Reflexo do rebaixamento, Atlético perde também no PPV

O site do Atlético divulgou os números que o clube recebeu da Globosat sobre a venda de pacotes Pay-Per-View em 2012. E o que percebeu-se é que não somente durante a “diáspora” rubro-negra o torcedor andou meio ausente.

Se a média de público do clube em Paranaguá girou em torno de 2 a 3 mil pessoas, imaginava-se que o atleticano tivesse aderido ao PPV para acompanhar o clube – o que não aconteceu.

De acordo com a tabela emitida pelo grupo de comunicação e publicitada pelo próprio clube, o Furacão despencou da 13a posição em 2011 para o 19o lugar em vendas nessa temporada.

O Coritiba, que quase chegou à Libertadores em 2011 mas não faz boa campanha em 2012, manteve-se na 15a posição em vendas de pacotes. Veja a tabela completa* e, logo abaixo, a análise:

Relegado à uma divisão inferior após 17 anos, vice-campeão estadual e com um começo claudicante na Série B, o Rubro-Negro perdeu praticamente um terço da arrecadação em PPV. Na contramão do rival até a metade deste Brasileirão, o Coxa teve um acréscimo nas vendas dos pacotes, mas não o suficiente para melhorar sua posição no ranking nacional.

Vice-campeão da Copa do Brasil por duas temporadas seguidas, pode-se imaginar que o crescimento em vendas veio com o tri-estadual e as boas campanhas na Copa, mas com o início claudicante no Brasileirão, o interesse esvaziou.

Numa análise global, percebe-se que o torcedor gosta mesmo é de time vencedor.

Maior torcida do Brasil, o Flamengo perdeu 10% da arrecadação com a campanha ruim que faz. O mesmo vale para o Palmeiras. Mal no Brasileirão, o time paulista perdeu duas posições e quase 30% do valor de vendas.

Já o Atlético-MG, que faz grande campanha, mostra a força nacional que tem e está catapultado ao 4o posto em vendas. O Galo, de acordo com a última pesquisa de torcidas do Datafolha, tem a 10a maior torcida do Brasil. O mesmo vale para o Vitória. O líder disparado da Série B praticamente dobrou seu volume de vendas em relação à 2011.

*Os números divulgados contemplam apenas os 18 clubes com contrato renovado por três anos na cisão do Clube dos 13.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 19/09/2012

“No futebol é diferente”
Um dos principais estigmas de um administrador ao entrar no mundo do futebol é romper o folclore de que, por mais bem sucedido que o profissional seja, na gestão dos clubes, será diferente. Como diria o famoso narrador, ‘não é, mas é’. E o é porque os clubes permitem isso: volta e meia diferenciam o trato com os jogadores, mesmo em detrimento de outros profissionais. Resultado? Caem na armadilha dos “boleiros”, que ainda têm espaço em um esporte a cada dia mais profissional.

Marcelo Oliveira, Felipão, Passarela…
Que o time do Coritiba tem uma defesa ruim (perdoe-me Emerson, mas você está sozinho desde que Gago e Donizete foram embora) e esse é o real problema todo mundo, até Marcelo Oliveira, está careca de saber. Mesmo assim o senso comum indicava: o ex-técnico coxa tinha de ser demitido. Doeu em Vilson Ribeiro de Andrade a ação. Administrador nato, Vilson acredita na continuidade do trabalho das pessoas. Evita demitir. Entende que ter um funcionário-padrão, que entende as necessidades do clube, é “low-profile”, conhece o sistema e já está ambientado à cidade seria muito mais útil. Mas não pode mandar embora 30 jogadores – ou ao menos 10 a 12 que não vinham rendendo. Primeiro, porque é mais fácil cortar uma cabeça do que tantas; depois, não esqueçamos, porque os jogadores são moeda. Sobrou para Marcelo Oliveira, que já está no Vasco. Um time de estrelas do Corinthians em 2005 só rendeu quando Daniel Passarela saiu do comando. O Palmeiras, algoz coxa nesse ano na Copa do Brasil, foi de campeão à virtual rebaixado sob o mesmo comando. O rendimento das equipes caiu assustadoramente quando o discurso do técnico cansou. O que é lugar comum no futebol teria espaço na sua empresa? Como você agiria, sendo chefe, com uma equipe assim? Sairia, trocaria o comando ou as peças? Aqui está o tabu: jogadores derrubam técnico sim. E às vezes até o clube, como foi no indolente Atlético de 2011: sem comando diretivo, largado às festas e às traças.

