Falta pouco para o Atletiba #352 da história, que vale a taça do Paranaense 2012. E para alimentar a conversa nos botecos nos momentos que antecedem a decisão, uma lista de razões para que o seu time saia campeão no domingo:
#Atlético – Na última decisão com partida final no Couto Pereira, em 1990, foi campeão sem precisar vencer: 2-2.
#Coritiba – Não perde para o Atlético no Couto Pereira desde 2008, com 8 jogos de invencibilidade e 4 vitórias no período.
#Coritiba – No Couto Pereira, aproveitamento com Marcelo Oliveira é de 89,1%, com 42 vitórias e apenas 2 derrotas em 49 jogos.
#Atlético – Venceu 50% dos jogos fora de casa nesse ano: 7 vitórias e 3 empates em 14 jogos.
#Atlético – Venceu 7 das 13 decisões de Paranaenses entre os clubes desde 1924.
#Coritiba – Na última vez que decidiu no Couto Pereira em pênaltis, em 1978, foi campeão.
#Coritiba – Não jogou durante a semana, só treinando e recuperando para o Atletiba; deve ter a volta de Rafinha.
#Atlético – Venceu e eliminou o Cruzeiro, vai embalado pro Atletiba; deve ter a volta de Guerrón.
#Atlético – Já foi campeão no Couto Pereira em três ocasiões: 1982 (x Colorado), 1983 e 1990 (x Coritiba).
#Coritiba – Terá maioria absoluta de torcida a seu favor dentro do Estádio.
Uma tendência triste, da qual se torna cada vez mais difícil escapar: semanas pós-clássico no Paraná têm tido mais discussões em cima de arbitragens, violência e condutas extra-campo do que do jogo em si. O resultado é nítido: estádios esvaziados. Não à toa a decisão do Estadual 2012 levou apenas cerca de 9 mil pessoas a Vila Capanema. O futebol paranaense retrocedeu no tempo. Estancou na arbitragem, incompetente e sem renovação; erra nas fórmulas dos campeonatos e intransigência dos mandatários; peca no controle à violência, incentivando diferenças. Andamos para trás nos últimos anos. É uma hora uma profunda reflexão. A apregoada modernidade que a Copa 2014 pode trazer não combina com 90% do que vem sendo feito na terrinha.
Crescimento e desproporção
O Coritiba foi o 5º clube que mais cresceu em arrecadação em 2011, segundo estudo do balanço financeiro coxa-branca feito pela Pluri consultoria, divulgado ontem. Foram 117% de receitas a mais que em 2010, ano em que disputou a Série B, com boa parte dos jogos em Joinville. Em compensação, as despesas cresceram 74%. Natural: mudaram as ambições e circunstâncias. Mas o Coxa ainda está longe de poder competir com os gigantes brasileiros em receitas. A principal dela, responsável por 56% do volume de arrecadação, vem da TV: R$ 24,8 milhões. Corinthians e Flamengo recebem cerca de R$ 110 milhões da mesma fonte. Os sócios representam 26% do volume da renda do Coxa. Atlético e Paraná não tiveram seus estudos apresentados pela empresa até o fechamento da coluna.
Mico
Alguém não identificado, mas com o texto em tom muito parecido com o que usa o presidente Mário Celso Petráglia, usou o twitter oficial do Atlético para reclamar de arbitragem e se queixar das mazelas do clube em tom nada solene. Um mico ainda sem responsável. O canal institucional do clube não deve se prestar a desabafos e rompantes e sim servir a comunidade esportiva com informações precisas e técnicas, ou promoção institucional. Tratá-lo como parte de uma posse pessoal mostra que o profissionalismo está passando longe da Baixada.
Informações que interessam
Mas como o twitter atleticano se propôs a um bate papo “aberto” sobre as coisas do clube, enquanto o principal gestor se recusa a dar entrevista, lanço algumas perguntas abertas, para quem sabe encontrar respostas no mesmo canal: qual o critério na montagem do time, mantendo a base rebaixada e repatriando jogadores sem sucesso em passagens anteriores, como o goleiro Vinícius e o zagueiro Bruno Costa? Qual o valor e o destino das cadeiras da Arena, removidas do estádio? Qual a versão dos dirigentes para as acusações da “Operação Uruguai”, denunciada recentemente, envolvendo favorecimento pessoal em transações nos anos 90? No aguardo.
Foi um grande jogo. Placar de 2-2 e vantagem pequena para o Coritiba, que agora decidirá em casa, onde não perde há 4 anos para o Atlético – que, de quebra, terá que fazer jogo duro em MG, contra o Cruzeiro, enquanto o Coxa descansa.
O Atletiba 351 merecia ser lembrado pelas alternativas: o Coxa que saiu na frente em jogada individual de Éverton Ribeiro, limpando bem o bote errado de Bruno Costa e batendo com o “pé ruim”, segundo ele. Menino tem estrela em clássicos; poderia também ser lembrado pela insistência de Liguera no primeiro gol atleticano, ao brigar pela posse de bola duas vezes, até que no bate-rebate, sobrasse para Bruno Mineiro. Que se não é um Batistuta, mete gols (não a toa tem 12 gols, mesmo tendo ficado de fora de quase todo o segundo turno). O insistente Liguera também dividiu com Vanderlei, que falhou no gol da virada rubro-negra; depois, Anderson Aquino empatou, premiando a ousadia de Marcelo Oliveira em detrimento do erro de Juan Carrasco, que sacou Ricardinho para entrada de Zezinho, recuando o time. Oliveira foi pra cima e buscou o empate.
