Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 08/02/2012

Atletiba 349 no Eco-Estádio e com torcida única?

Só a Polícia pode impedir a realização do clássico 349 no Eco-Estádio, caso entenda não haver segurança. Com a recusa do Coritiba em emprestar o Couto Pereira, o que está respaldado pela justiça, o Atlético irá mandar seus jogos no Janguito Malucelli. E a FPF não tem como arbitrar sobre o tema. “Não posso obrigar a jogar em outro lugar. O Atlético indicou lá e se a polícia liberar vai ser lá”, disse Amilton Stival, vice-presidente da Federação, que ainda confirmou que pode, em contrapartida, solicitar que o jogo tenha torcida única. A 15 dias do primeiro clássico do ano, a decisão deve passar por uma avaliação do que acontecerá hoje à tarde no jogo entre Atlético e Toledo. Mas é a PMPR, junto com a Rodoviária, quem realmente tem poder de veto sobre a realização do clássico no estádio que tem capacidade para 3.976 torcedores. 

E as conseqüências?

Assim sendo, evidentemente a PMPR e a PRF garantiriam a segurança dos torcedores, que passam a ter outras questões. A primeira: o jogo de volta, no Couto Pereira, também teria torcida única? Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, já sinalizou que caso essa decisão seja tomada, irá requerer o mesmo para o segundo turno – quando 37.182 pessoas poderão ver o jogo. Um número dez vezes maior. Além do diminuto número de sócios atleticanos que poderão fazer valer seu direito ao acesso no primeiro jogo, há a preocupação com a circulação no entorno do estádio e também na chegada dos times. Realmente desaconselhável. Solução? Difícil. Outra opção seria Paranaguá e aí há o risco de confronto de torcidas na estada. Vale lembrar que o Atletiba 349 acontece dia 22/02, quarta de cinzas.

All Blacks

A camisa III do Coritiba, lançada ontem, será o segundo uniforme do clube por um bom tempo. A idéia é apostar na proposta monocromática para fixar no mercado. A camisa estreará no jogo de hoje à noite, contra o Londrina. Tudo aconteceu rapidamente: o Tubarão avisou o Coxa que jogará com uniforme claro, predominante branco, e o Coritiba apressou-se em organizar um lançamento. A camisa, criada em conjunto pela Nike e pela Netshoes (que também patrocina o Atlético) remete ao tempo em que o Alviverde era chamado de Alvinegro, pelo conjunto “camisa-branca-com-detalhes-verdes-e-calções negros. Foi depois dos anos 70 que o Coxa passou a ser conhecido como alviverde”, relembra o historiador Heriberto Ivan Machado.

Comunidade latina

Com a oficialização de Martín Liguera no Atlético, o Furacão passa a ter quatro estrangeiros no elenco (Nieto, Guerrón e Morro García completam a lista). Se o elenco pode ter quantos estrangeiros o clube entender, vale uma ressalva: a CBF só permite que até três assinem a súmula de um mesmo jogo.

Um estádio para o Atlético: atualização

Mesmo com alguns acordos entre Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Prefeitura de Curitiba, Atlético e FPF para que o Eco-Estádio esteja liberado para que o rubro-negro mande seus jogos no Paranaense por lá, ainda não está confirmada a desistência da Federação no recurso no STJD, para que o Couto Pereira seja cedido ao Furacão.

“Nós vamos consultar o Atlético se há desistência da indicação anterior”, explicou o advogado da FPF, Juliano Tetto, “Ainda não foi confirmado. O Atlético não confirmou que não tem mais interesse no Couto. Se eles confirmarem isso, a FPF irá retirar a ação.” Resta saber, portanto, se o Janguito será considerado mesmo um paliativo até que a justiça defina a questão do Couto ou o Atlético o assume de vez. O auditor Flávio Zveiter recebeu a ação e teria prometido para ainda hoje uma resposta.

Update: O STJD não concedeu efeito suspensivo para a FPF em cima da liminar do Coritiba. Trocando em miúdos: o Coritiba não precisa alugar/emprestar o Couto Pereira ao Atlético até a data do julgamento, prevista para até 15 dias a partir de hoje. A FPF não irá retirar a ação. Segundo o que apurou Diego Sarza, repórter do Jogo Aberto Paraná que esteve na FPF no momento do recebimento da resposta, a FPF quer fazer valer o estatuto, que é a base da ação pelo pedido.

