Criticado, Marcelo Oliveira é o melhor técnico do Brasil

Criticado aqui, reconhecido na Holanda

Marcelo Oliveira vive um dos momentos mais difíceis desde que chegou ao Coritiba, comparado mesmo somente à sua chegada, no início de 2011, para substituir o admirado Ney Franco. Oliveira, mesmo sem perder em Campeonatos Paranaenses desde o ano passado (e o Coxa há 45 jogos) e tendo ganho um título estadual e chegado a decisão da Copa do Brasil 2011, nunca foi unanimidade. Bastou o Coritiba perder rendimento e a pressão sobre ele tornou-se enorme. Mas, em contrapartida, o IFCstat, grupo de estudos e análises holandês, coloca Marcelo Oliveira como o melhor técnico do Brasil no momento e o 14o do Mundo.

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Marcelo está a frente de Muricy Ramalho, campeão da Libertadores pelo Santos, do badalado Wanderley Luxemburgo e do campeão brasileiro Tite, do Corinthians. Está a frente de grandes nomes, como Marcelo Bielsa, do Athletic Bilbao, e de ex-craques como Didier Deschamps (campeão mundial com a França em 98) técnico do Olympique Marseille. Pep Guardiola (Barcelona), José Mourinho (Real Madrid) e Alex Ferguson (Manchester United) encabeçam a lista.

A base do estudo são as últimas 52 semanas de trabalho e os resultados entre elas. O fato de o Coritiba ser um time de porte médio no Brasil e ter o desempenho que teve em 2011 (período ainda em vigor na soma de pontos) o fazem somar mais na proporção do que se dirigisse um clube maior potencial em outros países, casos dos campeões mundiais Liverpool e Borussia Dortmund. O estudo leva em conta o tamanho do desafio do técnico. Marcelo Oliveira soma 8100 pontos. Arsene Wenger, do Arsenal, está em 9o. com 8601.

Fato é que se o desempenho do Coxa não agrada a torcida, a continuidade do trabalho premia Marcelo Oliveira com esse status individual. Toda e qualquer análise sobre o desempenho dele no comando alviverde tem que passar pela reformulação do elenco.

Mas é importante dizer que é atribuição do treinador fazer o time jogar, seja qual elenco ele tiver nas mãos. Quando Ney Franco era treinador do Atlético, em 2008, eu o entrevistei logo após a venda de Ferreira e Clayton, quando o Furacão estabelecia o recorde (já quebrado pelo Coritiba de Marcelo Oliveira) de vitórias seguidas em campeonatos paranaenses. Ney, sem lamentar o “desmanche”, me disse: “Sou técnico. Tenho que treinar quem está aí para fazer o melhor.” O time até seguiu jogando bem, mas acabou vice-campeão.

Curiosidade: Juan Ramón Carrasco, técnico do Atlético, aparece na 307a. posição. Ricardinho, do Paraná, ainda não disputou nenhum jogo oficial e não está no ranking.

Alex Brasil segue no Paraná Clube

O gerente de futebol do Paraná, Alex Brasil, negou em entrevista a mim e ao repórter Diego Sarza que esteja de saída do clube.

A informação de uma possível saída de Alex foi apurada durante o início da noite de hoje, por Diego junto a uma fonte dentro do Paraná. Alex teria participado de uma reunião com a diretoria e poderia deixar o clube. Assim que soube da informação, entrei em contato com Alex e com Diego, que é repórter do Jogo Aberto Paraná, e conversamos sobre a situação. Transcrevo abaixo a resposta do gerente de futebol do Tricolor:

“Hoje não teve reunião nenhuma. Não houve nada. Tenho total autonomia no clube e não tenho problema nenhum financeiro. Eu optei pelo Paraná, porque tinha autonomia num clube europeu. É uma informação errada. Eu fui resolver problemas de atletas lá. Quem falou isso… é bom falar, isso não aconteceu. Não existe atraso de salário. Tenho autonomia. Não tem procedência.”

Alex Brasil estará amanhã, 12h30, no programa Jogo Aberto Paraná da Band, tratando da agenda do Paraná, do seu trabalho no clube e da sequência dele. Sem papas na língua e democraticamente, como é o estilo do programa.

Ressalte-se que Diego Sarza é um repórter honesto, dedicado, tem suas fontes e confiou na informação que lhe foi passada. Não tem o menor interesse em desestabilizar esse ou qualquer profissional de futebol; Diego quer é informar o torcedor. Erros podem acontecer com qualquer profissional, seja eu, Diego ou até o próprio Alex Brasil.

Ficamos portanto com a palavra oficial do gerente de futebol do Tricolor, que é o principal interessado no assunto.

Relações perigosas

A relação da imprensa com os clubes no Paraná nunca foi das melhores, mas nos últimos dias atingiu níveis de intolerância e proximidade perigosos. Por ora, tudo personalizado na figura do radialista Osmar Antônio, da Rádio Banda B, que recebeu cerceamento de trabalho na cobertura do Atlético no Atletiba 349 e no jogo deste domingo em Paranavaí, ouviu do zagueiro Manoel que “Não posso falar”, ao fazer uma pergunta. Logo percebeu que tratava-se de uma ordem superior para que ninguém o atendesse (outros mais podem sofrer com isso).

