Federação recua e mexe na 2a local; veja tabela detalhada do Paraná

Esse texto poderia começar lembrando os inúmeros avisos de toda a imprensa paranaense para a Federação Paranaense de Futebol, desde a ideia de antecipação da segunda divisão paranaense até a possibilidade de a competição invadir janeiro, em função do calendário conflitante do Paraná Clube, disputante dela e da Série B nacional.

Mas não.

Basta um velho ditado para resumir o que a FPF teve de fazer hoje, ao anunciar mudanças na tabela da competição local: “quem faz mal feito, tem que fazer duas vezes.”

Assim sendo, a FPF antecipou ou adiou alguns jogos do Tricolor na competição, cedendo – como previsto – terreno para a Série B da CBF.

A odisseia paranista agora está definida. Ou quase: se avançar na Copa do Brasil e/ou a segunda do Paranaense tiver finais, algumas datas podem mudar. E aí a FPF terá que mexer na tabela de novo.

Vejamos então a sequência tricolor:

01/05 – 15h30 – Segundona local – vs. Júnior Team, em casa
Sabe o ditado acima? Então: a FPF poderá ter que mexer uma terceira vez na tabela. Isso porque, caso elimine o Ceará pela Copa do Brasil, a CBF determinou que os dois jogos das oitavas de final (contra Palmeiras ou Horizonte-CE) sejam em 25/04 e 02/05, apenas um dia depois da estreia prevista.

Caso seja eliminado na competição nacional, o Paraná estreia na Vila, contra o Jr. Team, de Londrina.

03/05 – 20h30 – Segundona local – vs. Grecal, em casa
Apenas dois dias depois da estreia (e se estiver na Copa do Brasil, com um jogo no meio das duas datas) o Paraná volta a campo em jogo antecipado da 8a rodada, contra o Grecal de Campo Largo. O intervalo de 66h para jogos na mesma cidade está respeitado. Isso, claro, se o Paraná não atrapalhar a FPF e for eliminado pelo Ceará. Senão…

06/05 – 16h30 – Segundona local – vs. Cascavel, em Cascavel
72h depois de encarar o Grecal (chato, mas repito: SE o Paraná for eliminado pelo Ceará…) a equipe faz sua primeira viagem:  500km.

08/06 – 20h30 – Segundona local – vs. Foz do Iguaçu, em Foz
Em jogo antecipado da 8a rodada, o Paraná rodará  153km até Foz do Iguaçu, próxima a Cascavel, para o 4o jogo na 2a-PR. O intervalo é maior que 66h.

11/05 – 20h30 – Segundona local – vs. Grêmio Maringá, em Maringá
Os tricolores pegam as malas (talvez com uma passadinha em Ciudad del Este?) e andam mais  407km para visitar a Cidade Canção, no clássico dos campeões paranaenses na Série Prata. Será o terceiro jogo seguido fora de casa, o 5o em 11 dias – SE o Paraná for eliminado pelo Ceará. Se não for… só Deus sabe.

13/05 – 18h30 – Segundona local – vs. Grêmio Metropolitano, em Maringá
Maringá, que já recebeu jogos do Paraná Clube na Série A de  2005 contra os quatro grandes de São Paulo, será novamente casa tricolor nesse período: o 4o jogo seguido fora de casa, menos de 48h depois do anterior, será contra o outro Grêmio maringaense.

16/05 – 18h30 – Segundona local – vs. Cincão EC, em Curitiba
A maratona continua: mais 428km para voltar pra casa após 4 jogos longe da Vila, desta vez contra o Cincão EC, de Londrina. Mas… isso se já estiver eliminado na Copa do Brasil. Se passar pelo Ceará e pelo vencedor de Palmeiras-SP x Horizonte-CE, o Paraná terá jogo na Copa do Brasil nessa data, pelas quartas de final.

19/05 – 16h20 – Série B – vs. Guarani, em Curitiba
Depois de fazer 6 jogos em 16 dias – isso SE a Copa do Brasil blablabla… – o Tricolor inicia em casa a caminhada na Série B, contra o Guarani.

22/05 – 20h30 – Série B – vs. Goiás, em Goiânia
Três dias depois, o Paraná anda  1186km para encarar o Goiás no Serra Dourada, pela 2a rodada da Série B. O 8o jogo em 22 dias. Aqui, o primeiro conflito de datas que não é culpa da FPF (palmas!): se estiver nas quartas de final da Copa do Brasil, o Paraná terá jogo em 23/05, um dia depois. Deve ficar para 24/05, uma quinta.

26/05 – 18h30 – Segundona local – vs. Nacional, em Rolândia
De Goiânia para Rolândia, com escala em Londrina, possivelmente, mais  915km para jogar contra o Nacional. Copa do Brasil? Melhor nem pensar.

29/05 – 20h30 – Série B – vs. América-MG, em Curitiba
10o jogo do Paraná em 29 dias (terá mais um em maio, calma), contra mais um forte candidato ao acesso para a Série A: o América-MG. A viagem foi de 400km entre Rolândia e a capital.

31/05 – 18h30 – Segundona local – vs. Serrano, em Curitiba
Dois dias depois de pegar o Coelho, o Paraná volta a Vila para fechar o mês com 11 jogos,  uma média de um jogo a cada 3 dias. É a última partida do primeiro turno da Série Prata.

05/06 – 20h30 – Série B – vs. Guaratinguetá, em Curitiba
Quase que milagrosamente, o Paraná terá cinco dias para descansar (sugiro nem treinar) entre o fim de maio e o início de junho, até encarar o Guará, na Vila. Terceiro jogo seguido em casa.

07/06 – 20h30 – Segundona local – vs. Cascavel, em Curitiba
Mas, 48h depois, o Tricolor abre sua participação no returno do Estadualzinho no quarto jogo seguido em casa, contra o Cascavel. Aqui, a justiça do trabalho pode encrespar.

09/06 – 18h30 – Segundona local – vs. Grêmio Metropolitano, em Curitiba
Quinto jogo seguido em casa, mas em menos de 48h depois de entrar em campo pela terceira vez na mesma semana. O adversário é o Grêmio Metropolitano – não confundir com o Grêmio Maringá.

12/06 – 20h30 – Série B – vs. Grêmio Barueri, em Barueri
Mais um Grêmio na vida paranista. A viagem de 323km acontece num milagroso intervalo de 74h após o último jogo. Algumas das quais gastas em viagem, claro. Mas tem um detalhe: o Paraná que não cometa a “insanidade” de chegar às semifinais da Copa do Brasil, que estão programadas para 13/06 e 20/06.