Atletiba do dia 22: nada está definido. Amilton Stival, vice-presidente da FPF, já chegou a cogitar torcida única nos jogos. Como ainda há a pendência acima, segue em aberto.

O acordo feito pela segurança pública, o clube e a federação será detalhado no site oficial do Atlético, que já está efetuando por acesso remoto as reservas de entradas no Eco-Estádio para o jogo contra o Toledo – o segundo por lá. Apurei que basicamente procurou-se melhorar o acesso dos torcedores em relação a BR 277. Um exemplo: serão distribuídos mapas de estacionamentos que estejam ao lado o estádio na rodovia, evitando-se o uso do Parque Barigui. A PRF e a PM prometeram um efetivo maior.

Coritiba reencontra último adversário que não derrotou no Estadual

Daqui a pouco, no Couto Pereira, o Coxa recebe o Arapongas, duelo de dois times invictos pela 5a rodada do Campeonato Paranaense 2012 (também estão invictos Cianorte e Atlético, que se enfrentam amanhã).

O jogo tem mais um ingrediente: o Arapongão foi a última equipe, em campeonatos estaduais, que não foi batida pelo Coritiba. Foi na 5a rodada de 2011, em 30/01. Relembre o jogo:

De lá para cá, o Coxa emplacou 21 vitórias consecutivas. Eis a série:

2011
Arapongas 1-1 Coritiba
Coritiba 5-0 Iraty
Rio Branco 1-4 Coritiba
Corinthians-PR 1-2 Coritiba
Coritiba 3-0 Roma
Coritiba 4-2 Atlético
Cianorte 1-2 Coritiba
Coritiba 3-2 Operário
ACP 0-3 Coritiba
Coritiba 4-2 Paraná
Cascavel 0-3 Coritiba
Coritiba 2-0 Arapongas
Iraty 2-4 Coritiba
Coritiba 6-2 Rio Branco
Coritiba 1-0 Corinthians-PR
Roma 1-4 Coritiba
Atlético 0-3 Coritiba
Coritiba 2-0 Cianorte

2012
Toledo 0-2 Coritiba
Coritiba 2-0 Corinthians-PR
Coritiba 5-1 Iraty
ACP 1-3 Coritiba

O técnico do Arapongas é o uruguaio Darío Pereyra, que dirigiu o Coritiba em 1998. Foi o segundo clube da carreira do treinador, que destacou-se como jogador do São Paulo FC, onde também começou a ser técnico. Darío estava aposentado desde 2004, quando perdeu prematuramente a esposa. Voltou ao futebol nesse ano, a convite do Arapongas.

Exclusivo: veja uma das novas camisas do Coritiba

Amanhã, a Nike lança a nova linha de uniformes do Coritiba.

O modelo abaixo foi confirmado por mim com uma pessoa ligada ao Coritiba e ao projeto e será a camisa 3: monocromática, com formato polo. Confira:

Update: Muitos leitores têm dado falta do patrocínio principal, da BMG. Ele estará na camisa a ser apresentada, apesar de não constar no modelo acima. Outras fotos já circulam pela internet, como essas postadas no blog Minhas Camisas e reproduzidas abaixo. Ainda vale ressaltar que esse é o uniforme 3 e é preto e branco (monocromático) e não azul, como pode parecer. E, claro, a diretoria só vai se manifestar amanhã, mas a fonte que confirmou o modelo é de inteira confiança.

Mais fotos:

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 01/02/2012

Governo encampa potencial construtivo pela Arena 2014
O Governo do Paraná, através do FDE (Fundo de Desenvolvimento do Estado) vai bancar o financiamento de R$ 90 milhões (mais correções previstas em lei) na obra da Arena, o que corresponde aos 2/3 estatais na parceria com o Atlético pelo estádio da Copa 2014. A operação passa pelos títulos de potencial construtivo, concedidos pela prefeitura em cima da área da Arena. Os títulos podem ser negociados no mercado pelo clube e revertidos em nova modalidade de zoneamento urbano em construções.  O que o Governo está fazendo, no entanto, é receber os títulos como garantia do pagamento do financiamento estatal. “É um recebível do Atlético, como uma duplicata. O FDE é agente financeiro, vai vender os títulos para o clube”, exemplificou Luís de Carvalho, gestor da Copa na Prefeitura de Curitiba. Carvalho defende que o Estado ainda ganhará dinheiro com a operação. “A prefeitura de Curitiba vendeu 45 milhões ano passado”, disse, enquanto entrava em uma reunião no Rio de Janeiro, ao lado de representantes do Gov. Estadual e da CAP S/A, com a Fifa, para demonstrar o andamento das negociações. Além disso, hoje haverá reunião com os 16 moradores do entorno da Arena para a desapropriação das áreas, cujo decreto já foi assinado na prefeitura. Haverá ressarcimento, mas o Estado não conta com recusas: “Ainda não chegou ao momento de dizer não ou sim. Quem disser não vai ter que discutir na justiça. Já é fato. Está tudo bem encaminhado”, encerrou.

