Calendário 2012 será cruel com o Paraná

Hélio Cury, presidente da FPF, foi taxativo em entrevista hoje a tarde, já após o resultado do julgamento do Caso Rio Branco, que definiu que o Paraná Clube terá que disputar a Série Prata do Estadual em 2012: não há a menor chance de modificar o calendário para que o Tricolor não fique cinco meses sem futebol.

“Não. Nenhuma. Temos um calendário definido. Em detrimento a 10, 12 clubes, mudar por um? Qual clube tem elenco agora? Infelizmente é isso”, disse-me. A Série Prata tem início marcado para maio de 2012 e até lá o Paraná poderá disputar somente a Copa do Brasil, entrando pelo ranking da CBF (a vaga está praticamente garantida, faltando homologação). A Copa do Brasil terá a primeira rodada em 7 de março. A Série B nacional terá início em 19 de maio e, para garantir-se nela, o Paraná precisa ao menos empatar com o Bragantino, sábado, na Vila Capanema. Se perder e Icasa, Asa e (e não ou, tem de ser todos os resultados) São Caetano vencerem seus jogos, o clube estará rebaixado a Série C, que terá início em 27 de maio de 2012. Todos os envolvidos na luta contra a queda jogam em casa.

Ao falar com o presidente eleito do Paraná, Rubens Bohlen, encontrei-o em meio a uma reunião de realinhamento de estratégias para 2012. A mudança no calendário com a queda no Estadual afeta diretamente os planos. “Temos que nos refazer. Tínhamos um pensamento para o primeiro semestre, agora mudou”, me disse. Questionei se ele solicitaria a FPF um realinhamento no calendário: “Isso também está em pauta. Faz parte do que estamos discutindo, mas vamos tentar compatibilizar com a Federação”, declarou, antes de saber a postura de Hélio Cury.

Realmente, Cury não deve privilegiar qualquer membro em detrimento de outros. Mas em Estados vizinhos (SP e MG, por exemplo), as Federações adaptaram-se as necessidades de Guarani, Portuguesa e Ipatinga. Na maioria do País, as divisões estaduais correm em paralelo. No Pará, o Estadual começa antes, ainda no ano anterior, para os times menores e Remo e Paysandu entram no início do ano; no Maranhão, o estadual corre o ano todo. Cada Estado tenta se adequar a uma situação.

E o Paraná viu dois grandes locais, Londrina e Paraná Clube, amargarem descenso em campo recentemente. Cury contra argumentou: “Aqui não tem política. O que tem é desportividade. Não nos cabe opinião, tem que cumprir a lei. O Londrina jogou dois anos seguidos. Nós temos um campeonato dentro de um calendário da CBF. Temos de maio a agosto para a Série Prata e de agosto a dezembro para a terceirona. Não temos como mudar.”

Com o quadro atual, o calendário 2012 exigirá muita assertividade da diretoria paranista. É muito difícil montrar um time para atuar só a partir de março (contando a Copa do Brasil) e com datas fixas a partir de maio. E mais difícil ainda montar duas equipes, pois algumas datas da Série Prata e do nacional podem ser conflitantes. E tudo isso com pouco ou nenhum dinheiro.

No calendário paranista de 2012, pelo menos no aspecto estadual, muitas viagens e nenhuma atratividade. O campeonato não tem patrocínio, não tem cobertura da mídia local (e nessa a própria imprensa sofre: quantas rádios, TVs ou jornais conseguirão cobrir os jogos do Paraná?) e o clube só terá jogos a mais de 208km – a cidade mais próxima é Prudentópolis. Os adversários serão Junior Team e Cincão EC (Londrina, 387km) Nacional (Rolândia, 398km), Grêmio Metropolitano (Maringá, 438km), Serrano (Prudentópolis), Iguaçu (União da Vitória, 238km), Foz do Iguaçu (643km), FC Cascavel e Cascavel CR (503km). Um quadro cruel que o Londrina, como exemplo, só reverteu após uma parceria em que o clube foi entregue a SM Sports, investidora que bancou os custos.

Better man

A Vila Capanema recebeu na noite de quarta (9) a banda americana Pearl Jam; recebeu também a notícia de que Rubens Bohlen será o novo presidente do Paraná. É a vitória da chapa da situação, em uma eleição que teve menos de mil votantes, num universo de quatro mil possíveis.

