Pesquisa Ipsos/Marplan, parte II: Futebol para elas, ricos e pobres, do vovô ao netinho

Após a divulgação dos números globais da Pesquisa Ipsos Marplan 2012 (e muita discussão no post e nas redes sociais), chegou a hora de detalhar a pesquisa; quem, entre os paranaenses, tem a maior torcida entre as mulheres? E por faixas sociais? Qual o time do povão e qual o da elite? Os jovens e os idosos, preferem que cores?

É o que o blog apresenta abaixo.

  • O Atlético é delas, o Coxa é deles
A modelo Carol Garajaú: Atlético tem maioria feminina

As mulheres são maioria entre os atleticanos e mais: proporcionalmente, o Furacão tem a terceira maior torcida feminina do Brasil, atrás apenas de Internacional e Vitória e ao lado do Corinthians e do Sport Recife no índice.

No geral, as torcidas brasileiras estão bem divididas. Foi-se o tempo em que “futebol era coisa de homem”. Segundo a Ipsos/Marplan, 46% das torcidas brasileiras são formadas por mulheres.

As atleticanas compõem 52% da torcida rubro-negra. Inter e Vitória tem 53% das suas massas torcedores compostas por mulheres.

Se o Furacão é o time delas, o Coxa é o time deles. Apenas 33% dos torcedores alviverdes são mulheres, o menor índice entre as 23 maiores torcidas do Brasil – o volume de times detalhados pela Ipsos/Marplan. É a segunda maior torcida masculina do Brasil, em números proporcionais, atrás apenas da do Santos.

Além de ambos, o Ceará, com 39% de mulheres na torcida, tem índice abaixo dos 40%, como o Coritiba. Veja os números gerais*:

*A Ipsos/Marplan não divulgou os números da torcida do Paraná; a ordem do gráfico corresponde a ordem nacional das pesquisas no Brasil, em números absolutos

  • Coritiba tem a torcida mais rica do Brasil
Torcida Coxa se fez presente em jogos na Copa da África 2010

O Coxa tem os torcedores mais ricos do futebol brasileiro, aponta a pesquisa. A elite curitibana é 14% da torcida alviverde, maior índice entre todos os 23 clubes detalhados pela pesquisa. A classe A, com renda mensal acima dos R$ 8.000, prefere o Alviverde. Não só em Curitiba: o concorrente mais próximo do Coritiba nesse índice é o Palmeiras, com 12%. O Atlético tem 8% de seus torcedores na classe A.

Nem Atlético, nem Coritiba, podem se dizer verdadeiramente “um time do povo”. Em se tratando de classes econômicas, a dupla Atletiba tem maior penetração nas classe média, entre as classes C e B (com renda mensal entre R$ 950 e R$ 4.600). Na disputa entre ambos, ligeira vantagem para o Atlético entre os mais pobres (com renda abaixo dos R$ 950), com 8% x 7% do Alviverde. Pra se ter uma ideia, nacionalmente, a verdadeira torcida do povo brasileiro é a do Ceará, com 33%. O Corinthians tem apenas 9% de torcedores nessa faixa, enquanto o Flamengo tem 15%.

Na classe média, o Atlético leva vantagem sobre o Coxa entre os situados na classe C (44 x 30) e perde na B (39 x 49), comprovando a preferência dos mais abastados pelo clube do Alto da Glória. Veja os índices nacionais:

  • Vovô é Coxa, filhos são Rubro-Negros, netos em aberto
Vovô Coxa entre Lucas e Kleberson, na faixa dos 30 (Foto: Blog do Bronca)

Como visto no primeiro post desta série, há uma flutuação nos índices percentuais das torcidas, conforme as décadas. As gerações vão se sucedendo e mexendo com os números. Segundo a Ipsos Marplan, o Coritiba tem 19% dos seus torcedores acima dos 50 anos, enquanto nessa faixa estão 14% dos atleticanos. A torcida mais “velha” do Brasil atualmente é a do Fluminense, com 41% dos torcedores acima dos 50.

O Atlético está a frente do Coxa entre a faixa considerada mais ativa, de 25 a 50 anos: 48 a 41%. Entre todos os 23 clubes do detalhamento, a média percentual de torcedores nessa faixa é a maior, 43%. Apenas Palmeiras (50%) e Bahia (49%) tem mais torcedores nessa faixa que o Atlético. Flamengo, Atlético-MG e Internacional tem o mesmo índice dos rubro-negros.

