Pesquisa Ipsos/Marplan, parte II: Futebol para elas, ricos e pobres, do vovô ao netinho

Após a divulgação dos números globais da Pesquisa Ipsos Marplan 2012 (e muita discussão no post e nas redes sociais), chegou a hora de detalhar a pesquisa; quem, entre os paranaenses, tem a maior torcida entre as mulheres? E por faixas sociais? Qual o time do povão e qual o da elite? Os jovens e os idosos, preferem que cores?

É o que o blog apresenta abaixo.

  • O Atlético é delas, o Coxa é deles
A modelo Carol Garajaú: Atlético tem maioria feminina

As mulheres são maioria entre os atleticanos e mais: proporcionalmente, o Furacão tem a terceira maior torcida feminina do Brasil, atrás apenas de Internacional e Vitória e ao lado do Corinthians e do Sport Recife no índice.

No geral, as torcidas brasileiras estão bem divididas. Foi-se o tempo em que “futebol era coisa de homem”. Segundo a Ipsos/Marplan, 46% das torcidas brasileiras são formadas por mulheres.

As atleticanas compõem 52% da torcida rubro-negra. Inter e Vitória tem 53% das suas massas torcedores compostas por mulheres.

Se o Furacão é o time delas, o Coxa é o time deles. Apenas 33% dos torcedores alviverdes são mulheres, o menor índice entre as 23 maiores torcidas do Brasil – o volume de times detalhados pela Ipsos/Marplan. É a segunda maior torcida masculina do Brasil, em números proporcionais, atrás apenas da do Santos.

Além de ambos, o Ceará, com 39% de mulheres na torcida, tem índice abaixo dos 40%, como o Coritiba. Veja os números gerais*:

*A Ipsos/Marplan não divulgou os números da torcida do Paraná; a ordem do gráfico corresponde a ordem nacional das pesquisas no Brasil, em números absolutos

  • Coritiba tem a torcida mais rica do Brasil
Torcida Coxa se fez presente em jogos na Copa da África 2010

O Coxa tem os torcedores mais ricos do futebol brasileiro, aponta a pesquisa. A elite curitibana é 14% da torcida alviverde, maior índice entre todos os 23 clubes detalhados pela pesquisa. A classe A, com renda mensal acima dos R$ 8.000, prefere o Alviverde. Não só em Curitiba: o concorrente mais próximo do Coritiba nesse índice é o Palmeiras, com 12%. O Atlético tem 8% de seus torcedores na classe A.

Nem Atlético, nem Coritiba, podem se dizer verdadeiramente “um time do povo”. Em se tratando de classes econômicas, a dupla Atletiba tem maior penetração nas classe média, entre as classes C e B (com renda mensal entre R$ 950 e R$ 4.600). Na disputa entre ambos, ligeira vantagem para o Atlético entre os mais pobres (com renda abaixo dos R$ 950), com 8% x 7% do Alviverde. Pra se ter uma ideia, nacionalmente, a verdadeira torcida do povo brasileiro é a do Ceará, com 33%. O Corinthians tem apenas 9% de torcedores nessa faixa, enquanto o Flamengo tem 15%.

Na classe média, o Atlético leva vantagem sobre o Coxa entre os situados na classe C (44 x 30) e perde na B (39 x 49), comprovando a preferência dos mais abastados pelo clube do Alto da Glória. Veja os índices nacionais:

  • Vovô é Coxa, filhos são Rubro-Negros, netos em aberto
Vovô Coxa entre Lucas e Kleberson, na faixa dos 30 (Foto: Blog do Bronca)

Como visto no primeiro post desta série, há uma flutuação nos índices percentuais das torcidas, conforme as décadas. As gerações vão se sucedendo e mexendo com os números. Segundo a Ipsos Marplan, o Coritiba tem 19% dos seus torcedores acima dos 50 anos, enquanto nessa faixa estão 14% dos atleticanos. A torcida mais “velha” do Brasil atualmente é a do Fluminense, com 41% dos torcedores acima dos 50.

