Prefeitura de Curitiba peca pela transparência na Copa, diz Ethos

A prefeitura de Curitiba cumpre apenas 15% das exigências éticas na condução da realização do Mundial 2014, de acordo com um estudo do Instituto Ethos. O resultado? Pouca ou nenhuma informação, rejeição de parte da população ao evento e quase zero de aproveitamento dos benefícios da Copa para a cidade – exceto, claro, o que o pacote do PAC obriga em equipamento urbano.

A avaliação do Ethos posicionou Curitiba como a quinta cidade no ranking entre as 12 sedes do Mundial no Brasil. O que poderia ser motivo de comemoração só atesta um problema geral: das 12 cidades, apenas Belo Horizonte e Porto Alegre apresentam índices considerados médios. Os números e a lista completa você pode conferir aqui. A capital do Paraná obteve preocupantes 15,24 pontos dos 100 possíveis. A nota é composta por 93 perguntas que avaliam o nível de transparência em duas dimensões: Informação e Participação.

“Os problemas principais de Curitiba são a falta de um portal que mostre todos os investimentos feitos para a Copa ou ao menos uma busca especializada sobre Copa no portal da transparência da cidade. Curitiba também foi muito mal ao não ter nenhum canal de participação da população. A prefeitura não realizou nenhuma audiência pública sobre as obras da Copa. E não tem ouvidoria”, afirma Pedro Malavolta, coordenador do Projeto Jogos Limpos do Ethos. Ele ressalta que a relação com o Atlético, parceiro da cidade e do Estado, não está nessa avaliação: “Não estamos avaliando a iniciativa privada, até porque pouco da Copa é privado – só os estádios. Avaliamos transparência em dois conjuntos principais: as informações disponíveis e os canais de participação.” No entanto, o Ethos deve divulgar estudos para a iniciativa privada, área em que também atua.

A falta de uma Sala de Transparência, com ouvidoria, depõe contra a Lei de Acesso à Informação Pública, em vigor desde maio deste ano. “Uma ouvidoria precisa de independência para garantir suas funções de receber reclamações dos cidadãos, investigar e cobrar do poder público. São atividades diferentes de um serviço de informação”, explicou Angélica Rocha, coordenadora de políticas públicas do Instituto Ethos e do Comitê Local do projeto Jogos Limpos de Curitiba.

Nesta semana, o prefeito recém-empossado Gustavo Fruet deve anunciar a troca do secretário municipal de assuntos para a Copa 2014, Luiz de Carvalho, que esteve no cargo na última gestão. Entre as tarefas do novo secretário, está a busca por credibilidade para o Mundial na cidade. Segundo o Ethos, existem duas ações imediatas que poderiam melhorar a nota da capital paranaense: implementar de uma ouvidoria geral e autônoma da cidade (além de Curitiba, apenas Porto Alegre e Recife não dispõe desse serviço entre as cidades-sede) e criar um site específico com informações sobre os investimentos na Copa ou criar uma identificador para os investimentos no site Curitiba Aberta.

O que aprender com os gaúchos (ou: como usar bem a rivalidade)

Leia com atenção a carta acima.

Leu? Leia mais uma vez. É uma lição de grandeza da comunidade gaúcha, que mexe com cultura, desenvolvimento, crescimento e, principalmente, rivalidade inteligente.

Não existiria Batman sem Coringa, Davi sem Golias, Barcelona sem Real Madrid. Assim como não há Grêmio sem Inter ou, para os paranaenses, Atlético sem Coritiba. O antagonismo e a rivalidade são chaves para o crescimento, desde que bem usados.

A carta publicada pelo Internacional nos principais jornais gaúchos é mais do que uma provocação. É o reconhecimento das afirmações acima, mostrando porque a “Velha Firma” gaúcha é tão mais forte que as demais no Brasil, a ponto de, quase como um país a parte, fazer o futebol do Rio Grande do Sul ser a segunda força nacional em conquistas – a frente do Rio, atrás apenas de São Paulo.

