Abrindo o Jogo Entrevista: Mauro Holzmann

Mais uma da série Abrindo o Jogo Entrevista, desta vez com o diretor de comunicação e marketing do Atlético, Mauro Holzmann.

Em um bate-papo franco, Holzmann criticou a postura da cidade quanto à Copa 2014, detalhou alguns projetos do Atlético, afirmou que o clube ainda tenta mandar jogos em Curitiba na Série B nacional e falou sobre os “tuitaços” de Mário Celso Petraglia: “O presidente é emocional, é um fanático como muitos outros.”

Assista e comente!

Outras Entrevistas da Série:

Vilson Ribeiro de Andrade (Coritiba) – Clique para ver

Vladimir Carvalho (Paraná) – Clique para ver

 

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 06/06/2012

Sentido litoral

Dois dos próximos jogos com mando do Atlético na Série B do Brasileiro serão no Estádio Fernando Charbub Farah, o Gigante do Itiberê, em Paranaguá. No entanto, o clube ainda tenta manter as demais partidas na Vila Capanema, contando com o apoio da CBF. As partidas contra Goiás e Ipatinga são as únicas 100% confirmadas para o estádio no litoral (98 km), com capacidade para cerca de 12 mil pessoas. Hoje, o clube divulga ter 14.434 sócios, que terão de percorrer a distância citada para ver o time. A média de público, entretanto, não tem ultrapassado as cinco mil pessoas. Uma das cartadas do Atlético para se manter em Curitiba, além da parceria na Copa, é o fato do volume de jogos do Paraná na Vila começar a diminuir, com o fim da Série Prata. A CBF tem marcado os locais dos jogos apenas dias antes dos mesmos.

Com que roupa?

Apesar de já estar há seis meses patrocinado pela Nike, o Coritiba ainda disponibiliza para seus jogadores, em treinamentos, material esportivo da antiga fornecedora, a Lotto. Segundo o clube, ainda faltam algumas peças, como o próprio material de treinamento. A justificativa da nova fornecedora é de que os materiais dessa linha são importados – por isso o atraso. Outra queixa, em especial da torcida, é a ausência da camisa 2 na linha de uniformes do Coxa. O modelo já foi aprovado pela diretoria e é predominantemente verde, para contraste com o número 1, lembrando a famosa “jogadeira”, com listras brancas. Deve ser lançada ainda no Campeonato Brasileiro, antes do aniversário de 103 anos do clube.

Desempenho

Escrevo antes do fim do jogo de ontem, entre Goiás e Paraná. O Tricolor costuma se dar bem no Serra Dourada, mas uma derrota lá é algo normal. Porém, já começa a pesar outra análise: a de que ao enfrentar times mais preparados que os da Série Prata estadual, o Paraná não tem conseguido resultados. Perdeu duas para o Palmeiras, perdeu para o América-MG, empatou com os paulistas Bragantino e Guarani (este, em casa) e como melhores resultados na temporada até aqui, dois empates com o Ceará, que valeram vaga nas oitavas da Copa do Brasil. Pode ser que o resultado que esteja nesse jornal traga novidades, mas começo a pensar que o elenco montado não é competitivo o suficiente para essa Série B. E não falo de acesso.

Arbitragem e reciclagem

Criticada ao longo de todo o Campeonato Paranaense, a arbitragem local continua desprestigiada com o início do Brasileirão. Apenas Evandro Roman e Héber Lopes estarão em campo nos 20 jogos das 3ª e 4ª rodadas. Cada um apitando um jogo. Os de sempre, sem renovação. A pensar.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 30/05/2012

O rompante de Vilson

Mexeu com a comunidade esportiva a forte entrevista do presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, após a derrota (2-3) para o Botafogo no último final de semana. Vilson qualificou torcedores como “imbecis” e fez questão de ressaltar que quem manda no Coxa é ele. Pausa. Vilson é um ser humano e como qualquer outro é sujeito a rompantes emocionais. Apesar de generalizar na declaração, o dirigente qualificou de imbecis não à todos os coxas-brancas, mas sim aos que ofendiam a esposa de Jonas (que não jogou nada mesmo), presente nas cadeiras e que saiu em defesa do marido. Seguimos. Não é natural de Vilson Andrade essa postura, de fazer questão de lembrar quem manda no Coritiba. O rompante emocional é justificável, desde que não seja tendência. Governa-se de duas maneiras: ou pelo amor, ou pela dor. Até aqui, Vilson foi paz e amor. O outro caminho existe, mas não creio que seja tomado – muito embora nunca se viu crise no Coxa com ele no comando.

