Mário Celso Petraglia no “Entrevista Coletiva”

No domingo 18/09, a Band Curitiba apresentou dois programas especiais com Mário Celso Petraglia, o polêmico ex-presidente do Atlético, pai da revolução rubro-negra e, porque não, de uma revolução no futebol paranaense num todo. É o “Entrevista Coletiva”, que vai ao ar aos domingos na Band, canal 2.

Foram quase 80 minutos de papo com Petraglia, discutindo conceitos de administração futebolística, Copa 2014, rivalidades, futuro, futebol brasileiro, CBF e, claro, o Atlético. Participaram do papo eu, os jornalistas Fabrício Binder, Henrique Giglio e Zé Beto e o ex-jogador Caxias, comentarista de futebol.

Abaixo, estão as duas primeiras partes do vídeo, nas quais Petraglia fala sobre o momento do Atlético e a Copa em Curitiba:

Assista e comente; em breve, as demais quatro partes que fecham o pacote.

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“Time grande não cai!”

Não cai? Então é a hora de mostrar.

É um mantra atleticano. Algo que começou como uma provocação aos rivais (afinal, o Atlético já disputou a segunda divisão, mas o “não cai” é em virtude das quedas recentes de Coritiba e Paraná) mas que hoje é repetido por 11 em cada 10 rubro-negros na esperança de que o lema se faça real mais uma vez.

E chegou a hora de o Atlético provar, seguindo o lema, que é time grande.

Ainda que a máxima contradiza o que já aconteceu com Grêmio (2x), Fluminense (mais que 2x), Guarani, Sport, Bahia (foi até a Série C), Botafogo, Palmeiras, Coritiba, Atlético-MG, Vasco e até o Corinthians, se time grande não cai, é o momento de o Furacão mostrar que faz parte dessa selecionada casta de clubes.

O Atlético é o sexto time a mais tempo disputando o Campeonato Brasileiro. Perde para os nunca rebaixados Flamengo, Inter e Cruzeiro e para Santos e São Paulo, que não disputaram 1979 por opção (e eram mais de 90 clubes…). Subiu em 1995 e, apesar de ter passado perto em algumas ocasiões, sobreviveu. Namora com o rebaixamento há algumas temporadas (desde 2006), deu uma puladinha de cerca o ano passado com um honroso 5o lugar, mas esse ano o casamento parece inevitável.

Time grande que não cai, não pode se omitir da luta. Time grande joga em qualquer campo. Por isso, se é pra valer a máxima, o Atlético tem que ganhar do Bahia na marra em Salvador, na próxima quarta-feira. Se ganha, respira, volta a estar a dois pontos de deixar a famigerada ZR; se empata, segue na UTI, lutando contra o tempo. Mas se perder, verá um ou até dois adversários abrirem cinco a sete pontos de diferença. Três rodadas a menos, faltando 13 para o fim. Óbito (ou casório) com data marcada.

Não há outro caminho: chegou a hora de o Atlético fazer valer o status de time grande, de campeão brasileiro. Fazer o que o xará de Minas fez com ele: ganhar no terreno do rival (o Galo, há poucas rodadas, venceu o Atlético na Arena, 0-1). Fazer valer a estrutura do CT, os investimentos milionários em Morro Garcia e Guerrón (que estarão em campo), o estádio de primeiro mundo, etc, etc.

Há uma esperança: 2008. A Globo.com tem trazido comparações rodada a rodada com outros torneios de pontos corridos. Com 24 rodadas, naquele ano, um desacreditado Atlético tinha 23 pontos, mesma pontuação atual, dois a menos que o Fluminense, primeiro time da ZR, com 25. Hoje o Altético-MG, primeiro logo acima, tem 24. E os primeiros times fora da ZR era o Santos, com 26 – hoje, o Bahia tem 27.

Um resgate história mostra a campanha atleticana dali em diante, que resultou na fuga, numa dramática vitória na última rodada sobre o Flamengo (5-3). Acompanhe (dados da Furacão.com):

24a. rodada – Goiás 4 x 0 Atlético – Mais um sintoma do rebaixamento próximo: goleado.
25a. rodada – Atlético 2 x 0 Portuguesa – Vitória em casa na marra. Parecia que o time embalaria.
26a. rodada – Atlético 0 x 0 Grêmio – Drama em casa e nova estacionada.
27a. rodada – Coritiba 1 x 1 Atlético – Rafael Moura abriu o placar, mas Ariel freou o Atlético.
28a. rodada – Santos 4 x 0 Atlético – Goleado por um adversário direto. Três jogos sem vencer.
29a. rodada – Atlético 1 x 3 Fluminense – O famoso jogo do pênalti com a mão de Rafael Moura. Aqui, o Atlético foi dado como morto.
30a. rodada – Inter 2 x 1 Atlético – Em cinco jogos, dois pontos ganhos. Mas a sorte ajudou: era só um ponto para sair da ZR, abaixo de Náutico e Portuguesa. Faltavam 7 jogos.
31a. rodada – Atlético 1-0 Cruzeiro – Rafael Moura voltou a aparecer.
32a. rodada – Vasco 2-2 Atlético – O Furacão ia quebrando o tabu de nunca vencer em São Januário, mas Madson empatou aos 42/2T. Mas a distância ainda era só de 1 ponto para Lusa e Timbu.
33a. rodada – Atlético 1-0 Sport – Rafael Moura, aos 46/2T, numa cabeçada inacreditável, garantia três pontos e a saída da ZR. Pasmem: o time pulou do 18o. para o 14o. lugar.
34a. rodada – Figueirense 0-2 Atlético – Jogo chave, tal qual esse que se aproxima contra o Bahia. Vitória fora com gols de Alan Bahia e Rafael Moura.
35a. rodada – Atlético 2-1 Vitória – Terceira vitória seguida. Sequência ainda não vista em 2011.
36a. rodada – Botafogo 2-2 Atlético – Empate no Rio manteve proximidade da ZR.
37a. rodada – Náutico 2-1 Atlético – Derrota fora de casa para adversário direto. A distância da ZR caiu para um ponto do Figueirense.
38a. rodada – Atlético 5-3 Flamengo – Dependendo só de si, jogo tenso, mas com muitos gols, e vitória sobre o Flamengo em casa. Escapou.

O Atlético fez 22 pontos nos 14 jogos finais. Com 45 no total, ainda chegou a um improvável 13o. lugar. Caíram Figueirense, Vasco, Portuguesa e Ipatinga.

No entanto, o que fez a diferença foi o ataque. Algo que não aconteceu contra o Figueirense ontem, como você pode ver abaixo:

Na quarta, não outra saída. Se time grande não cai, chegou a hora de o Atlético mostrar que é um deles.