15/06 – 20h30 – Segundona local – vs. Cincão EC, em Londrina (ou Rolândia)
De São Paulo para Londrina – ou Rolândia, caso o Cincão mande jogos no Erick George. O terceiro jogo do Paraná no returno da Série Prata.

17/06 – 18h30 – Segundona local – vs. Júnior Team, em Londrina
Menos de 48h depois de entrar em campo, o Paraná volta a jogar uma partida, mas ao menos não viaja (ao menos não mais que 30km): pega o Jr. Team na Capital do Café. Terceiro jogo longe da Vila, 6o em 17 dias.

20/06 – 20h30 – Segundona local – vs. Nacional, em Curitiba
Se não chegar às semifinais da Copa do Brasil, o Paraná recebe o Nacional, na Vila Capanema.

22/06 – 20h30 – Série B – vs. Joinville, em Curitiba
48h depois de encarar o NAC, é a vez do JEC, pela segundona nacional. 8o jogo em 22 dias, menos de 3 dias de intervalo em média.

24/06 – 20h30 – Segundona local – vs. Grecal, em Campo Largo
Viagem curtinha até a Capital da Louça, mas com apenas 48h de intervalo desde o jogo com o JEC. Haja perna!

30/06 – 16h20 – Série B – vs. São Caetano, em São Caetano do Sul
Descansai, tricolores! Quase seis dias sem jogos, dá até pra um coletivo no meio. Adversário perigoso, o Sanca, no Anacleto Campanella,  460km de viagem. Em junho, serão 10 jogos em 30 dias.

03/07 – 20h30 – Segundona local – vs. Grêmio Maringá, em Curitiba
Mais um intervalo decente entre os jogos: quase 4 dias. Paraná x Galo do Norte, em Curitiba, há dois jogos do fim do segundo turno do Estadualzinho.

05/07 – 20h30 – Segundona local – vs. Foz do Iguaçu, em Curitiba
48h depois de pegar o Galo, o Paraná recebe o Foz.

07/07 – 21h – Série B – vs. Boa Esporte, em Curitiba
49h de “descanso” para mais uma partida, contra o Boa, um time de outro mundo (a sede é Varginha-MG).

10/07 – 20h30 – Série B – vs. Vitória, em Salvador
Julho estava mole demais. Por isso, nada como uma viagem de 2385km até a Bahia para relaxar. Pela frente o Vitória, outro aspirante à vaga na Série A, pela 10a rodada da B.

14/07 – 15h30 – Segundona local – vs. Serrano, em Prudentópolis
A última partida da primeira fase da Segundona local! O Paraná chega da Bahia, toma uma ducha e parte para as cachoeiras de Prudentópolis. Se vencer o primeiro e o segundo turno da Série Prata, problema resolvido: o campeonato acaba aqui. Mas se vencer um ou nenhum dos turnos, estando entre os quatro melhores – desde que um mesmo time NÃO vença os dois turno, o Tricolor terá que brigar pelo acesso local em mais quatro datas: semifinais e final. Já se for eliminado, não estando nem entre os quatro primeiros, é bom a FPF pensar em antecipar a competição em 2013…

O próximo jogo do Paraná na Série B, após o fim da tabela regular da FPF na Prata, será em 17/07, contra o América-RN, na Vila.

É difícil que o Paraná avance às finais da Copa do Brasil, sem hipocrisia. Mas, caso o faça, os jogos serão em 11/07 e 25/07.

Mas não é impossível que o Paraná passe pelo Ceará, o que já naufragaria a tabela acima logo na largada. Ê FPF…

As possíveis datas para as finais da Segundona Paranaense devem ser 17/07, 20 ou 21/07, 24/07 e 31/07. Mas aí é querer demais desse pobre escriba.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 28/03/2012

Rompidos

Não convide para o mesmo evento os presidentes do Atlético, Mário Celso Petraglia, e do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade. Os dirigentes, que trocaram elogios mútuos no início do ano, estão com relações rompidas com os sucessivos episódios envolvendo a necessidade de o Furacão ter um estádio para jogar. Nos bastidores, comenta-se que Vilson e Petraglia estavam próximos de um acerto para o empréstimo do Couto Pereira para o Brasileiro, mas o mandatário atleticano, em paralelo, tentou forçar a barra junto a CBF, com medo de levar um não de Vilson. O coxa-branca, por sua vez, sentiu-se traído e informou a Petraglia que “não quer mais conversa” com ele.

Torcida única em julgamento

A medida por um Atletiba com torcida única, tomada por iniciativa de Petraglia no clássico 349, é outro ponto de discórdia. Andrade concordou com a decisão com a prerrogativa de que o Atletiba 350 também fosse disputado dessa forma; o MP-PR, que poderia impedir a infração ao Estatuto do Torcedor foi complacente. Mas o TJD-PR, através do procurador Marcelo Contini, não. Uma petição de quatro laudas denuncia os clubes, que podem ser apenados em até R$ 100 mil. O julgamento será na quarta que vem pela 3ª comissão. Seja qual a decisão, ela não obrigará nada em relação ao clássico 350, em 22/04.

Tcheco e a gerência de futebol

O meia Tcheco, 36 anos, deverá deixar os gramados em julho, quando o Coritiba pretende realizar uma festa de despedida. A intenção da diretoria do Coxa é convidá-lo para auxiliar Felipe Ximenes na gerência de futebol. “Ele é identificado com o clube e tem perfil”, sinalizou o presidente alviverde Vilson Ribeiro de Andrade.

Parreira e Ney Franco em Curitiba

Calma: nem Juan Carrasco, nem Marcelo Oliveira estão perdendo os empregos. Os dois técnicos da Seleção (o primeiro do tetra em 94, o segundo atual auxiliar de Mano Menezes) estarão em Curitiba em 28/05 no Footecon, o congresso brasileiro dos profissionais de futebol. Será um dia com debates e oficinas para profissionais e entusiastas da área, com a visão de quem está dentro do mercado. As inscrições já estão abertas no site footecon.com.br/curitiba.