Exatamente na outra face da moeda, coincidentemente envolvendo um profissional da mesma rádio, Eduvaldo Brasil recebeu uma homenagem da diretoria do Coritiba, tendo sua imagem e uma mensagem de parabéns vinculada ao press kit do clube no jogo contra o Roma. Enquanto um condena, outro abraça. E pra mim nenhuma das medidas é salutar ou profissional.

Não discuto o mérito da lei – que é indiscutível, deve(ria) ser cumprida – e está melhor explicada nessa matéria da Gazeta do Povo. Osmar Antônio está credenciado por um veículo legalizado e deve ser respeitado; também não nego ao atencioso e simpático Edu Brasil o merecido parabéns e reconhecimento de todos os colegas. Edu tem uma vida dentro do Coritiba e seu trabalho é conhecido há anos. O que une as situações aparentemente tão distintas é a adoção de relações que os clubes mesmos combatem, mas colaboram.

Ao que parece, a relação do presidente do Atlético Mário Celso Petraglia  com o repórter citado não é das melhores. Não existe nenhuma motivação pública (deveria ser ao menos explicada) para a medida tomada pelo clube que ele preside para agir com o profissional senão uma retaliação, por motivo ainda suposto. Mas Petraglia, que cobra profissionalismo de todos os setores, age erroneamente na situação. Já se recusa a falar com a imprensa do Paraná – mas não com a paulista, sendo citado constantemente na Folha de SP* – e orienta seus funcionários a não responderem o citado repórter. Petraglia não é obrigado a dar entrevistas a ninguém; ninguém o é, de fato. Só que ele ocupa um cargo importante e está sujeito a cobranças.

Quando fala a imprensa, fala ao torcedor. Sob a intenção de fortalecer os canais de comunicação do clube, só se manifesta pelo site oficial. Esquece-se que o site, por melhor acessado que seja, não tem o alcance que a rádio e a TV ainda têm, falando para mais pessoas, os quase 1,5 milhão de torcedores do Atlético espalhados pelo Mundo que não necessariamente visitam ou visitarão o site. Com a medida, também se priva de responder perguntas que vão ao desencontro do que ele pensa. Esquiva-se de certos temas. Quanto aos jogadores, que cumprem apenas ordens, deveriam ser orientados a dar entrevistas após Media Training, recurso vital em qualquer empresa de sucesso. A retaliação é sempre o pior caminho. Como futebol é resultado, o momento fortalece a medida aos olhos do torcedor menos politizado.

A relação do Coritiba na situação citada também tem distorções. Por mais que mereça (e merece) o carinho dos colegas, oficializar um profissional na ativa no press kit cria uma situação de cumplicidade muito grande (1). Como conduzir a isenção nesse processo? Causa um constrangimento. Estar de bem e ter boa e educada relação com dirigentes, atletas e comissão técnica não precisa ir tão longe. O Coxa já chegou a ceder espaço no site oficial para colunas semanais de alguns repórteres. Evidentemente, o espaço não pode trazer todo o noticiário, se tornando chapa branca, pois é de assessoria. E a imprensa infelizmente não traz apenas coisas boas: por vezes, uma crítica ou uma denúncia é mais salutar que o elogio, especialmente o falso.

(1) Observação: o departamento de comunicação do Coritiba entrou em contato com o blog para informar que não foi distribuído press kit com a homenagem para todos os veículos, tornando-se apenas uma homenagem interna para Edu. Indiscutível a merecida homenagem e, desfeito o engano, mantenho a análise em relação as antigas colunas, já retiradas do site.

O mercado de imprensa deveria aproveitar o momento e refletir. Jornalismo não pede passagem, acontece e pronto. É preciso independência. O mercado local muitas vezes vive de favores de dirigentes em viagens, banaliza espaços publicitários em troca de abraços, não valoriza a formação profissional de quem ocupa o microfone. Uma boa pauta não precisa de hora marcada para coletiva: existem vários assuntos de interesse público que não são esclarecidos e que poderiam ser olhados a partir disso. Jornalismo mesmo, melhor que o cômodo “treinou em dois períodos.”

Os próprios profissionais poderiam se ajudar, se respeitando, respeitando o colega e o mercado, unindo-se contra os erros e crescendo. A tudo que foi escrito acima, soma-se a eterna desconfiança dos torcedores, que talvez com essas mal traçadas entendam um pouco mais do mercado.

Não sou corporativista e já sofri na pele discriminação dos colegas. Basta você querer fazer diferente e há um preço a ser pago. Tudo o que defendo nesse espaço, que é independente acima de tudo, é por convicção pessoal. E as relações acima citadas estão erradas. As duas. Na vida, o equilíbrio é tudo. É tempo de profissionalizar o futebol do Paraná e isso passa por uma nova atitude das partes.