A chapa vencedora já está no poder. De fato, a olho nu, vem desde Aurival Corrêa na mesma toada. É também a direção que deu fiasco no estadual/11; mas é a que reorganizou setores do clube, como o marketing, por exemplo. E dará poderes reais a Luis Carlos Casagrande – propriedade viva do clube –  e Paulo César Silva, no comando do futebol.

Andando pela Vila, durante o show do Pearl Jam, já sabedor do resultado das eleições, encontrei PC Silva. Ele estava sentado nas sociais, sozinho, anônimo. Parecia reflexivo. Olhava o palco e o show degustando uma cerveja – o que eu também fazia. Não esperava encontrar ninguém.

Então, me aproximei. Conversa rápida: ambos estávamos ali por outra razão. Eu, para ver uma das bandas que ajudou-me a formar o caráter; ele, para aliviar a pressão de uma eleição, no lugar que já é e será sua casa por mais um tempo. “Ganharam é? Parabéns.”, disse.

– Não sei se é uma vitória. É um baita de um desafio, isso sim.

A resposta, pés no chão, me fez lembrar algumas coisas. Paulão perdeu um neto esse ano. Golpe duro para qualquer um. Viu seu trabalho não dar os frutos esperados. Afinal, ninguém entra nessa pra perder. Mas, é claro, não quis deixar o clube. Sabe o preço. Desejei sucesso e disse que o papel da imprensa é seguir vigilante nas coisas que interessam ao público. Ganhei um abraço e segui para o show. Paulão seguirá na Vila mais do que eu.

Os erros da má gestão paranista estão aí, ninguém pode tapá-los. Mas tampouco podem negar que a realidade do clube é menor do que dimensionamos. Um exemplo? Menos de mil votantes na eleição. Outro? Média de público de 3926 torcedores, a 42a. do país em 4 divisões. Isso não diminui equívocos, mas deixa claro que a distância entre a paixão do torcedor e a realidade são grandes. Se há que se cobrar resultados de alguém por aqui, é de Atlético e Coritiba. O Paraná apequenou-se. Voltar, é papel que cabe a mais de uma pessoa. Cabe também à torcida.

Aí volto ao Pearl Jam e um dos seus hits – não ipisis literis – Better Man.

Bohlen, Paulão, Casinha, Romani e muitos outros erraram. E seguirão errando. É humano. Isso não é alvará para tal; falta visão profissional, capacidade de gestão e liderança, enxergar oportunidades.

Mas o Paraná “Can’t find a Better Man”:

Então, boa sorte aos que seguem.

Eleições: saiba mais sobre bastidores em Atlético e Paraná

Paraná Clube

A eleição para a presidência do Paraná acontece amanhã, entre 10h e 20h, na sede Kennedy. São duas chapas: Rubens Bohlen, pela situação, e Ivan Ravedutti, pela oposição.

Bohlen tem ao seu lado Paulo César Silva, atual diretor de futebol, e Luis Carlos Casagrande, funcionário do clube há 30 anos, na área social. Ambos são candidatos a vice-presidente na chapa. O trunfo de Bohlen é um planejamento empresarial feito em parceira com o Senai, pensando o clube a longo prazo. Algumas das metas divulgadas são (texto da assessoria da chapa):

– Tornar-se referência como clube que envolve entretenimento, futebol e outros negócios de forma integrada;
– Gestão profissional em áreas prioritárias que se estenderão para todas as demais áreas do Clube;
– Na área de marketing, implantação e gestão de área comercial própria, contratação de área comercial terceirizada, contratação de empresa especializada em captação de investimentos para o esporte, estabelecimento de parcerias diversas com colaboradores interessados em captar recursos para o Paraná Clube mediante remuneração como autônomo;
– Reestruturação da metodologia de gestão de informação em âmbito de coordenação de comunicação e assessoria de imprensa;

O que pesa contra Bohlen é o desgaste da atual gestão no futebol. A diretoria composta por Paulo César Silva naufragou no Estadual, sendo rebaixado em campo (pode permancer na Série Ouro se o Rio Branco for punido pelo STJD) e deixou escapar a vaga no G4 da Série B depois de 14 rodadas seguidas entre os melhores.