Mas aí começam as reclamações. E, sempre com a ressalva de estar horas depois, com o controle da TV na mão, peguei mais um piolho na arbitragem ruim de Evandro Rogério Roman, que pelo porte físico acima do peso mostra que a Secretaria de Esportes lhe está dando prosperidade.
Anderson Aquino estava impedido no gol de empate do Coxa. Vi, revi o lance, voltei a imagem, já no Revista RPC. Tarde, mas válida observação por que vai de encontro ao evidente: a arbitragem paranaense está em baixa. Primeiro, a imagem:
Emerson toca na bola para driblar Manoel e ela sobra para Aquino, impedidoO vídeo abaixo tem os melhores momentos da partida. Em velocidade, percebe-se melhor, no ângulo lateral, o erro de arbitragem que ia passando batido:
Não foi por falta de aviso: o campeonato inteiro foi repleto de erros de arbitragem. Como a questão se tornou política, esqueceram de se preocupar com a qualidade. Mas os dois melhores, Heber e Roman, vivem má fase. Pelo físico, Roman já está pensando em se aposentar. E Heber Lopes segue o mesmo caminho, apitando de longe os lances.
Já está virando folclore, claro. Afinal, o Atlético sempre acaba tendo algo a reclamar e, como a vantagem recente do Coritiba em clássicos perdura, tudo caminha para chacota. Normal para os torcedores.
Mas para quem dirige o futebol paranaense, não. Não creio em teorias da conspiração. Não seria a mesma FPF que brigou com o Coxa pelo uso do Couto Pereira ao Atlético que iria armar um campeonato para o Alviverde. A resposta é bem mais simples: desqualificação.
Ainda há tempo de pensar em árbitros melhores para a finalíssima.
Fiasco
Alguém, escrevendo em tom parecido com o que o presidente Mário Celso Petraglia usa em seu twitter pessoal, usou a ferramenta de comunicação do clube para culpar a arbitragem (nada sobre o lance de Anderson Aquino, acredito que a primeira menção seja aqui no blog) e… “desabafar” contra o momento do próprio clube.
Um fiasco. O twitter do clube, com cerca de 40 mil seguidores, é uma ferramenta institucional de comunicação. Não pode se prestar a desabafos de quem quer que seja. Se foi um estagiário ou profissional contratado, deve ser identificado e responder por isso; se foi o presidente, que já negou (mas tem um estilo muito característico de se expressar para ser confundido), pior ainda, pois teria se apossado de um meio institucional que ele mesmo prega ser o melhor canal de comunicação do clube. Provou que, nesse caminho, está longe disso.
Aliás, o próprio TJD-PR pode impor uma sanção ao clube, que tem meios oficiais para reclamar, protocolando na FPF.
Feio.
Vantagem
Uma semana para descansar, tratar Rafinha, defender um tabu de 4 anos, com casa cheia. O Coritiba é favorito para ser campeão, embora seja uma vantagem muito curta, já que os times são parelhos. Joga só pela vitória (novo empate e teremos pênaltis) mas evitou que o Atlético usasse o seu mando de campo como arma.
Longe de dizer que o Atlético está morto, porque não está. Mas existe uma pequena e inegável vantagem para que o Coxa chegue ao tri-estadual.
O Atlético reencontra o Cruzeiro hoje, na Copa do Brasil, quase cinco meses depois de ser rebaixado na Série A do Brasileiro em disputa direta com os mineiros. Historicamente aliados – inclusive com torcidas organizadas amigas – os dois clubes vivem um momento conturbado na relação. O Furacão foi prejudicado por um erro de arbitragem no jogo entre as equipes em Minas (1-1) quando teve um gol anulado que poderia livrá-lo da queda. Após fracassar por conta própria e perder para o América-MG (que recebeu incentivo financeiro do Cruzeiro e da FMF para vencer por 2-1) ainda viu a vitória no Atletiba 348 (1-0) não adiantar nada, já que o Cruzeiro venceu o clássico mineiro por 6-1 sobre o Galo, até então a melhor defesa do 2º turno. O jogo criou uma aura suspeita, nunca apurada, de que houve manipulação de resultados. A começar pelo fato de os clubes terem o mesmo patrocinador, que detém o direito de mais de 13 jogadores de ambos os times. Na internet, a torcida atleticana lançou campanha pela “honra” do clube nessa eliminatória. O jogo promete.
O procurador
O site oficial do Atlético trouxe a informação de que o procurador do TJD-PR Glaucio Josafat Bordun, que denunciou cinco jogadores do clube por confusão no Atletiba 350, seria sócio do Coritiba, quase que atribuindo a denuncia a esse fato. Ora, caso típico de clubismo exacerbado, como se o restante dos membros do TJD não tivessem também seus clubes do coração. O advogado do Atlético no caso (que consta em súmula feita pelo árbitro Antônio Denival de Moraes), Domingos Moro, é conselheiro vitalício do Coritiba. E aí? A ação dele muda nesse caso? Não. Há que se confiar no caráter e na qualidade profissional das pessoas. O procurador está no papel ao denunciar os jogadores, o que nem de longe significa puni-los: isso caberá aos auditores. Que também têm seus times.