Festa do interior

O Coritiba recebe hoje o Londrina no Couto Pereira em jogo que pode encaminhar a conquista do 2º turno pelo time do norte, três pontos à frente do Coxa e cinco a mais que o Atlético nessa etapa do campeonato. Se não levar 5 ou mais gols, o Londrina deixa Curitiba com a liderança. Se vencer então, põe uma mão na vaga da final – a outra já é do Atlético. Desde 2007, quando ACP e Paraná decidiram o campeonato (vitória interiorana), as disputas ficaram apenas entre Atlético e Coritiba. Já o Londrina, três vezes campeão paranaense, não vê a taça desde 1992.

Exclusivo: Vilson Andrade e o momento do Coritiba

A palavra crise andou rondando manchetes sobre o Coritiba nessa semana, quando o time perdeu uma invencibilidade de 48 jogos em campeonatos paranaenses. É bem verdade que a equipe não vem jogando bem, mas também é fato de que chega a ser irônico referir-se a crise quando um time perde pela primeira vez após tanto tempo.

Seja como for, o Coxa teve uma reunião entre diretoria, jogadores e comissão técnica ontem. E amanhã pega o melhor time do returno, o Londrina, precisando de uma goleada por 5-0 para assumir a liderança e tentar uma vaga na decisão, que já conta com o rival Atlético. Em meio a pressão, conversei com o presidente do clube, Vilson Ribeiro de Andrade, que soltou o verbo sobre o momento coxa-branca:

Napoleão de Almeida: O que você enxerga nessa fase do Coritiba?
Vilson Ribeiro de Andrade: Precisamos de três jogadores, já está no planejamento. Estamos esperando a definição da Libertadores, tem muito time inchado, não vai continuar assim. Tivemos problemas médicos no começo do ano e investimos R$ 200 mil em um aparelho isocinético, que previne lesões. É tudo investimento. Temos que trazer três peças para chegar e ser titulares. Eu entendo muito é de finanças, de futebol não entendo muito. Mas o que eu vejo é que o meio de campo não ajustou. Tem que trazer alguém que fará esse trabalho de aproximação. Sem isso, é improvisação e bola parada.

NA: O clube perdeu peças importantes e não repôs a altura. Essa análise é justa?
VRA: Olha… nós tivemos decréscimo no quadro associativo [Nota do blog: o clube afirma ter 19 mil sócios adimplentes e 25 no total, com atraso], passamos esses primeiros meses com prejuízo. Mas veja, Emerson e Rafinha tiveram propostas e nós seguramos. É um esforço que o clube fez. O Grêmio trouxe o Kléber [Gladiador, que quebrou a fíbula] a 560 mil por mês e agora está seis meses fora.

NA: Nos bastidores, muito se falou em salários atrasados. É verdade?
VRA: Quando time não está bem, a primeira coisa é falar em salário atrasado. Não é o caso do Coritiba. No futebol funciona assim: você paga fevereiro até o fim de março. Eu pago primeiro os funcionários e vamos acertando o resto. Mas está tudo de acordo com o que combinamos com o grupo de atletas. Ontem (segunda, 26/03) eu saí da clínica [Vilson está em um tratamento de saúde] e fui direto pra lá. Sentamos com os jogadores, mostrei pra eles a confiança que eu tenho e a responsabilidade que eles tem. Eu disse a eles: quem não estiver satisfeito, não tem problema nenhum. Eu faço a rescisão e pode ir embora.

NA: E eles?
VRA: A conversa foi muito boa. Aqueles que não estiverem no ritmo do grupo nós vamos afastar. Discretamente, sem alarde. Tem gente que não aprendeu espírito de competição. Não adianta qualidade técnica se não tiver esse espírito.

NA: Quem? Existe indisciplina?
VRA: Acredite: não tem indisciplina. O problema é querer competir.

NA: A torcida vem pegando muito no pé do [técnico] Marcelo Oliveira…
VRA: Mandar o treinador embora é jogar para a torcida, tentar agradar. Eu não sou assim. Eu agrado às minhas convicções.

NA: Hoje saiu a informação de que Atlético e Coritiba irão a julgamento no TJD-PR pela medida de permitir uma só torcida no jogo da Vila Capanema. Você pretende repetir a medida no Couto Pereira? Como encara uma definição diferente das partes?
VRA: Se ele [Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético] não cumprir a palavra, eu não estou nem aí. Se quiser por 3 mil atleticanos lá, sem problemas. O estádio tem condições para atender as duas torcidas. O que eu tenho que fazer é por um time em campo pra ganhar o jogo. Mas estou vendo o que há de garantia com o Ministério Público, a polícia, o departamento jurídico… e se ele roer a corda, ficará feio pra ele.

NA: A relação entre você e Petraglia não está boa, pelo visto.
VRA: Eu disse a ele no começo do ano: “Paranaense, esqueça. Brasileiro, podemos pensar [sobre aluguel do Couto Pereira].” Aí estávamos conversando no Hotel Bourbon, eu estava negociando o Couto, mas recebi uma mensagem no meu celular. Ele estava com gente no Rio de Janeiro forçando a CBF a baixar o artigo 7º [artigo do RGC da CBF que dispõe da necessidade de empréstimo compulsório de estádios se a entidade requisitar]. Disse a ele na hora: esqueça, não quero mais negócio. Ele me disse: “então você me aguarde.” Ok, se é assim, tudo bem.

NA: E o estádio novo? Em que pé está?
VRA: Nada muito novo. Estamos negociando. Veja, o estádio do Grêmio levou quase 5 anos para ter tudo aprovado. Talvez até o final do mês a gente tenha alguma posição para levar ao conselho, mas ainda vai tempo.

Mercado & Torcidas, parte III: o espaço a se conquistar e consolidar

Com dois dias de atraso em virtude de um problema pessoal, volto a atualizar o blog com a pesquisa divulgada pela Pluri Consultoria durante a semana, com a relação tamanho das torcidas do Brasil x potencial de consumo.

A parte três traz aquilo que é fundamental na renda de um clube e que chegou até a virar bordão em Curitiba: “torcida se mede no estádio”, ou, nesse caso, se mede na força de consumo. E aí os paranaenses dão bons sinais, mas ainda assim estão aquém do que podem conquistar e obter para maior competitividade. Onde se vê crise pelo domínio de outros times na terrinha, se vê oportunidade de crescimento com base no mercado a se conquistar e em um “gap” importante: a fidelidade do torcedor paranaense.

