Que o Brasil fará outros dois amistosos após o jogo contra a África do Sul, antes do início da Copa, já não é novidade. O que falta agora é saber quem serão os adversários, pois as datas e ao menos um local estão definidos. Nos dias 4 e 7 de junho, a Seleção de Luiz Felipe Scolari jogará suas verdadeiras últimas partidas antes da estreia no Mundial.
Querendo repetir a vitoriosa rotina de 2002, quando levou os jogos decisivos contra Paraguai e Chile para o Sul do Brasil, vencendo e criando uma aura positiva. O jogo do dia 7, um sábado, possivelmente será na Arena do Grêmio; três dias antes, duas cidades disputam o privilégio de receber a Seleção: Curitiba e Goiânia.
Como os estádios da Copa já estarão à dispoção da Fifa, o jogo em Curitiba deverá ser no Couto Pereira, casa do Coritiba, e não na Arena da Baixada. No entanto, como o estádio coxa-branca também está em obras, a CBF e a organização do evento têm como plano B o Estádio Serra Dourada, em Goiânia.
Os adversários, ainda em período de definição, não serão nenhuma das 32 seleções classificadas para a Copa. Felipão já sinalizou que pretende pelo menos um grande adversário para os últimos testes. Entre os prováveis rivais, estão Suécia, Paraguai e Ucrânia.
Atlético Paranaense e Flamengo começam nessa semana a decidir a Copa do Brasil 2013. Os rubro-negros farão a terceira disputa eliminatória entre si na história. Nas duas anteriores, deu Flamengo, que tem vantagem nos confrontos diretos no geral, incluindo amistosos: 20 vitórias cariocas, com 10 empates e 18 triunfos atleticanos. O Furacão, porém, tem vantagem no saldo de gols: 59 a 57.
Nunca houve uma rivalidade grande entre as equipes, ao contrário do que acontece com o Fla e o xará Mineiro do Furacão, ou mesmo entre Atlético e Fluminense. Mesmo assim, os dois times já protagonizaram jogos memoráveis, quase sempre com vitórias dos times da casa. O blog relembra os cinco mais importantes da história – excetuando, claro, a decisão que virá pela frente:
O Atlético estava ameaçado pelo rebaixamento, com 42, fora da ZR, perseguido pelo Figueirense, que tinha 41. O Flamengo, por sua vez, tentava uma vaga na Libertadores: 5o colocado com 64 pontos, com Cruzeiro (64) e Palmeiras (65) a sua frente. Na Arena, o Furacão abriu 2 a 0 no Fla, com gols de Toró (contra), Rafael Moura. Marcelinho Paraíba descontou para o Mengo, deixando o ambiente tenso na Baixada. Ainda no primeiro tempo, Julio Cesar faria 3 a 1, mas Marcelinho estava inspirado. Ele diminuiria para 3 a 2, mantendo o Atlético ameaçado de queda. Zé Antônio faria o 4o do Furacão, mas o alívio só viria mesmo aos 41 do 2o tempo, quando, de pênalti, Alan Bahia fez o 5o. Ainda daria tempo de outro gol de Marcelinho pra fechar o placar.
Historicamente, o Flamengo tem más lembranças de Curitiba, não só com o Atlético, mas também com Paraná e Coritiba. Além disso, um incômodo tabu durava 37 anos até aquele confronto eliminatório na Copa Sul-Americana de 2011. Depois de ter vencido por 1 a 0 no Rio, o Fla foi à Curitiba pegar um Atlético desorganizado e que havia dado a chave do clube para Renato Gaúcho, técnico que chegara para tentar salvar o Furacão do rebaixamento. Renato optou por mandar um time de reservas à campo. O 0 a 0 encaminhava a classificação carioca até o finalzinho do jogo, quando Ronaldinho aproveitou uma oportunidade em bola cruzada na área. Vitória do Mengo e fim do jejum na antiga Arena da Baixada.
O Atlético estava impossível aquele ano, dividindo a liderança com o Santos de Robinho. O Furacão tinha um timaço, com Jadson, Fernandinho, Dênis Marques e Washington. O Flamengo não ficava muito atrás, com o ainda goleiro da Seleção, Julio Cesar, Júnior Baiano e Zinho em campo. Júnior Baiano fez 1 a 0 e o Fla ia quebrando a sequência invicta atleticana, que chegaria a 18 jogos. Mas então apareceu o Coração Valente. Aos 43, ele recebeu na área e girou pra empatar. O resultado não era bom, mas os atleticanos já se conformavam com o empate. Então, numa bola despretensiosa, Julio Cesar falhou e Washington roubou-a do goleiro, que puxou o atacante, Pênalti e gol da vitória, mais um do artilheiro daquele ano, com 34 gols.