O Atlético está a frente do Coxa entre a faixa considerada mais ativa, de 25 a 50 anos: 48 a 41%. Entre todos os 23 clubes do detalhamento, a média percentual de torcedores nessa faixa é a maior, 43%. Apenas Palmeiras (50%) e Bahia (49%) tem mais torcedores nessa faixa que o Atlético. Flamengo, Atlético-MG e Internacional tem o mesmo índice dos rubro-negros.

Entre jovens e crianças, o Coritiba está ligeiramente acima do Atlético, 39% a 38%. Os coxas-brancas estão mais numerosos entre 18 e 24 anos; abaixo disso, os rivais estão iguais. Em todo o Brasil, a torcida que tem o maior número de jovens em suas fileiras é o Sport Recife, com 47%; na outra ponta da tabela está o Palmeiras, que tem 25% dos seus torcedores nessa faixa etária.

  • Conclusões

Estatísticas de torcidas no futebol normalmente são mal digeridas. Enquanto os perdedores duvidam da origem das pesquisas, os vencedores preferem a galhofa ao estudo – que, de fato, deveria ser objeto de todos.

Os índices e as flutuações no mercado do futebol, apontados pela pesquisa da Ipsos, são significativos. A queda assustadora de torcedores do Paraná, o constante crescimento corintiano no mercado paranaense e também no país todo, as preferências por sexo, idade e classes sociais, tudo pode ser objeto de um trabalho mais profundo para readequação de interesses de cada clube.

Não há marketing melhor que bola na rede, dirão alguns. De fato. Mas muitas ações podem ser tomadas para que cada clube amplie sua ação no mercado, afim de faturar mais, gerar receitas e atratividade e assim, com dinheiro em caixa, buscar quem ponha a bola lá, iniciando um ciclo positivo.

Atlético tem a maior torcida paranaense; veja detalhes exclusivos

 

O Atlético tem a maior torcida de Curitiba e a maior no Brasil entre os clubes paranaenses, aponta uma pesquisa realizada pelo o Instituto Ipsos/Marplan em 13 regiões do País.

A pesquisa, feita nas Regiões Metropolitanas de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis, Recife, Salvador, Fortaleza, Goiânia, Vitória-ES, Salvador e no interior de São Paulo, entrevistou 14.413 pessoas entre Janeiro e Março deste ano. Curitiba e RMC correspondem a 5% do total da pesquisa; São Paulo e interior, na proporção da população, a 30%.

Nos números apurados, algumas conclusões polêmicas: pela primeira vez o Corinthians teria passado o Flamengo no número de torcedores; em números comparativos, o Atlético teria o dobro de torcedores do Coritiba (32 x 16), como divulgado pela TV Bandeirantes em 10 de outubro deste ano:

Como os números paranaenses não foram descritos na matéria da Band, fui atrás dos dados especificados. E em dois posts especiais, nesta quinta e sexta, vou apresentá-los aqui no blog.

Abaixo, o gráfico que corresponde às torcidas em Curitiba e o desempenho nacional dos clubes do Paraná:

Portanto, em números absolutos, a torcida do Atlético chega a 20% da população da cidade/RMC, enquanto o Coritiba tem 16% e o Paraná, 4%. O Corinthians é o terceiro na preferência na região, com 8%.

O gráfico apresentado pela Band tem outra leitura. A explicação é de Diego Oliveira, diretor de contas da Ipsos/Marplan, para a discrepância nos números: “São interpretações diferentes. Há dados com base em torcedores (37.153.000) e na população com mais de 10 anos (50.119.000).”

A vantagem do Atlético em relação ao Coritiba cresce na proporção em que se seleciona apenas o público com interesse no futebol. E também no comparativo único entre os três clubes paranaenses, que somam 40% entre os que gostam de futebol. Como ilustra o gráfico a seguir, o Atlético tem 50% da torcida paranaense contra 40% do Coxa e 10% do Tricolor, de acordo com a Ipsos/Marplan:

Segundo a Ipsos/Marplan, 23% dos brasileiros não torcem para nenhum clube. Em Curitiba e RMC, o índice de pessoas que não torcem para ninguém é de 39%, maior que a média nacional.

