Ano novo, velhos problemas

Férias, poucas coisas podem ser melhores na vida. Mas como tudo que é bom acaba, retomamos a rotina justamente na sexta-feira. E já com velhos problemas. Vamos por partes, como diria o açougueiro.

Arbitragem: árbitro carioca solta o verbo e promete mostrar provas de corrupção

A primeira bomba do ano vem da Jovem Pan-SP. É a entrevista deste link, dada pelo árbitro Gutemberg de Paula Fonseca, criticando duramente o diretor de arbitragem da CBF Sérgio Corrêa da Silva. Fonseca diz ter provas de corrupção no sistema e insinua ajuda ao Corinthians, citando um jogo de 2010 – o que só aumenta o bolo das denúncias, a serem comprovadas, pois falamos de duas temporadas em suspeita agora. A pérola da entrevista:

“Fui apitar Corinthians 5-1 Goiás e o diretor de arbitragem me disse: ‘é jogo do Timão, hein?'”

A frase diz por si só. Cabe apurar e investigar. Veremos o interesse da CBF nisso. Fato é que podemos ter um caso Ivens Mendes Reloaded ou quem sabe um novo escândalo como o de Edilson Pereira de Carvalho à vista. O problema é contar com a boa vontade de Ricardo Teixeira para isso.

No último Brasileiro, Gutemberg apitou Atlético-MG 2-1 Coritiba, entre outros.

A Pan deve apresentar sequencia da reportagem. Estarei de olho.

Ainda sobre escandalos ou suspeitas, a notícia vem de Recife (Cássio Ziporli, do Diário de PE) e pode atingir diretamente o Coxa: o BMG está saindo do futebol.

Saindo em termos, diga-se: o banco pode sair das camisas, mas manterá o fundo que tem mais de 50 jogadores, entre eles alguns de Cruzeiro e Atlético-MG, presentes no clássico da última rodada do Brasileirão/11, cuja licitude foi levantada pelo jornalista mineiro Idelber Avelar e reproduzida aqui no blog. Seria fruto da repercussão negativa do jogo?

Em tempo: o Ministério Público de MG está em recesso, por isso não se sabe que o pedido de Avelar, com quase 9 mil assinaturas, será levado adiante.

No nosso quintal, mais conflitos éticos. Sérgio Malucelli dirige o Londrina e o Iraty, dois times que estarão no Estadual. A FPF limitou-se a dizer, através de Amilton Stival: “Por precaução marcamos as partidas para a metade dos turnos, quando a importância delas será, teoricamente, menor.”

Realmente, não há nada tecnicamente ilegal. Apenas levanta-se suspeita sobre a moralidade do processo. Mas nada novo, em se tratando de Campeonato Paranaense. A Gazeta do Povo aprofundou o tema aqui.

Ainda cartolagem: e a Série Prata?

“O Paraná é quem tem de se adequar ao nosso calendário, montando um elenco maior, com mais jogadores”, disse Hélio Cury à Gazeta do Povo ao praticamente anular a possibilidade de antecipar a competição, mesmo com o desejo de 80% dos clubes que a disputarão.

Parece faltar inteligencia administrativa a FPF. A presença do Paraná é fator de motivação para a insípida disputa. Não fosse a presença do Tricolor e nenhuma emissora de TV se interessaria em transmitir a competição – o que não deve acontecer de qualquer jeito. Além de desmobilizar o campeonato e deixar de atender o pedido da maioria, a FPF, que deveria servir seus filiados, bate o pé e quer conflito de calendário.

Oras, o Paraná Clube pode, por direito, montar o time que quiser para as competições que tem. E pode, legalmente, buscar amparo no sindicato dos atletas para adiar jogos com menos de 66 horas entre si (isso se os locais forem a menos de 100km de distância; se for mais, 72h). Se isso acontecer, os jogos em datas conflitantes com a Série B serão adiados e o campeonato corre o risco de invadir 2013.

Resta saber o objetivo da FPF, que certamente não é democracia, já que há maioria de pedido pela antecipação. Sugiro o vídeo abaixo, em demonstração de incoerência de Hélio Cury no comando da entidade:

Carrasco, Petraglia e o início do Atlético

Esse é Juan Ramón Carrasco:

É cedo demais para avaliar as contratações diretivas do Atlético. Não só Carrasco, mas também o superintendente Dagoberto dos Santos. O técnico uruguaio pode ter problemas com a lingua, mas se falar a lingua dos boleiros, fará mais que os seis que passaram em 2011. E pelo vídeo acima, ele tem jeito pra coisa.

