Atletiba acirrado na nova Câmara dos Vereadores

A nova composição da Câmara Municipal de Curitiba acirrou um “Atletiba” interno, ao menos na soma das preferência clubísticas dos vereadores. Atlético e Coritiba estão empatados na liderança entre os 38 vereadores eleitos, que tomam posse somente em 2013. Junto à atleticanos e coxas, o número dos que não torcem para nenhum time ou preferiram não declarar* torcida antes da campanha. O Paraná aparece somente a frente do Londrina entre os clubes paranaenses citados pelos novos vereadores. Fica abaixo da soma dos que torcem para outros times não-paranaenses. Veja o gráfico acima.

São 9 atleticanos, 9 coxas, 9 que não torcem/não declararam, 6 que preferem clubes de outro estado, 4 paranistas e 1 londrinense. A lista está logo abaixo.

Muda alguma coisa em relação à Copa 2014? Talvez.

CMC: Atletiba acirrado traz alguma consequência à Copa 2014?

De fato, o time do coração não é o que mais pesa na hora de alguma decisão política pró ou contra o Mundial. Ser da base do prefeito ou seguir a determinação do partido no assunto pode ser muito mais significativo em alguma decisão do que somente a preferência esportiva. Outras costuras internas, como troca de apoios, também pesam mais.

Mas, em uma cidade que ainda não comprou a ideia de um Mundial “curitibano”, dividida nas opiniões e nas análises sobre os temas da Copa, a pressão das torcidas pelo sim ou pelo não em um voto pode pesar.

Da “bancada da bola” – candidatos com ligação diretiva nos clubes/torcidas organizadas ou passado como esportista – apenas dois se elegeram: Paulo Rink, ex-atacante do Atlético, e Aladim, ex-atacante do Coritiba. O último, há muito tempo já está na vida pública e até ultrapassou a ideia de que é apenas um vereador “da bola”.

Além disso, ainda faltará a definição do prefeito. O atleticano Ratinho Jr. vai para o segundo turno com o coxa-branca Gustavo Fruet. Ambos, no entanto, devem seguir a cartilha da Copa assinada pelo ex-prefeito Luciano Ducci, paranista.

Ainda é cedo para avaliar se pode ou não haver alguma mudança no panorama político da Copa em função da torcida na Câmara. Mas vale a curiosidade da lista, detalhada abaixo.

Atlético: Dona Lourdes, Jairo Marcelino, Beto Moraes, Professora Josete, Hélio Wirbiski, Edmar Colpani, Paulo Rink, Bruno Pessuti e Paulo Salamuni.
Coritiba: Cristiano Santos, Felipe Braga Cortes, Tito Zeglin, Jonny Stica, Pier Petruzziello, Ailton Araújo, Zé Maria, Aladim e Pedro Paulo.
Paraná: Tico Kuzma, Julieta Reis, Tiago Gevert e Jorge Bernardi.
Londrina: Professor Galdino.
Outros**: Pastor Valdemir, Mestre Pop, Sabino Pícolo, Carla Pimentel, Chicarelli e Geovane Fernandes.
Nenhum/Não declarou: Serginho do Posto, Toninho da Farmácia, Noemia Rocha, Aldemir Manfrom, Chico do Uberaba, Mauro Ignácio, Dirceu Moreira, Rogério Campos e Cacá Pereira.

*Informações obtidas no site do TSE, no Candibook da Gazeta do Povo e em pesquisas pessoais.
** Times citados:  Seleção Brasileira (2), Cruzeiro-MG, Botafogo-RJ, Santos-SP e Corinthians-SP.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 03/10/2012

Alex e o Coritiba

Alex rompeu com o Fenerbahçe da Turquia nessa semana. Por coincidência, às vésperas do aniversário de 103 anos do Coritiba, no próximo dia 12. É o que basta para um alvoroço da volta do meia ao clube. Bem, em primeiro lugar, até pode sair acerto já, mas é preciso deixar claro que Alex não joga no Brasil em 2012. As inscrições estão encerradas e o único time brasileiro que ele poderia defender nessa temporada seria o Corinthians, em uma improvável negociação para o Mundial. Para 2013, o Coxa disputa o meia com Palmeiras e Cruzeiro. Coxa-branca declarado, Alex foi ídolo do clube sem justificar isso em campo. Ficou pouco tempo. É bem-quisto por nunca deixou de se assumir coxa, mesmo com outras camisas, sem fazer média. Noves fora o risco da Série B (tão vivo para o Palmeiras quanto para o Coritiba) e a Libertadores, não existe outro caminho para Alex que não seja o Alto da Glória. Que o diga Ronaldinho.