O Atlético é o 13o maior clube do Brasil em potencial de consumo de seus torcedores, atrás apenas dos 12 que estão no eixo RJ-SP-MG-RS. Coladinho no Furacão, em 14o, está o rival Coritiba. Isso analisando somente os números brutos, que estão nas tabelas abaixo:

Potencial de consumo máximo mensal em reais
Potencial de consumo per capta em reais

Considerando o número de paranaenses que não gostam de futebol (mercado a se conquistar) que é de 33% e o aspecto cultural a se reverter – aqueles que residem no Paraná, mas preferem os times de fora, 64,4% dos que torcem –  há uma perspectiva positiva em relação ao crescimento da dupla Atletiba para entrar no “G-10”, suplantando três clubes com potencial parecido mas já mais nacionalizados: Atlético-MG, Botafogo e Fluminense.

Essa leitura permitirá a dupla se consolidar entre os gigantes do País, algo que ainda não é visto com frequência na mídia nacional, mesmo com títulos de Série A conquistados. Mas, mais do que isso, a conquista do mercado interno trará aumento de renda proporcionalmente maior que a de gigantes como Flamengo e Vasco que, de acordo com o estudo, estão no limiar de seu potencial de arrecadação. Explica-se lendo as partes anteriores da pesquisa, logo abaixo aqui no blog: o gargalo dos dois cariocas citados (e outros grandes nacionais) está no fato de a maioria de seus torcedores residirem longe das sedes de seus clubes, o que os impede de frequentar os estádios, diminui o interesse em associação e faz com o que o torcedor seja menos propenso a consumir produtos oficiais.

Além disso, Atlético e Coritiba tem que trabalhar (e comemorar) a fidelidade de suas torcidas, ajudadas pela boa média de renda per capita do Estado do Paraná, que permite com que atleticanos e coxas-brancas consumam mais seus clubes, ajudando na arrecadação. Não a toa ambos estão entre os cinco maiores parques associativos do Brasil, superados pelo gigante São Paulo FC e os gaúchos Inter e Grêmio, que têm características de domínio regional ímpares no Brasil. Ao ampliar seu estádio, o Atlético dará um salto nessa área, já que hoje tem cerca de 17 mil sócios, mantidos mesmo com a impossibilidade de mandar jogos na Arena; já o Coritiba, que consideram um parque associativo de 19 mil adimplentes e mais 6 a 7 mil flutuantes (títulos em vigor com parcelas em atraso) já está próximo de seu gargalo em público no estádio; mas mais do que reformar o Couto Pereira, o Coxa já traça outra estratégia associativa: passou a trabalhar a inclusão, ao invés da exclusão.

Explico: o título associativo a R$ 9,90 não oferece os mesmos benefícios que os títulos acima dos R$ 60, para presença garantida no estádio, mas faz com que o torcedor apaixonado pelo Coxa faça parte da vida do clube, pagando menos. Ponto para o Coritiba, que antenou-se a isso antes.

E o Paraná Clube? Em primeiro lugar, os tricolores devem cuidar da manutenção do seu parque associativo, que está aquém do potencial em pelo menos 100%. O Paraná tem hoje cerca de 6 mil sócios-torcedores (não esquecer que o clube tem característica própria de ter um parque associativo social, para piscinas e outros), o que o deixa com cerca de 2% de sua massa total participando da vida do clube. O 27o. posto em potencial máximo de consumo para os paranistas está de acordo com o tamanho aferido na pesquisa – atrás de clubes como Avaí, Figueirense, Goiás, Náutico e Ceará.

O que está em desacordo com o potencial paranista é o aporte de sua própria gente no clube. Veja a tabela abaixo, que traz ótimas perspectivas ao Paraná, e principalmente, coloca o Coritiba como o 3o maior clube do Brasil em voluntariedade de gastos do seu torcedor:

Apesar do empate em números brutos, o Coxa está considerado abaixo dos catarinenses por ter uma torcida maior que a dupla de Floripa; ainda assim, tem ótimo Índice de Propensão ao Consumo, o que significa dizer que o coxa-branca é fiel e ajuda seu time; não menos orgulhosos devem ficar os atleticanos, 4o lugar no Brasil (muito também em função de ter uma torcida maior que os três acima, de acordo com o estudo) mas que mantém-se longe do gargalo de crescimento. O Paraná Clube também aparece positivamente nesse índice, mostrando que um trabalho sério pode trazer mais do que apenas 2% da massa torcedora para o quadro associativo: o Tricolor é o 8o, a frente de grandes torcidas nem tão participativas, como Atlético-MG, Fluminense e Santos.

Os clubes devem voltar seus olhos a dois pontos: atender a necessidade de seu torcedor, fidelizando-os cada vez mais, com benefícios promocionais aos sócios e boas instalações, para gerar renda e conseguir montar times competitivos. A máquina passará a girar sozinha, pois com melhores resultados em campo, maior a atração de público que, fidelizado, trará mais resultados, até que o looping se complete e aumente. Por outro lado, os paranaenses devem perder a timidez e atuar com um marketing agressivo em outras regiões do estado, buscando novos torcedores. Devem trabalhar melhor a relação com a mídia local, buscar campanhas em especial entre os jovens e tentar formar uma nova geração de torcedores.

A má notícia da primeira parcial da pesquisa é também a ótima notícia das parciais subsequentes: se hoje o Paraná não compra os times locais como deveria, o potencial de crescimento dos clubes locais está entre os maiores do País. Há muito a se fazer, mas há saída para o Trio de Ferro chegar ao topo do futebol nacional.

Mercado & torcidas, parte II: a saída paranaense

Dando sequência ao estudo divulgado pela Pluri Consultoria com relação ao tamanho e ao potencial das torcidas no Brasil (as 30 maiores), a segunda parte aborda a força de consumo de cada uma. E aqui aparecem boas novas aos clubes paranaenses, em especial o trio da capital, presente entre as citadas.

Mesmo com mais da metade da população torcedora do Paraná preferindo clubes de outros estados, Atlético, Coritiba e Paraná Clube crescem na relação tamanho/renda per capita. Com base na pesquisa de opinião feita pela consultoria em janeiro deste ano (clique aqui para ler mais) cruzando dados com as informações do IBGE, a dupla Atletiba atinge quase R$ 1 bilhão mensal de perspectiva de renda entre seus torcedores. O Paraná Clube vê sua torcida com quase 250 milhões de renda por mês, a frente de clubes de São Paulo como Guarani, Ponte Preta e Portuguesa. Neste ponto, o Corinthians torna-se o clube com maior renda per capita, ultrapassando o Flamengo, mesmo com maior torcida. Explica-se: São Paulo tem o maior PIB do Brasil. Confira os números:

A conclusão do estudo é boa para os paranaenses. Tendo por base a concentração de torcedores dentro de seu próprio estado e o acesso dos mesmos aos produtos que o clube oferece (planos de sócios, camisas, souvenires) o potencial de gasto de um torcedor nisso está intimamente ligado ao fato de ele viver na sede do mesmo.