Além disso, já se nota um respeito ao comando de Mário Celso Petraglia no clube. Vide as tuitadas de Marcinho, fazendo média com o novo chefe, assim como nesta entrevista do Paraná OnLine. A entrevista coletiva do ex-presidente Marcos Malucelli evidenciou uma coisa: ao dizer que o elenco foi montado aos poucos pelos seis técnicos que passaram no Atlético, MM deixou claro que o futebol do clube era um navio a deriva. Claro, achou o rochedo.

Mas que a torcida esperava ver mais que Pedro Oldoni na reapresentação, isso esperava.

“Desmanche” alviverde

Já pipocam as críticas a saída de alguns valores do Coxa, como Leandro Donizete, Léo Gago e Jéci, confirmada hoje. Claro que mexe na base, são três bons jogadores, mas sejamos francos: incluindo Jonas e Bill no meio (quase meio time titular), LD e Gago são os que realmente farão falta.

VRA me disse que liberaria Donizete para que ele pudesse ganhar mais $$. É justo. Dedicou boa parte da carreira curta (começou tarde) ao Coxa, sempre com brio. Gago foi surpreendente, mas é o preço da parceria.

Jonas nunca convenceu; Bill estava de malas prontas desde outubro; e Jéci, baita sujeito e ex-capitão, vai comer sushi no Japão e faturar uns Yenes. Deixa Luccas Claro e Pereira de sobreaviso, para jogar ao lado de Emerson, que fica até 2015. Pelo que jogou em 2011, até eu na defesa do Coxa ao lado de Emerson ia bem.

A valorizar a iniciativa do Coritiba em apresentar aos jogadores o museu do clube. Faz diferença, podem estar certos:

Convite

Pegamos umas férias, mas o Jogo Aberto Paraná seguiu no ritmo de especiais, com muita gente boa e conteúdo bacana sendo apresentado. Ao longo da próxima semana, vou colocar tudo aqui no blog. Espero que vocês tenham gostado.

A parir de segunda, voltamos ao ritmo normal. Fica o convite para acompanhar, de segunda a sexta 12h30, na telinha da Band.

2011 – A odisséia paranaense

O Jogo Aberto Paraná exibiu ontem e hoje as retrospectivas da temporada 2011 para os clubes do Sul do Estado e um resumo dos principais acontecimentos no futebol paranaense em geral.

Acompanhe, relembre alegrias e tristezas e comente!

Atlético

Coritiba

Paraná

Política/Copa/Operário e Interior

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 21/12/2011

Just do it – but do it right*

O Coritiba e a Nike pediram um estudo de mercado para definir onde a empresa abrirá as duas lojas – além da que estará no Couto Pereira – com produtos do Coxa na nova parceria em material esportivo. A idéia é mapear a cidade para saber em que locais o Alviverde tem mais aceitação. O estudo foi encomendado à Paraná Pesquisas, que fez algo similar em 2008. Na época, o Coxa tinha maioria do torcida em bairros nas regiões 1 e 4 (denominadas pelo estudo), abragendo bairros como Ahú, Cabral, Juvevê, Abranches e Santa Cândida, por exemplo. (*O slogan da Nike, que diz algo como “apenas faça”; a coluna complementa dizendo: “mas faça certo”).

Há três anos…

A pesquisa em questão apresentou o Coritiba como o segundo time em preferência na Região Metropolitana de Curitiba, atrás do Atlético: 19,1% x 14,7%. Entre a dupla e o Paraná Clube, aparecia ainda o Corinthians – isso só contando RMC e capital. O Coritiba não confirmou se tornará o estudo público, com novos números.

Orçamento verde

R$ 72 milhões: o orçamento coxa-branca para 2012. O valor é previsto para a próxima temporada e pela primeira vez em muitos anos, entre verbas de TV, sócios e patrocínios, entre outros, o Coxa prevê superávit ao final da temporada. “Temos o 14º orçamento do Brasil”, diz Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do clube. O 13º?  “É de um clube da cidade, me parece”, contou, sem falar o nome do rival Atlético. Os 12 acima da dupla são os grandes do eixo RJ-SP-MG-RS; o Atlético não revelou previsão para a temporada, em meio a turbulência política.