Intolerância

Neymar entra em campo cercado de crianças gremistas no Olímpico. Por aqui, Lucas é cuspido e uma fã de 13 anos, infiltrada na torcida do Coritiba, é acossada junto com o pai, enquanto ganhava uma camisa do jogador. Em São Paulo, um turista escocês é constrangido e retirado da área VIP (aquela dos bem nascidos) por estar desavisadamente com a camisa verde e branca do Celtic em meio a corintianos. Quando foi que desaprendeu-se educação no Paraná e em São Paulo? Não há justificativa que aplaque os péssimos exemplos de intolerância nos dois estados. Os gaúchos, por sua vez, mostram que sabem levar o futebol como ele é: um esporte. A flauta de que colorado não tem azulejo, “tem vermelejo”, não passa pro campo da hostilidade. É folclore inteligente. Ainda dá tempo de aprender.

Longe de casa

O número mágico do acesso pode chegar a 69; historicamente é 64. O Atlético deve perseguir algo em torno disso para voltar ao seu lugar na elite nacional. Começa no sábado, contra o América-MG, mas passará por importante decisão em São Caetano do Sul, no dia 03/11, contra o time da casa. Será um dos três jogos contra concorrentes diretos longe de Curitiba (Vitória e Criciúma são os demais) e o mais decisivo deles, justamente no palco da maior glória rubro-negra. Daqui até lá, no entanto, o Furacão não tem mais direito a erro. Como observado semana passada, será um trabalho com a cabeça, porque os pés que aí estão não podem ganhar companhias mais qualificadas.

Um ano

Passa voando. Essa coluna marca um ano de nosso convívio semanal aqui no Metro. Um jornal que pegou a cidade de jeito, ganhou pela qualidade e objetividade. Só tenho a agradecer a confiança da casa, o respaldo pela liberdade e, principalmente, o carinho e a sua participação, leitor, opinando, criticando, pautando e debatendo. Que continuemos assim.

Sobe ou não sobe?

Foto: Geraldo Bubniak

Paulo Baier está pensativo na foto. Não é pra menos. O Atlético, nas 11 rodadas que restam, terá que se apegar a calculadora.

Não, a situação não é desesperadora – ainda. É “apenas” preocupante e é também fruto de escolhas anteriores. Que não voltam mais e nem respondem a pregunta chave do post: sobe ou não sobe?

Primeiro, é preciso assumir que o Vitória já tem uma vaga. Foi o melhor time da Série B ao longo da competição e, mesmo perdendo um pouco do pique nesse momento, tem tanta gordura que não fica fora da Série A. Restam, portanto, três vagas.

Três? Talvez duas. O Criciúma está bem na pontuação e dificilmente repita 2007, quando justamente na reta final patinou a ponto de sair da liderança para fora do G4.

Duas? Deixemos por uma. O Goiás tem jogado bem e já está a 7 rodadas no G4. Abriu frente de 5 pontos do 5o colocado, Joinville, e também não deve voltar a demonstrar queda. Oficialmente já se coloca como candidato ao título.

A média de pontos histórica pro acesso é de 64; sete para o Vitória, nove para o Criciúma, 12 para o Goiás, com 33 a serem disputados. Talvez a média suba um pouco, 65, 66. Mas é difícil imaginar esses três times não fazendo essa pontuação.

Para o matemático Tristão Garcia, do site Infobola, 10 times estão na briga:

Clique na imagem para ver outros números no site

Atrás na tabela, o Atlético aparece a frente do Joinville nas chances calculadas pelo matemático. Isso porque a fórmula usada cruza os resultados dentro e fora de casa, com uma média projetada de pontuação. Estima-se, portanto, que o Furacão faça mais pontos que o JEC, mas menos que o São Caetano.

