Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 14/11/2012


Nunca antes na história deste País…

…a Série B esteve tão concorrida. O líder Goiás, com 74 pontos, foi o único que já garantiu vaga na elite brasileira. As pontuações de Criciúma, Atlético, Vitória e do São Caetano, que é quem estaria fora no momento, seriam suficientes para ascender qualquer uma das equipes em todas as temporadas desde que a Segundona passou a ser com 20 clubes em pontos corridos. Em 2007, quando o Coritiba foi campeão com 69 pontos, o Vitória subiu com 59; Em 2009, com o Vasco campeão, o Atlético-GO subiu com 65, dois a menos que o São Caetano. Mesmo vencendo em Criciúma, o Furacão não garantirá matematicamente a vaga se Vitória e São Caetano vencerem seus jogos, na rodada mais quente de todos os tempos na B. Por coincidência da tabela, os seis primeiros colocados jogam entre si, sendo que só o Joinville não tem mais chances de acesso. O Goiás deve ficar com o bicampeonato da Série B, mas certamente os outros três classificados poderão comemorar como se fosse título.

Férias de quem?

O resultado de 1-5 para o Corinthians na última rodada do Brasileirão rendeu uma série de críticas – as primeiras – para o técnico Marquinhos Santos no Coritiba. Foi uma atuação desastrosa sim, mas em partes motivada pelo pênalti duvidoso a favor do Corinthians no início do jogo. Com mínimas chances de rebaixamento, muito se falou de que o Coxa já estaria de férias em 2012. Avaliei melhor e discordo: hoje, o Coritiba estaria fora da Copa Sul-Americana. Aquela mesma que os clubes costumam desprezar na temporada seguinte mas que, aposto um dólar, vai passar a ser melhor vista com um possível título de São Paulo ou Grêmio nesse ano. Volto ao tópico anterior: se o Atlético conseguir o acesso sem a taça da B, poderá sim festejar como um título, muito embora fosse da natureza e do poder do clube tentar a taça. Simplesmente porque clube de futebol existe para ser campeão. Por que então pensar em férias para o Coritiba, se há um torneio internacional a se buscar? A Sul-Americana caminha para ser a Liga Europa das Américas, com os clubes de menor poder financeiro comemorando taças internacionais, premiando-se com a vaga na Libertadores. Não há férias no Coxa; houve desconcentração e uma jornada infeliz em São Paulo.

Reboot

Expressão americana para reiniciar, usada na indústria do cinema e dos quadrinhos quando se quer ignorar o passado de um personagem. A DC Comics, editora do Super-Homem, é expert nisso, tendo reinventado seu universo de personagens várias vezes. A diferença para o Paraná Clube é que a ficção ressuscita heróis, reconta a história como quer. Reiniciar, talvez desta vez não tão do zero como nos anos anteriores, é (de novo) a missão paranista, versão 2013. A começar por convencer os bons atletas que aí estiveram (e alguns que valem a pena) a ficar depois de estar com salários atrasados em várias ocasiões. O “lançamento nas bancas”, porém, não pode esperar janeiro.

Abrindo o Jogo – Coluna de 07/11/2012 no Jornal Metro Curitiba

A decisão do TCE-PR
Definir que o Potencial Construtivo é patrimônio público e, portanto, seu uso para arrecadar verbas para a finalização da Arena da Copa merece atenção e fiscalização do Estado, foi o melhor para a cidade, o evento e o Atlético. O clube até então tomou decisões que causaram espanto em parte da comunidade, mas foram referendadas pelo conselho. Com quando a esposa prefere o vestido da loja mais cara e o marido acaba cedendo; a decisão que era do clube sobre as cadeiras foi levada além do que devia – em forma de alerta, diga-se. Tudo agora fica pra trás. O clube, que se diz transparente no modelo de autogestão, ganhará agora o selo do TCE, caso tudo esteja em dia. Deixa de ocupar o posto de vilão que tentaram lhe imputar. Cabe ao órgão reger de forma transparente o aporte do benefício público, dado para que Curitiba receba o Mundial. Ganha a cidade, tardiamente, por entrar de vez na Copa; ganha o clube, que terá a aprovação do público em tudo que for lícito; e ganha a população, que verá todos os passos monitorados pelo TCE. Parece que finalmente Curitiba irá despertar para a Copa.