Há saída?
Primeiro analisar friamente cada situação antes de cobrar indiscriminadamente. Tem vezes em que a diretoria é letárgica (como vai, Malu?) e as coisas acontecem debaixo do nariz. Outras vezes age, mesmo a contragosto, mas nem sempre tem o resultado – o problema pode ser outro. Fundamental é identificar e atacar o mal. No geral o que precisa mudar é a mentalidade de quem comanda e quem obedece: jogador de futebol é trabalhador como qualquer outro. Uns melhores, outros piores; uns ganham mais (e normalmente valem quanto pesam) outros menos e isso deve ser encarado numa boa: em qualquer serviço há hierarquia e meritocracia (ok, muito puxa-saco se dá bem por aí, mas até quando?). Claro que não adianta estar fora de forma ou ser grosso, mas nominando: Paulo Baier e Pereira são bons profissionais e, não à toa, tem carreira bem sucedida e longa. O melhor exemplo nacional hoje é Seedorf: longevo e de qualidade, não se omite e colabora com o Botafogo em todas as áreas. O futebol agradece.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/09/2012

“Futebol Paranaense Forte”

Meu Amigo Pedro*

O título dessa coluna vinha impresso nos ingressos da FPF na minha infância. Era uma demonstrar a vontade de evoluir que os clubes paranaenses tinham. Até então apenas um título nacional de elite, o do Coritiba em 1985. Pouco, muito pouco. E Séries B e C a parte, melhorou pouco até os dias de hoje. Como explicar que um Estado com o 5º maior PIB do Brasil, uma capital maior que Porto Alegre, pode estar tão abaixo dos quatro acima? É Pedro, as coisas não são bem assim.

“A rodada foi histórica para o futebol do Paraná”

Foi a partir de uma série de comentários de colegas sobre o desempenho dos paranaenses na rodada do feriado passado que comecei a pensar: como assim, histórica? Negativo. A frase, oriunda das quatro vitórias de Coritiba, Atlético, Paraná e Cianorte (da A pra D, ok?) é puro POPULISMO. Isso mesmo cara pálida, populismo e dos baratos. Cada clube tem sua realidade, são concorrentes de mercado, ganhou apenas por si. A hipocrisia do “todos contentes” só serve pra mascarar a eterna mania de puxar o tapete do vizinho. Histórico mesmo seria um movimento por um campeonato estadual com menos datas e mais rentável. Seria ver os clubes unidos para que a Série Prata deste ano fosse antecipada e o retorno da Copa Sul; seria ver a Federação tomar partido pelos clubes na Copa do Brasil e na Libertadores, onde uns podem algumas coisas, outros não. Deixar de usar o futebol só como trampolim político. Ver o aluguel de um estádio ao rival para faturar, com ações de marketing que se alimentam da rivalidade. Dar apoio ao Cianorte para abrir mais uma vaga nacional – coisa que em São Paulo, o Mogi Mirim terá. Seria ver o futebol paranaense sério, trabalhando para render a Copa do Mundo, e não menosprezando e até contra o maior evento do futebol mundial.

Rivalidade, inteligência, construção

Nunca, em nenhum espaço de mídia que ocupei nesses 11 anos de carreira, preguei campanha para que o torcedor torcesse para o rival. Rival é rival. O que deve haver é uma compreensão do negócio futebol e a briga conjunta por interesse comuns fora de campo. Leio no blog do brilhante Leonardo Mendes Jr. (que trabalha no concorrente, mas e aí? Não é disso que estamos falando?) que o Paraná Clube espera as mesmas benesses do Atlético para deixar a Vila em condições de uso para a Copa. Ótimo, apoiado. Mas que o Tricolor não espere sentado e apontando o dedo. Onde está o projeto e o que pretende reivindicar a diretoria paranista? Há prospecção de seleções? Isonomia é para iguais: se há um projeto apto e consistente, rentável e de evolução, os direitos têm de ser dados. Senão será apenas um capítulo do “eu quero também, mas não sei como nem por quê.” Cresce, futebol paranaense.