Cada jogo é um jogo, futebol é uma caixinha de surpresas, blablabla e outros Bragantinos podem aparecer no caminho não só do Atlético, mas de São Caetano e Joinville. Depois do Fluminense 2009, é impossível até mesmo desprezar os Américas. Mas a briga deve mesmo se restringir a paulistas, catarinenses e paranaenses.

Tenho visto mais jogos do Joinville por conta da programação da TV. O JEC tem um bom time, que joga em cima do adversário em casa (com uma média ótima de 10 mil pessoas por jogo) e marca forte fora. Perder Tiago Real não fez diferença significativa. Lima, o artilheiro do time, é um atacante que qualquer equipe gostaria de ter.

Vi pouco o São Caetano. Pela oscilação em parte do campeonato, achei que iria cair na tabela. Não o fez. Contra o Paraná perdeu em um jogo equilibrado. O Tricolor fez a diferença em casa. Leão mantém o estilo de montar equipes que ocupam espaços no campo de defesa, jogando compactadamente. O São Caetano não tem torcida e até imaginava-se não ter dinheiro, especialmente em um ano político. Mas está indo bem.

O Atlético oscila demais. Faz belas partidas (Barueri, CRB e, mesmo com a derrota, contra o Goiás) e outras péssimas, como a com o Bragantino. É o preço a se pagar por um trabalho recente e um time jovem. A demora da diretoria a trazer reforços custa caro na tabela. Depois das chegadas de dois laterais, um volante, dois meias e um atacante (6 jogadores) o time andou. O Atlético também demorou pra achar uma casa. E isso faz tanta diferença que é o trunfo do Joinville. E é a barreira a ser quebrada para o acesso.

O Furacão tem melhor aproveitamento dentro que fora de casa. Melhor inclusive que o São Caetano, mas inferior ao do Joinville – que, por sua vez, vai muito mal fora de casa, pior que o time paranaense. Só que a tabela prevê jogos chave para o Atlético na casa dos adversários.

A próxima rodada (28a), por exemplo, prevê jogo duro para o Atlético, contra o América-MG, enquanto o JEC pega o Barueri fora e o São Caetano recebe o Guaratinguetá. Um erro contra o Coelho e a tendência é que os rivais abram vantagem.

Na rodada seguinte, o Joinville recebe o Azulão e o Atlético vai ao Frasqueirão pegar o ABC. De novo, tem que vencer a qualquer preço, pois qualquer resultado em SC é ruim. Se o JEC vence e mantém a frente que tem, não pode ser alcançado mais em confronto direto; se dá Sanca, o confronto direto existe, mas no Anacleto Campanella – de boas lembranças para o atleticano, mas em outros tempos.

Jogar fora de casa é mesmo o calo atleticano. Vitória, São Caetano e Criciúma (os dois últimos garantidamente confrontos diretos) serão em território adverso. Jogos daqueles “vencer ou vencer”. A Série B 2012 está com erro quase zero – e dos três citados, em casa, o Atlético só venceu o Tigre.

O São Caetano também tem jogos duros fora de casa. Vitória e Criciúma, por coincidência. O Goiás visitará o ABC. Aos atleticanos, a torcida pelos que estão em cima já é válida. É melhor que disparem. O Joinville tem o clássico com o Criciúma fora, mas pega o Vitória em casa. E na última rodada, o Goiás no Serra Dourada – enquanto o Atlético tem um Derby e o Azulão joga em Campinas, com o Guarani.

Em síntese, o Rubro-Negro só sobe se melhorar fora de casa e vencer o confronto direto com o São Caetano, procurando ao menos não perder para Vitória e Criciúma. Para isso, precisa melhorar o comportamento em relação ao que aconteceu em Bragança Paulista.

  • E se não subir?

A diretoria atleticana evita falar em fracasso em 2012. No começo do ano, até se culpava mais a gestão passada pela má fase, mas hoje essa não cola mais. Não que não havia fundamento; havia. Mas houve tempo o suficiente para mudar o quadro. Se não subir, a culpa é da diretoria. Se subir, oras, o mérito também será. Dessa responsabilidade ninguém escapa – só as escolhas é que deveriam ter sido feitas antes.