Tiro certeiro

“Temos uma bala só. Não podemos errar”, disse Mário Celso Petraglia, pelo Twitter, sobre a contratação de um gestor de futebol para o clube. O nome da vez deixou o Vasco na noite da eleição de Petraglia e pode ser a grande tacada do já histórico dirigente em sua volta ao poder: é Rodrigo Caetano, 42 anos, que tirou o clube carioca da Série B há duas temporadas e ganhou a Copa do Brasil deste ano. Caetano pediu demissão e anunciou estar em férias até janeiro. Tem proposta do Fluminense, além do Furacão.

Efeito cascata?

A saída de Caetano pode refletir no Coxa: o Vasco já procurou o gestor alviverde, Felipe Ximenes, que está de férias. Além de Ximenes, os cariocas cogitam um ex-coxa-branca, que fez história no São Paulo FC: Marco Aurélio Cunha, hoje vereador em SP.

Carreto da linguiça

Giancarlo (em definitivo), Wellington e Serginho trocaram o Paraná pelo Bragantino para a disputa do Paulistão, uma vez que o Tricolor ainda briga para ter calendário de janeiro a maio (fora a Copa do Brasil) e a Série Prata local é menos atrativa que a elite paulista. Além da chance de enfrentar Corinthians e São Paulo (e não Cincão ou AGEX), o trio provará a iguaria de Bragança Paulista: sanduíches de lingüiça.

Vilson Ribeiro de Andrade no “Entrevista Coletiva”

A Band Curitiba recebeu em seus estúdios o presidente aclamado do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, para o programa “Entrevista Coletiva”. Participaram do programa o conceituado jornalista José Wille, o editor do Band Cidade, Marcelo Bianchini, o editor da Band, Marco Rafael Pires, o ex-goleiro do Coxa e comentarista do Jogo Aberto Paraná, Gerson Dall’Stella e eu.

Vilson falou sem freios na língua. Valorizou o ano de 2011, apesar das perdas da Copa do Brasil e da vaga na Libertadores, explicou o posicionamento do clube perante a torcida organizada, o plano de sócios, o novo estádio e a possibilidade de emprestar o Couto Pereira ao Atlético e, por fim, falou da doença contra qual luta há um ano, em um momento emocionante.

Confira as duas partes do programa e comente aqui no blog:

Os rumos do Coritiba

Vilson Ribeiro, no EC; ao fundo Marco Pires e Gerson Dall'Stella

Tive a oportunidade de gravar dois programas hoje com o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade: o Entrevista Coletiva (ao lado de José Wille, o editor do Band Cidade Marcelo Bianchini, o jornalista Marco Pires e Gerson Dall’Stella, colega de Jogo Aberto Paraná) e um JAPR especial de fim de ano. Foi uma aula de gestão, coerência e principalmente, otimismo.

Vilson não foge de nenhum assunto. É direto e passa uma transparência rara no mundo do futebol. Mudou o Coxa em 2 anos e agora entrará no 3o. como presidente de fato. Enfrenta um problema de saúde com coragem e força impressionantes; passou por uma delicada cirurgia há 15 dias e enfrentou a maratona de gravações em dois estúdios diferentes como se estivesse com 18 anos.

O programa vai ao ar no domingo, 7h30 da manhã, com reprise à meia-noite. Falamos muito de gestão, rivalidade, orçamento, torcida, sócios e da vida pessoal dele. Vale a pena ver.

Mas vamos ao que mais interessa a você, torcedor: notícias sobre o time. (N.E.: Os temas abaixo não necessariamente estarão no Entrevista Coletiva, que tem mais material inédito. Acorde cedo, rapaz!)

Pré-temporada:

Será novamente em Foz do Iguaçu. O time embarca no dia 06/01 e não volta antes do jogo contra o Toledo, dia 22. “Deu sorte ano passado”, brincou o dirigente, que explicou a opção: “Ficaremos em um hotel 5 estrelas. Demonstramos assim aos jogadores que chegarem que temos força e grandeza. E vamos ganhando a simpatia da região”.

Reforços:

Júnior Urso não acertou, mas isso deve ocorrer na segunda-feira. O Avaí tem uma dívida com o Coritiba e como os direitos são do time catarinense, o acerto pode vir com o ingresso do jogador no Coxa. Urso disse a amigos que já está vendo apartamento em Curitiba.