Hoje – e já não tão recente assim – Curitiba é maior que Porto Alegre. Mas não consegue ser maior num aspecto fundamental: cabeça. Não consegue a unidade que o Rio Grande do Sul tem como Estado, tampouco ser a referência que Porto Alegre é para o Brasil. É a mentalidade cosmopolita gaúcha, empreendedora e desprendida. Jamais no Rio Grande cogitou-se ficar sem a Copa, por exemplo; Grêmio e Inter, cada um por um caminho, prepararam alternativas. O Inter venceu a disputa, mas o Grêmio está lá, preparado para a primeira oportunidade que surgir.

Sim, lá há rivalidade tanto quanto no Paraná, a ponto do Inter não poder usar nem a nova Arena, nem o Olímpico, e ter de mandar seus jogos no estádio do Caxias (de uma cidade, aliás, que faz bem o papel de terceira força, como o Juventude campeão nacional e o Caxias com representatividade estadual – em tempo: cidade menor que Londrina). Mas não há o pensamento de minar o trabalho do outro e sim de aproveitar a onda. Rebaixado em 2004, o Grêmio viu o Inter chegar às maiores conquistas do clube em 2006, ano em que o Tricolor dos Pampas retornava à Série A; os gremistas não deixaram barato: chegaram à decisão da Libertadores em 2007, perdendo para o Boca Jrs. Por pouco, um troco não dado no ano seguinte, vindo das cinzas. Isso, caro leitor, é rivalidade.

Logo, nos comentários aqui embaixo, vão surgir dezenas de razões de todas as partes para os porquês de os paranaenses não conseguirem ter o mesmo grau de desenvolvimento. Vai se criticar a Copa, se desrespeitar o direito de posse, até mesmo vão pedir, pasmem, a Copa em Florianópolis. Poucos até agora entenderam que, para Curitiba, a disputa pelo Mundial não era um Atletiba e sim contra outras cidades do Brasil, que lamentam até agora a perda do pacote de investimentos do Governo Federal para suas cidades.

Sim, concordo que não era prioridade para o Brasil a vinda de eventos como a Copa e as Olimpíadas, com tanto a se fazer em educação, saúde, etc. Mas foi essa a decisão do Governo, que está lá eleito e reeleito, mudando o chefe de estado, por 12 anos, referendado pelo povo. E então só restava para as cidades aproveitar o momento e brigar pelo seu espaço. Curitiba, até agora, não tem um espaço público sequer valorizando a Copa 2014. Triste.

O looping prosseguirá até que alguém siga o mandamento cristão de oferecer a outra face. Mudar a chave, pensar em progresso. Assumir um pequeno prejuízo para pensar num passo além no futuro. União fora de campo, para que a rivalidade dentro dele não pare de crescer, mas brigando em cima, não em baixo.

É possível?

  • Nem tudo está perdido

Arena das Dunas, Arena Corinthians, Arena Palestra, Arena Porto-alegrense. O conceito de Arena, difundido na Europa para que os clubes possam vender os nomes dos estádios, foi trazido ao Brasil pelo Atlético em 1999. Hoje, é tendência. Méritos da comunidade paranaense, pioneira na ideia.

…e não é que Mário Celso Petraglia é gaúcho de nascimento?

Retratos atleticanos

Reta final de Série B e o Atlético entra no G4. Fora de campo, política e gestão em ebulição. O Furacão entra na semana como sempre foi sua história: polêmica fora, superação dentro do gramado.

Leia um resumo do momento atleticano em imagens:

A alegria

Um ano difícil, jogando todas as partidas sem a força do estádio, com o orgulho ferido pela queda em 2011 e um início ruim. Entrar no G4 foi o que bastou para muitos atleticanos irem ao Aeroporto Afonso Pena receber a equipe que bateu o Vitória por 2-0 (veja os gols e as imagens da chegada do time clicando na imagem).

O Atlético, no final de outubro, finalmente vai dando pinta de que vai justificar o favoritismo inicial e retornar à Série A em 2013. Os três próximos jogos são decisivos: Guarani (C), Guaratinguetá (C) e o adversário direto São Caetano (F), que antes do confronto direto pega Ipatinga (C) e Vitória (F). A primeira alegria do ano tirou o atleticano da letargia, num movimento que já foi rotineiro na Baixada. Mas que está longe de definir algo.

O entrosamento

O Atlético está jogando bem e engatou uma grande sequência na hora certa. A quarta vitória consecutiva veio sobre um dos melhores times da competição e fora de casa, com um jogador a menos. A maturidade atleticana após a expulsão de Pedro Botelho impressionou. O Vitória não ameaçou o gol de Weverton uma vez sequer.

