Feita para Brasil e Argentina. Especialmente Argentina.

Messi: a Copa América é pra ele; avisem o Neymar.

Rebaixamento do River Plate; crise financeira e política; dezoito anos sem ganhar título importante; o melhor jogador do Mundo tentando ser ídolo em casa. É… a Copa América 2011 foi feita para a Argentina. E para o Brasil ser o coadjuvante dela.

Dê uma olhada na tabela aqui. Note que, prevendo alguma dificuldade, os cruzamentos colocam até mesmo os segundos colocados dos Grupos A e B em chave distintas dos primeiros. Se Brasil ou Argentina tropeçarem no caminho, ainda assim, só se verão na decisão – salvo se um deles se classificar muito mal, como segundo ou terceiro melhor terceiro colocado no geral.

Eles querem a decisão conosco, no Monumental de Nuñez, casa cheia, brilho de Messi e título argentino. Do lado de cá, três grandes esperanças: Neymar, que realmente começa a trilhar a estrada de Pelé; Ganso, um craque acima da média (porque não um novo Zico?); e Lucas, outro cracasso, que poderia nos remeter a Rivellino. Não é um time qualquer, se Mano Menezes acertar a máquina.

E nós, paranaenses, temos ainda dois orgulhos: Adriano e Jadson. Eu vi os dois começarem na dupla Atletiba e viverem grandes momentos por aqui. Um é esse aqui de baixo: a primeira convocação de Adriano, ainda no Coxa. A reportagem é e um dos homens mais bonitos que eu conheço:

Adriano demorou, mas chegou ao Barcelona. É orgulho coxa-branca, craque curitibano que pra quem não sabe, começou no futsal do Paraná Clube – mas um da escolinha tricolor.

O outro é um dos gênios que vi de perto, no melhor Atlético de todos os tempos (pra mim, obviamente) que, para tristeza dos rubro-negros, não foi campeão. Mas provou que grandes times (como a Seleção 82) não vivem só de títulos. Jadson foi genial com a 10 atleticana e é idolatrado também no Shakthar Donetsk. Os lances a seguir explicam o porquê:

Imagino a saudade atleticana ao ver o vídeo acima. Enfim. Hoje ambos estarão lado a lado, pela amarelinha.Hoje não: domingo, contra a Venezuela -começando no banco, diga-se.

Muitos ainda me lembrarão que Alexandre Pato também é paranaense. Mas a única referência dele no nosso futebol é a foto abaixo, ainda criança. Para nosso azar, que só vimos ele brilhar a distância, no Inter-RS.

 

Os bastidores da saída de Adilson Batista

Causa e consequência: ainda Geninho x Adilson (foto: montagem)

Ninguém aprovou a maneira com a qual Geninho, após vencer um clássico sobre o Paraná (3-2), acabou demitido; mas era consenso entre dirigentes, imprensa e torcedores que o técnico campeão brasileiro não vinha dando um ritmo legal ao time e que a oportunidade batia à porta com a disponibilidade de Adilson Batista, técnico promissor, jovem, ex-jogador do Atlético e amigo de Valmor Zimmermann, então na direção de futebol.

Então Geninho saiu e Adilson veio. Mas esqueceram de falar com quem ele comandaria: os jogadores.

Conversei por vários minutos com duas pessoas que vivem como poucos o dia-a-dia atleticano. E ficou bem claro pra mim que a boleirada se doeu pela saída de Geninho.

O ex-técnico atleticano é mais vivido que Adilson Batista e está mais acostumado com a cabeça do grupo de jogadores. É bem verdade que o Atlético deu adeus ao Paranaense ao perder para o Operário em casa (0-2) sob o comando de Geninho; mas foi a única derrota dele no comando rubro-negro. Geninho falava a lingua dos jogadores. Deixou o clube com mais de 80% de aproveitamento. Os comandados não entenderam. Sentiram-se traídos junto com o técnico. E jogador não costuma perdoar isso.

Adilson tentou. Trouxe um, dois, três reforços, quis se fortalecer. Mas o grupo não respeitava o comando dele. E isso piorou com a saída de Zimmermann. Os jogadores sentem a falta de comando no grupo. Adilson cobrava, dizia publicamente que o grupo precisava de reforços – e é claro que quem ali estava não gostava de ser cobrado. Discurso diferente do de Geninho, muito mais no sentido de valorizar quem ali está.

Com Adilson o Atlético foi surrado pelo maior rival na Arena, no dia do título do Coritiba (0-3); caiu ante um Vasco que se mostrou competitivo, mas não era brilhante, sendo mal-escalado em casa. Muito pela questão de confiança do treinador, que foi ficando sozinho; no Brasileiro, seis jogos, um gol marcado, um ponto. A fritura chegou ao ponto. Mas a culpa não é de Adilson – ou só dele.

O Atlético tem jogadores rodados, caros e de categoria. Noves fora um ou dois que tem deficiência técnica, não se pode dizer que Paulo Baier, Branquinho, Guerrón, Kléberson e Madson não sabem jogar bola. Interessados, eles podem tirar o Atlético desse buraco – e para isso, precisarão vencer 15 jogos em 32.