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Redenção

O ano de 2011 tem sido generoso com o Coritiba. Recordes em campo, título invicto no Estadual com 3-0 sobre o Atlético na Arena e até uma decisão nacional no curriculo.

Mas é fora de campo que o clube mostra que não só escapou da falência (problema alertado pelo artífice da volta, Vilson Andrade) como está bem vivo naquele que é considerado o grande patrimônio de todo clube: a torcida.

A CBF divulgou a média de público do Coxa no Brasileirão. E a saudade da Série A somada ao resgate do orgulho alviverde colocam o Coritiba como o quarto clube do País em presença de torcida no seu estádio. Confira a classificação geral da Série A até a 23a. rodada:

1   26.715         Corinthians/SP
2   22.333         Bahia/BA
3   19.277         São Paulo/SP
4   18.748         Coritiba/PR
5   16.094         Flamengo/RJ
6   15.341         Grêmio/RS
7   15.305         Palmeiras/SP
8   15.275         Internacional/RS
9  14.788         Atlético/PR
10  13.151         Atlético/MG
11  12.143         Ceará/CE
12  12.107         Botafogo/RJ
13  11.336         Figueirense/SC
14  9.065         Vasco/RJ
15  8.866          Cruzeiro/MG
16  8.421         Fluminense/RJ
17  7.835          Santos/SP
18  6.617          Atlético/GO
19  6.455          Avaí­/SC
20  2.493          América/MG

Os números são muito significativos. O Coxa está a frente de clubes com torcida maior e mais: com maior número de sócios, como Grêmio e Internacional; supera também as (decepcionantes) médias de público do Fluminense, atual campeão brasileiro, e do Santos, atual campeão da Libertadores. Não só isso: a manter os números, a média de público coritibana em 2011 será a quarta maior da história do clube na Série A – a maior foi em 1980, com 21.754 torcedores presentes em média nos 11 jogos que disputou na época.

Apesar de estar atrás do rival, a média do Atlético também é digna de nota. Com uma campanha abaixo do normal, o clube arrasta mais gente que Botafogo e Vasco, que disputam o título. Na história, o Atlético é o clube paranaense com a maior média de público na Série A: 23.801 torcedores em média acompanharam o Furacão em 1983.

Não há dúvidas que a saída para competitividade e redenção do futebol paranaense é a participação ativa dos torcedores e sócios – que será ainda mais direta em dezembro, quando quase 10 mil torcedores de cada time decidirão as eleições na dupla.

Curiosidades:

– Se é o quarto melhor em média, o Coxa tem participação no pior público do Brasileirão/11: foi no jogo América-MG 1-3 Coritiba, em Sete Lagoas, para 732 heróis.

– Aos paranistas: a maior média de público do clube na elite nacional foi em 2005: 11.414 torcedores por jogo.

– O registro histórico das médias está no confiabilíssimo site RSSSF (Fundação do registro histórico do esporte futebol, em tradução livre)

Grato ao leitor Gilmar Alberto pela dica de tema.

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Os planos de Petraglia

Não importa seu time ou seu posicionamento político, se caso você for atleticano: é impossível ser indiferente a Mário Celso Petraglia quando o assunto é futebol paranaense. Polêmico, empreendedor e por vezes considerado antipático, Petráglia não costuma se esconder quando provocado. E sempre parece ter uma resposta na ponta da língua para qualquer questionamento.

Idolatrado por uns, odiado por outros, o ex-presidente do Atlético é, até agora, o único candidato a presidência do clube no final do ano. E esteve nos estúdios da Band Curitiba para gravar o programa “Entrevista Coletiva”, apresentado pelo diretor de jornalismo da casa, Fabrício Binder, e que contou ainda com os jornalistas Zé Beto e Henrique Giglio, o comentarista Caxias e este que vos escreve. Sabatinado, Petraglia respondeu vários temas, que irão ao ar no domingo 18/09, em duas edições; 7h30 AM e 0h30 AM na madrugada de domingo para segunda.

Entre os assuntos, Petraglia anunciou o início das obras na Arena, para a Copa, para o mês de outubro, além de dizer que o clube não sai de lá antes de 2012:

Ele evitou falar do Pinheirão e do suposto projeto do Coritiba para o local, mas assegurou que nada tira a Copa e também a Copa das Confederações da Arena.

Algo que não estará no programa (que era para ser um, mas se tornou dois, tamanha quantidade de temas) será a engenharia financeira para que o clube arranje os R$ 60 milhões que lhe cabem para a construção do estádio – Petraglia orça o projeto em R$ 180 milhões, embora governo e prefeitura não anunciaram ainda como farão para desapropriar terrenos para o entorno da Arena, por exemplo.

Pela falta de tempo, a resposta ficou só para o blog: o Atlético abrirá uma empresa com 99,9% para si e 0,01% em nome de um sócio, por exigência do modelo de empréstimo financeiro. Essa empresa já tem, apalavrada, uma linha de crédito de R$ 60 milhões oriundos do FDE, Fundo de Desenvolvimento do Estado do Paraná, que será paga em 15 anos. Petráglia ainda pleiteia uma carência de 3 anos, a partir de 2014, para começar a pagar.

Ele vislumbra uma arrecadação anual de R$ 100 milhões para o Atlético no pós-Copa; na entrevista, falou do futuro do futebol brasileiro, da política da CBF, de cotas de TV, dos rivais e de uma possível parceira com o Coritiba em ações extra-campo, em especial se ele se eleger e o mesmo acontecer com Vilson Ribeiro de Andrade, por quem manifestou “imensa admiração”. E ainda prometeu fazer uma administração “voltada exclusivamente para o futebol”:

Petraglia esmiuçou, em 78 minutos de gravação, todos os planos que tem para o clube. Projetou não só o Atlético, mas o futebol do Estado e do País no pós-Copa.

O programa vai ao ar nesse domingo, 18, em horários um pouco ingratos: 7h30 da manhã e 0h30 da madrugada, já invadindo a segunda 19. Mas vale a pena acordar cedo e acompanhar, se você se interessa pelo futebol local.

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O 9 e os 3 (ou mais)

Manhã movimentada após mais uma rodada no Brasileiro, com mexidas nos elencos da dupla Atletiba.

Vamos rapidinho porque tem muito Jogo Aberto Paraná para editar ainda:

Coritiba

Marcel deve assinar daqui a pouco seu retorno ao Alto da Glória. O jogador é esperado para exames até 12h. Marcel tem uma luxação no ombro, em tratamento e, se estiver apto, retorna ao clube que o lançou.

A diretoria reluta em confirmar a informação, mas em Santos o retorno do camisa 9 é dado como certo. Até 12h30, na Band, confirmaremos.

