O ‘Fantasma de 1950’ também assombra o Uruguai

A história secreta do Maracanazzo, na visão uruguaia: fantasma dividido

Muito já se falou e ainda se falará sobre a derrota do Brasil em casa na final da Copa de 1950 para o Uruguai. Depois de 64 anos, a Copa volta ao país que mais vezes ganhou o Mundial e uma nova derrota traria a tona todos os traumas da primeira vez aqui. No entanto, o que poucos sabem ou comentam é que o ‘Fantasma de 1950’ também assombra o Uruguai.

É a tese de Atilio Garrido, jornalista uruguaio autor do livro “Maracanã, a História Secreta”. O livro conta os bastidores daquela conquista histórica da Celeste, relembra que o mesmo Uruguai já havia vencido o Brasil meses antes da Copa e principalmente: atribui os últimos 64 anos de fracassos dos vizinhos, não só no esporte, aquela vitória épica.

Segundo o livro, o Uruguai era um país em plena evolução social, artística e política naqueles tempos. Expoente nas américas, os vizinhos já tinham representantes fixos na ONU e no tribunal internacional de Haya, eram reconhecidos internacionalmente pelo teatro, a poesia e a música (sem contar a eterna disputa com a Argentina para saber quem é o país de Carlos Gardel) e enquanto a América do Sul engatinhava politicamente, o Uruguai vivia uma democracia plena. 

Apenas 72 dias antes da histórica final no Maracanã, o Uruguai tinha feito 4-3 na mesma Seleção Brasileira, no dia 5 de maio de 1950, em São Paulo. Na ocasião, olhados os anos anteriores, eram os uruguaios os reis do futebol. Bicampeões olímpicos e campeões mundias em 1930, a Celeste também tinha 8 títulos da Copa América contra apenas três do Brasil (os argentinos tinham nove; hoje, Uruguai 15, Argentina 14, Brasil 8). Embora o Brasil fosse o campeão sul-americano de 1949, o Uruguai tinha mais lastro.

“Tínhamos mais time. Era um grande time de futebol”, conta Garrido. “Ganhar era normal, o problema foi como tudo aconteceu”. Ao enfrentar o país-sede na final, o ótimo Uruguai se viu na pele de vilão. O Brasil também tinha um grande time e havia feito uma campanha fabulosa. Diferente dos dias atuais, não havia final. O Brasil enfrentou o Uruguai na última rodada do quadrangular decisivo após atropelar a Suécia por 7-1 e a Espanha por 6-1, no jogo embalado pela marcinha “Touradas em Madri”. Os uruguaios haviam penado para bater os suecos (3-2) e não passaram de um empate em 2-2 com a Espanha. Na última rodada, o Brasil jogava pelo empate e saiu na frente, 1-0.

“O Maracanazzo foi um ponto central na vida e na cultura uruguaia. Aquela virada, atribuida ao espírito Criollo, acabou por mudar toda uma geração”, atesta a obra. O tal espírito é o que por aqui chamamos de raça. A abnegação uruguaia, a superação ao calar 200 mil vozes e virar o jogo no Rio de Janeiro, trouxe ao país um recado de que o esforço supera o estudo. “Desgraçadamente, em todos os cenários intelectuais, quis se mostrar que esse seria um país sem fé, de burocratas obsoletos. Depois do Maracanã ficou mais bonito sermos indolentes, mostrar fé, ser Criollo ao invés de privilegiar a dedicação e a preparação técnica”, aponta a obra.

“Ainda estamos vivendo aquele Maracanã. Aqui, sinto que nos instalamos no ontem e de lá não queremos sair” é outra frase forte que sustenta a tese de Garrido. No entanto, o livro não é só tristeza e lamúria, como se a conquista não fosse querida. A obra passeia pela montagem do time, de um rompimento político com a AUF (Associação Uruguaia de Futebol) e dos relatos de viagem e diários de todos os atletas, com clubes de origem.

Curiosamente, no Brasil a tese é oposta: foi a partir da derrota de 1950 e do sentimento de vira-lata criado e combatido que a Seleção se tornou a maior de todas, vencendo mais que qualquer uma.

