Confira a última entrevista de Adilson Batista no comando do Atlético e os lances da derrota contra o Bahia, na reportagem de Henrique Giglio, exibida hoje no Jogo Aberto Paraná, da Band Curitiba.
Túnel do Tempo: relembre os confrontos de hoje
A dupla Atletiba joga hoje pela primeira divisão. Aproveito para relembrar dois confrontos entre Atlético x Bahia e Cruzeiro x Coritiba, nos respectivos mandos de campo.
18h30 – Arena da Baixada – Atlético x Bahia
Esses dias mesmo o Atlético surrou o Bahia pela Copa do Brasil, com um 5-0. Mas preferi relembrar essa vitória de 2001, que colocou o Furacão no rumo do título nacional:
Kléber fez 3 gols, com 2 de Alex Mineiro e Adauto fechando o placar histórico sobre o time de Evaristo de Macedo. Como todos sabem, naquele ano, o Atlético acabou Campeão Brasileiro. Detalhe para o segundo gol de Kléber, sem ângulo.
21h – Arena do Jacaré – Cruzeiro x Coritiba
Em 2004, o Coxa surpreendeu a Raposa no Mineirão. Abaixo, dois gols dos 3-0 no Cruzeiro em BH – Ataliba e Laércio:
Gravaram em speed! E ainda faltou o 3o, de Tuta. Mas enfim, é o que a internet nos oferece.
Naquele ano, o Coritiba acabou o campeonato em 12o lugar. Foi a segunda vitória em BH sobre o Cruzeiro na história. A primeira havia sido em 1985 – ano do título nacional.
O que a final da Libertadores 2011 ensina ao futebol paranaense
– Você pode disputar uma final de Libertadores em um estádio com menos de 40 mil lugares, se tiver força política;
– Invasão de campo e pancadaria no final do jogo não é tão ruim quanto o STJD possa fazer parecer, se você for paulista.
– Durval = gol contra em final de Libertadores
– A Copa do Brasil realmente é o caminho mais curto para chegar lá; evite experiências na decisão dela;
– Investir na base é a saída para quem tem menos dinheiro
Entenda a engenharia por ‘Morro’ García
Santiago García, uruguaio de 20 anos, é a contratação mais cara da história do futebol paranaense. Ele, que no vídeo acima se apresenta a torcida atleticana, custou US$ 2 milhões por 50% dos seus direitos, em contrato de 3 anos. Mas essa não foi a grande sacada do Atlético na negociação.
A experiência do Coritiba com Ariel Nahuelpan, liberado por força da lei trabalhista no segundo ano de contrato, ainda que houvesse um documento esticando o vínculo para 5 anos, fez o mercado, e em especial o Atlético, aprender.
O que o Furacão tem hoje com Morro García e o Nacional-URU é um empréstimo com preferência de compra. Assim, o vínculo principal segue no Uruguai, com os direitos atleticanos assegurados, me confirmou Alfredo Ibiapina, ontem, por telefone.
O vinculo trabalhista de no máximo 2 anos, que pode ser renovado, vale menos que o registro Fifa que segue com o Nacional, agora sócio do Atlético no negócio. Trocando em miúdos, caso Morro deseje seguir o caminho de Ariel e romper com base na lei brasileira, não poderá; segue ligado ao clube uruguaio, que o emprestou ao Furacão.
Caso o jogador seja vendido durante o tempo de contrato, o Atlético tem a preferência de recebimento da sua fatia; se ninguém se interessar por García, o clube poderá adquiri-lo em definitivo, após os 3 anos, por mais US$ 2,5 milhões.
Reportagem: protesto T.O. Atlético no CT do Caju
Se você não pôde assistir ao Jogo Aberto Paraná na Band Curitiba hoje, saiba como foi o protesto da torcida organizada do Atlético no CT do Caju na reportagem abaixo:
Linha tênue
Alfredo Ibiapina, diretor de futebol do Atlético, aprovou o protesto da organizada “Fanáticos” no CT do Caju na tarde de hoje. ” Foi um papo bem tranqüilo, foi até bom. Essa cobrança é até positiva”, disse-me, por telefone, no primeiro papo que tive com o homem que hoje comanda o futebol do Rubro-Negro, mas que já está no clube desde 2009.
