O naming rights depende da boa vontade de todos

O Palmeiras anunciou oficialmente o acerto com a Allianz, empresa de seguros que vai alugar o nome do novo estádio do clube paulista pelos próximos 20 anos (leia mais aqui). Os valores estimados chegam perto dos R$ 300 milhões pelo período, dos quais somente 2)% irão para os cofres palmeirenses – mas esse é outro papo.

Foi o terceiro acordo similar no Brasil envolvendo estádios e clubes/administadores. E, para que isso seja levado a sério como negócio, é preciso que todos tenham boa vontade com essa fonte de renda importante aos clubes brasileiros.

Kyocera Arena, do Atlético: pioneira no Brasil

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Em 2005, o Atlético anunciou um acordo com a fábrica de eletrônicos japonesa Kyocera Mita, fundada em Kyoto. Durante três anos, a empresa alugou o nome do estádio do Furacão, o que rendeu US$ 1 milhão por ano ao clube. Um acordo considerado bom para a época, embora os números possam ser vistos como modestos 8 anos depois. O conceito Arena, que passou a ser usado em todo o Brasil, também foi pioneirismo do clube paranaense, em 1999. Hoje quase todos os novos estádios puxam por isso, justamente para comercializar o naming rights.

A Kyocera Arena, no entanto, enfrentou os problemas já previstos para a Allianz e a Itaipava (que dá o nome à nova Fonte Nova, em Salvador) no Brasil: a adesão da mídia e dos torcedores. É difícil que o torcedor passe a chamar o estádio de Allianz alguma coisa (três nomes estão em votação para escolha popular), mas não é impossível que a grande mídia chame o estádio assim, como acontece na Europa. O Terra transmite o Campeonato Alemão, onde já há uma Allianz Arena (casa do Bayern de Munique), uma Veltins Arena (do Schalke 04, com patrocínio de uma empresa cervejeira) e um clube-empresa, o Bayer Leverkusen, da fabricante de medicamentos do mesmo nome.

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Na época da Kyocera Arena, alguns veículos aderiram à proposta, outros não. Para o Atlético, o apoio representou um reforço de caixa que, coincidencia ou não, permitiu uma campanha de destaque com o vice da Libertadores 2005. Para o Palmeiras representa o mesmo, assim como para a gestão do estádio público em Salvador – negócio que vai pagando os custos da obra, bancada pelo Estado.

Sem a adesão ao nome, o que haverá é o afastamento dos patrocinadores desse tipo de projeto. Ninguém quer investir para não ser reconhecido. Equipes de vôlei brasileiras que vêm e vão podem confirmar isso.

Romantismo à parte, os torcedores baianos e palestrinos têm que entender a medida não como algo antipático, mas uma moeda a mais de fortalecimento dos times. E, convenhamos, Parque Antártica, um dos nomes prefeiros da torcida do Palmeiras, já não era referência a uma marca?

Em tempo: até por isso, se me fosse dado o poder de escolha do novo nome do estádio, ficaria com Parque Aliianz, nessa ordem.

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Atlético jogará Brasileirão nas casas do Paraná

Vila Olímpica servirá à dupla da Rebouças no Brasileirão (Foto: AI CAP)

Atlético e Paraná chegaram a um acordo e o Rubro-Negro irá indicar os dois estádios do Tricolor para o Campeonato Brasileiro. A negociação será confirmada até quarta-feira pelas duas diretorias. O acordo inclui todos os acertos pendentes entre os clubes.

Sem acordo com o Coritiba (primeira ideia do Furacão) e sem contar com o apoio da CBF, o presidente atleticano Mário Celso Petraglia procurou a diretoria paranista para conversar. As conversas começaram há cerca de 20 dias e incluíram visitas da diretoria rubro-negra aos dois estádios, para verificação de necessidades. Com o acordo, é possível que, chegando a decisão do Paranaense, o Atlético use a Vila Olímpica como mandante. No entanto, será preciso uma série de adequações, como instalação de câmeras de segurança, em tempo hábil.

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A diretoria atleticana chegou a cogitar mandar jogos contra os grandes de Rio e São Paulo (exceção ao Botafogo) e mais a dupla gaúcha em outros estádios pelo Brasil. Com o acordo com o Paraná, as possibilidades de isso acontecer são praticamente nulas. Houve conversa para que o time jogasse contra o Flamengo em um dos estádios da Copa, o que não foi confirmado.