 

Diário “Olé” denuncia esquema de ingressos pra Copa através de Organizadas

Giba, da Organizada "Guarda Popular": 200 ingressos ganhos e revendidos

“Como você os conseguiu, se estão todos esgotados?”

– Política. E os meus amigos [das torcidas de] Cruzeiro e Flamengo também tem mais.

É com essa resposta que o Diário argentino “Olé” denúncia a revenda de ingressos para os jogos da Seleção Argentina para a Copa 2014, nas cidades de Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O entrevistado, sem pudor algum de contar a prática, é Giba, batizado Gilberto Bitancourt Viegas, notório membro da “Guarda Popular” do Inter, uma das organizadas do Colorado.

A matéria, assinada pelo jornalista Gustavo Grabia, pode ser lida aqui, em espanhol. E traz a informação de um acordo entre as organizadas do Inter e do Independiente, parceiras desde a decisão da Recopa Sulamericana em 2011. Giba conta o esquema para receber cerca de 1200 argentinos no Brasil, com entradas garantidas para os jogos na primeira fase, contra Nigéria, Bósnia e Irã. Nem todos terão ingressos. “Aí é problema deles conseguir”, afirma Giba, que não revelou os meios políticos com os quais furou a fila mundial e repassa agora as entradas aos hermanos. Também não revelou o preço dos ingressos.

Ingleses loucos por futebol atravessarão América à pé pela Copa

 [video_terratv id=”7364048″ width=”512″ height=”288″] 
 

Todos sabem o quanto os ingleses são apaixonados por futebol. E também como costumam ser malucos em suas aventuras atrás da bola. Três deles resolveram desafiar as perigosas estradas da América do Sul cruzando o continente à pé, da Argentina ao Brasil, passando pelo Uruguai.

Adam Burns, Pete Jonhston e Dave Bewick chegaram às Américas e deixaram Mendoza, na Argentina, e seguirão caminhando até chegarem a Porto Alegre, em uma viagem estimada em 100 dias. “Saímos dia 2 de março e estimamos chegar por volta do dia 8 de junho, apenas 4 dias antes do início do maior show da Terra”, conta um empolgado Adam. Serão 29 cidades e vilas e um total de 25 mil libras – cerca de 95 mil reais – numa caminhada de 1990 km. Curiosamente, 1990 é o ano em que pela última vez a Inglaterra chegou à uma semifinal de Copa, na Itália.

“Nós queremos achar outros 32 torcedores, um de cada país, para se juntar a gente nessa”, conta Adam. A Argentina já está fora da lista: Adrian, um torcedor local, foi o primeiro a se juntar ao trio, caminhando por um trecho com eles. 

Apesar do ânimo no vídeo acima, nem tudo são flores. Dois dias já foram perdidos para um replanejamento da rota. Numa das noites até aqui, a chuva os obrigou a dormir em um acampamento agrícola, depois de uma caminhada pela linha do trem. Nessa, quase que dois deles foram eletrocultados em um pastoreio cercado eletricamente. Assustados e sem comida, receberam ajuda de outro argentino, que os levou 18 km na estrada, com um carro, até a pequena Washington, em Córdoba, cidade de menos de mil habitantes. “Isso nos frustrou, mas tivemos que pensar na nossa segurança”, diz. Pete completa: “A polícia local tem nos ajudado muito. Até nos recomendaram um ótimo restaurante”.

O embaixador inglês no Brasil, Alex Ellis, tem acompanhado a viagem e tenta agora, junto ao Internacional, fazer com que o trio termine a viagem dentro do gramado do Estádio Beira-Rio. “Seria inesquecível”, diz Adam. Até lá, aproveitam para conhecer outros campos, como a casa do Independiente Rivadavia, da segunda divisão argentina.

Dave, Adam e Pete: cruzando a América a pé

Não será apenas uma viagem de turismo. O trio já arrecadou 5 mil libras e pretende chegar a 20 mil para doar ao Instituto J de V Arts Care Trust. O valor deverá ser aplicado no combate a seca em áreas no sertão nordestino. 

Copa 2014: 5 músicas para que os gringos conheçam o Brasil

Amigos, Feliz Ano Novo! O Carnaval passou e, apesar de ano de Copa e Eleições, como de hábito, o ano vai começar (para alguns, claro, por que o meu já tá rolando há algum tempo).

