Artigo: quem perde na briga do Atlético com a imprensa?

Essa é uma informação exclusiva: a Coca-Cola se reuniu há 10 dias com a diretoria do Atlético para cobrar do clube o porquê da pouca exposição da marca na mídia. Na reunião, esteve presente o diretor de comunicações, Mauro Holzmann.

A Coca-Cola cobrou a ausência da exposição dos banners com os patrocinadores e usou até mesmo o Coritiba como exemplo, citando ainda que, com imagens de treino disponíveis para toda a mídia no Alviverde, há retorno do investimento em propaganda até mesmo quando os atletas do Coxa estão consumindo o isotônico da empresa, o que aparece na televisão. Holzmann prometeu algumas contra-partidas – as placas atrás dos gols nos jogos do Atlético no Paranaense, por exemplo. Ainda assim, a direção de marketing da multinacional não ficou contente com as explicações e poderá rever o contrato. A assessoria de imprensa da Coca-Cola confirmou que procurou o clube.

Esse é apenas um dos exemplos das perdas que o Atlético vêm tendo a partir das restrições que tem imposto à mídia em 2013. O modelo de comunicação adotado pelo clube é inédito no Mundo e vai na contramão de tudo o que prega qualquer boa cartilha em gestão e comunicação. Antes de continuar o artigo, faço o aviso: sou formado em jornalismo e também em publicidade, tendo trabalhado por anos na área, antes de migrar para redações. Também sou pós-graduado em gestão esportiva e jornalismo esportivo. O artigo aqui, portanto, não é um achismo; é um apanhado de informações e reflexões sobre as decisões do clube que, pelo volume de torcedores que possui, tem relevância no mercado nacional.

É preciso se entender as razões da decisão da diretoria do Atlético. E também separar algo que já é bem caracterizado no mercado: o que é jornalismo e o que é entretenimento. A opção de não vender os direitos de transmissão para o campeonato estadual é um direito do clube, que argumentou que o valor está abaixo daquilo que entende ser correto. A exibição dos jogos é tratada, até mesmo pela principal emissora do País, como entretenimento. É como quando você quer comprar um carro: ele tem um preço, você tem um valor no bolso; se for compatível, ok. De outra forma, não sai negócio. Sabe-se, porém, que há mais por trás da decisão do que só uma valorização de mercado.

Há anos que a atual diretoria do clube têm problemas com parte da imprensa. E aqui cabe outra ressalva: não há corporativismo na análise – até porque posso garantir que poucas classes são mais desunidas e acirradas que a de jornalista – mas há que se pesar que ora um tem razão na reclamação, ora outro. Há quem diga que tudo que começou em 2004, em uma discussão entre diretores do clube e comentaristas em uma das principais rádios de Curitiba. Há também quem ache que essa mesma rixa vem de mais tempo, 1988, com o cenário político na capital, envolvendo o personagem de mais destaque no clube, Mário Celso Petraglia. Fato é que, por muitas razões, o mercado do jornalismo esportivo é mal visto na cidade, independentemente do time para o qual você torça. E que muitas vezes misturam-se as relações pessoais com as profissionais. Acontece nos microfones e também no site oficial do clube, exemplos não faltam.

O site oficial, aliás, tem uma boa ideia sobre como se comunicar. Só que mal executada. A segmentação de informações do clube não é invenção do Atlético. Há anos já existe a Barça TV, assim como a Real Madrid TV. Existem até mesmo canais de TV que pagam para ter a programação oficial dos clubes. Milan Channel e MUTV (do Manchester United) cobram para canais exibirem seus conteúdos. No Brasil, clubes têm até espaços em canais, como a TV Corinthians no Esporte Interativo – mas a inversão é que o clube compra o espaço para divulgar seu material institucional. Rádios também são opção para o torcedor. O Grêmio tem a sua, que acompanha todos os jogos. Ainda em Porto Alegre, existe uma rádio não-oficial chamada Rádio Grenal, do grupo Guaíba, que fala tão somente da dupla, com jogos transmitidos por torcedores – uma relação que eu considero perigosa e explicarei porque a seguir. Mas, enfim, existem produtos similares no mercado. Nenhum porém que vete o jornalismo em cima do clube.

O jogo é entretenimento; a entrevista, não. Um clube de futebol trabalha não só a emoção do torcedor nos 90 minutos. Tem balanço financeiro e alguns benefícios fiscais. Vende e compra ativos no mercado (os jogadores). Tem departamento médico e de marketing. Movimenta muito dinheiro. Especialmente os grandes clubes, que, por tudo isso são de interesse público. Aí entra a imprensa, que tem como principal trabalho monitorar tudo isso. Um ótimo repórter, no entanto, dribla 90% das restrições do clube. Descobre contratações (olá, redes sociais), negociatas, informações sobre patrocínios e lesões. Falta apenas uma ponta, não menos importante: ouvir o protagonista do espetáculo. É ele quem leva o torcedor pro estádio. Neymar e seus milhares de fãs não me desmentem. E é ele que o povo quer ouvir. No Atlético, não há essa possibilidade.

Cristiano Ronaldo é um craque de bola e de mídia. Ao contrário de Messi, não é low-profile; gosta de badalação e já apareceu até com Paris Hilton nos jornais. Explora bem isso, convertendo em dinheiro, sem deixar de desempenhar em campo. Sem a mídia, Cristiano Ronaldo seria apenas um ótimo jogador, não um ídolo pop. Coisa que Messi é em menor grau, mas não porque o Barcelona o esconde. Messi concede entrevistas coletivas como qualquer outro jogador. A Espanha é o melhor exemplo para esse artigo que fala do relacionamento entre clube e imprensa. Para quem acha que há perseguição ao seu clube, é bom passar uma semana lendo os diários de Madri e Barcelona.

O Mundo Deportivo é o principal jornal de Barcelona; o Marca, o principal de Madri. Há uma clara preferência de cada um pelos clubes das suas cidades, sem pudor. Ambos, no entanto, se pretendem nacionais. E frequentam as entrevistas coletivas dos clubes. As perguntas mais ácidas, mais provocativas, costumam partir destes jornais. Mas somente para os clubes da outra cidade. O bairrismo catalão é a mola propulsora desta disputa, que passou até pela Guerra Civil Espanhola. É histórica a disputa entre Barça e Real, Catalunha e Madri. E nem por isso os clubes barram os jornalistas. Ao contrário: recebem bem, exploram o espaço de mídia valorizando suas marcas e dão media-training aos jogadores que, claro, já estão bem escolados.

No Mundo Deportivo, as notícias sobre o Real Madrid são sempre mais críticas

Jornalismo pressupõe contradição, investigação, réplica e tréplica. E o mínimo de isenção possível ao se lidar com o assunto. Nenhum jornalista é completamente isento: todos temos histórico de criação, bagagem cultural, opções políticas e clubísticas. Mas, ao se empunhar um microfone, isso deve ser deixado de lado o máximo possível. Eu, por exemplo, tenho meu clube do coração. Acho irrelevante declarar – não irá mudar em nada qualquer decisão de ninguém – e procuro isentar-me dos temas da seguinte forma: se eu torço para um determinado time, sei o que o torcedor do rival sente pelo dele. Logo, dou o respeito que gostaria de receber. Com o tempo e o desgaste, o futebol perde a magia e o lado profissional fica em primeiro lugar. E é por isso que jamais uma visão mono e institucional sobre qualquer tema será benéfica. O contraditório é importante para que você desenvolva o seu próprio julgamento.