Update:

Entre Coritiba e Marcel, tudo certo. O jogador já é do Coxa.

Mas agora resta saber se ele poderá atuar após 15 dias a contar de hoje ou só na próxima temporada. Explico:

O contrato de Marcel foi rescindido antes do fechamento da janela de transferências internacionais, o que permite que ele ainda possa se encaixar em algum clube brasileiro – no caso, o Coxa. Resta saber se a CBF vai acatar o pedido do departamento jurídico do Coritiba e legalizar a participação dele no BID, o que só deve acontecer em 2 ou 3 dias.

Fisicamente, Marcel está recuperado da lesão no ombro. Mas está fora de forma e houve um pedido para que ele tenha ao menos 10 dias antes de uma possível estréia.

Ou seja: Marcel é do Coxa, mas o torcedor só poderá vê-lo em campo em 15 dias ou mais, caso o departamento jurídico não seja atendido no pedido. “Tem chance, é 50%/50%. Pode ter contratempo sim”, me disse Ernesto Pedroso, diretor alviverde.

Atlético

“Não haverá dispensas; vamos poupar alguns jogadores”, me disse há pouco Alfredo Ibiapina, que já está em Curitiba. Ele atribuiu a palavra “dispensas” a cabeça quente do staff atleticano após a goleada em Porto Alegre, mas entende que os jogadores tem potencial para tirar o clube dessa vexatória situação, como mostraram com Renato Gaúcho.

No entanto deve haver afastamentos. “Vamos poupar alguns jogadores”, me confirmou. Entre os nomes, Fransérgio, Robston e Paulinho. Mas outros podem fazer parte dessa lista.

Sobre reforços, o clube “continua procurando”, embora o atacante de área em que as fichas estão depositadas é Nieto, que estará a disposição ainda essa semana – ou contra o Palmeiras, ou contra o Flamengo.

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As 24h que mudaram o futuro do Atlético

Lopes: um chambão para afastar a crise (Foto: Heuler Andrey)

Saber o que um coxa-branca pensa de Ney Franco é fácil; mas não se surpreenda se atleticanos também forem elogiosos ao técnico que deixou uma marca de caráter e bom trabalho no Paraná. Hoje é cada vez mais raro ver isso. E o episódio da saída de Renato Gaúcho, o não de Carpegiani e a chegada de Antônio Lopes num verdadeiro Furacão de notícias, deixaram novas lições de comportamento no futebol.

É bem verdade que a atual diretoria do Atlético não prima pela organização e pelo planejamento. E que o mercado de técnicos é cruel para os dois lados: Renato e Carpegiani saíram por conta própria, mas Geninho, ídolo campeão brasileiro, foi dispensado com mais de 80% de aproveitamento por opção da direção. Então que não se queixe disso: cada um sabe onde o calo aperta.

Mas a saída de Renato tem mais coisas por trás que apenas uma insatisfação ou um problema pessoal. Conversei com três pessoas da cúpula atleticana e é unânime: o gênio do treinador é um problema sério. Renato Gaúcho é acostumado a paparico, assédio, badalação. Não se trata de viver a noite; é aquilo que muita gente reclama ao vir para Curitiba: difícil fazer amigos, há uma timidez natural dos curitibanos que impede a criação de ídolos. Aqui, nada presta. Bem diferente do Rio, onde Renato é rei.

Ele reclamou disso antes do Atletiba 347, e com razão. Disse que sentiu faltas das provocações dos grandes clássicos, de apostas e uma movimentação sadia. Eu entendo: sob o signo do puritanismo e da reserva moral, os personagens se calam. Nós, do Jogo Aberto Paraná, tentamos movimentar o jogo, mandando as belas Kelly Pedrita e Carol Boa de Bola para trazer bastidores e outros lados do clássico. Acredite: houve quem reclamasse, houve preconceito e falso moralismo. Tudo já superado, mas mostra o tamanho da hipocrisia e mediocridade de alguns do mercado da bola em Curitiba. Renato sentiu falta disso.

Mas não justifica o comportamento recente do treinador, agindo como criança mimada ao dizer que, mesmo com um salário de quase R$ 400 mil nas costas e um clube de 87 anos com um milhão de torcedores em suas mãos, “quem quiser que pegue”. Não, isso não é coisa de homem sério, comprometido. Desculpe, Renato, mas nessa você errou. Como errou ao destratar funcionários do Atlético, coisa que também ouvi nas conversas ao tentar entender a saída, quase ao estilo Lothar Matthaus – deixando a todos atônitos.

Do que está acima para a fritura pública de Madson (que todos sabem, não é santo, mas está correndo em campo, independente do que possa fazer fora dele), sem muitas explicações, foi um pulo. E, após soltar um “desse jeito eu não consigo trabalhar” num bate-boca por reforços com a diretoria de futebol, Renato somou as pontas e decidiu partir. Talvez na melhor hora, pois há tempo do Atlético se recuperar. E, para ele, sorte no futuro, que pode ser o Vasco, com Libertadores e no seio do seu amado Rio de Janeiro.

E então o Atlético foi atrás de Carpegiani. Sim, aquele que havia trocado o Rubro-Negro pelo São Paulo FC, depois de sair do ostracismo para brigar por uma vaga na Libertadores, abandonando o barco no meio do projeto. Não o condeno. Ele é profissional e tem que ir onde pagar melhor. Mas no mar de erros do Furacão, a volta dele, antítese da necessidade de compromisso que o clube precisa, poderia ser ainda pior.

Carpegiani chegou a ser confirmado por colegas mais afoitos. Houve quem o anunciasse como treinador. Entre os quase 50 telefonemas que dei ontem atrás da informação correta, pintou a dúvida: a diretoria queria o ex-técnico, acreditando ser ele, por conhecer o grupo, o único capaz de sair do buraco. Sabendo da crise atleticana, da restrição de 90 dias de contrato imposta pelo presidente Marcos Malucelli, e de que o Atlético arcava com quase 400 mil de salários para Renato, Carpegiani pediu 500 mil reais por mês até dezembro. Um milhão e meio de reais até o final do ano, com eventuais prêmios. Mais do que a patrocinadora-máster do clube paga anualmente.

Houve discussão entre os diretores, das 18h às 22h30, por telefone e presencialmente. E decidiu-se não pagar isso a Carpegiani, apostando num plano B. E aí surgiu Antônio Lopes, o mesmo que deixou o clube em 2010 após um empate com o Coxa na Baixada (1-1), em meio a problemas com Leandro Niehues e Ocimar Bolicenho. Entre 2000, 2005, 2007 e 2010, Lopes teve altos e baixos na Arena, com o vice da Libertadores, uma oitavas-de-final de Brasileiro e a fuga do rebaixamento em 2009 no currículo.