Corria a quarta rodada do Brasileirão 2009 e o Flamengo recebia de volta um de seus mais polêmicos ídolos: Adriano Imperador. Naquele ano, alegando problemas pessoais, Adriano não quis voltar para a Inter de Milão e ameaçou até abandonar a carreira. Depois de uma longa novela, o atacante confirmou sua volta ao clube que o revelou. Quis o destino que o jogo de reestreia fosse contra o Atlético. Em um Maracanã lotado, levou 15 minutos para que Fla abrisse o placar com um gol contra de Antônio Carlos, hoje no são Paulo. O Maracanã explodiu, mas ainda faltava algo. Adriano, então, faria o segundo. A anunciada goleada não veio. O Furacão endureceu o jogo e quase arrancou um empate. Mas deu mesmo Flamengo, com Rafael Moura descontando no placar. O Fla, com Adriano, chegaria ao seu sexto título nacional, incluindo a Copa União de 1987.
Zico, Adílio, Nunes, Raul, Junior e uma verdadeira máquina do lado da Gávea; Washington, Assis, Nivaldo, Capitão e Roberto Costa, no surpreendente time da Baixada. Atlético e Flamengo fizeram uma das semifinais no Brasileirão de 1983. No primeiro jogo, no Maracanã, o Atlético não contou com Assis e acabou engolido, levando 3 a 0. O Fla já se considerava na final do Brasileirão, mas não imaginava o que o aguardava em Curitiba. Com o Couto Pereira – do rival Coritiba – completamente lotado, o Furacão, com 32 do 1o tempo, praticamente reverteria a vantagem, com dois gols de Washington. Só não conseguiu por que Raul Plassmann, que foi revelado no Atlético, impediu o terceiro gol com grandes defesas. Uma, em especial, em um chute a queima roupa de Capitão. O Fla resistiu à pressão de 67.391 pessoas e chegou à decisão, na qual venceria o Santos e seria tri-campeão nacional.
Como pode um clube que deu bons exemplos de organização e esteve a pique de alçar vôos mais altos, com duas finais de Copa do Brasil, despencar tanto em uma temporada a ponto de ainda ser a 3a equipe que mais rodadas liderou esse Brasileirão, atrás apenas de Cruzeiro e Botafogo, e amargar uma possibilidade real de rebaixamento?
Perto da Zona de Rebaixamento faltando três rodadas para o fim, o Coxa revive os pesadelos de 2005 e 2009, quando caiu sem entender bem como, quando e por quê houve a decadência. Assim sendo, enquanto ainda é tempo (ainda é?), o blog propõe um ensaio sobre os sete pecados na temporada do Coritiba até aqui. Se só a fé pode salvar, ainda há tempo de se arrepender.
1 – Gula
Tetracampeão paranaense, duas vezes consecutivas finalista da Copa do Brasil, líder do Brasileiro 2013 durante toda a Copa das Confederações e com a perspectiva de disputar a Copa Sulamericana para tentar um título internacional. O Coritiba quis abraçar o Mundo, mas não tinha elenco para isso. Trouxe o ídolo Alex de volta, mas não conseguiu segurar peças chave como Rafinha, Emerson e Everton Ribeiro, como já acontecera com Leandro Donizete. Atropelou no Estadual e se viu em meio ao Brasileiro com mais de 10 jogadores importantes no departamento médico, como Leandro Almeida, Júnior Urso e Deivid. Faltou planejamento e dinheiro para tanta fome.
2 – Avareza
Depois da questionável decisão de demitir Marquinhos Santos e o diretor de futebol Felipe Ximenes, o Coxa deixou o segundo cargo vago e não quis gastar além da conta com técnicos mais experientes como Caio Júnior ou Celso Roth. Apostou em Péricles Chamusca, demitido neste domingo, e que chegou revelando que faria uma também aposta em sua permanência para 2014, pensando em um bom contrato só se salvar o time. Com Chamusca, 7 derrotas e um empate em 11 jogos. Ainda que o próprio seja o menos culpado, já tem sua parcela de colaboração na crise. O técnico chegou a dizer que deixaria o time pronto em três semanas – não conseguiu -, mas tempo é artigo de luxo. As renovações com os jogadores citados acima poderiam entrar na conta, mas vale lembrar que os próprios atletas muitas vezes têm o desejo de respirar novos ares.
3 – Inveja
“A culpa é do Atlético”, disparou o presidente Vilson Ribeiro de Andrade ao analisar a pressão que o time, ainda na 8a posição, sofria da própria torcida que via o rival entre os 4 melhores do campeonato e na final da Copa do Brasil. A declaração do dirigente deu o tom da preocupação coritibana com o vizinho – que no começo da temporada viveu situação inversa. A cada resultado cruzado, o Coxa se via mais longe do topo e convivia com a flauta dos rivais, ao invés de se preocupar mais em estancar a sangria.
4 – Cobiça
Depois da ascensão de 2009 pra cá, com reforma no Couto Pereira, aquisição de terreno para um novo CT e a revitalização da imagem do clube, não foram poucos os interessados em assumir o Coritiba. O cargo ocupado por Vilson Ribeiro de Andrade passou a ser cobiçado por vários grupos, que se movimentaram para tentar aproveitar o momento do clube, cada qual à sua maneira. Como consequência, Ribeiro perdeu aliados importantes, como Ernesto Pedroso, e teve que buscar refúgio até na torcida organizada, afastada do dia a dia do clube desde os episódios em Coritiba x Fluminense. Não só isso: a pressão interna para demitir Felipe Ximenes, que pensava o futebol alviverde, foi enorme.