Alfredo parece um homem bem intencionado, mas deve ter cuidado. Toda relação com torcida organizada é uma linha tênue. O protesto físico, já transcrito nessa nota oficial no site da torcida deixa um aviso bem claro: “Neste protesto não foi necessária nenhuma atitude violenta por parte da Torcida”, diz o item 4; nesse não, nos próximos, não se sabe. Por via das dúvidas, o Atlético também emitiu nota oficial.
E todo caminho que pende para o choque termina mal, como bem sabem os paranaenses, em especial a torcida coxa-branca. Questionado por mim, Ibiapina ponderou. “Concordo que não pode virar rotina, mas hoje foi positivo. Cobraram raça e desenvoltura”, disse, quase que grato pela ajuda junto ao apático grupo de atletas. Pois nisso Ibiapina e a torcida – não só a organizada – tem razão.
“Os jogadores precisam saber que a torcida não está satisfeita. Queira ou não, Os Fanáticos representam a torcida como um todo”, seguiu o dirigente. A pressão, agora levada de fora para dentro, pode ter efeito reverso: ao concordar com a entrada da organizada, pode se sentir ainda mais a falta de comando. Caberá a Ibiapina colocar os pingos nos is, limitando a “ajuda” na gestão do futebol do clube a essa chiadeira de hoje. Que pode piorar, obviamente, se o time não vencer.
Ao menos, após 15 dias fora do país negociando por Morro García, Ibiapina parece que está pondo a mão na massa, ao chamar Adilson Batista a explicar as declarações que sugeriram racha no grupo. “Conversei com ele hoje, essa semana toda vamos averiguar alguns fatos. Temos que ver como organizar esse grupo. A maioria dos jogadores do grupo do Atlético joga em qualquer clube do Brasil. Os jogadores não são ruins, mas nós temos que transformar isso em verdade.”
Mexer no técnico? “É um grande treinador, de primeira linha. Não há intenção tirar o Adilson.”
Contra o Bahia, no meio do feriadão, todos saberão os efeitos das conversas de hoje.
Organizadas
Torcidas organizadas são uma parte já inseparável do convívio do futebol. Dão um colorido legal ao estádio, puxam cantos, incentivam crianças a escolherem seu time do coração. Mas estão longe de ser só alegria.
Quando questionadas sobre o controle da violência, se dizem incapazes de controlar a massa; ainda assim, lucram com a venda de materiais inspirados nos clubes, a maioria sem recolher royalties. Costumam ser ponto fácil para venda de entorpecentes e tem um largo histórico de confusões e até mortes. Muitas vezes, seus líderes tornam-se semideuses no meio, ameaçadores, governando pelo medo.
Se um clube abre suas portas para a organizada, é preciso saber, como deixa bem claro o aviso acima: o papo de hoje pode ser o cacete de amanhã. Cada dirigente lida com as TOs como quer; as consequências também vem na mesma medida.
Mas de tudo que possa se tirar do episódio, uma frase é emblemática: “NÃO estamos do lado de MM, MCP, ETA, ASSOCAP, nem de porra nenhuma, apenas do lado do ATLÉTICO!!!”, diz o ítem 8. Que procura eximir a ação da política, ainda que o chefe da torcida seja um vereador que há poucos dias, politicamente, assumiu torcida pelo maior rival na Copa do Brasil.
Tênue, não?
Túnel do Tempo: “Caiu.”
Inauguro com esse post a seção Túnel do Tempo, para relembrar momentos importantes do futebol paranaense aqui no blog. Vamos dar um pulo em 2009. Muito provavelmente as manchetes eram muito parecidas com as de hoje na quinta rodada daquele Brasileirão, especialmente para o Atlético.