Enfim, não será o fim do mundo para o clube, mas será muito ruim. A construção do estádio projeta ao Atlético um futuro muito bom com ou sem Série A em 2013. Vai se machucar o orgulho novamente, mas é do futebol.

O comparativo que eu faço é com aquele aluno que reprovou a 5a série. É um atraso de vida. Ficou pra trás dos coleguinhas, passou de novo por tudo que já deveria ter sido superado, levou bronca dos pais e ouviu sarro dos amigos. Mas não morreu por isso. Nem deixará poder de ter um bom emprego no futuro e tocar a vida. Vai se arrumar, mas com atraso. O que já é ruim e se agrava no caso de se relembrar que é o clube com maior arrecadação na bezona. É tipo filho de rico reprovando –  só não pode ser mimado o suficiente pra achar que as coisas vão vir na mão.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 26/09/2012

Coluna que aborda temas esportivos, em especial os voltados ao Paraná; veiculada semanalmente no Jornal Metro Curitiba

Passo à frente ou populismo?

Oportunismo eleitoral ou não – a descobrir – uma vereadora, candidata à reeleição, reivindicou formalmente junto a diversos políticos (incluindo a presidente Dilma) a inclusão de Curitiba nas sedes do torneio pré-olímpico de futebol de 2016. Politicagem a parte, a ideia deve ser levada a sério pela cidade. A Olimpíada será um evento nacional, embora os holofotes apontem o Rio. Mais do que receber jogos de futebol, Curitiba deve propor-se a ser cidade hospedeira (host) de delegações, envolvendo não só o futebol, mas clubes que possam ser CTs para tênis, basquete, atletismo, etc. A iniciativa já merece nota, mas a execução é o que interessará de fato. Aguardemos.

Patrocínio x burocracia

O Paraná Clube confirmou prospecção junto à Caixa Econômica Federal para estampar a marca do banco na camisa do clube – valores não divulgados. No entanto, a negociação está parada há meses: devedor no INSS, o Tricolor não pode ter apoio estatal enquanto tiver dívida com a União. Por essa razão, a Petrobrás deixou o Flamengo tempos atrás. “Gostaria de dar uma previsão, mas não é possível. Está no nosso jurídico”, me disse Vladimir Carvalho, diretor de marketing tricolor.

Prospecção

Por falar em patrocínios, o Coritiba realiza hoje um evento em São Paulo, reunindo 20 agências de publicidade, para apresentar o projeto do clube ao mercado paulista e buscar apoio de grandes anunciantes nacionais.

Prioridades

O Cianorte perdeu a vaga na Série C em casa, nos pênaltis, para o Mogi Mirim-SP, depois de ter vencido por 2-1 fora. Um dos mais interessados na conquista, o presidente da FPF, não esteve no Albino Turbay. Em campanha política para ser vereador em Curitiba, não viu de perto o futebol paranaense deixar de ter quatro vagas garantidas em campeonatos nacionais. O vice, Amilton Stival, fez às vezes (novamente) da presidência. Em tempo: nenhum deles bate pênalti. Mas dão segurança a quem o faz.

Pouco sobre futebol?

A coluna tem batido na tecla da gestão e visão futura. É de boas gestões que os craques aparecem no gramado. Mas, de olho nas hipóteses de o Estado ter dois clubes na Série A 2013 (ou três na B) refleti desempenho no campo e tabelas. O Coxa preocupa. Pega rivais diretos fora de casa e tem uma reta final com seis equipes entre Libertadores e título. Mas, mais que isso, não joga bem longe do Couto. Já o Atlético mostra evolução, mas decidirá a vaga longe de Curitiba. Numa Série B de raros tropeços, pega São Caetano, Vitória e Criciúma fora. Ambos precisarão buscar pontos na casa dos adversários. O processo é mental, já que a técnica não pode mais ser melhorada.