A solução também passa pela escolha certa do comandante. Diego Aguirre, que pode ser confirmado nas próximas horas, fez miséria com um Peñarol renascido. Mas terá que se adaptar ao futebol brasileiro, à lingua e à máfia instalada no CT do Caju. Talvez precise de pulso firme da nova diretoria de futebol, que terá que obrigatoriamente que afastar alguns jogadores, para devolver o comando ao treinador. É o susto para lembrar quem manda.

Caso contrário, o azeite continuará fervendo. O Atlético seguirá triturando treinadores, jogadores e principalmente, o coração da torcida.

Entenda a engenharia por ‘Morro’ García

Santiago García, uruguaio de 20 anos, é a contratação mais cara da história do futebol paranaense. Ele, que no vídeo acima se apresenta a torcida atleticana, custou US$ 2 milhões por 50% dos seus direitos, em contrato de 3 anos. Mas essa não foi a grande sacada do Atlético na negociação.

A experiência do Coritiba com Ariel Nahuelpan, liberado por força da lei trabalhista no segundo ano de contrato, ainda que houvesse um documento esticando o vínculo para 5 anos, fez o mercado, e em especial o Atlético, aprender.

O que o Furacão tem hoje com Morro García e o Nacional-URU é um empréstimo com preferência de compra. Assim, o vínculo principal segue no Uruguai, com os direitos atleticanos assegurados, me confirmou Alfredo Ibiapina, ontem, por telefone.

O vinculo trabalhista de no máximo 2 anos, que pode ser renovado, vale menos que o registro Fifa que segue com o Nacional, agora sócio do Atlético no negócio. Trocando em miúdos, caso Morro deseje seguir o caminho de Ariel e romper com base na lei brasileira, não poderá; segue ligado ao clube uruguaio, que o emprestou ao Furacão.

Caso o jogador seja vendido durante o tempo de contrato, o Atlético tem a preferência de recebimento da sua fatia; se ninguém se interessar por García, o clube poderá adquiri-lo em definitivo, após os 3 anos, por mais US$ 2,5 milhões.

Motorzinho voltando

A matéria abaixo foi redigida no ano passado e é uma oportunidade de você conhecer um pouco mais da vida de um dos ídolos do atual time do Coritiba: Leandro Donizete.

Ele deve ser liberado amanhã (terça, 21/06) para treinamentos depois de desfalcar o Coxa desde a primeira partida da final da Copa do Brasil contra o Vasco.

E o que me fez relembrar essa entrevista foi a primeira frase da matéria disponível no link abaixo: “O pior momento do Coritiba em 2010 foi sem Leandro Donizete”. E eis que em 2011 a história se repete.

Confira e comente!

Clique para ler a matéria!
Leandro Donizete próximo de voltar

Começou mal, acabou igual

Foto: Hedeson Alves, Gazeta do Povo
Foquinha saiu sem fazer graça

Ele chegou como Foquinha, mas parecia mesmo outro tipo de mamífero aquático. Tudo culpa de uma lesão que tem impedido que o encantador jogador que começou no Cruzeiro deixasse de ser promessa.

Para o Paraná, dizer que estava emprestando um jogador da Inter de Milão e ventilar até uma suposta parceria teve suas vantagens. O clube voltou ao cenário nacional. Kerlon é bem quisto fora daqui (e aqui também, pelas declarações dadas por funcionários do Tricolor ao Globo Esporte.com) e quando tuitei a saída dele, colegas da imprensa do eixo (como o brilhante Ubiratan Leal) já deram RT. Nacionalmente foi até mais destaque do que a saída de Kelvin – tratada mais abaixo.

Mas no fundo, após apenas quatro jogos em seis meses, as promessas de grandiosidade paranista com a chegada do reforço à época ficaram apenas na memória. Kerlon não rendeu, a tal parceria nunca prosperou, o Paraná chegou a pagar o alto preço (evidentemente, não por causa dessa negociação) do rebaixamento no Estadual e só voltou a se acertar quando selecionou melhor as contratações.

Fica um sentimento de pena pelo fracasso da idéia. Mas fica também a lição de que é melhor investir tempo em talentos como Wellington e Serginho do que sonhar com antigas promessas e contos de fadas.

Kelvin

Ao jornal “A Bola”, de Portugal, Paulo César Silva abriu o jogo: Kelvin, relapso nos treinos, seria liberado antecipadamente pelo Tricolor. A internet uniu novamente Brasil e Portugal e não demorou para que Paulão confirmasse a notícia por aqui. Kelvin já pode se mandar para a ‘terrinha’.

Assim como Kerlon, deixa uma sensação de pena, de “podia ter sido melhor”. Deixa também algum dinheiro, não muito, cerca de 500 mil reais (10% dos R$ 4,7 mi ofertados pelo FC Porto). Mas que se bem usado, pode dar um novo rumo, para que novos Kelvins fiquem mais tempo por aqui. Por ora, fique com um gol dele. Pode ser que mais tarde você ainda diga: “Eu vi esse menino jogar em Curitiba”.