Entre jovens e crianças, o Coritiba está ligeiramente acima do Atlético, 39% a 38%. Os coxas-brancas estão mais numerosos entre 18 e 24 anos; abaixo disso, os rivais estão iguais. Em todo o Brasil, a torcida que tem o maior número de jovens em suas fileiras é o Sport Recife, com 47%; na outra ponta da tabela está o Palmeiras, que tem 25% dos seus torcedores nessa faixa etária.

  • Conclusões

Estatísticas de torcidas no futebol normalmente são mal digeridas. Enquanto os perdedores duvidam da origem das pesquisas, os vencedores preferem a galhofa ao estudo – que, de fato, deveria ser objeto de todos.

Os índices e as flutuações no mercado do futebol, apontados pela pesquisa da Ipsos, são significativos. A queda assustadora de torcedores do Paraná, o constante crescimento corintiano no mercado paranaense e também no país todo, as preferências por sexo, idade e classes sociais, tudo pode ser objeto de um trabalho mais profundo para readequação de interesses de cada clube.

Não há marketing melhor que bola na rede, dirão alguns. De fato. Mas muitas ações podem ser tomadas para que cada clube amplie sua ação no mercado, afim de faturar mais, gerar receitas e atratividade e assim, com dinheiro em caixa, buscar quem ponha a bola lá, iniciando um ciclo positivo.

Atlético tem a maior torcida paranaense; veja detalhes exclusivos

 

O Atlético tem a maior torcida de Curitiba e a maior no Brasil entre os clubes paranaenses, aponta uma pesquisa realizada pelo o Instituto Ipsos/Marplan em 13 regiões do País.

A pesquisa, feita nas Regiões Metropolitanas de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis, Recife, Salvador, Fortaleza, Goiânia, Vitória-ES, Salvador e no interior de São Paulo, entrevistou 14.413 pessoas entre Janeiro e Março deste ano. Curitiba e RMC correspondem a 5% do total da pesquisa; São Paulo e interior, na proporção da população, a 30%.

Nos números apurados, algumas conclusões polêmicas: pela primeira vez o Corinthians teria passado o Flamengo no número de torcedores; em números comparativos, o Atlético teria o dobro de torcedores do Coritiba (32 x 16), como divulgado pela TV Bandeirantes em 10 de outubro deste ano:

Como os números paranaenses não foram descritos na matéria da Band, fui atrás dos dados especificados. E em dois posts especiais, nesta quinta e sexta, vou apresentá-los aqui no blog.

Abaixo, o gráfico que corresponde às torcidas em Curitiba e o desempenho nacional dos clubes do Paraná:

Portanto, em números absolutos, a torcida do Atlético chega a 20% da população da cidade/RMC, enquanto o Coritiba tem 16% e o Paraná, 4%. O Corinthians é o terceiro na preferência na região, com 8%.

O gráfico apresentado pela Band tem outra leitura. A explicação é de Diego Oliveira, diretor de contas da Ipsos/Marplan, para a discrepância nos números: “São interpretações diferentes. Há dados com base em torcedores (37.153.000) e na população com mais de 10 anos (50.119.000).”

A vantagem do Atlético em relação ao Coritiba cresce na proporção em que se seleciona apenas o público com interesse no futebol. E também no comparativo único entre os três clubes paranaenses, que somam 40% entre os que gostam de futebol. Como ilustra o gráfico a seguir, o Atlético tem 50% da torcida paranaense contra 40% do Coxa e 10% do Tricolor, de acordo com a Ipsos/Marplan:

Segundo a Ipsos/Marplan, 23% dos brasileiros não torcem para nenhum clube. Em Curitiba e RMC, o índice de pessoas que não torcem para ninguém é de 39%, maior que a média nacional.

  • Consolidação atleticana, ameaça corintiana

Os números da pesquisa Ipsos/Marplan podem alimentar a rivalidade Atletiba, mas servem muito mais de alerta de mercado para o crescente aumento de corintianos na capital. No Paraná, somando o interior, o time paulista já tem a maioria dos torcedores.

