Pinheirão: dia decisivo, entenda os desdobramentos

Amanhã, às 14h, está marcado o segundo leilão do Pinheirão, com valor inicial 50% menor que o do primeiro leilão: R$ 33 milhões de reais.

Mas ele pode não acontecer.*

Pelo menos é o que pretendem FPF e OAS, que, através de petição da federação, tentam uma liminar na 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais de Curitiba, com a juíza Alessandra Anginski para impedir a realização do leilão. Até o momento em que escrevo este post, 19h50 de quarta, 19/10, ela não concedeu a liminar, como já havia feito no primeiro leilão.

A OAS já tem um acordo fechado para a compra do terreno. Por R$ 85 milhões, a empreiteira quitaria as dívidas junto à receita, Prefeitura e Estado, e outros credores, entre eles o Atlético, que receberia R$ 15 milhões. O valor é menor do que pode chegar a custar o imóvel/terreno caso vendido em leilão: o preço de R$ 33 milhões é apenas em cima do bem, não quitando dívidas e sem contar a comissão do leiloeiro.

O Grupo Tacla é o principal concorrente e o único que deve entrar no leilão. Em 2007, o mesmo grupo arrematou o bem (clique aqui e relembre a história em reportagem da Gazeta do Povo) mas a FPF embargou a compra. E promete fazer o mesmo caso o grupo em questão arremate o imóvel.

O principal problema a ser contornado é a lei criada para que a Prefeitura de Curitiba, ainda nos anos 60, pudesse doar o terreno à federação. Na lei, há a obrigatoriedade de se construir uma praça esportiva no local. O Grupo Tacla, segundo o que apurei, pretende erguer um shopping na região e, para isso, teria de se valer de força política para modificar a lei. A política, no entanto, está ao lado da OAS, que pretende construir um shopping, um centro de eventos e um estádio anexo – e aí chegamos ao Coritiba.

Há um documento assinado por Vilson Ribeiro de Andrade, uma carta de intenções, dando conta de que, caso a OAS compre o terreno e construa, o Coritiba usufruirá, mediante contrato, da nova praça desportiva. A carta não é um contrato; este está em negociações que ainda devem se arrastar por um tempo – mas com muita possibilidade de um “sim” entre Coxa e OAS.

A proposta da OAS para o Coritiba é similar à do Grêmio: o estádio será do clube, mas após um período de 20 anos; até lá, 100% da bilheteria no jogos é da empresa, e não do clube; o Coritiba teria obrigação de mandar seus jogos somente no novo estádio; pelo período de 20 anos, os sócios serão do estádio, e não do clube; o entorno do estádio (shopping, centro de eventos) não dá nenhum lucro ao clube; o terreno do Couto Pereira passa a ser de propriedade da OAS. Entre outros pormenores.

Já o Coritiba quer a revisão de alguns dos termos: o Coxa pleiteia 15% da arrecadação que a empresa tiver no entorno; não aceita ceder bilheteria e placas de publicidade à OAS, tampouco o valor dos sócios, ainda que por prazo determinado. A idéia do Coritiba é manter a receita e repassar 85% dos lucros do entorno para a empresa; sobre o terreno do Couto Pereira, o Coxa quer manter 20% da propriedade em seu nome, repassando 80% para a OAS fazer outro empreendimento – deste, o lucro seria todo da empresa, na área determinada.

A negociação é complexa e, embora somente nos últimos meses tenha vazado na imprensa, já dura 1 ano e meio.

A carta na manga coxa-branca para fazer valer seus desejos é a necessidade de se ter uma praça esportiva no local. Sem o clube, a OAS não teria como fazer a obra – mesmo problema que terá o Grupo Tacla caso arremate o bem. Logo, para que o projeto tenha sucesso, a empresa sabe que precisará ter um centro desportivo anexo e o Coritiba, com o terreno do Couto Pereira (valor estimado de 8 mil o M2), é o parceiro que tem como recompensar a empresa e estar amparado pela lei.

Essas são as cartas, o jogo (re)começa amanhã, 14h. Sem hora para terminar – embora os mais otimistas digam que em 20 dias, a negociação será confirmada ao público.