Roupa nova, mas não pra já
Na sexta-feira o torcedor do Coritiba irá conhecer a nova camisa do time para a temporada 2012. A expectativa é grande, já que a troca de material esportivo mexeu com os ânimos: sai a italiana Lotto entra a americana Nike. No entanto, o Coxa ainda não sabe se poderá estrear as camisas já no jogo de sábado, contra o Arapongas, no Couto Pereira. O clube ainda não recebeu a remessa inicial e além disso pretende organizar uma festa local para o anúncio da parceria. O lançamento de sexta será no Rio de Janeiro.

Campanha nas ruas
Hoje o marketing do Coritiba começa uma campanha institucional, aproveitando o mote “O Mais Vitorioso do Mundo”, slogan criado a partir do recorde de vitórias consecutivas registrado no Guinness Book. A campanha extrapola a marca coxa-branca e pretende valorizar as coisas do Paraná, trabalhando a mensagem “torça também para um time do seu estado” – com a sugestão de que seja pelo Coxa. A campanha será direcionada a Curitiba e Região Metropolitana, mas também será itinerante, acompanhando as viagens do Coritiba no Paranaense.

Caráter: passe adiante
O atacante equatoriano Joffre Guerrón chegou ao Atlético como a então contratação mais cara do futebol paranaense: US$ 1,8 mil em 2010. Destaque na LDU que venceu o Fluminense na Libertadores de 2008, nunca justificou o custo, mas demonstrou que não está preocupado com o clube com o qual colaborou a derrubar para a Série B, em entrevista ao Portal FutbolEcuador.com: “Estão pedindo alto e os clubes recuam. Fico mal porque houve possibilidades. O São Paulo me queria. Disse ao técnico [JR Carrasco] que quero sair, não tenho cabeça para ficar. Meus objetivos são outros, não quero ficar parado”, disse em tom de desabafo, esquecendo de fazer a conta entre o quanto custou e o quanto rendeu ao clube paranaense.

FAQ

Muitos assuntos espinhosos nos últimos dias, em especial a disputa jurídica entre FPF e Coritiba pela cessão do Couto ao Atlético. Achei mais fácil usar o sistema FAQ (Frequently Asked Questions, ou, no portuga, Perguntas Frequentes) para tentar esclarecer os pontos dessa e de outras questões. Para tanto, falei com a maioria dos personagens envolvidos na história e reuni reportagens anteriores. Quando exigido, dei minha opinião – que nunca teve a pretensão de se tornar verdade absoluta. Espero colaborar com o tema e manter esse canal aberto. Vamos lá?

Com a indicação do Janguito Malucelli, a ação da FPF perde objeto, ou seja, deixa de ter razão de ser?

Não. Mas o Coritiba pode tentar fazer com que o STJD entenda que sim. A verdade é que a indicação do Eco-Estádio (JM daqui pra frente) é um paliativo: o Atlético não tem pra onde correr e acertou com o Corinthians-PR para jogar lá até que ache uma solução que abrigue seus  17 mil sócios. Cabe ao Coritiba anexar ao processo o acordo entre FPF, Corinthians local e Atlético e o STJD pode entender que o caso está resolvido. No entanto, é difícil que isso aconteça sem a anuência das partes – no caso, sem que a FPF retire a ação. A ação pode perder objeto em outro caso também: se o julgamento ficar marcado após o fim do estadual.

Porque a FPF comprou a briga do Atlético e está forçando o Coritiba a emprestar o estádio?