Reforços
Finalistas do Paranaense, Atlético e Coritiba começam a se mexer para as Séries A e B do Brasileiro. O Coxa já apresentou o volante Sérgio Manoel, ex-Mirassol-SP. Também deve trazer outros dois volantes: França, do Noroeste-SP e Chico, do Palmeiras, ex-Atlético. O elenco alviverde tem hoje nada menos que sete volantes; quem sai? Precisava de outros? Já o Atlético deve apresentar nessa semana o atacante Fernandão, ex-Palmeiras, 25 anos, típico jogador de área. E ainda pode trazer o zagueiro Diego Sacoman, que está na Ponte Preta, mas pertence ao Corinthians.
Maratona
A coluna foi finalizada antes da estréia do Paraná na Série Prata, ontem à tarde. O primeiro jogo dos três jogos até domingo. Haja fôlego!
Quarta, Atlético x Cruzeiro; quinta, Paysandu x Coritiba. Os dois jogos, no início da reta final da Copa do Brasil (16 clubes seguem), tomaram dimensões acima do esperado em rivalidade extra-campo. O blog apresenta o que vai apimentar a disputa nesse meio de semana:
Atlético x Cruzeiro (jogo de ida)
Movimento no Facebook acirra ânimos para o jogo
Historicamente, cruzeirenses e atleticanos são aliados. Mas isso pode ter mudado desde o final do Brasileirão 2011. Tudo por conta do resultado do Cruzeiro contra outro Atlético, o Mineiro. O placar de 6-1 no clássico mineiro levantou muitas dúvidas, nenhuma apurada. O Ministério Público de Minas até ensaiou uma investigação, mas parou quando os organizadores do movimento citado nesse post, ambos torcedores do Galo, retiraram a petição online.
Ainda assim, a Raposa vem a Curitiba na mira dos rubro-negros, como mostra a imagem acima, retirada do Facebook. E debaixo de pressão, como conta o blogueiro Vinícius Dias, do “Toque di Letra”:
“Após ser eliminado nas semifinais do estadual, o Cruzeiro de Vágner Mancini enfrenta o Atlético/PR na quarta-feira, na Vila Capanema, visando reconquistar a confiança de seus torcedores. Decepcionados com a eliminação prematura no Estadual, os cruzeirenses se manifestaram, através das redes sociais, exigindo a saída do treinador, que tem contrato com o clube até Dezembro.
Mantido no cargo, Mancini promoverá duas alterações em sua equipe titular. Vetado pelo Departamento Médico, o uruguaio Victorino será substituído por Alex Silva, que fará sua estreia com a camisa celeste. Montillo, contundido, é outro desfalque. Souza, relacionado pela 1ª vez desde que chegou ao clube, e Wallyson, artilheiro da Libertadores 2011, com sete gols, disputam a vaga.
Esse será o quinto encontro entre as equipes pela Copa do Brasil. Nos duelos anteriores, muito equilíbrio: foram três empates e uma vitória cruzeirense. Em 1999, os curitibanos levaram a melhor. Um ano depois, os celestes saíram classificados, com dois gols do ex-atleticano Oséas.
Duelo de artilheiros
Goleador do Campeonato Mineiro, com 11 gols, o centroavante Wellington Paulista (ex-Paraná) tem se destacado nesse início de temporada, e é a principal arma da Raposa. Do outro lado, o equatoriano Joffre Guerrón (ex-Cruzeiro) é quem dá as cartas. Artilheiro da Copa do Brasil, com seis gols, ao lado do são-paulino Luís Fabiano, o meia-atacante tem incomodado os adversários.
Conexão América
Única possibilidade de título nesse semestre, a Copa do Brasil é também o caminho mais curto para se classificar à Taça Libertadores, torneio que o Cruzeiro disputou nas últimas quatro temporadas. Conscientes das dificuldades, os atletas da Raposa pregam respeito ao rival paranaense.”
Paysandu x Coritiba (ida: 1-4 Coxa)
A parada parece liquidada, certo? Não é o que pensam os jogadores e torcedores do Paysandu. Em Belém, um posicionamento do jornalista da Rádio e TV Transamérica Curitiba Dorival Chrispim fez com que o jogo se tornasse questão de vida ou morte para a torcida do Papão. O Coxa está sendo tratado como inimigo número 1 dos bicolores – e a expectativa é que o Mangueirão esteja lotado para a partida.
Quem conta a versão paraense da história é o jornalista Pedro Loureiro, dono do blog Pedrox:
Jogo com o Coxa tornou-se questão de honra para o Paysandu
“Os Vingadores do Futebol Paraense
Em cinemas abarrotados, filas quilométricas se formam para o filme que conta a história de super-heróis reunidos para uma missão especial, mas que falham miseravelmente em função de desentendimentos por vaidades e interesses difusos. Isso muda quando os protagonistas descobrem um objetivo comum, uma convicção que os motiva a lutar com todas as suas forças.