*Update:

Apurou a jornalista Nadja Mauad, 20h52: “Segundo o presidente da FPF, Helio Cury, o leilão marcado para esta quinta-feira foi cancelado. ‘Apuramos o valor que deviamos junto ao INSS, pagamos e evitamos o leilão. Agora vamos negociar diretamente com os interessados novamente. Venderemos pelo melhor preço’, disse.”

Nota: o recurso do update é usado para manter o teor original do texto, que já afirmava que o leilão poderia não sair. Ainda carece de confirmação, mas confio plenamente no poder de apuração da Nadja, por isso (e porque Hélio Cury está com o celular desligado) o faço com o texto dela.

Rápidas e precisas

Comprometimento

Faltando oito jogos para o final do Brasileiro, só um milagre salva o Atlético. E o milagre tem nome: comprometimento. Um dos maiores erros da Gestão Marcos Malucelli no futebol foi sempre alardear que o atual mandatário não ficaria no cargo no ano que vem. E se o presidente deixará o clube, não serão os jogadores emprestados que botarão suas valiosas pernas em disputas ríspidas para manter o rubro-negro na elite. Além de que as declarações de Malucelli por vezes inibia ambições. “O último que sair, apague a luz” é um ditado que poderá definir o ano atleticano.

Comprometimento II

Ao que parece, um passo interessante nesse sentido já foi dado: contra o Botafogo, dos 11 jogadores que começaram a partida, nove tem vínculo com o clube além do Brasileirão/11. Não deu muito resultado, mas são jogadores como Renan Rocha, Deivid, Manoel, Morro García, Marcinho e Paulo Baier (e outros que não jogaram, como Guerrón) que podem evitar que o clube – e eles próprios – joguem a Série B em 2012.

Guerrón: nos pés dele o futuro do Atlético... e de si próprio (Foto: @heulerandrey)

Passado que ensina

Em 1998 o Atlético fazia um péssimo campeonato. Faltando 11 jogos para o fim, o time estava seriamente ameaçado de rebaixamento. A equipe tinha o volante Paulo Miranda (que também passou por Coxa e Paraná) que contou a história: “Um dia, após uma derrota, o Petraglia entrou no vestiário e disse: ‘vocês que são do clube, tirem o cavalo da chuva: ano que vem todo mundo jogará a Série B comigo; e vocês que estão emprestados, já estou negociando para que fiquem aqui. Seus clubes não vão os querer de volta’.” O susto valeu: o time venceu seis jogos seguidos e quase se classificou para a segunda fase – o campeonato não era por pontos corridos.

Polêmica

Direto do Alto da Glória: o volante do Coritiba Léo Gago, em entrevista ao site Globo Esporte.com, meteu o dedo na ferida do Atlético, quando perguntado se o Coxa ainda tinha chances de Libertadores: “Podemos conseguir a classificação. (…) Na última rodada, temos o clássico contra o Atlético. Eles estarão praticamente rebaixados ou até mesmo rebaixados.” Gago projetava cinco vitórias em casa e esse triunfo fora. Mas o time enroscou no Bahia logo na largada.

Roupa nova

Se o empate com o Bahia foi sonolento, valeu ao menos para o Coxa apresentar sua camisa III, comemorativa em alusão a entrada no Guinness Book como “equipe mais vitoriosa em sequência de jogos no Mundo”. Com a cor azul-petróleo – quase um verde – a camisa faz menção às 24 datas dos jogos que o Coritiba venceu em sequência e que o credenciou a tal titulação. Belíssima.

No detalhe, as datas dos jogos do recorde

Pinheirão

Sem perigo de ser rebaixado e muito longe da Libertadores, o Coritiba volta seus olhos para o futuro. Nesta quinta (20), pela segunda vez, o Pinheirão vai a leilão. O valor inicial é de R$ 33 milhões, 50% do valor inicial do primeiro leilão. A FPF segue tentando evitar o leilão. Há uma intenção da OAS em comprar o estádio e, em seguida, chegar a um acordo com o Coxa para construir um novo centro esportivo lá. O presidente da FPF, Hélio Cury, não quis comentar o assunto: “Temos 72h para resolver isso. Até quarta eu terei uma posição”, disse, de maneira ríspida. Cury não confirmou se negocia em paralelo a venda do terreno, que está obrigado pela justiça a ir a leilão. Há uma semana, o deputado Reinhold Stephanes Jr. garantiu que o Pinheirão já foi negociado. O Coxa, por sua vez, aguarda a definição do negócio para entrar diretamente (ou oficialmente) nele.