Hélio Cury responde: “Faríamos o mesmo por qualquer filiado que precisasse da FPF. O Atlético indicou e a Federação entende que o Estatuto deve ser cumprido.” Na verdade, além as palavras do presidente, o próprio ofício da FPF ao Coxa já responde a questão: o Atlético está cedendo o estádio à Fifa para a Copa 2014. A FPF, subordinada a CBF, está defendendo os interesses do Mundial. A ação é legal? É, está dentro da justiça. É moral? Talvez. Moral cada um tem a sua. Fato é que o Atlético não tem onde jogar e isso não é problema do Coritiba, mas os clubes poderiam (incluindo o Paraná) ter pensado nisso muito antes.

Teorias envolvendo política? Não comento.

Domingos Moro vai defender o Atlético contra o Coritiba?

Pra quem não sabe, o advogado Domingos Moro é conselheiro vitalício do Coxa e advogado permanente do Furacão. Nunca precisou defender o cliente contra o clube do coração, mas terá de decidir se o fará caso o Atlético resolva entrar como terceiro interessado no recurso da FPF. “Não vou falar sobre hipóteses, entendo a necessidade ética do caso e na hora certa, decidirei entre a paixão e a razão”, me disse Moro, sem antecipar posição.

O que você faria?

Qual sua posição sobre o tema Empréstimo do Couto?

Acredito, e não é de hoje, que um bom acordo entre Atlético e Coritiba poderia ter evitado todo esse desgaste. O Atlético requer o Couto pelo número de sócios que têm; o Coritiba poderia ter lucrado com o negócio. Não aconteceu e a coisa ficou insustentável quando passou a ser uma imposição. Foi uma prova de como somos tacanhos: precisava ir à justiça? Desde então virou questão de honra. E vocês sabem melhor que eu: futebol é paixão.

Ninguém mais escapa ileso moralmente: alguém perderá. Porém discordo de todos que temem uma praça de guerra: isso é futebol, gente. Se o Atlético jogar no Couto por imposição da CBF, Fifa, FPF ou do Papa, o Coritiba tem que ir buscar o que deve na justiça e acatar a lei; se não, o Atlético tem que arrumar um lugar que comporte seus sócios, aqui ou no Uruguai, e ressarcir aqueles que forem relegados no valor das mensalidades. E ponto. Nada de sair no cacete na rua. Até porque normalmente é você, torcedor, que volta pra casa de olho roxo ou acaba na cadeia. Ou no cemitério.

E o Paraná? A indicação é pelo Couto, logo, não está em questão.

E o rodízio de sócios no Janguito?

A informação é extra-oficial e está em estudo no Atlético. É simples: o clube analisa se distribuirá senhas e quem chegar primeiro, leva.

A Arena está sendo construída com dinheiro público?

Não. Pelo menos até aqui, uma vez que uma questão importantíssima ainda não foi esclarecida: como serão feitas as desapropriações no entorno do estádio? Só o governo pode desapropriar algo e esse sistema nunca foi colocado a público.

Mas o potencial construtivo, benefício concedido até agora, não é dinheiro público. Pelo contrário, acredite, a prefeitura sai no lucro. Quem explica é o ex-vice-presidente do Sinduscon-PR, Sérgio Buerger: “A concessão dá a prefeitura uma moeda. Ninguém perde nada com isso. Encontra-se uma maneira de financiar o negócio com o interesse do mercado privado.” Aqui, uma matéria de 2010 explicando esse papel do governo cedido ao Atlético.

Então, não há dinheiro público legalmente, mas e os direitos de Coritiba e Paraná nessa?

Segundo Luiz de Carvalho, secretário da prefeitura na Copa, como o Atlético recebeu autorização para transformar papéis de potencial construtivo no valor de R$ 80 milhões, foi pedido um prazo de carência para a emissão de novos títulos. No entanto a lei municipal beneficia os dois clubes, que podem requerer o uso quando entenderem e após a tal carência – certamente após a venda dos atuais títulos.

E o BNDES vai aceitar isso como garantia?

Tudo indica que não. Não há uma resposta sobre o tema: Mário Celso Petraglia ainda não concedeu entrevistas, não escreveu nada no Twitter ou Facebook e tampouco colocou algo no site oficial. Mas o colunista Augusto Mafuz, advogado notadamente ligado às coisas atleticanas, disse hoje em sua coluna que Petraglia pode colocar o CT do Caju como hipoteca. Sim, eles são desafetos e há que se ter cuidado com essa informação. Mas enquanto ninguém se manifesta oficialmente, é o que tem de resposta.

E você quer dizer que o Atlético não vai ser beneficiado?