Assim, por mais que o site oficial de qualquer clube se esforce, jamais será uma fonte 100% confiável; ela é partidarista. Tal qual os programas esportivos com torcedores – já tive oportunidade de comandar duas atrações assim – que perderam-se no tempo por misturar informação com entretenimento. São divertidíssimos quando ficam nas rixas e gozações, mas se perdem quando precisam adotar uma postura informativa. Cada um defende o seu, sempre. E a informação é dada pelo emocional: se fulano jogou mal, não presta, se fez gol, é Pelé. O pronunciamento dado por Mário Celso Petraglia, com interatividade de sócios, seguiu essa linha, bem como as entrevistas feitas pelo site do clube, que pretende servir como fonte única de informação. Falta réplica, contraditório. O que as entrevistas coletivas já vinham minando há algum tempo, o Atlético tratou de exterminar. Com a visão mono, perde-se o lado crítico e a consequência é a letargia: tudo é bom, bonito e tudo serve. Ou foi fatalidade. O popular “Deus quis assim”.

O Santos, com a SantosTV, explora ao máximo as brincadeirinhas com Neymar. Em São Paulo, o Santos não consegue muita audiência. Tem um grande ídolo e aproveita isso, sem barrar qualquer entrevista com qualquer jogador. Atendendo as necessidades, o Peixe expõe sua marca constantemente na mídia nacional. As notícias, a cargo da imprensa. Os bastidores, o Santos oferece e a mídia exibe. Se Neymar ficar noivo e feliz, isso vai ser notícia sem que se cobre dele o desempenho em campo pelo viés crítico.

A confusão entre jornalismo e entretenimento faz com que o clube execute errado uma ideia que seria salutar a todo o mercado – e causa arrepios a alguns colegas: a venda dos direitos de transmissão de rádio. A Fifa já faz isso com a Copa. A lei garante o jornalismo e registro de 3% do espetáculo (vale também pra shows, por exemplo), mas os 90 minutos, só para quem pagar. Foi assim que a TV Bandeirantes começou a transmitir o Campeonato Paulista nos anos 80, dando o pontapé num negócio de alta rentabilidade, para clubes e emissoras. É natural que haja o mesmo no rádio. Porém, nenhum clube conseguirá executar nada sozinho. Se eu compro os direitos de transmissão do Londrina, mas não compro os do Coritiba, como irei transmitir um jogo entre as duas equipes? Antes de executar a ideia, é preciso que todos a abracem. Novamente, o pecado está na execução.

No pronunciamento dado por Petraglia, uma frase chamou a atenção: “Hoje, todos têm smartphones”. Era o presidente do clube defendendo o acesso único a informações pelo site, TV e rádio oficiais. Deixando de lado a liberdade jornalística, a frase morre logo na premissa. É como a rainha francesa Maria Antonieta e a frase atribuída a ela: ” “Se o povo não tem pão, que coma brioches!” A fome do povo vinha da falta de dinheiro, não de opção. O humilde carrinheiro que já anda afastado dos estádios por conta dos ingressos, não tem smartphone. E não terá mais acesso a sua paixão – claro, se for atleticano. Para desgosto rubro-negro, o Coritiba segue a contramão: nos últimos 15 dias, foi exibido 4 vezes em redes nacional e estadual.

A média de audiência do mais consagrado programa de esportes em Curitiba é de 14 pontos no Ibope. Cada ponto equivale a 27 mil televisores ligados que, em média, são assistidos por 6 pessoas. Numa conta rasteira, 150 mil pessoas por dia. O pronunciamento de Petraglia foi, até a redação deste artigo, “curtido” por 125 pessoas, com 78 “tuitadas”, dando a dimensão limitada do acesso do conteúdo na web. O Atlético hoje tem 93 mil seguidores no Facebook e 34 mil no Twitter, enquanto a torcida estimada do clube é de 1,2 milhão de pessoas. Ainda que seja um pronunciamento, as ideias de Petraglia chegaram a pouca gente. Até mesmo as boas, como a pré-temporada na Europa, acabam se perdendo pela falta de explicações. Menos mal para o público que houve um acerto com um canal de TV a cabo nacional para a exibição dos jogos.

Audiência TVCAP: ideias de Petraglia chegam a poucas pessoas

O conflito de interesses entre imprensa e clubes vai sempre existir. Ora ético, ora não, de ambos os lados. É assim na política, na polícia e em todas as áreas do relacionamento humano. Como o futebol é feito de vitórias e alguns torcedores têm a moral distorcida por isso (ganhou tá lindo, perdeu não presta), é uma variável a repercussão dos assuntos. Saber lidar com isso, usando de transparência e inteligencia, é o melhor caminho.

Quebra de paradigma

O anúncio pegou a todos de surpresa: o Atlético irá disputar, entre 1 e 12 de fevereiro, um torneio na Espanha, participando da intertemporada européia, confirmando a estratégia de deixar o time Sub-23, que está em preparação desde o ano passado, no primeiro turno do Paranaense. Assim, quebra um paradigma no futebol brasileiro e estica a própria pré-temporada, adaptando-se a um calendário inchado e muito criticado no Brasil.

No papel, a ideia é ótima. Na prática, só o tempo dirá. Evidentemente, como as últimas temporadas já mostraram, não basta apenas estrutura e boa estratégia para que um time seja vencedor. Estrutura o Atlético tem de sobra; o que tem faltado mesmo, há algum tempo, é material humano. Mas o clube não deu prioridade ao investimento pesado em jogadores nesta temporada – tampouco admitiu estar pressionado pelas contratações dos rivais, em especial o Coritiba, como me disse o diretor de futebol Antônio Lopes nessa entrevista (clique para assistir).

Já que não abriu os cofres – e nem tem poder para competir no mercado com Corinthians, Santos e outros – optou por um intercâmbio europeu, tirando os jogadores do elenco principal do excesso de jogos, dando experiência ao grupo numa disputa com estilos diferentes de jogo, proporcionando integração no elenco e uma experiência de vida individual que pode sim ser revertida em desempenho. Funcionário feliz é funcionário produtivo, em qualquer segmento. E conhecer a Espanha nunca foi mau negócio.

O que pode dar errado é justamente o choque cultural. Primeiro, fora de campo. O elenco Sub-23 tem jogadores conhecidos que já tiveram suas chances e outros que ainda são apostas. O volante Foguinho e o lateral Herácles, por exemplo, são os mais experientes, ao lado de Zezinho, que apareceu bem no Juventude, mas desde uma passagem pelo Santos não decolou na carreira. O goleiro Santos e o trio de atacantes Taiberson, Edigar Junio (sem “r” mesmo) e Pablo são apostas.