Quando pisou no Couto Pereira contra o Coritiba, o Paysandu disputava pela primeira vez uma oitava de final de Copa do Brasil. No cartel a campanha invicta na competição. Ter passado pelo Sport Recife com a autoridade de duas vitórias e goleada histórica em plena Ilha do Retiro dava a sensação de que vencer no Paraná não era algo impossível, mas a postura apática de um mal-escalado Papão e os 3 gols sofridos ainda no primeiro tempo escancararam a dura realidade de um clube que está na série C, eliminado pela campanha irregular no campeonato estadual e com orçamento 12 vezes menor que o do adversário.
O gol marcado por Tiago Potiguar e o pênalti defendido por Paulo Rafael no segundo tempo deram nova face ao confronto e ao Papão a esperança de que era possível reduzir a diferença e até empatar, se o ataque não perdesse tantas oportunidades. O pênalti convertido após expulsão do goleiro Paulo Rafael no finalzinho da partida poderia ter sido a pá de cal nas pretensões bicolores, que precisa vencer o jogo do volta em Belém por pelo menos 3 gols de diferença. A fatura estaria liquidada, pois a torcida do Paysandu – impaciente com os recentes fracassos do clube – não tem comparecido em grande número nos últimos jogos e a desclassificação iminente transformaria o Mangueirão em um campo neutro, sem torcida. Tarefa fácil para a classificação do Coxa.
A virada no roteiro aconteceu ainda no Couto Pereira, após o fim da partida, quando Dorival Chrispim, da rádio Transamérica, entrevistou o jogador bicolor Harisson, que havia entrado no segundo tempo, melhorado a movimentação do time e ainda substituiu o goleiro na sua expulsão:
O evidente tom de deboche do radialista e a defesa veemente que o meio campista bicolor fez da torcida do Paysandu funcionaram como uma bomba motivacional em Belém. Se imprensa, clube e torcida andavam se desentendendo no decorrer da temporada, Dorival Chrispim fez com que todos se unissem. Vários jornalistas paraenses desafiaram o apresentador a vir para Belém ver de perto a vibração da torcida, a fiel – que não andava tão fiel assim – está comprando ingressos como se fosse uma final de campeonato e o Mangueirão quando fica lotado ferve e faz o time do Papão jogar como se lutasse por um prato de comida.
Talvez o obtuso radialista não tenha estudado o bastante para saber que quando o Paysandu esteve na primeira divisão, batia recordes com as maiores média de público do futebol brasileiro, mesmo figurando por muitas rodadas na zona de rebaixamento. Se tivesse feito o dever de casa, o radialista saberia que contra o Boca Juniors, na Libertadores da América de 2003, o Paysandu levou 65 mil torcedores ao estádio em dia de greve de ônibus com ingressos custando em média R$ 50 e também saberia que o torcedor paraense é um dos mais apaixonados do Brasil, não importa a divisão que seus times estejam.
O Papão, que precisa vencer por 3 a 0 para se classificar, volta ao papel de franco atirador e sabe da força do time Coxa-Branca. A torcida não tá nem aí para as estimativas desfavoráveis e em dois dias já comprou 20 mil ingressos – o dobro do público presente no Couto Pereira no jogo de ida – e está enfrentando sol e chuva nas filas para comprar mais. Espera-se a liberação da capacidade máxima do Estádio Olímpico do Pará (42 mil torcedores) para alcançar o recorde de público da Copa do Brasil de 2012. O torcedor do Papão sabe que a tarefa é dificílima, mas acredita que é capaz de empurrar o clube na superação de seus próprios limites.
Dorival Chrispim do alto de sua arrogância, mexeu no vespeiro e dificultou a vida do Coritiba, que perdeu a oportunidade de fazer um jogo tranquilo. Podem dizer que o Papão não tem estrutura, que falta dinheiro, que o futebol é desorganizado e que está na série C por (de)mérito próprio… Isso tudo é verdade. Porém, jamais mexam com a entidade que faz o futebol paraense sobreviver apesar de todas as dificuldades: a sua apaixonada torcida. Este foi o erro de Dorival, que despertou no torcedor e no time do Paysandu um legítimo espírito vingador!”
*Nota: Os dois textos, de Cruzeiro e Paysandu, são de autoria dos colegas blogueiros e ilustram o outro lado das séries eliminatórias entre as equipes, sendo assim um reflexo da opinião de cada um.
Atletiba: arbitragem de fora praticamente descartada
As pretensões do Atlético em trazer árbitros de fora para os dois clássicos finais do Paranaense 2012 devem dar em nada. O Furacão terá que travar uma queda de braço com a FPF e o Coritiba, já publicamente contrários a posição rubro-negra. Além disso, informações de bastidores já dão conta de que Héber Roberto Lopes e Evandro Rogério Roman irão apitar, cada um, uma das partidas – muito embora isso tenha de ser definido por sorteio.
Foi o que cravou o ex-árbitro Valdir de Córdova Bicudo na sua coluna no site Paraná Online na última terça-feira: “Segundo fui informado, foram “preservados” do clássico Atletiba do último domingo, para serem utilizados nos dois jogos decisivos envolvendo, Coritiba x Atlético/PR.”
