Tetras ou Trétis?

Edigar Junio e Zezinho colocaram em xeque a supremacia do Coxa (Foto: AI CAP)

O Atlético venceu o Atletiba 354 por 3-1, com seu time Sub-23 e garantiu: haverá final no Paranaense 2013. Na mesma tarde, o Londrina fez 3-0 no J. Malucelli e segue vivo na competição.

Os meninos do Furacão confirmaram a ótima fase e estão próximos de serem a grande surpresa do primeiro semestre no Brasil. Com a diretoria atleticana investindo numa pré-temporada longa para o elenco que irá disputar o Brasileirão – e também por razões políticas – o elenco jovem do Rubro-Negro surpreendeu o tarimbado time de Alex e só depende de si para chegar à decisão; para o Coxa, uma sinuca de bico: pega justamente o Londrina na última rodada do 2o turno. Se vencer, garante a decisão contra um rival que, se tem camisa, é franco-atirador; se perder, e contar com um tropeço do Furacão com o bom Operário (ainda na luta por uma vaga na Série D), pega o LEC na decisão tendo que encarar o terreno hostil do Café na finalíssima.

Londrina levou 15 mil pessoasno 3-0 sobre J. Malucelli (Foto: Tatiene Geremias/Twitter)

Seja como for, o campeonato paranaense poderá ter um tetra-campeão. Ou o Trétis campeão – no apelido popular do Furacão.

Leia também:

Atletiba 354: a pressão é do Coritiba

A Alexdependência tem outro nome

Torcida do Atlético-MG lança movimento pró-LGBT

Se o Coritiba for o campeão estadual, será tetra em sequência, o que não acontece desde os anos 70, quando foi hexa. Se o vice for o Atlético, será outro tetra – só que vice. O Furacão perdeu os últimos três estaduais para o rival.

Se o Londrina for o campeão, será tetra na soma dos títulos da sua história. Campeão em 1962 (Coritiba vice), 1981 (Grêmio Maringá) e 1992 (União Bandeirante) o Tubarão pode dizer que é tetra – como o Brasil fez em 1994.

Se for o Trétis, será uma incorreção linguística. E será também uma volta por cima do contestado elenco Sub-23 atleticano, que faz um segundo turno brilhante e já tem o que comemorar. A diretoria do Atlético já pode dizer que 50% do projeto de 2013 deu certo, com a revelação de jogadores; os outros 50% dependem do sucesso do elenco principal.

Seja como for, ao vencer o Atletiba 354, Mário Celso Petraglia já pôs uma pulguinha na orelha de todos que acompanham o Campeonato Paranaense.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Atletiba 354: a pressão é do Coritiba

Londrina e campo hostil? Atlético e rivalidade histórica? Só escolher.

O Atletiba 354 promete ser um dos melhores dos últimos tempos. Não faltam motivos pra isso: a invencibilidade recente (10 jogos no Paranaense, 12 no geral) do Atlético, com seu time de garotos, pegando um Coritiba reagindo depois de um segundo turno instável e com a oportunidade de ver Alex em campo. Rivalidade, história e até mesmo a Vila Olímpica, um dos estádios mais agradáveis de Curitiba (ainda que só para 8 mil pessoas, mas esse é outro papo), completam o cenário. Mas, de tudo isso, um elemento a mais põe fogo no duelo: o Coritiba, já garantido na final, tem remotas chances de conquista direta, com o título do segundo turno; entretanto, pode “escolher” o adversário da decisão, pois pegará os dois possíveis rivais em sequência: o Furacão e o Londrina.

A pressão em cima do Coxa é multipla: enfrenta um time inexperiente (mas perigoso), num clássico em que as camisas têm o mesmo peso e em um campeonato em que o presidente atleticano faz questão de menosprezar. De fato, tudo isso é apenas psicológico: a pressão mesmo no Coritiba é porque é dele que depende a definição do título estadual. Pode pegar um adversário perigoso, mordido, e sem vantagens de mando de campo; pode pegar o maior rival, que se tem um time jovem e está sem estádio, tem camisa. 