Diante de um Coritiba soberano no Estado e com o melhor elenco entre todos os paranaenses, um Paraná sedento por uma resposta ao torcedor, com aposta num elenco mais experiente, e os sempre competitivos Londrina, Operário, Arapongas e Cianorte, os meninos do Atlético podem sofrer uma pressão por resultados que atrapalhe ou antecipe a entrada do time principal na disputa. A aprovação à ideia dura até o primeiro 0-3 contra, como de praxe no futebol.

Em segundo lugar, pode haver uma distância muito grande entre a preparação internacional do Atlético para a de outros clubes brasileiros. Esse é o menor risco, de fato. Mas a dinâmica de jogo que o clube precisa ter na Copa do Brasil e no Brasileirão pode ser maior do que a oferecida pelos adversários na excursão. Os times do Leste Europeu estão na segunda linha do futebol daquele continente. Adversários interessantes que podem estar no caminho atleticano são o Dínamo de Kiev, da Ucrânia (que disputou a Champions League na fase de grupos e pegará o Bordeaux, da França, na fase de 1/16 avos da Liga Europa) e o Rubin Kazan, da Russia (que também está na Liga Europa e será o adversário do atual campeão, Atlético de Madrid). Ambos fizeram a decisão do mesmo torneio na última temporada – na foto do post, lance da partida, vencida pelo Rubin por 2-1.

No geral, a ida para a Europa em meio ao Estadual (que, diga-se, não está sendo “abandonado” pelo clube, que estará na disputa) pode significar um marco no futebol brasileiro. O desempenho do Atlético nas competições nacionais poderá ser parâmetro para outros clubes, caso a ideia seja bem-sucedida. Nem tanto pela viagem à Europa, mas muito mais por uma pré-temporada de 40 dias na prática, criada por iniciativa própria. No papel, parece bom. Na prática, só esperando os resultados.

Onze anos depois, onde estão os 11 titulares do Atlético 2001?

O dia 23 de dezembro marca a história do Atlético pela conquista do título brasileiro em 2001. Onze anos se passaram desde então e o blog foi atrás de saber: onde estão os 11 titulares* daquela partida final em São Caetano do Sul?

1 – Flávio: O “Pantera” hoje tem 42 anos, recém-completados (17/12) e segue na ativa, de volta ao CSA, clube que o revelou. Flávio Emídio dos Santos Vieira deixou o Atlético em 2002, sendo um dos jogadores mais vitoriosos da história rubro-negra, com 6 títulos: Paranaenses 98/2000/01/02, Brasileiro B 95 e Brasileiro A 01. Defendeu o Vasco e venceu o Carioca 2003, para logo depois voltar à Curitiba para vestir a camisa do Paraná Clube, sendo campeão estadual em 2006 – após um jejum de 9 anos. Depois, rumou ao América-MG, onde venceu o Mineiro Módulo II em 2008 e o Brasileiro C 2009, se tornando o primeiro jogador a ganhar 3 divisões de Brasileirão. Em 2012, retornou ao CSA, onde foi bicampeão alagoano em 1991 e 94, para ser o principal jogador da equipe que tentará romper um jejum de 4 anos sem conquistas.

2 – Alessandro: Carioca de Campos dos Goytacazes, disputou o Brasileirão 2012 pelo Náutico, que ficou na 13a posição. Depois de sair do Atlético, o lateral-direito, que chegou a defender a Seleção por três vezes e estampar uma capa da Revista Placar sob o título “Se Cuida, Cafú!”, ficou no Botafogo-RJ por 4 anos e venceu o Carioca 2010. Defendeu ainda Atlético-MG, São Caetano e Botafogo-SP. Alessandro da Conceição Pinto tem 35 anos e não ficará em Pernambuco em 2013.

3 – Nem: Rinaldo Francisco de Lima chegou ao Atlético depois de muito rodar a partir do clube que o revelou, o São Paulo. Foi o capitão do time campeão brasileiro e hoje, aos 39 anos, tenta emplacar uma carreira de técnico, dividindo-se entre o futebol profissional e a Suburbana, onde comandou o time do Bairro Alto, vice-campeão suburbano em 2012. Depois do Atlético, defendeu Atlético-MG, Braga de Portugal e o Paraná Clube, por onde havia passado em 2000, sendo campeão brasileiro da Série B.

4 – Gustavo: Paulista de Ribeirão Preto, Gustavo de Souza Caiche tem hoje 36 anos e parou de jogar em 2009, no Al-Shamal do Catar, após diversas cirurgias no tornozelo. Após deixar o Atlético em 2002, depois de ser 6x campeão pelo clube, defendeu Palmeiras, São Caetano, Corinthians e Sport, até retornar ao Atlético em 2008. Aposentado, comanda um projeto que pretende revelar jogadores no Guarujá, litoral paulista, com a empresa G3FutSports. Gustavo ainda é fã de MMA e chegou a disputar o Paulista de Jiu-Jitsu.

5 – Rogério Corrêa: Depois de comandar o Lemense  (que está na Série B do Paulista), Rogério Corrêa de Oliveira acertou com o J. Malucelli para ser auxiliar técnico de Sandro Forner, que vai comandar o Jotinha no Paranaense 2013. Aposentado desde 2011, Rogério disputou a Suburbana pelo Bairro Alto (vice-campeão) em 2012. Depois do Atético, defendeu Goiás, Bahia e o Shimizu S-Pulse, do Japão.

6 – Fabiano: O lateral-esquerdo, que chutou a bola que originou no gol de Alex Mineiro na decisão em São Caetano, ganhou o Mundo após deixar o Atlético. Rodou por São Paulo, Perugia e Genoa da Itália, Palmeiras, Celta de Vigo da Espanha e o Fenerbahçe, da Turquia, onde ganhou o campeonato turco de 2004/05 ao lado do coxa-branca Alex. Ele segue na ativa, aos 33 anos, e vai defender o Central de Caruaru no Campeonato Pernambucano.

Fabiano, com a camisa do Celta de Vigo

7 – Cocito: Chegou ao Atlético com o zagueiro Gustavo e o atacante Lucas, todos do Botafogo-SP, para ser um dos mais queridos jogadores da história rubro-negra, clube pelo qual conquistou 3 estaduais e o Brasileiro 2001. Ainda esteve na campanha do vice-campeonato da Libertadores em 2005, quando retornou ao Furacão após passar por Corinthians e Grêmio. Depois, rumou para a Espanha, defender o Tenerife e o Real Murcia. Ainda jogou por Fortaleza e Avaí até se aposentar em 2009 no Vila Nova goiano. Hoje, mexe com construção civil e está sempre em Curitiba, tendo sido parte ativa da campanha política de Mário Celso Petraglia nas eleições do clube em 2011. Pode ser encontrado no Twitter: @cocito5.