5 – Luxuria
A vida particular de cada jogador não diz respeito à imprensa (à ninguém, na verdade). Mas as críticas da torcida em cima de alguns nomes do elenco, que supostamente estariam dando mais prioridade à badalada noite curitibana, só acirraram mais os ânimos dentro do clube. A ponto do atacante Bill, um dos mais cobrados – e fotografados – pelo comportamento extra-campo, discutir com torcedores logo após uma substituição. Mais tarde, pediu desculpas pelo destempero.
6 – Vaidade
Teria a liderança precoce do Coritiba enebriado o elenco alviverde? Comparações com o ano de 1985, quando foi campeão brasileiro, e a (natural) empolgação da torcida podem ter superestimado a capacidade do time. Que, em alguns momentos, dava motivos para acreditar, com as boas atuações de Alex. Ainda era cedo. A liderança escapou, o G4 escapou e a empolgação se tornou preocupação.
Como em 2009, já circulam pela internet ameaças de invasão de campo e agressão a jogadores, em caso de nova queda. Em todos os anos em que um clube campeão brasileiro caiu, houve episódio de enfrentamento entre torcedores e jogadores ou dirigentes. Em nenhum deles a pressão colaborou, apesar da cena se repetir ano após ano.
Os números são tão impressionantes quanto há 10 anos. O aproveitamento é de 72,5% – até a rodada do título, 34a – contra 72,4% em 2003; o ataque não chegou aos 102 gols, mas tem média parecida: 2,11 por jogo, com 72 nos atuais 34 jogos, contra 2,21 nos 46 jogos de 2003. O Cruzeiro atual também tem a melhor média de público, como há 10 anos e conseguiu o título com 4 rodadas de antecedência, contra 3 rodadas em 2003. A torcida celeste não tem do que reclamar. A não ser um certo desdém da mídia em não badalar o time de Marcelo Oliveira como fazia com o de Vanderlei Luxemburgo.
E tem razão nisso.
O Cruzeiro de 2003 tinha apenas uma coisa que esse não tem: personagens consagrados no principal eixo econômico do País. Alex foi ídolo do Palmeiras, campeão da Libertadores; Deivid brilhou no Corinthians e no Santos antes da Raposa; Zinho foi ídolo do Flamengo, Aristizábal marcou época no São Paulo e Vanderlei Luxemburgo é o técnico mais midiático do Brasil em todos os tempos – além, por óbvio, de multicampeão. O Cruzeiro de 2003 tinha o carinho e o respeito do centro do País e isso pesa na hora de avaliar a equipe. Aquele campeonato ainda contava com o Santos de Robinho na cola, coisa que o atual não teve. Sobrou contra Atlético Paranaense, Grêmio, Goiás e Botafogo, seus perseguidores mais próximos. Todos, exceção ao Fogão, clubes de outros centros.
O time celeste de 2013 foi montado discretamente. Seus principais nomes, Dagoberto e Julio Baptista, não foram titulares o tempo todo. A exceção é Dedé, zagueiro que trocou o Vasco pela Toca e, apesar de ser campeão brasileiro, paradoxalmente perdeu a vaga na Seleção. Fábio passou pelo Rio, no Vasco* sem marcar época e os grandes destaques da campanha, como Everton Ribeiro e Nilton, Egídio e Ricardo Goulart, acabaram preteridos em seus clubes de origem (Corinthians, Flamengo e Internacional). Personagens como Leandro Guerreiro e Luan fecham o mosaico de “párias” chefiado por Marcelo Oliveira, um técnico discreto, avesso à badalação e calmo nas entrevistas. Oliveira que tinha até então como maior feito a chegada à duas finais de Copas do Brasil seguidas com o Coritiba.
Questiona-se a qualidade técnica do campeonato, como se fosse o mais fraco dos últimos tempos, na contramão do fato do campeonato contar com os campeões do Mundo (Corinthians) e da Libertadores (Atlético-MG). De ter trazido personagens como Seedorf, Pato, Alex, Juninho, Forlán e outros. De ser o primeiro campeonato das novas Arenas para a Copa.
Debate-se o regulamento, como se os pontos corridos não fossem emocionantes, o que acaba indiretamente depreciando a campanha celeste. Curiosamente, muitas vezes são as mesmas vozes que pedem organização e moralidade no futebol brasileiro. E o Cruzeiro, com sua estrutura fantástica, salários em dia e sem entrar em salários exorbitantes, levantou a taça. Seguido pelo Atlético Paranaense, que tem perfil parecido, por Botafogo e Goiás, que mantiveram técnicos e acreditaram em projetos e pela exceção à essa regra, o Grêmio, de alto investimento e trocas de técnicos.
A falta de badalação ao Cruzeiro 2013 de fato em nada diminui a festa celeste. Foi um título bem à mineira, discreto mas muito eficiente. Se não querem badalar a Raposa, não badalem; o Cruzeiro não carece.