Em síntese: o Coxa depende apenas de si para facilitar a própria vida. Ou complicar.

Leia também

Pela Copa, Corinthians vai manter patrocínio na camisa

Papo Aberto 1: Sérgio Soares

O dia em que Washington e Lincoln caíram em Brasília

O Atlético tem 23 pontos, um a mais que o Londrina, vice-líder; o Coxa, terceiro, tem 18, cinco a menos que o maior rival.

Se vencer o Atletiba, o Coxa permite que o Londrina (que na rodada do clássico encara o 4o colocado J.Malucelli) ultrapasse o Rubro-Negro. O Tubarão é, atualmente, o melhor time do campeonato na soma dos turnos. Vice-campeão do 1o turno, o LEC tem os mesmos 45 pontos do Coxa no geral, mas uma vitória a mais. Na última rodada, Coxa e Londrina se enfrentam em Curitiba, enquanto o Atlético visita o bom – e perigoso – Operário, em Ponta Grossa. Em um cenário de vitória do Londrina, o Coxa jogará com o próprio, na última rodada, pelas vantagens na final. Vencendo novamente, ganha as vantagens contra qualquer rival – o Furacão passaria a precisar de uma vitória simples contra o Operário para vencer o turno; se não o fizer, o LEC leva, mas sem vantagens. Pode até ser campeão, se o Atlético perder para o Fantasma e o Londrina não tiver vencido o Jota.

Se o Atletiba terminar empatado, o Furacão pode perder a liderança para o Londrina, que por sua vez asseguraria as vantagens com uma vitória; aí o Coritiba teria que vencer também o Londrina na última rodada, torcendo para o Atlético derrotar o Operário. Desta forma, decidiria em casa na última partida. Mas pegaria o maior rival na final, com um time franco atirador.

O mesmo vale para uma vitória do Atlético no Atletiba 354. Se derrubar o rival, o Furacão ganha moral e bota ainda mais pressão no Coritiba, que passa apenas a assistir a decisão do turno. O Atlético, aliás, pode passar de azarão – pelo elenco Sub 23, nunca pela camisa – à campeao antecipado do turno: basta que o LEC perca para o J.Malucelli.

Agora, a grande pergunta: diante de tudo isso, existe como facilitar a vida dentro de um dos clássicos com mais rivalidade no Mundo?

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida

Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

A Alexdependência tem outro nome

“Alexdependência” é o termo da moda para se falar do Coritiba. O time do criticado Marquinhos Santos tem tido dificuldades no Estadual para convencer a torcida – ainda assim, ganhou o primeiro turno com alguma folga e segue invicto. Como o futebol não perdoa, os dois empates na saída do returno já bastaram para as várias cobranças. É bem verdade também que esperava-se mais do Coxa no Atletiba #353 e que o time ganhou algumas partidas sem jogar bem: J. Malucelli e Toledo, além dos empates com ACP e Operário – três dos jogos no Couto Pereira.

De uma maneira ou de outra, só nas cinco partidas citadas acima, Alex foi decisivo. É uma ilha de bom futebol no mar de inconstância alviverde. Daí o surgimento do termo. Mas, com alguns reforços que chegaram ao clube – como o próprio Alex, Deivid, Arthur, Julio César, Botinelli e outros – o time não deveria estar jogando mais? Não.

A “Alexdependência” atende pelo conhecido nome de desentrosamento. Ou, num panorama mais global, reformulação. Para confirmar a teoria, pesquisei os times-base do Coxa nos últimos quatro anos. A base iniciada em 2009 rendeu um título nacional da Série B, três estaduais e dois vice-campeonatos da Copa do Brasil. Os dados apontam os jogadores mais frequentes na equipe em momentos decisivos. Alguns não completaram a temporada citada pelo clube. O time de 2013 é o que esteve em campo contra o Cianorte (2-0) no dia 17 de março. Confira:

Ano após ano, o Coxa manteve uma base com poucas mudanças em relação à última temporada. O estilo de jogo de Ney Franco foi mantido por Marcelo Oliveira, que aos poucos foi dando sua cara ao time; as peças que saíam, com exceções pontuais, procuravam ser repostas dentro de uma característica. Com Marquinhos Santos, já no Brasileirão 2012, o projeto seguiu. Mas voltando bem no tempo, percebe-se que apenas quatro jogadores da espinha dorsal entrosada e vitoriosa estão na equipe.