8 – Adriano: alagoano de Maceió, chegou ao Atlético em 98 junto com o goleiro Flávio e logo acompanhou o técnico Abel Braga no Olympique de Marseille. Ganhou o apelido “Gabiru”, especie de rato de Alagoas, por ser mirrado. Recebeu do Atlético tratamento similar ao que Zico recebeu no Flamengo nos início dos anos 80, ganhando massa muscular. Da França, retornou ao Furacão e ser peça fundamental no título brasileiro, ao sofrer o pênalti que deu ao Atlético a vantagem de dois gols sobre o São Caetano no jogo de ida, na Arena. Rodou o Brasil depois disso: Figueirense, Sport, Cruzeiro, Goiás, Guarani e Internacional, onde também fez história: marcou o gol da vitória colorada sobre o Barcelona na decisão do Mundial de Clubes de 2006 (vídeo abaixo). Após sair do Inter, não conseguiu mais ter grandes oportunidades. Passou a rodar times “lado B”: Mixto-MT, Corinthians-PR (atual J. Malucelli), CSA e até o Guarany de Bagé-RS. Segue na ativa, mas está sem clube, aos 35 anos. Vive em Curitiba.

9 – Alex Mineiro: Chegou ao Atlético oriundo do Cruzeiro, numa troca com o volante Marcos Vinícius que ainda envolveu o também volante Donizete Amorim. Tornou-se ídolo na arrancada para o título brasileiro, quando marcou 8 gols em 4 jogos. Entre idas e vindas para o Furacão, defendeu Atlético-MG, Palmeiras, Grêmio, Tigres-MEX e Kashima Anthlers-JAP. Na carreira, tem títulos Paulista pelo Palmeiras (2008) e Mineiro pelo Cruzeiro (1997), clube pelo qual também venceu a Copa Libertadores da América, além de 2 Estaduais e 1 Brasileiro pelo Atlético. Está aposentado, com 37 anos, e jogou a Suburbana pelo Bairro Alto. Está no Twitter: @alexmineiro9.

10 – Kléberson: O maior jogador paranaense da história, talvez não em plasticidade de jogo, mas certamente em conquistas. José Kléberson Pereira, natural de Uraí, próximo à Londrina, tem 33 anos e defende o Bahia atualmente. Do título brasileiro em 2001 para cá, conquistou a Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira, pela qual marcou 2 gols em 32 jogos. Foi peça-chave na mudança tática de Luis Felipe Scolari para a arrancada do Penta. Com a Amarelinha, ganhou ainda a Copa América em 2004 e a Copa das Confederações em 2009. Defendeu o Manchester United, sendo o primeiro brasileiro a vestir a camisa do principal clube inglês, ganhando o título Inglês, a Copa da Inglaterra e a Supercopa inglesa. Protagonizou clássicos com o coxa-branca Alex na Turquia, ao defender o Besiktas, campeão da Copa da Turquia 2005/06 em cima do rival do Fenerbahçe. Voltando ao Brasil, defendeu o Flamengo, onde conquistou o Brasileirão 2009 e dois Cariocas.

Kléberson com as faixas do Penta, do Brasileirão 2001 e do Tri-Paranaense 00-02 (foto: site Furacão.com)

11- Kléber: “O incendiário”, que passou a ser conhecido em todo Brasil como Kléber Pereira, tem 37 anos e divide os cargos de atacante e diretor de futebol do Moto Club do Maranhão, time que o revelou e pelo qual disputou o a Copa União do Maranhão no segundo semestre, após ver o rebaixamento do Moto para a segundona local no primeiro. Como sempre, está envolvido em polêmicas: é cotado para reforçar o rival Sampaio Corrêa, que vai jogar a Copa do Brasil 2013, ao mesmo tempo em que é cobrado para ser candidato a presidente do Moto Club. Depois de sair do Atlético, Kléber passou por um bom tempo no futebol mexicano, onde foi campeão da Copa dos Campeões da Concacaf em 2006 pelo América. Rodou ainda por Inter (campeão da Libertadores 2010), Vitória (campeão da Copa do Nordeste 2010) e Santos. Pelo Atlético, foram 124 gols, sendo o terceiro maior artilheiro da história do Furacão, atrás de Jackson (142 entre 1944 e 1954) e Sicupira (157 entre 1968 e 1976).

*Outros jogadores foram importantes na caminhada atleticana de 11 anos atrás, como Ilan e Souza. Mas fiquei com os 11 titulares, para fechar nos 11 anos da conquista.

Os acessos do Atlético

Se derrotar o Criciúma nesse sábado e São Caetano ou Vitória não vencerem, o Atlético conseguirá pela terceira vez na história um acesso da Série B para a A.

O Furacão disputou a segundona em cinco oportunidades, mas até 1988 o Campeonato Brasileiro era feito à base de convites conforme o desempenho nos campeonatos estaduais. Por isso não há como mensurar a participação em 1980 e em 1982, temporada esta em que disputou jogos na “B” e na “A”. Depois do rompimento do Clube dos 13 com a CBF e a divisão entre Brasileirão e Copa União em 1987, os clubes conversaram e, viradas de mesa a parte, o campeonato nacional passou a ter um sistema de acesso e descenso.

Em 1990, depois de ter sido rebaixado em 1989 pela única vez em campo (até 2011), o Atlético chegou à decisão da Série B contra o Sport Recife. O time campeão estadual tinha Marolla, Odemílson, Valdir e Dirceu, entre outros. Kita (foto acima), destaque em 1986 pela Inter de Limeira campeã paulista, chegou para reforçar o elenco que superou o Operário de Ponta Grossa, a Catuense e o Criciúma na fase semifinal.

A vaga na elite veio coincidentemente com uma vitória sobre o Tigre, 1-0, no Pinheirão, na penúltima rodada.Na decisão, dois empates com o Sport: 1-1 em Curitiba, com uma falha de Toinho no gol pernambucano e 0-0 no Recife. O vice-campeonato à época foi lamentado pelo atleticanos, que viam o Coritiba ser o único campeão brasileiro no Paraná até então.

Diário de Pernambuco destaca o título do Sport sobre o Atlético em 1990

O Atlético seguiria na elite brasileira até 1993, quando a CBF, numa manobra para salvar o Grêmio, então na segunda divisão, “subiu” 12 equipes da segunda para a primeira divisão. Atlético e Goiás, salvos pela classificação na A em 1992, e Paraná e Vitória, campeão e vice na B-92, foram jogados para um grupo secundário dentro da elite, com 16 clubes, dos quais 8 seriam rebaixados. O Grêmio, claro, mesmo sem critério técnico, foi colocado no grupo dos blindados. O Atlético-MG, lanterna no geral em 93, também, evitando a queda. O Paraná se salvou, o Coritiba não, tampouco o Furacão.

Por isso, o Atlético disputou a Segundona em 94, quando caiu na semifinal para o Juventude, e em 1995.

O time campeão de 1995, com Paulo Rink, Oséas, Ricardo Pinto e outros, comandado por Pepe, subiu fora de casa

Naquela temporada o Atlético tinha um jejum de 5 anos sem título estadual e estava em situação financeira delicada. A velha Baixada tinha se tornado a “Baixada do Farinhaque”, com uma reforma que tirou o Furacão do Pinheirão. E, numa páscoa inesquecível para o futebol paranaense, o Coritiba de Brandão fez 5-1 no Atlético e gerou uma revolução no Rubro-Negro. O time iniciou a Série B mal, perdendo em Goiatuba por 2-0 para o time local. Mas foi se encontrando até ficar com o título, após vencer o Central de Caruaru por 4-1 na Baixada e contar com um tropeço do Coxa, que ficaria como campeão se vencesse em Mogi-Mirim (1-1). Ambos subiram. O acesso atleticano também foi em Mogi-Mirim, com uma vitória por 1-0, na primeira rodada do returno do quadrangular final.