O estádio, história sem fim

À pedido do Paraná Clube, a CBF remarcou o jogo da próxima terça, 05/06, entre Atlético e Ipatinga, da Vila Capanema para o Germano Kruger, em Ponta Grossa. A partida de depois de amanhã, do Atlético contra o Barueri, segue na Vila. O jogo entre Atlético x Goiás, também marcado para a Vila para um sábado, 16/06, agora está indefinido na tabela da CBF. Vamos por partes: o Paraná tem razão em chiar. Jogou ontem na Vila, joga amanhã pela Série Prata contra o Serrano, verá o Atlético jogar contra o Barueri  na sexta e caso a CBF marcasse o jogo contra o Ipatinga pra Vila, o gramado teria que agüentar ainda jogos nos dias 05, 07 e 09 de junho. Não agüenta. E nisso não estou contando nem a imposição absurda por falta de habilidade atleticana na negociação, nem o orgulho besta que permite que o Tricolor rasgue dinheiro.

Autofagia

Fato é que o jogo contra o Goiás, dentro de 19 dias, ainda pode ser na Vila. Quiçá no Couto, em Paranaguá ou em Ponta Grossa. Ninguém sabe. A CBF, creio, irá pensar e pesar caso a caso, uma vez que os clubes de Curitiba, cada qual com seu quinhão de razão, não chegaram a um consenso. É o retrato típico da cidade em que vivemos: pra que construir, se é mais fácil atrapalhar? “A Copa na cidade não presta”, “Aquele ator é curitibano? Desconfiava” ou “Nosso trânsito é um lixo.” Escolha sua linha de raciocínio e admita: o curitibano não sabe progredir em conjunto. Se em cinco anos não houve consenso, não seria durante o campeonato que o Atlético – cuja postura presidencial mais repele que agrega – iria conseguir ser visto como parceiro de um evento benéfico para a cidade. Ah!, Curitiba, tão linda e tão retrógrada.

Copa do Brasil

Preferia que o Coxa jogasse a primeira das semifinais em casa. Mas o que vale é não se assustar com o Morumbi, daqui há 17 dias. Muito menos com o irregular São Paulo.

Copa 2014: Gestor municipal fala sobre o Mundial

Durante o Footecom Curitiba 2012, conversei com Luiz de Carvalho, gestor de Curitiba para a Copa 2014. No papo, algumas questões básicas mas ainda não muito claras para o cidadão comum: qual a real importância da Copa para a cidade? Por que não se vê ação de marketing sobre o Mundial em Curitiba? Como combater a rejeição de alguns segmentos quanto à Copa 2014 na cidade? A quem interessa a Copa afinal?

Ouça e comente mais abaixo!

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 23/05/2012

O estádio, parte 178
A CBF indicou a Vila Capanema para três jogos do Atlético na Série B. Acertou no atacado, errou no varejo. Não há solução fácil para a questão, pendente – acredite! – desde 2007, quando a Arena confirmou-se sede da Copa-14. O acerto da CBF: o Atlético é parceiro da entidade, da Fifa e do Estado na realização do evento. Sim, se propôs a isso e terá benesses inegáveis. Tem ainda ônus que tem pago sozinho, como se fosse dono do evento (não é, embora a classe política omissa faça questão de referendar isso). O Atlético precisa jogar em algum estádio e em Curitiba. A política é o que pega.

No varejo…
O erro é a escolha do local. A Vila está com o gramado ruim e abrigará 10 jogos em 25 dias, incluindo uma data conflitante em dois jogos do Paraná, em 09/06: encontros com o Guaratinguetá e o Grêmio Metropolitano – palmas à FPF, que não antecipou a B local. Com as chuvas na cidade não haverá gramado que resista. A obrigatoriedade, movida pela falta de diálogo, também é motivo de revolta. Com base entre outras coisas no gramado, o Coritiba ganhou ação no TJD-PR para não alugar compulsoriamente o Couto Pereira que, de fato, era o melhor local para abrigar o Atlético.