Leia também:
15 minutos com Rafael Cammarota
Paraná Clube na Bolsa de Valores: entenda os riscos e as possibilidades
Londrina x Coritiba: rivalidade e boas histórias desde 1959

Sim, existem outros que permanecem e já atuaram como titulares em algum momento – caso de Gil – ou estão apenas machucados – caso de Emerson; mas a tabela acima, mostrando as mudanças graduais batem com a teoria: o Coxa ainda é um time em formação. No entanto, carrega nas costas alguns problemas: a desconfiança criada por setores sobre o trabalho de Marquinhos Santos, jovem na profissão; a chegada de Alex, que criou na cabeça dos torcedores a ideia de se ver um futebol mágico; as conquistas recentes e a ausência de um grande antagonista no Estadual, o que em tese deixam as coisas  mais fáceis; e, por fim, o pouco tempo de existência deste novo time, que atua junto apenas desde 31 de janeiro, quando os principais jogadores entraram em campo. Menos de dois meses, portanto.

Não é preciso girar muito no País para ver que outros clubes também tem a sua dependência: Neymar e o Santos, Bernard e o Atlético-MG ou a mais sentida entre os times da Libertadores: Lucas e o São Paulo, que ainda não aprendeu a viver sem ele. Prova de que é normal apostar e depender do craque. Mas, no momento, o que existe no Coritiba é uma reformulação e desentrosamento – que pode até não vir, mas é cedo para dizer qualquer coisa.

O outro “menino de ouro” do Coritiba agora é rival

Domingo será um dia especial para o meia Alex. Será a chance dele conseguir o primeiro título – ainda que apenas simbólico – com a camisa do Coritiba. O “Menino de Ouro” do Coxa deixou o clube ainda na época das vacas magras, em 1997, e nunca foi campeão pelo clube. Desde que deixou Curitiba rumo primeiro à São Paulo, depois a outros lugares no planeta, muitos “meninos de ouro” foram surgindo no Alviverde. Dirceu foi um deles.

Dirceu, de costas com a 5, na campanha da Copa SP 2007 (Foto: Coxanautas)

O então volante apareceu para a torcida coxa-branca na Copa São Paulo de Juniores de 2007. Logo na estreia, marcou 3 gols, chegando ao ataque com facilidade. Era também o cara das bolas paradas daquela equipe, que no profissional teria um ano difícil pela frente, com a queda para a Série B dois anos antes e não subira para a elite na primeira tentativa, com um time de astros. Todos os olhos estavam voltados para a base.

O Coxa deixou a Copa São Paulo nas oitavas. Dirceu iria demorar até ter chances no clube. Paranaense de Ibaiti, o então menino foi orientado a jogar como zagueiro – não se adaptou. Teve algumas chances com René Simões. Caiu no ostracismo e chegou a ser escalado de sopetão no Atletiba #342, vencido pelo Coxa por 3-2 no Brasileiro de 2009. Ambos estavam em situação difícil e o clássico parecia um divisor de águas. Derrotado, o Atlético se reinventou e escapou da queda; vitorioso com gol no último minuto, o Coxa se perdeu no elenco e acabou caindo novamente para a Série B no fatídico seis de dezembro.