O Derby e o fim da Série B
Troco o chip, mas continuamos a falar sobre estádios. Desta vez a definição de que o Derby da última rodada da B será no Eco-Estádio. Foi o mais acertado diante do que se apresenta. Caberá à PM a responsabilidade de organizar a segurança e, a cada um dos torcedores, dar o bom exemplo. Não há porque criar pé de guerra nisso. Evita-se o deslocamento das torcidas, preserva-se o direito de mando e, claro, é importante que se preservem os direitos paranistas aos ingressos. No entanto, junto-me ao coro dos que lamentam a falta de diálogo para que o jogo fosse realizado no Couto Pereira. A volta do Atlético à Série A, quase consumada, e a chegada de Alex ao Coxa são motivo suficiente para uma grande ação de marketing envolvendo a dupla. O negócio futebol precisa ser tratado como tal. Dar o primeiro passo, com o Derby da Rebouças enchendo o Couto, gerando renda, seria o ideal. Culpar quem errou no passado é andar para trás. Importa é dar o primeiro passo e tratar o futebol com profissionalismo. É preciso alguns ajustes entre os cabeças dos clubes. Vem aí o Paranaense 2013 e novas oportunidades.

Ricardinho e o Paraná
Estive com Ricardinho ontem no Terra, em entrevista ao vivo. Falamos de Copa 2002 (já se vão 10 anos…), Corinthians e, é claro, o Paraná. O ex-técnico e ídolo tricolor disse que saiu do clube porque “algumas pessoas não entenderam as demandas do time”, impedindo contratações. Reclamou, mas disse compreender, do momento financeiro do clube. Contou ainda que deixa como “herança” o acesso para a primeirona paranaense e uma organização, adotada com Alex Brasil, no departamento de futebol, que “vivia cheio de empresários.” Ricardinho passou nove meses no Paraná e – impressão pessoal – pareceu se ressentir de ter deixado o clube sem poder ajudar mais. Mas ele próprio precisa tocar sua carreira de técnico, que tem potencial. Basta achar o ambiente propício – o que o Tricolor não foi e não tem sido faz tempo.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 31/10/2012

O jogo mais importante do ano
Quis o destino que o Atlético voltasse a São Caetano do Sul 11 anos depois da maior conquista do clube para enfrentar o mesmo rival daquele 23 de dezembro de 2001, mas desta vez em uma decisão direta por uma vaga de volta à elite brasileira. A partida de sábado será a mais importante do Brasil nesta reta final nas séries do Brasileirão, senão vejamos: é o único que opõe adversários diretos em busca do mesmo objetivo. Na Série A, depois de Galo 3-2 Fluminense, cada um torce por outras equipes. Azulão e Furacão vão se enfrentar sabendo que um pode matar o outro. Em especial, o Atlético, que leva um ponto de vantagem ao ABC paulista.

Conservadorismo, sim
Ter um ponto a mais que o São Caetano é um precioso benefício pra se levar pra dentro de campo. O Atlético de Drubscky, com as descidas de João Paulo, a chegada de Elias, com Marcelo aberto na ponta, Henrique na condução de bola e Marcão centralizado, é ofensivo. E não pode abrir mão disso, mexendo na equipe na hora da principal decisão. Erro clássico de treinador é alterar time que vem jogando bem justamente no jogo mais importante. Colegas defendem mudanças na equipe, com Felipe e Baier em campo; sou contra. Agora é deixar o que está andando bem seguir sua rota. Como alternativa pra um jogo contra um São Caetano que marca duro e tem no meia Pedro Carmona o jogador mais agudo, pode ser. Mas no decorrer dos 90, nunca antes. E, não se esqueçam, o Atlético pode sim trazer um empate do Anacleto Campanella que ainda dependerá só de si para subir.