Mas esse não é o principal trunfo de Lopes nessa nova chegada. Ao telefonar para Lopes, o Atlético encontrou um homem solícito e disposto, que não quis discutir dinheiro e aceitou ajudar o clube pelo qual manifestou carinho (e agora, divide seu maior número de trabalhos com o Vasco). Disse-me, em entrevista ao Jogo Aberto Paraná: “Eu tenho carinho pelo Atlético e acho que posso colaborar. A situação é difícil, precisamos de 50% de aproveitamento. Mas o elenco é bom e no domingo vou para a beira do campo”.

Por essas e outras, ainda que por linhas tortas, o Atlético acertou ao trazer rápido alguém comprometido com a situação do clube. Se dará certo, não se sabe; afinal, a diretoria cansou de brincar com a sorte que, mais cedo ou mais tarde, falhará. Mas entre homens como Ney Franco e Antônio Lopes, sempre vale mais o compromisso que, no momento, é o que o Atlético mais precisa.

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2o. Turno do Brasileiro: em que acreditar – e por que

Por que e em que acreditar nesse segundo turno do Brasileirão?

Vai começar o segundo turno do Brasileirão. É apenas simbólico. Na verdade, tudo continua como antes, apenas com a tabela com menos jogos pela frente. Mas o que é a vida senão uma sequência de interpretações simbólicas, como quando pulamos sete ondas e vestimos branco no ano novo? Poderia ser apenas mais um ciclo de 24h, mas não é. E se for para usar como impulso, porque não?

Sendo assim, farei uma análise técnica, apesar do momento ser puramente sentimental, do que esperar das equipes no segundo turno no Brasileirão 2011. A começar pela dupla da terrinha na Série A:

Atlético

1o. Turno: 17º lugar, 18 pts, 31.6%

Resumo: Viveu o pior início de Brasileiro de todos os tempos, conseguindo a primeira vitória somente na 11ª rodada, ao superar o Botafogo em casa (2-1). Foi o terceiro jogo de Renato Gaúcho no comando do Furacão; com ele, em 30 pontos, a equipe fez 17 – 56,6% de aproveitamento, o mesmo do Palmeiras, sexto colocado, o que fez o time se agarrar na esperança de repetir o feito do Grêmio/10 do mesmo Renato: da ZR para a Libertadores.

Renato: com ele, o Atlético mudou (foto: Joka Madruga)

Pior momento: A derrota para o Fluminense (1-3), na 7ª rodada, com erros do então goleiro Márcio e do zagueiro Rafael Santos. A equipe completava a sexta derrota em sete jogos e o único ponto fora conseguido em casa, no empate com o Flamengo (1-1).

Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2), em confronto então direto, já que o Peixe de Neymar amargava a ZR. Era o início da reação que chegou a tirar o Furacão da ZR por uma rodada – o que pode voltar a acontecer se vencer o xará mineiro nesta quarta.

No que acreditar: Nas mudanças que já aconteceram e nas que podem vir, como a chegada de algum centroavante (pedido insistente do técnico) ou o retorno e decolagem dos gringos Morro Garcia, Nieto e/ou Guerrón. Para entender o que já mudou, vamos ver as diferenças entre o time da estréia e o provável time do início do 2º turno:

1ª rodada: Atlético-MG 3-0 Atlético

Renan Rocha; Rômulo (Wendel), Manoel, Rafael Santos e Paulinho; Deivid, Cléber Santana (Adaílton), Paulo Roberto e Marcelo Oliveira; Paulo Baier (Madson) e Guerrón.
Técnico: Adilson Batista

Em negrito estão os jogadores que deixaram o time titular do Atlético de lá para cá; alguns sequer são opções do novo treinador, Renato Gaúcho. Do banco ao ponta, nada menos que seis mudanças em relação ao provável time:

20ª rodada: Atlético x Atlético-MG

Renan Rocha; Wagner Diniz, Gustavo, Fabrício e Paulinho; Deivid, Kleberson, Cléber Santana, Marcinho e Madson; Edigar Junio.
Técnico: Renato Gaúcho

Do time acima, além da recuperação do futebol de Cléber Santana e da entrada de Fabrício, destaca-se o crescimento de Deivid e a chegada de Marcinho, ao lado de Renato, símbolo da recuperação atleticana.Vale dizer que a escalação acima está sem dois titulares: o zagueiro Manoel e o lateral-direito Edilson. Aposta ainda nas recuperações físicas de Paulo Baier e Paulo Roberto e nas recuperações técnicas de Madson e do trio de ataque internacional.

Com o que se preocupar: Não tem atacantes. Como futebol tem por base o número de gols marcados, é alerta vermelho nesse item. Também depende da estabilidade emocional do técnico Renato Gaúcho e da permanência do mesmo até o final do ano, já que o “projeto” passa totalmente por ele. Se acontecer o mesmo que em 2010, quando Carpegiani trocou o clube pelo São Paulo FC, pode dar problema.

Projeção: Escapa do rebaixamento, mas não aspira nada mais que a Copa Sul-Americana. Para tanto, precisa de cerca de 26 pontos em 57, 45,6% – menos que o índice atual de Renato.

Coritiba

1o. Turno: 9º lugar, 26 pts, 45.6%

Resumo: Começou o campeonato dividindo atenções com a Copa do Brasil, da qual foi finalista. Com o passar dos jogos, deu a impressão de ter sentido a perda do título da copa e de não estar 100% no Brasileiro. Faz uma campanha regular – ótima para um clube que esteve à beira da falência em 2009-10 – mas aquém do que a equipe demonstrou ter poder para fazer e abaixo da exigência da torcida, que ficou com um gosto de “quero mais” ainda em 2011.

Pior momento: Pode ser considerado o jogo contra o São Paulo FC em casa (3-4), quando chegou a estar perdendo por 0-4 e atuando com um homem a menos. Ainda assim, o Coxa não teve um momento ruim: acabou diminuindo suas pretensões em pequenos tropeços, como na estréia com o Atlético-GO (0-1) ou empates em casa com Inter (1-1) e Palmeiras (1-1).

Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2) na Vila Belmiro, épica. Virou uma partida contra um adversário em recuperação, com Neymar e Borges no ataque, superando uma arbitragem confusa, que errou em demasia, em especial em um lance claro de pênalti em Leonardo. Ali, provou que as cobranças da torcida por melhores resultados tem fundamento.