*Obrigado aos atentos leitores que relembraram a passagem de Fábio pela Colina. Fabio foi revelado no União Bandeirante-PR.
Chad Smith, baterista do Red Hot Chili Peppers. Você pode nunca ter ouvido falar dele ou, como eu, considerá-lo um dos maiores músicos do Planeta (os fãs de Chili Peppers que não conhecem precisam ouvir também o trabalho dele com o Chickenfoot). Pouco importa dentro deste tema que vamos tratar: o que ele fez com a camisa do Flamengo. Não viu? Veja:
Chad foi crucificado, com alguma razão, pelo episódio acima. Pediu desculpas, tentou se redimir. Bem, precisava e não precisava ao mesmo tempo. Explico: pisou na bola, mas vivemos numa era em que o humor e a flauta deram lugar à intolerância.
Há algum tempo, estive na Venezuela, de férias. Fanático por esportes, fui a um jogo de baseball, o esporte número 1 daquele país. Sabe essa sensação que você tem pelo seu time, de amor incondicional, indo ao jogo com camisa e adereços, chorando nas derrotas e explodindo de alegria nas vitórias, levando seu filho totalmente vestido como um mascote? Pois é, eles também. A mesma paixão que você tem pelo futebol, o venezuelano tem pelo baseball. E os Chili Peppers, pelo basquete, como a gente vê acima.
Logo, Chad sabe o que é torcer. Sabe que não gostaria que ninguém limpasse a bunda com a camisa do Lakers. Certo?
Certo.
Mas Chad foi tratado com repulsa e agressividade nesse canal maravilhoso chamado “rede social”. Destilaram toda a coleção de palavrões americanos e brasileiros em cima do baterista, que, afinal, é um cara legal pra caramba. Chad não precisa limpar nada com camisa alguma, mas, em BH, ele era torcedor do Atlético Mineiro – ao menos se declarou assim, no vídeo acima.
E todos sabem que o torcedor do Galo tem o Flamengo na mais alta conta de rivalidade. É o segundo lugar, após o Cruzeiro, na lista de desafetos dos atleticanos mineiros. Oras!, Chad era um deles em BH. Por que não levar na flauta? Por que o policiamento excessivo, condenando-o e convidando todos a esvaziarem o show do RHCP no Rio – coisa que desacredito – após a provocação?
Vivemos uma era de intolerância e desrespeito. Não vá longe: leia os comentários do blog. Muitas vezes, agressões gratuitas, sem a menor base, apenas pelo prazer (?) de xingar alguém ou algo. Esquecemos quase sempre que futebol, assim como basquete ou baseball, são apenas esportes.
Chad foi além do bom gosto, concordo, mas precisamos de mais gente divertida como ele do que essa xaropisse do politicamente correto e da agressividade gratuita no mundo do esporte.
Atenção defensores do ‘mata-mata’ no Brasileirão: domingo tem final do campeonato de 2013 e o Cruzeiro só ficará com a taça se vencer o Grêmio por 2-0. Isso no exercício proposto pelo blog: e se o Brasileirão fosse ‘mata-mata’ e não pontos corridos?
Bem, ressalto que gosto dos ‘matas-matas’, tanto é que temos a Copa do Brasil pegando fogo nessa reta final para atender esse anseio. Mas, para aqueles que acham que essa fórmula também deveria ser usada no Brasileirão – não é o meu caso -, como foi até 2002, uma novidade: em tese, o campeonato não seria tão diferente assim do que vemos. Na semana em que podemos ter o campeão de 2013 definido, teremos também o confronto que seria a final naquele formato, se usarmos os resultados dos confrontos entre os times como uma (concreta) base para a suposição. Possívelmente teríamos os mesmos times na Libertadores e grandes chances de repetirmos também o campeão; já na ZR, modificações importantes.
Abaixo, a tabela do campeonato ao final do 1o turno, o que equivaleria à fase classificatória no formato antigo.
Ao invés de dois cariocas, três paulistas estariam na pior: São Paulo e Portuguesa acabariam rebaixados para a Série B 2014, ao lado de Ponte Preta e do já rebaixado Náutico. O G8 deixaria de fora o Goiás (que está fora também do G4, ao menos enquanto esse artigo é escrito) e o Coritiba, pela gordura acumulada nas primeiras rodadas, quando chegou a liderar a competição, estaria dentro. O Corinthians, de um 2o turno péssimo, estaria entre os finalistas. E o G4 seria o mesmo, mudando a ordem apenas – novamente, ao menos enquanto esse artigo é escrito.
OS CONFRONTOS
Definida a primeira fase, teríamos a fase de quartas de final com quatro confrontos. Para efeito de simulação, usei os resultados dos dois jogos entre as equipes, levando em consideração o regulamento antigo: o time de melhor campanha joga a segunda em casa e por dois resultados iguais. Aproveitei também para levantar os públicos de cada jogo, com ressalvas comentadas. A presença de público nos estádios é uma das críticas aos detratores dos pontos corridos, mas perceberemos que jogo bom leva público de qualquer jeito.