Já Ravedutti conta com Darkles Oliveira e Oliveiros Neto como seus vices. Darkles é membro do site Paranautas, um dos principais fóruns de discussão do Tricolor na Internet; Oliveiros é do grupo de José Carlos de Miranda. As principais propostas divulgadas são (texto da assessoria):

– valorização do patrimônio do clube;
– consulta ao quadro social, sobre eventos;
– valorização dos atletas formados no clube;
– profissionalização da gestão do futebol;
– projeto de modernização dos estádios.

Ravedutti tem como trunfo o mesmo que tem como fraqueza: pessoas novas na gestão paranista. Se por um lado mostra algumas caras novas, não ligadas a atual gestão, infeliz no futebol, também peca pela inexperiência, já que todos iniciarão sua vida administrativa no clube caso vençam. Exceção feita, claro, a Oliverios, que traz o apoio do ex-presidente José Carlos de Miranda.

Atlético

Mário Celso Petraglia oficializou ontem (segunda) a chapa CAPGigante, que concorrerá como oposição nas eleições atleticanas, em dezembro. Ele reuniu 300 nomes para o conselho, do qual deve ser candidato a presidência. Petraglia ainda não definiu quem o acompanhará na chapa, como candidato a presidencia do conselho gestor. A bem da verdade, Petraglia pode ocupar um ou outro cargo, dependendo da composição.

“Ainda temos tempo. Não definiram ainda quando será a eleição. Se cair, pode ser que mudem a data, para dar uma esfriada”, disse o ex-presidente e candidato. O edital da eleição está previsto para semana que vem, dia 15.

Petraglia enfrentará do outro lado a chapa Paixão pelo Furacão, com Enio Fornea como candidato ao conselho deliberativo e Diogo Fadel como candidato a presidencia do conselho gestor.

Rápidas e precisas

Miranda: No muro, mas mais pra fora

Politicamente forte dentro do Paraná Clube – e até há pouco cotado para ser candidato -, o ex-presidente Professor Miranda ainda não manifestou apoio público, mas disse ao blog que deve ficar com a oposição, desagradado com a possível chapa da situação. “Não foi o que foi agendado, mas nós estamos recebendo convites e o segundo vice (Oliveiros Machado Neto) é do nosso grupo. Eu apenas combinei de aguardar, mas parece que não vai mudar o quadro”, disse.

A chapa de oposição terá o conselheiro Ivan Ravedutti como candidato a presidência. Como o atual presidente, Aquilino Romani, recusou tentar a reeleição, a situação pode fechar com Arnaldo Reis para a presidência, com Paulo César Silva como um dos vices.

Dispensas de Edilson e Rafael Santos

O Atlético demorou, mas tomou a medida de dispensar os jogadores acima citados “para dar um exemplo aos demais”, segundo um diretor que pediu para não se identificar. Edilson estava junto com Madson no episódio da cerveja no CT, que resultou na dispensa do meia – e, tardiamente, no retorno do lateral para o Grêmio. Rafael Santos, pelo que descobri no clube, era fiel companheiro de ambos. Além de que não viveu um ano muito iluminado. Falhou grosseiramente contra Grêmio, Fluminense, Ceará e Vasco, entre outros, como mostra o compacto abaixo, exibido no Jogo Aberto Paraná há alguns dias:

Morro García

Apesar de algumas negativas públicas, o Atlético esteve com representantes jurídicos no Uruguai essa semana, estudando alternativas para o caso de Morro García, suspenso por doping no Uruguai. Como ainda não foi informado oficialmente pela Fifa, o clube preferiu tirar o jogador das partidas, para não correr mais riscos. Uma nova alternativa é estudada pelo jurídico do clube: adiar o pagamento de algumas parcelas até o fim da suspensão (se a Fifa confirmar a mesma) do jogador.

Cris fora

O zagueiro Cris também sentiu a navalha nessa quinta-feira: foi dispensado pelo Paraná Clube. O diretor de futebol Paulo César Silva não deu entrevistas sobre os motivos da dispensa. Cris chegou a ser capitão da equipe nessa Série B.

Copel no Paranaense 2012?