Desejo, necessidade, vontade
O Paraná promete ir à justiça para valer sua visão. O Atlético é concorrente direto na Série B e lhe dar abrigo é lhe dar força. No Estadual, o Coxa fez isso. A intenção da CBF ao escolher a Vila, induzida pela FPF, foi clara: preferiu rusga com o Tricolor que com o Coxa. E irá sempre proteger seu parceiro na Copa, não tenha dúvidas. Talvez o Paraná não tenha a mesma força política do Alviverde, mas a novela está longe de acabar. Em um mundo ideal, Coxa e Atlético se acertariam, fariam promoções nos planos de sócios; o Coritiba ganharia valorização nos espaços publicitários do Couto, movimentando a praça mais que apenas uma vez por semana. Bom para os donos de lanchonetes do estádio. Rivais em campo, parceiros fora dele, com inteligência. Certo?

Manual prático de política
Errado. A falta de diálogo é o principal problema. Até essa semana, o público só soube uma versão da história. Mário Petraglia, presidente do Atlético, só se manifestou recentemente, em carta – sem contestações. Há quem assuma como verdade absoluta. Há muita verdade, mas, sem troca de idéias, é mono. Atitudes truculentas e impositivas distanciaram qualquer acordo. A rivalidade besta também: o Atlético jogou N vezes inteira no Couto; o São Paulo FC é tricampeão do Mundo alugando o Morumbi aos rivais. Mas se Petraglia, com seu estilo, não consegue nem agregar sua própria gente, iria conseguir fazê-lo com coxas e paranistas?

Em campo
Copa do Brasil: Coxa passa pelo Vitória, mas 0-0 fora não é tão bom como se supõe. Não pode tomar gols hoje. Precisa jogar mais que em Porto Alegre. Atlético em São Paulo é zebra, só vitória ou empate com mais de três gols. Zebras acontecem, mas eu não apostaria, embora será ótimo ver ambos nas semifinais.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 16/05/2012

Ainda o estádio
“O Atlético transferiu pra CBF a responsabilidade. A Copa do Mundo é da CBF, nossas obras são para a Copa, ela que indique o estádio. Jogaremos onde a CBF indicar, até na China.” Esse é Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em entrevista ao jornalista Oswaldo Eustáquio, da TVCI canal 14, sobre o local onde o Atlético deve mandar os jogos na Série B do Brasileiro. O prazo para indicação do local ao menos do primeiro jogo, dia 5 de junho, acaba hoje. Couto Pereira, Vila Capanema e até o Caranguejão, em Paranaguá, estão na lista. O presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, esteve na CBF ontem, depois de dar novas entrevistas negando a intenção de alugar o estádio. A diretoria do Paraná, por sua vez, também já afirmou que não quer alugar mais a Vila Capanema. Todos têm sua dose de razão e pecou-se pela falta de diálogo. Seja qual for a decisão da CBF, alguém sairá desagradado.

Copa do Brasil
Em campo, por ora ainda na Vila Capanema, o Atlético recebe o Palmeiras. Jogo bom para esquecer o fracasso no Estadual e tentar chegar pela primeira vez às semifinais da Copa do Brasil. Confronto muito igual. Palmeiras conta com Marcos Assunção, Valdívia e o recém-chegado Mazinho como armas; já o herói-que-virou-vilão Guerrón é a grande arma atleticana. Na gangorra do futebol, jogo bom pra ele se recuperar. Em Salvador, tem Coritiba e Vitória. Com a moral do tri-estadual, Coxa pega o vice-baiano, que tem o artilheiro do Brasil, Neto Baiano, 31 gols. Trazer um empate com gols é de se comemorar. Confronto muito parelho também, com leve favoritismo coxa – mas que passa muito por bom resultado hoje.