Jamais! O clube é um dos grandes beneficiados, lógico. Qual seria chance de se construir um estádio Fifa sem a Copa? Não dá pra tapar o sol com a peneira e quem nega isso é muito cara de pau.

Porque o Paraná, que precisa de dinheiro, não aceitou a proposta do Atlético?

Isso foi respondido na nota oficial do clube: o valor ficou abaixo daquilo que o Tricolor entende como preço de mercado. Nessa questão, ao menos teve diálogo e negócio. Aceitar e acertar são outras coisas.

Cara, eu não engulo essa coisa da Copa ser de Curitiba!

Paciência. Pra mim, é. Pra Fifa, também: são prefeitura e Estado que tem assinatura para sediar o evento. O Atlético é um parceiro, como o Inter no RS.

Fato é que Curitiba nunca se vendeu como cidade-sede: não há marketing, não há interesse a não ser na hora das fotos. Roberto Requião, Beto Richa e Luciano Ducci nunca deram muita trela pro evento. Orlando Pessuti foi quem mais se empenhou. E usar a camisa do Atlético em algumas ocasiões não colaborou muito para que coxas e paranistas tivessem mais simpatia pela Copa. Assim como existe a disputa natural pelo estádio privado ficar com a sede.

Mas isso não diminui a importância do Mundial para a cidade, desde a vinda do PAC até o legado que (esperamos) ficará. É lucro para o comerciante, o hoteleiro, o empresário, o taxista, pra quem estiver pronto para o evento, seja da cor que for. Ah!, sim, seria interessante que o Estado já tivesse começado algumas ações nesse sentido. Mas…

Qual seu time do coração?

Essa pergunta foi feita inúmeras vezes, passou pelo pessoal do TJD-PR essa semana, e volta a tona quase que diariamente para quem trabalha em jornalismo esportivo.

É claro que eu tenho um time. Quem não tem e trabalha com jornalismo esportivo está no ramo errado. Só que não acho essa informação relevante. Ela não decidirá nenhum dos temas acima, não fará gols e nem mudará resultados. É a informação mais básica de futebol que eu tenho – o time que eu torço – mas isso é particular.

Meu time do microfone/computador/câmera para frente é a ética e o profissionalismo. Amo o que faço e faço com dedicação e seriedade extrema. Tem gente que mede as pessoas com a própria régua e julga: “fulano escreve isso porque torce pro time tal.” Certamente, fulano vai mal das pernas no trabalho. Temos que amadurecer alguns conceitos e respeitar o trabalho dos outros. Sim, eu mexo com a paixão de vocês e nem sempre com notícias boas, mas tá no preço. Alguém tem que fazer. Acredite, é trabalho, não é lazer. Pergunte à minha esposa.

Todo jornalista tem um time, um partido político, uma ideologia. Somos humanos, oras! Ok, eu sei que alguns não parecem. Mas eu particularmente gosto muito dessa interatividade com vocês. E humanos erram. Só que há uma distância muito grande entre errar e ser corrompido. E eu não admito qualquer tipo de insinuação quanto a minha conduta ética e profissional: rede social não é boteco e pode ser documentada. Então, se acusar, tem que provar. Combinado?

Dito isso, volto ao tema: não importa. Importa é que você seja bem informado, com isenção e precisão – não confundir com pressa – e também possa manifestar sua opinião. É pra isso que criei o blog, com o incentivo do Léo Mendes Júnior, meu goleiro nos tempos de pelada. Aliás, aquele sim era o meu time.

Agradecimento especial aos vários leitores do Twitter e também aos que comentam aqui no blog, que enviaram as perguntas acima. Ia citar os nomes junto a cada questão, mas era muita gente e alguns eu só conheço por @algumacoisa, o que certamente não está no RG.

(Nem tão) Pequenas doses de informação

Ainda Couto e Atlético

A FPF entrou agora há pouco com seu recurso junto ao tribunal e já pediu um efeito suspensivo sobre a decisão do TJD-PR. Caso consiga, poderá marcar Atlético x Roma, na próxima quarta-feira, para o Couto Pereira. “Nossa idéia é fazer isso o mais rápido possível, para garantir essa rodada”, disse o advogado Juliano Tetto, da FPF. Quem concede ou não o efeito é o STJD.