Promessa antiga do ex-vice-governador Orlando Pessuti, a Copel pode patrocinar as equipes no Campeonato Paranaense 2012. Comenta-se nos bastidores que o valor seria de R$ 500 mil para as equipes do interior e um valor maior para os times da capital. A assessoria da Copel disse não ter informações sobre o assunto.

Exclusivo: José Carlos de Miranda promete oposição “se não nos atenderem”

O Paraná Clube saberá até sexta-feira se terá ou nào bate-chapa nas eleições do clube, em novembro. Cotado para ser candidato de oposição o ex-presidente tricolor, José Carlos de Miranda, o Professor Miranda, disse em entrevista exclusiva ao blog: “Não serei candidato”. Aos 73 anos, Miranda criticou a gestão do futebol atual e disse que nunca foi ouvido sobre o caso que culminou com sua saída e posterior suspensão do clube: a negociação do meia Thiago Neves (hoje no Flamengo), entre outras denúncias de favorecimento pessoal ilícito.

Napoleão de Almeida – O prazo para inscrições a candidatura do Paraná está se encerrando. O senhor será candidato?
Prof. Miranda – Não, estamos apenas… (pensa) temos um grupo que pretende lançar uma chapa caso a situação não apresente uma chapa que condiga com a realidade.

N – Oposição ou situação?
M – Isso, isso. Já temos um grupo formado.

N – Desculpe, não entendi.
M – Estamos aguardando pra saber qual a chapa deles (situação). O Aquilino (Romani, atual presidente), o Aramis (Tissot, vice-presidente)… aguardaremos até sexta.

N – O que está errado no Paraná?
M – Na verdade nós achamos que o marketing e o administrativo estão bem, mas quando vai para o social e o futebol, a coisa não está boa, não está correta. Nós achamos que não tem como tocar futebol dessa forma. As pessoas estão erradas. Você não pode ter pessoas que não tenham controle emocional, que tratem de assuntos particulares do clube com quem não faz parte… e também a conduta. Conversar com quem tem experiência. Sempre falo que no futebol ninguém sabe nada, mas tem que ouvir as pessoas.

N – O senhor tem uma frase que diz que “futebol é jogo de azar…”
M – Futebol é quase jogo de azar. Mas no quase entra a competência, saber fazer o negócio. Tem quem nunca sentiu cheiro de zig e acha que sabe tudo. Você aprende com a idade que voe não sabe nada. Duas cabeças sempre pensam melhor que uma, não só um ditado, é verdade. Democracia pode ser ruim, mas ninguém encontrou algo melhor, já dizia o Churchill.

N – Os que estão no futebol do clube hoje são o Paulo César Silva e o Guto de Mello. Posso entender que é uma crítica a eles?
M – O Paulão ameaça toda hora sair, mas quando tem uma viagenzinha ele vai… o Guto é um menino que empolgou-se. Até fui eu que levei ele. Na minha gestão foi várias vezes em viagens, estava preparando para o futuro. Afinal, sou professor. Mas ele não ouviu mais ninguém, acho que deslumbrou. O melado fez mal, ele lambuzou-se.

N – E o senhor se sente apto a voltar ao clube, mesmo com aquelas denúncias que o envolveram no caso Thiago Neves? A suspensão acabou, mas e você, como está?
M – Eu frequento o clube, todas as reuniões. Não quis contestar, não entrei na justiça, nada. O Luis Carlos de Souza (conselheiro do Paraná) disse que vai tentar me impugnar se eu sair candidato. Ele foi um dos meus grandes erros. Achei que era melhor não brigar na ocasião. Todo mundo achou que o Prof. Miranda tinha levado dinheiro do clube. Beleza…

N – Hmm.
M – Nunca me deram uma chance, ninguém na imprensa, de falar. Falam de uma gravação da LA (Sports, empresa que empresaria jogadores de futebol), mas preferem o lado mais sujo. Até quem sabe bem da história.

N – O senhor quer falar agora sobre isso?
M – Não… (pensativo) quando chegar a hora… vão saber. Eu fui… (pensativo novamente) eu aceitei tudo. Eu me culpo, saí para evitar rebaixamento. Hoje dizem que se eu tivesse ficado, não teria caído. Eu dancei conforme a música, não sou anjo não.