Conversei com Vilson Ribeiro de Andrade sobre o assunto. Ele foi taxativo: “Isso é uma besteira. O Coritiba é contra e não vai aceitar. É um desprestigio com o futebol paranaense. Algumas das reclamações podem ser verdadeiras, mas a maior parte é invenção dos atleticanos. E eu vejo campeonato Paulista, Carioca, e a arbitragem deles, é tudo meio igual aqui.” Vilson ainda me disse que o Coritiba vetará e brigará para que os árbitros locais estejam na decisão, caso o pedido atleticano seja levado adiante.
Mário Celso Petraglia não concedeu entrevista, mas conversei com um conselheiro do clube que ouviu de Petraglia que já ouve um pedido oficial por árbitros de fora e que o mandatário atleticano está revoltado com a qualidade do apito local. Petraglia teria até bradado para o conselho, em tom jocoso, que “se for para sermos roubados, que seja por um desconhecido.”
Já a FPF demonstrou que não tem a menor disposição em chamar árbitros de outras federações para a decisão estadual. Amilton Stival, vice-presidente, comentou o pedido do Atlético: “Eles tem o direito de solicitar. Atender é outra situação.” Para Stival, não há porque mudar na decisão. “Eu não concordo com isso. Se eles [árbitros] serviram pra apitar 22 rodadas, porque agora trocar? Nós vamos dar crédito pros nossos árbitros. Somos formadores e acreditamos neles.
Questionei Stival se ele concorda que houve muitos erros ao longo do campeonato e que a imagem dos juízes paranaenses estaria desgastada. A resposta: “Eu não posso dizer que dá pra brigar com a máquina chamada TV. A pessoa para o lance, dá slow motion, etc. O árbitro é um ser humano que tem que decidir na hora. As vezes os críticos vêem 10x pra opiniar e o arbitro decide em um segundo. Aí ficam, ‘tava com o biquinho da chuteira impedido!’ Isso não tem, as vezes é tão rápido e o olho humano não é máquina.”
Opinião
Particularmente, independente das posições dos clubes, entendo que seria uma boa ideia trazer árbitros de fora para apitar. É inegável que o campeonato teve muita polêmica no apito e que, cobrança feita não hoje ou apenas ontem, mas ao longo de todo o campeonato, a arbitragem local deve ser reciclada.
Mas mais do que isso, basta ver quais são os principais nomes. Heber Roberto Lopes entra pressionado pelo Atlético, com forte – e pública – rejeição da diretoria e torcida do clube; Evandro Rogério Roman tem se dedicado mais à Secretaria Estadual de Esportes e, no jogo mais importante que apitou, errou três vezes, duas contra o Tubarão e uma contra o Coxa em Coritiba 1-0 Londrina. Está visivelmente sem ritmo. Adriano Milczevicz tem rejeição da torcida alviverde, Antônio Denival de Moraes foi questionado quando apitou o último Atletiba e os demais são muito crus.
Um Paulo César de Oliveira resolveria a parada e deixaria os times prontos para falar só em futebol. Tira a pressão antes do jogo.
Chico coxa-branca?
A montagem acima pode acontecer em julho. Trabalhei em Paraná 1-2 Palmeiras pela Rádio Jovem Pan SP e, conversando com os colegas de lá, o Palmeiras dá como certa a vinda do volante, ex-Atlético, ao Coritiba. Conversei com Vilson Ribeiro de Andrade sobre a chegada do volante:
“O Chico termina contrato no final do ano [na verdade, Janeiro/2013] com o Palmeiras e vai ficar livre pra assinar pré-contrato. Me parece que o Palmeiras não o quer mais, mas entre o Coritiba e ele não há nada ainda”
– Mas não vai ser surpresa se ele chegar aqui em julho?
“Não.”
Pra bom entendedor…
Enfim, caso Chico assine com o Coritiba, entra pra história dos dois clubes como mais um “vira-casaca”. O último deu certo no Coxa: Marcos Aurélio.
Você, coxa-branca, vê a negociação com restrições por ser um ex-atleticano? Você, atleticano, sente-se como com a possível ida de Chico ao Coxa? Responda nos comentários. Eis Chico com a rubro-negra:
Paraná: novo esquema comercial
O Paraná Clube mudou a estratégia de marketing para explorar os espaços na Vila Capanema e na camisa tricolor. O clube montou três representações comerciais, no Rio, São Paulo e Brasília, para buscar patrocinadores. O patrocínio para dois jogos da papelaria Kalunga, estimado em cerca de R$ 80 mil, já veio desta forma, costurado pelo diretor geral da rede de rádios Transamérica, Guilherme Albuquerque, paranista e representante em SP.
Para o Atlético, Copa do Brasil só semana que vem, contra o Cruzeiro. Na hora certa, a coluna analisa. Hoje à noite, Paraná e Palmeiras abrem a série paranaense nas oitavas 2012. São três times do Estado entre os 16 melhores do País (fora os da Libertadores) no 1o semestre. Será a segunda vez na história. Na outra, em 1996, o Atlético caiu ante ao Grêmio e o Coritiba, ao Flamengo. Já o Tricolor foi o único que avançou, eliminando o Botafogo. Mas cairia na fase seguinte para esse mesmo Palmeiras, com duas derrotas: 0-2 e 1-3. O Palmeiras é favorito para o confronto, mas vem em baixa. A classificação não é impossível e passa muito pelo resultado de hoje: vencer e não tomar gol.