No que acreditar: Na qualidade do elenco, que em 2011 já demonstrou que pode mais do que vem fazendo, em jogos como o 6-0 no Palmeiras pela Copa do Brasil e nas goleadas nos Atletibas, 4-2 e 3-0. A perda preciosa de pontos contra adversários diretos em casa e resultados ruins contra times em situação inferior na tabela desanimaram, mas sabe-se que o time tem potencial. Em relação a estréia no campeonato, pouco mudou, o que fortalece o conjunto:

1ª rodada: Coritiba 0-1 Atlético-GO

Edson Bastos; Jonas (Willian), Cleiton, Emerson e Lucas Mendes (Geraldo); Leandro Donizete, Léo Gago, Rafinha e Davi; Anderson Aquino (Éverton Costa) e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.

Em negrito, os jogadores que não vêm sendo muito utilizados – Cleiton, por exemplo, foi emprestado e se machucou. Levando-se em conta os desfalques de Tcheco e Jéci por suspensão, o Coxa estréia no returno assim:

20ª rodada: Atlético-GO x Coritiba

Edson Bastos; Jonas, Pereira, Emerson e Lucas Mendes; Leandro Donizete, Léo Gago, Willian e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.

Na rápida comparação, o time é praticamente o mesmo da estréia e quem não estava, pode ser considerado reforço. Pereira é segurança na zaga, apesar de ter dificuldade em jogadas mano a mano; Willian ganhou o respeito da torcida e o titular, Tcheco, dá ritmo a meia-cancha mais do que Davi fez enquanto teve chances; e Marcos Aurélio é mais atacante que Anderson Aquino.

O otimismo com o Coritiba é justificável se os próprios jogadores reencontrarem o nível de atuações que vinham tendo no Estadual, na Copa do Brasil e em algumas rodadas do Brasileiro.

Coxa comemora: segredo está no elenco

 

Com o que se preocupar: Com a fase de Edson Bastos. A muralha alviverde vive período conturbado, cobrada pela torcida. Pode sentir e goleiro, como diz a música, não pode falhar. Também tem carências no ataque, ressentindo-se de um matador; Bill oscila bons e maus jogos, o que explica também a oscilação do time.

Projeção: Classifica-se ao torneio consolação, a Copa Sul-Americana. Para fazer mais, precisará somar 33 a 34 pontos em 57, 59,6% de aproveitamento – é o índice que tem hoje o Botafogo, detentor da vaga que o Coxa aspira.

E os demais?

América-MG (20º/13pts): Dificilmente escapa do rebaixamento. Será decisivo em jogos contra rebaixáveis e aspirantes ao título: quem perder pontos para o Coelho, estará em maus lençóis.

Atlético-GO (12º/25pts): Brigará para não cair no final do campeonato, mas é um dos que menos corre riscos. Ficará com vaga na Sulamericana.

Atlético-MG (19º/15pts): Vive situação dramática, mas tem elenco, torcida e camisa. Vai até o fim brigando para não cair. A sequência de derrotas com Cuca (o coxa-branca sabe) pode ser fatal.

Avaí (18º/17pts): Já demonstrou que não vai se entregar com facilidade, em jogos contra Figueirense e São Paulo. Mas é outro que briga para não cair com dificuldades.

Bahia (16º/20pts): Não está fácil ser um dos primeiros do alfabeto: também brigará para não cair. Está em decadência e perdeu Jobson por problemas extracampo. Amargou anos nas divisões inferiores e, apesar da gigantesca e apaixonada torcida, terá dificuldades quando precisar de fôlego.

Bahia: só com muita fé do povão

 

Botafogo (5º/34pts): Vai chegar a Libertadores. Tem elenco e um bom técnico, Caio Júnior. Desta vez a frase “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” não irá emplacar.

Ceará (13º/25pts): Enganou bem, mas vai acabar brigando para não cair. Tem um time envelhecido e instável.

Corinthians (1º/37pts): É líder e vai até o final brigando pelo título com Flamengo e São Paulo. E se acostume, porque com os novos valores das cotas de TV, será assim até o fim. Meu palpite? Não fica com a taça.

Cruzeiro (7º/ 27pts): Está abaixo do que pode render. Depende demais de Montillo em dias inspirados. Mas pode engrenar e ser o principal adversário do Botafogo na briga pela Libertadores.

Cruzeiro e a Montillodependência

 

Figueirense (10º/26pts): Sabe aquela equipe que fica o campeonato inteiro no meio da tabela e quando menos percebe, está ameaçada de rebaixamento? Então, é o Figueira.

Flamengo (2º/36pts): Está em segundo, mas pela campanha no ano, o técnico que tem (Luxemburgo) e os craques Thiago Neves, Ronaldinho, mesmo dependendo de Deivid ou Jael, é o favorito para o título. Poderá ser Hexa em 2011.

Ronaldinho tem feito a diferença no Fla

 

Fluminense (11º/25pts): O atual campeão brasileiro não cai, não vai disputar título, não vai para a Libertadores… 2012 tá aí.

Grêmio (15º/21pts): Viverá um final de ano dramático. Vai até o fim brigando para não cair. Ao lado de Atlético e Atlético-MG, é daqueles que tem de onde tirar recursos quando o cinto apertar de vez.

Internacional (8º/27pts): Sonha com a Libertadores e tem elenco e estrutura para tanto. Terá que correr para pegar Cruzeiro e/ou Botafogo. É o que menos tem chances dos três.

Palmeiras (6º/32pts): Só Felipão salva. Assistir o Palmeiras jogar é um desafio a compreensão do porquê o Alviverde paulista está entre os postulantes à Libertadores. Construindo estádio, não terá fôlego para a briga. Sulamericana à vista.

Santos (14º/22pts): Fará uma campanha de recuperação no 2º turno e chegará entre 12º e 8º lugar antes de ir medir forças com o Barcelona e outros menos famosos no Mundial de Clubes.

São Paulo (3º/35pts): Acabará sendo o principal obstáculo do Flamengo ao Hexa. E pode ser Hepta, coroando de vez a era Rogério Ceni. Tem força, elenco e vai brigar até o fim.

Vasco (4º/35pts): Com a missão do ano cumprida, já achava difícil que o Vasco tivesse pernas para ir até o fim sonhando com a dupla coroa nacional; sem Ricardo Gomes, vai depender muito de como a equipe e a diretoria reagirão ao que acontecer com o treinador.

Concorda? Discorda? Opine abaixo!

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Polêmicas do Atletiba 347

Fechando a série de posts sobre o Atletiba 347, repriso aqui lances e comentários feitos no Jogo Aberto Paraná da Band Curitiba, que vai ao ar de segunda a sexta, 12h30, para Curitiba, RMC, Paranaguá e litoral e Ponta Grossa e Campos Gerais.

São lances que separei a pedidos de muita gente que nos dá a alegria da companhia. É polêmica, então não espero concordância e sim disponibilizo os momentos para uma análise mais aprofundada para mim e para vocês.

1) Bill cuspiu em Fabrício?