Ao chegar no vestiário após o jogo contra o Fluminense, Dirceu, às lágrimas por vivenciar uma nova queda em seus 15 anos de clube, se deparou com uma cena que revoltou a ele, Edson Bastos e mais alguns atletas com identificação com o Coxa: um dos principais jogadores daquele elenco já estava de banho tomado e sorridente, abraçado com um conterrâneo e seus vários amigos, comemorando a transferência para um grande clube paulista. Houve bate-boca e ameaça de briga, contornada pela turma do deixa disso. Os “astros” deixaram o clube; Dirceu, Bastos e outros ficaram e o resto da história é conhecido.

Ainda assim, de “menino de ouro” a zagueiro com presença irregular na equipe, Dirceu nunca brilhou pelo Coritiba. A cada temporada, a cada técnico, o jogador acabava preterido no elenco. Mesmo quando agradava a alguns técnicos, não estava nos planos do departamento de futebol. Por isso, foi emprestado a Avaí, América-MG e agora, Londrina. Aos 25 anos, é considerado um dos pilares do Tubarão, ao lado de Germano e Celsinho. Ficará no LEC até maio – pelo menos.

Quis o destino que no próximo domingo Dirceu encarasse Alex na missão de impedir o ídolo de todo menino da base coritibana de conquistar o direito de tentar o primeiro título de sua vida como coxa-branca. Quis o destino que a primeira final em 21 anos para o Londrina de Dirceu passasse por um duelo contra o Coritiba que o formou. Coisas da vida, coisas do futebol.

E o Coxa com isso?

O Atletiba 353 terminou 2-1 para o Coritiba, mantendo um tabu de 5 anos no Couto Pereira e colocando o Coxa na rota de colisão do Londrina (por essa a FPF não esperava), cujo encontro será justamente na última rodada do primeiro turno. Enquanto o Atlético discute se o Estadual vale ou não, se o time Sub-23 é bom ou não, o Coxa terá um adversário difícil no primeiro duelo na busca pelo tetra.

Não vou falar do jogo que não vi, mas não vou me prender só ao resultado. A verdade é que o Coritiba se deixou levar um pouco pelas opções atleticanas, pro bem e pro mal. Explico: tanto faz o time que entraria em campo pelo rival; era Atletiba, valia a liderança do campeonato. Por isso, nem a frustração da (exagerada) expectativa por goleada é correta, nem deve-se deixar de entender o que faltou para tanto. Afinal, vem aí um Brasileirão e, salvo se o controle de jogo da equipe estiver extremamente afiado, a queda de desempenho nas segundas etapas dos jogos deve ser melhor avaliada.

Não foi o primeiro jogo em que o Coxa reduz a marcha no segundo tempo – e afirmo isso pelos relatos das rádios que ouvi, me permitindo ser corrigido pelo amigo leitor. O Paratiba foi outra prova. Contra o Toledo, no entanto, o time foi avassalador na primeira etapa e caiu de ritmo no segundo tempo, permitindo-se até tomar um gol – o que também aconteceu no clássico. É controle total de jogo ou descompasso? Por ora, vamos entender que seja o primeiro. Afinal, também deve se pensar se uma goleada no clássico seria realmente benéfica ao Coritiba. Em 2011, contra o Palmeiras, não foi; depois, pra que despertar um rival em desleixo no Estadual?

Sendo mais crítico, vamos assumir que seja. O teste contra um Atlético desfigurado, três pontos acima da zona de rebaixamento e com saldo negativo, foi abaixo da média. Em dois minutos, aproveitando-se da inexperiência do rival, o time abriu 2-0. Depois, Deivid se envolveu em confusão e foi expulso novamente (já havia sido contra o Toledo). Acabou tomando o gol muito mais pelo brio dos meninos atleticanos do que por uma real ameaça, pelos relatos. Mesmo assim, com 10 contra 10, o jogo foi mais equilibrado. Agora, enfrentará um ataque forte e um time mais maduro, com torcida grande contra. O Londrina de Germano e Celsinho, com o Café lotado, não é de se matar com a unha.