*Meu Amigo Pedro, música de Raúl Seixas que diz, entre outras coisas, que é fácil criticar; difícil mesmo é ser.

Camisa 2 do Coritiba vaza na internet; clube não confirma, mas não nega

Algumas imagens da camisa número 2 do Coritiba vazaram na internet. Tudo é parte de uma estratégia da Nike para divulgar a camisa nova, cercada de expectativa, após o mal-fadado lançamento do uniforme 3, todo preto, que não agradou a torcida. Essa segue o tradicional modelo 2, a “jogadeira”, marcada pelo título brasileiro de 1985. As imagens chegaram até o blog que, é claro, “caiu” na armadilha do viral – não sem antes conferir a veracidade. A camisa acima não foi confirmada pela diretoria do clube como a oficial entre as imagens que circulam na web. Há um contrato que impede a confirmação oficial. Mas o mistério não passa do final de semana, quando ela estará em campo contra o Santos. Uma fonte confidenciou ao blog que o modelo acima é “o mais próximo” da real. Você gostou?

Update:

Acima, imagem que recebi de um leitor do blog, com a camisa nova já a venda, com um modelo muito próximo ao divulgado aqui, exceção já observada para a gola, que segue o padrão dos outros dois uniformes feitos pela Nike.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 05/09/2012


Baier, sempre ele

O Atlético ia se enroscando no Boa na volta à Curitiba. A armadilha do time mineiro funcionava e melhorou quando os visitantes saíram na frente. Mas no segundo tempo Paulo Baier saiu do banco e participou das principais jogadas da equipe. A virada veio com dois gols de Marcelo. Baier ainda é o craque deste time. Merece o reconhecimento e também o alerta: tem 37 anos e é um ídolo de uma época sem glória. O “velhinho” ainda resolve, mas não pode ser a única arma – o que já acontece há algumas temporadas.

Tardes no Parque

Demorou, mas a diretoria rubro-negra procurou o empresário Joel Malucelli e encontrou um sim – nota 10 para a negociação. E mesmo sem poder comportar todos os sócios, iniciou nova caminhada na Série B no Eco-Estádio, para 9.999 pessoas, à exceção de rodadas em que a TV requisite horário mais tardio que 15h e do Derby Paranaense, partidas que devem ser em Paranaguá. Os jogos serão sempre em horário comercial – atenção patrões para as desculpas de ocasião – mas mesmo assim o povão rubro-negro foi ver seu time. Jogar em casa fará a diferença ao final da competição.

Médico ou monstro?

Deivid chegou ao Coritiba. Não é a solução para o mau momento do time no Brasileirão, mas pode ser útil. O problema está na zaga. E nem digo zagueiros em si: os erros começam no meio, mais frágil e com menos retenção de bola que em 2011. Deivid tem o nome inspirado no antigo seriado “O Incrível Hulk”, o Golias Verde, cujo alter-ego na TV era David Banner – nas HQs, é Bruce. No blog napoalmeida.com, faço uma reflexão e convido você a visitar: o Flamengo abriu mão do atacante para apostar em Adriano (!). Deivid não é super-herói e não deve ser tratado como tal. É um jogador útil e que pode ajudar – mas não resolverá o principal problema alviverde: a defesa.

Frases

“Fomos roubados contra o Palmeiras” e “Não monto time para agradar torcedor”. Duas entre outras pitadas de sinceridade do técnico Marcelo Oliveira, do Coxa, ao jornalista Luís Augusto Símon, da Revista Trivela. Oliveira hoje reencontra Geninho, campeão brasileiro pelo Atlético e atual técnico da Portuguesa, que ao deixar o Couto Pereira derrotado por 0-2, reclamou a perda dos pontos para um “adversário direto na briga contra o rebaixamento.” Aguardemos as frases depois do apito final hoje à noite.

Seleção

Sexta tem amistoso da Seleção Brasileira, você sabia? O amistoso contra a África do Sul acontece em São Paulo quase um ano depois do Brasil atuar no país, em Belém, no 2-0 sobre a Argentina. Foram 10 jogos até essa volta. Jogando raramente em casa e com astros quase todos na Europa, qual a identificação do povo com a Amarelinha?