No twitter


O diretor de futebol do Paraná, Paulo César Silva, que está afastado do contato com a imprensa, está no Twitter. Com o nick @PC_PRC, Paulo César volta a mídia via rede social, depois de se afastar dos holofotes por desgaste com a má fase do Tricolor, após uma discussão com o articulista da Rádio Banda B, Sérgio Bello, ao vivo pelos microfones da emissora. PC tem respondido aos torcedores e não entrou em nenhuma polêmica ainda. Quem criou o perfil foi a filha dele. O departamento de comunicação do Paraná não gostou muito da idéia, mas, mesmo assim, prevaleceu a vontade do diretor.

Rápidas e precisas

Nike e Coritiba

O Coxa não confirmará antes de 01/01/2012 a parceria com a Nike, nova fornecedora de material esportivo do clube; mas já está tudo acertado. Nessa semana, dois diretores do Coritiba estiveram em São Paulo aprovando o modelo da camisa. Pela descrição que ouvi, “está bela e simples”. Sigo tentando imagens da mesma.

Há uma multa pesada com a Lotto caso o Coritiba se manifeste oficialmente sobre o assunto. Então tudo que se ouvirá oficialmente até o prazo previsto é: “estamos em negociação”. Mas tenho de fonte segura que quem vestirá o Coritiba em 2012 é a Nike.

Em tempo: a Umbro, patrocinadora do Atlético, também é do grupo Nike. Mas, por ora, não há movimento no sentido de deixar a dupla com a mesma marca na camisa.

Morro García

Com doping positivo para cocaína, o atacante mais caro da história do futebol paranaense está suspenso por dois anos de qualquer competição uruguaia. No Brasil, ele pode atuar normalmente – a não ser que a Fifa resolva intervir. Fato é que o Atlético está livre de qualquer responsabilidade sobre o caso – por ora. Afinal, ele pode estar em algum teste feito no país também. O clube ainda não foi informado de nada.

Mesmo assim, o Atlético estuda algumas hipóteses sobre como proceder. Entre elas está até uma possível devolução do jogador ao Nacional. Isso depende da possibilidade jurídica e, claro, seria uma dura negociação. A mecânica explicada na época da contratação de García pelo então diretor Alfredo Ibiapina reza que o contrato ainda é do Nacional e que o Atlético paga prestações por El Morro.

O artifício impede que ele faça algo como o que fez Ariel; se fosse vendido por bom desempenho no Brasileirão, o Atlético teria prioridade no recebimento. Nesse caso, ainda não se sabe como o clube agirá.

Premiação

O Atlético acertou uma premiação por vitórias seguidas ao grupo de jogadores na reta final do Brasileirão. Três resultados positivos em sequência podem render até 150 mil reais ao grupo de jogadores, a ser partilhado.

Bafômetro

Trinta e seis latinhas de cerveja são coisa para qualquer fígado, imagine então o do pequenino Madson. O Atlético nega, mas no CT do Caju corre a informação de que o botequeiro solidário a Madson era o lateral-direito Edilson, que não atuou contra o Vasco por estar “com dores no joelho”.

Bill

O Coritiba não ficará com Bill para 2012. A informação nem causa tanto impacto assim, já que o Coxa já garantiu o retorno de Marcel ao time. Mas o artilheiro do time no Brasileiro será devolvido ao Corinthians, segundo um conselheiro, “porque aproveita mais o potencial que tem na noite em Curitiba”.

Copa das Confederações e Fan Fest

Ganha corpo a participação de Curitiba na Copa das Confederações 2013; Porto Alegre está fora da competição, bem como o Rio de Janeiro. A Fifa oficializará as cidades-sede e as datas até o final do ano. As sedes precisam ser necessariamente as mesmas da Copa 2014, pois se trata de uma competição teste. Belém, confirmada na Copa América 2015 há poucos dias, está fora, por exemplo.