Reflexo do rebaixamento, Atlético perde também no PPV

O site do Atlético divulgou os números que o clube recebeu da Globosat sobre a venda de pacotes Pay-Per-View em 2012. E o que percebeu-se é que não somente durante a “diáspora” rubro-negra o torcedor andou meio ausente.

Se a média de público do clube em Paranaguá girou em torno de 2 a 3 mil pessoas, imaginava-se que o atleticano tivesse aderido ao PPV para acompanhar o clube – o que não aconteceu.

De acordo com a tabela emitida pelo grupo de comunicação e publicitada pelo próprio clube, o Furacão despencou da 13a posição em 2011 para o 19o lugar em vendas nessa temporada.

O Coritiba, que quase chegou à Libertadores em 2011 mas não faz boa campanha em 2012, manteve-se na 15a posição em vendas de pacotes. Veja a tabela completa* e, logo abaixo, a análise:

Relegado à uma divisão inferior após 17 anos, vice-campeão estadual e com um começo claudicante na Série B, o Rubro-Negro perdeu praticamente um terço da arrecadação em PPV. Na contramão do rival até a metade deste Brasileirão, o Coxa teve um acréscimo nas vendas dos pacotes, mas não o suficiente para melhorar sua posição no ranking nacional.

Vice-campeão da Copa do Brasil por duas temporadas seguidas, pode-se imaginar que o crescimento em vendas veio com o tri-estadual e as boas campanhas na Copa, mas com o início claudicante no Brasileirão, o interesse esvaziou.

Numa análise global, percebe-se que o torcedor gosta mesmo é de time vencedor.

Maior torcida do Brasil, o Flamengo perdeu 10% da arrecadação com a campanha ruim que faz. O mesmo vale para o Palmeiras. Mal no Brasileirão, o time paulista perdeu duas posições e quase 30% do valor de vendas.

Já o Atlético-MG, que faz grande campanha, mostra a força nacional que tem e está catapultado ao 4o posto em vendas. O Galo, de acordo com a última pesquisa de torcidas do Datafolha, tem a 10a maior torcida do Brasil. O mesmo vale para o Vitória. O líder disparado da Série B praticamente dobrou seu volume de vendas em relação à 2011.

*Os números divulgados contemplam apenas os 18 clubes com contrato renovado por três anos na cisão do Clube dos 13.

Amador: ídolos do Furacão param em ex-tricolores

Com Nem de técnico e Alex Mineiro em campo, Bairro Alto ficou no 0-0 com Trieste de Ageu e Goiano; Suburbana é laboratório para ex-zagueiros começarem carreira de técnico

por Ana Claudia Cichon*

A partida entre Trieste e Bairro Alto realizada no sábado (21), no estádio Francisco Muraro, contou com um duelo especial nos bancos de reservas. Os ex-zagueiros Nem e Rossano Santana, que durante a década de noventa se enfrentaram nos gramados do futebol profissional com as camisas de Atlético e Paraná Clube, respectivamente, viveram a experiência de um confronto fora das quatro linhas.

Nem e Rossano; um tapa o buraco, outro quer projeção (Foto: Ana Cichon)

Em sua segunda partida como técnico do Bairro Alto, o ex-zagueiro do Atlético conquistou seu segundo empate e segue invicto, mas garante que a função é por pouco tempo. “Eu vim para jogar, mas como acabei me lesionando aceitei a proposta da diretoria para assumir o comando da equipe enquanto não encontrassem um novo técnico. Mas assim que tiverem um nome e eu estiver recuperado quero voltar para dentro de campo”, explica.

Já Rossano Santana está no seu segundo ano como treinador do clube de Santa Felicidade e afirma que largou de vez a posição de jogador. “Para mim este é um início para seguir carreira como técnico. Estou aqui no amador, comandando o Trieste pelo segundo ano, ganhando a cada dia mais experiência para quem sabe chegar a ser técnico de alguma equipe profissional em breve”.

Trieste quase marca, mas ninguém, nem Alex Mineiro, chacoalhou o limoeiro (Foto: Ana Cichon)

Comandando ex-companheiros

Apesar desta diferença nas projeções para o futuro, os técnicos possuem uma característica em comum: hoje passam instruções para seus ex-companheiros de clube, que ainda não saíram dos gramados. E este comando visto nos dois treinadores está diretamente ligado à função que ambos desempenhavam nos gramados.