A Vila Olímpica receberá jogos dos dois clubes nos inícios das Séries A e B. O Atlético tentou apressar a recuperação do gramado da Vila Capanema, propondo-se até a pagar a mais pelo trabalho, mas o Paraná manteve o projeto inicial e ambos só jogarão no Durival Britto e Silva após a Copa das Confederações, que vai de 15 a 30 de junho.

Buscando uma solução para não sair de Curitiba, o Atlético procurou o Paraná com ação pessoal de Petraglia, que sentou-se com Rubens Bohlen, Paulo César Silva e Celso Bittencourt após alguns telefonemas. Houve um primeiro momento de tensão na conversa, pela pendência financeira entre os clubes, que rapidamente se acertaram. O Atlético, inclusive, se propôs a ceder jogadores do elenco que não serão usados na Série A para que defendam o Paraná na disputa da Série B. Os nomes estão em avaliação pelo Tricolor e não tem relação direta com o aluguel dos estádios. O valor do aluguel não foi e não será confirmado por nenhum dos clubes, mas apurei que gira em torno de R$ 75 mil por jogo.

  • Os jogos da dupla na Vila Olímpica (antes da Copa das Confederações):

Atlético:

26/05 x Cruzeiro

01/06 x Flamengo*
*A confirmar, pode acontecer em um dos estádios da Copa 2014 fora de Curitiba

Paraná:

28/05 x São Caetano

08/06 x Figueirense

11/06 x ASA

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Tetras ou Trétis?

Edigar Junio e Zezinho colocaram em xeque a supremacia do Coxa (Foto: AI CAP)

O Atlético venceu o Atletiba 354 por 3-1, com seu time Sub-23 e garantiu: haverá final no Paranaense 2013. Na mesma tarde, o Londrina fez 3-0 no J. Malucelli e segue vivo na competição.

Os meninos do Furacão confirmaram a ótima fase e estão próximos de serem a grande surpresa do primeiro semestre no Brasil. Com a diretoria atleticana investindo numa pré-temporada longa para o elenco que irá disputar o Brasileirão – e também por razões políticas – o elenco jovem do Rubro-Negro surpreendeu o tarimbado time de Alex e só depende de si para chegar à decisão; para o Coxa, uma sinuca de bico: pega justamente o Londrina na última rodada do 2o turno. Se vencer, garante a decisão contra um rival que, se tem camisa, é franco-atirador; se perder, e contar com um tropeço do Furacão com o bom Operário (ainda na luta por uma vaga na Série D), pega o LEC na decisão tendo que encarar o terreno hostil do Café na finalíssima.

Londrina levou 15 mil pessoasno 3-0 sobre J. Malucelli (Foto: Tatiene Geremias/Twitter)

Seja como for, o campeonato paranaense poderá ter um tetra-campeão. Ou o Trétis campeão – no apelido popular do Furacão.

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Se o Coritiba for o campeão estadual, será tetra em sequência, o que não acontece desde os anos 70, quando foi hexa. Se o vice for o Atlético, será outro tetra – só que vice. O Furacão perdeu os últimos três estaduais para o rival.

Se o Londrina for o campeão, será tetra na soma dos títulos da sua história. Campeão em 1962 (Coritiba vice), 1981 (Grêmio Maringá) e 1992 (União Bandeirante) o Tubarão pode dizer que é tetra – como o Brasil fez em 1994.

Se for o Trétis, será uma incorreção linguística. E será também uma volta por cima do contestado elenco Sub-23 atleticano, que faz um segundo turno brilhante e já tem o que comemorar. A diretoria do Atlético já pode dizer que 50% do projeto de 2013 deu certo, com a revelação de jogadores; os outros 50% dependem do sucesso do elenco principal.

Seja como for, ao vencer o Atletiba 354, Mário Celso Petraglia já pôs uma pulguinha na orelha de todos que acompanham o Campeonato Paranaense.

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Atletiba 354: a pressão é do Coritiba

Londrina e campo hostil? Atlético e rivalidade histórica? Só escolher.