*O conteúdo da Folha de SP é fechado apenas para assinantes, por isso a referência em um blog

Desejo, necessidade, vontade

O início de ano está aquém do que o Coritiba pretendia para si. Melhor dizendo: está abaixo do que a torcida esperava que o Coxa produzisse. Muito por culpa do próprio clube, que em 2011 sobrou no Estadual e, nesse ano, viu o turno praticamente ir embora (ainda resta a última rodada, tudo pode acontecer e escrevo antes dela) com 4 empates – o mais sentido, contra o Rio Branco em casa (1-1). As cobranças vieram e a torcida se pergunta: dada as mudanças no elenco, não seria melhor investir na base do que nas contratações que chegaram?

Primeiro, há que se entender as razões da cobrança do torcedor. São três os fatores: o torcedor não é bobo e sabe que, mesmo há 43 jogos sem perder no Paranaense (desde o 0-1 com o Paraná em Paranaguá, 2010), o time não vem jogando bem. Patinou para vencer o ACP, que está na área do rebaixamento; jogou mal, mas ganhou, contra o bom Arapongas – o placar de 4-1 não diz o que foi o jogo. E também não rendeu nos empates (aceitáveis, pelos duelos) contra Londrina, Cianorte e Atlético. Sem contar o já citado tropeço contra o Rio Branco. Se os resultados estão ruins, o desempenho está pior. E é isso que preocupa o torcedor em primeiro lugar.

Depois, o desempenho do rival Atlético, com um time praticamente de garotos, cutuca o coxa-branca. Não adianta negar: o campeonato é polarizado (o Cianorte é um atrevido!) e isso se vê em investimentos. E quando se vê em campo que os meninos do Furacão, como exemplo Bruno Furlan, Ricardinho e Deivid, vão melhor que os reforços Lincoln, Marcel e Júnior Urso, surge a pergunta: e a base coxa? Aí chegamos ao terceiro vértice da cobrança: o Coritiba foi semifinalista da Copa São Paulo 2012 e do Brasileiro Sub-20. Onde estão as revelações?

Então, entre o desejo da torcida do Coritiba estão a necessidade do clube e a vontade do departamento de futebol. O torcedor que ver em campo jogadores como Luccas Claro, Guaraci, Tiago Primão, Alex e tantos outros. O clube tem a necessidade de colocá-los em campo – mas tem que saber o momento certo para isso. E isso é o que dirige a vontade do departamento de futebol.

Explico: a saída para os nossos clubes (vale para todos que não têm a verba gorda da TV, não estão no centro de mídia do país e nem contam com a mesma complacência em dívidas que outros grandes) é a base. Entre contratar um atleta a peso de ouro e revelar para vendê-lo, melhor sempre a segunda. Foi assim, em um exemplo local, que o Atlético se projetou nacionalmente. Basta rever a base dos grandes times da história recente do clube e ver que os destaques eram quase sempre da casa – vendidos posteriormente. Foi assim para o Santos, que cresceu sem parar desde 2002, e é, ao lado do Botafogo, o preterido no eixo. Reverteu apostando na base.

Só que muitos dos garotos citados pela torcida nesse link (que orientou a postagem, a pedido do leitor Luan Mannes) disputaram a Copa SP e estão abaixo dos 18 anos. Estão em formação em vários quesitos. Claro, o jargão “qualidade não tem idade” conta, mas o que é Caio Vinícius no time titular senão uma aposta na base do clube*, em detrimento do experiente Marcel? Só que uma vez como titular, durante os 90′, não interessa a idade ou de onde vem: se espera rendimento. E se não vier, cobranças. E assim se queimam os jogadores. Por isso, quem tem a gestão do grupo tem que ter paciência de barrar as críticas e ir soltando os meninos. Para o Coritiba, é muito melhor ter um time “caseiro” do que um repleto de forasteiros.

O time titular do Coxa hoje tem algumas apostas da base. Poucas, é verdade: Willian, que está em tratamento, é titular incontestável e formado em casa. Lucas Mendes, hoje já lateral-esquerdo (era zagueiro), segue o mesmo caminho. E Caio Vinícius vai para o terceiro jogo seguido no time. Outras apostas são opção da comissão técnica, porque afinal respondem a investimento do clube: Júnior Urso está ganhando tempo, Lincoln ainda oscila e Renan Oliveira é tão menino quanto os demais, mas vem ganhando destaque. Aqui, ressalte-se: vale o benefício técnico que ele possa dar, porque está no Coxa por empréstimo. Quem realmente merecia nova chance, após ir muito bem nas que teve em 2011, é Luccas Claro. Mais rápido que Demerson e Pereira, já poderia aproveitar o Estadual para se firmar. E entra no trio que faz com que um garoto entre no time, que dá título ao post e é cantado pelos Titãs abaixo:

* Caio Vinícius foi revelado pelo Porto-PE e chegou “semi-pronto” ao Coxa no fim do ano passado, lembrou-me Leo Mendes Júnior.