As portas do paraíso

Portão do Anacleto Campanella, passagem para voltar ao convívio dos grandes

Sábado, 3 de novembro de 2012, o Estádio Anacleto Campanella estará na cabeça e no coração de cada torcedor atleticano pela segunda vez na história. Sem o mesmo glamour de 11 anos atrás, mas com uma importância proporcional. Da primeira vez, Atlético e São Caetano disputavam um lugar no seleto grupo dos campeões brasileiros; hoje, os 14.400 torcedores (capacidade máxima atual) que passarem os portões do estádio irão ver duas equipes buscando se recolocar na elite nacional.

Nós últimos 11 anos, desde que passou a integrar o time dos grandes clubes nacionais, o Atlético alternou bons e maus momentos. Esteve a pique de ser campeão da América, bi-brasileiro, conquistou um inédito tri-estadual… mas namorou com a Série B por várias vezes até finalmente casar em 2011, um ano cheio de erros. Coincidências da vida, voltar ao seu lugar de direito na Série A* pode ficar próximo da realização justamente no palco da maior glória.

Não que a vitória garanta matematicamente o acesso, mas dará uma vantagem de 4 pontos sobre um adversário que não terá mais como tirar a vantagem em confronto direto. Da mesma forma, uma derrota complica e muito o sonho atleticano de voltar à primeira divisão ainda nessa temporada. Ambos terão tabelas complicadas posteriormente e qualquer vantagem deve ser considerada. Manter um ponto, conquistando um empate, também está nos planos atleticanos. Elementos que entrarão em campo até mais que o histórico do estádio na vida atleticana.

Costumo dizer que Atlético e Coritiba fizeram um favor ao futebol brasileiro ao conquistarem os títulos de 2001 e 1985. Em finais consideradas menores pela grande mídia (que, assim como os clubes, não deve ter lido os regulamentos para contestá-los) venceram os dois clubes que têm história, camisa, torcida e representam mesmo uma comunidade. Em ambos os casos, os rivais da dupla não tinham identidade. Para 2012 o raciocínio não é diferente: entre Atlético e São Caetano, rivalidades e flautas à parte, é muito óbvio quem é que deve ocupar seu lugar entre os grandes.

No entanto, isso não ganha jogo. Em São Caetano a partida também é tratada como a grande oportunidade de resgate de um projeto para a cidade do ABC paulista, que teve seus momentos, chegando também à um vice-campeonato da Libertadores (2002) e outro nacional (2000). Time tocado com a ajuda da prefeitura, o Azulão botou São Caetano do Sul no mapa. Mas paga o preço pela administração semi-profissional: em um rompante de seu presidente, Nairo Ferreira de Souza, demitiu Emerson Leão e mantém um interino no cargo, Ailton Silva, cuja permanência está condicionada a uma vitória sobre o Furacão. Nairo, aliás, é o mesmo presidente dos anos de ouro do Azulão, de volta ao cargo. Outro laço entre os clubes – mais um, além da interinidade dos treinadores.

As principais lembranças dos atleticanos, até o apito inicial, ficarão em 23 de dezembro de 2001, quando Kléber recebeu a bola no circulo central, abriu na esquerda para Fabiano, que avançou e bateu cruzado na entrada da área. Silvio Luiz, goleiro do São Caetano, espalmou e Alex Mineiro, pela 8 vez em 4 jogos, empurrou pras redes. Não se sabe quem será o Alex Mineiro da vez – se é que ele vestirá rubro-negro. Mas, em se tratando de Série B, outra lembrança pode animar o Atlético. O interior de São Paulo já viu um acesso atleticano, em 1995, quando o time de Paulo Rink e Oséas fez 1-0 no Mogi-Mirim. Foi o início de uma série de 16 anos ininterruptos na Série A, até a queda em 2011.

O Anacleto Campanella, estádio acanhado no interior paulista, tem uma espécie de portal para o paraíso que só o Atlético tem a chave. Resta saber se no sábado o elenco 2012 irá carregá-la consigo, ao atravessar os portões para entrar no gramado no ABC paulista.

*É o paranaense que mais frequentou a elite, 36 vezes contra 34 do Coritiba, 33 a 32 contando apenas de 1971 pra cá; é ainda o 14o a mais disputar campeonatos na elite, atrás dos 12 de RJ/SP/MG/RS e do Bahia.

Pesquisa Ipsos/Marplan, parte II: Futebol para elas, ricos e pobres, do vovô ao netinho

Após a divulgação dos números globais da Pesquisa Ipsos Marplan 2012 (e muita discussão no post e nas redes sociais), chegou a hora de detalhar a pesquisa; quem, entre os paranaenses, tem a maior torcida entre as mulheres? E por faixas sociais? Qual o time do povão e qual o da elite? Os jovens e os idosos, preferem que cores?

É o que o blog apresenta abaixo.

  • O Atlético é delas, o Coxa é deles
A modelo Carol Garajaú: Atlético tem maioria feminina

As mulheres são maioria entre os atleticanos e mais: proporcionalmente, o Furacão tem a terceira maior torcida feminina do Brasil, atrás apenas de Internacional e Vitória e ao lado do Corinthians e do Sport Recife no índice.

No geral, as torcidas brasileiras estão bem divididas. Foi-se o tempo em que “futebol era coisa de homem”. Segundo a Ipsos/Marplan, 46% das torcidas brasileiras são formadas por mulheres.

As atleticanas compõem 52% da torcida rubro-negra. Inter e Vitória tem 53% das suas massas torcedores compostas por mulheres.

Se o Furacão é o time delas, o Coxa é o time deles. Apenas 33% dos torcedores alviverdes são mulheres, o menor índice entre as 23 maiores torcidas do Brasil – o volume de times detalhados pela Ipsos/Marplan. É a segunda maior torcida masculina do Brasil, em números proporcionais, atrás apenas da do Santos.

Além de ambos, o Ceará, com 39% de mulheres na torcida, tem índice abaixo dos 40%, como o Coritiba. Veja os números gerais*:

*A Ipsos/Marplan não divulgou os números da torcida do Paraná; a ordem do gráfico corresponde a ordem nacional das pesquisas no Brasil, em números absolutos

  • Coritiba tem a torcida mais rica do Brasil
Torcida Coxa se fez presente em jogos na Copa da África 2010

O Coxa tem os torcedores mais ricos do futebol brasileiro, aponta a pesquisa. A elite curitibana é 14% da torcida alviverde, maior índice entre todos os 23 clubes detalhados pela pesquisa. A classe A, com renda mensal acima dos R$ 8.000, prefere o Alviverde. Não só em Curitiba: o concorrente mais próximo do Coritiba nesse índice é o Palmeiras, com 12%. O Atlético tem 8% de seus torcedores na classe A.