Vitrine
Sumido na temporada em virtude dos poucos jogos, o Paraná aproveitará a exibição de hoje à noite para faturar. O marketing do clube fechou um pacote de cota máster na camisa para os dois jogos contra o Palmeiras com a papelaria Kalunga. “Foi uma ótima oportunidade, vai ter transmissão em rede nacional. A gente ficou sem calendário cinco meses e isso significa um novo momento,” contou o diretor de marketing Vladimir Carvalho. Quatro canais transmitem o jogo para todo o Brasil: Band, Globo, ESPN e SporTV. O clube não revelou valores, mas estima-se que o pacote seja de R$ 80 mil.
Tabela Série Prata, parte III
Saiu ontem mais uma tabela da segunda divisão estadual – ou Série Prata. Outra versão que teve que ser adaptada após a classificação do Paraná na Copa do Brasil. A FPF já mudara em função da Série B e da própria Copa, antes que o Paraná avançasse. Amilton Stival, vice da FPF, em entrevista ao blog napoalmeida.com, desabafou: “Se avançar de novo, vamos ter que remanejar.” Acesse e leia a entrevista completa.
Bicho-papão e Pikachu
Calma criançada, não há motivo pra tanto susto. Com 89% de aproveitamento no Couto Pereira sob o comando de Marcelo Oliveira e em alta após o 4-2 no Atletiba, o Coxa recebe amanhã o Paysandu, o “Papão da Curuzu”. Time de tradição, mas que vem mal pelas tabelas, eliminado no Estadual e apenas na Série C, o Paysandu vem com a moral de eliminar o Sport Recife e tem como craque o meia Pikachu. Pouco para desbancar o Coxa – desde que se construa um bom resultado aqui. Na história, 14 jogos com sete vitórias coxas e duas do Papão – nenhuma em Curitiba.
Árbitros de fora nos Atletibas finais?
É assunto pra semana que vem, mas antecipo as posições: o Atlético quer, mas terá forte resistência. FPF e Coritiba já disseram ser contrários. Quem ganha a queda de braço?
E chegamos a fase 3 da Copa do Brasil com 75% dos times paranaenses no páreo. Pode comemorar: desde 1996 o Estado não vê os três principais times chegar às oitavas de final. E aquela ainda foi a única vez.
Então, se você vai ao estádio ainda hoje, esse é o lugar para saber o que o seu time vai enfrentar; se você vai ao estádio amanhã, aqui também tem tudo sobre o confronto do seu time; e se você só vai ao estádio semana que vem, fique sabendo já o que pode acontecer com o seu time. É o mini-guia da Copa do Brasil, parte III, torcendo muito para que tenhamos versões IV, V e VI. Quiça um feliz prólogo.
O Paraná passou pelo Ceará no sufoco, conseguindo um suado empate nos minutos finais no jogo da Vila Capanema e passando de fase pelos gols marcados fora de casa. Vai para o quinto jogo do ano e já contra um time de Série A, num ano em que 90% de seus adversários terão poder de fogo inferior ao desta fase.
Em compensação, o Palmeiras chega a Curitiba em crise. Eliminado no Paulista pelo Guarani, chegou a liderar o estadual vizinho mas despencou na classificação. O que poderia ser um quadro de franco favoritismo palmeirense se tornou ligeiramente equilibrado graças ao momento psicológico das equipes.
O primeiro jogo na Vila será decisivo para o Paraná abraçar de vez a condição de zebra. Não é impossível eliminar o Palmeiras – mas é melhor não criar muita expectativa em cima de um time jovem e recém-montado. O Tricolor é franco-atirador, a melhor posição nesse momento. Um resultado de vitória, especialmente sem levar gols, ou ainda um empate sem gols pode ser comemorado.
O Palmeiras tem como destaque a mesma base que despencou na reta final do Brasileirão 2011. Os homens mais perigosos são o atacante Barcos (fez 10 gols na temporada, mas vem mal desde a derrota para o Corinthians no Paulistão) e os meias Marcos Assunção e Valdívia – este, não vem sendo titular.
Barcos é o homem-gol do Palmeiras
Na história são 20 jogos, com cinco vitórias do Paraná e 13 do Palmeiras. Os times se enfrentaram nas quartas de final da Copa do Brasil 1996: Paraná 0-2 Palmeiras em SP e Paraná 1-3 Palmeiras em Curitiba.
Se passar pelo Palmeiras, o Tricolor pega o vencedor de Atlético x Cruzeiro.
É sem dúvida o confronto mais tranquilo dos paranaenses, mas a grande lição ao Coxa está justamente na fase anterior, quando o Paysandu surpreendeu o Sport Recife, colega alviverde na Série A, e venceu as duas partidas: 2-1 em Belém e 4-1 em Recife. Ainda assim, não há como negar: o Coritiba é favorito na série.
O Coxa vinha de atuações irregulares no ano, mas, justo antes de iniciar a reta final da Copa do Brasil, aplicou 4-2 no rival Atlético e deixou a torcida mais confiante. Não pelo placar, mas pelas mudanças que Marcelo Oliveira fez no time, especialmente a entrada de Éverton Ribeiro, dando velocidade ao meio campo. O que pode complicar o Coritiba na série é ter que fazer a viagem mais longa dos paranaenses: 3208 km. Mas vale lembrar que o Coxa já foi ao norte do país, pegar o Nacional em Manaus.