Já no dia 31 deste mês a Fifa virá a Curitiba inspecionar e aprovar os três locais das Fan Fests que se realizam durante o Mundial. Jardim Botânico, Parque Barigui e Pedreira Paulo Leminski são os locais escolhidos.

Plano de sócios

Na próxima semana, o Coxa lançará um novo plano de sócios, contemplando uma modalidade a R$ 9,90 para quem não pode ir ao estádio, mas quer ajudar o clube. A diretoria deve confirmar detalhes até segunda-feira.

Coritiba 102 anos – Especial Jogo Aberto Paraná

A festa do centenário veio dois anos depois. Essa é a impressão que fiquei após passar a tarde com o vice-presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, na véspera do aniversário de 102 anos do clube.

Véspera também do anúncio que ele fez em primeira mão na Band*, de que o Guiness Book reconheceu o Coxa como clube que mais venceu jogos consecutivos no Mundo; e, mais importante, do lançamento do novo CT, um dos inúmeros projetos da gestão de Vilson Andrade, que fez carreira de sucesso como CEO do HSBC na América Latina. Agora, empresta esses conhecimentos ao Coritiba.

Na entrevista a seguir, você acompanha mais de meia hora de papo sobre todos os temas que interessam a torcida coxa-branca, desde o novo CT, os projetos para a saída para o Pinheirão e a vinda da Nike como fornecedora (pra bom entendedor, a entrevista ajuda a perceber o que pode acontecer nos dois casos) e o futuro alviverde. Com Vilson como possível presidente.

Acompanhe e participe nos comentários!


*O Jogo Aberto Paraná vai ao ar de segunda a sexta, 12h30, na BandCuritiba.

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Coxa no Pinheirão: saiba detalhes

A nova casa do Coritiba - depois de uma bela reforma

A Tribuna do Paraná (num trabalho de apuração de Elaine Felchaka e Rodrigo Sell) trouxe a notícia de que o Pinheirão fora adquirido pela OAS horas após o leilão judicial do estádio, que não apresentou nenhum interessado no imóvel.

Tudo partiu de um post sutil do deputado Reinhold Stephanes Jr, conselheiro do Coritiba, no Twitter:

Apesar de Stephanes ter garantido que o contrato foi assinado no dia 06/10, a negociação ainda é 99% certa. O 1% restante pode mesmo atrapalhar: trata-se da determinação judicial em leiloar o bem, que já havia sido combatida pela FPF com uma ação não acatada pela justiça antes do primeiro leilão. O segundo está marcado para o dia 20/10 e este é o prazo para que as negociações finalizem. A política – e até mesmo o bom senso, já que o valor é quase três vezes maior do que o inicial do leilão – definirão se haverá ou não o segundo dia para arremate.

O valor pago pela OAS será de R$ 85 milhões pelo terreno e o contrato com o Coritiba é de 20 anos. O estádio terá capacidade para 46 mil pessoas e abrigará um complexo esportivo e comercial.

O Coxa ainda negocia como fará a partilha da arrecadação com a OAS – este é outro ponto em discussão, mas que não impede a compra do imóvel – uma vez que hoje conta com uma carta de 30 mil sócios, fonte principal de renda do clube. O modelo de gestão será idêntico ao da Arena do Grêmio, em Porto Alegre. A previsão de conclusão, passadas as negociações, é 2015 – ou seja, nada concorrente com a Copa 2014 na Arena.

O clube pretendia anunciar a negociação no jantar de aniverário de 102 anos, junto com o já confirmado lançamento da pedra fundamental do novo CT, dia 17/10. No entanto, Stephanes Jr., coxa-branca de carteirinha, empolgado com a negociação, acabou se antecipando. O que gerou uma reprimenda velada ao deputado e a seguinte nota oficial:

O Conselho Administrativo do Coritiba Foot Ball Club vem a público informar que as notícias veiculadas pela imprensa, segundo as quais o Clube, em parceria com uma construtora, teria adquirido o estádio Pinheirão, com a finalidade de construir na área um novo estádio, são infundadas.