Se resgatarmos todas as pesquisas divulgadas sobre torcidas no Paraná, desde a primeira que se tem notícia, do Gallup/Placar em 1983 até essa, percebe-se uma queda na preferência pelos times paranaenses e a consolidação do Atlético como time mais popular. Em 10 pesquisas nos últimos trinta anos, o Furacão esteve atrás do maior rival em apenas duas (em 1993 e 1998); no Paraná como um todo, foram 4 pesquisas divulgadas desde 1983. Em todas,o Atlético aparece na frente do Coritiba – mas, nas duas últimas, atrás do Corinthians.

Além disso, há um decréscimo considerável na torcida paranista, que teria perdido nada menos que 2 vezes e meia a torcida que tinha na primeira pesquisa em que apareceu, em 1993 (de 14% para 4%). Clubes citados em 1983 com grande participação paranaense, como Grêmio Maringá, Londrina e Operário, sequer são citados atualmente – muito embora, em alguns casos, as pesquisas não sejam realizadas nestas praças. Confira os gráficos das torcidas ao longo do tempo, em Curitiba/RMC e em todo o Paraná:

Curitiba/RMC

Obs: Por ser um time de Curitiba, o Malutrom aparece no gráfico por ter sido citado em 2001; clubes como Santos, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Grêmio e Inter foram citados, mas não incluídos no gráfico acima

Estado do Paraná

Se você chegou até aqui e ficou curioso para saber o resultado nacional da pesquisa, recomendo o blog Olhar Crônico Esportivo, só clicar aqui. O espaço para comentários está a disposição para o seu manifesto.

 Amanhã: o detalhamento da pesquisa por sexo, idade e classe social!

Atletiba acirrado na nova Câmara dos Vereadores

A nova composição da Câmara Municipal de Curitiba acirrou um “Atletiba” interno, ao menos na soma das preferência clubísticas dos vereadores. Atlético e Coritiba estão empatados na liderança entre os 38 vereadores eleitos, que tomam posse somente em 2013. Junto à atleticanos e coxas, o número dos que não torcem para nenhum time ou preferiram não declarar* torcida antes da campanha. O Paraná aparece somente a frente do Londrina entre os clubes paranaenses citados pelos novos vereadores. Fica abaixo da soma dos que torcem para outros times não-paranaenses. Veja o gráfico acima.

São 9 atleticanos, 9 coxas, 9 que não torcem/não declararam, 6 que preferem clubes de outro estado, 4 paranistas e 1 londrinense. A lista está logo abaixo.

Muda alguma coisa em relação à Copa 2014? Talvez.

CMC: Atletiba acirrado traz alguma consequência à Copa 2014?

De fato, o time do coração não é o que mais pesa na hora de alguma decisão política pró ou contra o Mundial. Ser da base do prefeito ou seguir a determinação do partido no assunto pode ser muito mais significativo em alguma decisão do que somente a preferência esportiva. Outras costuras internas, como troca de apoios, também pesam mais.

Mas, em uma cidade que ainda não comprou a ideia de um Mundial “curitibano”, dividida nas opiniões e nas análises sobre os temas da Copa, a pressão das torcidas pelo sim ou pelo não em um voto pode pesar.

Da “bancada da bola” – candidatos com ligação diretiva nos clubes/torcidas organizadas ou passado como esportista – apenas dois se elegeram: Paulo Rink, ex-atacante do Atlético, e Aladim, ex-atacante do Coritiba. O último, há muito tempo já está na vida pública e até ultrapassou a ideia de que é apenas um vereador “da bola”.

Além disso, ainda faltará a definição do prefeito. O atleticano Ratinho Jr. vai para o segundo turno com o coxa-branca Gustavo Fruet. Ambos, no entanto, devem seguir a cartilha da Copa assinada pelo ex-prefeito Luciano Ducci, paranista.

Ainda é cedo para avaliar se pode ou não haver alguma mudança no panorama político da Copa em função da torcida na Câmara. Mas vale a curiosidade da lista, detalhada abaixo.