Nem Atlético, nem Coritiba, podem se dizer verdadeiramente “um time do povo”. Em se tratando de classes econômicas, a dupla Atletiba tem maior penetração nas classe média, entre as classes C e B (com renda mensal entre R$ 950 e R$ 4.600). Na disputa entre ambos, ligeira vantagem para o Atlético entre os mais pobres (com renda abaixo dos R$ 950), com 8% x 7% do Alviverde. Pra se ter uma ideia, nacionalmente, a verdadeira torcida do povo brasileiro é a do Ceará, com 33%. O Corinthians tem apenas 9% de torcedores nessa faixa, enquanto o Flamengo tem 15%.

Na classe média, o Atlético leva vantagem sobre o Coxa entre os situados na classe C (44 x 30) e perde na B (39 x 49), comprovando a preferência dos mais abastados pelo clube do Alto da Glória. Veja os índices nacionais:

  • Vovô é Coxa, filhos são Rubro-Negros, netos em aberto
Vovô Coxa entre Lucas e Kleberson, na faixa dos 30 (Foto: Blog do Bronca)

Como visto no primeiro post desta série, há uma flutuação nos índices percentuais das torcidas, conforme as décadas. As gerações vão se sucedendo e mexendo com os números. Segundo a Ipsos Marplan, o Coritiba tem 19% dos seus torcedores acima dos 50 anos, enquanto nessa faixa estão 14% dos atleticanos. A torcida mais “velha” do Brasil atualmente é a do Fluminense, com 41% dos torcedores acima dos 50.

O Atlético está a frente do Coxa entre a faixa considerada mais ativa, de 25 a 50 anos: 48 a 41%. Entre todos os 23 clubes do detalhamento, a média percentual de torcedores nessa faixa é a maior, 43%. Apenas Palmeiras (50%) e Bahia (49%) tem mais torcedores nessa faixa que o Atlético. Flamengo, Atlético-MG e Internacional tem o mesmo índice dos rubro-negros.

Entre jovens e crianças, o Coritiba está ligeiramente acima do Atlético, 39% a 38%. Os coxas-brancas estão mais numerosos entre 18 e 24 anos; abaixo disso, os rivais estão iguais. Em todo o Brasil, a torcida que tem o maior número de jovens em suas fileiras é o Sport Recife, com 47%; na outra ponta da tabela está o Palmeiras, que tem 25% dos seus torcedores nessa faixa etária.

  • Conclusões

Estatísticas de torcidas no futebol normalmente são mal digeridas. Enquanto os perdedores duvidam da origem das pesquisas, os vencedores preferem a galhofa ao estudo – que, de fato, deveria ser objeto de todos.

Os índices e as flutuações no mercado do futebol, apontados pela pesquisa da Ipsos, são significativos. A queda assustadora de torcedores do Paraná, o constante crescimento corintiano no mercado paranaense e também no país todo, as preferências por sexo, idade e classes sociais, tudo pode ser objeto de um trabalho mais profundo para readequação de interesses de cada clube.

Não há marketing melhor que bola na rede, dirão alguns. De fato. Mas muitas ações podem ser tomadas para que cada clube amplie sua ação no mercado, afim de faturar mais, gerar receitas e atratividade e assim, com dinheiro em caixa, buscar quem ponha a bola lá, iniciando um ciclo positivo.

Atlético tem a maior torcida paranaense; veja detalhes exclusivos

 

O Atlético tem a maior torcida de Curitiba e a maior no Brasil entre os clubes paranaenses, aponta uma pesquisa realizada pelo o Instituto Ipsos/Marplan em 13 regiões do País.

A pesquisa, feita nas Regiões Metropolitanas de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis, Recife, Salvador, Fortaleza, Goiânia, Vitória-ES, Salvador e no interior de São Paulo, entrevistou 14.413 pessoas entre Janeiro e Março deste ano. Curitiba e RMC correspondem a 5% do total da pesquisa; São Paulo e interior, na proporção da população, a 30%.

Nos números apurados, algumas conclusões polêmicas: pela primeira vez o Corinthians teria passado o Flamengo no número de torcedores; em números comparativos, o Atlético teria o dobro de torcedores do Coritiba (32 x 16), como divulgado pela TV Bandeirantes em 10 de outubro deste ano:

Como os números paranaenses não foram descritos na matéria da Band, fui atrás dos dados especificados. E em dois posts especiais, nesta quinta e sexta, vou apresentá-los aqui no blog.

Abaixo, o gráfico que corresponde às torcidas em Curitiba e o desempenho nacional dos clubes do Paraná:

Portanto, em números absolutos, a torcida do Atlético chega a 20% da população da cidade/RMC, enquanto o Coritiba tem 16% e o Paraná, 4%. O Corinthians é o terceiro na preferência na região, com 8%.

O gráfico apresentado pela Band tem outra leitura. A explicação é de Diego Oliveira, diretor de contas da Ipsos/Marplan, para a discrepância nos números: “São interpretações diferentes. Há dados com base em torcedores (37.153.000) e na população com mais de 10 anos (50.119.000).”

A vantagem do Atlético em relação ao Coritiba cresce na proporção em que se seleciona apenas o público com interesse no futebol. E também no comparativo único entre os três clubes paranaenses, que somam 40% entre os que gostam de futebol. Como ilustra o gráfico a seguir, o Atlético tem 50% da torcida paranaense contra 40% do Coxa e 10% do Tricolor, de acordo com a Ipsos/Marplan:

Segundo a Ipsos/Marplan, 23% dos brasileiros não torcem para nenhum clube. Em Curitiba e RMC, o índice de pessoas que não torcem para ninguém é de 39%, maior que a média nacional.

  • Consolidação atleticana, ameaça corintiana

Os números da pesquisa Ipsos/Marplan podem alimentar a rivalidade Atletiba, mas servem muito mais de alerta de mercado para o crescente aumento de corintianos na capital. No Paraná, somando o interior, o time paulista já tem a maioria dos torcedores.

Se resgatarmos todas as pesquisas divulgadas sobre torcidas no Paraná, desde a primeira que se tem notícia, do Gallup/Placar em 1983 até essa, percebe-se uma queda na preferência pelos times paranaenses e a consolidação do Atlético como time mais popular. Em 10 pesquisas nos últimos trinta anos, o Furacão esteve atrás do maior rival em apenas duas (em 1993 e 1998); no Paraná como um todo, foram 4 pesquisas divulgadas desde 1983. Em todas,o Atlético aparece na frente do Coritiba – mas, nas duas últimas, atrás do Corinthians.

Além disso, há um decréscimo considerável na torcida paranista, que teria perdido nada menos que 2 vezes e meia a torcida que tinha na primeira pesquisa em que apareceu, em 1993 (de 14% para 4%). Clubes citados em 1983 com grande participação paranaense, como Grêmio Maringá, Londrina e Operário, sequer são citados atualmente – muito embora, em alguns casos, as pesquisas não sejam realizadas nestas praças. Confira os gráficos das torcidas ao longo do tempo, em Curitiba/RMC e em todo o Paraná:

Curitiba/RMC

Obs: Por ser um time de Curitiba, o Malutrom aparece no gráfico por ter sido citado em 2001; clubes como Santos, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Grêmio e Inter foram citados, mas não incluídos no gráfico acima

Estado do Paraná

Se você chegou até aqui e ficou curioso para saber o resultado nacional da pesquisa, recomendo o blog Olhar Crônico Esportivo, só clicar aqui. O espaço para comentários está a disposição para o seu manifesto.