“Nós já imaginávamos isso, sabíamos que ontem era apenas o primeiro tempo”, disse-me o advogado Gustavo Nadalin, do departamento jurídico do Coritiba, sem querer se aprofundar muito no tema. O clube ainda espera para saber se o efeito será ou não dado pelo STJD. O CBJD não prevê recurso ao efeito, caso seja dado. Trocando em miúdos: se o STJD conceder o efeito, o jogo do Atlético poderá ser marcado para o Couto. Nadalin está no Rio de Janeiro.

Agora, assista a reportagem abaixo:

A última frase do advogado do Atlético, Domingos Moro, no vídeo acima, também é enigmática. O Rubro-Negro não entrou como 3o. interessado na ação e nem poderia fazê-lo se a FPF não recorresse. O Atlético não tinha esse direito; agora tem e aí sim Domingos Moro pode entrar em cena. E teria um dilema pessoal a resolver: é conselheiro vitalício do Coritiba, que nessa disputa seria seu adversário.

Falei com Moro que prefere não antecipar o assunto. Diz que tudo depende ainda da FPF e que no momento certo tomará sua decisão. Fato é que ele mesmo considera antiético ocupar a cadeira no conselho e defender outro interesse nesse caso – que seria o primeiro, desde que destacou-se no direito esportivo, em que teria que trabalhar contra os interesses do Coritiba. Pela conversa, entendi que caso as coisas cheguem a esse ponto, ou ele se afastará do caso, quiça abrindo mão de seu emprego no Atlético, ou renunciará ao conselho do Coritiba. Esperemos.

Ainda sobre o que pode haver no STJD, recomendo esse post de agosto de 2011. Ele explica as razões que podem fazer a CBF requisitar o Couto Pereira para o Atlético nas suas competições, leitura que poderia induzir uma compreensão igual no caso da FPF.

As respostas não devem tardar, até porque a Federação tem homologado duas rodadas por vez. Logo, deverá fazer até amanhã isso em relação aos jogos do meio da semana que vem.

Janguito

Como antecipado ontem no Metro Curitiba, o Atlético entrou em contato com a diretoria do Corinthians-PR para tentar acordo para jogos no Eco-Estádio Janguito Malucelli. Extra-oficialmente, como o estádio comporta 5 mil pessoas mas uma carga de 10% deve ser destinada aos visitantes, comenta-se que o clube pode fazer um rodízio entre os sócios, com distribuição de senhas.

Mas a informação do recurso da FPF pode mudar o quadro. Assim como o método no caso de eventual aluguel do JM ainda está em estudo.

Reforços

Diego Gaúcho já chegou ao Coritiba. Ele não é tratado como reforço, mas será avaliado pelos médicos e também pelo técnico Marcelo Oliveira. Abaixo, um vídeo dele garimpado pelo Léo Mendes Jr.:

Martín Liguera também já está treinando no Atlético, mas seu nome ainda não está no BID.

Nike

Segundo Gustavo Marques, repórter da CBN Curitiba, o evento envolvendo Coritiba, Inter, Corinthians e Bahia, para o lançamento da nova linha da empresa no Brasil, será no Rio de Janeiro no dia 02/02 – e não em 10/02, como havia sido dito anteriormente.

FAQ

Muitas questões tem chegado ao blog ultimamente, dado o volume de assuntos espinhosos. Prometo um FAQ com aquilo que tem em cima da participações de vocês em breve. E agradeço a visita! 🙂

Abrindo o jogo – coluna no Jornal Metro Curitiba de 25/01/2012

Couto e Atlético: primeiro capítulo se encerra a noite

O TJD-PR julga hoje, a partir das 19h, o recurso do Coritiba contra o empréstimo compulsório do Estádio Couto Pereira ao Atlético, mediante interpretação jurídica do artigo 46 da FPF. A Federação recorreu da liminar do Coxa e pretende fazer valer o texto que indica, literalmente, “São obrigações das entidades de práticas desportivas

(…) Ceder gratuitamente à FPF e às entidades superiores, quando requisitados, seus atletas e suas praças de desportos.” Para o Coxa, trata-se de uma leitura abusiva do estatuto. O pleno julgará o recurso; se mantido, o Coritiba segue sem a obrigação de alugar o estádio. Caso contrário, a FPF marcará os jogos do Atlético para o Alto da Glória. O Rubro-Negro não tomará parte direta na ação. A direção do clube optou por esperar à distância a definição judicial. Seja qual for o resultado, é apenas o primeiro capítulo: caberá recurso das partes no STJD, no Rio.