A decisão do Ministério Público e o que ela significa

No final da tarde desta terça-feira o MP-PR finalmente publicou oficialmente o que pensa sobre o Atletiba 349 para uma só torcida. E, numa daquelas decisões que só vemos no Brasil, reconheceu o contraditório, mesmo fechando com a ideia de limitar o acesso à Vila Capanema. Confira uma imagem editada da publicação e, ao clicar nela, o ofício original:

Ao admitir que rasga o Estatuto do Torcedor para cumprir o desejo dos clubes, o MP, também amparado pela PMPR, se torna incoerente e pode arrumar mais trabalho para si próprio. Qualquer torcedor que se sinta alijado do seu direito de acompanhar o jogo pode acionar o próprio MP, que terá que responder pela decisão. O Estatuto é soberano e é por isso que o Ministério Público fez questão de ressaltar o que vem a seguir (também editado; para ler o original, clique na imagem):

Os ingressos que seriam reservados a torcida visitante (no caso, a do Coritiba) terão que estar disponíveis. Não podem ser comercializados pelo mandante, o Atlético, nem mesmo com a definição de que a torcida visitante não vá ao estádio.

A reserva tem cunho técnico: se você, torcedor, ingressar ainda nessa quarta com uma ação no próprio MP do Consumidor, poderá ter acesso ao estádio. É claro, terá que contar com a agilidade do sistema e uma boa dose de paciência. Mas o MP não pode, por mais que queira, contrariar a lei. É por isso que essas reservas são feitas no documento oficial.

Que, aliás, não reserva nada sobre a mesma medida para o segundo turno. Em contato com o departamento jurídico do Coritiba, apurei que o clube espera o fim do plantão de carnaval do MP, amanhã 12h, para receber um documento oficial que garanta no mínimo a isonomia nas ações quanto às torcidas. O Coxa quer um documento como o exemplificado acima, assinado pelo MP, de que não só o Atletiba do turno, mas também o do returno, terá a mesma medida.

Hoje as partes contam apenas com a palavra uma das outras. O que mudou por diversas vezes desde a reunião de sexta, ao ponto de que só se soube na segunda de manhã a nova postura do MP quanto ao caso, cedendo à idéia do presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia.

Que não foi o único a aceitar a condição, ressalte-se. Mas isso já foi discutido no post abaixo.

 

Perdemos

Torcida única ocupará Vila Capanema no Atletiba 349

Perdemos todos. A notícia de que o Atletiba 349 terá apenas uma torcida presente (a do Atlético, o que faz por consequência que o Atletiba 350, no Couto, só tenha coxas-brancas) é um atestado de como retrocedemos no tempo. De como nós, paranaenses, não sabemos conviver desportivamente. De como a sociedade atual caminha para um lugar ainda mais obscuro, com os bons se fechando nos muros sob a sombra da violência.

A decisão da PM em conjunto com os clubes é preguiçosa. Tem como base o mau comportamento de alguns vândalos que se aproveitam das camisas das organizadas (algo explicado em várias obras antropológicas) para agredir quem os mesmos entendem ser diferentes. Problema crônico que seria sanado com punição correta, sistema judiciário eficaz – como na Inglaterra – e banimento dos responsáveis. Quiça das organizadas, que têm lá sua função social mas colhem muito mais o bônus (como venda de camisas alusivas aos clubes sem royalties) do que pagam o ônus. Quando há confusão, “é impossível controlar o grupo.”

Só que segurança pública vai além de um ou dois grupos de marginais. Vai ao fato de que o mesmo governo que só aparece para fotos pouco faz na condução do processo Copa 2014. Mais do que isso: Curitiba hoje é considerada a 6a capital mais violenta do Brasil. Como por aqui mata-se o cachorro para se acabar com as pulgas, lá vamos nós a mais uma invenção dos cartolas: agora, somos incapazes de dividir arquibancada com outros seres humanos, apenas porque gostamos de cores diferentes.

Claro, há muito mais por trás do que só a questão segurança. Não é a primeira vez que o tema vem à tona – embora só agora ele esteja praticamente concretizado. Desde 1996, quando do Atletiba 284 (aquele 0-0 que garantiu o Coxa na decisão contra o Paraná), Mário Celso Petraglia já queria que os estádios recebessem torcida única. A idéia por trás do fato é simples: sem a obrigatoriedade de se vender entradas aos visitantes, a capacidade real do estádio está voltada aos sócios, principais colaboradores do clube. Não é ruim, mas é anti-democrática e sectarista. Mesmo na Europa, em clássicos como Barcelona x Real Madrid ou Celtic x Rangers, que envolvem questões políticas ou religiosas com histórico muito acima dos vistos nos Atletibas, há a reserva mínima aos visitantes. Afinal, é apenas futebol, não uma disputa de vida ou morte.

E diga-se que o sim de Vilson Ribeiro de Andrade também não foge à risca. Aliás, o dirigente coritibano, revolucionário no Alto da Glória, tem muito de Petraglia na maneira de atuar. Mais democrático, é verdade, mas com idéias similares. Uma delas é a proibição (na minha visão correta) das faixas de organizadas, vetando a publicidade de um concorrente mercadológico em materiais esportivos, que não paga royalties e vampiriza preços. Para o torcedor comum, uma camisa da Fanáticos ou da Império tem o mesmo valor sentimental que uma da Umbro ou Nike do clube.