O Coritiba de Marquinhos Santos tem sido pragamático. Há uma expectativa de se ver mais do que tem sido apresentado, mas enquanto o time estiver vencendo, não há muito espaço para questionamentos. Mas e se o fio virar? Impressionar é necessário ou não? Se os resultados faltarem a reflexão sobre o nível técnico para o Brasileiro vai aparecer. E aí o Coritiba pode se deixar levar novamente pelas decisões que os rivais tomaram para o Estadual.

Atletiba #353: o duelo dos ícones

Um representa uma mudança da água para o vinho, numa relação conturbada, mas que reposicionou o status quo do Furacão nacionalmente; outro é um ídolo em campo, que saiu jovem e se consagrou fora do Coxa, mas voltou trazendo consigo um orgulho imenso de ter escolhido o clube do coração em detrimento de propostas melhores.

Na história recente do Atlético, ninguém é mais importante que Mário Celso Petraglia.

Na história recente do Coritiba, ninguém é mais importante que Alex.

No domingo, ambos vão voltar a disputar um Atletiba. Será também um choque de ideais: a tentativa de Alex em ser campeão pela primeira vez com a camisa alviverde contra a estratégia de Petraglia em preterir o Estadual por uma pré-temporada. Com isso, mandará uma equipe Sub-23 para o jogo. Alex é midiático, atrai atenções; Petraglia é avesso à mídia – desde que ela o questione.

Alex simboliza o Coritiba de hoje melhor do que qualquer outra pessoa. Petraglia é o homem a frente do Atlético, gostem ou não, concordem ou não – e esse é exatamente o seu estilo. Eles já se encontraram antes.

Em 1995 ambos começaram a ganhar notoriedade. Alex deixou o Coxa no início de 1997, em tempo de disputar dois Atletibas pelo Estadual. Rodou o Mundo: Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro, Parma, Fenerbahçe. Petraglia foi presidente do Atlético de 1995 a 1998, deixando o cargo para Nelson Fanaya, Ademir Adur e o campeão brasileiro Marcus Coelho. Voltou em 2002, dividindo a presidência com João Augusto Fleury da Rocha, deixando o clube em 2008, depois de eleger – e romper – com Marcos Malucelli. Voltou no ano passado.

Ambos têm vantagem nos duelos contra o rival. Domingo, um em campo, outro nos bastidores, escreverão mais uma página desta rivalidade sem fim.

*Somente partidas pelo Coritiba

Alex, o Messias

por Rodrigo Salvador*

Quando Alex foi anunciado como jogador do Coritiba, em 18/10/2012, eu escrevi algumas linhas sobre o significado daquilo. Falava sobre a volta “profetizada” nas arquibancadas, naquele que seria o auge de toda uma geração que começou a torcer pro Coritiba pouco antes de 1995. Eu sou dessa geração. E o cumprimento da profecia no jogo de sábado, apesar de (pretensamente) amistoso, me deixou tão ansioso quanto nas recentes finais de Copa do Brasil.

O mundo em 1995 era outro. Todo mundo sabe o que aconteceu desde que Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência, que os Mamonas Assassinas foram lançados ao estrelato, que o Guns’n’Roses acabou pela primeira vez, que o Mike Tyson saiu da prisão, que Forrest Gump ganhou o Oscar de melhor filme, que a Malhação começou e que Os Trapalhões acabou. O que quero contar a vocês aqui é um pouco mais restrito, coisas que não estão na wikipédia e não estarão em nenhum outro link da internet.

Em 1995, eu era um aluno da quarta série de uma escola de bairro; hoje, formado em Matemática Industrial e funcionário público. Meu irmão, hoje engenheiro civil, estava saindo do Prezinho. Meu pai era frequentador esporádico de arquibancada, coisa que não faz há uns 9 anos. Minha mãe esteve no Couto uma vez, e hoje contabiliza quatro idas. Minha namorada tinha 3 anos, e sequer pensaria em ir ver o Coxa ao vivo tantas vezes quantas foi. Lorenza, hoje com 5 anos, não era nem um sonho. Alex era Alex, e hoje é Alex.