Já Lincoln depende de uma costura maior. O problema está no salário. O Coxa deve propor pagar uma parte e oferecer verba em marketing de outra. Lincoln tem grande cotação na Alemanha, onde foi ídolo do Schalke 04, e pode viabilizar a contratação numa negociação – guardadas TODAS as proporções – no estilo Ronaldo x Corinthians.

O Coxa ainda estuda trazer um zagueiro do futebol argentino. VRA não abriu o nome nem sob ameaças de ter tomar o café gelado feito por Gerson Dall’Stella. Brincadeiras a parte, VRA disse que “não posso atrapalhar as negociações”, e que ainda têm na Argentina a possibilidade de buscar um volante. O meia cotado anteriormente, que seria Cláudio Yacob, do Racing, está descartado.

Caio, atacante do Botafogo, nas palavras de Vilson: “Não tem a menor possibilidade. É boato.”

Marcos Paulo, volante que estava no Avaí, volta para o clube em 2012.

Saídas

VRA foi categórico em afirmar que Willian, volante cotado para reforçar a Fiorentina, não sai. “É jovem ainda e tem muito potencial. Vai ficar”.

Já sobre Leandro Donizete… “Olha, tem propostas do Inter e do Atlético-MG. Vamos esperar para ver o que é melhor.” Donizete chegou ao Coxa indicado por Dorival Jr., hoje técnico do Colorado. VRA não confirmou, mas eu arrisco a dizer que deixará o clube.

Planos

O Coritiba deve iniciar a construção de hotel e bases no novo CT em Março.

O novo fornecedor de material esportivo irá abrir ao menos duas lojas em bairros identificados com o Coxa na cidade. Uma pesquisa da Paraná Pesquisas irá apontar em que regiões o clube é mais popular.

Os ingressos terão majoração em 20%, como já anunciado.

Saúde

“Estou bem. Passei por uma delicada cirurgia, mas estou me recuperando. Sou forte e sempre enfrentei batalhas, essa é mais uma. Sou grato a família, ao Coritiba e aos amigos”, disse, emocionado, ao falar do câncer no intestino.

Abrindo o jogo – Coluna de 07/12 no Jornal Metro Curitiba

Briga conjunta
 
O Paraná Clube reuniu ontem dirigentes de sete clubes que estarão na Série Prata para a formação de um pool para buscar patrocínios para a competição, com parceria e viabilização com a Band. Não foi fechado nenhum contrato. Se a empreitada for bem sucedida, a intenção do grupo é antecipar o início do campeonato para 18 de fevereiro, com o aval da FPF. Os direitos serão divididos igualmente entre as 10 equipes, caso o contrato seja fechado.

Série B, 17 anos depois

Rebaixado em 2011, o Atlético reencontrará uma Série B Nacional diferente no próximo ano, 17 temporadas após ser campeão em 1995. Dos times que disputaram aquela competição (24), que era dividida em fases e grupos regionalizados, apenas quatro estarão entre os 20, agora no formato de pontos corridos: América-RN, Ceará e CRB-AL, além do próprio Furacão.

Mais badalada, mas nem tanto

Em 1995, a Série B teve três paranaenses: Atlético, Coritiba e Londrina. O único campeão brasileiro a disputar a segundona na época era o Coxa; times tradicionais como Ponte Preta, Remo e Santa Cruz dividiam espaço com desconhecidos como Barra do Garças-MT, Goiatuba-GO e Central-PE. Nos anos que passaram até aqui, outros grandes como Grêmio, Vasco, Corinthians, Palmeiras e Atlético-MG visitaram a B, com sucesso. Em 2012, o Guarani será o único campeão da Série A (1978) além do Atlético; Vitória, Goiás e Paraná serão outros clubes de tradição na segundona.

Futuro indefinido

Sem saber quem comandará o clube no desafio da volta, o Atlético ainda tem pendência quanto a eleição para a presidência: está marcada liminarmente para 18/12, mas a chapa Paixão pelo Furacão, concorrente com CAP Gigante, que conseguiu o adiamento na justiça, tentará ainda hoje mudar novamente a data do pleito para 15/12.*

Giro no mercado

Com o fim das competições, começam as especulações de mercado nos clubes. Júnior Urso, volante que defendeu o Paraná e o Avaí em 2011, pode ser o segundo a desembarcar no Coxa para 2012 – o primeiro foi o atacante Marcel. Já o atacante Bill deve pegar o rumo do Atlético-MG.