Ok, mas o Paysandu não tem nada a oferecer? Negativo. Em campo é 11 contra 11 e tal. Mas mais do que isso, a arma (já nem tão) secreta do Papão é essa:
Ops! Não, esse não é o Pikachu certo. Esse sim:
Yago Pikachu: não parece, mas é perigoso
O lateral-direito Yago Pikachu, 19 anos, vem fazendo grandes partidas, atuando na verdade mais como ponta do que como lateral (alô Lucas Mendes). É tratado como a nova jóia do futebol paraense, tendo começado a carreira sob a tutela de Capitão, o mesmo técnico que revelou Paulo Henrique Ganso, do Santos. Contra o Sport, o primeiro gol foi dele:
O elenco do Paysandu ainda tem como rostos conhecidos o volante Vânderson (aquele, ex-Atlético) e o atacante Adriano Magrão, campeão da Copa do Brasil 2007 pelo Fluminense. Foi eliminado nas semifinais do Paraense pelo Águia de Marabá e vai disputar a Série C nacional. À exemplo do Paraná Clube, busca retomar seu lugar ao sol no futebol brasileiro. Tem tradição e torcida. Para o Coritiba, o ideal é resolver a parada já no primeiro jogo e não se aventurar no Mangueirão.
Na história, vantagem coxa-branca com 7 vitórias e duas derrotas em 14 jogos.
Se passar pelos Paysandu, o Coritiba encara Botafogo-RJ ou Vitória na outra fase.
Atlético x Cruzeiro
Ida: 02/05 – 21h50 – Vila Capanema, Curitiba
Volta: 09/05 – 21h50 – Arena do Jacaré, Sete Lagoas-MG
Se o Paraná Clube é franco-atirador e o Coritiba é franco-favorito, francamente, entre Atlético e Cruzeiro, não há vantagem para nenhum dos lados. É um clássico do futebol brasileiro, já tendo sido decisão de título nacional (a Seletiva 99) e regional (Copa Sul-Minas 2002) com um triunfo pra cada lado. Atleticanos e cruzeirenses costumam ser amigos fora de campo (paradoxalmente, o rival do Cruzeiro, também Atlético – Mineiro – vê seus torcedores se aliarem com os rivais do Atlético, o Coritiba) mas a disputa na reta final do Brasileirão 11 para evitar a queda e as suspeitas das torcidas atleticanas de PR e MG sobre o resultado que livrou a Raposa da queda (6-1 no clássico mineiro) deram um tempero extra a esse confronto.
O Atlético é instável na temporada e vai à decisão do Estadual e desta vaga sem saber o que pode apresentar: se o time frágil que tropeçou no Roma-PR e levou 4 no Atletiba 350 ou a máquina de gols que enfiou 5 no Criciúma e joga ofensivamente contra qualquer rival.
Pois o Cruzeiro não é diferente. No Estadual, chegou em segundo lugar na fase de classificação, perdendo para o Guarani e empatando o clássico com o Atlético-MG. Isso o botou na rota do Derby Mineiro, com o América. E perdeu na ida, 2-3, resultado que ficou até bom, pois perdia por 0-3. Corre risco de ficar de fora da final mineira.
No entanto, tem um elenco forte, que mesmo sem decolar nas mãos do técnico Vagner Mancini, tem jogadores que podem desequilibrar: o bom goleiro Fábio, o zagueiro Alex Silva, os meias Roger e Montillo e os atacantes Wellington Paulista (ex-Paraná) e Wallyson (ex-Atlético). Quem também está pela Toca da Raposa é o lateral-esquerdo/volante Marcelo Oliveira, que defendeu o Furacão em 2011.
Montillo e Marcelo Oliveira, agora do mesmo lado
O exemplo para o Atlético superar o Cruzeiro está em seu próprio passado. Ao conquistar a Seletiva 99, fez 3-0 em Curitiba e jogou tranquilo em BH, perdendo por 1-2 e ficando com a taça; em 2002, fez o jogo de ida pela Sul-Minas em casa e perdeu, 1-2. Foi ao Mineirão e perdeu de novo, na despedida de Sorín, 0-1. Traduzindo: é fazer o resultado em casa e ir a Minas Gerais decidir a sorte.
Na história, 10 vitórias atleticanas e 13 cruzeirenses em 39 jogos. Os times já se enfrentaram duas vezes na Copa do Brasil. Em 1999, deu Atlético: 0-0 em Curitiba e 3-3 em BH; em 2000, revanche celeste: 2-1 em BH e 2-2 em Curitiba.
Se eliminar o Cruzeiro, o Atlético pega o vencedor de Paraná x Palmeiras.
Retranqueiro, conservador, covarde. Guarde qualquer qualificação pejorativa que você tenha do técnico do Coritiba para uma próxima vez. Marcelo Oliveira acertou em cheio no clássico 350 e conquistou a vaga na decisão. Se o fez porque o Atlético teve um homem a menos (assunto tratado logo abaixo), não importa: o Coritiba que entrou em campo mandado por Oliveira conduziu a partida ao longo do 90″, a ponto de não passar um susto sequer.