A presença de cada um destes teve seu simbolismo na tarde de sábado. Especialmente meu pai, que me levou pra ver o Alex em 95, e agora eu pude retribuir a gentileza. E a Lorenza, que foi ao seu primeiro jogo na vida, levando nas veias o sangue do Fedato – sim, AQUELE, bisavô dela. Eu tenho um fraco por crianças em estádio, porque toda vez que vejo um pirralhinho com o pai, lembro dos meus dias de “aluno”, aprendendo os caminhos mais seguros, as músicas da torcida.

Na hora dos fogos, eu pude ver nos olhos da Lorenza o mesmo brilho dos meus quando vi as torres de fumaça na frente da Mauá no meu primeiro jogo em 95. Foi nos meus braços que ela comemorou seu primeiro gol no Couto, enquanto eu corria pelo terceiro anel, que ela tinha acabado de pedir pra conhecer. E mais do que isso, proporcionei este momento à bisneta do maior jogador da história do meu time. E o fiz ao lado do homem que fez o mesmo comigo.

E tudo isso com Alex no campo. Alex que arrasta quatro torcidas aos pés. Que colocou Turquia e Brasil em sintonia. Que tem um caráter que poucos homens no futebol e no mundo têm. Que inspira famílias a voltarem ao Couto. Que fez uma sessão de autógrafos prevista pra uma hora durar quatro. Que motivou a Lorenza a chegar em casa, olhar pro avô e dizer: “Vô Dinho, sabe a história do Alex? Então, ELE VOLTOU!”.

Salvador, Lorenza e Alex, num sábado com gosto de infância

A volta do Alex, em suma, simboliza a fé no futebol. Lamento porque quem acredita em um futebol que começa e termina com apitos e se restringe a linhas de cal. O futebol é um sentimento, tal qual amor, compaixão e raiva. É abstrato, não me venham tentar provar o contrário. O futebol existe e eu acredito nele. Sábado, com Alex no campo e minha família na arquibancada, eu pude mais uma vez dimensonar o futebol: ele começou, mas não vai acabar.

*Rodrigo Salvador dos Santos, 27 anos de vida e 16 de arquibancada. Coxa-branca e, nas horas vagas, analista de sistemas. Talvez o único bacharel em Matemática Industrial de quem você tenha conhecimento. Fã do Hagi, do Leandro Donizete e do Claudio Caçapa.

Prazo de validade

Existe uma corrente no Coritiba que defende a saída de Felipe Ximenes do departamento de futebol do clube. Parte da torcida apoia e aquele ciclo de críticas é iniciado. Convenhamos, o Coxa brigou para não cair no Brasileirão, muito embora o que ficará para a história é o 13o lugar: nem lá, nem cá. Para alguns, o ciclo de Ximenes no Coritiba acabou. É hora de mudar.

Quando se propõe a saída de um profissional no futebol, a pergunta que sempre me vem a cabeça é: e quem assume? A partir dessa reflexão, é possível entender se as críticas são gratuítas ou se há uma necessidade real de mudança. Afinal, todos querem o melhor para si – no Coxa não é diferente –  e se o profissional em questão já não é o top no mercado, nada mais sugestivo que mudar, certo?

Ou não. Primeiro que no caso de Felipe Ximenes, isso não se aplica. Basta olhar um pouco além das divisas paranaenses para entender que quando clubes como Internacional e Flamengo o procuram, tops que são, certamente querem o que há de melhor. Ximenes é atualizado e sempre convidado a estar em palestras, circulos de discussões sobre gestão no futebol, etc. Ao lado de Rodrigo Caetano, é o principal nome brasileiro no segmento até então.