 Janguito à vista?

Irritado pela falta de apoio do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal na questão, uma vez que o Atlético está fora da Arena pelas reformas para a Copa 2014, o presidente atleticano Mário Celso Petraglia confidenciou a amigos que se a FPF, CBF, Fifa ou governos não intercederem e resolverem a questão, o clube poderá mandar os jogos no Estadual no Eco-Estádio Janguito Malucelli. Há dois detalhes pendentes: a iluminação para jogos noturnos e principalmente: comportar os quase 18 mil sócios atleticanos em 5 mil lugares – sem contar a carga de 10% para os visitantes. Caso se confirme, Petraglia pretende emitir 3,5 mil senhas para que os sócios mais ágeis na reserva freqüentem os jogos do Paranaense. Para o Brasileiro, diz ter uma carta na manga em relação ao Couto, o que causou mal estar entre Coxa e Paraná.

Triplo conflito; Brasileiro B no Couto?

Foi o Paraná quem trouxe à tona a informação: Petraglia teria tentado o empréstimo da Vila Capanema somente para o Paranaense, já que para a Série B já teria se acertado com o Coritiba. Uma nota oficial da presidência paranista pôs fogo no assunto. Talvez tentando explicar aos tricolores o porquê da falta de acordo financeiro com o rival, Rubens Bohlen revelou o suposto acordo; então foi a vez do Coritiba emitir nota assinada pelo conselho, repudiando a revelação e classificando a atitude paranista como “antiética e desprovida de bom senso.” Porém, sem negar em nenhum momento o suposto acordo. No fim da tarde de ontem, o Atlético também emitiu uma nota (ver abaixo).

Atletiba do marketing

O Coxa abre frente no setor de marketing e comunicação neste início de ano, em relação ao Furacão. Enquanto renovou com seu patrocinador máster e ocupou espaços nas mangas e calções, o Coritiba viu o Atlético perder a principal receita da camisa. Além da exposição maior, natural em função da disputa da Série A, o Coritiba ainda aproveita melhor seus espaços na imprensa, liberando com mais freqüência jogadores para entrevistas e imagens do CT; já o Atlético, que verá sua exposição reduzida na Série B, convive com a Arena fechada para obras e não exibe as placas de publicidade no CT do Caju, com raras janelas de entrevistas e imagens. E enquanto o Coxa fará parte de uma grande campanha nacional do lançamento da linha Nike em quatro clubes brasileiros, a partir de 10/02, o Furacão viu a Umbro, parceira desde 1997, adiar o lançamento dos novos uniformes, programados para a semana que passou.

Nota de repúdio

Eu, Napoleão de Almeida, jornalista e publicitário pós-graduado em gestão e comunicação esportiva, mantenedor deste nem tão nobre espaço, aproveito a onda de notas oficiais de repúdio entre os clubes paranaenses para manifestar meu repúdio a algumas questões acerca dos últimos acontecimentos:

– Um assunto tão sério quanto a realização da Copa do Mundo no Brasil esteja sendo tratado de forma tão amadora pelos dirigentes responsáveis na cidade de Curitiba, com um sem número de festival de erros cometidos desde 2007;

– A falta de diálogo entre as partes em busca de um denominador comum, a rivalidade besta e pequena que faz com que nossos clubes se apequenem enquanto o futebol de regiões como Santa Catarina, Bahia e Pernambuco se fortalecem e o conhecido quarteto SP-RJ-MG-RS segue na vanguarda;

– A falta de informações claras sobre temas relevantes como: origem e método de pagamento do financiamento da Arena e também o método e valores das desapropriações no entorno do estádio;

– A demora nas obras do mesmo estádio já citado, em obras para o Mundial;

– O método utilizado na requisição do Estádio Major Antônio Couto Pereira por parte do Atlético, via Federação e por caminhos judiciais;

– A resistência, em especial da torcida do Coritiba, em ver o clube alugando o estádio (mesmo antes da intervenção jurídica) a um rival que poderia lhe trazer rentabilidade financeira, seja no valor dos aluguéis, seja na valorização dos espaços publicitários. Ignorando solenemente também o fato que o Atlético jogou por anos a fio na praça alviverde, refutando a possibilidade de lucros aos lojistas do estádio, já atingidos pela restrição na venda de bebidas alcoólicas que, no entanto, não impediu episódios de violência mesmo após sua implantação.