Estratégia
Aliás, jogar pelo empate é prerrogativa de um Atlético que poderá sair nos contra-ataques, pois quem deve sair para o jogo é o São Caetano. Nos jogos que acompanhei do Azulão, não é esse o ponto forte da equipe. O time paulista joga no erro do adversário, aguarda para dar o bote e marca muito – repito – muito forte. No entanto, terá que sair para o jogo. Terá de dar espaços à velocidade dos jogadores de frente do Rubro-Negro. O tempo passará mais rápido para o São Caetano que para o Atlético – e Drubscky deve ter isso em mente.

Passado e presente
Em 2001, brigando para finalmente ser campeão do Brasil, o Atlético enfrentou o São Caetano com uma vantagem de 1 gol e também jogando pelo empate. Havia feito 4-2 em Curitiba. Como o Azulão tinha melhor campanha, seria campeão com 2-0. No fim, deu Furacão, 1-0, com gol de Alex Mineiro em jogada de contra-ataque: bola de Kléber para Fabiano, que bateu cruzado; Silvio Luiz espalmou e Alex aproveitou o rebote. Era o oitavo dele nos 4 jogos da reta final. O Atlético deste ano é mais operário que técnico, mas todo time precisa de uma estrela na hora H; quem será em 2012? Aposto em Marcelo, 13 gols na Série B.

Abrindo o Jogo – Coluna de 24/10/2012 no Jornal Metro Curitiba

Tropeço inesperado
Os pontos perdidos contra o Guarani deixaram o Atlético novamente à espera do que faria o São Caetano à noite (o jogo ocorreu após o fechamento da coluna). Se teve sorte ou azar (o que era a lógica para o Azulão, contra o Ipatinga), o impacto do tropeço inesperado é o peso ainda maior para a reedição da decisão da Série A 2001 no próximo dia 3 de novembro, em São Caetano do Sul. Com sorte, o Atlético jogará pelo empate; do contrário, se obrigará a vencer. Fruto da ansiedade no jogo de ontem contra o Bugre. Faltou força para a quinta vitória seguida, mas nada está perdido ainda.<

Cadeiras da discórdia
Depois das denúncias feitas pelo ex-vice Cid Campêlo Filho, Mário Celso Petraglia ganhou o apoio do conselho atleticano. Enquanto o tema for interno, se o conselho aprovar gastos maiores por opção, bom para quem está no comando, com o custo bancado pelos sócios do clube. Se o tema passar a ser de interesse geral, mediante decisão do Tribunal de Contas, a situação muda. Dentro do policiamento que faz a imprensa, questiona o leitor Luiz Fernando Bolicenha por que a não se dá o mesmo espaço a quem tem dívidas com a união, como INSS e outros pormenores públicos. Falar pela imprensa, creio, ninguém tem autonomia. Pela coluna, respondo a seguir.

Dívidas: quem paga?
A oportuna colocação vem de encontro à uma reportagem da Revista Galileu, divulgada no início da semana, sobre os clubes maiores devedores do País e quanto tempo levariam para quitar essas dívidas em um estudo envolvendo receitas e plano de parcelamento. O Atlético, justiça seja feita, é o único do Brasil que não tem dívidas. O Coritiba ocupa a 10ª colocação entre 25 clubes, e o Paraná é o 9º, num ranking que leva em consideração o tempo que cada um levaria para quitar suas pendências; o Botafogo-RJ é o pior rankeado. Dívidas das mais diversas ordens, com impostos e atletas/treinadores por ações trabalhistas. Segundo o estudo, o Coxa precisaria de 25 meses para pagar seus 63,9 milhões, enquanto o Tricolor levaria 28 meses para quitar 34,5 milhões. O time carioca precisaria de 86 meses para zerar nada menos que 378,2 milhões. As públicas saem sim do bolso do contribuinte. É tão nocivo quanto o mau uso de dinheiro estatal em qualquer outra atribuição – pior é ver isso ser tratado com displicência pelo comando esportivo do País. De certa forma, exemplificando, todos nós pagamos para que Seedorf defenda o Fogão. É fazer cortesia com o chapéu dos outros.