As imagens acima são da TV Bandeirantes e são as únicas a que tive acesso. Por elas, é impossível ter uma conclusão, ainda que utilizemos o recurso zoom.

No entanto, fiquei com alguns indícios de que Bill NÃO cuspiu em Fabrício. Pelas imagens, percebe-se que ambos seguem se estranhando após o lance, mas, se cuspido fosse, difícilmente Fabrício não reagiria: cuspe na cara é uma desonra enorme para quem leva e maior ainda para quem executa. Um telespectador/leitor já perguntou se não questionamos ambos sobre isso: não. Nem Bill, nem Fabrício, estiveram na coletiva do Atletiba. Amanhã, com as coletivas da semana, pode ser que isso tenha sido feito. Eu não estive em nenhum treino. Mas falo mais se souber mais.

Em tempo: outros perguntaram se foi pênalti de Fabrício em Bill no mesmo lance. Pra mim, não: Bill perde a passada e se joga. Lance normal.

Update: O repórter Osmar Antônio, da Rádio Banda B, afirmou que, ao perguntar para o zagueiro Fabrício se Bill teria cuspido nele, a resposta foi sim. Repito o que afirmei no Jogo Aberto Paraná nessa terça: as imagens da Band não mostram o cuspe. Se outro canal tem, seria de bom tom jornalístico oferecer. Ainda: acredito que agora cabe ao jogador e ao clube irem atrás do que acham correto. Por fim, uso o update e não uma edição porque quero manter o teor original do texto, sem compromisso com o erro.

2) Houve inversão na falta que originou o lance do Atlético?

Não. Mas se Héber Roberto Lopes marcasse falta e amarelasse o meia Branquinho, do Atlético, também estaria correto.

O lance é claro: Willian faz a falta por baixo no mesmo momento em que Branquinho reage por cima, esticando o braço no rosto do atleta do Coxa. Foi falta de Willian; foi falta de Branquinho. A questão é o tempo.

Héber entendeu que Willian “bateu” antes e apitou. O resto vocês já sabem.

3) Foi pênalti no lance com Jéci e Madson?

Não. Enquanto a Fifa (ou no caso a International Board) determinar que o que vale é a intenção no eventual toque da mão na bola, nenhum lance assim pode ser considerado pênalti. Diferentemente do basquete, quando a bola tocada no pé é falta não importando a razão, o futebol permite esse tipo de lance. E Jéci só não tocaria a bola se não tivesse um braço.

Além do mais, observando a movimentação dos jogadores, percebe-se que Jéci faz o possível para não reter a bola com o braço e Madson, na disputa dela, em nenhum momento pede o toque.

4) Edson Bastos falhou no gol do Atlético?

Não. Na minha opinião, e a imagem acima mostra, houve mérito na proteção de bola feita por Cléber Santana em cima de Lucas Mendes, impedindo o corte. Não só isso: o posicionamento da defesa do Coritiba permitiu que a bola, batida na direção do gol e com força, quicasse logo a frente de Bastos. Esse tema gerou debate acirrado no programa, já que a opinião do ex-goleiro e comentarista do Jogo Aberto Paraná, Gerson Dall’Stella, é contrária. Para ele, Bastos falhou – deveria ter se antecipado ao quique.

Na verdade, o futebol é feito de erros. O gol invariavelmente nasce de algum erro. Foi assim com o gol do Coritiba, quando, mal posicionada, a defesa do Atlético permitiu o cabeceio de Emerson. E do jogo.

O que se discute na verdade não é se Edson falhou ou não e sim se ele deve se manter no time titular. Bastos ainda paga pelo erro da Copa do Brasil e qualquer suspeita já é o suficiente para que a paciência com ele se acabe. Eu acho que, em termos práticos, não há nada demais em dar uma oportunidade para Vanderlei, outro grande goleiro.

Mas o que tem se tentado fazer com Bastos é cruel. Como disse Renan Ceschin hoje no programa, se ele não pode ser titular com tudo o que já fez pelo Coxa e passa a ser questionado em lances difíceis como esse, então, não deve ficar. E aí já é demais, não concordam?

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Por una cabeza: o favoritismo Coxa no Atletiba 347

Pela primeira vez em 2011 – há quem diga que em três anos – o Atletiba apresenta um quadro extremamente parelho em relação às equipes que vão* a campo hoje. Com base nas escalações apuradas ao longo da semana, fiz um levantamento com 11 colegas de imprensa para saber qual seria a seleção do Atletiba, ou seja: qual time tem vantagem sobre o outro em cada posição. E, ‘por una cabeza’ (como o tango de Carlos Gardel), deu Coritiba.

Na opinião de repórteres e comentaristas de vários veículos da cidade, o Coxa teria 6 jogadores contra 5 do Atlético em um suposto clássico Atletiba. E também leva o treinador ao combinado. Vamos conferir a análise da seleção (a lista de votantes e votos está no fim do post), com base nas equipes abaixo:

Couto Pereira 18h

Coritiba:

Edson Bastos; Gil, Jéci, Emerson e Lucas Mendes; Demerson, Léo Gago, Tcheco e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill. Téc.: Marcelo Oliveira

Atlético:

Renan Rocha; Edílson, Manoel, Fabrício e Paulinho; Deivid, Kléberson, Cléber Santana e Marcinho; Madson e Edgar Junio. Téc.: Renato Gaúcho

*Considerou-se que Willian, possível surpresa de Marcelo Oliveira no Coxa, está fora do jogo, com Demerson jogando improvisado.

Goleiro

Bastos: unânime

Não houve divergências: entre Edson Bastos e Renan Rocha, os votantes ficaram com a experiência do camisa 1 do Coritiba. Mesmo questionado por parte da imprensa e da torcida alviverde, Bastos segue em alta, em especial na comparação com o rival.

Foram 11 indicações para Edson Bastos, incluindo a do ex-goleiro Gérson, comentarista da 91Rock e do Jogo Aberto Paraná da Band. Com 31 anos, 4 deles no Coritiba, o paranaense de Foz de Iguaçu já passou por grandes e maus momentos no Alviverde.

Se um grande time começa com um grande goleiro, o Coxa larga na frente do Furacão na preferência dos votantes com seu camisa 1 escolhido para a seleção do clássico – antes do jogo.

Lateral-direito

Por 10 votos a 1 – exceção feito ao editor da Band Curitiba, Marco Rafael Pires, que preferiu o improvisado volante Gil – Edilson foi o escolhido para ocupar a lateral-direita do Atletiba 347. É por ali, justamente por outra improvisação (Lucas Mendes), que passa um dos atalhos de uma possível vitória atleticana.

Vantagem de Edílson é ser da posição

Edilson, 25 anos, paranaense de Nova Esperança, vai disputar seu primeiro Atletiba.

