Hélio Cury, presidente da FPF, foi taxativo em entrevista hoje a tarde, já após o resultado do julgamento do Caso Rio Branco, que definiu que o Paraná Clube terá que disputar a Série Prata do Estadual em 2012: não há a menor chance de modificar o calendário para que o Tricolor não fique cinco meses sem futebol.
“Não. Nenhuma. Temos um calendário definido. Em detrimento a 10, 12 clubes, mudar por um? Qual clube tem elenco agora? Infelizmente é isso”, disse-me. A Série Prata tem início marcado para maio de 2012 e até lá o Paraná poderá disputar somente a Copa do Brasil, entrando pelo ranking da CBF (a vaga está praticamente garantida, faltando homologação). A Copa do Brasil terá a primeira rodada em 7 de março. A Série B nacional terá início em 19 de maio e, para garantir-se nela, o Paraná precisa ao menos empatar com o Bragantino, sábado, na Vila Capanema. Se perder e Icasa, Asa e (e não ou, tem de ser todos os resultados) São Caetano vencerem seus jogos, o clube estará rebaixado a Série C, que terá início em 27 de maio de 2012. Todos os envolvidos na luta contra a queda jogam em casa.
Ao falar com o presidente eleito do Paraná, Rubens Bohlen, encontrei-o em meio a uma reunião de realinhamento de estratégias para 2012. A mudança no calendário com a queda no Estadual afeta diretamente os planos. “Temos que nos refazer. Tínhamos um pensamento para o primeiro semestre, agora mudou”, me disse. Questionei se ele solicitaria a FPF um realinhamento no calendário: “Isso também está em pauta. Faz parte do que estamos discutindo, mas vamos tentar compatibilizar com a Federação”, declarou, antes de saber a postura de Hélio Cury.
Realmente, Cury não deve privilegiar qualquer membro em detrimento de outros. Mas em Estados vizinhos (SP e MG, por exemplo), as Federações adaptaram-se as necessidades de Guarani, Portuguesa e Ipatinga. Na maioria do País, as divisões estaduais correm em paralelo. No Pará, o Estadual começa antes, ainda no ano anterior, para os times menores e Remo e Paysandu entram no início do ano; no Maranhão, o estadual corre o ano todo. Cada Estado tenta se adequar a uma situação.
E o Paraná viu dois grandes locais, Londrina e Paraná Clube, amargarem descenso em campo recentemente. Cury contra argumentou: “Aqui não tem política. O que tem é desportividade. Não nos cabe opinião, tem que cumprir a lei. O Londrina jogou dois anos seguidos. Nós temos um campeonato dentro de um calendário da CBF. Temos de maio a agosto para a Série Prata e de agosto a dezembro para a terceirona. Não temos como mudar.”
Com o quadro atual, o calendário 2012 exigirá muita assertividade da diretoria paranista. É muito difícil montrar um time para atuar só a partir de março (contando a Copa do Brasil) e com datas fixas a partir de maio. E mais difícil ainda montar duas equipes, pois algumas datas da Série Prata e do nacional podem ser conflitantes. E tudo isso com pouco ou nenhum dinheiro.
No calendário paranista de 2012, pelo menos no aspecto estadual, muitas viagens e nenhuma atratividade. O campeonato não tem patrocínio, não tem cobertura da mídia local (e nessa a própria imprensa sofre: quantas rádios, TVs ou jornais conseguirão cobrir os jogos do Paraná?) e o clube só terá jogos a mais de 208km – a cidade mais próxima é Prudentópolis. Os adversários serão Junior Team e Cincão EC (Londrina, 387km) Nacional (Rolândia, 398km), Grêmio Metropolitano (Maringá, 438km), Serrano (Prudentópolis), Iguaçu (União da Vitória, 238km), Foz do Iguaçu (643km), FC Cascavel e Cascavel CR (503km). Um quadro cruel que o Londrina, como exemplo, só reverteu após uma parceria em que o clube foi entregue a SM Sports, investidora que bancou os custos.