“Se formos analisar a quantidade de ex-jogadores que estão como técnicos atualmente, quase 90% eram zagueiros. Geralmente são os líderes em campo, já possuem este espírito de liderança”, assegura Rossano. O técnico alvinegro confirma esta colocação, ressaltando que o fato de os zagueiros estarem atrás do meio de campo, tendo a visão de todo o jogo, facilita a questão de análise de posicionamento e outras noções que os técnicos precisam.

Na equipe do Trieste, por exemplo, Rossano lidera alguns ex-colegas de Paraná Clube, como Ageu, Goiano e Flávio e fala que, apesar de ser mais novo que alguns de seus comandados (Rossano tem 31 anos), o respeito é muito grande, principalmente por já se conhecerem de antes, de terem sido companheiros de equipe.

No Bairro Alto Nem conta com dois companheiros campeões brasileiros pelo Atlético em 2001: o também zagueiro Rogério Corrêa e o atacante Alex Mineiro. E a parceria que foi repetida antes da contusão do atual técnico pode ser percebida mesmo fora de campo. Durante todo o jogo Nem e Rogério Correa conversam, trocando opiniões sobre posicionamento e jogadas. “O Rogério é um grande amigo, e por ele ter a mesma experiência que eu como zagueiro fica fácil discutirmos estratégias e termos ideias para melhorarmos o rendimento da equipe”, comenta. Sobre a relação de comandar seus antigos companheiros Nem é enfático: “Não tem nenhuma diferença. Eu já os comandava quando estava em campo”.

O jogo

Futebol e religião se misturando na Suburbana (Foto: Ana Claudia Cichon)

Reeditando a final da Suburbana do ano passado, quando o Bairro Alto conquistou o título após vencer o Trieste por 4-0 no primeiro jogo e empatar em 1-1 na segunda partida, os dois clubes fizeram um bom duelo, mas que acabou sem gols. O melhor lance da partida aconteceu aos 41 minutos do segundo tempo com o meia triestino Goiano, mas o chute acabou parando na defesa parcial do goleiro Dida. Na sequencia Massai fez o corte, garantindo o empate ao Bairro Alto, que estava com um a menos após expulsão do zagueiro Flamarion.

Trieste: André, Rafael, Zico, Baloi, Lima, Adam, Geraldo, Pilo (Juninho), Goiano, Edvaldo e Flávio (Malzone). Técnico: Rossano Santana
Bairro Alto: Dida, Jorge, Rogério Correa, Flamarion, Luciano, Caíque (Caio), Zé Nunes, Massai, Douglas Silva (Marcelo Tamandaré), Alex Mineiro e Edmílson (Reinaldo). Técnico: Nem

Resultados da rodada
Trieste 0x0 Bairro Alto
Iguaçu 1×0 Novo Mundo
Santa Quitéria 2×1 Nova Orleans
Combate Barreirinha 1×1 Urano

*Ana Claudia Cichon é jornalista e vai trazer imagens e história da Suburbana semanalmente aqui no blog.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 19/09/2012

“No futebol é diferente”
Um dos principais estigmas de um administrador ao entrar no mundo do futebol é romper o folclore de que, por mais bem sucedido que o profissional seja, na gestão dos clubes, será diferente. Como diria o famoso narrador, ‘não é, mas é’. E o é porque os clubes permitem isso: volta e meia diferenciam o trato com os jogadores, mesmo em detrimento de outros profissionais. Resultado? Caem na armadilha dos “boleiros”, que ainda têm espaço em um esporte a cada dia mais profissional.