Alex e o bem que faz ao futebol paranaense
A volta de Alex merece uma coluna só para si (e ela estará no blog napoalmeida.com*) mas, em rápidas linhas – e sem entrar na engenharia financeira, que desconheço – o retorno do ídolo coxa mexe com a estima do futebol da terrinha. Alex não precisaria  marcar mais nenhum gol: o sim ao Coritiba demonstrou caráter, abnegação e reciprocidade. Um tapa de luva em um mundo de negociações e mercados inflados.

*Promessa é dívida e, em semana de Liga Europa aqui no Terra, encaixo algo até a noite desta quarta sobre o tema.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 17/10/2012

  • O que é de quem?

As atitudes de Mário Celso Petraglia na gestão da obra da Arena da Baixada, denunciadas pelo vice-deliberativo do Atlético, José Cid Campelo Filho, têm duas leituras diferentes e não excludentes. Enquanto não há definição do TCE-PR sobre os títulos do Potencial Construtivo serem ou não verba pública, trata-se de uma imoralidade junto aos sócios e conselheiros do Atlético. No português claro: problema do Atlético e dos atleticanos, que vêem o presidente do clube privilegiar filho e primo com contratos piores para os cofres do Rubro-Negro que outros que foram oferecidos – no caso do primo Carlos Arcos, sequer houve concorrência. É o problema alertado durante a eleição pela outra chapa, de que Petraglia ficaria com o controle total da Copa e do dinheiro do clube. Só não contava com o desacordo de um dos seus principais articulistas, Cid Campelo, que agora trás (quase) tudo à tona. Cid não comentou contratos ainda em fase de aprovação, como o da cobertura da Arena. Só dá a entender que qualquer parafuso da obra deva ser melhor olhado pelos interessados.

  • O interesse do Estado

A Arena é do Atlético, a Copa é de Curitiba. E é por ela que os governos municipal e estadual se dispuseram a fazer sua parte na obra. Para receber os benefícios do evento que, repito, é impensável que não viesse à Curitiba. No entanto, a confiança no responsável pela gestão do estádio parceiro esvaziou-se com as denúncias do ex-par. Não há irregularidade até aqui. Mas pode haver, caso o TCE-PR decida que os papéis do Potencial sejam dinheiro público. Aí haverá enxurrada de conseqüências. Entre elas, a necessidade de paralisação e revisão imediata dos contratos já assinados. Não significa recusar os compromissos com o Mundial, irreversíveis, e sim atentar-se ao destino daquilo que está se fazendo pelo Estado, com liberdade total a um ente privado. A decisão do TCE nesse sentido é o melhor que pode acontecer para a Copa em Curitiba.

  • Vilanização e oportunismo
Não se pode transformar a leitura das incorreções em um Atletiba. A disputa não é, e nunca foi (embora insistam) entre clubes. É sim por um processo de crescimento da cidade, que resulta sim num benefício para o clube que se propôs a ser parceiro no início do projeto, mas jamais pode resultar em desvio e/ou mau uso de verbas. Em miúdos, é monitorar e coibir ações ilícitas. Dos postulantes a prefeito da Copa, vi serenidade em um, que reconheceu os compromissos assumidos e prometeu fiscalização. Além disso, é importante ressaltar: o Atlético, pichado por muitos, não é vilão nesse processo. É um parceiro, de 88 anos de história e muita gente. Se há vilões são os que se omitem nas respostas e nas satisfações que devem ao público em geral.
  • Em campo

Preocupação maior da torcida, o futebol fez sua parte até o fechamento da coluna, ao vencer o Avaí. Sinal (bom) que não se deixou atingir pelo tumulto fora dele.