E isso porque, por mais que o coxa-branca não queira reconhecer, pegou um time do segundo escalão nacional e conseguiu resultados que poucos do primeiro escalão conseguiram, com menos dinheiro do que 12 outros clubes recebem, por um motivo ou outro. Deixou para trás São Paulo, Grêmio e Internacional, por exemplo, parando em duas decisões de Copa do Brasil contra Vasco e Palmeiras, que tiveram seus méritos na conquista, mas contaram com atuações ruins dos árbitros nos jogos das finais. Não fosse isso, talvez pudesse ter coroado a remontagem de um clube após os episódios de 2009 com ao menos um título nacional. Se é pouco, superou o maior rival em três estaduais e ainda levantou uma Série B no processo. Tudo isso com muito menos verba que alguns privilegiados, como Botafogo e Atlético-MG.

Atribuir um prazo de validade para Felipe Ximenes no Coritiba é um contra-senso. É não reconhecer as limitações do clube – o que nem de longe significa pensar pequeno. Com a verba que tem, Ximenes montou bons times. Se não atendeu a todos os anseios da torcida, é bom lembrar que outros com mais força também não o fizeram. Só um vence.

O fim do ano foi melancólico sim. Muito mais pela surpresa de quase se ver envolvido no risco de queda mais uma vez, acentuado com um resultado desastroso em SP contra o Corinthians (1-5). Uma noite ruim contra uma equipe que vai decidir o Mundial de Clubes, com a maior verba da TV e o maior patrocínio de camisa do País. Pensando bem, talvez haja um exagero na avaliação da desagradável goleada.

O Coritiba, com dívidas trabalhistas e no INSS, tem feito o possível para manter-se competitivo. Ximenes é o articulista principal desse desafio. Qualquer entrevista com Alex, ídolo que retornou, e se perceberá a importância da direção de futebol, respaldada pelo clube. Não se sabe se o time de 2013 será vitorioso. Mas percebe-se uma movimentação. O trabalho a longo prazo, cantado pela diretoria em 2009, está apenas na metade. Essa compreensão é importante, baseada nos fatos acima.

De todo modo, a opinião é livre. Só que é preciso coerencia. Criticos dizerem que o prazo de validade esgotou-se apenas pelo tempo é o mesmo que assumir que é impossível ficar no mesmo emprego por mais de 5 anos. Teremos pedidos de demissões em massa em Curitiba? Creio que não.

Couto Pereira, 80 anos: 5 grandes jogos e uma rica história

Nesta terça (20) o 5o maior estádio particular do Brasil completa 80 anos. Inaugurado como Belfort Duarte e depois de remodelado chamado Couto Pereira, em homenagem ao major do exército que presidiu o Coxa e idealizou a reforma, o estádio recebeu inúmeros grandes jogos e momentos inesquecíveis.

Toda essa rica história será contada em um livro a ser lançado em 2013, idealizado pelos torcedores Anna Gobbo e César Caldas, em parceria com o Grupo Helênicos. O livro está em fase de produção e vai retratar tudo sobre o estádio, como conta Caldas. “Serão quatro partes. A primeira relata todas as fases, desde as negociações para a compra do terreno até as reformas mais recentes, abordando também aspectos urbanísticos, arquitetônicos e sociais. O segundo reunirá crônicas de até 50 linhas em que os colaboradores relatam sua relação emocional com o estádio. A terceira terá os 30 eventos mais significativos: jogos importantes do Coxa, da Seleção e mesmo de rivais aqui da cidade, missa do Papa, show do Iron Maiden Phillips Monsters of Rock, chegada do Papai Noel em evento da Prefeitura para mais de 26 mil crianças, etc.”

Tive a honra de ser convidado a colaborar com um artigo sobre o estádio onde tive meus primeiros contatos com o futebol e passei muitos domingos até me tornar jornalista (quando passei a ir não somente aos domingos, hehe).

Até que a obra saia, o blog apresenta uma pequena lista dos 5 maiores jogos da história do Couto Pereira – claro, na minha visão. Convido você a fazer a sua nos comentários abaixo.

5 – Atlético 2-0 Flamengo, 1983. Até hoje, o recorde de público do estádio, quando 67.391 pessoas* passaram as catracas para ver o duelo rubro-negro na semifinal do Brasileirão. O Flamengo de Zico segurou o Atlético de Washington e Assis, que precisava de mais um gol, e foi à decisão.