Indignação presidencial

Embora boa parte da torcida do Coritiba tenha se conformado com a perda da vaga na Libertadores em função do rebaixamento do Atlético, o presidente Vilson Ribeiro de Andrade foi duro ao falar sobre sua decepção com o desempenho na derrota no clássico do último domingo: “Parece que nos entregamos! Não tem explicação.” O dirigente, no entanto, achou satisfatório o oitavo lugar no ano de retorno à elite.

*Update: durante o dia, a justiça retornou a data das eleições para 15/12, das 10h às 19h na Arena.

Típicamente curitibano

Mais curitibano impossível: ambos perderam (foto: Geraldo Bubniak)

A maior instituição esportiva do Paraná, o Atletiba, não poderia ter um retrato mais curitibano do que o #348 apresentou hoje; autofágico como o cidadão local, o clássico terminou com uma vitória atleticana, mas sem ninguém tendo realmente o que comemorar. Pior: duas comemorações pelo fracasso do rival, jogando o futebol da terrinha na mediocridade de sempre. Agora, temos um clube a mais na Série B nacional e nenhum na Libertadores. Restou o de sempre: puxar o outro pra baixo.

Claro, não havia como ambos saírem sorrindo. E o texto também não é apológico a que um ajudasse o outro; são rivais, antagônicos, existem para superar um ao outro. Mas o retrato em que ambos se derrubam é fiel a principal crítica a nossa cidade: a de que ninguém se ajuda, mal se cumprimenta no elevador, fica feliz quando o carro do vizinho é roubado e critica o sucesso alheio, que só acaba tendo valor quando vem de fora. Atlético 1-0 Coritiba não salvou o Furacão e matou o Coxa; enquanto isso, em Minas Gerais, Cruzeiro 6-1 Atlético-MG e uma humilhação suprema do Galo, com os dois mineiros salvos.

A crítica é dura sim; e se reflete na defesa de que esse foi o maior Atletiba de todos os tempos, o que eu discordo veementemente. Como o maior clássico de todos os tempos pode ter dois derrotados? Como um jogo com um placar magro pode suplantar as várias histórias dos outros 347 jogos? Não concordo.

Concordo sim que, para os atleticanos, valeu a “queda em pé”; ironia do destino, o fim de um tabu de três anos sem vencer o rival se deu em um jogo tal qual a última vitória, em 2008: sem alegria. Ameniza a dor? Não acredito. Apenas rechaça o selo de que seria o Coxa quem rebaixou o Atlético. E, claro, não foi: em 38 rodadas, inúmeros erros. Mas esse é um assunto para outro post.

Concordo também que para os coxas, apesar do amargo de perder a vaga que estava nas próprias mãos para um rival que durante o próprio jogo já estava rebaixado (cada gol do Cruzeiro confirmava a queda), o isolamento na Série A após anos de ostracismo e sofrimento em relação ao Atlético, vale o troco de cada sarro. Ameniza a perda? Não acredito. Apenas demonstra que o clube vive um momento melhor que o rival, o que ainda é pouco. Esse foi cantado como o maior time da história alviverde e perdeu duas grandes chances de ao menos carimbar uma vaga na maior competição da América. Mas esse também é assunto para outro post.

A vida segue. Lamentavelmente, dentro da mediocridade de sempre do futebol paranaense, perdendo objetivos em qualquer uma das cores que você olhe. Mesmo saindo por cima, o Coritiba deixou escapar a consolidação. Agora, é 2012. Que será duro para o Atlético, longe da Arena e na segundona nacional após 16 anos.

Talvez, se há algo a se orgulhar, é o fato de que rivalidade mesmo é a curitibana. Só não sei se é algo para se alegrar.

 

Sobre heróis e vilões

“O Atletiba de todos os tempos”. Ao menos é assim que boa parte dos colegas de imprensa venderam o clássico. Eu prefiro esperar. As possíveis combinações, o cenário do clássico, até dão a possibilidade de que isso seja real; mas, e se for um modorrento 0-0, rebaixando o Atlético e tirando o Coritiba da Libertadores, ainda será o maior? Rotular o clássico antes da bola rolar é o mesmo que achar que o favoritismo analítico do Coxa já garantiu a vaga na competição sul-americana e, de quebra, rebaixou o Furacão. Isso, talvez, só depois das 19h de amanhã.