Vale ressaltar que em 5 anos, desde a definição da Copa na Arena, não se buscou um acordo. Vale dizer que o Atlético agiu pessimamente em não procurar diretamente o Coritiba; que o Coxa fez ouvido mouco, pressionado pela torcida (mais intolerância) para não ceder o estádio, algo plantado sine qua non – mesmo com décadas de usufruto múltiplo da praça; que noves fora a questão Arena-Governo-Copa, a vantagem técnica de se jogar em casa valia pressão pró-Coritiba, o que se inverteu pelos resultados, e o Atlético desinteressou-se em jogar no estádio rival, pensando também na disputa, mesmo após a primeira abertura de Vilson Ribeiro.

Compreendido isso, é importante lembrar que optamos pelo caminho da separação. Bem distante dos Atletibas históricos da década de 70, como por exemplo na decisão de 1978, quando quase 180 mil pessoas, dividindo o Couto Pereira meio a meio, viram três 0-0 épicos (Manga decidiu o título nos pênaltis a favor do Alviverde). A separação é um passo perigoso pela intolerância. Sai de campo a flauta, a boa rivalidade, entra em campo o ódio. Simplesmente não sabemos conviver.

Tecnicamente, ampara-se a escolha na falta de tempo para a instalação de outras 7 câmeras de segurança na Vila, o que limita a capacidade para 9.999 expectadores – dos quais, pelo regulamento 999 deveriam ser coxas. A capacidade liberada é maior que a suportada na inauguração do primeiro estádio paranaense, a Baixada, em 1914. Lá, se enfrentavam América, Internacional, Coritiba, Britânia e tantos outros, sempre com o apoio dos seus simpatizantes.

Passados 98 anos, estamos piores como sociedade.

O valor de Ricardinho

Assista o vídeo abaixo.

André Vinícius é um dos primeiros reforços do Paraná para a temporada 2012. Sejamos sinceros: mesmo na base do Corinthians, onde teria poucas chances nos próximos anos até que chegasse ao nível de ser titular, estaria numa posição mais confortável que no atual momento do Tricolor. Sem hipocrisia, é público que o calendário do clube para 2012 é terrível, deficitário. Também é notório que o Paraná está com salários atrasados junto a vários funcionários. São os funcionários que fazem a manutenção do clube, dos vestiários, alojamentos, etc., sem contar o clube social – mas essa é outra história.

Portanto, topar jogar no Paraná hoje é negócio de alto risco. É se expor a enfrentar o Cincão EC numa tarde de quarta, entrar num ônibus e correr pro aeroporto para jogar contra o Ceará na noite de sexta – e sem saber se irá receber no fim do mês. Batalha perdida? Negativo.

O ideograma ao lado significa “crise” para os chineses. Mas é o mesmo que significa oportunidade (recomendo ler esse artigo). Talvez poucos jogadores se interessem em vestir a camisa do Paraná Clube atualmente, mas com a presença de Ricardinho no projeto, a coisa muda. É só ver no vídeo:  “Quando me falaram do Ricardinho aqui, já pesou”, disse André Vinícius. Outros mais virão, seguindo essa mesma linha. Ricardinho acrescenta esperança e um ótimo cartão de visitas ao projeto paranista.

O caminho é longo, sem dúvida. Não se sabe a capacidade do ex-meia como técnico, por exemplo. E o fato de alguns meninos da base do Corinthians estarem chegando à Vila Capanema não é garantia de sucesso. Mas no momento não há muito o que se fazer de diferente. Ao menos Ricardinho tem identificação com o clube, e, ao contrário de negócios anteriores, passa a impressão de que quer ajudar com esse projeto – mesmo que seja também interesse pessoal se lançar como técnico. É só olhar para a própria base do Paraná, escanteada desde que, sem dinheiro para alimentar os atletas, o clube trocou percentuais de jogadores por comida. Ao menos evitou-se a tragédia que se viu no Vasco.

Dito isso, chamo a atenção para uma coisa, diretamente ligada a gestão de futebol no Paraná daqui para frente. É mais importante contar com Ricardinho no clube do que cobrá-lo tão já por resultados. No futebol tudo é possível, mas a reconstrução do clube passa até pela compreensão de resultados ruins no início do trabalho. Mesmo que seja uma derrota para o Cincão.

Descaso

A morte do torcedor atleticano André Lopes, na última quarta-feira, atropelado quando saia do Eco-Estádio após a vitória do Atlético (4-0) sobre o Roma, é mais uma demonstração do descaso dos organizadores do futebol local, cada vez menos preocupados com o bem-estar e a segurança do torcedor e muito mais em tapar os buracos que os mesmos se encarregaram de abrir. Infelizmente, esse buraco agora é ocupado por um jovem de 21 anos, que apenas queria acompanhar seu time do coração, mas sofreu com a falta de planejamento de quem liberou e confirmou o evento sem garantir segurança.