  • Consolidação atleticana, ameaça corintiana

Os números da pesquisa Ipsos/Marplan podem alimentar a rivalidade Atletiba, mas servem muito mais de alerta de mercado para o crescente aumento de corintianos na capital. No Paraná, somando o interior, o time paulista já tem a maioria dos torcedores.

Se resgatarmos todas as pesquisas divulgadas sobre torcidas no Paraná, desde a primeira que se tem notícia, do Gallup/Placar em 1983 até essa, percebe-se uma queda na preferência pelos times paranaenses e a consolidação do Atlético como time mais popular. Em 10 pesquisas nos últimos trinta anos, o Furacão esteve atrás do maior rival em apenas duas (em 1993 e 1998); no Paraná como um todo, foram 4 pesquisas divulgadas desde 1983. Em todas,o Atlético aparece na frente do Coritiba – mas, nas duas últimas, atrás do Corinthians.

Além disso, há um decréscimo considerável na torcida paranista, que teria perdido nada menos que 2 vezes e meia a torcida que tinha na primeira pesquisa em que apareceu, em 1993 (de 14% para 4%). Clubes citados em 1983 com grande participação paranaense, como Grêmio Maringá, Londrina e Operário, sequer são citados atualmente – muito embora, em alguns casos, as pesquisas não sejam realizadas nestas praças. Confira os gráficos das torcidas ao longo do tempo, em Curitiba/RMC e em todo o Paraná:

Curitiba/RMC

Obs: Por ser um time de Curitiba, o Malutrom aparece no gráfico por ter sido citado em 2001; clubes como Santos, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Grêmio e Inter foram citados, mas não incluídos no gráfico acima

Estado do Paraná

Se você chegou até aqui e ficou curioso para saber o resultado nacional da pesquisa, recomendo o blog Olhar Crônico Esportivo, só clicar aqui. O espaço para comentários está a disposição para o seu manifesto.

 Amanhã: o detalhamento da pesquisa por sexo, idade e classe social!

Reflexo do rebaixamento, Atlético perde também no PPV

O site do Atlético divulgou os números que o clube recebeu da Globosat sobre a venda de pacotes Pay-Per-View em 2012. E o que percebeu-se é que não somente durante a “diáspora” rubro-negra o torcedor andou meio ausente.

Se a média de público do clube em Paranaguá girou em torno de 2 a 3 mil pessoas, imaginava-se que o atleticano tivesse aderido ao PPV para acompanhar o clube – o que não aconteceu.

De acordo com a tabela emitida pelo grupo de comunicação e publicitada pelo próprio clube, o Furacão despencou da 13a posição em 2011 para o 19o lugar em vendas nessa temporada.

O Coritiba, que quase chegou à Libertadores em 2011 mas não faz boa campanha em 2012, manteve-se na 15a posição em vendas de pacotes. Veja a tabela completa* e, logo abaixo, a análise:

Relegado à uma divisão inferior após 17 anos, vice-campeão estadual e com um começo claudicante na Série B, o Rubro-Negro perdeu praticamente um terço da arrecadação em PPV. Na contramão do rival até a metade deste Brasileirão, o Coxa teve um acréscimo nas vendas dos pacotes, mas não o suficiente para melhorar sua posição no ranking nacional.

Vice-campeão da Copa do Brasil por duas temporadas seguidas, pode-se imaginar que o crescimento em vendas veio com o tri-estadual e as boas campanhas na Copa, mas com o início claudicante no Brasileirão, o interesse esvaziou.

Numa análise global, percebe-se que o torcedor gosta mesmo é de time vencedor.

Maior torcida do Brasil, o Flamengo perdeu 10% da arrecadação com a campanha ruim que faz. O mesmo vale para o Palmeiras. Mal no Brasileirão, o time paulista perdeu duas posições e quase 30% do valor de vendas.

