essa tacada.