É covardia comparar o elenco atual, reforçado de peças-chave como o próprio goleiro, Elias, João Paulo, Pedro Botelho, Maranhão e Marcão, o sorridente da foto (retirada do site oficial do clube), com o que Juan Ramón Carrasco tinha em mãos. Mas há méritos também na condução de Ricardo Drubscky na forma do time jogar. Drubscky passou pela humilhação de ser contratado, relegado à uma sub-função e retornar para apagar incêndio com uma frieza alemã e uma postura britânica. Trabalhou em silêncio, foi humilde e até agora não foi oficialmente efetivado pelo clube (precisa ser?).

Faltando sete jogos, o Atlético pela primeira vez no ano tem cara de time de futebol. Qualquer menino de 7 anos escala o rubro-negro. Méritos de Drubscky, que recuperou Cléberson e Marcelo. Até Marcão, questionado ao chegar, já tem 9 gols na segundona.

O negócio

Os jornais estampam: a direção do Atlético optou por cadeiras mais caras na montagem da Arena para a Copa de 2014. Desta vez vem a tona o fato de que não um, mas dois orçamentos apresentados seriam mais econômicos aos cofres do clube do que os optados pela gestão da CAP S/A (clique para ler).

O Blog do JJ, João José Werzbtizki, publicitário e jornalista, traz um comentário interessante sobre a procedência das cadeiras da Kango, assinado pelo próprio em cima da matéria de Leonardo Mendes Jr., da Gazeta do Povo, cujo link está acima. O comentário é o seguinte, entre aspas:

Onde fica a fábrica da Kango? Num pequeno barracão na Cidade Industrial de Curitiba que, pelas dimensões, não tem condições de produção em quantidades como as exigidas para a Copa. Endereço? Rua Eduardo Sprada, 6400 – Cidade Industrial – Curitiba – fone: 41 3241-1816, para quem quiser ir visitar.

No site da Kango, ontem, havia fotos de estádios europeus e sul-africanos, com cadeiras de uma empresa européia, com a marca associada da Kango. Hoje, estas fotos não estão mais no site, que mostra 7 modelos de cadeiras, além de armários, destacando que estará instalando cadeiras no Itaquerão (20), no Urbano Caldeira, do Santos (210) e instalou no Estádio  Independência (25 mil cadeiras), em Minas. Algumas das fotos dos estádios do exterior, que sumiram do site, estão na página da Kango no Facebook, porém sem identificação dos estádios e do parceiro europeu. Há um texto que diz o seguinte:

“Diretamente dos estádios europeus, a Kango Brasil traz ao mercado sul americano a BERLIN, uma cadeira robusta e de alta tecnologia. A cadeira BERLIN, com patente requerida na Europa e no Brasil, possui medidas que garantem o conforto do espectador, além de ser aconchegante e compacta. Destaque para sua resistência a danos causados pela ação do tempo, raios ultravioleta e ao vandalismo.

Ela é, também, dotada de excelente ergonomia, reforçada pelo design com bordas arredondadas em todo o encosto. O assento conta com o sistema de rebatimento por gravidade, que amplia o espaço entre as fileiras. É uma cadeira que pode ser utilizada em ambientes externos e internos, sendo uma excelente opção para estádios brasileiros que sediarão a Copa do Mundo de 2014.”

Sobre as cadeiras instaladas no estádio do Santos, diz a Kango no Face:

ASSENTOS DO MODELO BERLIN SÃO INSTALADOS NA VILA BELMIRO PELA KANGO BRASIL

Nesta sexta-feira dia 05/10, a Kango Brasil instalou duzentos e dez assentos do modelo Berlin no estádio Urbano Caldeira, mais conhecido como Vila Belmiro. A cadeira BERLIN, possui medidas que garantem o conforto do espectador, além de ser aconchegante e compacta. Destaque para sua resistência a danos causados pela ação do tempo, raios ultravioleta e ao vandalismo. O modelo foi instalado na área de camarotes do estádio.