Chegou ao Furacão por empréstimo do Grêmio, a pedido do técnico Renato Gaúcho e logo ocupou a vaga que era de Wagner Diniz, mas mesmo assim, alterna bons e maus momentos, não sendo um jogador regular. Vem sendo substituído constantemente pelo antigo titular da posição.

Edílson é melhor na marcação que no apoio, mas costuma fazer bons cruzamentos. Também é bom em cobranças de falta.

Dupla de zaga

Emerson e Fabrício são considerados mais seguros

Ainda que atuem pelo mesmo lado do campo, Emerson e Fabrício foram os escolhidos pelos 11 votantes para formar a dupla de zaga do clássico 347.

Com 9 votos, Emerson é presença em quase todas as seleções do clássico. Vindo do Avaí no início do ano, ajeitou a defesa do Coritiba e chama a atenção pelas atuações sempre seguras. Costuma marcar seus golzinhos em jogadas de bolas paradas pelo Coxa. Tem 28 anos e é natural de Taguatinga-DF.

Já Fabrício obteve 5 votos, contra 4 de Jéci e Manoel, com quem forma dupla no Atlético. Muito da reação atleticana no Brasileiro é atribuída a ele, já que o Furacão tinha sérios problemas defensivos antes dele chegar, por empréstimo. Já defendeu o Paraná e estava no Cruzeiro, mas seus direitos são do Hoffenheim-ALE. Tem 21 anos e é natural do Rio de Janeiro.

Lateral-Esquerdo

Paulinho: peça fundamental

Se quiser vencer o Coritiba e quebrar um tabu de 10 jogos, três anos, o Atlético precisará como nunca de Paulinho. Com Gil improvisado na direita, o Coxa ganha em marcação, mas fatalmente acabará atraindo o lateral-esquerdo atleticano para seu campo de ataque (para o Alviverde, a solução pode ser Rafinha).

No entanto, Paulinho ainda não convenceu os atleticanos de que pode ser esse homem decisivo. Nem totalmente os votantes, que por 8 votos a 3, o preferiram a Lucas Mendes – zagueio improvisado na esquerda.

Sem ser unanimidade, Paulinho vai disputar seu terceiro Atletiba. Chegou ao Rubro-Negro em 2010, para o Brasileiro. Nasceu em Guaranésia-MG e tem 26 anos.

Volantes

Deivid e Gago, os cães de guarda

Formado na base do Atlético, Deivid é a grata surpresa do elenco 2011 do Furacão. É implácável na marcação e sabe sair pro jogo, justamente por ser simples: toca rápido a bola para os meias atleticanos, ao invés de inventar grandes lançamentos.

Caiu nas graças dos rubro-negros ao parar, entre outros, Neymar, Ganso, Lucas (SPFC) e Ronaldinho Gaúcho. Hoje terá a missão de parar Rafinha.

Teve 11 dos 11 votos possíveis, mas competiu contra Demerson; o quadro poderia ser um pouco diferente caso a competição fosse contra Willian, que pode aparecer na função (que é de outro grande marcador, Leandro Donizete). Ainda assim, particularmente, eu manteria meu voto em Deivid, que nasceu em Londrina e tem 22 anos.

Léo Gago abocanhou de ninguém menos que o pentacampeão mundial Kléberson a outra vaga entre os volantes. Gago, que esteve cotado para a Seleção no início do ano, não passou por uma boa fase recentemente, mas ainda assim é um dos principais jogadores do Coxa.

É rápido na marcação e melhor na saída de jogo. Também tem como arma as cobranças de falta. Superou Kléberson por 7 a 3 nos votos (Nadja Mauad, da RPCTV, escalou Tcheco como 2o volante).

Gago já defendeu o Paraná e chegou ao Alviverde vindo do Avaí, em 2010, para auxiliar na caminhada do Bi da Série B. Tem 28 anos e nasceu em Campinas.

Meias

Sem dúvida, a disputa mais apertada e que mostra que o cérebro do Atletiba 347 está em bons pés.

Cléber Santana se reencontrou no Atlético

Por 7 x 5, Cléber Santana superou Tcheco na preferência dos votantes para formar a meia-cancha da seleção.

Decisivo nos últimos jogos atleticanos e com um domínio de bola e noção de espaço invejáveis, Santana certamente será o principal articulador do Atlético no clássico (trabalho para Demerson ou Willian); Cléber Santana andava cabisbaixo com o ex-técnico Adilson Batista, mas se reencontrou com Renato Gaúcho e demonstra o ótimo futebol que o levou do Sport Recife ao Atlético de Madrid.

Nasceu em Olinda-PE e tem 30 anos. Vai para o seu primeiro Atletiba.

Seu “companheiro’ de meia cancha é, na verdade, o principal “inimigo”em campo.

Rafinha: por ele passará o desempenho alviverde

Rafael da Silva Francisco, 28 anos, natural de Guarulhos-SP, chegou ao Coritiba por empréstimo, junto ao São Paulo FC, em 2010, depois de uma passagem pelo Paraná.

Foi decisivo na Série B ano passado, especialmente depois de domar seu gênio intempestivo. Aos poucos, com toques rápidos e tabelas com muita movimentação, tornou-se o principal homem da meia-cancha coritibana.

Firmou contrato com o Coxa após romper na justiça com o Tricolor paulista. Já disputou quatro Atletibas e venceu 3, com um empate. Mas ainda não marcou gols – o que prometeu tentar fazer nesse de logo mais.

Ataque

Ataque: arma alviverde, incógnita rubro-negra

Eis o ponto de desequilíbrio do Atletiba 347, na opinião dos votantes: o ataque.

Bill e Marcos Aurélio foram escolhidosem detrimento da dupla atleticana, Edigar Junio e Madson.

Ex-atleticano, Marcos Aurélio superou Madson por 7 votos a 3 (Nadja Mauad escolheu Marcinho no ataque) e vai para mais um Atletiba alviverde, já que já atuou no Furacão. Ele disfarça mágoa do ex-clube, mas sempre alfineta. É rápido e bom nos arremates. Dará trabalho a Manoel e Fabrício. No último encontro entre ambos pelo Brasileiro, marcou o gol da vitória alviverde por 3-2 no último minuto, em 2009. Eu narrei aquele jogo pela 91Rock e os gols estão aqui, no ótimo serviço do Futebol Paranaense.net. Aurélio tem 27 anos e nasceu em Cuiabá-MT.

A dupla dele, no jogo e na seleção, é com o outrora contestado Bill, mineiro de São Lourenço, 27 anos, que venceu o jovem Edigar junio por 9 votos a 2. Bill vem se tornando um carrasco do Atlético e só nesse ano marcou 3 gols no Furacão. É o típico centroavante de área, tido como grosso pela torcida, protagonizando lances esquisitos, mas muito perigoso e eficiente quando recebe a bola na área.