A faixa acima é um protesto de moradores e torcedores que perderam um amigo por pura falta de compromisso e planejamento. O conceito do Eco-Estádio é criativo e digno de nota. É feito para comportar a torcida do Corinthians-PR. Até o jogo desta quarta, o recorde de público era o jogo J. Malucelli 3-2 Coritiba, em 2008: 2.173 pessoas. Já um volume substancial de torcedores. O novo recorde foi estabelecido pelo Atlético, tem exatamente 1201 pessoas a mais, mais de 50% do público anterior: 3474. Com 17 mil sócios o rubro-negro dificilmente arrastará menos pessoas a campo do que o volume de quarta-feira. E pelo Facebook, único meio de contato com Mário Celso Petraglia desde que ele assumiu o Atlético, o presidente do clube anunciou:

A média de público do Corinthians-PR em 2011 foi de 383 pessoas, quase 10x menos do que se espera em público médio nos jogos do Atlético desde o anúncio acima. A liberação do estádio feita pensando no público médio do Timãozinho está dentro da normalidade; até mesmo o esquema de segurança, elaborado para um público tão diminuto, está de acordo. Para o Atlético, não. A movimentação é maior, desde o volume de torcedores e ambulantes até os profissionais de imprensa e da organização, mobilizados em maior número dado o apelo popular do Furacão.

E de quem foi a culpa pela morte de André Lopes? Cheguei a ler uma absurda troca de acusações clubísticas, como se Coritiba ou Paraná tivessem relação com a fatalidade – que, aliás, poderia ter acontecido num domingo de sol, com um visitante do Parque Barigui, já que não existe passarela na BR 277 – por não terem chegado a um acerto com o Atlético. Oras!, Coxa e Tricolor estavam quietos em suas casas, um ainda indignado pela maneira com a qual recebeu a imposição (ainda em processo judicial) de empréstimo do Couto Pereira, outro contabilizando o que vale/merece/precisa nas propostas pelo uso da Vila, já descartada. Atribuir culpa a esses clubes no acidente é desrespeitar a família e ignorar que o caso ainda está pendente de solução.

O Atlético, co-organizador do evento (que é da FPF) mostrou que cumpriu sua parte ao apresentar um ofício pedindo segurança a Polícia Rodoviária Federal com dois dias de antecedência:

A Rádio Banda B trouxe a público o documento acima. Aqui, o primeiro sinal de descaso: avisada, a PRF não  percebeu a relevância do evento. Ou, no mínimo, subestimou a importância de coordenar a entrada e a saída de 3,5 mil pessoas em uma rodovia. E o faz de novo: fará um teste hoje num jogo de menor apelo, entre Corinthians-PR x ACP. Pode ter a impressão de que o esquema já é satisfatório.

A Gazeta do Povo estampa que a PRF pode proibir os jogos do Atlético no Eco-Estádio. Diz Anthony Nascimento, inspetor da corporação: “Vamos avaliar se há uma forma para adequar o local para a travessia segura dos torcedores. Se não chegarmos a um consenso, a PRF vai pedir que o evento não seja realizado naquele estádio.” Como você viu acima, esse não será o único jogo do Furacão no Eco-Estádio, segundo o presidente rubro-negro. Após a tragédia (que poderia ter mais de uma vitima, diga-se) a PRF pode mesmo entender que não tem capacidade para fazer a segurança em jogos de grande porte na praça do Timãozinho. E então volta a tona o problema do Atlético: onde o clube jogará enquanto seu estádio está em reforma para atender à Fifa e à cidade na Copa 2014? Minha opinião está nesse link, mas em suma: foram cinco anos para pensar nisso e nada foi feito. Mais descaso.

Fato é que nessa semana o comitê paranaense esteve no Rio, reunido com a Fifa, apresentando as fórmulas de conclusão do estádio. Um nó que passa pela cessão de títulos urbanos de Curitiba (o potencial construtivo) ao Atlético, que os repassará ao Governo do Estado como garantia do financiamento via FDE. Aqui, cabe uma pergunta: entre os R$ 4 bi disponibilizados pelo PAC da Copa – a principal razão da briga de Curitiba pelo Mundial – não cabe orçar uma passarela na região?

Vamos seguir analisando o quadro num todo. É fato que o Atlético está sem opções para mandar seus jogos e que o Governo e a Prefeitura não mexeram um dedo para ajudar na solução, bem como há rompimento entre as diretorias do Trio de Ferro, pelos motivos já conhecidos. Mas há outra conta que pode ser feita: o CAP pagou ao Corinthians-PR R$ 20 mil de aluguel de campo, como está no borderô disponível no link. Como já citado, o Atlético tem cerca de 17 mil sócios. Cada um pagando R$ 70 mensais, enquanto o valor atribuído em borderô é de R$ 10. Claro, o sócio tem acesso a todos os jogos, o valor serve para cobrir as despesas dos ingressos – promocional para sócios – ao longo de um mês. Em fevereiro, por exemplo, o Atlético terá, contando o jogo com o Roma, quatro jogos em casa. A despesa, portanto, será de R$ 40, com R$ 30 ficando para o clube. A tarifação da FPF e da arbitragem, entre outros, entra na conta que o clube tem como prejuízo: R$ 9165,91.