E o Brasileiro?
Copa do Brasil hoje, Brasileirão Séries A e B já no final de semana. Tricampeão estadual, o Coritiba é o único paranaense na elite. Objetivamente, com os times que vieram até aqui, Coxa briga pelo G10. Está atrás de Santos, Corinthians, Fluminense, São Paulo, Vasco e Internacional. Se reforçar, pode sonhar com Libertadores. O resto dos times é igual ou pior. Na Série B, Atlético brigará pelo G4 com emoção com o elenco atual. Se reforçar, cumprirá a obrigação de subir. É o grande time da segundona 2012. Tem como adversários Guarani, Vitória, Goiás, Avaí, Ceará e Criciúma. O Paraná corre por fora. Tem potencial pra sonhar, mas tem as limitações de sempre, a começar pelo dinheiro. Outro problema do Tricolor é a maratona de jogos. Jogou segunda, joga hoje em Rolândia, sábado contra o Guarani, terça contra o Goiás. Sobra na B local, mas não terá moleza na nacional. E se não ganhar os dois turnos locais, compromete o calendário em mais dois jogos, se obrigando a jogar semifinal e final, mesmo se tiver melhor campanha. E não pode abrir espaço na B nacional, para não sofrer. Caiu no campo, mas a desorganização das tabelas e regulamentos é um crime contra o Paraná Clube.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/04/2012

Fifa: muitas mudanças no projeto irritam comitê local

A obra da Arena da Baixada em Curitiba está sendo tocada sem alvará de construção, sob uma licença especial e supervisão diária de um grupo da secretaria de urbanismo da prefeitura. Tudo porque a Fifa mudou mais uma vez as exigências para a Arena – segundo informações, a sexta vez desde 2007. Pequenos detalhes que atrasam ainda mais a construção do estádio. As constantes mudanças irritaram o comitê local, que agora corre para regularizar novamente o alvará. Atualmente, a obra tem o relatório prévio ambiental aprovado. Na próxima terça (24) o Atlético terá nova reunião no conselho deliberativo para debater esse e outros assuntos – como por exemplo cobrar uma participação mais efetiva dos governos na operação.

Prêmio gordo

Tentando retomar o prestígio nacional perdido com o rebaixamento em 2011, o Atlético ofereceu aos atletas e comissão técnica um prêmio gordo pelo título da Copa do Brasil: 50% dos ganhos do clube até a conquista. Significa dizer que quem estiver no grupo atleticano em uma virtual conquista pode faturar R$ 1,97 milhões a serem rateados entre os membros. Vale dizer que o Atlético está apenas no terceiro grupo de cotas da CBF por não estar na Série A nem entre os 10 melhores do ranking nacional, recebendo o menor percentual de cota.

Câmeras, ação!

Demorou, mas finalmente a Vila Capanema poderá receber a capacidade máxima de torcedores (20 mil pessoas): o clube instalou e apresentou laudos ontem das sete câmeras de seguranças que faltavam para que o estádio se enquadrasse nos pedidos do Estatuto do Torcedor. A medida já vale para o jogo de hoje, entre Paraná e Ceará, pela Copa do Brasil. O clube instalou três câmeras por conta e contou com parceiros, que bancaram o custo de outras 4. Os valores e nomes dos parceiros não foram divulgados. O Paraná precisa de empates em 0-0 ou 1-1 ou da vitória por qualquer placar para avançar na competição. Será o quarto jogo oficial do clube em 2012.

Torcida única reloaded

A medida antidemocrática e sectária de se realizar o clássico Atletiba com torcida única deverá ser referendada hoje, após uma reunião entre a PM, a FPF e os clubes. O Ministério Público, único que pode evitar a medida se protestar formalmente, deve compactuar com aquilo que o mesmo, ainda no primeiro turno, classificou como “rasgar o Estatuto do Torcedor”. Os ingressos devem ser postos a venda a partir de quinta. A coluna não discute se a torcida do Coxa deve ter direito a ir sozinha já que não pode ir no primeiro e sim o absurdo que a medida anterior – e essa – faz com a desportividade e convivência. Em tempo: no jogo de ida, só com atleticanos, houve violência do mesmo jeito.