E mais, em foto antiga do Mineirão:

KANGO SPORT

“O conforto prolongado e a durabilidade da KANGO SPORT a qualificam como uma das referências em cadeira esportiva no Brasil. A ergonomia exclusiva permite uma acomodação agradável por um longo período e, somada ao design moderno e aos recursos tecnológicos de última geração, configuram os atributos que atendem a todas as determinações da FIFA e do Estatuto do Torcedor”.

“A KANGO SPORT é fabricada com polipropileno injetado, a partir de uma fórmula especial que torna o produto resistente ao vandalismo e à ação do tempo. As cadeiras obedecem às normas técnicas vigentes, não precisam de manutenção e trazem segurança e bem-estar aos espectadores. Conheça nossos produtos: http://www.kango.com.br“.

O que significa que as cadeiras da Kango, mui provavelmente, são importadas.

Essa é a imagem da fábrica da Kango em Curitiba:

Nunca é demais lembrar que os documentos sobre as escolhas de Petraglia para a Arena partiram do ex-braço direito dele, Cid Campêlo Filho, que não quis falar sobre outras definições, como a cobertura do estádio.

O apoio

Até segunda ordem – que pode ser a definição do TCE-PR de que o Potencial Construtivo é dinheiro público ou não – o problema é do Atlético e de seus sócios, que vêem a verba do clube ser usada conforme as decisões de Petraglia, que deu privilégios ao filho na questão das cadeiras.

E Petraglia demonstrou força junto ao conselho, que assinou uma carta repudiando as acusações de Cid Campêlo Filho e aprovou as decisões do presidente. É mais ou menos assim: se sua mulher quer comprar determinada roupa em uma boutique mais cara do que outra, problema de vocês: o dinheiro é do casal. E o conselho não viu problemas (ao contrário, como demonstra a carta) na escolha.

No entanto, com algumas definições do TCE-PR e o interesse crescente no assunto, o tema será de interesse público e algumas escolhas serão ainda mais questionadas. Por ora, vale – e muito – a caneta de Petraglia e dos pares de diretoria.

O renagado

Santiago “El Morro” Garcia voltou a jogar futebol. Depois da tumultuada saída do Atlético, o uruguaio estreou pelo Kasimpasa, da Turquia. Foi a contratação mais cara da história do clube (US$ 5 milhões), marcou dois gols em 15 jogos e, em um dos negócios mais inusitados do futebol mundial, foi devolvido por Mário Celso Petraglia ao Nacional, do Uruguai, que o emprestou ao clube turco. Falem o que quiser de Petraglia, menos que ele não sabe fazer negócios.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 17/10/2012

  • O que é de quem?

As atitudes de Mário Celso Petraglia na gestão da obra da Arena da Baixada, denunciadas pelo vice-deliberativo do Atlético, José Cid Campelo Filho, têm duas leituras diferentes e não excludentes. Enquanto não há definição do TCE-PR sobre os títulos do Potencial Construtivo serem ou não verba pública, trata-se de uma imoralidade junto aos sócios e conselheiros do Atlético. No português claro: problema do Atlético e dos atleticanos, que vêem o presidente do clube privilegiar filho e primo com contratos piores para os cofres do Rubro-Negro que outros que foram oferecidos – no caso do primo Carlos Arcos, sequer houve concorrência. É o problema alertado durante a eleição pela outra chapa, de que Petraglia ficaria com o controle total da Copa e do dinheiro do clube. Só não contava com o desacordo de um dos seus principais articulistas, Cid Campelo, que agora trás (quase) tudo à tona. Cid não comentou contratos ainda em fase de aprovação, como o da cobertura da Arena. Só dá a entender que qualquer parafuso da obra deva ser melhor olhado pelos interessados.

  • O interesse do Estado

A Arena é do Atlético, a Copa é de Curitiba. E é por ela que os governos municipal e estadual se dispuseram a fazer sua parte na obra. Para receber os benefícios do evento que, repito, é impensável que não viesse à Curitiba. No entanto, a confiança no responsável pela gestão do estádio parceiro esvaziou-se com as denúncias do ex-par. Não há irregularidade até aqui. Mas pode haver, caso o TCE-PR decida que os papéis do Potencial sejam dinheiro público. Aí haverá enxurrada de conseqüências. Entre elas, a necessidade de paralisação e revisão imediata dos contratos já assinados. Não significa recusar os compromissos com o Mundial, irreversíveis, e sim atentar-se ao destino daquilo que está se fazendo pelo Estado, com liberdade total a um ente privado. A decisão do TCE nesse sentido é o melhor que pode acontecer para a Copa em Curitiba.