Deivid não é a solução para o Coritiba

Deivid: boa opção para o ataque, setor menos problemático do Coxa

A diretoria do Coritiba atendeu os anseios da torcida e trouxe um “matador” (e não era John Wayne, não presidente Vilson?): Deivid de Souza, 32 anos, o “Incrível Deivid”*, que estava no Flamengo.

Boa pedida, mas não é a solução para a má campanha do Coxa.

Primeiro, porque o ataque não é o principal problema do Coritiba. Aliás, sequer é problema: é o quarto melhor do Brasileirão 2012, com 32 gols (atrás de Atlético-MG, Fluminense e São Paulo e junto com o Botafogo). É verdade que nenhum dos atacantes alviverdes inspira confiança e a presença de um homem-gol pode ajudar nisso, mas não se pode cobrar produção ofensiva e sim defensiva.

Depois, porque o estilo de jogo do Coxa não gira em torno da presença de um atacante central. Basta ver a própria boa produção ofensiva. Quinze jogadores já balançaram as redes nesse campeonato. A bola gira no ataque do Coritiba, cuja principal arma é o toque rápido de bola, com Éverton Ribeiro, Rafinha e outros mais. Deivid chega com pinta de titular e pode obrigar uma mudança de esquema, o que pode ser ainda pior – o problema está no meio-campo, enfraquecido desde as saídas de Léo Gago e (principalmente) Leandro Donizete. Há quem defenda uma mudança para o 3-5-2, reforçando zaga e meio. Mas encaixar Deivid em um ou outro sistema é tarefa para Marcelo Oliveira (que deu ótima entrevista ao Blog do Menon, leia que vale).

Além disso, um detalhe não pode passar despercebido: Deivid foi liberado pelo Fla porque o clube fluminense acredita em… Adriano. Sim, o Imperador, cujos problemas médicos e extra-campo têm chamado mais a atenção do que os gols, ganhou espaço sem jogar a ponto de Deivid ser considerado dispensável – e o Mengão tá longe de ser um esquadrão em 2012.

Nessa temporada, Deivid marcou apenas seis gols em 22 jogos, nenhum no Brasileirão. O último deles foi contra o Americano, em 15/04, de pênalti, pelo Campeonato Carioca. Deivid chegou a marcar 5 gols seguidos nesse ano, entre Libertadores e Cariocão, mas depois de um gol perdido inacreditavelmente contra o Vasco, viveu uma seca que parou no gol contra o Americano e recomeçou em seguida. O gol perdido ganhou as redes sociais e, ao pesquisar por “gols de Deivid pelo Flamengo” em busca dos números, me deparei com 545 mil resultados sobre… o gol perdido. Que está abaixo:

Claro, é vida nova para ele no Coxa. Mas a contratação não aplaca o verdadeiro problema da equipe.

*Deivid foi nomeado em homenagem ao personagem da Marvel Hulk. A mãe de Deivid era fã do Gigante Esmeralda e foi na onda da TV, que modificou o nome original (e duradouro até hoje nos quadrinhos) de Bruce Banner para David Banner – sabe-se lá porque mudaram o nome do personagem. A história veio à tona ainda na época em que ele defendia o Santos e Deivid, artilheiro, chegou a ser apelidado de “O Incrível Deivid”. Relembre um trecho do seriado dos anos 80:

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 29/08/2012


Pela volta da competitividade

Chegamos à metade do Brasileirão 2012 e olhar para a classificação é quase o mesmo que olhar a divisão de cotas pagas pelos direitos de TV. A exceção do intruso Náutico (11º.), os 12 primeiros são aqueles que estão no eixo da grana: RJ-SP-MG-RS. O Palmeiras, que está fora, está também na Libertadores via Copa do Brasil. Os times citados tem divisão interna discrepante também. Atlético-MG e Botafogo, por exemplo, estão mais próximos de Atlético e Coritiba que de Corinthians e Flamengo. Mas os 12 recebem mais, aparecem mais, conseguem mais público, melhor patrocínio. E a roda vai girando, abrindo ainda mais o abismo. Desde 2003 (início dos pontos corridos), são seis títulos paulistas, dois cariocas e um mineiro. Rara exceção, o Atlético foi vice em 2004, posto que foi ocupado no período citado quatro vezes pelos gaúchos, duas vezes por paulistas e uma vez pelos cariocas. Traduzindo: é quase impossível furar o bloqueio assim, esvaziando estádios e diminuindo o interesse nacional, exceto pra quem está dentro. Caminho para a falência do principal esporte nacional.