Abrindo o Jogo – Coluna do Jornal Metro Curitiba de 11/04/2012

Nem lá, nem cá

Do feriado da Páscoa para cá muito se falou do encaminhamento do financiamento do BNDES para a Arena; primeiro, ou por erro de interpretação, ou por vontade exagerada de comemorar uma vitória, Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, divulgou que o banco havia confirmado a cessão do valor. Dias depois o BNDES finalmente se manifestou: “Houve interpretação incorreta por parte do clube. O empréstimo apenas avançou uma fase. Passou de carta-consulta para pedido enquadrado”, informou a assessoria do banco. Traduzindo do tecniquês, o pedido do Atlético foi formalizado com documentos aprovados e agora passará pela análise de viabilidade técnica. Mas, nem Petraglia com pressa de (con)vencer na parada, nem algumas divulgações da negativa do banco em financiar a obra foram precisas.

O perigo

É improvável que o BNDES não aprove o projeto do Atlético para o Mundial 2014, por N razões – especialmente a necessidade política que Curitiba e o Paraná têm de realizar o evento, o que deve desburocratizar alguns quesitos. Mas não é impossível. E o custo pode ser alto. Em carta enviada à coluna, o ex-presidente do conselho fiscal do Atlético e ex-diretor administrativo do BRDE (versão regional do banco nacional de desenvolvimento) Amadeu Geara, alertou sobre alguns problemas na conduta do caso. Primeiro, a informalidade dos acertos entre a atual gestão do clube e o governo; depois, a maneira com a qual pretende-se ser feito um aporte financeiro via Estado para a obra. E por fim a insistente relutância de Mário Celso Petraglia em trazer essas informações às claras, seja pela imprensa, seja somente ao conselho do clube.

Fútbol brasileño

Juan Ramón Carrasco, técnico uruguaio do Atlético, não gostou de ser questionado pela improvisação do zagueiro Manoel como atacante no jogo do último final de semana com o Corinthians-PR (1-1) e soltou um “não sei como é aqui no Brasil, mas no Uruguai quem manda é o treinador.” Carrasco, que no geral faz um bom trabalho de reestruturação no clube (sem quase nenhum reforço, diga-se), passou um pouquinho no ponto, então é bom situá-lo: no Brasil, o futebol é o mais vitorioso do Mundo, com 5 Copas. E aqui funciona assim: se tomou uma decisão, explica-se e debate-se. As conseqüências são a cobrança e quem sabe até a perda do emprego – mas aí vai dos resultados e do patrão. Bem vindo ao país do futebol, Juan.

Escola de Gestão

A aposentadoria de Tcheco, antecipada há 15 dias aqui na coluna e confirmada ontem pelo próprio, pode ser o início de um trabalho essencial para o futebol paranaense: o processo sucessório nos clubes. Tcheco, 36 anos, curitibano de nascença e identificado com o Coxa, passará a trabalhar na administração do futebol alviverde ao lado de Felipe Ximenes. Tem perfil, já é empresário. A iniciativa é uma saída para que se construa uma escola de gestão no Estado, para que nossos clubes não vivam de brilharecos a cada década, esperando surgirem novos Evangelinos, Jofres, Petraglias ou Vilsons da vida.

Atlético planta embrião para jogar em Joinville; entenda

Arena Joinville: caldeirão para o Atlético?

O Atlético jogar o Brasileiro Série B na Arena Joinville ainda é apenas um embrião, mas com pinta de que pode dar liga, após os rompimentos de Coritiba e Paraná com a diretoria (leia-se Mário Celso Petraglia) atleticana.

O que há de verdade na história: houve sondagem do Atlético, que já recebeu resposta positiva do JEC, mas tudo ainda no campo da especulação. Isso porque o Joinville não pode fazer nada na Arena sem consultar a Felej (Fundação de Esporte e Lazer de Joinville) que é o órgão da prefeitura que faz a gestão da Arena Joinville. Isso só deve esquentar mesmo na próxima semana, uma vez que houve mudança no comando do secretariado da fundação. O novo secretário, Flávio Sérgio Psheidt, não foi encontrado para falar sobre o assunto.