Nariz de cera* a parte, ainda no ritmo da folia, o blog se propõe a explicar como funciona o País aos estrangeiros que virão ao Brasil, através da música. Afinal, o Brasil é o país dos ritmos e das cores, certo? Nada mais justo que o torcedor-turista entenda como funciona a Pátria Amada por intermédio de nossos artistas.

#5 – Gerasamba – “Melô do Tchan”


 

Pau que nasce torto, nunca se endireita. Então, segura o tchan, paim. Do not understand? É simples: começou errado, vai terminar errado, então segure as pontas e vamo que vamo. Jérome Valcke alertava que o Brasil precisava de “um chute no traseiro” – e todos nos entendemos. Mas, há 99 dias da Copa, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá e Manaus ainda não entregaram seus estádios. Vão entregar, tenho certeza. Mas será em cima do laço, com as mazelas que todos já estão carecas de saber. Aeroportos e estradas não estão aquele show prometido e sabemos que os visitantes vão sofrer para circular pelo País. Mas, enfim, a Copa está aí. Então é segurar o tchan com o que temos.

#4 – Legião Urbana – “Que País é Esse?”


 

Beber cerveja nos estádios é proibido, mas durante o evento Fifa, todos os “males” são curados e estará permitido. Depois, só o Judiciário Deus sabe. Evidentemente que todos condenam os desvios de verbas e superfaturamento, mas azar do caixa da padaria que não viu que a nota era de R$ 20 e sim de R$ 50. Os políticos são todos corruptos, mas deixa eu ficar aqui quietinho no meio da fila pra dar uma furada e ganhar tempo; não sou trouxa, afinal. Pra que cobrar o preço justo, honesto, se os gringos virão aqui e podem resolver nossas vidas? Então inflacionemos os preços e não percamos a chance de faturar. A Adidas lançar uma camisa temática da Copa com um coração invertido alusivo ao bumbum das brasileiras é um absurdo, mas andar com peitos de fora e micro-tapa-sexo no Carnaval é supernatural – sem contar o que rola na TV ao longo do ano. Em 1987, a Legião Urbana já perguntava “Que País é Esse?” e 27 anos depois ainda não sabemos a resposta para as nossas incoerências. Ou melhor: sabemos, mas… pra que mudar, se é mais fácil culpar a Fifa ou qualquer outro?

A camisa "polêmica"

#3 – Vários – “Lepo Lepo”, “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tchá”, “Tchê Tchê Rere”

O que todos esses gênios da poesia artistas têm em comum? A simplicidade em resumir em poucas sílabas a intensidade sexual que aflora em todo o País. Sons fáceis de se repetir, que qualquer neném de 3 anos consegue cantar. Tchum, Tchê, Tchá, Lepo… amigos, se vocês não entenderam ainda, é tudo a mesma coisa. Sem o requinte de um Vinícius de Moraes, mas com aquilo que o gringo quer ver ao pisar no País do Futebol. Apesar de ser difícil entender a relação entre essa liberdade sexual e a preocupação com a exploração de nossas mulheres e principalmente crianças (sobre como compreender o Brasil, ver item #4). Aliás, deixo o Israel Novais explicar melhor essa relação com as “novinha” em mais um sucesso da geração monossilábica:
 

#2 – Falcão – “Só É Corno Quem Quer”


 

Muito bem, tem muita coisa errada aí, mas o Brasil continua vivo e pulsante, até mesmo quando sai pra rua protestar mesmo sem saber direito por quem (não por que; por quem). Mas esse papo de interesses eleitorais na Copa é pra outra hora. Ou não. Falcão já ensinava que só é corno quem quer. Logo, para mudar isso aí que você não está gostando, basta… mudar. Comece por você, com pequenas atitudes dentro de casa, por exemplo. Pode (deve) levar também para as urnas, em Outubro. Ou, se preferir, use o método de vingança sugerido pelo cantor, o que aliás é o que tem acontecido mais nessas bandas. 

Bônus Track: ainda de Falcão, não deixe de ouvir “Black People Car”, apenas pelo simples prazer de.
 

#1 – Raul Seixas – “Aluga-se”


 

Mestre Raul “Rock” Seixas previu. Ele tinha razão. 