O Atletiba 354 promete ser um dos melhores dos últimos tempos. Não faltam motivos pra isso: a invencibilidade recente (10 jogos no Paranaense, 12 no geral) do Atlético, com seu time de garotos, pegando um Coritiba reagindo depois de um segundo turno instável e com a oportunidade de ver Alex em campo. Rivalidade, história e até mesmo a Vila Olímpica, um dos estádios mais agradáveis de Curitiba (ainda que só para 8 mil pessoas, mas esse é outro papo), completam o cenário. Mas, de tudo isso, um elemento a mais põe fogo no duelo: o Coritiba, já garantido na final, tem remotas chances de conquista direta, com o título do segundo turno; entretanto, pode “escolher” o adversário da decisão, pois pegará os dois possíveis rivais em sequência: o Furacão e o Londrina.

A pressão em cima do Coxa é multipla: enfrenta um time inexperiente (mas perigoso), num clássico em que as camisas têm o mesmo peso e em um campeonato em que o presidente atleticano faz questão de menosprezar. De fato, tudo isso é apenas psicológico: a pressão mesmo no Coritiba é porque é dele que depende a definição do título estadual. Pode pegar um adversário perigoso, mordido, e sem vantagens de mando de campo; pode pegar o maior rival, que se tem um time jovem e está sem estádio, tem camisa. 

Em síntese: o Coxa depende apenas de si para facilitar a própria vida. Ou complicar.

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O Atlético tem 23 pontos, um a mais que o Londrina, vice-líder; o Coxa, terceiro, tem 18, cinco a menos que o maior rival.

Se vencer o Atletiba, o Coxa permite que o Londrina (que na rodada do clássico encara o 4o colocado J.Malucelli) ultrapasse o Rubro-Negro. O Tubarão é, atualmente, o melhor time do campeonato na soma dos turnos. Vice-campeão do 1o turno, o LEC tem os mesmos 45 pontos do Coxa no geral, mas uma vitória a mais. Na última rodada, Coxa e Londrina se enfrentam em Curitiba, enquanto o Atlético visita o bom – e perigoso – Operário, em Ponta Grossa. Em um cenário de vitória do Londrina, o Coxa jogará com o próprio, na última rodada, pelas vantagens na final. Vencendo novamente, ganha as vantagens contra qualquer rival – o Furacão passaria a precisar de uma vitória simples contra o Operário para vencer o turno; se não o fizer, o LEC leva, mas sem vantagens. Pode até ser campeão, se o Atlético perder para o Fantasma e o Londrina não tiver vencido o Jota.

Se o Atletiba terminar empatado, o Furacão pode perder a liderança para o Londrina, que por sua vez asseguraria as vantagens com uma vitória; aí o Coritiba teria que vencer também o Londrina na última rodada, torcendo para o Atlético derrotar o Operário. Desta forma, decidiria em casa na última partida. Mas pegaria o maior rival na final, com um time franco atirador.

O mesmo vale para uma vitória do Atlético no Atletiba 354. Se derrubar o rival, o Furacão ganha moral e bota ainda mais pressão no Coritiba, que passa apenas a assistir a decisão do turno. O Atlético, aliás, pode passar de azarão – pelo elenco Sub 23, nunca pela camisa – à campeao antecipado do turno: basta que o LEC perca para o J.Malucelli.

Agora, a grande pergunta: diante de tudo isso, existe como facilitar a vida dentro de um dos clássicos com mais rivalidade no Mundo?

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Atlético coloca teoria em prática na Copa do Brasil

Uniforme de passeio foi o mais usado pelo Atlético até agora em 2013 (foto: AI CAP)

 

Já temos 93 dias no ano e, nesta quarta (03/04), pela primeira vez em 2013, o elenco principal do Atlético fará um jogo oficial. Será pela Copa do Brasil, em Pelotas, contra o tradicional Brasil. Duelo rubro-negro na Baixada gaúcha, o estádio Bento Freitas, que pode ser liquidado sem a necessidade do jogo em Curitiba. A Copa do Brasil prevê que o clube melhor ranqueado, caso vença por dois ou mais gols, avance diretamente a próxima fase.

Se acontecer, o Atlético terá um descanso ainda maior até pegar Ji-Paraná ou América-RN. Os jogos da 2a fase estão previstos em 1, 8, 15 ou 22 de maio. Na hipótese mais curta, mais 28 dias sem atividade – o Brasileirão só começa em 26 de maio. Se contar o período da Copa das Confederações, o Furacão titular poderá ter nada menos do que 151 dos 365 dias do ano sem jogar partidas oficiais, exceção óbvia da suposta partida única em Pelotas.