Já o Atlético-MG, que faz grande campanha, mostra a força nacional que tem e está catapultado ao 4o posto em vendas. O Galo, de acordo com a última pesquisa de torcidas do Datafolha, tem a 10a maior torcida do Brasil. O mesmo vale para o Vitória. O líder disparado da Série B praticamente dobrou seu volume de vendas em relação à 2011.

*Os números divulgados contemplam apenas os 18 clubes com contrato renovado por três anos na cisão do Clube dos 13.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 29/08/2012


Pela volta da competitividade

Chegamos à metade do Brasileirão 2012 e olhar para a classificação é quase o mesmo que olhar a divisão de cotas pagas pelos direitos de TV. A exceção do intruso Náutico (11º.), os 12 primeiros são aqueles que estão no eixo da grana: RJ-SP-MG-RS. O Palmeiras, que está fora, está também na Libertadores via Copa do Brasil. Os times citados tem divisão interna discrepante também. Atlético-MG e Botafogo, por exemplo, estão mais próximos de Atlético e Coritiba que de Corinthians e Flamengo. Mas os 12 recebem mais, aparecem mais, conseguem mais público, melhor patrocínio. E a roda vai girando, abrindo ainda mais o abismo. Desde 2003 (início dos pontos corridos), são seis títulos paulistas, dois cariocas e um mineiro. Rara exceção, o Atlético foi vice em 2004, posto que foi ocupado no período citado quatro vezes pelos gaúchos, duas vezes por paulistas e uma vez pelos cariocas. Traduzindo: é quase impossível furar o bloqueio assim, esvaziando estádios e diminuindo o interesse nacional, exceto pra quem está dentro. Caminho para a falência do principal esporte nacional.

Mas é o regulamento que está errado?

Sinceramente, não. Sem dúvida a fórmula de pontos corridos aponta o melhor. É básico: quem somar mais pontos depois de enfrentar todos os times dentro e fora dos próprios domínios, é mesmo superior. O problema está na formulação desse melhor time. O garimpo e a montagem dos elencos são desiguais. Rápido exemplo: o Coritiba descobriu Leandro Donizete na Ferroviária-SP; não teve como o segurar em uma melhor proposta. Hoje no Atlético-MG, é líder do campeonato ao lado de Ronaldinho, Jô, Victor, selecionáveis atraídos pela grana, e comanda a melhor defesa da competição – o Coxa tem a pior. E a distância vai aumentar em breve: com os estádios da Copa servindo também aos “gigantes”, o abismo será tão grande que não haverá mais como alcançar. São mercados desperdiçados e que serão quase falimentares, como Paraná, Bahia, Pernambuco – isso só para ficar entre os que têm campeões brasileiros entre si. Na Copa do Brasil, em fases eliminatórias, os clubes médios tem mais chance. Por isso, sem mudar o sistema de cotas, que volte o mata-mata.

A mudança: como e por quê

É claro que o Corinthians, por exemplo, merece ganhar pela exibição mais que o Atlético: tem mais torcida, dá mais audiência. Mas a divisão do bolo não precisa ser toda baseada nisso. Na liga mais rica do mundo, a inglesa, 56% do dinheiro é dividido igualmente entre os 20 clubes da elite, 22% do valor se baseia na classificação do ano anterior e outros 22% são divididos conforme o interesse midiático. O campeonato inglês é o mais forte entre os europeus e mesmo os clubes médios, como o Tottenhan, conseguem ter mais arrecadação que grandes espanhóis, como o Atlético de Madrid, que fica à margem de Barça e Real em negociação parecida com a brasileira. É bom para o futebol num todo e premiará a competência. Quem dará o primeiro passo?

Abrindo o Jogo – Coluna de 01/08/2012 no Jornal Metro Curitiba

De novo, chance de crescer

Imerso na transmissão da Olimpíada Londres 2012, confesso que tenho visto pouco do Brasileirão A e B. A internet ajuda, mas o difícil mesmo é ver que as perspectivas paranaenses já começam a ser reduzidas nas duas divisões (na B ainda mais preocupante, pois há estagnação em inferioridade) com 1/3 já disputado em ambas. No entanto, ontem teve início a Copa Sul-Americana para o Coritiba. A coluna foi fechada antes do resultado. Mas dá pra falar da oportunidade de internacionalizar a marca.