A solução estava aí, aos nossos olhos e a Copa 2014 será um belo projeto piloto disso. Não, agora não há nenhuma ironia. Tenho total e plena confiança numa super Copa do Mundo aqui no Brasil, dentro de campo. Teremos (belos) estádios cheios, grandes jogos, um espetáculo aos olhos do Mundo proporcionado pela empresa que melhor sabe vender isso. Quem aqui não se apaixonou pela África do Sul? A Fifa sabe vender como ninguém e vai mostrar isso, pode ter certeza. Passada a Copa, muita gente vai exaltar o País como uma terra bonita, de povo festivo, embora muitos possam tentar estragar o que houver de bom indo às ruas com um delay de 7 anos. O que será feito disso depois da Copa é uma incognita. Mas, com um sertão árido esperando por uma nova Las Vegas, com o Uruguai mostrando que legalizar a maconha pode diminuir criminalidade e trazer recursos para o governo, entre outros exemplos nas áreas de saúde, tributação e educação espalhados pelo Mundo, devemos perguntar: se o País não aprende com exemplos e executa com suas forças, por que não seguir Raul e tocar essa ideia?

*Nariz de cera: jargão jornalístico para enrolação.

Suposta tabela de preços da Copa 2014 vaza no site da Fifa; confira

Suposta tabela tem preços para todas as praças

Uma suposta tabela de preços para os ingressos da Copa 2014 vazou no site da Fifa nesta terça. A imagem estava entre as imagens promocionais na área da Copa das Confederações realizada no Brasil esse ano.

O valor mais barato seria na categoria 4 em quatro cidades: Cuiabá, Curitiba, Manaus e Natal, a R$ 120. O mais caro, R$ 2.500, para a categoria 1 em Brasília.

A Fifa colocará os ingressos à venda em 20 de agosto.

Veja a suposta tabela abaixo:

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Dica do bom repórter Felipe Gustavo.

Ingleses escolhem Curitiba para democratizar Copa 2014

“As Copas normalmente são sobre os jogadores de elite do mundo mas o nosso objetivo é levar a Copa até aqueles que são esquecidos. Crianças de rua ou os menos afortunados que não podem ir aos jogos.”

A frase é de Craig Robson, parceiro de Michael Gardner, dois ingleses fanáticos por futebol – e pelo Newcastle United –  que escolheram Curitiba para um projeto social durante a Copa 2014, para ensinar inglês e até futebol a crianças carentes brasileiras. Será a terceira edição do projeto que começou em 2010 na África do Sul, passou pela Polônia (sede da Euro 2012) e chega ao Brasil sob o nome “Project Curitiba”.

Leia também:

Contagem regressiva para o legado

Você sabia que o Taiti já venceu um jogo por 30 a 0?

Por que os brasileiros torceram contra a Espanha

Democratizar o esporte e promover educação durante um ano no Brasil é o ideal de ambos, que ficarão como voluntários no País já a partir de janeiro de 2012. O trabalho será em comunidades carentes, habitualmente encrustadas em ambientes com alta criminalidade. Mas nem os protestos recentes quanto à política brasileira, com imagens de violência chegando ao exterior, chegam a inibir a realização do projeto.

“Na verdade, achamos o máximo ver os brasileiros mostrar algo positivo sobre o País. Não estamos assustados com a situação, achamos até que isso cria uma oportunidade positiva de mudança”, diz Gardner. “Quando ouvimos sobre desnutrição, falta de educação e em contrapartida os gastos para Olimpíadas e Copa do Mundo, talvez a gente se questione se esse dinheiro não poderia ser melhor gasto. Felizmente o Brasil pode realizar uma fantástica Copa e também mostrar que as pessoas se preocupam com a política”, completa.

E por que Curitiba, entre as tantas sedes? Fanáticos por futebol e pela seleção inglesa, Robson e Gardner sabem que terão pouca chance de ver o English Team na capital paranaense, que receberá apenas uma partida de cabeça de chave entre os quatro jogos que a Arena sediará. “Curitiba tem um ótimo sistema de transporte público, é uma cidade multicultural e achamos que será mais fácil manter um projeto lá do que em outros centros como Rio ou São Paulo. Além disso, o clima é mais familiar para a gente”, conta Robson, referindo-se ao frio – um susto previsto aos europeus que chegarem ao Brasil achando que só encontrarão altas temperaturas.