Um clássico para ser histórico tem de ter muitos elementos. O 348 se apresenta com credenciais, mas ainda não o é. Não é maior que o histórico Atlético 4-3 Coritiba de 1971, o #156, com diversas viradas, com Nilson Borges perdendo pênalti para o Atlético, que perdia por 2-0; não é maior que o #275, de 1995, quando Brandão aplicou um chocolate na páscoa atleticana, transformando os 5-1 do Coritiba sobre o rival no estopim da revolução petraglista. Ou ainda o #146, quando Paulo Vecchio impediu, no último minuto, que o Atlético saísse de uma fila de 9 anos sem títulos, no 1-1 que deu ao Coxa o título daquela temporada. Quem sabe o #305, quando depois de estar perdendo por 0-1, o Furacão aplicou 4-1 no adversário em pleno Couto Pereira, na Seletiva da Libertadores em 1999, o de maior relevância nacional até aqui. São 347 edições e entre Bergs e Dirceus, Tutas e Danilos, o clássico tem muitos heróis e vilões.

Não há como esconder o favoritismo do Coritiba, aberto nos objetivos distintos e nos números de toda a competição. Será que o herói vestirá alviverde? Marcos Aurélio, um ex-atleticano, pode fazer o gol da sentença rubro-negra? Ou Jéci, o capitão do Coxa mágico de 2011, do recorde mundial? Ou Vanderlei, vilão em 2009, salvará o Coxa de lances agudos? Conseguirá o Coritiba a vaga para a 3a Libertadores da sua história ou sua gente deixará a Arena frustrada? Clássico tem favorito? No Estadual, teve. E agora, no jogo que pode mudar a história dos dois clubes?

Ou o herói vestirá rubro-negro, podendo ser Cléber Santana, que perdeu pênalti ao longo do campeonato em pontos que hoje fariam a diferença? Poderá ser o “maestro” Paulo Baier, que não brilhou ainda em Atletibas, e pode quebrar um tabu de 3 anos, que corresponde a passagem dele e do presidente Marcos Malucelli no clube? E se o Atlético fizer 2, 3 a zero no Coritiba e não for o suficiente? O herói atleticano virá de Minas Gerais ou da Bahia? Poderá ser Souza ou Cuca, um no Bahia, outro no Galo, salvando o Furacão do rebaixamento, como De Vaca, do Libertad o fez em 2005, quando fracassou por conta própria na Arena (o que não é permitido dessa vez) ao levar 1-4 do Medellín, mas contou com a derrota do América em Cali para chegar ao vice da Libertadores, hoje o sonho do Coritiba, que ganhou segunda chance após a Copa do Brasil.

Quem, entre tantos que mal dormiram nessa semana, arrisca cravar? A gigantesca expectativa, a semana cercada de silêncio dos dois lados, mas com trocas de provocações entre as torcidas – diga-se, a torcida do Coxa deitou nos atleticanos como nunca se viu – mas que, também ressalte-se, parece apontar para um cenário tranquilo no jogo. A soma de tudo, para termos novos heróis e vilões, para que a previsão dos colegas sobre a relevância do #348 se confirme.

Será impossível agradar os dois lados. Ótimo, não? É disso que a rivalidade é construída; antagonismo. E não inimizade, violência. No futebol, nada é impossível, tudo é mágico. E certamente muitos terão histórias a contar a partir de segunda-feira. Com paz e tranquilidade, espera-se.

E um ótimo espetáculo dentro de campo.

Rápidas e precisas

Dia longo e produtivo, mas só agora pude sentar pra atualizar o blog. Vamos então direto ao que interessa:

Atlético

1) Jadson

Tudo surgiu no Twitter e movimentou a comunidade rubro-negra: Jadson voltaria ao Atlético? Pois bem: noves fora o trâmite para trazê-lo, a sondagem houve e a resposta do jogador, há 7 anos na Ucrânia, foi positiva. Mas tem vários poréns. Vamos primeiro ao fato:

Mário Celso Petraglia é ex-presidente do Atlético e, ainda não oficialmente, candidato a voltar ao posto. Fez um convite público ao jogador para que volte a defender o Furacão no próximo ano. E recebeu como resposta um “gostaria de estar junto”. É notícia: um ex-diretor e candidato sonda um craque para vir, e este diz que pode topar.