Abrindo o Jogo – Coluna de 10/10/2012 no Jornal Metro Curitiba


A diferença entre união e complacência

É forte a repercussão da participação de Vilson Ribeiro na festa da torcida organizada do Coritiba, reatando relacionamento cortado desde 6 de dezembro de 2009. Todos se lembram o que aconteceu e como as coisas caminharam para aquilo. Novamente, o Coxa flerta com o rebaixamento. É natural que se pregue união de esforços para que o clube saia disso. Nesse ponto, o gesto é louvável. Mas há real benefício na ação? Além da ficha corrida de alguns dos comandantes das facções, as torcidas organizadas vampirizam os clubes, com uma pirataria branca (venda de camisas, por exemplo), são cortina para guerra de gangues de bairros e ambiente notório de consumo de drogas. Na festa, Vilson disse que a organizada “é a razão da existência do Coritiba.” A grande maioria dos torcedores, “desorganizados”, talvez não concorde. Depois de surgir com novos conceitos e pregar modernidade nessa relação, o dirigente volta atrás. Pode ser só uma “segunda chance” – o histórico não recomenda. Mas 2013 está aí, com eleições no clube. Mário Petraglia, do rival Atlético, se reaproximou da organizada após anos de conflitos no final do ano passado. Foi eleito. A relação é, sem dúvida, perigosa.

Sempre ele

Paulo Baier. Ninguém no futebol paranaense é tão questionado quanto o experiente meia, que com 50 gols marcados com a camisa rubro-negra, mantém-se importante para o clube. Baier paga por não ter bons companheiros há algumas temporadas. Nesta, recebeu reforços no andamento da competição, acabou no banco, mas volta e meia é decisivo, como contra o América-MG. Não acho que possa ser titular, mas é imprescindível no grupo. Se não agüenta os 90 minutos, quando entra, mantém um padrão que vem sendo tocado pelo ótimo Elias. Baier é um ídolo em uma era dura para o Atlético, sem títulos. Mas merece seu lugarzinho na história atleticana.

Calculadora alviverde

O jogo de amanhã é decisivo para o Coritiba. Pegar o Palmeiras no interior paulista é pior para o Coxa, sem dúvida alguma. Em São Paulo, teria pela frente um time mais pressionado pela torcida palestrina, insatisfeita com a goleada no clássico com o São Paulo. A realidade é outra em Araraquara, ainda mais com uma zaga reserva. Mas desde já vale mentalizar: a derrota não será o fim do mundo. O Coxa tem uma vantagem de seis pontos para o Palmeiras, mas já não disputa só com o Verdão a permanência na elite. A Ponte Preta, em franca decadência depois de perder o técnico curitibano Gilson Kleina, pinta como favorita a integrar o grupo de descenso. Portanto, cabeça no lugar e pés no chão com qualquer resultado – claro que evitar a derrota será muito melhor.

Alex

Em São Paulo poucos cogitam que Alex possa defender o Coritiba na próxima temporada. É mais que má vontade com o Coxa; é a negação de que nem tudo na vida é poder, influência e dinheiro.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 03/10/2012

Alex e o Coritiba

Alex rompeu com o Fenerbahçe da Turquia nessa semana. Por coincidência, às vésperas do aniversário de 103 anos do Coritiba, no próximo dia 12. É o que basta para um alvoroço da volta do meia ao clube. Bem, em primeiro lugar, até pode sair acerto já, mas é preciso deixar claro que Alex não joga no Brasil em 2012. As inscrições estão encerradas e o único time brasileiro que ele poderia defender nessa temporada seria o Corinthians, em uma improvável negociação para o Mundial. Para 2013, o Coxa disputa o meia com Palmeiras e Cruzeiro. Coxa-branca declarado, Alex foi ídolo do clube sem justificar isso em campo. Ficou pouco tempo. É bem-quisto por nunca deixou de se assumir coxa, mesmo com outras camisas, sem fazer média. Noves fora o risco da Série B (tão vivo para o Palmeiras quanto para o Coritiba) e a Libertadores, não existe outro caminho para Alex que não seja o Alto da Glória. Que o diga Ronaldinho.