O JEC não paga um centavo sequer a prefeitura para o uso da Arena Joinville e é o arrendatário do estádio até novembro de 2014. Os únicos custos que o clube tem são os de manutenção do estádio – gramado, arquibancadas, vestiários. O JEC, com o aval da prefeitura, tem licença para lucrar com aluguel de campo e exploração de publicidade na Arena, o que facilitaria muito as negociações com o Atlético. Hoje, o rubro-negro paga R$ 50 mil por jogo ao Paraná pelo uso da Vila Capanema.

O presidente do JEC, Márcio Vogelsanger, demonstrou interesse na negociação: “Não vejo nenhum problema. Assim como o Coritiba fez aqui, o Atlético pode fazer também. Mas temos que sentar com a prefeitura e negociar, isso ainda não foi feito.” Vogelsanger estava em uma reunião e foi curto e evasivo nas respostas. Disse ainda que pessoalmente não conversou com ninguém do Atlético, mas que algum diretor do clube já poderia ter feito isso por ele – ainda não sabia afirmar.

Curiosamente, Joinville e Atlético se enfrentam na Arena Joinville na primeira rodada da Série B. Eles, caso se acertem, precisam da ajuda da CBF e da TV para recoordenar três rodadas no turno, outras três no returno, a inversão de mando na abertura do segundo turno e a ajuda da PM no derby com o Paraná, em 24/11, última rodada com movimentação nas estradas. Confira os jogos conflitantes:

16/06 – 6ª rodada – sábado
16h – JEC x Ceará
16h – Atlético x Goiás

03/08 – 15ª rodada – sexta e sábado, com clássico catarinense
Sex – Atlético x São Caetano
Sáb – JEC x Criciúma

14/08 – 17ª rodada – sábado
16h – JEC x Bragantino
16h – Atlético x ASA

22/09 – 26ª rodada – sábado – movimentação dupla paranaense nas estradas
16h – Atlético x Ceará
16h – JEC x Paraná

27/10 – 33ª rodada – terça-feira
21h – JEC x América-MG
21h – Atlético x Guaratinguetá

06/11 – 35ª rodada – sábado
16h – JEC x Guaratinguetá
16h – Atlético x América-RN

24/11 – 28ª rodada – sábado – movimentação dupla paranaense nas estradas
16h – Atlético x Paraná

Em 2010, quando usou a Arena Joinville por 10 jogos, o Coritiba arcou com custos de manutenção estimados em R$ 20 mil por jogo e ainda fez o repasse de 10 a 12% da renda em jogos diurnos e 12 a 15% da renda em jogos noturnos. A média de público do Coxa foi de 2454 torcedores nas 10 partidas, sendo a maior presença em um jogo contra o Sport Recife, num sábado: 7022 pessoas viram a vitória alviverde por 2-1.

Para pensar:

Nas redes sociais, a torcida do Atlético já chia com a falta de habilidade da diretoria em negociar com o Coritiba e, mais recentemente, com o (novo) racha com o Paraná Clube e a possível perda da Vila Capanema, atual refúgio atleticano.

O torcedor se dói, mas o clube nem tanto. Nenhum dirigente jamais irá admitir, mas para um clube com um bom parque associativo em dia, não é vantagem ter muitos torcedores presentes ao estádio. A conta é simples: supondo que os 17 mil sócios que o Atlético afirma manter sejam no máximo 10 mil, para facilitar os números; e que cada um pague R$ 70 por mês, numa média de 4 jogos em casa (R$ 17,50 por jogo), o clube tem arrecadado mensalmente 175 mil reais. Mas, com a média de público na Vila não ultrapassando 4 mil, tem declarado e prestado contas (impostos, taxas de federação) de apenas 70 mil reais/mês, sobrando aos cofres do clube 105 mil limpos e justificados.

Não é mau negócio para a economia atleticana mudar-se para Joinville, reduzir custos de aluguel de campo e aumentar a sobra de caixa. É sim para o torcedor, mais uma vez jogado para o quinto plano.

Para pensar II:

A frase atribuída a Mário Celso Petraglia na reunião na câmara de vereadores sobre a Vila, “Precisamos de outro lugar para jogar”, não traz nenhuma ofensa ao Paraná Clube. É na verdade uma forma de pressão do atleticano sobre os governantes, para agirem junto ao Coritiba pelo Couto Pereira.