No dia 08/06/2009 os atleticanos acordaram com uma certeza: “caiu”. Após três derrotas e um empate, o Furacão receberia o xará mineiro na Arena. E o Atlético de lá passeou:
Geninho, que havia conquistado o Estadual sobre o maior rival, não resistiu a goleada e foi demitido. Algo precisava ser feito e, como sempre, sobrou para o técnico – o Atlético ainda trocaria Waldemar Lemos por Antônio Lopes. A segunda troca foi a prova de que não era bem o técnico o problema.
O time engrenou três vitórias no final do primeiro turno e só então deixou a ZR. Àquela altura, Mário Petráglia havia se distanciado do futebol do clube, dando lugar a Marcos Malucelli – hoje, presidente atleticano.
O time que perdeu para o Galo por 0-4 tinha (segundo a ficha da Furacão.com): Vinicius; Raul (Manoel 57′), Carlão, Antonio Carlos, Chico e Márcio Azevedo; Valencia, Julio dos Santos (Marcelo 58′) e Marcinho; Rafael Moura e Patrick (Wesley int). T: Geninho.
Cinco jogadores foram identificados como “laranjas podres” e acabaram afastados. A história real nunca veio a público. O fato é que o Atlético só se salvou na penúltima rodada, ao vencer o Botafogo, por 2-0 em casa, com o seguinte time em campo: Galatto (Neto int); Wesley, Rhodolfo, Nei, Bruno Costa e Márcio Azevedo; Valencia, Alex Sandro (Rafael Miranda 80′) e Paulo Baier; Wallyson (Rodrigo Tiuí 82′) e Marcinho. T: Antonio Lopes. Apenas Marcio Azevedo, Valencia e Marcinho, dos que estavam em campo no vexame com o Galo.
Dois anos depois, a sensação entre os atleticanos é de Dèja Vu. O desânimo é geral. As lições estão na história.
Simplismo

Paulo Rink, ídolo atleticano e hoje funcionário do departamento de futebol do clube, mostrou no Twitter a maneira como as coisas estão sendo conduzidas no Atlético. Enquanto a torcida ainda absorvia a derrota (0-2) para o Fugueirense em Florianópolis, ele, com a autoridade de quem está por dentro de tudo o que acontece no clube, resumiu: “pqp, tá foda”. Dos 140 caracteres que o Twitter disponibiliza, Rink precisou de apenas 12 para mostrar a pobreza de comando no futebol rubro-negro.
Se Rink, que está lá dentro com (?) autonomia para fazer algo pelo Atlético acha que “tá foda”, o que pensam os torcedores que assistem a uma equipe que, em 5 jogos, somou um ponto e fez um gol; que desde janeiro já teve quatro técnicos e nenhum acertou uma maneira de jogar; que foi impedosamente goleada pelo maior rival por duas vezes no estadual; e que percebe uma apatia generalizada em quem participa do dia-a-dia atleticano a cada derrota, a cada entrevista?
Sem contar que ainda esse ano, possivelmente em Agosto, o Atlético deixe a Arena para as obras da Copa 2014. Se com ela somou um ponto em 15, o que esperar quando sequer estádio terá?
O problema é crônico. O Atlético tem carências básicas para um time que disputa a Série A. A defesa é fraca, o meio pouco criativo e o ataque inoperante. Mas não se pode negar que, quando contratados, Guerrón, Branquinho e mais alguns foram unanimidade. Não emplacaram, mesmo com a estrutura que o clube oferece.
Só há uma conclusão: falta comando. Não do técnico Adilson Batista, mas mais em cima. Não existe outra lógica que aponte um time disperso e desinteressado, como o que anda envergando a camisa atleticana, para quem CT e estádio de primeiro mundo e salários em dia. Trocando em miúdos, tá faltando chefe, um cara que ponha essa boleirada pra correr. Ou em campo, ou do clube.
E quando um funcionário (que Rink me perdoe, mas o ídolo não pode ser confundido com o cargo) vem a público com um simples “tá foda” sem saber o porquê, sem ter alguma ação, realmente… ele tem razão – mesmo sendo parte do processo.