“Nós não vamos acompanhar a Inglaterra em outras cidades. Torcemos para que ela jogue em Curitiba, mas poderemos ver os jogos pela TV. Estaremos no Brasil para desenvolver um projeto, então ver os jogos nos estádios não é o mais importante. Talvez tenhamos sorte da Inglaterra jogar em Curitiba!”, torce Gardner. Atualmente, ambos realizam o “Brazil Day” em algumas escolas em Newcastle, cidade no norte da Inglaterra, um dia com atividades com futebol e cultura brasileira para crianças inglesas. Os dois já estão estudando português.

Sobre o futebol brasileiro, Robson e Gardner demonstram um bom conhecimento. “Conhecemos Santos, Gremio, Fluminense, muito porque grandes jogadores que nós crescemos assistindo saíram deles para os clubes europeus”, diz Robson, citando Ronaldinho, Ronaldo, Romario e Rivaldo. “Conhecemos também o Atlético, o Coritiba e o Paraná. Somos sempre perguntados para quem iremos torcer”, diz Gardner, “E certamente iremos a alguns jogos. O Atlético tem um ótimo time jovem e seus torcedores são únicos. O Coritiba tem o Alex, que nós conhecemos do Fenerbahçe e os torcedores têm sido ótimos com a gente. Chamamos eles de “exército verde”. Mas só iremos contar nossa torcida por aí (risos).”

Conheça mais:

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida

Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

O que o Mundo está falando da Copa das Confederações

O evento-teste da Fifa vai começar e o Brasil vive uma onda de protestos sociais, na expectativa de uma repercussão internacional, já que todos os olhos do planeta estão voltados ao País. No entanto, não é o que se vê nas manchetes deste sábado, pré-estreia da Copa das Confederações, nos principais jornais esportivos do Mundo. Nenhuma nota ou preocupação em destaque – ao menos antes da competição começar.

Argentina

Nossos vizinhos estão fora da Copa das Confederações, mas não deixam de opinar. “Toda sorte para o Brasil” é a manchete do Olé, que brinca com o tabu de que nunca uma seleção que venceu a Copa das Confederações ficou também com o caneco do Mundial no ano seguinte. Bem, há sempre uma primeira vez.

Uruguai

Os uruguaios ainda não estão 100% voltados a Copa das Confederações. A grande preocupação do Ovación Digital está na busca por uma vaga no Mundial: com sete pontos, a Celeste garante ao menos a vaga na repescagem. Olhos em 2014.

Espanha

O Marca, principal jornal esportivo espanhol, segue a linha de se preocupar mais com o Real Madrid que com a seleção local. Tanto é que a principal manchete é com o uruguaio Luis Suárez dizendo que “valerá o mesmo” se marcar ou não no encontro entre Celeste e Fúria.

Itália

Na Gazzeta Dello Sport, a preocupação é com Mário Balotelli, que com uma contratura, pode ficar de fora da estreia contra o México.

México

Chicharito Hernandes, do Manchester United, é o destaque do Central Deportiva, caderno de esportes do El Universal, que fala da preocupação da Itália com o artilheiro.

Japão

No Japão, o destaque do Daily Sports Online é a declaração de Neymar sobre os principais jogadores japoneses, Honda e Kagawa.

Nigéria

Nada de repercussão sobre a quase-desistência da Nigéria na Copa das Confederações: página virada, a expectativa do The Guardian Nigéria é para o duelo com o Taiti: “Sonhos do Tahiti contra as Super-Águias”.

Taiti

No Le Dépéche, a manchete é: “Todas as atenções para o Taiti”. Pelo menos é essa a impressão que eles têm da primeira grande competição do país, que se rotula como “peixe-pequeno”.

Alemanha

Um dos principais países do mundo do futebol, a Alemanha dá pouco destaque para a Copa das Confederações (a quem chama de ‘mini-copa’), mas questiona: “Porque o Taiti e não nós?”, discutindo a ausência da seleção local nesta competição – e os motivos disso.