N – E para a campanha…
M – (interrompe) Eu não serei candidato. Só estou na coordenação. Com a minha vivência, tem traições muito grandes na política. As voltas nunca são boas. O Evangelino (Neves, presidente do Coritiba em diversas ocasiões, em especial 1985, campeão brasileiro) voltou e foi execrado. O Getúlio (Vargas, ex-presidente do Brasil) até se matou. Historicamente não funciona bem. E outra: a minha idade. Tá na hora de deixar gente mais jovem tocar. Eu fui presidente do Colorado em 85, vivemos uma crise… fomos os primeiros a irmos para o Pinheirão, não foi o Atlético. Estávamos ameaçados de rebaixamento… tenho história nesse clube.

N – E o senhor já tem algum nome? Quem pode sair candidato?
M – Hoje eles (situação) tem uma reunião. Ele (Aquilino) vai me ligar depois. Se algumas das nossas metas forem atendidas, podemos até apoiar a situação.

N – José Domingos é um nome?
M – O Zé também não quer sair não. Mas tem muitas pessoas no nosso grupo. O problema é quem está disposto a enfrentar. Vou convencer o professor Motti Domitt. Tô aqui com ele (risos).

Rápidas e precisas

Comprometimento

Faltando oito jogos para o final do Brasileiro, só um milagre salva o Atlético. E o milagre tem nome: comprometimento. Um dos maiores erros da Gestão Marcos Malucelli no futebol foi sempre alardear que o atual mandatário não ficaria no cargo no ano que vem. E se o presidente deixará o clube, não serão os jogadores emprestados que botarão suas valiosas pernas em disputas ríspidas para manter o rubro-negro na elite. Além de que as declarações de Malucelli por vezes inibia ambições. “O último que sair, apague a luz” é um ditado que poderá definir o ano atleticano.

Comprometimento II

Ao que parece, um passo interessante nesse sentido já foi dado: contra o Botafogo, dos 11 jogadores que começaram a partida, nove tem vínculo com o clube além do Brasileirão/11. Não deu muito resultado, mas são jogadores como Renan Rocha, Deivid, Manoel, Morro García, Marcinho e Paulo Baier (e outros que não jogaram, como Guerrón) que podem evitar que o clube – e eles próprios – joguem a Série B em 2012.

Guerrón: nos pés dele o futuro do Atlético... e de si próprio (Foto: @heulerandrey)

Passado que ensina

Em 1998 o Atlético fazia um péssimo campeonato. Faltando 11 jogos para o fim, o time estava seriamente ameaçado de rebaixamento. A equipe tinha o volante Paulo Miranda (que também passou por Coxa e Paraná) que contou a história: “Um dia, após uma derrota, o Petraglia entrou no vestiário e disse: ‘vocês que são do clube, tirem o cavalo da chuva: ano que vem todo mundo jogará a Série B comigo; e vocês que estão emprestados, já estou negociando para que fiquem aqui. Seus clubes não vão os querer de volta’.” O susto valeu: o time venceu seis jogos seguidos e quase se classificou para a segunda fase – o campeonato não era por pontos corridos.

Polêmica

Direto do Alto da Glória: o volante do Coritiba Léo Gago, em entrevista ao site Globo Esporte.com, meteu o dedo na ferida do Atlético, quando perguntado se o Coxa ainda tinha chances de Libertadores: “Podemos conseguir a classificação. (…) Na última rodada, temos o clássico contra o Atlético. Eles estarão praticamente rebaixados ou até mesmo rebaixados.” Gago projetava cinco vitórias em casa e esse triunfo fora. Mas o time enroscou no Bahia logo na largada.

Roupa nova

Se o empate com o Bahia foi sonolento, valeu ao menos para o Coxa apresentar sua camisa III, comemorativa em alusão a entrada no Guinness Book como “equipe mais vitoriosa em sequência de jogos no Mundo”. Com a cor azul-petróleo – quase um verde – a camisa faz menção às 24 datas dos jogos que o Coritiba venceu em sequência e que o credenciou a tal titulação. Belíssima.