  • Vilanização e oportunismo
Não se pode transformar a leitura das incorreções em um Atletiba. A disputa não é, e nunca foi (embora insistam) entre clubes. É sim por um processo de crescimento da cidade, que resulta sim num benefício para o clube que se propôs a ser parceiro no início do projeto, mas jamais pode resultar em desvio e/ou mau uso de verbas. Em miúdos, é monitorar e coibir ações ilícitas. Dos postulantes a prefeito da Copa, vi serenidade em um, que reconheceu os compromissos assumidos e prometeu fiscalização. Além disso, é importante ressaltar: o Atlético, pichado por muitos, não é vilão nesse processo. É um parceiro, de 88 anos de história e muita gente. Se há vilões são os que se omitem nas respostas e nas satisfações que devem ao público em geral.
  • Em campo

Preocupação maior da torcida, o futebol fez sua parte até o fechamento da coluna, ao vencer o Avaí. Sinal (bom) que não se deixou atingir pelo tumulto fora dele.

Atletiba acirrado na nova Câmara dos Vereadores

A nova composição da Câmara Municipal de Curitiba acirrou um “Atletiba” interno, ao menos na soma das preferência clubísticas dos vereadores. Atlético e Coritiba estão empatados na liderança entre os 38 vereadores eleitos, que tomam posse somente em 2013. Junto à atleticanos e coxas, o número dos que não torcem para nenhum time ou preferiram não declarar* torcida antes da campanha. O Paraná aparece somente a frente do Londrina entre os clubes paranaenses citados pelos novos vereadores. Fica abaixo da soma dos que torcem para outros times não-paranaenses. Veja o gráfico acima.

São 9 atleticanos, 9 coxas, 9 que não torcem/não declararam, 6 que preferem clubes de outro estado, 4 paranistas e 1 londrinense. A lista está logo abaixo.

Muda alguma coisa em relação à Copa 2014? Talvez.

CMC: Atletiba acirrado traz alguma consequência à Copa 2014?

De fato, o time do coração não é o que mais pesa na hora de alguma decisão política pró ou contra o Mundial. Ser da base do prefeito ou seguir a determinação do partido no assunto pode ser muito mais significativo em alguma decisão do que somente a preferência esportiva. Outras costuras internas, como troca de apoios, também pesam mais.

Mas, em uma cidade que ainda não comprou a ideia de um Mundial “curitibano”, dividida nas opiniões e nas análises sobre os temas da Copa, a pressão das torcidas pelo sim ou pelo não em um voto pode pesar.

Da “bancada da bola” – candidatos com ligação diretiva nos clubes/torcidas organizadas ou passado como esportista – apenas dois se elegeram: Paulo Rink, ex-atacante do Atlético, e Aladim, ex-atacante do Coritiba. O último, há muito tempo já está na vida pública e até ultrapassou a ideia de que é apenas um vereador “da bola”.

Além disso, ainda faltará a definição do prefeito. O atleticano Ratinho Jr. vai para o segundo turno com o coxa-branca Gustavo Fruet. Ambos, no entanto, devem seguir a cartilha da Copa assinada pelo ex-prefeito Luciano Ducci, paranista.

Ainda é cedo para avaliar se pode ou não haver alguma mudança no panorama político da Copa em função da torcida na Câmara. Mas vale a curiosidade da lista, detalhada abaixo.

Atlético: Dona Lourdes, Jairo Marcelino, Beto Moraes, Professora Josete, Hélio Wirbiski, Edmar Colpani, Paulo Rink, Bruno Pessuti e Paulo Salamuni.
Coritiba: Cristiano Santos, Felipe Braga Cortes, Tito Zeglin, Jonny Stica, Pier Petruzziello, Ailton Araújo, Zé Maria, Aladim e Pedro Paulo.
Paraná: Tico Kuzma, Julieta Reis, Tiago Gevert e Jorge Bernardi.
Londrina: Professor Galdino.
Outros**: Pastor Valdemir, Mestre Pop, Sabino Pícolo, Carla Pimentel, Chicarelli e Geovane Fernandes.
Nenhum/Não declarou: Serginho do Posto, Toninho da Farmácia, Noemia Rocha, Aldemir Manfrom, Chico do Uberaba, Mauro Ignácio, Dirceu Moreira, Rogério Campos e Cacá Pereira.