“Mind the gap”

Essa é mensagem do metrô de Londres a cada parada. Significa que você deve ver o espaço entre o trem e a plataforma na hora de desembarcar. Ver o espaço, “mind the gap” que a Sul-Americana proporciona, é necessário. No Brasileiro, o Coxa não deve recuperar terreno pela Libertadores. Vencer um torneio internacional e se classificar em uma competição sem gigantes latinos e que deve ser dominada por brasileiros é um belo “gap” a ser visto. Começou antes mesmo de ontem, com estratégia pela vaga. Ano após ano, os clubes desperdiçam essa competição em nome do Brasileiro. E no eterno looping local, lamenta-se mais tarde e comemora-se ao final do a vaga que é desperdiçada no ano seguinte. Em 2011, o Atlético, dando a chave do clube para Renato Gaúcho, jogou fora; acabou caindo no nacional. Já o Vasco, campeão da Copa do Brasil e disputando o título brasileiro, foi às semifinais. Dá pra correr em paralelo, com planejamento para um Brasileiro razoável, salvando o ano do Coritiba.

Bezona

Acho cruel o comparativo entre Paraná e Atlético – mas para o Tricolor. Tem 1/5 do valor pago pela TV, não tem a estrutura, o glamour e a atenção midiática do Furacão. E ainda assim faz uma campanha melhor na Série B que o rival. Não se pode cravar que irá terminar assim, mas vendo os resultados e ouvindo as análises de atuação, fica a clara impressão que o acerto nas escolhas na Vila foi maior que na Baixada. O Paraná tem mais ambiente, joga melhor, sonha mais. O Atlético decepciona e ninguém entende exatamente por que. De fato, o rubro-negro não começou o campeonato com expectativa maior apenas que a do Paraná, mas também que a dos outros 19 competidores. É, ao lado do Guarani, o campeão Série A na competição. Tem uma das maiores torcidas do País e, principalmente, a maior verba. Difícil dizer se foi apenas um sapo enterrado há pelo menos duas temporadas na Baixada ou se as feridas políticas seguem atrapalhando o caminho atleticano.

De volta à Londres

Emanuel, melhor do Mundo no Vôlei de Praia, atleticano; Giba, melhor na quadra, paranista. Wanderlei Silva, não olímpico, mas campeão mundial no UFC, coxa. Confesso que não entendo porque SPFC e Corinthians, por exemplo, aproveitam seus ídolos identificados pra promoção e os paranaenses não. Timidez?

Videocast #007 – É hora de decisão: Copa do BR, Libertadores, Série Prata…

Semana cheia, videocast comentando a decisão da Copa do Brasil para o Coritiba, a carência já crônica no Atlético, o impacto de uma conquista do Corinthians no Paraná, o retorno do Paraná Clube à elite local, o fim (ou não) do Pinheirão e alguns golaços!

Confira e comente!

Um título para Vinícius

Morreu Vinícius Coelho.

Homenageado em vida pelo seu clube do coração, emprestando o nome à Sala de Imprensa do CT da Graciosa, Vinícius Coelho foi mais uma vitima da falta de cuidado no planejamento urbano, atropelado na Linha Verde, modernizada sem passarela de pedestres.

Ao lado de Carneiro Neto, Heriberto Ivan Machado e Ernani Buchmann, Vinícius era um dos poucos jornalistas que militam no esporte do Paraná a se preocuparem com a necessidade de se construir uma cultura literária no Estado. Um legado que deve ser perpetuado. Militou em uma fase nobre da imprensa local, com menos rixas, presidindo até a ABRACE, depois de fazer (outra das muitas) dobradinhas com Carneiro Neto na ACEP-PR.