Inglaterra

Um dos mais ácidos jornais do mundo, o The Sun da Inglaterra, passa longe dos problemas sociais brasileiros ao falar da Copa. A manchete faz um apanhado do que há de melhor e, para desgosto de Carlinhos Brown, agradece a ausência de Vuvuzelas e afins no “carnaval do futebol”.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Contagem regressiva para o legado

Escavadeiras precisam de velocidade de Fórmula 1

São exatos 365 dias para a Copa 2014 enquanto eu escrevo este texto. Em todos os outros que antecederam este dia, desde o dia 30 de outubro de 2007 (você se lembra onde estava nesta data?), muito se discutiu o legado da Copa. Criou-se duas correntes, uma contrária e outra favorável ao Mundial. Boa parte da discussão ficou em cima dos estádios, o que gerou outra impressão errada: o clubismo. Quem tá dentro é a favor, quem tá fora, contra.

Foi onde erramos. Estádios são vitais para a realização da Copa, mas não são o mais importante para o Brasil. Faltando um ano para a Copa, estamos correndo atrás do que realmente importa: a infraestrutura. Enquanto brigamos pelos campos, nossas ruas, aeroportos, hotéis, tecnologia e profissionais de turismo ainda engatinham.

Leia também:

Repensando o futebol brasileiro

Felipão tem razão em não levar Ronaldinho

Clubes aproveitam Copa para pressionar CBF

Desde o começo fui favorável a Copa no Brasil. Sou militante do esporte. Jornalista esportivo que não quer o maior evento do planeta em seu país é contraditório; seria como um advogado trabalhar contra uma suposta vinda do Tribunal de Haia para o Brasil. O que não significa que não devamos permanecer vigilantes quanto ao uso dos recursos, tampouco concordemos com todas as imposições. Temos, novamente, duas correntes: a que acha tudo maravilhoso e a que não vê nada bom em coisa alguma. Falta ponderação.

O legado esportivo é inegável. Receberemos os melhores atletas, teremos uma nova visão do negócio. As 12 cidades-sedes terão novos estádios. Mesmo os “elefantes brancos” podem dar àquelas praças uma nova perspectiva. Cuiabá, por exemplo, lentamente começa a esboçar um trabalho profissional com o Cuiabá EC. As praças mais consagradas terão novos estádios; clubes se modernizaram e alguns rivais se espertaram a tempo e pegaram carona. O torcedor terá mais conforto. Não teremos alambrados e podemos começar a nos comportar como cidadãos, sem invadir campo, por exemplo. Foi a partir disso que a Bundesliga alemã se tornou uma das três maiores ligas de futebol no Planeta. E tenho certeza que todos os estádios estarão prontos.

Mas e as cidades? Enquanto se debatiam os estádios, o que foi feito pelas cidades? Um levantamento do jornal paranaense Gazeta do Povo aponta que dos 8.9 bilhões de reais previstos para mudar a cara da infraestrutura urbana do país, apenas 1,4 bilhão já foi investido. Boa parte, 6,1 bilhões, já foram contratados e devem ser o principal foco dos interessados no evento nestes 365 dias que restam. E os interessados somos todos nós. É a discussão da política: se você se omite, é conivente. Não existe apolítica – esta postura é uma postura política. A situação mais crítica é a dos aeroportos: 0,6 bilhão investido dos 7 bilhões previstos. Experimente pegar um avião aqui e também nos EUA para sentir o atraso que a Copa deveria acelerar. Já se sabe que muitos deles só estarão prontos anos depois do evento. Não cabe o comparativo de que o investimento na Copa tira dinheiro de hospitais e escolas. Existe orçamento para tudo. Talvez não fosse prioridade do País receber esses eventos; mas foi esse o plano do então presidente Lula para posicionar o Brasil como potência mundial. Cabe, porém, a cobrança forte para que os recursos sejam bem aplicados em todas as áreas. Ao invés de sair as ruas para vaiar a Seleção, vale sair às ruas, com ordem, pedindo melhores hospitais, escolas, etc. Uma coisa não exclui a outra.

Além disso há o componente político. Desde que o Governo proibiu o comércio de bebidas alcoólicas nos estádios, não se percebeu redução significativa na violência das torcidas, mas muitos comerciantes tiveram perdas substanciais nos lucros. Para a Copa, entretanto, o comércio está liberado. E depois? Restringe? Qual a diferença fundamental entre o consumo antes e durante o Mundial? A Fifa fez o que lhe cabia, é o Governo quem deve proteger o que interessa à nação. O mesmo vale para os movimentos populares, como as festas de São João e até as baianas do acarajé em Salvador (veja aqui).