*Informações obtidas no site do TSE, no Candibook da Gazeta do Povo e em pesquisas pessoais.
** Times citados:  Seleção Brasileira (2), Cruzeiro-MG, Botafogo-RJ, Santos-SP e Corinthians-SP.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 26/09/2012

Coluna que aborda temas esportivos, em especial os voltados ao Paraná; veiculada semanalmente no Jornal Metro Curitiba

Passo à frente ou populismo?

Oportunismo eleitoral ou não – a descobrir – uma vereadora, candidata à reeleição, reivindicou formalmente junto a diversos políticos (incluindo a presidente Dilma) a inclusão de Curitiba nas sedes do torneio pré-olímpico de futebol de 2016. Politicagem a parte, a ideia deve ser levada a sério pela cidade. A Olimpíada será um evento nacional, embora os holofotes apontem o Rio. Mais do que receber jogos de futebol, Curitiba deve propor-se a ser cidade hospedeira (host) de delegações, envolvendo não só o futebol, mas clubes que possam ser CTs para tênis, basquete, atletismo, etc. A iniciativa já merece nota, mas a execução é o que interessará de fato. Aguardemos.

Patrocínio x burocracia

O Paraná Clube confirmou prospecção junto à Caixa Econômica Federal para estampar a marca do banco na camisa do clube – valores não divulgados. No entanto, a negociação está parada há meses: devedor no INSS, o Tricolor não pode ter apoio estatal enquanto tiver dívida com a União. Por essa razão, a Petrobrás deixou o Flamengo tempos atrás. “Gostaria de dar uma previsão, mas não é possível. Está no nosso jurídico”, me disse Vladimir Carvalho, diretor de marketing tricolor.

Prospecção

Por falar em patrocínios, o Coritiba realiza hoje um evento em São Paulo, reunindo 20 agências de publicidade, para apresentar o projeto do clube ao mercado paulista e buscar apoio de grandes anunciantes nacionais.

Prioridades

O Cianorte perdeu a vaga na Série C em casa, nos pênaltis, para o Mogi Mirim-SP, depois de ter vencido por 2-1 fora. Um dos mais interessados na conquista, o presidente da FPF, não esteve no Albino Turbay. Em campanha política para ser vereador em Curitiba, não viu de perto o futebol paranaense deixar de ter quatro vagas garantidas em campeonatos nacionais. O vice, Amilton Stival, fez às vezes (novamente) da presidência. Em tempo: nenhum deles bate pênalti. Mas dão segurança a quem o faz.

Pouco sobre futebol?

A coluna tem batido na tecla da gestão e visão futura. É de boas gestões que os craques aparecem no gramado. Mas, de olho nas hipóteses de o Estado ter dois clubes na Série A 2013 (ou três na B) refleti desempenho no campo e tabelas. O Coxa preocupa. Pega rivais diretos fora de casa e tem uma reta final com seis equipes entre Libertadores e título. Mas, mais que isso, não joga bem longe do Couto. Já o Atlético mostra evolução, mas decidirá a vaga longe de Curitiba. Numa Série B de raros tropeços, pega São Caetano, Vitória e Criciúma fora. Ambos precisarão buscar pontos na casa dos adversários. O processo é mental, já que a técnica não pode mais ser melhorada.

Copa 2014: análise do debate dos candidatos a prefeitura sobre o tema

Clima de eleições e o prefeito a ser eleito carregará a marca de ter sido o “prefeito da Copa em Curitiba.” Marca que todo político quer para, através do esporte, propagar-se como benfeitor público. Ser prefeito é mais que isso, claro. E a Copa também. O blog, como de praxe, não se omite e apresenta uma análise do que foi visto na TV sobre o tema.