Há quem diga atualmente que o time Sub-23 do Atlético bateria o titular em uma disputa direta. Difícil afirmar, mas é fácil de entender a suposição: mesmo claudicante, o Sub-23 acabou embalando no 2o turno do Estadual e já revelou bons nomes. Enquanto isso, após deixar uma boa impressão na Marbella Cup, na Espanha, os titulares andaram fazendo feio em jogos-treino contra Goiás, Cruzeiro e Atlético-GO, alguns atuando até com reservas. O próprio técnico Ricardo Drubscky reclamou aos quatro cantos, sem sucesso, de que queria ter mais ritmo de jogo. Não deu.

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A opção política do Atlético em colocar um time B no Paranaense tem também um cunho esportivo. Os números exagerados assustam. Mas a ideia de se descansar o principal elenco por parte da temporada inchada no Brasil é boa. O principal modelo de futebol no Mundo hoje, o Barcelona, fica até 85 dias sem atividades oficiais. Talvez o Atlético pudesse ter usado o time principal em algumas partidas no Paranaense para pegar ritmo e não sentir tanto a estreia em Pelotas.

Ainda assim, com transmissão para todo o País, o Atlético colocará sua teoria em prática nessa quarta. A Copa do Brasil é a menina dos olhos da diretoria, que prometeu títulos na campanha eleitoral. O rival Coritiba bateu na trave em dois anos consecutivos, o que acirrou a disputa interna. Mas a CBF aumentou a competição, deixando-a mais difícil, com a entrada dos clubes que estão na Libertadores a partir da metade da competição. Entretanto, se tem um elenco tecnicamente inferior a muitos clubes e ainda se ressente de ritmo de jogo, um pecado não poderá ser reclamado pelo Atlético: o cansaço físico. 

Enquanto o Sub-23 já incomoda no Estadual, até mesmo com chances de chegar à decisão, os principais jogadores vão ter que começar a estrada de 2013. Ao deixar o time mais fraco responsável pela chance mais direta de conquista de título na temporada, o Atlético assumiu um risco de por uma ideia em prática. Ao final do duelo contra o Brasil, pela primeira vez se poderá avaliar objetivamente se o projeto tem futuro ou não.

  • Brasil

O Brasil de Pelotas também começou a temporada há pouco tempo. Apenas em 24/03 é que o time fez a primeira partida oficial, um 3-0 em cima do Farroupilha, rival citadino, pela 2a divisão gaúcha. Na última rodada bateu o Santo Ângelo por 1-0 e lidera o Grupo 2 com duas vitórias em dois jogos – teve um adiado.

Dono de uma das torcidas mais fanáticas do Rio Grande do Sul, o Brasil foi 3o lugar no Brasileiro 1985, vencido pelo Coritiba, que derrotou o Bangu-RJ na final – este, classificado ao eliminar a equipe gaúcha nas semis.

Na história, em jogos pelo Campeonato Brasileiro, Atlético e Brasil duelaram 4 vezes. O Furacão nunca venceu o Xavante: 3 empates e 1 derrota. Um dos empates foi no Brasileirão 1984, com direito a pênalti perdido pelo Atlético e Luiz Felipe Scolari como técnico do Brasil. Assista:

 

Atlético, 89 anos de intensa paixão

por Milene Szaikowski*

O Atlético é um estado de espírito, já dizia a saudosa Sônia Nassar. Se ele vai bem tudo vai bem, se não, sai da frente. E o atleticano é assim, apaixonado, intenso! Com o Atlético as coisas nunca são fáceis, as vitórias muitas vezes são sofridas, mas comemoradas com muita emoção. Lágrimas, gritos, abraços emocionados, quem é atleticano sabe.

Adesivo nos anos 60: a cara da paixão rubro-negra e sua bipolaridade

Nossos ídolos são heróis das nossas batalhas. Vestem a camisa com amor, vibram e pulsam com a torcida rubro-negra. São torcedores em campo, pois quem vive o Atlético se apaixona e jamais deixa de ser.