Carneiro falou do amigo no dia do velório, realizado no Couto Pereira nessa quinta: “O Vinícius era muito preparado. Um intelectual, estudava, lia, entendia de Jazz, viajava o Mundo. A nossa profissão é complicada e ele não era disciplinado. Até o fim da vida correu atrás da “máquina”. Ele morreu com 80 mas viveu 200. Foram 50 anos de amizade, trabalhamos juntos em rádio, TV, jornal, fizemos parte de associação de classe.”

Apaixonado pelo Coritiba, enquanto trabalhava no O Globo, do Rio de Janeiro, colaborou diretamente para o primeiro título nacional do Coxa. Era 1973 e a então CBD fazia um torneio de verão com quatro grandes praças: SP, RJ, MG e RS – o chamado Torneio do Povo, que reunia as consideradas maiores torcidas de cada estado. Vinícius tinha amizade com o superintendente da CBD Mozart di Giorgio, curitibano que teve atuação direta na Copa de 62 ao “convencer” a comissão de arbitragem de que Garrincha, expulso contra o Chile, deveria jogar a final contra a Tchecoslováquia.

No Rio de Janeiro, Vinícius Coelho começou um lobby incansável pra encaixar o Coritiba no Torneio do Povo. Sugeriu a ampliação da disputa, envolvendo ainda baianos e paranaenses. E, óbvio, o representante da terrinha teria que ser o Coxa – então iniciando a máquina de títulos que foi hexa estadual nos anos 70. Conseguiu convencer di Giorgio, que incluiu Coxa e Bahia na disputa, antes vencida por Flamengo e Corinthians. Curiosamente, Coxa e Bahia decidiram o título, e o Alviverde levou a melhor, conquistando a primeira taça nacional da sua história.

Vinícius, que escreveu a letra de um dos hinos do Coritiba, verá a decisão da Copa do Brasil em outro plano. Um reforço indesejado e inesperado no campo espiritual, na tentativa do Coxa atualizar a sala de troféus nacionais. Ele, que não tem nenhum parentesco com Paulo Vinícius Coelho da ESPN Brasil, concedeu uma última entrevista, no dia do acidente, ao repórter Henry Xavier, da 98FM, que está nesse link. Uma perda sentida.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 27/06/2012

O compromisso com o erro

Está tudo errado no futebol do Atlético em 2012 e a classificação na Série B do Brasileiro atesta isso. Por isso, apesar de cair na chacota popular, a troca de comando técnico – ainda não 100% confirmada – de Ricardo Drubscky, recém chegado (dois jogos) não deve ser vista como um erro; é uma correção de rota. Erro é insistir em um técnico inexperiente comandando um elenco falho. Drubscky, até o fechamento dessa coluna ainda no cargo, não tem o perfil necessário que o Furacão precisa para voltar à elite ainda nesse ano. Pode ser útil na base, no Sub-23, time que deverá jogar o Estadual 2013. Mas para a Série B o nome de Jorginho, campeão desta competição no ano passado com a Portuguesa, é sem dúvida o mais adequado ao momento. Atlético ou ninguém deve ter compromisso com o erro e ao se confirmar essa informação, isso deve ser mais valorizado do que a aposta errada. Mas vale lembrar que só a troca de treinador não resolve: reforços são exigidos para o objetivo.

A frase

“O melhor para o torcedor do Atlético é ver o time campeão e de volta a Serie A. O Atlético precisa ser forte e eu to pensando mais no Atlético”, disse Jorginho, dando a entender que comprou o projeto, em entrevista à Rádio CBN Curitiba ontem.

O símbolo

Dinheiro não é tudo, nem mesmo no mercado do futebol. Lúcio Flávio estreou bem e faz bem ao Paraná Clube – que já é melhor que o Atlético na Série B.

O fator casa

Faltam ainda 15 dias para o início da série decisiva da Copa do Brasil entre Coritiba e Palmeiras, mas desde já firmo posição. No campo, confronto equilibrado, com o Coxa vivendo um momento ligeiramente melhor. Fora dele, vantagem ampla paranaense. Não dá para negar que o Couto Pereira pesará na decisão, enquanto o Palmeiras mandará o jogo em um campo sem identificação, Barueri. Esse ano, o Coxa não deixa escapar.