É simples e explica os grandes parques associativos paranaenses: o coxa-branca ou o atleticano, entre os cinco maiores volumes de sócios do País (atrás de Inter, Grêmio e São Paulo) tem acesso ao estádio em maior número do que o flamenguista residente em Manaus. Cerca de 65% da torcida do Flamengo está fora do Rio, enquanto apenas 6% da torcida do Coritiba não é paranaense –  no Atlético, o número sobe para 9%.

Trazendo o Paraná Clube para a análise (100% dos torcedores dentro do Estado), percebe-se que se o volume dos torcedores paranaenses no todo é diminuto entre a população local, ao menos os que escolhem torcer para os times da terra são mais participativos. Resta aos clubes trabalhar melhor ações junto a esse público, para rentabilizar mais. Isso passa por respeito ao quadro associativo, atendendo a necessidades básicas do consumidor pagante, até pesquisas de opinião sobre esse ou aquele produto a ser lançado. Os clubes locais têm feito isso? Reflita.

Se há a vantagem da maior exposição dos gigantes brasileiros, estes também sofrem em maior número com a pirataria. O estudo indica que Flamengo e Corinthians, por terem torcedores em sua maioria distantes da sede, adquirem produtos piratas com maior índice do que os que estão próximos a base do clube do coração. Por outro lado, Atlético, Coritiba e Paraná já convivem com a “ameaça corintiana” (rótulo simbólico e extensivo a outros gigantes com a mesma característica) ao verem lojas como a “Poderoso Timão” se instalarem em shoppings da cidade. E ainda há a concorrência indireta, cada vez maior, de clubes como Barcelona, Milan e Manchester United.

O estudo ainda aprofunda os dados, trazendo mais boas novidades aos paranaenses, com os três presentes entre os 11 clubes com torcedores mais ricos do país – logo, com mais recursos a investir na paixão. Novamente, a base é o IBGE x pesquisa de opinião, chegando a renda média mensal de cada torcedor. Confira:

Aqui, tratando-se somente dos paranaenses, empate técnico: do Paraná Clube, que tem a menor média mensal de renda entre torcedores, para o Atlético, a maior, são apenas R$ 11 a menos. Considerando as capacidades de cada estádio da capital e o volume de torcedores apontado pela pesquisa para os três, chega-se a conclusão que é possível que cada clube tenha sua capacidade associativa esgotada. Vejamos:

– Considerando que o plano associativo do Paraná Clube custa R$ 40/mês para ver jogos na arquibancada (cerca de 5% da renda média mensal)

– Que o valor padrão no Coritiba é de R$ 60/mês para ver jogos na arquibancada (cerca de 8% da renda média mensal)

– Que o valor no Atlético é de R$ 70/mês para qualquer setor na Arena (aproximadamente 10% da renda média mensal)

E que nenhum dos três clubes tem mais do que 10% da capacidade máxima da sua torcida em área aproveitável no estádio, é possível que, convencendo menos de 10% da torcida de cada clube, se garanta uma arrecadação mensal proporcionalmente maior (quiça igual) a de Flamengo ou Corinthians.

A pesquisa chama ainda a atenção para a alta concentração de renda dos clubes catarinenses, da região de Campinas-SP (cerca de R$ 5 milhões de habitantes em um pólo produtivo paulista) e dos dois grandes gaúchos, virtualmente os maiores clubes do país em potencial de arrecadação e domínio territorial.

A saída competitiva para os paranaenses está aqui. Mas, pode ter mais boas notícias.

Amanhã, a Pluri Consultoria irá divulgar a última parte do estudo, sobre o potencial de consumo de cada torcida – especificando quem efetivamente gasta mais em seu clube atualmente. Aguardemos.

 

 

Mercado & torcidas, parte I: ainda há muito a fazer

A Pluri Consultoria, empresa curitibana de marketing, gestão e negócios em esportes, divulgou ontem um relatório feito a partir de uma pesquisa de janeiro deste ano, em 144 cidades do Brasil, com 10.545 pessoas, para mensurar o tamanho do potencial consumidor das torcidas no País. A margem de erro é de 2,4%.

A pesquisa logicamente também dá uma dimensão do tamanho das mesmas.

Olhando para o nosso quintal, diante apenas do primeiro relatório (outros dois serão divulgados nos próximos dias e terão análise aqui no blog) ainda há muito a se fazer. A tabela a seguir apresenta os números brutos da pesquisa:

Os números são próximos da última pesquisa divulgada, ainda em 2008, pela Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo. Mas não são o foco da discussão: há algo que deve ser olhado com mais atenção pelos clubes paranaenses em relação ao nosso mercado.

O primeiro susto também deve ser encarado como uma oportunidade: dos 10 estados mais ricos da federação (SP, MG, RJ, RS, PR, GO, BA, PE, SC e CE) o Paraná é o que apresenta o menor número de pessoas que gostam de futebol:

Nada menos que 1/3 da população paranaense não se importa com o esporte mais popular do País. Para entender porque o Rio Grande do Sul, cuja capital hoje é menor que Curitiba, tem mais força no cenário nacional esportivo, é fácil: 90% dos gaúchos gostam de futebol. Até mesmo Goiás e Ceará, estados que nunca viram seus clubes vencerem nenhum campeonato nacional da primeira divisão, tem melhor índice que o Paraná.

Mas há algo ainda mais preocupante: dos 67% dos paranaenses que gostam de futebol, a maioria gosta dos clubes de fora.

Nada menos que 64,4% dos paranaenses apoiam uma equipe de fora do Paraná como clube do coração. O Paraná fica apenas à frente de Ceará e Santa Catarina no quesito. Novamente, vale o comparativo com os vizinhos gaúchos: apenas 2,8% dos residentes no Rio Grande do Sul torcem para outra equipe que não seja gaúcha. Isso demonstra o potencial mercadológico que as marcas têm em apostar no mercado local. A já citada pesquisa Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo de 2008, uma das mais completas feitas por aqui já apontava o Corinthians como maior torcida do Paraná, com 12,45%, a frente do Atlético, segundo colocado, com 9,56% .