Prova disso são ídolos que por aqui passaram e a partir de então sabiam que o Atlético fazia parte deles. Do Bicampeão Mundial Djalma Santos ao Campeão Brasileiro Cocito. Do capixaba Ricardo Pinto ao santista Roberto Costa.

A taça do Brasileirão 2001 (foto: arquivo pessoal João Augusto Fleury da Rocha)

Atlético de Gottardis, Cecattos, Guimarães, Mäder, Barros, Camargo e tantas outras famílias. Atlético das duplas Cireno e Jackson, Nillo e Galalau, Washington e Assis, Alfredo e Bellini, Oséas e Paulo Rink, Nowak e Piekarski, Kleber e Alex Mineiro, Kelly e Gabiru, Sicupira e Nilson, Zinder Lins e Genésio Ramalho, Heriberto e Valério, Jofre e Petraglia, Santos Dumont e Olavo Bilac. Atlético NEGRO e RUBRO. Internacional e América, novamente juntos num só Clube, numa só camisa, aquela que só se veste por amor.

Milene e sua segunda pele

*Milene Szaikowski é atleticana e coordena o Círculo de História Atleticana. E isso já diz muito – ou quase tudo – sobre ela.

Drubscky disse o que todos sabiam

E Ricardo Drubscky falou em público o que muitos não puderam.

E só o fez porque não contava que a imprensa de Goiás, na contramão do que fizeram até aqui os veículos oficiais, fosse tão firme ao inquerir-lo sobre a pré-temporada inédita do Atlético, abrindo mão de jogar o Paranaense para fazer alguns amistosos, mantendo o time inativo desde 24 de novembro em jogos oficiais: “Essas questões de a gente ficar sem jogos, a gente não vai entrar nesse mérito. É decisão da diretoria do clube, é política, e a gente ficou. Se eu não quisesse não tinha ficado. Em função disso, e aí eu posso dizer, há realmente uma perda e estamos tentando reparar com amistosos, torneios. Não é a mesma coisa, mas a gente está tentando.”

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Se Drubscky não falasse, os resultados falariam por ele. As derrotas por 1-3 para o Goiás (que, atuou só no primeiro tempo com os titulares) e 1-2 para os reservas do Atlético-GO mostraram que, mesmo pra quem despreza o Estadual, a inatividade pode custar caro ao clube. As derrotas foram para equipes do mesmo porte do Atlético, que não sabe como irá sair em um jogo pra valer. Luiz Felipe Scolari, técnico da Seleção Brasileira campeão do Mundo em 2002, exaltou o calendário competitivo do Brasil em 2013, com a Copa das Confederações no meio do ano, “por ter jogos para valer”. Jogador, quer jogar.

  • Planejamento em xeque

E a Copa das Confederações será mais um período de pausa para um ano de poucas atividades para o elenco principal do Atlético. Talvez esquecida no planejamento, a competição-teste da Fifa irá paralisar o calendário brasileiro por mais 23 dias entre 09 de junho e 03 de julho. Para o Furacão, 2013 terá exatos 123 dias sem jogos profissionais. A renúncia aos jogos, em nome de um título mundial prometido pela atual diretoria em campanha, permite uma comparação: o Barcelona, clube que vem apresentando o melhor futebol do Mundo há pelo menos 4 temporadas, tem quanto tempo de atividade anual?

A resposta deve levar em consideração o desencontro entre os calendários europeu e sul-americano. Com o verão em junho e julho, os europeus paralisam as competições, enquanto isso acontece no Brasil entre dezembro e janeiro – e em menos tempo. Os Estaduais ocupam um espaço precioso do calendário – até aí, pouco se discute sobre uma reformulação  geral e o Atlético, assim como o Grêmio, tomou uma decisão própria, ao relegar a disputa caseira ao segundo plano. No entanto, o Tricolor Gaúcho tem a Taça Libertadores no calendário, o que já o colocou em atividade.

O Barcelona venceu a Copa do Rey sobre o Athletic Bilbao por 3-0 em 25 de maio de 2012. Depois, deu férias aos seus jogadores e retomou as atividades em julho, fazendo seu primeiro jogo na nova temporada em 24 de julho, um amistoso contra o Hamburgo. Foram 60 dias sem jogos. O primeiro jogo oficial aconteceu apenas em 19 de agosto, vitória por 5-1 sobre a Real Sociedad – portanto, 85 dias depois do último jogo. Se seguisse o planejamento do Barcelona, o Atlético, que enfrentou o Paraná em 24 de novembro de 2012 no Derby (1-1) da última rodada da Série B, entraria em campo com o time principal em 17 de fevereiro – a 9a rodada do Paranaense aconteceu em 16/02, com o Sub-23 atleticano vencendo o J. Malucelli por 3-1. Na semana seguinte, foi jogado o Atletiba #353.