Marcelo Oliveira, Felipão, Passarela…
Que o time do Coritiba tem uma defesa ruim (perdoe-me Emerson, mas você está sozinho desde que Gago e Donizete foram embora) e esse é o real problema todo mundo, até Marcelo Oliveira, está careca de saber. Mesmo assim o senso comum indicava: o ex-técnico coxa tinha de ser demitido. Doeu em Vilson Ribeiro de Andrade a ação. Administrador nato, Vilson acredita na continuidade do trabalho das pessoas. Evita demitir. Entende que ter um funcionário-padrão, que entende as necessidades do clube, é “low-profile”, conhece o sistema e já está ambientado à cidade seria muito mais útil. Mas não pode mandar embora 30 jogadores – ou ao menos 10 a 12 que não vinham rendendo. Primeiro, porque é mais fácil cortar uma cabeça do que tantas; depois, não esqueçamos, porque os jogadores são moeda. Sobrou para Marcelo Oliveira, que já está no Vasco. Um time de estrelas do Corinthians em 2005 só rendeu quando Daniel Passarela saiu do comando. O Palmeiras, algoz coxa nesse ano na Copa do Brasil, foi de campeão à virtual rebaixado sob o mesmo comando. O rendimento das equipes caiu assustadoramente quando o discurso do técnico cansou. O que é lugar comum no futebol teria espaço na sua empresa? Como você agiria, sendo chefe, com uma equipe assim? Sairia, trocaria o comando ou as peças? Aqui está o tabu: jogadores derrubam técnico sim. E às vezes até o clube, como foi no indolente Atlético de 2011: sem comando diretivo, largado às festas e às traças.

Há saída?
Primeiro analisar friamente cada situação antes de cobrar indiscriminadamente. Tem vezes em que a diretoria é letárgica (como vai, Malu?) e as coisas acontecem debaixo do nariz. Outras vezes age, mesmo a contragosto, mas nem sempre tem o resultado – o problema pode ser outro. Fundamental é identificar e atacar o mal. No geral o que precisa mudar é a mentalidade de quem comanda e quem obedece: jogador de futebol é trabalhador como qualquer outro. Uns melhores, outros piores; uns ganham mais (e normalmente valem quanto pesam) outros menos e isso deve ser encarado numa boa: em qualquer serviço há hierarquia e meritocracia (ok, muito puxa-saco se dá bem por aí, mas até quando?). Claro que não adianta estar fora de forma ou ser grosso, mas nominando: Paulo Baier e Pereira são bons profissionais e, não à toa, tem carreira bem sucedida e longa. O melhor exemplo nacional hoje é Seedorf: longevo e de qualidade, não se omite e colabora com o Botafogo em todas as áreas. O futebol agradece.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/09/2012

“Futebol Paranaense Forte”

Meu Amigo Pedro*

O título dessa coluna vinha impresso nos ingressos da FPF na minha infância. Era uma demonstrar a vontade de evoluir que os clubes paranaenses tinham. Até então apenas um título nacional de elite, o do Coritiba em 1985. Pouco, muito pouco. E Séries B e C a parte, melhorou pouco até os dias de hoje. Como explicar que um Estado com o 5º maior PIB do Brasil, uma capital maior que Porto Alegre, pode estar tão abaixo dos quatro acima? É Pedro, as coisas não são bem assim.

“A rodada foi histórica para o futebol do Paraná”

Foi a partir de uma série de comentários de colegas sobre o desempenho dos paranaenses na rodada do feriado passado que comecei a pensar: como assim, histórica? Negativo. A frase, oriunda das quatro vitórias de Coritiba, Atlético, Paraná e Cianorte (da A pra D, ok?) é puro POPULISMO. Isso mesmo cara pálida, populismo e dos baratos. Cada clube tem sua realidade, são concorrentes de mercado, ganhou apenas por si. A hipocrisia do “todos contentes” só serve pra mascarar a eterna mania de puxar o tapete do vizinho. Histórico mesmo seria um movimento por um campeonato estadual com menos datas e mais rentável. Seria ver os clubes unidos para que a Série Prata deste ano fosse antecipada e o retorno da Copa Sul; seria ver a Federação tomar partido pelos clubes na Copa do Brasil e na Libertadores, onde uns podem algumas coisas, outros não. Deixar de usar o futebol só como trampolim político. Ver o aluguel de um estádio ao rival para faturar, com ações de marketing que se alimentam da rivalidade. Dar apoio ao Cianorte para abrir mais uma vaga nacional – coisa que em São Paulo, o Mogi Mirim terá. Seria ver o futebol paranaense sério, trabalhando para render a Copa do Mundo, e não menosprezando e até contra o maior evento do futebol mundial.