Intolerância

Neymar entra em campo cercado de crianças gremistas no Olímpico. Por aqui, Lucas é cuspido e uma fã de 13 anos, infiltrada na torcida do Coritiba, é acossada junto com o pai, enquanto ganhava uma camisa do jogador. Em São Paulo, um turista escocês é constrangido e retirado da área VIP (aquela dos bem nascidos) por estar desavisadamente com a camisa verde e branca do Celtic em meio a corintianos. Quando foi que desaprendeu-se educação no Paraná e em São Paulo? Não há justificativa que aplaque os péssimos exemplos de intolerância nos dois estados. Os gaúchos, por sua vez, mostram que sabem levar o futebol como ele é: um esporte. A flauta de que colorado não tem azulejo, “tem vermelejo”, não passa pro campo da hostilidade. É folclore inteligente. Ainda dá tempo de aprender.

Longe de casa

O número mágico do acesso pode chegar a 69; historicamente é 64. O Atlético deve perseguir algo em torno disso para voltar ao seu lugar na elite nacional. Começa no sábado, contra o América-MG, mas passará por importante decisão em São Caetano do Sul, no dia 03/11, contra o time da casa. Será um dos três jogos contra concorrentes diretos longe de Curitiba (Vitória e Criciúma são os demais) e o mais decisivo deles, justamente no palco da maior glória rubro-negra. Daqui até lá, no entanto, o Furacão não tem mais direito a erro. Como observado semana passada, será um trabalho com a cabeça, porque os pés que aí estão não podem ganhar companhias mais qualificadas.

Um ano

Passa voando. Essa coluna marca um ano de nosso convívio semanal aqui no Metro. Um jornal que pegou a cidade de jeito, ganhou pela qualidade e objetividade. Só tenho a agradecer a confiança da casa, o respaldo pela liberdade e, principalmente, o carinho e a sua participação, leitor, opinando, criticando, pautando e debatendo. Que continuemos assim.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 26/09/2012

Coluna que aborda temas esportivos, em especial os voltados ao Paraná; veiculada semanalmente no Jornal Metro Curitiba

Passo à frente ou populismo?

Oportunismo eleitoral ou não – a descobrir – uma vereadora, candidata à reeleição, reivindicou formalmente junto a diversos políticos (incluindo a presidente Dilma) a inclusão de Curitiba nas sedes do torneio pré-olímpico de futebol de 2016. Politicagem a parte, a ideia deve ser levada a sério pela cidade. A Olimpíada será um evento nacional, embora os holofotes apontem o Rio. Mais do que receber jogos de futebol, Curitiba deve propor-se a ser cidade hospedeira (host) de delegações, envolvendo não só o futebol, mas clubes que possam ser CTs para tênis, basquete, atletismo, etc. A iniciativa já merece nota, mas a execução é o que interessará de fato. Aguardemos.

Patrocínio x burocracia

O Paraná Clube confirmou prospecção junto à Caixa Econômica Federal para estampar a marca do banco na camisa do clube – valores não divulgados. No entanto, a negociação está parada há meses: devedor no INSS, o Tricolor não pode ter apoio estatal enquanto tiver dívida com a União. Por essa razão, a Petrobrás deixou o Flamengo tempos atrás. “Gostaria de dar uma previsão, mas não é possível. Está no nosso jurídico”, me disse Vladimir Carvalho, diretor de marketing tricolor.