No entanto, arredondando os números, 13.500 sócios estimadamente ficaram de fora do jogo, supondo ainda que estejam com a mensalidade em dia. São R$ 945.000,00 por mês, que certamente não cobrem o pedido público do Coritiba por jogo (R$ 250 mil) mas que possibilitaria um acordo mais justo e rentável entre as partes, sem a necessidade da justiça. Ou ainda na Vila Capanema, talvez não pelos R$ 30 mil oferecidos, talvez não pelos R$ 120 mil pedidos pela diretoria paranista. Resta ainda uma pergunta: apelando para o coração dos associados, o quanto a diretoria do Atlético vê ser necessária uma retomada de negociações? Quem sabe até aproveitando o embalo da nova campanha de marketing do Coxa, “Amo minha terra, torço pelo meu Estado”, que prega união e amor as coisas do Paraná – e pode dar um passo real fora de campo.

Aqui, não verso sobre a disputa judicial entre FPF e Coxa; essa opinião já foi emitida acima e foi a grande mola do desgaste. E a novela segue uma vez que a resposta do STJD, que sairia quinta, ficou pra sexta e passou o final de semana sem aparecer. E quando vier poderá causar até mais problemas do que soluções.

Um deles: entre os jogos de fevereiro no Janguito Malucelli, está o Atletiba de 22/02, uma quarta de cinzas. O estádio não tem iluminação e como antecipou Amilton Stival, vice-presidente da FPF, poderá receber torcida única no jogo.

Quem sofre é você, torcedor. É a família de André Lopes, para qual nenhuma das linhas acima servirá como consolo ou reflexão; é o consumidor, tratado para cima e para baixo como objeto, mas quase sem nenhum direito; é o cidadão, que acredita em um futuro melhor, mas vive sob a sombra do descaso dos governantes – que, não se esqueça, esse ano precisarão muito de você em outubro.

90 minutos no epicentro do futebol mundial

“Nesse mês fui ao meu primeiro Real Madrid x Barcelona em pleno Santiago Bernabéu. E o que eu não vi foi futebol…. Aquilo lá é outra coisa”

por Isabela Sperandio*

Real e Barça: mais que um jogo (foto: USA Today)

Há muito tempo digo que o futebol no Brasil é pouco profissional. Quando as pessoas comentam que é “um absurdo os jogadores ganharem tanto dinheiro”, eu discordo. Por que é um absurdo o Özil ganhar milhões de euros e a Angelina Jolie não? Ela aporta mais à sociedade do que o Messi? Para algumas pessoas pode ser que sim, para mim não. Também podemos olhar desde o ponto de visto da economia: Messi e Cristiano Ronaldo são “ativos” de duas das empresas esportivas mais valiosas do mundo. São investimentos amortizados e rentabilizados em negociações publicitárias, venda de camisetas, entradas para jogos, etc… Para mim, que moro na Espanha há 4 anos, o futebol é claramente um negócio maduro e rentável, mesmo em um país em crise.
E foi só depois desses 4 anos que eu tive a oportunidade de ir ao Santiago Bernabéu ver um jogo entre Real Madrid e Barcelona (que ganhou por 1 x 2, no jogo de ida da Copa del Rey – veja os gols abaixo). E posso garantir para vocês, um jogo desses impressiona: é muito mais do que futebol.

Quando os esportistas chegam a um nível tão alto de desempenho e superação, o quê se vê é um espetáculo com todas as letras. Velocidade, disputa e muita inteligência. Não tem corpo mole, nem chutão ou tempo perdido. É futebol do princípio ao fim. Apesar de o Real ter jogado muito menos do que esperávamos, do Mourinho ter decepcionado os torcedores brancos e do Cristiano Ronaldo ter atacado menos do que gostaríamos, não tenha dúvidas de que os 90 minutos foram intensos. Principalmente após o gol de Cristiano Ronaldo no primeiro tempo. Depois disso começou uma nova etapa na partida: muita marcação, corpo a corpo e especial velocidade nas disputas de bola.
Os dois times se movimentam sem parar, cada passe é feito com uma precisão cirúrgica e, naquele clássico, a estratégia do Barcelona ficava clara. Nós estamos acostumados a ver esse time na televisão – sabemos que seu futebol está baseado no toque de bola – mas, ao vivo, impressiona ainda mais. O Barça é uma equipe com todas as letras: todos os jogadores trabalham pelo bem do time e se ajudam durante o tempo inteiro.
Já o Real Madrid tem um jogo mais individual, cada um quer mostrar seu talento, o quê prejudica o toque de bola e o futebol. Muitos chamam o jogo de Mourinho de anti-futebol, e não estão completamente errados. Depois do empate de Puyol ainda no primeiro tempo, um Real ultradefensivo e perdido em campo passou a apelar para uma marcação mais forte e violenta.
Faltas, como o pisão infame do Pepe na mão do Messi ainda no chão, não foram suficientes para tirar o brilho do espetáculo e de um Barcelona que teve seus jogadores saindo de campo aplaudidos em pleno Bernabéu e que venceu por 1 x 2 com um gol de Abidal no segundo tempo.
O Barça deu uma lição de futebol ao Real Madrid dentro da sua própria casa. E não foi a primeira vez: durante a Era Mourinho, que começou em 2010, foram 11 enfrentamentos com apenas 1 vitória do Real Madrid e 3 empates.
O jogo de volta da Copa del Rey era decisivo, apenas um dos dois clubes se classificaria para a seguinte fase e o Barcelona a conquistou, depois de um empate de 2 x 2 (veja os gols abaixo). Nesse jogo vimos um Real Madrid mais lutador e unido. Outro espetáculo, que deixa claro duas coisas: o Barça é obviamente superior ao Real Madrid em qualidade de jogo e em equipe. E a Espanha, apesar de viver uma das maiores crises da sua história, é o país que tem o melhor futebol da atualidade.