Rivalidade, inteligência, construção

Nunca, em nenhum espaço de mídia que ocupei nesses 11 anos de carreira, preguei campanha para que o torcedor torcesse para o rival. Rival é rival. O que deve haver é uma compreensão do negócio futebol e a briga conjunta por interesse comuns fora de campo. Leio no blog do brilhante Leonardo Mendes Jr. (que trabalha no concorrente, mas e aí? Não é disso que estamos falando?) que o Paraná Clube espera as mesmas benesses do Atlético para deixar a Vila em condições de uso para a Copa. Ótimo, apoiado. Mas que o Tricolor não espere sentado e apontando o dedo. Onde está o projeto e o que pretende reivindicar a diretoria paranista? Há prospecção de seleções? Isonomia é para iguais: se há um projeto apto e consistente, rentável e de evolução, os direitos têm de ser dados. Senão será apenas um capítulo do “eu quero também, mas não sei como nem por quê.” Cresce, futebol paranaense.

*Meu Amigo Pedro, música de Raúl Seixas que diz, entre outras coisas, que é fácil criticar; difícil mesmo é ser.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 05/09/2012


Baier, sempre ele

O Atlético ia se enroscando no Boa na volta à Curitiba. A armadilha do time mineiro funcionava e melhorou quando os visitantes saíram na frente. Mas no segundo tempo Paulo Baier saiu do banco e participou das principais jogadas da equipe. A virada veio com dois gols de Marcelo. Baier ainda é o craque deste time. Merece o reconhecimento e também o alerta: tem 37 anos e é um ídolo de uma época sem glória. O “velhinho” ainda resolve, mas não pode ser a única arma – o que já acontece há algumas temporadas.

Tardes no Parque

Demorou, mas a diretoria rubro-negra procurou o empresário Joel Malucelli e encontrou um sim – nota 10 para a negociação. E mesmo sem poder comportar todos os sócios, iniciou nova caminhada na Série B no Eco-Estádio, para 9.999 pessoas, à exceção de rodadas em que a TV requisite horário mais tardio que 15h e do Derby Paranaense, partidas que devem ser em Paranaguá. Os jogos serão sempre em horário comercial – atenção patrões para as desculpas de ocasião – mas mesmo assim o povão rubro-negro foi ver seu time. Jogar em casa fará a diferença ao final da competição.

Médico ou monstro?

Deivid chegou ao Coritiba. Não é a solução para o mau momento do time no Brasileirão, mas pode ser útil. O problema está na zaga. E nem digo zagueiros em si: os erros começam no meio, mais frágil e com menos retenção de bola que em 2011. Deivid tem o nome inspirado no antigo seriado “O Incrível Hulk”, o Golias Verde, cujo alter-ego na TV era David Banner – nas HQs, é Bruce. No blog napoalmeida.com, faço uma reflexão e convido você a visitar: o Flamengo abriu mão do atacante para apostar em Adriano (!). Deivid não é super-herói e não deve ser tratado como tal. É um jogador útil e que pode ajudar – mas não resolverá o principal problema alviverde: a defesa.

Frases

“Fomos roubados contra o Palmeiras” e “Não monto time para agradar torcedor”. Duas entre outras pitadas de sinceridade do técnico Marcelo Oliveira, do Coxa, ao jornalista Luís Augusto Símon, da Revista Trivela. Oliveira hoje reencontra Geninho, campeão brasileiro pelo Atlético e atual técnico da Portuguesa, que ao deixar o Couto Pereira derrotado por 0-2, reclamou a perda dos pontos para um “adversário direto na briga contra o rebaixamento.” Aguardemos as frases depois do apito final hoje à noite.

Seleção

Sexta tem amistoso da Seleção Brasileira, você sabia? O amistoso contra a África do Sul acontece em São Paulo quase um ano depois do Brasil atuar no país, em Belém, no 2-0 sobre a Argentina. Foram 10 jogos até essa volta. Jogando raramente em casa e com astros quase todos na Europa, qual a identificação do povo com a Amarelinha?