Nenhum negócio foi fechado até o presente momento, tratando-se de mera especulação o que foi noticiado. O Conselho Administrativo esclarece também que o único porta-voz autorizado a prestar informações que dizem respeito ao patrimônio do Clube é o seu vice-Presidente.

O destino dado ao Couto Pereira está indefinido e passará pelo conselho; a intenção de Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do clube, é construir um centro comercial na região, cujos rendimentos seriam revertidos ao Coritiba. Esse projeto, no entanto, ainda está no campo da idealização e terá um obstáculo a ser superado: quando da mudança na lei do Zoneamento Urbano de Curitiba (clique para ler), que beneficiou o Atlético ao atribuir valor histórico e interesse público na Arena, dada a necessidade de se emitir os títulos de potêncial construtivo pensando na Copa 2014, Coritiba e Paraná brigaram por isonomia de direitos e conseguiram. Agora, a lei de Zoneamento no Couto também tem as mesmas características da Arena, o que poderá impedir a construção de um centro comercial por lá, já que há interesse histórico e público na área – o mesmo vale para a Vila. Mas isso é uma segunda etapa.

Coxa no Pinheirão: história

Inaugurado em 1985, o Pinheirão não trás boas lembranças a torcida do Coritiba. Apenas um título foi conquistado pelo clube no estádio da FPF: o Paranaense de 99, sobre o Paraná.

Lá, de acordo com o grupo Helênicos, o clube jogou 25 vezes com o Atlético, tendo perdido 11 jogos e vencido apenas 5. Perdeu o Paranaense de 1998 e a Copa Sesquicentenário de 2003 para o rival. Contra o Paraná, 24 jogos, 16 derrotas e 5 vitórias. Perdeu o Paranaense de 1995. Em 2005, durante um período de reformas no Couto Pereira, chegou a mandar alguns jogos lá.

Meus dois centavos:

Como 99% não é 100%, o Pinheirão pode não vir a ser a casa nova do Coxa, mesmo com tudo acima acertado. Mas os indícios e as fontes que conversaram comigo estão confiantes. E eu também: a nova realidade do Pinheirão ajudará a todos.

Livra a FPF de um ônus administrativo enorme, um elefante branco; livra o Estado e a Prefeitura de problemas mil, desde dívidas até a criminalidade instalada na região; nem Estado, Prefeitura ou FPF terão de adminstrar o estádio e onerarem-se (mesma razão pela qual a saída da Arena para a Copa 2014 é a melhor para Curitiba: o problema no pós-Copa é do clube); dá ao Coritiba um palco a altura das suas pretensões, funcional e moderno; ao Atlético, rende R$ 15 milhões, já que o clube é credor; e, por fim, revitaliza a região, hoje já central em Curitiba.

Os ingleses, donos do maior campeonato do planeta, botaram o mítico Wembley abaixo em nome da modernidade. O avanço se faz assim. O Couto Pereira serviu até o ponto atual, mas pelas razões acima, que não se apegue em sentimentalismo. Fosse assim e a Baixada velha ainda estaria lá. E o Coxa ainda jogaria no Parque da Graciosa:

*Colaboraram com a reportagem Caroline Mafra e Hugo Pontoni.

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Notas

Sem via alternativa

Apesar da promessa da CBF em dar a eventual vaga do Vasco na Libertadores ao Coritiba, caso a equipe carioca vença também a Copa Sulamericana, a Conmebol definiu hoje que nenhum país poderá ter mais de seis vagas e, em caso de título de algum time já qualificado, a vaga fica na competição, ou seja: o vice – ou melhor colocado sem vaga – fica com o prêmio.

Coxa no Pinheirão I

Esquentou a negociação para a compra do Pinheirão por parte da OAS, construtora baiana que já havia tentado participar da obra na Arena. O leilão do estádio, marcado para essa quinta-feira (6) pode nem sair: para executar o direito de compra antecipada, modalidade comum em leilões, a OAS deve antecipar cerca de R$ 65 milhões para quitação de débitos judiciais principalmente com o governo. Caso isso não ocorra, o estádio vai a leilão público com preço inicial de R$ 66 milhões. Durante toda a terça e também na quarta, o presidente da FPF, Hélio Cury, esteve em reuniões.