Prospecção

Por falar em patrocínios, o Coritiba realiza hoje um evento em São Paulo, reunindo 20 agências de publicidade, para apresentar o projeto do clube ao mercado paulista e buscar apoio de grandes anunciantes nacionais.

Prioridades

O Cianorte perdeu a vaga na Série C em casa, nos pênaltis, para o Mogi Mirim-SP, depois de ter vencido por 2-1 fora. Um dos mais interessados na conquista, o presidente da FPF, não esteve no Albino Turbay. Em campanha política para ser vereador em Curitiba, não viu de perto o futebol paranaense deixar de ter quatro vagas garantidas em campeonatos nacionais. O vice, Amilton Stival, fez às vezes (novamente) da presidência. Em tempo: nenhum deles bate pênalti. Mas dão segurança a quem o faz.

Pouco sobre futebol?

A coluna tem batido na tecla da gestão e visão futura. É de boas gestões que os craques aparecem no gramado. Mas, de olho nas hipóteses de o Estado ter dois clubes na Série A 2013 (ou três na B) refleti desempenho no campo e tabelas. O Coxa preocupa. Pega rivais diretos fora de casa e tem uma reta final com seis equipes entre Libertadores e título. Mas, mais que isso, não joga bem longe do Couto. Já o Atlético mostra evolução, mas decidirá a vaga longe de Curitiba. Numa Série B de raros tropeços, pega São Caetano, Vitória e Criciúma fora. Ambos precisarão buscar pontos na casa dos adversários. O processo é mental, já que a técnica não pode mais ser melhorada.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 19/09/2012

“No futebol é diferente”
Um dos principais estigmas de um administrador ao entrar no mundo do futebol é romper o folclore de que, por mais bem sucedido que o profissional seja, na gestão dos clubes, será diferente. Como diria o famoso narrador, ‘não é, mas é’. E o é porque os clubes permitem isso: volta e meia diferenciam o trato com os jogadores, mesmo em detrimento de outros profissionais. Resultado? Caem na armadilha dos “boleiros”, que ainda têm espaço em um esporte a cada dia mais profissional.

Marcelo Oliveira, Felipão, Passarela…
Que o time do Coritiba tem uma defesa ruim (perdoe-me Emerson, mas você está sozinho desde que Gago e Donizete foram embora) e esse é o real problema todo mundo, até Marcelo Oliveira, está careca de saber. Mesmo assim o senso comum indicava: o ex-técnico coxa tinha de ser demitido. Doeu em Vilson Ribeiro de Andrade a ação. Administrador nato, Vilson acredita na continuidade do trabalho das pessoas. Evita demitir. Entende que ter um funcionário-padrão, que entende as necessidades do clube, é “low-profile”, conhece o sistema e já está ambientado à cidade seria muito mais útil. Mas não pode mandar embora 30 jogadores – ou ao menos 10 a 12 que não vinham rendendo. Primeiro, porque é mais fácil cortar uma cabeça do que tantas; depois, não esqueçamos, porque os jogadores são moeda. Sobrou para Marcelo Oliveira, que já está no Vasco. Um time de estrelas do Corinthians em 2005 só rendeu quando Daniel Passarela saiu do comando. O Palmeiras, algoz coxa nesse ano na Copa do Brasil, foi de campeão à virtual rebaixado sob o mesmo comando. O rendimento das equipes caiu assustadoramente quando o discurso do técnico cansou. O que é lugar comum no futebol teria espaço na sua empresa? Como você agiria, sendo chefe, com uma equipe assim? Sairia, trocaria o comando ou as peças? Aqui está o tabu: jogadores derrubam técnico sim. E às vezes até o clube, como foi no indolente Atlético de 2011: sem comando diretivo, largado às festas e às traças.