No detalhe, as datas dos jogos do recorde

Pinheirão

Sem perigo de ser rebaixado e muito longe da Libertadores, o Coritiba volta seus olhos para o futuro. Nesta quinta (20), pela segunda vez, o Pinheirão vai a leilão. O valor inicial é de R$ 33 milhões, 50% do valor inicial do primeiro leilão. A FPF segue tentando evitar o leilão. Há uma intenção da OAS em comprar o estádio e, em seguida, chegar a um acordo com o Coxa para construir um novo centro esportivo lá. O presidente da FPF, Hélio Cury, não quis comentar o assunto: “Temos 72h para resolver isso. Até quarta eu terei uma posição”, disse, de maneira ríspida. Cury não confirmou se negocia em paralelo a venda do terreno, que está obrigado pela justiça a ir a leilão. Há uma semana, o deputado Reinhold Stephanes Jr. garantiu que o Pinheirão já foi negociado. O Coxa, por sua vez, aguarda a definição do negócio para entrar diretamente (ou oficialmente) nele.

No twitter


O diretor de futebol do Paraná, Paulo César Silva, que está afastado do contato com a imprensa, está no Twitter. Com o nick @PC_PRC, Paulo César volta a mídia via rede social, depois de se afastar dos holofotes por desgaste com a má fase do Tricolor, após uma discussão com o articulista da Rádio Banda B, Sérgio Bello, ao vivo pelos microfones da emissora. PC tem respondido aos torcedores e não entrou em nenhuma polêmica ainda. Quem criou o perfil foi a filha dele. O departamento de comunicação do Paraná não gostou muito da idéia, mas, mesmo assim, prevaleceu a vontade do diretor.

Looping eterno

Vila, quem fica?

Não sou hipócrita: se eu tivesse R$ 100 no bolso (jornalista ganha mal, amigo) não apostaria no acesso do Paraná à elite esse ano ainda, embora o goleiro Zé Carlos faz o papel dele em afirmar que ainda dá.

Mas 2012 está aí e em meio a perspectivas de mudanças políticas, com uma suposta chapa de oposição com José Carlos de Miranda à frente, é preciso pensar no futebol paranista. Não importa (nesse caso) se o time disputará a Série Prata do Estadual, caso o STJD modifique a nova decisão do tribunal local ou se o Tricolor ficará na elite; o exemplo de 2011 mostra que, se não há dinheiro o suficiente para disputar o título com Atlético e Coritiba, não se pode nem pensar em repetir o fiasco deste ano. E o importante é a manutenção de uma base.

E aí amigo paranista, a coisa já não é boa – embora haja tempo de ser arrumada.

Por sugestão do leitor Rodrigo Marquevi, resolvi ver a duração dos contratos dos jogadores de destaque do Paraná. E apenas três já estão garantidos até o Estadual/12: os meias Cambará e Douglas Packer e o atacante Giancarlo. E ainda assim, só até o meio do ano.

Nomes como Zé Carlos, Dinélson, Brinner, Amarildo e Serginho, entre outros, estão com contratos até dezembro apenas. Uns por empréstimo, outros por opção. Mas, mesmo sem ser unanimidade entre a torcida, já formariam uma base.

Há poucos dias eu jantei com um experiente gestor de futebol brasileiro, que já me falava dos planos para 2012. De como um clube deve pensar não no calendário ou no jogador X apenas, mas sim no contexto de formação de elenco, de estrutura profissional da equipe e renovação natural em posições. Ouvindo, parece simples; executando, vê-se que não é tanto.

Mas há que se começar. Ou o Tricolor iniciará 2012 como iniciou 2011, 2010, 2009… num looping eterno.

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Notas

Sem via alternativa

Apesar da promessa da CBF em dar a eventual vaga do Vasco na Libertadores ao Coritiba, caso a equipe carioca vença também a Copa Sulamericana, a Conmebol definiu hoje que nenhum país poderá ter mais de seis vagas e, em caso de título de algum time já qualificado, a vaga fica na competição, ou seja: o vice – ou melhor colocado sem vaga – fica com o prêmio.

Coxa no Pinheirão I

Esquentou a negociação para a compra do Pinheirão por parte da OAS, construtora baiana que já havia tentado participar da obra na Arena. O leilão do estádio, marcado para essa quinta-feira (6) pode nem sair: para executar o direito de compra antecipada, modalidade comum em leilões, a OAS deve antecipar cerca de R$ 65 milhões para quitação de débitos judiciais principalmente com o governo. Caso isso não ocorra, o estádio vai a leilão público com preço inicial de R$ 66 milhões. Durante toda a terça e também na quarta, o presidente da FPF, Hélio Cury, esteve em reuniões.