 Amanhã: o detalhamento da pesquisa por sexo, idade e classe social!

Retratos atleticanos

Reta final de Série B e o Atlético entra no G4. Fora de campo, política e gestão em ebulição. O Furacão entra na semana como sempre foi sua história: polêmica fora, superação dentro do gramado.

Leia um resumo do momento atleticano em imagens:

A alegria

Um ano difícil, jogando todas as partidas sem a força do estádio, com o orgulho ferido pela queda em 2011 e um início ruim. Entrar no G4 foi o que bastou para muitos atleticanos irem ao Aeroporto Afonso Pena receber a equipe que bateu o Vitória por 2-0 (veja os gols e as imagens da chegada do time clicando na imagem).

O Atlético, no final de outubro, finalmente vai dando pinta de que vai justificar o favoritismo inicial e retornar à Série A em 2013. Os três próximos jogos são decisivos: Guarani (C), Guaratinguetá (C) e o adversário direto São Caetano (F), que antes do confronto direto pega Ipatinga (C) e Vitória (F). A primeira alegria do ano tirou o atleticano da letargia, num movimento que já foi rotineiro na Baixada. Mas que está longe de definir algo.

O entrosamento

O Atlético está jogando bem e engatou uma grande sequência na hora certa. A quarta vitória consecutiva veio sobre um dos melhores times da competição e fora de casa, com um jogador a menos. A maturidade atleticana após a expulsão de Pedro Botelho impressionou. O Vitória não ameaçou o gol de Weverton uma vez sequer.

É covardia comparar o elenco atual, reforçado de peças-chave como o próprio goleiro, Elias, João Paulo, Pedro Botelho, Maranhão e Marcão, o sorridente da foto (retirada do site oficial do clube), com o que Juan Ramón Carrasco tinha em mãos. Mas há méritos também na condução de Ricardo Drubscky na forma do time jogar. Drubscky passou pela humilhação de ser contratado, relegado à uma sub-função e retornar para apagar incêndio com uma frieza alemã e uma postura britânica. Trabalhou em silêncio, foi humilde e até agora não foi oficialmente efetivado pelo clube (precisa ser?).

Faltando sete jogos, o Atlético pela primeira vez no ano tem cara de time de futebol. Qualquer menino de 7 anos escala o rubro-negro. Méritos de Drubscky, que recuperou Cléberson e Marcelo. Até Marcão, questionado ao chegar, já tem 9 gols na segundona.

O negócio

Os jornais estampam: a direção do Atlético optou por cadeiras mais caras na montagem da Arena para a Copa de 2014. Desta vez vem a tona o fato de que não um, mas dois orçamentos apresentados seriam mais econômicos aos cofres do clube do que os optados pela gestão da CAP S/A (clique para ler).

O Blog do JJ, João José Werzbtizki, publicitário e jornalista, traz um comentário interessante sobre a procedência das cadeiras da Kango, assinado pelo próprio em cima da matéria de Leonardo Mendes Jr., da Gazeta do Povo, cujo link está acima. O comentário é o seguinte, entre aspas:

Onde fica a fábrica da Kango? Num pequeno barracão na Cidade Industrial de Curitiba que, pelas dimensões, não tem condições de produção em quantidades como as exigidas para a Copa. Endereço? Rua Eduardo Sprada, 6400 – Cidade Industrial – Curitiba – fone: 41 3241-1816, para quem quiser ir visitar.

No site da Kango, ontem, havia fotos de estádios europeus e sul-africanos, com cadeiras de uma empresa européia, com a marca associada da Kango. Hoje, estas fotos não estão mais no site, que mostra 7 modelos de cadeiras, além de armários, destacando que estará instalando cadeiras no Itaquerão (20), no Urbano Caldeira, do Santos (210) e instalou no Estádio  Independência (25 mil cadeiras), em Minas. Algumas das fotos dos estádios do exterior, que sumiram do site, estão na página da Kango no Facebook, porém sem identificação dos estádios e do parceiro europeu. Há um texto que diz o seguinte:

“Diretamente dos estádios europeus, a Kango Brasil traz ao mercado sul americano a BERLIN, uma cadeira robusta e de alta tecnologia. A cadeira BERLIN, com patente requerida na Europa e no Brasil, possui medidas que garantem o conforto do espectador, além de ser aconchegante e compacta. Destaque para sua resistência a danos causados pela ação do tempo, raios ultravioleta e ao vandalismo.

Ela é, também, dotada de excelente ergonomia, reforçada pelo design com bordas arredondadas em todo o encosto. O assento conta com o sistema de rebatimento por gravidade, que amplia o espaço entre as fileiras. É uma cadeira que pode ser utilizada em ambientes externos e internos, sendo uma excelente opção para estádios brasileiros que sediarão a Copa do Mundo de 2014.”

Sobre as cadeiras instaladas no estádio do Santos, diz a Kango no Face:

ASSENTOS DO MODELO BERLIN SÃO INSTALADOS NA VILA BELMIRO PELA KANGO BRASIL

Nesta sexta-feira dia 05/10, a Kango Brasil instalou duzentos e dez assentos do modelo Berlin no estádio Urbano Caldeira, mais conhecido como Vila Belmiro. A cadeira BERLIN, possui medidas que garantem o conforto do espectador, além de ser aconchegante e compacta. Destaque para sua resistência a danos causados pela ação do tempo, raios ultravioleta e ao vandalismo. O modelo foi instalado na área de camarotes do estádio.

E mais, em foto antiga do Mineirão:

KANGO SPORT

“O conforto prolongado e a durabilidade da KANGO SPORT a qualificam como uma das referências em cadeira esportiva no Brasil. A ergonomia exclusiva permite uma acomodação agradável por um longo período e, somada ao design moderno e aos recursos tecnológicos de última geração, configuram os atributos que atendem a todas as determinações da FIFA e do Estatuto do Torcedor”.

“A KANGO SPORT é fabricada com polipropileno injetado, a partir de uma fórmula especial que torna o produto resistente ao vandalismo e à ação do tempo. As cadeiras obedecem às normas técnicas vigentes, não precisam de manutenção e trazem segurança e bem-estar aos espectadores. Conheça nossos produtos: http://www.kango.com.br“.

O que significa que as cadeiras da Kango, mui provavelmente, são importadas.

Essa é a imagem da fábrica da Kango em Curitiba:

Nunca é demais lembrar que os documentos sobre as escolhas de Petraglia para a Arena partiram do ex-braço direito dele, Cid Campêlo Filho, que não quis falar sobre outras definições, como a cobertura do estádio.

O apoio

Até segunda ordem – que pode ser a definição do TCE-PR de que o Potencial Construtivo é dinheiro público ou não – o problema é do Atlético e de seus sócios, que vêem a verba do clube ser usada conforme as decisões de Petraglia, que deu privilégios ao filho na questão das cadeiras.