Outra análise fria que precisa ser ponderada é a da vinda de turistas. Estudos apontam que o fluxo migratório começa dois anos após as Copas. Foi assim na Alemanha e na África do Sul. É o momento que os torcedores de outros países já assimilaram o que viram na TV. E ninguém é melhor que a Fifa para vender a imagem de um país próspero e agradável, com estádios moderníssimos. Em 2016, no entanto, o Brasil estará às voltas com as Olimpíadas – outro evento gigantesco. Até lá a estrutura estará pronta?

É preciso cobrar. Teremos eleições no próximo ano. Nada como uma enxurrada de obras, certo? Como separar o joio do trigo? Como identificar o verdadeiro legado da Copa? No momento, é decepcionante além do esporte. É um momento de reflexão.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida

Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Felipão tem razão em não levar Ronaldinho

"Ronaldo, tu presta atenção que o caminho é esse..."

Não dá pra chamar de clamor popular – vide a votação entre os internautas do Terra na capa do site – mas boa parte da torcida brasileira e quase toda a crítica queria Ronaldinho na Seleção na Copa das Confederações. Me incluo entre os que davam isso como certo. Mas, passadas algumas horas da convocação, e ainda na repercussão da mesma, pondero: Felipão tem razão.

Ronaldinho encantou a torcida brasileira nos últimos jogos do Atlético-MG, em especial nos jogos no Independência contra São Paulo e Cruzeiro. Pelo Galo, vem sendo destaque desde o ano passado. Carentes de craques como estamos, os lampejos do gaúcho pelo time mineiro nos fazem lembrar do Dentuço do Barcelona ou então dos inúmeros craques da Seleção ao longo de sua vitoriosa história. Convenhamos, há muito que a Seleção não encanta, não empolga. E, de quebra, o gênio do futebol mundial atualmente veste azul e branco e fala espanhol.

Leia também:

Seedorf e a semente

Zico e Romário selam a paz entre risos e Pelé

Sem refresco para Mourinho

Mas na Seleção, Ronaldinho não rende. E não rende por duas razões, não sei qual a mais relevante. Primeiro, o esquema. O Galo joga por e para Ronaldinho. Sim, a movimentação de Bernard (viu como Felipão tem visto os jogos do Atlético-MG?) e Tardelli, o posicionamento de Jô e principalmente as roubadas de bola de Pierre e Leandro Donizete (alô, Felipão!) ajudam muito. Aliás, são elas que proporcionam que Ronaldinho não volte e não se desgaste tanto correndo. Felipão poderia ter levado meia jogada pronta direto das Alterosas. Mas não quis. A Seleção já tem seu craque do momento, Neymar, e nenhum esquema tem feito o menino do Peixe jogar como pode. Será que o técnico quer trabalhar em função de outro?

Em segundo lugar, Ronaldinho tem apenas 33 anos, mas já ganhou tudo o que tinha que ganhar. Inclusive, e principalmente, dinheiro. Ronaldinho já foi o melhor do Mundo, já foi campeão da Copa com gol importante, já brilhou em vários clubes. A Copa 2014, que poderia ter nele e em Kaká os líderes da Seleção, já não encanta mais. No Atlético-MG, a relação é diferente e ele mesmo já assumiu isso publicamente. O apoio da torcida do Galo a Dona Miguelina, mãe do R10, ganhou o jogador. Ronaldinho é humano, oras. Pode até não tem ambições profissionais, ao menos na Seleção, mas o apreço e sinergia com o Galo entraram pra valer na cabeça dele. E, motivado, ele tem feito a diferença. Faria na Seleção? O histórico recente mostra que não.