– A lei citada acima, ineficaz no momento, e que será modificada para atender interesses comerciais durante o Mundial, como se os problemas supostos tivessem sido sanados;

– A falta de transparência nas ações das diretorias anterior e atual do Atlético na questão do aluguel do estádio, como se qualquer clube ou patrimônio estivesse a sua disposição e como se os cerca de 18 mil sócios não tivessem importância alguma na decisão, dada a demora em se buscar uma solução e o desleixo com os mesmos antes, durante e depois da partida contra o Londrina, em Ponta Grossa;

– À classe política do Paraná, ótima para aparecer na hora das fotografias, péssima na hora de tentar colaborar com o processo, abandonando o Atlético a própria sorte como se o evento Copa do Mundo Fifa 2014 não fosse da responsabilidade da Prefeitura e do Governo Estadual, como consta em contrato;

A inabilidade da diretoria do Paraná Clube ao emitir opinião desnecessária e até inoportuna ou intrometida, conforme a leitura, justificando o não-aluguel da Vila Capanema com um viés provocativo, como se houvesse outra razão melhor para não alugar o estádio do que a falta de um acordo comercial;

A falta de clareza e coerência na nota oficial-resposta do Coritiba, repudiando a mensagem da direção paranista, mas não negando claramente a informação e, pasmem, condenando o rival por não colaborar para o crescimento do futebol do Estado, como se a negativa de aluguel do estádio fosse exemplo de união;

A provocativa nota oficial-resposta-resposta da diretoria do Atlético, diminuindo a importância do Paraná Clube no cenário local, pregando uma irmandade não vista entre atleticanos e coxas (salvo se a nota paranista tiver fundamento) e presumindo que toda e qualquer vontade atleticana deva ser respeitada;

A tréplica da direção do Paraná, jogando para a torcida e dando sequencia a um looping infantil e sem perspectivas de melhora, incluindo ofensas pessoais ao presidente do Atlético – que pelo histórico não deixará barato e vai xingar muito no Twitter;

– Ao cenário num geral, lamentável e mostrando que o autofagismo curitibano está em cores vivas por todos os lados da cidade, que teve 5 anos para achar uma solução e não só não conseguiu, como: 1) não convence mais da metade da população que o evento é benéfico para a comunidade; 2) não faz uma ação de marketing envolvendo o Mundial; 3) não soluciona questões simples, como a novela do estádio; 4) perdeu a Copa das Confederações; 5) Abrigará apenas jogos da primeira fase em 2014; 6) arrasta-se numa sequencia infinita de erros que faz qualquer um perder a paciência.

Sem mais para o momento, subscrevo-me, de saco cheio.

TJD mantém liminar e Couto não precisa ser alugado ao Atlético até julgamento

O Coritiba fez valer seu desejo e está desobrigado, via liminar, de alugar o Estádio Couto Pereira ao Atlético, ao menos para o primeiro jogo do Campeonato Paranaense 2012.

Isso porque o TJD-PR, através do presidente Peterson Morosko, manteve a liminar que o Coxa conseguiu, desobrigando-o a ceder o estádio através da interpretação do artigo 42 do Estatuto da FPF (como foi explicado aqui e aqui). Segundo Morosko, “a interpretação do artigo é dúbia. Você pode requisitar para um evento especial, por exemplo. Nesse caso poderia até se entender que é uma sublocação. Então mantive a liminar e vamos levar para o pleno.”

Morosko ainda disse que levou em consideração uma defesa da FPF de cinco páginas, assim como a justificativa do Coritiba, com laudos de um engenheiro agrônomo, de que o gramado recém-reformado poderia ser danificado com tantos jogos seguidos.

Agora, o caminho se divide:

1) Atlético x Londrina pode ser realizado em Ponta Grossa ou Paranaguá; a definição sairá em instantes, até às 16h de hoje (quinta, 19).

Mário Celso Petraglia, que não tem atendido os telefonemas, disse pelo Facebook que “o Atlético se licenciaria do campeonato antes de jogar fora de Curitiba”:

2) A disputa segue. O Coxa está desobrigado a ceder o Couto à FPF (e por tabela ao Atlético) até a próxima quinta-feira, quando deve ocorrer o julgamento. As partes serão intimadas, um relator será sorteado e a procuradoria irá atrás das provas. Independentemente da decisão do TJD-PR na próxima semana, as duas partes poderão recorrer. O Atlético só entra no processo como terceiro interessado.