Pobre mercado esportivo

Defende – justamente – fim da censura em alguns casos, mas aplica censura velada em outros; majora em 40% o valor da anuidade, sem realizar reciclagem de profissionais, ciclo de palestras, integração com universidades e outros benefícios para a classe; tornou-se um pedágio inconstitucional para o trabalho, mesmo de quem está referendado por um veículo, tem 10 anos de exercício, formação acadêmica e está autorizado pelo dono do espetáculo; usa de truculência nas ações; libera associação mediante pagamento, se pretendendo reguladora profissional, botando os clubes em maus lençóis; serve como trampolim político. Qual o futuro de quem leva a notícia ao público esportivo com esse cenário em determinada associação? Que interesses são defendidos por quem escreve a notícia que você lê/ouve? Olho aberto, leitor.

Abrindo o Jogo – Coluna de 20/06/2012 no Jornal Metro Curitiba

Chove, chuva!

A previsão do tempo para hoje é chuva, da manhã até a noite. Para as 21h, de acordo com o site Climatempo, mais água. Quando a bola rolar para o segundo jogo entre Coritiba e São Paulo (0-1 na ida) pela Copa do Brasil, o campo, mesmo com boa drenagem, estará encharcado. E apesar da necessidade do Coxa ser fazer um ou mais gols e de preferência não sofrer nenhum, a chuva é uma aliada. O São Paulo tem um time mais técnico e leve que o Alviverde, com Casemiro e Jadson trocando passes em velocidade, Lucas conduzindo a bola na diagonal e Luís Fabiano, perigoso e rápido, mas de média estatura. Já o Coxa tem como principal jogada no ano a bola alta. Foi assim no Paranaense, com Emerson e Pereira fazendo gols em cruzamentos invariavelmente saídos dos pés de Tcheco. Por isso com concluo: o São Paulo vem da Terra da Garoa, mas São Pedro é coxa-branca.

Despedida?

Ganhando, o Coritiba chega pela segunda vez seguida à final da Copa do Brasil; perdendo, dá adeus não só à competição, mas também ao maior ídolo do atual elenco, o meia Tcheco. Formado no Paraná, destacou-se no Malutrom antes de aportar no Alto da Glória. Pelo Coxa, três títulos paranaenses e um da Série B. Também ajudou o clube a se classificar para a Copa Libertadores de 2004, última participação alviverde. Aos 36 anos, Tcheco até teria bola para continuar mais um tempo. Ouviu pedidos de todos os lados: da torcida, de segmentos da imprensa e até do rival Paulo Baier para que siga jogando ao menos até dezembro. Não quer. Vai ser gerente de futebol auxiliando Felipe Ximenes. Só a vitória adia a aposentadoria de Tcheco. Imagine o quanto vale o jogo de hoje para o humano dentro da camisa do Coritiba.

Ambição

Ricardo Drubscky já é realidade no Atlético, mas passou despercebida uma declaração do ex-técnico Juan Ramón Carrasco que denota o grau de dificuldade que o substituto terá – e que se acentuou após uma estréia ruim no 0-0 com o Goiás em Paranaguá. Disse Carrasco: “Não nos foi exigido conquista, o importante é subir”, sobre os planos da diretoria rubro-negra para a temporada. Aprendi cedo na vida que é importante ao menos mirar nas estrelas, pois mesmo errando às vezes, chegaremos mais perto do topo. Não querer ser campeão é jogar contra a história do Atlético. Taça é taça. E para ganhar, é preciso reforçar um elenco que patinou num Estadual fraco. Sem contratar, nem Drubscky, nem Carrasco, nem mesmo Pep Guardiola darão o acesso ao Furacão.

Convite

Tenho apostado na convergência de mídias na internet, com vídeos e áudios, entrevistas especiais, informações e comentários no blog bemparana.com.br/napoalmeida. Convido você a visitar e comentar, ajudando nesse novo projeto.