Depois de Atlético e Paraná, Pinheirão pode ser lar do Coritiba

Coxa no Pinheirão II

Se arrematar o imóvel, a OAS deve anunciar uma parceria com o Coritiba, para que esse possa ser o principal beneficiário do futuro novo estádio, em um projeto que contemplaria não só a praça esportiva, mas também um centro comercial e uma área para eventos e espetáculos. Oficialmente, o Coxa nega que já tenha algum tipo de negociação, mas a coluna apurou que existem alguns entraves na conversa, como por exemplo a maneira com a qual o clube obteria renda, já que placas e espaços comerciais/publicitários, além da bilheteria, interessam a OAS. O modelo é parecido com o da Arena da Copa em Recife – que, em tese, ainda não tem nenhum clube como beneficiário, já que os três grandes de Pernambuco tem suas próprias casas. O Coxa também evita anunciar o destino do Couto Pereira, mas a intenção de Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do clube, é pô-lo abaixo e construir um centro comercial que dê renda ao Coritiba – manifestou-me essa intenção ainda em 2010, quando os primeiros rumores surgiram.

Bom para o Atlético

Credor de R$ 15 milhões junto a FPF, o Atlético é outro que sairá no lucro com a venda do Pinheirão, seja qual for o destino. O clube, que nesta mesma semana lançou a etapa final das obras na Arena, ganharia novo fôlego financeiro.

Quem fala o que quer…

Pegou mal com alguns jogadores do elenco do Paraná as declarações do zagueiro Cris após o empate com o Duque de Caxias, pior time da Série B do Brasileiro. De cabeça quente após o resultado que praticamente sepultou as chances de acesso do Tricolor e deixou a equipe a quatro pontos de distância do rebaixamento. Alguns jogadores reclamaram da postura do jogador, que acusou, sem citar nomes, colegas de estarem “fazendo corpo mole” e, por isso, o time caiu de rendimento. “Trairagem”, confidenciou-me um jogador que pediu para não falar no assunto abertamente. Ouça a entrevista, gentimente cedida pela Rádio Banda B:

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Miranda Strikes Back

Ainda Paraná: o ex-presidente José Carlos de Miranda articula uma chapa de oposição para concorrer às eleições do clube, que ocorrem na segunda semana de novembro. Miranda dirigiu o clube entre 2004 e 2007, conquistando um Estadual e uma vaga à Copa Libertadores, mas deixou o comando sob denúncias de receber comissões em negociações de jogadores. Em 2009, cogitou lançar uma chapa, mas acabou apoiando a situação.

Invasão atleticana

O Atlético mobiliza a torcida para uma invasão à Florianópolis, para o confronto decisivo de domingo, 18h, contra o Avaí na Ressacada. Os sócios do clube participarão de uma promoção que dará 150 ingressos e direito de compra de mais um, a partir desta quinta (6); além disso, a carga total de 1.200 entradas foi comprada pelo Atlético e estará sendo vendida a R$ 20,00 na Arena a partir de sexta pela manhã. Com 27 pontos na 17a. posição, uma vitória sobre o Avaí em Florianópolis (19o., 22 pontos) e uma combinação de resultados podem tirar o Furacão da zona de rebaixamento. Ano passado, o Atlético venceu o adversário em Floripa: 1-0, gol de Maikon Leite:

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O caminho do Coxa para a Libertadores é pelo mar

Vasco: de algoz a padrinho

Um jantar em Curitiba na última quinta-feira (29/09) fez Virgílio Elíseo, diretor técnico da CBF garantir: se o Vasco vencer também a Copa Sulamericana, o Coritiba estará na Libertadores 2012.