Atlético: Dona Lourdes, Jairo Marcelino, Beto Moraes, Professora Josete, Hélio Wirbiski, Edmar Colpani, Paulo Rink, Bruno Pessuti e Paulo Salamuni.
Coritiba: Cristiano Santos, Felipe Braga Cortes, Tito Zeglin, Jonny Stica, Pier Petruzziello, Ailton Araújo, Zé Maria, Aladim e Pedro Paulo.
Paraná: Tico Kuzma, Julieta Reis, Tiago Gevert e Jorge Bernardi.
Londrina: Professor Galdino.
Outros**: Pastor Valdemir, Mestre Pop, Sabino Pícolo, Carla Pimentel, Chicarelli e Geovane Fernandes.
Nenhum/Não declarou: Serginho do Posto, Toninho da Farmácia, Noemia Rocha, Aldemir Manfrom, Chico do Uberaba, Mauro Ignácio, Dirceu Moreira, Rogério Campos e Cacá Pereira.

*Informações obtidas no site do TSE, no Candibook da Gazeta do Povo e em pesquisas pessoais.
** Times citados:  Seleção Brasileira (2), Cruzeiro-MG, Botafogo-RJ, Santos-SP e Corinthians-SP.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 26/09/2012

Coluna que aborda temas esportivos, em especial os voltados ao Paraná; veiculada semanalmente no Jornal Metro Curitiba

Passo à frente ou populismo?

Oportunismo eleitoral ou não – a descobrir – uma vereadora, candidata à reeleição, reivindicou formalmente junto a diversos políticos (incluindo a presidente Dilma) a inclusão de Curitiba nas sedes do torneio pré-olímpico de futebol de 2016. Politicagem a parte, a ideia deve ser levada a sério pela cidade. A Olimpíada será um evento nacional, embora os holofotes apontem o Rio. Mais do que receber jogos de futebol, Curitiba deve propor-se a ser cidade hospedeira (host) de delegações, envolvendo não só o futebol, mas clubes que possam ser CTs para tênis, basquete, atletismo, etc. A iniciativa já merece nota, mas a execução é o que interessará de fato. Aguardemos.

Patrocínio x burocracia

O Paraná Clube confirmou prospecção junto à Caixa Econômica Federal para estampar a marca do banco na camisa do clube – valores não divulgados. No entanto, a negociação está parada há meses: devedor no INSS, o Tricolor não pode ter apoio estatal enquanto tiver dívida com a União. Por essa razão, a Petrobrás deixou o Flamengo tempos atrás. “Gostaria de dar uma previsão, mas não é possível. Está no nosso jurídico”, me disse Vladimir Carvalho, diretor de marketing tricolor.

Prospecção

Por falar em patrocínios, o Coritiba realiza hoje um evento em São Paulo, reunindo 20 agências de publicidade, para apresentar o projeto do clube ao mercado paulista e buscar apoio de grandes anunciantes nacionais.

Prioridades

O Cianorte perdeu a vaga na Série C em casa, nos pênaltis, para o Mogi Mirim-SP, depois de ter vencido por 2-1 fora. Um dos mais interessados na conquista, o presidente da FPF, não esteve no Albino Turbay. Em campanha política para ser vereador em Curitiba, não viu de perto o futebol paranaense deixar de ter quatro vagas garantidas em campeonatos nacionais. O vice, Amilton Stival, fez às vezes (novamente) da presidência. Em tempo: nenhum deles bate pênalti. Mas dão segurança a quem o faz.

Pouco sobre futebol?

A coluna tem batido na tecla da gestão e visão futura. É de boas gestões que os craques aparecem no gramado. Mas, de olho nas hipóteses de o Estado ter dois clubes na Série A 2013 (ou três na B) refleti desempenho no campo e tabelas. O Coxa preocupa. Pega rivais diretos fora de casa e tem uma reta final com seis equipes entre Libertadores e título. Mas, mais que isso, não joga bem longe do Couto. Já o Atlético mostra evolução, mas decidirá a vaga longe de Curitiba. Numa Série B de raros tropeços, pega São Caetano, Vitória e Criciúma fora. Ambos precisarão buscar pontos na casa dos adversários. O processo é mental, já que a técnica não pode mais ser melhorada.

Amador: ídolos do Furacão param em ex-tricolores

Com Nem de técnico e Alex Mineiro em campo, Bairro Alto ficou no 0-0 com Trieste de Ageu e Goiano; Suburbana é laboratório para ex-zagueiros começarem carreira de técnico

por Ana Claudia Cichon*

A partida entre Trieste e Bairro Alto realizada no sábado (21), no estádio Francisco Muraro, contou com um duelo especial nos bancos de reservas. Os ex-zagueiros Nem e Rossano Santana, que durante a década de noventa se enfrentaram nos gramados do futebol profissional com as camisas de Atlético e Paraná Clube, respectivamente, viveram a experiência de um confronto fora das quatro linhas.