O Coritiba recebeu o Cruzeiro no Couto Pereira no 2o turno no Campeonato Brasileiro e venceu por 2-1 (30a rodada), com um pênalti polêmico marcado para a Raposa. Esse seria na verdade o 1o jogo das quartas entre os times – a melhor campanha sempre decidindo em casa. O Coxa levaria a vantagem do empate para BH, mas, nesse exercício, o jogo no Mineirão seria decidido – como foi – por Luan, que marcou o gol solitário no 1-0 celeste (11a rodada). Os jogos tiveram bons públicos: 25.108 pessoas estiveram no Mineirão e 14.402 foram ao Couto Pereira. O Cruzeiro avançaria para pegar o Atlético Paranaense.
O Atlético enfrentaria o Corinthians e, como já virou regra quando se trata do campeão do Mundo 2012, foram dois empates. Em Mogi-Mirim, punido com uma perda de mando, o Timão recebeu o Furacão em um jogo em que criou pouco e viu o adversário ser melhor, mas segurou o 0-0 (27a rodada). Com isso, só a vitória classificaria os paulistas em Curitiba. No jogo da Vila Capanema, novo empate: 1-1 (8a rodada), com Alexandre Pato salvando o Corinthians da derrota debaixo de muita chuva. Foi o primeiro jogo de Vagner Mancini no Rubro-Negro, que sairia dali para o G4. O público em Mogi foi de 15.581 pessoas; sem a Arena – em obras para a Copa 2014 -, o Atlético mandou o jogo na Vila para 6.799 pagantes.
Na outra chave, o Botafogo não tomou conhecimento do Santos nos dois confrontos diretos. Com grande atuação de Elias, o Fogão quebrou uma invencibilidade de mais de um ano do Peixe na Vila (21a rodada), ainda com Muricy Ramalho no banco. O “jogo de volta” (2a rodada) aconteceu em Volta Redonda, por conta do uso do Maracanã pela Fifa. Novo 2-1 para os cariocas, selando a suposta vaga para as semis. Na Vila Belmiro, 11.301 pessoas viram o duelo alvinegro, contra apenas 2.344 pessoas no jogo de Volta Redonda – o menor público desta suposta série.
O confronto que mais chamaria a atenção nas quartas de final sem dúvida seria o Grenal. Grêmio e Internacional mediriam forças pela semifinal e dois empates levariam o Grêmio, pela melhor campanha, para as semis. O primeiro jogo da série seria, por coincidência como todos acima, no 2o turno. Em Caxias, o Inter abriu o placar, permitiu a virada e buscou o empate contra o Grêmio, 2-2 (30a rodada). No primeiro clássico da Arena tricolor, foram três expulsões com Barcos e Leandro Damião marcando os gols do 1-1 (11a rodada). Na Arena, 37.434 pessoas viram o duelo; em Caxias, com o Beira-Rio em reformas para a Copa 2014, foram 15.273.
Nas semis, Cruzeiro x Atlético Paranaense e Grêmio x Botafogo, os times que mais estiveram no G4 nesse Brasileirão.
O Furacão recebeu o Cruzeiro na Vila Olímpica do Boqueirão numa quarta à tarde e abriu 2-0 (2a rodada), mas cedeu o empate. Com isso precisaria de uma vitória no Mineirão, na volta (21a rodada). Mas um gol de Nilton definiu o placar de 1-0 para a Raposa, finalista nessa suposição. Os públicos: 30.210 no Mineirão e 3.366 na Vila Olímpica.
Na outra chave, o Grêmio ficaria com a vaga após vencer duas vezes o Botafogo: 2-1 na Arena, com golaço de Seedorf e dois gols de Vargas (7a rodada) e 1-0 no Rio, com um homem a menos e um golaço de Alex Telles (26a rodada). O público em Porto Alegre foi de 28.014 enquanto que 14.418 foram ao Maracanã.
A grande decisão seria no próximo domingo (10/11) no Mineirão. E o Cruzeiro precisaria fazer 2-0 para ser campeão. Isso porque no “jogo de ida” (14a rodada) o Grêmio fez um expressivo 3-1 na Raposa – uma das seis derrotas mineiras no campeonato. O Cruzeiro jogava bem e até mandava na partida, com as melhores chances. Até que Everton Ribeiro perdeu um pênalti, defendido por Dida, e teve Souza expulso. Aí Barcos, Kléber e Werley brilharam, com Nilton marcando para a Raposa. A 1a final foi vista por 16.529 pessoas. A segunda, no próximo domingo, promete quebrar o recorde de público do Novo Mineirão, num desafio contra o Atlético-MG, que levou 56.577 pessoas na final da Libertadores 2013.
Nota-se que os públicos melhoraram no 2o turno, o que mostra o aspecto cultural do torcedor, de “só ir quando vale” – embora todos os jogos tenham o mesmo peso. Evidentemente, como pode-se ver por exemplo na Copa do Brasil, mesmo os jogos com públicos menores nesse exercício teriam mais apelo na fase final. Os jogos seriam todos parelhos – à exceção das duas vitórias do Botafogo sobre o Santos e do Grêmio sobre o Botafogo, séries equilibradas.