Vice-campeão da Copa do Brasil ao perder no placar agregado e critérios para o time carioca (0-1, 3-2), o Coxa se vê longe da Libertadores no Brasileirão, mas recebeu do diretor-técnico da CBF a garantia de que o departamento fará lobby junto ao presidente Ricardo Teixeira para que ele oficialize a idéia de que  Alviverde possa ocupar eventual vaga vascaína com duas condições: o Vasco precisa vencer a Sulamericana e, se a Conmebol definir que a vaga é do País e não da competição*, o Coxa jogaria a pré-Libertadores, ficando, de fato, com a suposta vaga da Sula.

Na prática, o Coxa precisa agora que o Vasco supere os seguintes cruzamentos:

O que falta agora é a sanção de Ricardo Teixeira, que está hospitalizado. E, claro, dar Vasco.

E o Brasileirão?

O Vasco também é o líder do Brasileirão e pode ser campeão; isso também beneficiaria o Coxa? Não.

Se o Vasco papar o Brasileiro e não a Sulamericana, entrará o 5 time da classificação na vaga, como já é de praxe: G4 vira G5.

Meus dois centavos:

…e pensar que o Vasco chegou capenga na decisão da Copa do Brasil, com favoritismo declarado do Coritiba, depois de passar apertado pelo Avaí e sem vencer o Atlético e ainda foi campeão apenas nos critérios. Hoje, é líder do Brasileiro e tem bom caminho na Sulamericana. Desbravador.

O blog ficou quase uma semana sem atualizações, mas manteve ótima média de visitações. Peço desculpas aos amigos e agradeço muito: aproveitei uns dias para colocar uma monografia em ordem e, como não sou de ferro, fui curtir o Rock in Rio no período.

*UPDATE: A Conmebol anunciou nesta quarta (05/10) que a vaga da Libertadores via Sulamericana é da competição e não do país; sendo assim, a promessa da CBF ao Coritiba perdeu efeito.

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Em ano ofensivo, Seleção premia defesa coxa

Pelo Twitter, Emerson comemorou a convocação

 

No ano em que bateu o recorde nacional de vitórias e o do próprio clube em número de gols marcados, o Coxa voltou a ter um jogador convocado para a Seleção Brasileira… na defesa.

Emerson, zagueiro, 28 anos, ganhará uma oportunidade contra a Argentina, no jogo de volta da Copa Roca II, na próxima semana, em Belém. Apesar de merecida, a convocação pegou a todos de surpresa. Não pelo futebol de Emerson, mas sim pelo estilo das convocações anteriores de Mano Menezes, levando jogadores como Renato Abreu, do Flamengo e Paulinho, do Corinthians, muito mais por estarem no centro do País.

A convocação de Emerson (e da Seleção que fará o jogo de volta contra a Argentina) mostra que, com boa vontade, Mano Menezes pode dar oportunidades a jogadores com destaque no Brasil. Embora o Coxa tenha tido destaque ofensivo, com a boa produção de Rafinha, Davi e Léo Gago em momentos distintos, o prêmio da Amarelinha sobrou para Emerson, que falou à equipe de reportagem do Jogo Aberto Paraná: “Acreditava um pouco, mas as pessoas acreditavam mais que eu. O sentimento é diferente, jogar pela Seleção, em um clássico mundial, é diferente para todo jogador.”

Trazido pela LA Sports ao Coxa, após ter destaque no Avaí, Emerson tem contrato com o Alviverde até dezembro de 2013.

A última vez em que a Seleção havia requisitado um coxa-branca para uma disputa na principal foi em 2004, quando Adriano, hoje no Barcelona, foi chamado para a Copa América.

Além de Emerson, dois outros jogadores ligados ao futebol do Paraná recentemente estão na convocação: Rhodolfo, do São Paulo, que formará dupla com Emerson e ainda tem 50% dos direitos ligados ao Atlético; e Neto, goleiro que está na lista dos jogos contra Costa Rica e México, e defende a Fiorentina após ter sido negociado pelo Furacão no início do ano.

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O holandês*

Vanderlei mudou.

Não que ele tenha melhorado (e nem que não, ou muito pelo contrário, diria o confuso cronista) sua condição técnica a ponto de encher os olhos de quem o vê em campo hoje em comparação ao passado. Ele sempre foi regular.