Depois de Atlético e Paraná, Pinheirão pode ser lar do Coritiba

Coxa no Pinheirão II

Se arrematar o imóvel, a OAS deve anunciar uma parceria com o Coritiba, para que esse possa ser o principal beneficiário do futuro novo estádio, em um projeto que contemplaria não só a praça esportiva, mas também um centro comercial e uma área para eventos e espetáculos. Oficialmente, o Coxa nega que já tenha algum tipo de negociação, mas a coluna apurou que existem alguns entraves na conversa, como por exemplo a maneira com a qual o clube obteria renda, já que placas e espaços comerciais/publicitários, além da bilheteria, interessam a OAS. O modelo é parecido com o da Arena da Copa em Recife – que, em tese, ainda não tem nenhum clube como beneficiário, já que os três grandes de Pernambuco tem suas próprias casas. O Coxa também evita anunciar o destino do Couto Pereira, mas a intenção de Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do clube, é pô-lo abaixo e construir um centro comercial que dê renda ao Coritiba – manifestou-me essa intenção ainda em 2010, quando os primeiros rumores surgiram.

Bom para o Atlético

Credor de R$ 15 milhões junto a FPF, o Atlético é outro que sairá no lucro com a venda do Pinheirão, seja qual for o destino. O clube, que nesta mesma semana lançou a etapa final das obras na Arena, ganharia novo fôlego financeiro.

Quem fala o que quer…

Pegou mal com alguns jogadores do elenco do Paraná as declarações do zagueiro Cris após o empate com o Duque de Caxias, pior time da Série B do Brasileiro. De cabeça quente após o resultado que praticamente sepultou as chances de acesso do Tricolor e deixou a equipe a quatro pontos de distância do rebaixamento. Alguns jogadores reclamaram da postura do jogador, que acusou, sem citar nomes, colegas de estarem “fazendo corpo mole” e, por isso, o time caiu de rendimento. “Trairagem”, confidenciou-me um jogador que pediu para não falar no assunto abertamente. Ouça a entrevista, gentimente cedida pela Rádio Banda B:

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Miranda Strikes Back

Ainda Paraná: o ex-presidente José Carlos de Miranda articula uma chapa de oposição para concorrer às eleições do clube, que ocorrem na segunda semana de novembro. Miranda dirigiu o clube entre 2004 e 2007, conquistando um Estadual e uma vaga à Copa Libertadores, mas deixou o comando sob denúncias de receber comissões em negociações de jogadores. Em 2009, cogitou lançar uma chapa, mas acabou apoiando a situação.

Invasão atleticana

O Atlético mobiliza a torcida para uma invasão à Florianópolis, para o confronto decisivo de domingo, 18h, contra o Avaí na Ressacada. Os sócios do clube participarão de uma promoção que dará 150 ingressos e direito de compra de mais um, a partir desta quinta (6); além disso, a carga total de 1.200 entradas foi comprada pelo Atlético e estará sendo vendida a R$ 20,00 na Arena a partir de sexta pela manhã. Com 27 pontos na 17a. posição, uma vitória sobre o Avaí em Florianópolis (19o., 22 pontos) e uma combinação de resultados podem tirar o Furacão da zona de rebaixamento. Ano passado, o Atlético venceu o adversário em Floripa: 1-0, gol de Maikon Leite:

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Redenção

O ano de 2011 tem sido generoso com o Coritiba. Recordes em campo, título invicto no Estadual com 3-0 sobre o Atlético na Arena e até uma decisão nacional no curriculo.

Mas é fora de campo que o clube mostra que não só escapou da falência (problema alertado pelo artífice da volta, Vilson Andrade) como está bem vivo naquele que é considerado o grande patrimônio de todo clube: a torcida.