Assim, Felipão está certo. Leva quem quer comer grama, caso do amigo de Ronaldinho, Bernard. Aposta em Julio Cesar no gol, injustiçado por uma falha em 2010 como se aquele lance definisse sua carreira; aposta em Luiz Gustavo, que quer ser titular do Bayern de Munique, futuro melhor time do Mundo; em Jadson e Hulk, vitimas de preconceito de pseudo-intelectuais da bola, por circularem por mercados diferentes que Rio e São Paulo em boa parte da carreira (o meia do São Paulo tem que provar a cada dia que merece a 10 tricolor, mesmo depois de carregar Atlético e Shakhtar nas costas quando defendeu esses clubes). É a linha de trabalho dele, a família que tanto dizem.

Mas Felipão não fechou as portas em definitivo para Ronaldinho. Em entrevista exclusiva na TV Globo, disse que seguirá de olho em Ronaldinho e alguns mais. Esse “olho” inclui essa vontade que o meia tem mostrado no Galo mais do que supostos desvios extra-campo que ele possa ter. Um deles talvez tenha sido dizer que o Galo estava brincando na derrota para o São Paulo na primeira fase da Libertadores. Felipão não quer brincadeiras. Será ele o cobrado no caso de um novo Maracanazzo na história do Brasil.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

O naming rights depende da boa vontade de todos

O Palmeiras anunciou oficialmente o acerto com a Allianz, empresa de seguros que vai alugar o nome do novo estádio do clube paulista pelos próximos 20 anos (leia mais aqui). Os valores estimados chegam perto dos R$ 300 milhões pelo período, dos quais somente 2)% irão para os cofres palmeirenses – mas esse é outro papo.

Foi o terceiro acordo similar no Brasil envolvendo estádios e clubes/administadores. E, para que isso seja levado a sério como negócio, é preciso que todos tenham boa vontade com essa fonte de renda importante aos clubes brasileiros.

Kyocera Arena, do Atlético: pioneira no Brasil

Leia também:

Repensando o futebol brasileiro

Grandes “traíras” do futebol brasileiro

Torcida do Galo levanta bandeira pró-LGBT

Em 2005, o Atlético anunciou um acordo com a fábrica de eletrônicos japonesa Kyocera Mita, fundada em Kyoto. Durante três anos, a empresa alugou o nome do estádio do Furacão, o que rendeu US$ 1 milhão por ano ao clube. Um acordo considerado bom para a época, embora os números possam ser vistos como modestos 8 anos depois. O conceito Arena, que passou a ser usado em todo o Brasil, também foi pioneirismo do clube paranaense, em 1999. Hoje quase todos os novos estádios puxam por isso, justamente para comercializar o naming rights.

A Kyocera Arena, no entanto, enfrentou os problemas já previstos para a Allianz e a Itaipava (que dá o nome à nova Fonte Nova, em Salvador) no Brasil: a adesão da mídia e dos torcedores. É difícil que o torcedor passe a chamar o estádio de Allianz alguma coisa (três nomes estão em votação para escolha popular), mas não é impossível que a grande mídia chame o estádio assim, como acontece na Europa. O Terra transmite o Campeonato Alemão, onde já há uma Allianz Arena (casa do Bayern de Munique), uma Veltins Arena (do Schalke 04, com patrocínio de uma empresa cervejeira) e um clube-empresa, o Bayer Leverkusen, da fabricante de medicamentos do mesmo nome.

 [terratv id=”468049″ domain=”terratv.terra.com.br” width=”425″ height=”344″]

Na época da Kyocera Arena, alguns veículos aderiram à proposta, outros não. Para o Atlético, o apoio representou um reforço de caixa que, coincidencia ou não, permitiu uma campanha de destaque com o vice da Libertadores 2005. Para o Palmeiras representa o mesmo, assim como para a gestão do estádio público em Salvador – negócio que vai pagando os custos da obra, bancada pelo Estado.

Sem a adesão ao nome, o que haverá é o afastamento dos patrocinadores desse tipo de projeto. Ninguém quer investir para não ser reconhecido. Equipes de vôlei brasileiras que vêm e vão podem confirmar isso.

Romantismo à parte, os torcedores baianos e palestrinos têm que entender a medida não como algo antipático, mas uma moeda a mais de fortalecimento dos times. E, convenhamos, Parque Antártica, um dos nomes prefeiros da torcida do Palmeiras, já não era referência a uma marca?

Em tempo: até por isso, se me fosse dado o poder de escolha do novo nome do estádio, ficaria com Parque Aliianz, nessa ordem.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida

Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!