Vanderlei mudou sua postura. Em outras oportunidades, mesmo quando podia, preferia deixar a camisa 1 de lado e substituir Edson Bastos com a 12 mesmo. Podia ser só superstição, mas ao aparecer em campo com a camisa 1 do Coritiba no seu retorno a titularidade, mostrou que estava a fim de assumir mesmo essa condição.

Mas esse é só um detalhe da fase do goleiro coxa-branca. Certa feita, em um bate-papo em um estacionamento no Couto, Vanderlei, então amargando um ano e pouco de reserva e com uma sondagem do Santos, me disse encarar aquilo com naturalidade. Que era muito amigo de Edson e que a vida profissional era assim mesmo. Disse ter ficado feliz com a proposta do Santos, mas já que as coisas não tinham evoluído, o negócio era continuar trabalhando.

E demorou até que voltasse. Mas quando voltou, chamou a atenção pela segurança. E no jogo contra o Inter em Porto Alegre (1-1) foi decisivo ao pegar um pênalti. Na entrevista que deu a TV Bandeirantes POA, mostrou o quanto é profissional:

O Holandês curte a boa fase. O torcedor, também.

*Holandês é um apelido que vi na internet para Vanderlei ou “Van der Lei”. Infame, mas divertidinho.

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Redenção

O ano de 2011 tem sido generoso com o Coritiba. Recordes em campo, título invicto no Estadual com 3-0 sobre o Atlético na Arena e até uma decisão nacional no curriculo.

Mas é fora de campo que o clube mostra que não só escapou da falência (problema alertado pelo artífice da volta, Vilson Andrade) como está bem vivo naquele que é considerado o grande patrimônio de todo clube: a torcida.

A CBF divulgou a média de público do Coxa no Brasileirão. E a saudade da Série A somada ao resgate do orgulho alviverde colocam o Coritiba como o quarto clube do País em presença de torcida no seu estádio. Confira a classificação geral da Série A até a 23a. rodada:

1   26.715         Corinthians/SP
2   22.333         Bahia/BA
3   19.277         São Paulo/SP
4   18.748         Coritiba/PR
5   16.094         Flamengo/RJ
6   15.341         Grêmio/RS
7   15.305         Palmeiras/SP
8   15.275         Internacional/RS
9  14.788         Atlético/PR
10  13.151         Atlético/MG
11  12.143         Ceará/CE
12  12.107         Botafogo/RJ
13  11.336         Figueirense/SC
14  9.065         Vasco/RJ
15  8.866          Cruzeiro/MG
16  8.421         Fluminense/RJ
17  7.835          Santos/SP
18  6.617          Atlético/GO
19  6.455          Avaí­/SC
20  2.493          América/MG

Os números são muito significativos. O Coxa está a frente de clubes com torcida maior e mais: com maior número de sócios, como Grêmio e Internacional; supera também as (decepcionantes) médias de público do Fluminense, atual campeão brasileiro, e do Santos, atual campeão da Libertadores. Não só isso: a manter os números, a média de público coritibana em 2011 será a quarta maior da história do clube na Série A – a maior foi em 1980, com 21.754 torcedores presentes em média nos 11 jogos que disputou na época.

Apesar de estar atrás do rival, a média do Atlético também é digna de nota. Com uma campanha abaixo do normal, o clube arrasta mais gente que Botafogo e Vasco, que disputam o título. Na história, o Atlético é o clube paranaense com a maior média de público na Série A: 23.801 torcedores em média acompanharam o Furacão em 1983.

Não há dúvidas que a saída para competitividade e redenção do futebol paranaense é a participação ativa dos torcedores e sócios – que será ainda mais direta em dezembro, quando quase 10 mil torcedores de cada time decidirão as eleições na dupla.

Curiosidades:

– Se é o quarto melhor em média, o Coxa tem participação no pior público do Brasileirão/11: foi no jogo América-MG 1-3 Coritiba, em Sete Lagoas, para 732 heróis.

– Aos paranistas: a maior média de público do clube na elite nacional foi em 2005: 11.414 torcedores por jogo.

– O registro histórico das médias está no confiabilíssimo site RSSSF (Fundação do registro histórico do esporte futebol, em tradução livre)

Grato ao leitor Gilmar Alberto pela dica de tema.

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