Mas, há dois meses aqui mesmo no blog, já trazia a informação de que o Tricolor, com excesso de jogos entre Série B e segundona paranaense e tendo o Atlético como rival na competição nacional, não queria danificar o gramado da Vila.

Foi um pedido de Ricardinho. O técnico não quer que o time sofra mais esse prejuízo. É um direito do Tricolor.

Só que a diretoria paranista não precisa jogar para a torcida. Fazer Petraglia de vilão já é o esporte favorito da praça, não havia necessidade de jogar novamente o desgastado presidente atleticano na fogueira.

Para pensar III:

Petraglia está certo em pedir dinheiro à prefeitura e ao Estado. O Atlético está pagando quase sozinho a conta da Copa, que é um evento da cidade, gostem ou não. É claro que o lucro de se ter um estádio novo é excepcional ao clube, mas e se o Atlético virar as costas, botar as cadeiras no lugar enquanto ainda há tempo e desistir do projeto, deixando o Paraná fora do Mundial? O mico é de quem?

Do mesmo governo que mantém o secretário que sugeriu calote no cargo?

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 28/03/2012

Rompidos

Não convide para o mesmo evento os presidentes do Atlético, Mário Celso Petraglia, e do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade. Os dirigentes, que trocaram elogios mútuos no início do ano, estão com relações rompidas com os sucessivos episódios envolvendo a necessidade de o Furacão ter um estádio para jogar. Nos bastidores, comenta-se que Vilson e Petraglia estavam próximos de um acerto para o empréstimo do Couto Pereira para o Brasileiro, mas o mandatário atleticano, em paralelo, tentou forçar a barra junto a CBF, com medo de levar um não de Vilson. O coxa-branca, por sua vez, sentiu-se traído e informou a Petraglia que “não quer mais conversa” com ele.

Torcida única em julgamento

A medida por um Atletiba com torcida única, tomada por iniciativa de Petraglia no clássico 349, é outro ponto de discórdia. Andrade concordou com a decisão com a prerrogativa de que o Atletiba 350 também fosse disputado dessa forma; o MP-PR, que poderia impedir a infração ao Estatuto do Torcedor foi complacente. Mas o TJD-PR, através do procurador Marcelo Contini, não. Uma petição de quatro laudas denuncia os clubes, que podem ser apenados em até R$ 100 mil. O julgamento será na quarta que vem pela 3ª comissão. Seja qual a decisão, ela não obrigará nada em relação ao clássico 350, em 22/04.

Tcheco e a gerência de futebol

O meia Tcheco, 36 anos, deverá deixar os gramados em julho, quando o Coritiba pretende realizar uma festa de despedida. A intenção da diretoria do Coxa é convidá-lo para auxiliar Felipe Ximenes na gerência de futebol. “Ele é identificado com o clube e tem perfil”, sinalizou o presidente alviverde Vilson Ribeiro de Andrade.

Parreira e Ney Franco em Curitiba

Calma: nem Juan Carrasco, nem Marcelo Oliveira estão perdendo os empregos. Os dois técnicos da Seleção (o primeiro do tetra em 94, o segundo atual auxiliar de Mano Menezes) estarão em Curitiba em 28/05 no Footecon, o congresso brasileiro dos profissionais de futebol. Será um dia com debates e oficinas para profissionais e entusiastas da área, com a visão de quem está dentro do mercado. As inscrições já estão abertas no site footecon.com.br/curitiba.

Festa do interior

O Coritiba recebe hoje o Londrina no Couto Pereira em jogo que pode encaminhar a conquista do 2º turno pelo time do norte, três pontos à frente do Coxa e cinco a mais que o Atlético nessa etapa do campeonato. Se não levar 5 ou mais gols, o Londrina deixa Curitiba com a liderança. Se vencer então, põe uma mão na vaga da final – a outra já é do Atlético. Desde 2007, quando ACP e Paraná decidiram o campeonato (vitória interiorana), as disputas ficaram apenas entre Atlético e Coritiba. Já o Londrina, três vezes campeão paranaense, não vê a taça desde 1992.