Técnico

As peças acima ganharão contorno e vida em campo graças aos comandos de dois homens: Marcelo Oliveira e Renato Gaúcho. E por 7 a 4, o técnico coxa-branca venceu o atleticano na preferência dos votantes.

Oliveira superou Gaúcho na votação

Mineiro de Belo Horizonte, Oliveira tem 56 anos e nessa temporada conduziu o Coxa ao título paranaense e a decisão da Copa do Brasil (perdeu para o Vasco). Faz o estilo oposto ao de Renato Gaúcho fora de campo: é discreto e fala pouco, muito embora o treinador atleticano está mostrando uma faceta muito tranquila em Curitiba.

Os votos

Napoleão de Almeida
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Cléber Santana e Marcinho; Marcos Aurélio e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

Gerson Dall’Stella – 91Rock, Band Curitiba
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Tcheco e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

Nadja Mauad – RPCTV
Edson Bastos; Edilson, Manoel, Emerson e Paulinho; Deivid, Tcheco, Cleber Santana e Rafinha; Marcinho e Bill. Técnico Marcelo Oliveira

Caio Derosso – Jornal do Estado
Edson Bastos; Edílson, Jéci, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Cléber Santana, Marcinho; Marcos Aurélio e Bill Técnico Renato Gaúcho

Rodrigo Feres – Paraná Online
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Manoel e Paulinho; Deivid, Kléberson, Cléber Santana e Marcinho, Madson e Bill Técnico Renato Gaúcho

Marco Pires – Band Curitiba
Edson Bastos; Gil, Jeci, Manoel e Lucas Mendes, Deivid, Kleberson, Cleber Santana e Rafinha; Marcos Aurelio e Bill Técnico: Renato Gaucho

Renan Ceschin – Band Curitiba
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Lucas Mendes; Deivid, Léo Gago, Cléber Santana e Rafinha; Madson e Edigar Junio Técnico: Renato Gaúcho

Gustavo Marques – CBN Curitiba, PFC
Edson Bastos; Edílson, Jéci, Emerson, Paulinho; Deivid, Léo Gago, Tcheco e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill Téc.: Marcelo Oliveira

Nicolas França – Gazeta do Povo
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Tcheco e Rafinha, Marcos Aurélio e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

Kako Mazanek – Rádio Transamérica
Edson Bastos; Edílson, Manoel, Emerson e Lucas Mendes; Deivid, Léo Gago, Tcheco e Rafinha, Madson e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

Silvio Rauth Filho – Jornal do Estado
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Cléber Santana e Marcinho; Marcos Aurélio e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

Seleção
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Cléber Santana e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

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Até que demorou

Agora deixou de ser chiadeira e virou ação

Me chamou a atenção via Twitter o colega Linhares Jr., do SporTV: “O futebol paranaense precisa evoluir. Discutir arbitragem não leva a nada”. Vindo de quem está radicado em São Paulo, maior centro do País – e com dois clássicos nesse final de semana – mas mesmo assim vive de antena ligada no Paraná, achei pertinente. Linhares fala do nosso provincianismo, da mania de depreciar as coisas daqui. “A imprensa não presta, os juízes roubam, nossos clubes são fracos” e outras que estamos acostumados a ouvir e pensar: “É, tudo bem.”

O debate deveria mesmo ser conduzido no sentido de perguntar não porque Héber Lopes vai apitar o Atletiba, mas sim porque há tempos no Paraná ele ou Evandro Roman são as únicas opções; por que é que não fortalecemos nossa escola. Mas não deu.

O ótimo site Furacão.com, dedicado a cobertura do Atlético, logo estampou na capa: “Coritiba 1 x 0 Atlético”, atribuindo a vitória ao Coxa, 5880 minutos antes do apito inicial, marcado pras 18h de sábado, no Couto Pereira. Via Twitter, usando do RT para movimentar a discussão, logo comecei a ler a impressão coxa-branca da escolha. Todas muito mais no sentido de galhofa em cima dos atleticanos – “começou o choro” – que aprovando ou desaprovando (salvo 2 ou 3 que reclamaram da atuação de Héber no último Paratiba). E tudo isso faz parte do folclore do clássico, 346 edições* mais velho que em 1924.

Poderiam ser os ingressos (que podem ser 3,5 mil para os atleticanos, que querem mais, ou o velho meio a meio, sequer cogitado no Alto da Glória); poderia ser o calção negro, a galhofa atleticana de chamar o Coxa de “tricolor” ou a imposição estatutária do mandante – que até poderia ser aceita, já que o Atlético mesmo trocou seu calção em ocasiões nessa temporada. Poderia ser qualquer desculpa, mas foi a arbitragem.

Calçados em números, os atleticanos foram aos protestos – agora oficiais. Com Héber no comando em Atletibas, 10 jogos, 7 vitórias do Coritiba, 1 empate e 2 triunfos do Furacão. Evidentemente não foi Héber o responsável solitário pelos números. No futebol, são muitos os componentes. Até hoje, não recebi ou consegui uma única prova cabal de corrupção ou erro deliberado de juiz Fulano contra clube X a favor do Y. Se você tiver, é só enviar. O que acontece é que os árbitros são RUINS no geral. Não a toa há muito que se pede o auxílio eletrônico.

O Coritiba, por sua vez, não reclamou. Marcelo Oliveira, aliás, foi taxativo ao dizer: “Eu gosto muito quando ele apita”. Confira (e mais Léo Gago e Renato Gaúcho, que adiou o tema, em entrevista ao Jogo Aberto Paraná):

Significa que Héber então irá ajudar o Coxa? Evidente que não.

O que Marcelo Oliveira quis foi neutralizar a polêmica. Tirar do apito a importância. Mas acabou acirrando, já que a cúpula rubro-negra esperou a repercussão para ir atrás do pedido de mudança, ao invés de tentar o veto no sorteio – a explicação atleticana é que ele foi antecipado. Paulo César Oliveira, de SP, foi o outro nome.

Não adianta. O Atletiba tem disso e a lenha já está queimando na fogueira. Há até quem esqueça que o Atlético tem jogo nesta quarta, contra o Flamengo. Até que demorou para ferver.

Se a CBF vai acatar o pedido, ninguém sabe. Acho improvável. Se Héber estará mais ou menos pressionado, ou terá alguma tendência após tanto falatório, não se saberá antes de sábado, por volta das 21h. Se já era importante, o clássico de sábado passou a não ter justificativa para derrota, seja qual for o lado.

…imaginem então quando for o da última rodada, finalizando o destino dos clubes no Brasileirão.

*Update via História do Coritiba

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