Tomou dois gols, um em bola parada, outro em falha de marcação, mas sempre esteve a frente do placar. Abafou a reação de um valente Atlético sem dar muitas chances: mal cedeu o empate e já voltou a fazer 3-2. E acertou em cheio em todas as decisões: matou (e irritou) Guerrón com a entrada de Lucas Mendes, deu velocidade ao time com a opção por Éverton Ribeiro no início, sem Lincoln, e quando colocou o experiente meia, foi premiado com um gol (passe de Lucas Mendes). Pra fechar, ainda viu o xodó pessoal Renan Oliveira fechar o placar.
O Atletiba 350 foi de Marcelo Oliveira, não tenho dúvidas.
Personagem 2: Guerrón
Guerrón é daqueles personagens que o futebol produz e que ajudam a construir ricas histórias. Ele consegue ser herói e vilão, consegue dividir a torcida atleticana e deixar sempre um quê de dúvida sobre seu comportamento imprevisível. Ontem, Guerrón pisou na bola e ajudou a afundar o Atlético no 350. A expulsão depois de uma clara agressão ao zagueiro Lucas Mendes, quando o Furacão estava no campo de ataque, deixou o time com um a menos. A imagem abaixo não deixa dúvidas: Guerrón chutou Mendes.
No lance corrido (estará mais abaixo) percebe-se que Guerrón e Lucas Mendes vem se empurrando ao longo da disputa. Aí o equatoriano perde a cabeça e chuta o zagueiro alviverde. Com um a menos, o Atlético até foi brioso e buscou dois empates, mas também permitiu espaços que possibilitaram ao Coritiba matar o jogo.
Guerrón é o bandido do 350.
Personagens 3: Trio de arbitragem
Das reclamações sobre o trio de arbitragem – em especial feitas pela torcida atleticana – uma procede com absoluta certeza: Lincoln estava impedido no lance do segundo gol do Coxa:
A imagem acima não deixa dúvidas e está no melhor ângulo, paralelo a linha da grande área. Recebi outra imagem, em ângulo inverso, que dá a impressão de que a perna de Manoel daria condições a Lincoln; mas ela está na transversal, supondo uma diagonal, o que não permite que se enxergue bem a linha de impedimento. Nota-se na imagem acima que o auxiliar está ligeiramente encoberto por outros dois jogadores, que também estão na jogada.
A reclamação em cima do lance do primeiro gol do Coritiba, de que Anderson Aquino estaria impedido no lançamento, vai ficar para as eternas discussões de boteco sobre o Atletiba 350. Olhando em várias imagens, de várias emissoras, é impossível afirmar categoricamente que Aquino estava impedido no lançamento. Nenhuma imagem mostra a linha entre ataque e defesa no momento do passe. Como a distância é muito grande entre a origem e o fim da jogada, não há como matar a dúvida.
E aqui faço uma defesa a todos os colegas de imprensa, que devem ter recebido N e-mails sobre “porque não mostraram o lance?” e etc., assunto recorrente pela manhã no Twitter: sem teoria da conspiração, estou certo que nenhuma emissora tem o lance esclarecedor. Aquino está muito à frente? Está. Mas ele pode ter partido de antes do meio campo, quando não há impedimento, bem como Manoel pode ter parado no lance e pedido impedimento. Nessa, vai ser difícil chegar a alguma conclusão.
O vídeo abaixo tem os lances da partida sem caracteres visuais e com todos os gols. Vale para ilustração.
Projeção:
Serão dois grandes jogos na decisão do Paranaense 2012. A derrota do Atlético no 350 não terá peso extra na decisão, a não ser o conhecido: o fato do Coritiba jogar a finalíssima no Couto Pereira o que, como se viu ontem (e nos últimos 4 anos) tem sido diferencial nos clássicos.
As equipes partem com tudo zerado. Não há favorito para o título antes do primeiro jogo. Que, aliás, creio que pode decidir o campeonato. Desta vez o Coxa pode ir como franco-atirador, já que poderá ter a revanche em seu abrigo; já o Atlético tem que procurar fazer o placar sob seu mando e jogar a responsabilidade pro lado oposto.
Não há vantagem no saldo de gols: se um time vencer por 5-0 e perder por 0-1, pênaltis; não há vantagem também no empate. Há uma ligeira vantagem para o Atlético no primeiro jogo, por jogar em seu mando (possivelmente na Vila Capanema) e ver o Coxa encarar uma viagem até Belém na quinta-feira anterior. Vantagem essa que volta ao Coritiba no domingo seguinte, pois aí é o Furacão que vai até Minas Gerais fazer a sua rodada de volta pela Copa do Brasil.
Pela quantidade de críticas que a arbitragem paranaense sofreu ao longo desse campeonato, acho que é uma boa idéia fazer as finais com árbitros de fora. Nenhum árbitro local tem condições de apitar os dois jogos sem estar pressionado. Não se trata de suspeita, mas sim de uma necessidade latente: a arbitragem paranaense está num nível terrível. Heber Roberto Lopes, o melhor, já está mais que desgastado em Atletibas; Evandro Rogério Romam é hoje mais secretário de Estado que juiz de futebol; e os demais não inspiram confiança.
Mas isso é assunto pra um post futuro, analisando prós e contras dessa medida.