A temporada européia começa com um primeiro mês com 4 jogos oficiais. O Barça ainda arrumou datas para 4 amistosos. Em agosto de 2012, venceu Real Sociedad e Osasuña pela Liga, perdeu o título da Supercopa da Espanha em dois duelos com o Real Madrid (3-2 e 1-2, vice no gol qualificado) e fez amistosos com PSG (2-2), Manchester United (0-0), Dínamo Bucareste (2-0) e Sampdoria (0-1). No período equivalente, o Atlético fez 10 jogos. Fevereiro reservou 6 jogos oficiais (2-1 Cianorte, 0-0 ACP, 0-2 Londrina, 1-1 Arapongas, 3-1 J. Malucelli e 1-2 Coritiba) e 5 amistosos, com a conquista da Marbella Cup sobre Ludogorets Razgrad (6-2), Dínamo de Kiev (1-0) e Dínamo Bucareste (1-0) e mais a derrota por 1-3 para o Cluj e o empate em 1-1 com o Otelul Galati.

Durante o período de inatividade do elenco principal, além dos adversários goianos, o Atlético enfrentou mais dois adversários interestaduais: Joinville e Figueirense, ambos atuando com o time reserva. O Furacão venceu os dois jogos, 3-0 e 3-1. O clube tentou amistosos na Argentina, Uruguai e Chile, mas todos os clubes procurados deram prioridade aos seus calendários oficiais.

O desempenho do Atlético no Estadual e nos amistosos no Brasil, as reclamações dos jogadores pedindo mais jogos e um comparativo com o melhor modelo de planejamento de futebol do Mundo deixam a pergunta: o Atlético, mesmo politicamente abrindo mão do campeonato mais possível de se conquistar, age bem em pensar só na política?

Exclusivo: por dentro do CT do Caju

Não são unanimidade no Atlético as estratégias criadas pela diretoria do clube, tanto para o futebol, quanto na comunicação. Silentes, funcionários e jogadores demonstram dois sentimentos: descontentamento e medo. Sim, medo: de demissão e perseguição. Entre comissão técnica e jogadores, de serem queimados no mercado.

Nos últimos dias, tive acesso a jogadores e funcionários do clube, que aceitaram falar comigo, sob a condição de preservar os nomes. São pessoas que estão descontentes com o andamento atual na gestão atleticana, mas, com medo de sofrerem alguma sanção por parte da diretoria, não querem se expor. Os detalhes do convívio dentro do CT foram passados pelos próprios, com a condição de manterem-se sem exposição.

A restrição à imprensa no Atlético não é criticada apenas pela própria imprensa, patrocinadores e parte da torcida; dentro do CT do Caju, atletas e funcionários reclamam da medida e mais: da fritura de alguns jogadores no mal-sucedido time Sub-23 – que, ressalve-se, é parte de uma interessante estratégia de pré-temporada, que se perde dentro do enclausurado CT. Falar com qualquer jornalista é ato passível de multa, garantem.

Um funcionário com cargo influente no CT do Caju falou do descontentamento da comissão técnica com a decisão, já consagrada dentro dos portões no Umbará, de que o time principal não entre nos jogos do Paranaense, nem mesmo no segundo turno. “Por mim, trabalharíamos com um time só e iria testando. Mas não tem conversa”, revelou-me, pedindo sigilo. O Atlético articula amistosos. Nesta semana, fará um jogo-treino contra um mistão do Figueirense (que tem jogo decisivo com o Criciúma dois dias antes). O clube procurou adversários na Argentina e no Chile e até cogitou-se jogar contra o Bahia e o Vitória, que estão parados após as eliminações na Copa do Nordeste, mas nada foi confirmado. “Até a Copa do Brasil vai ser assim.” Perguntado porque, mesmo com um cargo influente não é ouvido e aceita as determinações, o funcionário em questão respondeu que, apesar dos pesares a estrutura e projeção do clube são boas – leia-se também um bom salário e em dia.