Mas é o regulamento que está errado?

Sinceramente, não. Sem dúvida a fórmula de pontos corridos aponta o melhor. É básico: quem somar mais pontos depois de enfrentar todos os times dentro e fora dos próprios domínios, é mesmo superior. O problema está na formulação desse melhor time. O garimpo e a montagem dos elencos são desiguais. Rápido exemplo: o Coritiba descobriu Leandro Donizete na Ferroviária-SP; não teve como o segurar em uma melhor proposta. Hoje no Atlético-MG, é líder do campeonato ao lado de Ronaldinho, Jô, Victor, selecionáveis atraídos pela grana, e comanda a melhor defesa da competição – o Coxa tem a pior. E a distância vai aumentar em breve: com os estádios da Copa servindo também aos “gigantes”, o abismo será tão grande que não haverá mais como alcançar. São mercados desperdiçados e que serão quase falimentares, como Paraná, Bahia, Pernambuco – isso só para ficar entre os que têm campeões brasileiros entre si. Na Copa do Brasil, em fases eliminatórias, os clubes médios tem mais chance. Por isso, sem mudar o sistema de cotas, que volte o mata-mata.

A mudança: como e por quê

É claro que o Corinthians, por exemplo, merece ganhar pela exibição mais que o Atlético: tem mais torcida, dá mais audiência. Mas a divisão do bolo não precisa ser toda baseada nisso. Na liga mais rica do mundo, a inglesa, 56% do dinheiro é dividido igualmente entre os 20 clubes da elite, 22% do valor se baseia na classificação do ano anterior e outros 22% são divididos conforme o interesse midiático. O campeonato inglês é o mais forte entre os europeus e mesmo os clubes médios, como o Tottenhan, conseguem ter mais arrecadação que grandes espanhóis, como o Atlético de Madrid, que fica à margem de Barça e Real em negociação parecida com a brasileira. É bom para o futebol num todo e premiará a competência. Quem dará o primeiro passo?

Alerta Vermelho

Dezenove jogos já são mais que suficiente para avaliar uma equipe. Portanto, apesar de oscilar bons e maus momentos, dá pra dizer: o alerta vermelho está ligado no Coritiba.

O Coritiba me engana à toda hora. Foi campeão estadual com méritos, apesar dos questionamentos na tumultuada arbitragem local. Fez o que devia na hora certa, afinal. Chegou a uma decisão de Copa do Brasil pela segunda vez seguida, e contra um adversário em que era favorito, perdeu. Mas conseguiu um feito histórico e, pra quem atribui isso à tabela, lembro que São Paulo, Botafogo e Vitória tiveram a mesma oportunidade. No Brasileiro, faz bons jogos (Náutico, Vasco e Cruzeiro) e jogos horríveis (Botafogo, Sport e Figueirense); desperdiçou nova Sul-Americana, mesmo jogando bem, se entregando ao Grêmio no minuto final. Não nos permite avaliar se é bom ou ruim. Apenas de que é irregular demais.

Mas o alerta tem base numérica. Essa é a classificação final do primeiro turno em 2011:

O primeiro time fora da ZR era o Bahia, com 20; o primeiro a cair, era o Atlético, com 18. Dos três da ZR em 2011, só o Atlético-MG escapou. O Coxa, em 2012, tem 19 pontos:

Está com uma folga maior (3 pontos) do que o Bahia tinha o ano passado – e tem até o próprio Bahia entre a ZR – mas tem uma pontuação preocupante após 19 rodadas. E pior do que isso: tem abaixo de si um gigante do futebol brasileiro, o Palmeiras e um time que está jogando bem, apesar da fase, o Atlético-GO. Além disso, perdeu para o Sport em casa e jogará no Recife; e perdeu também para o Figueirense. Também em casa, perdeu pontos para o Palmeiras.

Preocupa a instabilidade no Coxa. Enquanto a análise geral, em especial da torcida, é por um atacante, o problema na verdade é outro: a defesa. O ataque alviverde é o segundo melhor do Brasileirão, ao lado do Fluminense (31 gols) atrás só do Atlético-MG, 33. A defesa é a pior entre os 20 clubes: 37 gols sofridos.