E Petraglia demonstrou força junto ao conselho, que assinou uma carta repudiando as acusações de Cid Campêlo Filho e aprovou as decisões do presidente. É mais ou menos assim: se sua mulher quer comprar determinada roupa em uma boutique mais cara do que outra, problema de vocês: o dinheiro é do casal. E o conselho não viu problemas (ao contrário, como demonstra a carta) na escolha.

No entanto, com algumas definições do TCE-PR e o interesse crescente no assunto, o tema será de interesse público e algumas escolhas serão ainda mais questionadas. Por ora, vale – e muito – a caneta de Petraglia e dos pares de diretoria.

O renagado

Santiago “El Morro” Garcia voltou a jogar futebol. Depois da tumultuada saída do Atlético, o uruguaio estreou pelo Kasimpasa, da Turquia. Foi a contratação mais cara da história do clube (US$ 5 milhões), marcou dois gols em 15 jogos e, em um dos negócios mais inusitados do futebol mundial, foi devolvido por Mário Celso Petraglia ao Nacional, do Uruguai, que o emprestou ao clube turco. Falem o que quiser de Petraglia, menos que ele não sabe fazer negócios.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 17/10/2012

  • O que é de quem?

As atitudes de Mário Celso Petraglia na gestão da obra da Arena da Baixada, denunciadas pelo vice-deliberativo do Atlético, José Cid Campelo Filho, têm duas leituras diferentes e não excludentes. Enquanto não há definição do TCE-PR sobre os títulos do Potencial Construtivo serem ou não verba pública, trata-se de uma imoralidade junto aos sócios e conselheiros do Atlético. No português claro: problema do Atlético e dos atleticanos, que vêem o presidente do clube privilegiar filho e primo com contratos piores para os cofres do Rubro-Negro que outros que foram oferecidos – no caso do primo Carlos Arcos, sequer houve concorrência. É o problema alertado durante a eleição pela outra chapa, de que Petraglia ficaria com o controle total da Copa e do dinheiro do clube. Só não contava com o desacordo de um dos seus principais articulistas, Cid Campelo, que agora trás (quase) tudo à tona. Cid não comentou contratos ainda em fase de aprovação, como o da cobertura da Arena. Só dá a entender que qualquer parafuso da obra deva ser melhor olhado pelos interessados.

  • O interesse do Estado

A Arena é do Atlético, a Copa é de Curitiba. E é por ela que os governos municipal e estadual se dispuseram a fazer sua parte na obra. Para receber os benefícios do evento que, repito, é impensável que não viesse à Curitiba. No entanto, a confiança no responsável pela gestão do estádio parceiro esvaziou-se com as denúncias do ex-par. Não há irregularidade até aqui. Mas pode haver, caso o TCE-PR decida que os papéis do Potencial sejam dinheiro público. Aí haverá enxurrada de conseqüências. Entre elas, a necessidade de paralisação e revisão imediata dos contratos já assinados. Não significa recusar os compromissos com o Mundial, irreversíveis, e sim atentar-se ao destino daquilo que está se fazendo pelo Estado, com liberdade total a um ente privado. A decisão do TCE nesse sentido é o melhor que pode acontecer para a Copa em Curitiba.

  • Vilanização e oportunismo
Não se pode transformar a leitura das incorreções em um Atletiba. A disputa não é, e nunca foi (embora insistam) entre clubes. É sim por um processo de crescimento da cidade, que resulta sim num benefício para o clube que se propôs a ser parceiro no início do projeto, mas jamais pode resultar em desvio e/ou mau uso de verbas. Em miúdos, é monitorar e coibir ações ilícitas. Dos postulantes a prefeito da Copa, vi serenidade em um, que reconheceu os compromissos assumidos e prometeu fiscalização. Além disso, é importante ressaltar: o Atlético, pichado por muitos, não é vilão nesse processo. É um parceiro, de 88 anos de história e muita gente. Se há vilões são os que se omitem nas respostas e nas satisfações que devem ao público em geral.
  • Em campo

Preocupação maior da torcida, o futebol fez sua parte até o fechamento da coluna, ao vencer o Avaí. Sinal (bom) que não se deixou atingir pelo tumulto fora dele.

Abrindo o Jogo – Coluna de 10/10/2012 no Jornal Metro Curitiba


A diferença entre união e complacência

É forte a repercussão da participação de Vilson Ribeiro na festa da torcida organizada do Coritiba, reatando relacionamento cortado desde 6 de dezembro de 2009. Todos se lembram o que aconteceu e como as coisas caminharam para aquilo. Novamente, o Coxa flerta com o rebaixamento. É natural que se pregue união de esforços para que o clube saia disso. Nesse ponto, o gesto é louvável. Mas há real benefício na ação? Além da ficha corrida de alguns dos comandantes das facções, as torcidas organizadas vampirizam os clubes, com uma pirataria branca (venda de camisas, por exemplo), são cortina para guerra de gangues de bairros e ambiente notório de consumo de drogas. Na festa, Vilson disse que a organizada “é a razão da existência do Coritiba.” A grande maioria dos torcedores, “desorganizados”, talvez não concorde. Depois de surgir com novos conceitos e pregar modernidade nessa relação, o dirigente volta atrás. Pode ser só uma “segunda chance” – o histórico não recomenda. Mas 2013 está aí, com eleições no clube. Mário Petraglia, do rival Atlético, se reaproximou da organizada após anos de conflitos no final do ano passado. Foi eleito. A relação é, sem dúvida, perigosa.

Sempre ele

Paulo Baier. Ninguém no futebol paranaense é tão questionado quanto o experiente meia, que com 50 gols marcados com a camisa rubro-negra, mantém-se importante para o clube. Baier paga por não ter bons companheiros há algumas temporadas. Nesta, recebeu reforços no andamento da competição, acabou no banco, mas volta e meia é decisivo, como contra o América-MG. Não acho que possa ser titular, mas é imprescindível no grupo. Se não agüenta os 90 minutos, quando entra, mantém um padrão que vem sendo tocado pelo ótimo Elias. Baier é um ídolo em uma era dura para o Atlético, sem títulos. Mas merece seu lugarzinho na história atleticana.

Calculadora alviverde

O jogo de amanhã é decisivo para o Coritiba. Pegar o Palmeiras no interior paulista é pior para o Coxa, sem dúvida alguma. Em São Paulo, teria pela frente um time mais pressionado pela torcida palestrina, insatisfeita com a goleada no clássico com o São Paulo. A realidade é outra em Araraquara, ainda mais com uma zaga reserva. Mas desde já vale mentalizar: a derrota não será o fim do mundo. O Coxa tem uma vantagem de seis pontos para o Palmeiras, mas já não disputa só com o Verdão a permanência na elite. A Ponte Preta, em franca decadência depois de perder o técnico curitibano Gilson Kleina, pinta como favorita a integrar o grupo de descenso. Portanto, cabeça no lugar e pés no chão com qualquer resultado – claro que evitar a derrota será muito melhor.

Alex

Em São Paulo poucos cogitam que Alex possa defender o Coritiba na próxima temporada. É mais que má vontade com o Coxa; é a negação de que nem tudo na vida é poder, influência e dinheiro.