Um dos jogadores é um dos mais experientes do elenco. Confidenciou que há muita pressão dentro do próprio CT pela má campanha do Sub-23 no Paranaense. “Os meninos ficaram, você sabe como é, as coisas não estão indo bem, tem pressão.” O mesmo atleta ainda falou do relacionamento com o presidente do clube, Mário Petraglia: “Ele é de lua. Um dia chega e diz que está tudo bem. No outro, fica nervoso, esbreveja, muda tudo, manda dois, três embora.” O jogador ainda relatou que não há muita liberdade de argumentação com o dirigente: “Ninguém quer bater de frente com ele. Todos têm medo.”

O mesmo atleta ainda disse que os jogadores que voltaram da Espanha gostariam de jogar algumas partidas no Paranaense. “Uma competição é totalmente diferente. Um jogo sim, um não. Jogador quer jogar, né?” Perguntado se o grupo procurou a direção, o entrevistado disse que não. “Se ele bota uma coisa na cabeça, vai até o final”, disse, referindo-se a Petraglia, que, segundo o mesmo, anda um pouco ausente do CT, diferente do que acontecia no dia a dia em 2012. “Ultimamente não [tem estado no CT], por conta do negócio da Arena. Ano passado ele aparecia no clube, fazia reunião. Mas esse ano, com a pressa pela obra, a gente sabe que ele tem viajado muito.”

A orientação para os jogadores não falarem com a imprensa foi transmitida pelo diretor de futebol Antônio Lopes. Até mesmo quem chega tem que entrar na dança. É o caso de Jean Chera. A promessa que já rodou por Santos e Flamengo chegou à Baixada na semana que passou. Durante as negociações, seu pai, Celso Chera, falou sobre as possibilidades. No mesmo dia, à noite, foi alertado pelo diretor das categorias de base do Atlético, Jorge Andrade, de que não poderia falar mais nada, “sob pena de melar as negociações.” Dias depois, foi a vez do empresário de Jonas, ex-Coritiba, Felipe Pereira ouvir o mesmo da diretoria atleticana, já que a negociação vazou na imprensa.

O experiente jogador que conversou com a reportagem explicou como tudo se deu dentro do CT. “Houve uma reunião. O presidente avisou: a TV não vai divulgar jogos, o valor é muito baixo, não vai dar lucro pro clube. Ninguém pode falar com a imprensa.” O site oficial é usado como meio de comunicação único – e, como toda fonte unilateral, dá apenas uma versão dos fatos.

Outro que resolveu desabafar é um funcionário com anos dentro do Atlético. Sem o contato com a imprensa, vê uma fritura em cima de quem está no Sub-23: “O Arthur Bernardes é bom técnico e boa pessoa. O time é que é fraco mesmo.” Em viagem pelo interior do Paraná nas rodadas do Estadual, a mesma pessoa confessou a pressão dentro do clube para que os profissionais joguem algumas partidas do campeonato. Sem poder expressar livremente e com ordens para que ninguém se relacione com a imprensa, a pessoa confessou ter receio até mesmo em ser fotografada ao lado de repórteres.

Quais os malefícios, afinal, ao Atlético? Toda empresa tem suas diretrizes e o gerenciamento “mão de ferro” da atual diretoria do clube é apenas um entre os tantos métodos de gestão, certo? Quase. Ao se criar um ambiente tenso – seja em função dos maus resultados do sub-23, seja em função das restrições de liberdade – o clube pode sentir os reflexos em campo.

O modelo autoritário inibe a criatividade, ferramenta-mãe em um esporte como o futebol. Os ruídos em comunicação, gerados pelo difícil acesso à informação e pelo descontentamento de quem quer falar, criam tumultos no ambiente. Grupos de atletas são heterogêneos, com muitas diferenças culturais e sociais entre as pessoas que os compõe. Em um ambiente mais aberto, isso já é problemático; que dizer de um local de trabalho com pouca liberdade de expressão?