*Isabela Sperandio é jornalista, curitibana residente em Madrid.No blog Igualzinho ao Brasil, ela conta o cotidiano espanhol e as comparações entre os países; no texto, contou com a colaboração de Raul Suhett.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 01/02/2012

Governo encampa potencial construtivo pela Arena 2014
O Governo do Paraná, através do FDE (Fundo de Desenvolvimento do Estado) vai bancar o financiamento de R$ 90 milhões (mais correções previstas em lei) na obra da Arena, o que corresponde aos 2/3 estatais na parceria com o Atlético pelo estádio da Copa 2014. A operação passa pelos títulos de potencial construtivo, concedidos pela prefeitura em cima da área da Arena. Os títulos podem ser negociados no mercado pelo clube e revertidos em nova modalidade de zoneamento urbano em construções.  O que o Governo está fazendo, no entanto, é receber os títulos como garantia do pagamento do financiamento estatal. “É um recebível do Atlético, como uma duplicata. O FDE é agente financeiro, vai vender os títulos para o clube”, exemplificou Luís de Carvalho, gestor da Copa na Prefeitura de Curitiba. Carvalho defende que o Estado ainda ganhará dinheiro com a operação. “A prefeitura de Curitiba vendeu 45 milhões ano passado”, disse, enquanto entrava em uma reunião no Rio de Janeiro, ao lado de representantes do Gov. Estadual e da CAP S/A, com a Fifa, para demonstrar o andamento das negociações. Além disso, hoje haverá reunião com os 16 moradores do entorno da Arena para a desapropriação das áreas, cujo decreto já foi assinado na prefeitura. Haverá ressarcimento, mas o Estado não conta com recusas: “Ainda não chegou ao momento de dizer não ou sim. Quem disser não vai ter que discutir na justiça. Já é fato. Está tudo bem encaminhado”, encerrou.

Roupa nova, mas não pra já
Na sexta-feira o torcedor do Coritiba irá conhecer a nova camisa do time para a temporada 2012. A expectativa é grande, já que a troca de material esportivo mexeu com os ânimos: sai a italiana Lotto entra a americana Nike. No entanto, o Coxa ainda não sabe se poderá estrear as camisas já no jogo de sábado, contra o Arapongas, no Couto Pereira. O clube ainda não recebeu a remessa inicial e além disso pretende organizar uma festa local para o anúncio da parceria. O lançamento de sexta será no Rio de Janeiro.

Campanha nas ruas
Hoje o marketing do Coritiba começa uma campanha institucional, aproveitando o mote “O Mais Vitorioso do Mundo”, slogan criado a partir do recorde de vitórias consecutivas registrado no Guinness Book. A campanha extrapola a marca coxa-branca e pretende valorizar as coisas do Paraná, trabalhando a mensagem “torça também para um time do seu estado” – com a sugestão de que seja pelo Coxa. A campanha será direcionada a Curitiba e Região Metropolitana, mas também será itinerante, acompanhando as viagens do Coritiba no Paranaense.

Caráter: passe adiante
O atacante equatoriano Joffre Guerrón chegou ao Atlético como a então contratação mais cara do futebol paranaense: US$ 1,8 mil em 2010. Destaque na LDU que venceu o Fluminense na Libertadores de 2008, nunca justificou o custo, mas demonstrou que não está preocupado com o clube com o qual colaborou a derrubar para a Série B, em entrevista ao Portal FutbolEcuador.com: “Estão pedindo alto e os clubes recuam. Fico mal porque houve possibilidades. O São Paulo me queria. Disse ao técnico [JR Carrasco] que quero sair, não tenho cabeça para ficar. Meus objetivos são outros, não quero ficar parado”, disse em tom de desabafo, esquecendo de fazer a conta entre o quanto custou e o quanto rendeu ao clube paranaense.