Para os paranaenses, a pesquisa serve como alerta. Se os clubes do Estado estão distantes ainda de paulistas e cariocas, é necessário mirar em cima e tentar se aproximar de gaúchos e mineiros. O Paraná é o quinto estado no ranking da CBF, logo a frente de Pernambuco e Bahia. É evidente a necessidade de boas campanhas dentro e fora de campo para fazer com que os paranaenses que não gostam de futebol passem a gostar; e os que adotaram um time de fora, criem simpatia aos locais.

O relatório traz outro estudo interessante: a penetração dos clubes em outras praças:

Dos paranaenses, o Atlético é o clube que tem mais torcida em outros estados: 9% do seu contingente. É um número considerado razoável se comparado com outros concorrentes diretos; dentro do eixo, o Atlético-MG é o clube que tem o menor índice fora de seus domínios, o mesmo do xará paranaense. O Furacão ainda comove mais pessoas fora de sua terra do que Bahia, Sport, Vitória e Santa Cruz.

O Coritiba aparece com 6% de sua massa espalhada em outros estados brasileiros. É metade do índice do Cruzeiro longe de Minas Gerais, mas também é mais do que conseguem os times de Bahia e Pernambuco. Já o Paraná Clube tem toda a sua torcida estimada no próprio estado.

Talvez pela característica migratória do seu povo, talvez pelas conquistas e feitos das suas equipes, os gaúchos Internacional e Grêmio são bem representados longe do Rio Grande do Sul (onde, como visto acima, dividem cerca de 98% da população entre si e outros menores da terra, como Caxias, Juventude, Brasil de Pelotas, etc.). O Grêmio tem 27% de seus simpatizantes fora do RS, enquanto que o Colorado conta com 24%.

Mas nem tudo é tão ruim para os paranaenses: Coritiba e Atlético, pela ordem de tamanho, estão entre os maiores parques associativos do Brasil (19 e 17 mil sócios, aproximadamente, segundo as assessorias).

Amanhã, a Pluri Consultoria divulgará a segunda parte do estudo, com dados sobre a estimativa de renda de cada uma das 30 torcidas citadas no relatório. O blog trará nova análise.

O exemplo de Ghandi

“Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível.” (Mahatma Gandhi)

O vídeo acima foi divulgado pela Gazeta do Povo nesse domingo (e está disponível na íntegra nesse link) e foi feito em uma reunião a portas fechadas do Conselho Deliberativo do Atlético, no início de 2010.

Ali, ainda com Marcos Malucelli na presidência do clube, o Atlético discutia o formato pelo qual deveria tomar o empréstimo do BNDES para a conclusão da Arena para a Copa 2014. Receosos, os dirigentes à época temiam deixar o patrimônio do clube em risco ao assumir um investimento para reformar o estádio para um evento que não é do clube. Em contrapartida, sabiam das vantagens de poder fazer o mesmo patrimônio crescer aproveitando a Copa e os incentivos governamentais – isenção de impostos, taxas baixas de juros, potencial construtivo aplicado na área do estádio, desapropriações baseadas nas necessidades do Estado. O risco é inerente a oportunidade. São as dores do crescimento. Mas estamos pensando só no modo lícito.

Então vereador e conselheiro do Atlético, o atual gestor do Estado para a Copa do Mundo, Mário Celso Cunha, pediu a palavra. E soltou a pérola:

Eu tenho quase certeza que os clubes que vão assumir esse financiamento não vão pagar coisa nenhuma. E na sequencia eles não vão ter dinheiro. (…) Então vai ser como essas dívidas de clubes com o Governo, que não vão ser pagas. (…) Eu acredito muito que eles vão perdoar essa divida, porque não vai ter como.

Cunha queria convencer os pares de diretoria a tomar a decisão corajosa de empenhar o patrimônio do clube em prol de uma modernização do estádio que pode efetivamente colocar o Atlético em outro patamar no futebol brasileiro, quiçá mundial. Um estádio Fifa é sinônimo de mais rendas em público, publicidade, eventos. É outro padrão.

Despido da necessidade que um homem público tem, Mário Celso Cunha mostrou a diferença entre ética e caráter, ao incentivar o Atlético a assumir qualquer risco prevendo um calote no Governo. Em síntese: ignorem-se os riscos, o Governo absorverá tudo. Cunha, então vereador e gestor das contas públicas, não imaginava que estava sendo vigiado. Foi na contramão do que seu cargo exige – e hoje ainda mais, pois ocupa a cadeira mais importante no Estado sobre Copa do Mundo, abaixo apenas do Governador Beto Richa.

Bonachão e quase sempre sorridente, Mário Celso Cunha cometeu um equívoco ético: jamais deve incentivar um calote, especialmente sendo um homem de governo. Ele sabe que o dinheiro público é de todos, e não de ninguém, como se costuma pensar no Brasil. E que este benefício deve ser bem administrado, especialmente em um país com sérias distorções sociais. Cunha, entre quatro paredes, foi quem realmente é. E como ensina Ghandi, a vida é indivisível: somos o que somos em qualquer lugar.

O Atlético não precisa do calote. É um parceiro do Governo (já mal visto por boa parte da população por essas e outras coisas mal conduzidas) em um processo que é prioritário para o Estado e para outro parceiro, a Fifa. Não se nega jamais os benefícios que o clube tem e terá; e que terá que pagar para isso também, nessa via de mão dupla. O Atlético tem recursos para honrar com sua parte no acordo – e a diretoria que estiver no poder tem que levar isso a ferro e fogo, se tiver caráter.

Ao sugerir o calote em um ambiente interno, Cunha demonstra não ser o gestor ideal para quem quer lisura no processo do Mundial 2014. Desta vez, com quase dois anos de atraso, alguém estava de olho. Em outras, pode ter a liberdade que pensou que tinha nesse caso. Pouco importa o contexto com o qual o atual gestor da Copa no Paraná sugeriu o calote: a simples idéia é suficiente para que ele deixe o cargo por arrependimento próprio ou, caso não, seja exonerado da função.

E o ensinamento de Ghandi serve também ao atual governador. Não se divide a vida, não se divide a política. Absorver a idéia sugerida acima é compactuar com ela. É um recibo oficial para o calote.

Com a ação, o governo.

Abrindo o Jogo – coluna no Jornal Metro Curitiba de 14/03/2012

Muda o que?