Por fim, a auto-realização, a sensação de estima e de pertencer a um grupo são propulsores para o sucesso de uma equipe. Em um meio com a vaidade exacerbada como o futebol, onde cada atleta precisa ser mais que o outro dentro e fora de campo, não aparecer é prejudicial; não ser ouvido pelos comandantes é excludente. Como os valores no futebol são muito avaliados pelos resultados em campo, uma sequência de triunfos pode transformar tudo isso em mito, assim como a má fase reforça a tese. No entanto, acima disso, é importante refletir sem a moral torta movida pelos resultados: qual caminho o clube está tomando ao agir assim com seus próprios funcionários?

  • Arremate:

“Uma vitória em um Atletiba encobre muitos defeitos e uma derrota causa problemas que não existem”, disse o ex-jogador e vereador Paulo Rink antes do clássico de domingo. A reportagem acima foi apurada na semana do clássico e pretende discutir algo mais profundo do que um resultado isolado, seja de vitória ou derrota para qualquer lado. Por isso, a publicação dela se deu durante o andamento da partida – basta olhar o horário da publicação.

Atletiba #353: o duelo dos ícones

Um representa uma mudança da água para o vinho, numa relação conturbada, mas que reposicionou o status quo do Furacão nacionalmente; outro é um ídolo em campo, que saiu jovem e se consagrou fora do Coxa, mas voltou trazendo consigo um orgulho imenso de ter escolhido o clube do coração em detrimento de propostas melhores.

Na história recente do Atlético, ninguém é mais importante que Mário Celso Petraglia.

Na história recente do Coritiba, ninguém é mais importante que Alex.

No domingo, ambos vão voltar a disputar um Atletiba. Será também um choque de ideais: a tentativa de Alex em ser campeão pela primeira vez com a camisa alviverde contra a estratégia de Petraglia em preterir o Estadual por uma pré-temporada. Com isso, mandará uma equipe Sub-23 para o jogo. Alex é midiático, atrai atenções; Petraglia é avesso à mídia – desde que ela o questione.

Alex simboliza o Coritiba de hoje melhor do que qualquer outra pessoa. Petraglia é o homem a frente do Atlético, gostem ou não, concordem ou não – e esse é exatamente o seu estilo. Eles já se encontraram antes.

Em 1995 ambos começaram a ganhar notoriedade. Alex deixou o Coxa no início de 1997, em tempo de disputar dois Atletibas pelo Estadual. Rodou o Mundo: Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro, Parma, Fenerbahçe. Petraglia foi presidente do Atlético de 1995 a 1998, deixando o cargo para Nelson Fanaya, Ademir Adur e o campeão brasileiro Marcus Coelho. Voltou em 2002, dividindo a presidência com João Augusto Fleury da Rocha, deixando o clube em 2008, depois de eleger – e romper – com Marcos Malucelli. Voltou no ano passado.

Ambos têm vantagem nos duelos contra o rival. Domingo, um em campo, outro nos bastidores, escreverão mais uma página desta rivalidade sem fim.

*Somente partidas pelo Coritiba

Conheça Fran Mérida, reforço espanhol do Atlético

O Atlético confirmou nesta segunda a contratação do meio-campista espanhol Fran Mérida, de 22 anos, que estava no Hércules, da Espanha.

O jogador começou no Barcelona em 2006, numa geração que tinha Messi, Iniesta e Xavi. Mérida atuou pouco com o trio famoso do Barça, se transferindo para o Arsenal, caminho feito um ano antes por Césc Fabrégas. Para isso, pagou uma multa de 3,2 milhões de euros. Nos Gunners, fez apenas 16 jogos oficiais em duas passagens, um deles pela Liga dos Campeões de 2009/10.

Do Arsenal, foi para o Atlético de Madrid, onde também teve problemas para se firmar. Entre idas e vindas, defendeu o Sporting Braga de Portugal e fez parte do elenco dos Colchoneros campeão da Liga Europa 11/12. Abaixo, a apresentação dele no Atleti.

Com o fim de contrato com o Atlético de Madrid, estava disputando a 2a divisão espanhola pelo modesto Hércules de Alicante, que está na zona de rebaixamento para a terceira divisão, no 20o lugar entre 22 equipes. Fez 19 jogos, com 1 gol marcado.

Ao diário Marca, da Espanha, Mérida disse estar “feliz com o negócio e eu vou tentar continuar a desfrutar do futebol neste novo desafio.” Segundo o jornal, o Atlético comprou os direitos do jogador, mas os valores não foram revelados. O contrato é até o final do ano, com opção por prorrogá-lo por mais dois anos.