Estigmatizada em Curitiba como se fosse um evento ruim, a principal competição esportiva do Mundo foi debatida pelos candidatos a prefeitura numa ótima iniciativa da ÓTV, canal fechado da RPC – parabéns a Marcelo Dias Lopes e toda equipe. É papel da imprensa debater os principais temas da cidade e, apesar de ter sentido falta de alguém mais ligado à editoria do esporte da emissora, Herivelto Oliveira conduziu bem o debate. Que, infelizmente, ficou um pouco esvaziado.

Isso porque três dos candidatos cancelaram a participação em cima da hora – segundo a emissora, chegaram até a se reunir para determinar as bases do debate. Uma pena para Luciano Ducci (PSB) que concorre à eleição e chegou a dizer que sonha em ser o “prefeito da Copa”; demonstrou interesse zero na hora errada.

Ruim também para Ratinho Júnior (PSC), que atirou a esmo para ser populista e acertou no Atlético, acusando o clube de falta de transparência na condução do empréstimo do BNDES, cujos termos são públicos. Poderia ter se explicado melhor.

Também nada legal para Gustavo Fruet (PDT), notório torcedor do Coritiba, que poderia manifestar-se acerca de suas ideias para o Mundial como amante do esporte e membro ativo da comunidade política, questionando muita coisa que desagrada até mesmo a si, como torcedor, na condução do projeto.

Os candidatos que estiveram presentes (e mais duas participações via entrevista dos postulantes sem representatividade no congresso) debateram variados temas. Abaixo, a análise da participação de cada um, na visão do blogueiro, ordenados por qualidade nas participações.

Comente você também, no espaço abaixo, e assista ao debate clicando aqui para ter suas próprias impressões.

Alzimara Bacellar (PPL)

Com uma participação relâmpago, foi fantástica, respondendo espontaneamente com simplicidade e objetividade o que nenhum outro candidato fez antes de ser provocado: um projeto para a Copa em Curitiba. Propôs a construção de um sistema educacional que atenda trabalhadores, capacitando-os em línguas, hotelaria e turismo, para aproveitar o contingente de visitantes durante o evento.

Rafael Greca (PMDB)

Ex-prefeito de Curitiba, Greca foi bem no debate sobre a Copa 2014 na cidade. Mostrou conhecimento ao contestar a ideia de que Potencial Construtivo seria dinheiro público (se disse co-criador do sistema), mas fez válida ressalva sobre o inchaço da quantidade de papéis no mercado, o que poderia provocar desequilíbrio no zoneamento urbano de Curitiba. Cobrou contrapartidas do Atlético, beneficiário do sistema e parceiro da cidade no evento, tais como a criação de um espaço de desenvolvimento esportivo público anexo ao estádio (o projeto prevê isso e a construção de uma escola pública no CT do Caju). Reconheceu a importância do evento, mas lembrou que a Copa não é a tábua de salvação da cidade. Discutiu ainda cada ponto de investimento via Copa de mobilidade urbana, tais quais os eixos de transporte. Prometeu investir R$ 1 em saúde, segurança e outros, para cada real investido na Arena. Coxa-branca histórico, Greca evitou o clubismo e até brincou, dizendo que também quer o voto dos atleticanos.

Carlos Morais (PRTB)

O jornalista, que militou ao lado do ex-governador Roberto Requião na TV Educativa durante o período de indicação de Curitiba para a Copa, preferiu fixar-se em um projeto de comunicação para o turismo no Mundial, através de folders. Mostrou-se contrário a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos e explicou que se trata de uma filosofia – cada sede regional terá opção para decidir a favor ou não da venda, mas a FIFA, patrocinada por uma cervejaria, pressiona para que todas adotem a prática. Lamentou a realização de apenas quatro jogos do Mundial na cidade e criticou a gestão dos orçamentos das obras da Copa, colocando em xeque os valores divulgados. Cobrou bem a construção de outros centros esportivos espalhados pela cidade além da Arena, citando também a Vila Capanema como exemplo de agente beneficiário futuro dos incentivos da prefeitura.