A saída de Ricardo Teixeira da presidência da CBF não deve mudar em muita coisa o futebol brasileiro. Afinal, o sistema continua o mesmo. Até a diretoria segue intocada, agora sob a tutela de José Maria Marin. Resta saber se ele também vai acumular, como fazia Teixeira, a coordenação do COL (Comitê Organizacional Local) da Copa 2014 – o que é pouco provável. Ronaldo é forte candidato a tal. E resta também saber se Teixeira saiu estrategicamente ou está mesmo com dificuldades de saúde.

E por aqui?

“Vai ficar melhor a relação. Ele [Teixeira] já não recebia mais ninguém”, disse Hélio Cury, presidente da FPF, que esteve no Rio e em São Paulo nos últimos dias. Cury foi ver a cerimônia que apresentou a renúncia de Teixeira (sem a presença do mesmo) e também articular com os presidentes da Federação Paulista e Gaúcha, entre outras, eleições antecipadas – estão marcadas para 2015. Mas mudou de idéia. “É melhor não mexer nisso agora, as coisas estão andando, falta pouco para a Copa”, contou.

Resultado duvidoso

“O atraso na decisão tem efeitos comprometidos e o sistema de sucessão é preocupante. A estrutura está arquitetada para não mudar. E tivemos quase 10 anos de impunidade. É importante o governo influir na indicação do coordenador do comitê da Copa, afinal, a maior parte é com dinheiro público.” As frases fazem parte do discurso do senador paranaense Álvaro Dias, um dos principais opositores de Teixeira na CBF. Dias comandou a CPI do Futebol entre 2000 e 2001, com acusações de recebimento de propina, evasão de divisas e lavagem de dinheiro contra Teixeira. Mas apenas após uma série de reportagens da BBC de Londres, com eco na imprensa e no governo brasileiro, Teixeira começou a se sentir pressionado.

Coritiba: mudança na base

O Coritiba perderá o técnico Marquinhos Santos, das categorias de base, para a Seleção Brasileira. Só falta assinar a rescisão, o que deve acontecer até o final de semana. A saída de Marquinhos Santos é um pedido da CBF, que quer dedicação exclusiva à categoria sub-15; no Coxa, Santos dirigiu as equipes sub-20 nos últimos três anos. Quem deve assumir a vaga em definitivo é Zé Carlos, que dirigiu a equipe sub-18 na última Copa São Paulo, chegando nas semifinais.

Paraná: mudança na base

O Paraná Clube, irritado com a gestão da empresa BASE (Bom Atleta Sociedade Empresarial) nas categorias de base do clube, deu grande passo para voltar a ter autonomia financeira: rompeu ontem o contrato que tinha com a empresa. A BASE ficava com 50% dos valores das revelações paranistas e em contrapartida ajudou a construir o CT Ninho da Gralha e teria de remunerar os funcionários do local. No último final de semana, os funcionários entraram em greve reclamando de salários atrasados. O presidente Rubens Bohlen assinou a rescisão do contrato e o clube reassumirá as categorias integralmente.

Teixeira fora da CBF: relembre a relação com o futebol paranaense

Teixeira em 1989: 23 anos até sair do cargo

Ricardo Teixeira deixou a CBF. O que parecia impossível aconteceu nessa segunda, 12 de março de 2012. Foram 23 anos a frente da entidade. alguns escândalos, como o da alfândega na Copa 94, CPIs e milhares de denúncias; Teixeira também foi o presidente das viradas de mesa, em 1993 pelo Grêmio, em 1997 pelo Fluminense e em 2000, pelo Botafogo.

Sem contar o canetaço histórico no Coritiba em 1989, rebaixando o clube que levou WO por não jogar em Juiz de Fora contra o Santos, mesmo amparado por uma liminar (o América-MG também sofreu represália, ainda pior, em 1993). Na época, Coritiba e Vasco disputavam uma vaga na segunda fase da competição. O Coxa estava praticamente classificado.

Diretoria do Coxa de 2008 recebe Teixeira: agraciado

Em 4 de outubro daquele ano, o goleiro Rafael Cammarota, campeão brasileiro pelo clube, defendia o Sport Recife. Um torcedor coxa-branca invadiu o gramado para agredi-lo, o que fez com que o Coxa perdesse um mando de campo. A CBF então marcou o jogo da punição, contra o Santos, para Juiz de Fora-MG, em horário diferente da partida entre Sport x Vasco, concorrente direto. O Alviverde conseguiu uma liminar exigindo que os jogos fossem no mesmo horário, o que não foi acatado pela CBF. Então, em uma decisão de diretoria, o Coritiba não viaja a Minas Gerais e perde por WO. A CBF cassa a liminar e rebaixa o clube para a Série B. O Coxa chegou a cair para a Série C em 1990, mas não disputou, com a divisão sendo extinta. Voltou a elite em 1996, após o vice da Série B de 1995.

Teixeira, Requião e Mário Petraglia: política e sorrisos

Teixeira prejudicou o Atlético em 1993, retirando o Furacão do grupo principal em que estava em 1992 e relegando-o a um grupo secundário, praticamente rebaixando o clube. Em 92, o Rubro-Negro terminou a Série A em 15º lugar entre 20 clubes, longe da zona do rebaixamento. O Grêmio então estava na Série B e não conseguiu acesso. A CBF mudou o campeonato em 1993, guindando 12 clubes para a elite – entre eles o Grêmio. O campeonato foi dividido em quatro grupos: A e B, com proteção contra o rebaixamento, e C e D, no qual apenas 8 clubes permaneceriam na elite. O Atlético, dono da vaga na Série A, foi colocado no Grupo D, perdendo o privilégio adquirido em campo. O Grêmio participou do Grupo B, blindado contra a queda. O Furacão acabou a competição na 24ª posição (dentro dos 24 melhores) mas foi rebaixado mesmo com mais pontuação que Fluminense (28º), Bahia (30º), Botafogo (31º) e Atlético-MG (32º). Voltaria a Série A em 1996, como campeão da B-95.

Também em 1993, o Paraná, então campeão da Série B 92, se viu obrigado a disputar a elite no grupo desprotegido, mas garantiu novamente sua vaga, acabando em 10o no geral.