A CBF divulgou a média de público do Coxa no Brasileirão. E a saudade da Série A somada ao resgate do orgulho alviverde colocam o Coritiba como o quarto clube do País em presença de torcida no seu estádio. Confira a classificação geral da Série A até a 23a. rodada:

1   26.715         Corinthians/SP
2   22.333         Bahia/BA
3   19.277         São Paulo/SP
4   18.748         Coritiba/PR
5   16.094         Flamengo/RJ
6   15.341         Grêmio/RS
7   15.305         Palmeiras/SP
8   15.275         Internacional/RS
9  14.788         Atlético/PR
10  13.151         Atlético/MG
11  12.143         Ceará/CE
12  12.107         Botafogo/RJ
13  11.336         Figueirense/SC
14  9.065         Vasco/RJ
15  8.866          Cruzeiro/MG
16  8.421         Fluminense/RJ
17  7.835          Santos/SP
18  6.617          Atlético/GO
19  6.455          Avaí­/SC
20  2.493          América/MG

Os números são muito significativos. O Coxa está a frente de clubes com torcida maior e mais: com maior número de sócios, como Grêmio e Internacional; supera também as (decepcionantes) médias de público do Fluminense, atual campeão brasileiro, e do Santos, atual campeão da Libertadores. Não só isso: a manter os números, a média de público coritibana em 2011 será a quarta maior da história do clube na Série A – a maior foi em 1980, com 21.754 torcedores presentes em média nos 11 jogos que disputou na época.

Apesar de estar atrás do rival, a média do Atlético também é digna de nota. Com uma campanha abaixo do normal, o clube arrasta mais gente que Botafogo e Vasco, que disputam o título. Na história, o Atlético é o clube paranaense com a maior média de público na Série A: 23.801 torcedores em média acompanharam o Furacão em 1983.

Não há dúvidas que a saída para competitividade e redenção do futebol paranaense é a participação ativa dos torcedores e sócios – que será ainda mais direta em dezembro, quando quase 10 mil torcedores de cada time decidirão as eleições na dupla.

Curiosidades:

– Se é o quarto melhor em média, o Coxa tem participação no pior público do Brasileirão/11: foi no jogo América-MG 1-3 Coritiba, em Sete Lagoas, para 732 heróis.

– Aos paranistas: a maior média de público do clube na elite nacional foi em 2005: 11.414 torcedores por jogo.

– O registro histórico das médias está no confiabilíssimo site RSSSF (Fundação do registro histórico do esporte futebol, em tradução livre)

Grato ao leitor Gilmar Alberto pela dica de tema.

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Nem chegou e…

…já tem forte rejeição da torcida. É Guilherme Macuglia, nome mais cotado para assumir o Paraná após a saída de Roberto Fonseca. Uma reunião às 18h deve definir a contratação do ex-técnico do Coritiba em 2007. Macuglia já teria até apart-hotel reservado em Curitiba.

Mas no que depender da torcida, é melhor desmarcar. Pelo twitter, a hashtag #foramacuglia chegou ao topo das mais usadas na capital paranaense:

E você, o que acha? Macuglia é um bom nome para tentar levar o Paraná à primeira divisão nacional? Responda a enquete abaixo:

Opinião:

Em 2007, Macuglia dirigiu o Coxa até o início da Série B, com duas vitórias e duas derrotas, que lhe custaram o cargo. Mas caiu muito mais por ter sido eliminado nas semifinais do Paranaense, ante ao AC Paranavaí, que viria a ser campeão contra o Paraná.

Macuglia já teve sucesso no Criciúma; já teve insucessos em outros lugares. Nos últimos 4 anos, é possível que tenha aprendido muito mais do que demonstrou naquela temporada no Coxa. Mas é péssimo negócio chegar com a rejeição da torcida.

Entendo que o Paraná deveria ser mais ousado. O acesso a elite nacional pode salvar mais que 2012; pode salvar o clube de um buraco negro previsto com a eventual disputa da Série Prata Estadual, em paralelo com a Série B nacional e com um primeiro semestre morto no calendário. Qualquer custo agora pode ser diminuído – ou agravado – no próximo ano, dependendo do calendário do clube. Eu ousaria.

De qualquer maneira, fico com duas opiniões de dois amigos: a de Greyson Assunção, da Rádio Banda B, ao comentar a pressão da torcida: “Diretoria tem que decidir. Se não der força pra quem trouxer, é melhor fazer enquete com a torcida pra trazer técnico”; e a de Léo Mendes Jr., da Gazeta e da ESPN: “O nome de Macuglia dá a exata dimensão do que o Paraná quer na Série B.”

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