Bruno Meirinho (Psol)

O mais jovem candidato a prefeitura mostrou-se despreparado para o tema. Partiu para o populismo ao afirmar que os recursos deveriam ir para casas populares, esquecendo-se de que a cidade que os recebe só o faz porque é sede do Mundial, no projeto nacional da Copa. Fez o mesmo em relação ao Potencial Construtivo e ainda minimizou a importância de ações durante a Copa. A melhor participação foi quando fez jus aos conceitos socialistas e bradou (justamente) contra a aprovação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios por imposição da FIFA, o que demonstra o controle da entidade sob a soberania nacional. Ainda questionou supostos acordos nas cúpulas do Governo, para beneficiar-se dos recursos de eventos como Copa e Olimpíada. Propôs um plebiscito sobre a Copa, mas não explicou qual é a discussão a ser votada. Seria retirar a candidatura da cidade?

Avanílson Araújo (PSTU)

Criticou a vinda da Copa ao Brasil e foi o primeiro a tocar no tema no tema das desapropriações, ignorado até então, mas pelo pouco tempo, não conseguiu aprofundar. Disse ser contra a realização do Mundial no País – um posicionamento válido porém tardio e ineficaz para o que se apresenta.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 22/08/2012

Internacionalização

Coritiba e Grêmio, hoje à noite, no Couto Pereira. O tempo ajudou o Coxa nesse plano de internacionalização. Em Porto Alegre, a chuva segurou o embalo do Grêmio, que pegava um Coxa fragilizado. Os gaúchos fizeram 1-0. As semanas passaram desde o primeiro jogo e o momento ruim do Alviverde parece estar passando. O empate com o Vasco, jogando bem, e os 4-0 sobre o Cruzeiro dão novo alento para a disputa da vaga. Não será fácil: não pode tomar gol sob pena de ter de fazer sempre dois a mais e pega a escola “copeira & peleadora” gremista. Mas dá. E se passar, pega Cobreloa ou Barcelona do Equador (adversário na Libertadores 1986) na fase internacional.

O Derby da Rebouças

O jogo, que chegou a ser o principal do Estado no início dos anos 2000 quando os rivais da Rua Engenheiros Rebouças decidiram dois estaduais (2001 e 02) e representaram o futebol da terrinha na Série A sem o Coritiba em 2006 e 07, acontecerá no sábado na Série B pela primeira vez na história. Atlético e Paraná chegam iguais. Se o Tricolor joga em casa, o Furacão vem de três vitórias seguidas. Um empate mata os dois. A vitória coloca o Rubro-Negro em condições de brigar pelo acesso, algo que chegou a estar ameaçado; o mesmo, em menor escala, vale para o time da Vila. Jogo bom de ver, como há muito ambos não disputam entre si.

Despertar

Fora de campo, o Atlético parece ter mesmo despertado. A diretoria negociou com o J. Malucelli a volta à Curitiba, instalando arquibancadas modulares para até 9.999 torcedores e jogará no Barigui. O número é para atender ao Estatuto do Torcedor. Tivesse pensado isso antes e talvez o time estivesse em melhor situação na B. Além disso, um novo time chegou. Da estreia para o último jogo, apenas Manoel e Deivid se mantiveram titulares. Dois da casa, como Harrison, que está sumido, assunto que a coluna abordou há algumas semanas. Esclareceu o procurador dele, Pablo Miranda: “Nunca houve proposição de troca de procurador. Estou com ele desde 2009. Teve duas lesões graves e está se recuperando. É apenas o primeiro ano como profissional.”

Eleições

Meu voto vai para o primeiro candidato que formular uma proposta de inclusão de Curitiba na Olimpíada de 2016, organizando uma comissão que trate do incentivo ao esporte nas escolas municipais, a construção de um ginásio poliesportivo municipal e um comitê que traga para a cidade uma ou mais delegações para treinamentos e hospedagem, gerando renda para a cidade. Além disso, valorize o Mundial 2014, cobrando as contrapartidas do Atlético e assumindo o evento de peito aberto, abrindo as negociações, realizando ciclos de debates com profissionais e preparando o comércio e o cidadão para receber bem e rentabilizar com o turista na Copa. Quem se habilita?

Videocast #006 – Coxa na Copa do Brasil, reforços no Atlético e a nova gata do Romário!

Videocast #006 no ar!

Em pauta, a semifinal da Copa do Brasil entre Coxa e São Paulo, a necessidade do Atlético reforçar, um pedido: entrega logo a taça da Série Prata, Euro 2012 e a nova gata do Romário: Márcia Magalhães, assessora do Baixinho, gente da terra, gente nossa!

Confira e comente!