Reportagem da TV Globo/RPCTV

*Fonte: RSSSF Brasil.

4 – Coritiba 0-0 Atlético, 1978. Última partida dos três Atletibas que decidiram o Estadual daquele ano. Nos pênaltis, Manga, que usou de um curioso artifício (veja no vídeo abaixo) parou o Furacão e deu ao Coxa o 7º de 8 títulos que o Alviverde conquistaria entre 1970 e 79. Mais de 150 mil pessoas viram os três 0-0 da sequência final.

Reportagem da CNT

3 – Coritiba 5-1 Atlético, 1995. O massacre coxa-branca na páscoa, que deu origem a revolução atleticana, culminando na construção do outro grande estádio da cidade, entre outras. Até então, o Couto Pereira era palco absoluto dos grandes jogos em Curitiba. A mudança no Atlético – novo estádio, CT, entre outros – gerou mudança no Coxa e ambos voltaram à Série A no final do ano.

Reportagem TV Globo

2 – Coritiba 3-2 Vasco, 2011. Primeira das duas decisões que o Coxa fez na Copa do Brasil entre 2011 e 12. Pelo ineditismo (os títulos nacionais do Coxa sempre foram ganhos fora de casa), pela emoção e pelos 5 gols, a decisão mais marcante do clube em casa.

1 – Brasil 2-0 Chile, 2001. Mal nas eliminatórias, a Seleção Brasileira procurou refúgio no Sul do País (depois ainda foi à Porto Alegre) e o Couto Pereira recebeu o jogo que simboliza a arrancada rumo ao Penta. Edilson e Rivaldo marcaram.

https://www.youtube.com/watch?v=Wv0b9Q8FjBI&playnext=1&list=PL700C050025F6A887&feature=results_main

Clique para ver o jogo completo (qualidade ruim)

Coritiba disputa prêmio mundial de marketing nesta quinta

O Coritiba pode receber nessa quinta um prêmio internacional pela campanha de marketing “O mais vitorioso do Mundo” (clique para conhecer a campanha), que valorizou o feito das 24 vitórias consecutivas em 2011, recorde mundial registrado no Guiness Book of Records e deu o pontapé para uma campanha de associação ao clube, que chegou a ter 30 mil sócios no auge.

O Football Business Awards, promovido pela primeira vez neste ano pelo Chelsea, reconheceu o Coxa como um dos clubes com mais sucesso em estratégia envolvendo venda de entradas e mídia externa no Mundo, categorizando o clube brasileiro na série “Overseas” (além-mar), concorrendo com os não-ingleses Zenit (Rússia), Club Brugge (Bélgica), Internazionale (Itália) e Colorado Rapids (EUA).

O blog foi atrás dos concorrentes do Coxa e apresenta duas das campanhas abaixo.

Colorado Rapids – #OneClub

Os Rapids, dos EUA, lançaram uma campanha em que os compradores dos season tickets ganhavam o direito de colocar o nome na camisa do clube.

“É uma única e especial oportunidade de ter nossos leais torcedores no gramado com nossos jogadores por toda a temporada”, explicou no lançamento da campanha o presidente dos Rapids, Tim Hinchey.

A camisa do Colorado Rapids, com os nomes dos torcedores

Zenit St. Petersburg – Ação no metrô e nas ruas

O Zenit, que hoje conta com o brasileiro Hulk, lançou uma campanha com posteres nas ruas e nas estações de metro de São Petersburgo, segunda maior cidade da Rússia.

A campanha convocava os torcedores a se juntar a força do Zenit nos jogos do clube. Veja um dos posteres e o vídeo (em russo), clicando na imagem:

Zenit pediu apoio aos torcedores valorizando a força conjunta à torcida

Inter de Milão e Club Brugge não disponibilizaram em seus websites a campanha com a qual concorrem.

O resultado será conhecido na noite desta quinta-feira, em Londres.