Há saída?
Primeiro analisar friamente cada situação antes de cobrar indiscriminadamente. Tem vezes em que a diretoria é letárgica (como vai, Malu?) e as coisas acontecem debaixo do nariz. Outras vezes age, mesmo a contragosto, mas nem sempre tem o resultado – o problema pode ser outro. Fundamental é identificar e atacar o mal. No geral o que precisa mudar é a mentalidade de quem comanda e quem obedece: jogador de futebol é trabalhador como qualquer outro. Uns melhores, outros piores; uns ganham mais (e normalmente valem quanto pesam) outros menos e isso deve ser encarado numa boa: em qualquer serviço há hierarquia e meritocracia (ok, muito puxa-saco se dá bem por aí, mas até quando?). Claro que não adianta estar fora de forma ou ser grosso, mas nominando: Paulo Baier e Pereira são bons profissionais e, não à toa, tem carreira bem sucedida e longa. O melhor exemplo nacional hoje é Seedorf: longevo e de qualidade, não se omite e colabora com o Botafogo em todas as áreas. O futebol agradece.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/09/2012

“Futebol Paranaense Forte”

Meu Amigo Pedro*

O título dessa coluna vinha impresso nos ingressos da FPF na minha infância. Era uma demonstrar a vontade de evoluir que os clubes paranaenses tinham. Até então apenas um título nacional de elite, o do Coritiba em 1985. Pouco, muito pouco. E Séries B e C a parte, melhorou pouco até os dias de hoje. Como explicar que um Estado com o 5º maior PIB do Brasil, uma capital maior que Porto Alegre, pode estar tão abaixo dos quatro acima? É Pedro, as coisas não são bem assim.

“A rodada foi histórica para o futebol do Paraná”

Foi a partir de uma série de comentários de colegas sobre o desempenho dos paranaenses na rodada do feriado passado que comecei a pensar: como assim, histórica? Negativo. A frase, oriunda das quatro vitórias de Coritiba, Atlético, Paraná e Cianorte (da A pra D, ok?) é puro POPULISMO. Isso mesmo cara pálida, populismo e dos baratos. Cada clube tem sua realidade, são concorrentes de mercado, ganhou apenas por si. A hipocrisia do “todos contentes” só serve pra mascarar a eterna mania de puxar o tapete do vizinho. Histórico mesmo seria um movimento por um campeonato estadual com menos datas e mais rentável. Seria ver os clubes unidos para que a Série Prata deste ano fosse antecipada e o retorno da Copa Sul; seria ver a Federação tomar partido pelos clubes na Copa do Brasil e na Libertadores, onde uns podem algumas coisas, outros não. Deixar de usar o futebol só como trampolim político. Ver o aluguel de um estádio ao rival para faturar, com ações de marketing que se alimentam da rivalidade. Dar apoio ao Cianorte para abrir mais uma vaga nacional – coisa que em São Paulo, o Mogi Mirim terá. Seria ver o futebol paranaense sério, trabalhando para render a Copa do Mundo, e não menosprezando e até contra o maior evento do futebol mundial.

Rivalidade, inteligência, construção

Nunca, em nenhum espaço de mídia que ocupei nesses 11 anos de carreira, preguei campanha para que o torcedor torcesse para o rival. Rival é rival. O que deve haver é uma compreensão do negócio futebol e a briga conjunta por interesse comuns fora de campo. Leio no blog do brilhante Leonardo Mendes Jr. (que trabalha no concorrente, mas e aí? Não é disso que estamos falando?) que o Paraná Clube espera as mesmas benesses do Atlético para deixar a Vila em condições de uso para a Copa. Ótimo, apoiado. Mas que o Tricolor não espere sentado e apontando o dedo. Onde está o projeto e o que pretende reivindicar a diretoria paranista? Há prospecção de seleções? Isonomia é para iguais: se há um projeto apto e consistente, rentável e de evolução, os direitos têm de ser dados. Senão será apenas um capítulo do “eu quero também, mas não sei como nem por quê.” Cresce, futebol paranaense.

*Meu Amigo Pedro, música de Raúl Seixas que diz, entre outras coisas, que é fácil criticar; difícil mesmo é ser.