Para os defensores do mata-mata no Brasileirão, uma conclusão: a cada rodada, uma decisão nos pontos corridos. Basta entender isso antes de ficar fazendo contas nas rodadas finais.
Quem errou no caso “Seleção x Diego Costa” é a pergunta que muitos se fazem no Brasil após o anúncio de que o atacante recusou oficialmente o convite para defender a Amarelinha. Entre tantos julgamentos pessoais, equívocos nas ações e erros de análises, a conclusão é bem direta: todos erraram.
A começar pela CBF. A imagem acima mostra o quanto a confederação confiava no poder de sedução da camisa mais vitoriosa do Mundo para que o sergipano optasse por defender seu país de nascença na Copa em casa. Uma chamada simples para a convocação de quinta tinha como principal destaque o agora desafeto. A CBF queria o jogador, mas pecou ao deixar em aberto a possibilidade de a convocação ser apenas uma jogada para evitar o reforço da Espanha. Faltou tato com Diego, que vem se destacando mais que qualquer outro atacante brasileiro, exceção à Neymar.
Acredito que Felipão tenha conversado com Diego Costa pessoalmente antes de divulgar seu interesse em convocá-lo. É uma análise, não uma informação. Mas se não o fez, errou. A Espanha é tão favorita quanto o Brasil para a Copa, Felipão tem histórico de fechar seus grupos de atletas sem muitas mudanças – quem deixou Romário de fora, convenhamos, não deve ter muito pudor em fazer o mesmo com Costa – e pode não ter passado a confiança necessária ao jogador para que ele optasse pelo Brasil. Por fim, Felipão falou em patriotismo; bem, alguns já lembraram que ele dirigiu Portugal contra o Brasil em amistosos e também numa Copa em que a Seleção disputava. Esse conceito é muito relativo.
E é por isso que deve se respeitar a decisão de Diego Costa: quem pode obrigá-lo a gostar do Brasil, a sentir orgulho pelo Brasil, quando fez toda sua vida na Espanha? Diego tem suas razões, mas também errou. Errou na avaliação de que não poderia ser útil ao Brasil como poderá ser para a Espanha. Hoje a Seleção carece de atacantes. Fred está machucado, Jô não vem sendo o mesmo da Copa das Confederações, Hulk e Neymar não são jogadores de área, Leandro Damião está em baixa e Pato… bem, Pato é Pato. Diego teria lugar certo na Seleção, pelo menos numa análise técnica atual. Precisaria de uma boa conversa com Felipão – e quem pode nos garantir que isso aconteceu, que Diego fechou com o técnico e acabou voltando atrás?
Por fim, erra a Fifa ao permitir essas constantes participações de jogadores de outras nacionalidades em seleções de países onde não nasceram. O conceito de seleção nacional difere de clube. Pressupõe a aferição da qualidade técnica de cada nação, diferente do que acontece em clubes. E a Espanha, claro, quer se beneficiar da qualidade brasileira. Se nacionalizar não é tão complicado, basta vontade política. É possível que além dos 14 jogadores brasileiros que podem enfrentar o Brasil na Copa 2014, vejamos muitos outros casos – aguardem a Copa do Catar em 2022 para vermos a seleção local. Claro, deve haver exceções: filhos criados e nascidos em outros locais, por exemplo. Mas essa é uma regra que poderia ser revista e que, enfim, fecha o ciclo que mancadas e micos que esse episódio expôs.
Quem vai levar a Copa do Brasil 2013? O blog apresenta as razões pelas quais você deve confiar que será o seu time – ou se preocupar, se for torcedor rival. Comente abaixo!
O Flamengo vai ser o campeão da Copa do Brasil 2013 porque é time de chegada, cresce na reta final – que o diga o Botafogo – embalado pela torcida que tem os dois melhores públicos da competição. Venceu a Copa em duas ocasiões (1990 e 2006), derrotando o adversário da semi na primeira final. Vive um novo momento com Jayme de Almeida, que conhece bem o elenco, sendo um técnico “prata da casa”. E tem Hernane, o Brocador, artilheiro da competição com 6 gols em grande fase.
Pra chegar até aqui: 10jgs – 8v – 1e – 1d – 19gp – 6gc
1-0 Remo-PA (F)
3-0 Remo-PA (C)
2-1 Campinense-PB (F)
2-1 Campinense-PB (C)
2-0 ASA-AL (F)
2-1 ASA-AL (C)
1-2 Cruzeiro-MG (F)
1-0 Cruzeiro-MG (C)
1-1 Botafogo-RJ (N)
4-0 Botafogo-RJ (N)
No Brasileirão 2013 contra o Goiás em casa: jogo será realizado no dia 09/11, entre as duas partidas da Copa.