Mas em 2000 Teixeira prejudicou o Paraná Clube indiretamente, ao abrir mão do Brasileirão que se tornou Copa João Havelange e que teve organização do Clube dos 13, com o Tricolor em um grupo secundário, mesmo estando no principal em 1999. Na ocasião, a CBF instituiu que o rebaixamento viria da média dos dois últimos anos de campeonato (pontos somados e divididos por 2, entre 98 e 99, numa cópia do modelo argentino). O Paraná acabou a competição em 17º de 22 clubes, mas a CBF e o STJD julgaram que o São Paulo utilizou irregularmente o atacante Sandro Hiroshi na vitória por 6-1 sobre o Botafogo-RJ. O time carioca então somou três pontos e escapou.

Só que o Gama, outro atingido pela decisão de ser usada a média, entrou na Justiça Comum e conseguiu fazer valer o regulamento antigo. Sem abrir mão da decisão desportiva, a CBF se viu obrigada a não rebaixar o Botafogo mas arrumar uma vaga para o Gama na elite. Então, abriu mão da organização da competição em 2000, que ficou no colo do Clube dos 13. O C13 criou a Copa João Havelange, dividindo a competição em 4 módulos que teriam cruzamento nas finais. No módulo principal estavam 29 times, entre eles Fluminense (que em 1999 venceu a Série C e estaria na B, mas foi guindado a elite) e Bahia, que estava na B. O Paraná ficou fora deste grupo e teve que disputar a segunda classe. Mas venceu o torneio e chegou até a fase de quartas de final, quando perdeu para o Vasco, futuro campeão. Assim, a CBF impôs ao Tricolor a proeza de jogar duas divisões na mesma temporada.

Teixeira negociou os direitos dos jogos da Seleção Brasileira, deixando o povo distante do antigo orgulho nacional. Assinou contratos milionários com um fornecedor de material esportivo que nunca deixou a impressão de valorizar a marca da Seleção individualmente.

Mas, admitamos, Ricardo Teixeira teve suas contribuições. Com ele, o Brasil foi bicampeão mundial, vencendo as Copas de 1994 e 2002, também ganhou cinco copas América e três copas das Confederações. Reorganizou o Campeonato Brasileiro de 2003 para frente, consolidando o formato de pontos corridos. Deixa a CBF alegando problemas de saúde.

Teixeira e Hélio Cury: hoje em lados opostos, mas modelo copiado

A grande pergunta que fica é: o que muda de fato? A substituição de Teixeira por José Maria Marin trará novos ares ao futebol nacional? Evidente que não. O ciclo continua. As diretorias estão mantidas. A Federação Paranaense de Futebol se posicionou como opositora a Ricardo Teixeira desde o surgimento de que o ex-presidente da CBF iria se afastar. Só que Hélio Cury, que entrou na FPF como interventor, acabou eleito e prorrogou seu mandato para até depois da Copa 2014, num modelo similar ao que manteve Ricardo Teixeira 23 anos no poder.

É cedo para afirmar se a saída de Ricardo Teixeira será mesmo um benefício ao futebol brasileiro ou só mais um artifício, ainda coberto de mistério, para que a pessoa se afaste no momento oportuno, antes de um tombo maior.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 07/03/2012

Sonho renovado

O sonho dos times paranaenses em alcançar a Libertadores e faturar mais um título nacional se renova hoje, quando Atlético, Paraná e Operário entram em campo; em sete dias será a vez do Coritiba, atual vice-campeão. Do trio da capital, o Coxa é quem tem o desafio mais “fácil” – se é que algum pode ser qualificado assim: o Nacional-AM, que andou sumido no cenário nacional. O Atlético encara o líder do Maranhão no momento, o Sampaio Corrêa – leve favoritismo rubro-negro. E o Paraná pega o Luverdense-MT. O Tricolor fará seu primeiro jogo oficial no ano e é um mistério. Já o vizinho Operário recebe em Ponta Grossa o tradicional Juventude-RS, na série mais complicada.

Atalho mesmo. Mas com espinhos

A Copa do Brasil é o atalho para a Libertadores. Isso porque um clube pode ser campeão nacional com apenas 10 jogos – no Brasileiro, são 38. Em 2011, o Coxa bateu na trave: pelo critério de gols marcados fora de casa, deixou a taça nas mãos do Vasco. O Atlético parou no mesmo adversário, antes das semifinais. Nesse ano, a chave do Furacão é mais complicada que a do Coxa. Nela estão Cruzeiro, Grêmio e Palmeiras, além de Paraná e Operário; já o Alviverde tem um caminho mais livre: seu primeiro grande confronto pode acontecer somente nas quartas, contra o Sport Recife. Deste lado ainda estão os tradicionais Botafogo, Atlético-MG e São Paulo.

O melhor do Brasil

Na contramão das críticas da torcida do Coritiba, o técnico Marcelo Oliveira foi indicado pelo IFCStat, da Holanda, como o 14º técnico do Mundo no momento e o principal no Brasil. Os números levam em consideração as últimas 52 semanas de trabalho. Está à frente de Muricy Ramalho e Tite e atrás de Pep Guardiola e José Mourinho, os líderes.

O melhor do Brasil II

“Não quero ser arrogante, mas pelo que vi nos Estaduais por aí, o nosso time é o melhor, jogando com velocidade e na vertical.” Este é Juan Ramón Carrasco, técnico do Atlético, valorizando o elenco. Uma coisa é fato: o time ganhou personalidade com ele.

Quer ajudar demais, atrapalha

O Coritiba bloqueou o acesso livre do público ao Twitter do clube nesta terça. O motivo? Um torcedor, na ânsia de tornar o endereço @coritiba mais popular, o cadastrou num sistema de spam. Ninguém na assessoria do clube aguentou a quantidade de propagandas que o Twitter oficial recebeu. O clube já está removendo os spams.

Fifa vista Arena amanhã

A Fifa fará nova visita à Arena amanhã, de inspeção do andamento das obras. Questionado sobre o objetivo de mais uma verificação, o gestor do Mundial em Curitiba demonstrou irritação com as freqüentes cobranças da entidade: “Estamos supertranquilos, não temos preocupação,” disse Luiz de Carvalho. Sobre as desapropriações no entorno do estádio, feitas por governo e prefeitura, Carvalho declarou: “A maioria dos proprietários já concordou de forma amigável. Alguns estão em inventário.” Carvalho está desde o começo no processo da Copa 2014 em Curitiba, mas, como o cargo é político, pode deixar de ser referência se o atual prefeito e empregador, Luciano Ducci, não for reeleito no fim do ano. Seria mais uma mudança no tabuleiro do Mundial, que já viu peças importantes, como o ex-vice-governador Orlando Pessuti, saírem de cena.