Se é jogada eleitoreira ou se vai ser a grande contratação do Atlético em 2012, não me cabe julgar. Aliás, o blog (e os veículos no qual emito minha opinião/informação) não é apolítico, porque não sou acéfalo; mas é apartidário: aqui, o negócio é notícia. Cabe agora a você, leitor, refletir e a todos esperarmos e acompanharmos pra saber se foi blefe ou Petraglia está com o às na manga.

2) Festa dos 10 anos do título de 2001

A ser realizada no dia 8 de dezembro deste ano, com ou sem rebaixamento, a festa pode acabar esvaziada. Tudo porque muitos jogadores temem entrar no meio da disputa política do clube. A organização do evento faz questão de dizer que é uma festa atleticana, sem partidarismo. Ouvi de um jogador campeão brasileiro, o qual faço questão de preservar, duas coisas: que muitos pode cancelar a presença pela política; e que Petraglia teria procurado alguns para ter cargos na próxima gestão. Contrasenso? Veremos em seis dias.

Coritiba

Keirrison de volta ao Coxa em 2012? Pode ser. Tudo vai depender de uma conversa entre o empresário dele, Marcos Malaquias, e a diretoria do Coritiba. O que acontece é o seguinte: o jogador, que pertence ao Barcelona, teve uma lesão na perna direita em 2010 e não conseguiu mais recuperar-se a ponto de jogar o futebol que o destacou no próprio Coritiba. Rodou por clubes como Santos, Benfica e agora Cruzeiro, sem destaque. A idéia é trazê-lo a um ambiente familiar e beneficiar-se da estrutura médica do Coritiba. Conversando com um diretor do Coxa (sigilo de fonte), a postura foi clara: “Pode ser sim, mas o Coritiba não vai atrás dele. O Keirrison está num patamar de mercado europeu. Vamos deixar que nos procurem. Ele tem potencial.”

Outro que pode pintar no Alto da Glória ano que vem é o volante Júnior Urso, que está no Avaí e defendeu o Paraná neste ano. Urso confidenciou a amigos em Florianópolis que está certo com o Coxa, mas o clube nega a contratação até aqui.

Paraná

O Tricolor está tentando mobilizar os clubes do interior que estão na Série Prata do Estadual a reunirem-se em uma associação informal, para tentar vender patrocínio para o campeonato. Já recebeu sinal positivo de Grêmio Metropolitano, FC Cascavel (o do Beletti) e do Nacional, de Rolândia. A idéia é montar uma comissão que busque verba, ajudando os clubes a terem um motivo a mudar o campeonato de maio para fevereiro. Na terça-feira 6, os nove dirigentes do interior mais a diretoria paranista se reúnem na Sede Kennedy para discutir termos.

Chegou-se a comentar na cidade de que o Paraná estaria comprando o campeonato. Não procede. O que acontece é que o clube está fazendo as vezes da FPF, que deveria por si transformar seu produto em algo mais rentável. Como a preocupação paranista é maior do que a da federação, restou ao clube buscar alternativas, que passam pela mídia e empresários ligados ao Paraná.

Legalmente, a mudança na data de início do campeonato só é possível se houver unanimidade na decisão.

Particularmente, acredito que a FPF tem sim que defender todos os seus filiados. E o Paraná é um deles. Não se trata de mudar a data do campeonato para privilegiar o Tricolor e sim de uma busca para viabilizar a competição. Para se ter uma idéia, cada clube do interior absorve cerca de 15 a 20 mil reais de prejuízo por jogo, com raríssimas exceções (Londrina em 2011 foi uma delas), pois arcam com taxas de arbitragem, transporte, hospedagem, abertura e manutenção de estádios, etc. Caso o pool se forme e consiga convencer o mercado da validade da idéia, será um grande passo. Espera-se que a FPF, que já mudou rumos no caso Pinheirão, passe a ajudar os 10 clubes e não dificultar a tarefa de amenizar prejuízos na segundona local.

Do contrário, a diretoria paranista promete colocar um time de juniores na Série Prata e centrar esforços na Série B nacional.

Atletiba 348

Amanhã, ainda antes do jogo, prometo escrever algumas linhas sobre. Volte aqui, se puder!