Na história da Copa contra o Goiás: 1 vitória e 1 empate
No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:
2-2 Atlético (F)
2-4 Atlético (C)
0-1 Grêmio (C)
x Grêmio em 17/11 (F)
Na Copa contra o provável finalista:
Atlético: nunca enfrentou
Grêmio: 4v – 5e – 3d
O Goiás será o campeão da Copa do Brasil 2013 porque é o time que mais cresceu no Brasileirão, tendo vencido suas últimas 5 partidas na competição. Tem estutura e quer ganhar seu primeiro título nacional de primeira linha – tem duas Séries B, a última ano passado. Tem Walter, um dos melhores jogadores do País na temporada. É um dos seis times que ainda não trocou de técnico na Série A E já eliminou duas equipes cariocas na Copa, Fluminense e Vasco.
Pra chegar até aqui: 9jgs – 6v – 1e – 2d – 17gp – 9gc
3-1 Oratório-AP (F)
3-2 Santo André-SP (F)
1-0 Santo André-SP (C)
3-0 ABC-RN (C)
1-1 ABC-RN (F)
0-1 Fluminense-RJ (F)
2-0 Fluminense-RJ (C)
2-1 Vasco-RJ (C)
2-3 Vasco-RJ (F)
No Brasileirão contra o Flamengo em casa: 1-1 na 14a rodada.
No Serra Dourada contra o Flamengo em jogos oficiais: 5v – 10e – 4d
No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:
0-2 Atlético (F)
3-0 Atlético (C)
2-0 Grêmio (C)
x Grêmio em 01/12 (F)
Na Copa contra o provável finalista:
Atlético: nunca enfrentou
Grêmio: nunca enfrentou
O Atlético vencerá a Copa do Brasil 2013 porque é o clube que mais se preparou para isso, tendo poupado o elenco principal do desgastante Estadual. Mesmo sem a Arena, joga no alçapão da Vila Capanema, estádio que permite a pressão da fanática torcida rubro-negra. Tem Ederson, o artilheiro do Brasileirão e o técnico Vagner Mancini, um dos treinadores* na disputa que já venceu a Copa do Brasil, em 2005, pelo Paulista de Jundiaí. Demonstra muita regularidade ao estar há 14 rodadas no G4 da Série A. E tem a oportunidade de ver o ídolo Paulo Baier levantar um título de expressão para o Furacão, antes de se aposentar.
Pra chegar até aqui: 9jgs – 5v – 3e – 1d – 15gp – 5gc
1-0 Brasil-RS (F)
2-0 Brasil-RS (C)
6-2 América-RN (F)
0-0 Paysandu-PA (F)
2-1 Paysandu-PA (C)
0-1 Palmeiras-SP (F)
3-0 Palmeiras-SP (C)
1-1 Inter-RS (F)
0-0 Inter-RS (C)
No Brasileirão contra o Grêmio em casa: 1-1 na 6a rodada
Como mandante contra o Grêmio (1959-2013): 7v – 10e – 6d
No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:
2-2 Flamengo (C)
4-2 Flamengo (F)
2-0 Goiás (C)
0-3 Goiás (F)
Na Copa contra o provável finalista:
Flamengo: nunca enfrentou
Goiás: nunca enfrentou
O Grêmio vai ganhar a Copa do Brasil 2013 porque é o maior bicho-papão deste torneio: 4 títulos em 7 finais, com outras 3 semis. Conta no banco com Renato Portaluppi (Gaúcho, pra quem não é do RS), maior ídolo da sua história. Quer coroar o ano de estreia na Arena Grêmio com um título nacional e voltar à Libertadores para compensar a decepção com o time milionário de Luxemburgo neste ano. Se precisar de pênaltis, tem Dida, o paredão que classificou a equipe contra o Corinthians.
Pra chegar até aqui*: 4jgs – 1v – 2e – 1d – 2gp – 1gc
0-1 Santos-SP (F)
2-0 Santos-SP (C)
0-0 Corinthians-SP (F)
0-0 Corinthians-SP (C) – Pênaltis: 3-2
*entrou na fase de 8as de final por ter disputado a Libertadores
No Brasileirão contra o Atlético em casa: 1-0 na 25a rodada
Na Copa contra o Atlético: 1 vitória e 1 empate
No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:
1-0 Flamengo (F)
x Flamengo em 17/11 (C)
0-2 Goiás (F)
x Goiás em 01/12 (C)
Na Copa contra o provável finalista:
Flamengo: eliminou-o em 89, 93 e 95 na semi, venceu-o na final de 97
Goiás: nunca enfrentou
*Renato ganhou a Copa pelo Fluminense em 2007, alerta e corrige um leitor.
A pergunta é direta, simples e objetiva: quem paga a conta pelos prejuízos causados aos clubes e à sociedade pelas nominadas “Torcidas Organizadas”?
Nesta semana, Cruzeiro, Atlético Paranaense, São Paulo e Goiás entraram para a lista de clubes que terão prejuízos materiais e técnicos por conta de meia dúzia de arruaceiros que se escondem sob o símbolo das torcidas “organizadas”, como se fossem intocáveis. E talvez sejam: não pagam a conta de nada, por mais que sejam facilmente identificados individualmente. Ninguém é preso ou punido. A conta estoura no torcedor comum e no próprio clube, que de fato é quase tão culpado quanto, pois acaba dando guarida.