Ou seja: há produção ofensiva, mas atrás, uma peneira. E com Emerson fora, o time perdeu o melhor jogador do setor. Só que culpar Pereira, Lucas Mendes ou Escudero é ser simplista: o problema mesmo está no meio.

Sem Leandro Donizete, o Coxa perdeu pegada. Era um perdigueiro em campo. Sem Léo Gago, perdeu qualidade na saída de bola. E a reposição não foi a altura. Donizete está no líder Galo, Gago no 3o colocado Grêmio, as duas melhores defesas da competição.

O Brasileirão é cruel. Não tem jogo fácil e a cada ano que passa, a tabela de classificação parece mais uma lista do “holerite” dos clubes, com os 12 que melhor recebem tendo entre si apenas o “inconveniente” Náutico. O trauma recente dos rebaixamentos (2005/09) está guardado no armário, no fundo de uma gaveta, apagado pelo tri-paranaense e as duas finais da Copa do Brasil.  O orgulho de ser o único paranaense na elite não pode ser confundido com suficiência técnica: o Coxa precisa acertar a defesa e saber que o ano, especialmente depois da queda na Sul-Americana, é brigar pra não cair. O alerta está ligado.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 22/08/2012

Internacionalização

Coritiba e Grêmio, hoje à noite, no Couto Pereira. O tempo ajudou o Coxa nesse plano de internacionalização. Em Porto Alegre, a chuva segurou o embalo do Grêmio, que pegava um Coxa fragilizado. Os gaúchos fizeram 1-0. As semanas passaram desde o primeiro jogo e o momento ruim do Alviverde parece estar passando. O empate com o Vasco, jogando bem, e os 4-0 sobre o Cruzeiro dão novo alento para a disputa da vaga. Não será fácil: não pode tomar gol sob pena de ter de fazer sempre dois a mais e pega a escola “copeira & peleadora” gremista. Mas dá. E se passar, pega Cobreloa ou Barcelona do Equador (adversário na Libertadores 1986) na fase internacional.

O Derby da Rebouças

O jogo, que chegou a ser o principal do Estado no início dos anos 2000 quando os rivais da Rua Engenheiros Rebouças decidiram dois estaduais (2001 e 02) e representaram o futebol da terrinha na Série A sem o Coritiba em 2006 e 07, acontecerá no sábado na Série B pela primeira vez na história. Atlético e Paraná chegam iguais. Se o Tricolor joga em casa, o Furacão vem de três vitórias seguidas. Um empate mata os dois. A vitória coloca o Rubro-Negro em condições de brigar pelo acesso, algo que chegou a estar ameaçado; o mesmo, em menor escala, vale para o time da Vila. Jogo bom de ver, como há muito ambos não disputam entre si.

Despertar

Fora de campo, o Atlético parece ter mesmo despertado. A diretoria negociou com o J. Malucelli a volta à Curitiba, instalando arquibancadas modulares para até 9.999 torcedores e jogará no Barigui. O número é para atender ao Estatuto do Torcedor. Tivesse pensado isso antes e talvez o time estivesse em melhor situação na B. Além disso, um novo time chegou. Da estreia para o último jogo, apenas Manoel e Deivid se mantiveram titulares. Dois da casa, como Harrison, que está sumido, assunto que a coluna abordou há algumas semanas. Esclareceu o procurador dele, Pablo Miranda: “Nunca houve proposição de troca de procurador. Estou com ele desde 2009. Teve duas lesões graves e está se recuperando. É apenas o primeiro ano como profissional.”

Eleições

Meu voto vai para o primeiro candidato que formular uma proposta de inclusão de Curitiba na Olimpíada de 2016, organizando uma comissão que trate do incentivo ao esporte nas escolas municipais, a construção de um ginásio poliesportivo municipal e um comitê que traga para a cidade uma ou mais delegações para treinamentos e hospedagem, gerando renda para a cidade. Além disso, valorize o Mundial 2014, cobrando as contrapartidas do Atlético e assumindo o evento de peito aberto, abrindo as negociações, realizando ciclos de debates com profissionais e preparando o comércio e o cidadão para receber bem e rentabilizar com o turista na Copa. Quem se habilita?