Ou é mentira que várias diretorias Brasil afora dão espaço aos “organizados” por conta de apoio político? Pode ser em forma de ingressos, cargos no clube ou tolerância com os chamados protestos por conta de desempenho. Os organizados fazem parte das vidas dos clubes, normalmente de maneira negativa.
Ok, virão aqui os defensores das TOs e lembrarão que boa parte da festa parte deles, que “estão ao lado do clube onde ele joga” (nunca é demais lembrar que uma passagem de avião em dia de semana é artigo de luxo), que alimentam a magia dos estádios e tudo mais. Bem, há algum fundamento e generalizar é errado. Assim como em todas as classes, há os bons e os ruins. Nas TOs, também. Há gente de bem, interessada apenas em fazer festa e curtir seu clube. Mas ao serem coniventes com os seguidos episódios de violência e confusão, os bons dão guarida aos maus. Assim como um dirigente de clube é responsável pela sua gestão, os organizados deveriam se responsbilizar pelo todo. Não o fazem.
“É impossível ter controle de uma multidão”, dizem. Fato. Mas é possível faturar com ela. A grande receita das organizadas vem da vampirização das mesmas em cima da marca do clube. São as camisas que vendem, por exemplo, a custo mais baixo que os (caros) uniformes oficiais, que dão verba aos comandos. Isso sem que se repasse um centavo aos cofres dos clubes, que invariavelmente aceitam essa situação pelos interesses já citados.
E se o São Paulo, em uma recuperação espetacular com Muricy, acabar rebaixado à Série B por ter perdido o direito de mandar seus jogos no Morumbi? Ou o Atlético perder sua vaga na Libertadores por não poder jogar mais em Curitiba, ou então o Goiás, que perdeu seu direito de decidir a Copa do Brasil no Serra Dourada? Pior: se o Cruzeiro ver seu título ameaçado pelo prejuízo técnico de não jogar em Belo Horizonte em partidas decisivas?
Soltos por aí, os arruaceiros seguem tomando conta do futebol. E quem paga a conta? Você, é claro.
Fico com o testemunho da repórter do Terra Camila Srougi, que na terça-feira (22) acompanhou o treino do Corinthians ao vivo aqui no Terra: Alexandre Pato treinou cobranças de pênalti exatamente como cobrou contra o Grêmio. E o problema, todos sabem, não é a cobrança, o jeito ou a eliminação.
Camila viu, mas não pôde filmar, a pedido de Tite. Pato cobrou no treino exatamente da mesma maneira que no jogo, quando Dida pegou. Os goleiros eram Danilo e Walter, que no jogo pegou duas. A bola entrou, conta Camila, que ainda comentou com o cinegrafista do Terra, Josué Rabelo: “Que marra!” No geral, as cobranças de Pato não foram boas. Perdeu mais que acertou, batendo uma ainda na trave. Mas ninguém o recriminou no treino, da forma como o crucificam agora.
O problema, repito e explico, não é a perda. É a apatia.
Alexandre Pato foi a contratação mais cara da história do futebol brasileiro. Marcou aquilo que pode ser o início de uma era na contramão do que estamos acostumados, com craques saindo e voltando só próximos a aposentadoria. No entanto, sua postura apática em entrevistas, como se a vida passasse ao largo de seus olhos, como se nada realmente importasse, é o que faz com que se tente crucificar Pato nesse momento, especialmente em um clube inflamado como é o Corinthians. Pato parece não ter sangue, parece não ter sentimentos. E é isso que incomoda na realidade.
O Corinthians é o atual campeão do Mundo, não nos esqueçamos. É também o clube brasileiro que mais fatura, que mais recebe, que mais movimenta dinheiro. Pressupõe-se que não possa perder. Mas pode. Do outro lado estava o Grêmio, que dispensa apresentações. Futebol é assim e ao condenar Tite, Pato e outros pelo “fracasso” do Timão, é preciso entender que outros 19 clubes na Série A também trabalham – sim, com menos recursos, mas é isso que gostamos no futebol, não?
Achar um “culpado” pela eliminação do Corinthians passa também pela presunção de que o clube paulista iria ganhar tudo. Já ganhou, o ciclo acabou, isso está cada dia mais claro. O problema, para os corintianos, é que o ícone escolhido para revitalizar as ambições do clube vive como se não tivesse nada a ver com isso. Como se estivesse assistindo um filme ruim numa sala de consultório de dentista, apenas esperando sua vez chegar. Pato ganhou fama e dinheiro muito cedo; títulos também. Vive o mal das novas gerações, automatizado, vitima até de um media-training que o coloca como um boneco falante de frases prontas.
Pato não é um demônio, como querem pintar hoje, após a perda de um pênalti que, sim, ele treinou como bater. Pato apenas é a apatia em forma de alto investimento no futebol. Pode acordar para a vida a partir de agora, quando é cobrado de todos os lados. Pode tentar ser o protagonista que se espera, salvar a vaga que deve perder na Seleção – cá entre nós, nem deveria ter a chance pelo que vem rendendo – para o ótimo Diego Costa.
Ou pode seguir como está, vendo a banda passar, até encerrar a carreira em algum clube de segunda linha, mergulhado no ostracismo.