Nem e Rossano; um tapa o buraco, outro quer projeção (Foto: Ana Cichon)

Em sua segunda partida como técnico do Bairro Alto, o ex-zagueiro do Atlético conquistou seu segundo empate e segue invicto, mas garante que a função é por pouco tempo. “Eu vim para jogar, mas como acabei me lesionando aceitei a proposta da diretoria para assumir o comando da equipe enquanto não encontrassem um novo técnico. Mas assim que tiverem um nome e eu estiver recuperado quero voltar para dentro de campo”, explica.

Já Rossano Santana está no seu segundo ano como treinador do clube de Santa Felicidade e afirma que largou de vez a posição de jogador. “Para mim este é um início para seguir carreira como técnico. Estou aqui no amador, comandando o Trieste pelo segundo ano, ganhando a cada dia mais experiência para quem sabe chegar a ser técnico de alguma equipe profissional em breve”.

Trieste quase marca, mas ninguém, nem Alex Mineiro, chacoalhou o limoeiro (Foto: Ana Cichon)

Comandando ex-companheiros

Apesar desta diferença nas projeções para o futuro, os técnicos possuem uma característica em comum: hoje passam instruções para seus ex-companheiros de clube, que ainda não saíram dos gramados. E este comando visto nos dois treinadores está diretamente ligado à função que ambos desempenhavam nos gramados.

“Se formos analisar a quantidade de ex-jogadores que estão como técnicos atualmente, quase 90% eram zagueiros. Geralmente são os líderes em campo, já possuem este espírito de liderança”, assegura Rossano. O técnico alvinegro confirma esta colocação, ressaltando que o fato de os zagueiros estarem atrás do meio de campo, tendo a visão de todo o jogo, facilita a questão de análise de posicionamento e outras noções que os técnicos precisam.

Na equipe do Trieste, por exemplo, Rossano lidera alguns ex-colegas de Paraná Clube, como Ageu, Goiano e Flávio e fala que, apesar de ser mais novo que alguns de seus comandados (Rossano tem 31 anos), o respeito é muito grande, principalmente por já se conhecerem de antes, de terem sido companheiros de equipe.

No Bairro Alto Nem conta com dois companheiros campeões brasileiros pelo Atlético em 2001: o também zagueiro Rogério Corrêa e o atacante Alex Mineiro. E a parceria que foi repetida antes da contusão do atual técnico pode ser percebida mesmo fora de campo. Durante todo o jogo Nem e Rogério Correa conversam, trocando opiniões sobre posicionamento e jogadas. “O Rogério é um grande amigo, e por ele ter a mesma experiência que eu como zagueiro fica fácil discutirmos estratégias e termos ideias para melhorarmos o rendimento da equipe”, comenta. Sobre a relação de comandar seus antigos companheiros Nem é enfático: “Não tem nenhuma diferença. Eu já os comandava quando estava em campo”.

O jogo

Futebol e religião se misturando na Suburbana (Foto: Ana Claudia Cichon)

Reeditando a final da Suburbana do ano passado, quando o Bairro Alto conquistou o título após vencer o Trieste por 4-0 no primeiro jogo e empatar em 1-1 na segunda partida, os dois clubes fizeram um bom duelo, mas que acabou sem gols. O melhor lance da partida aconteceu aos 41 minutos do segundo tempo com o meia triestino Goiano, mas o chute acabou parando na defesa parcial do goleiro Dida. Na sequencia Massai fez o corte, garantindo o empate ao Bairro Alto, que estava com um a menos após expulsão do zagueiro Flamarion.

Trieste: André, Rafael, Zico, Baloi, Lima, Adam, Geraldo, Pilo (Juninho), Goiano, Edvaldo e Flávio (Malzone). Técnico: Rossano Santana
Bairro Alto: Dida, Jorge, Rogério Correa, Flamarion, Luciano, Caíque (Caio), Zé Nunes, Massai, Douglas Silva (Marcelo Tamandaré), Alex Mineiro e Edmílson (Reinaldo). Técnico: Nem

Resultados da rodada
Trieste 0x0 Bairro Alto
Iguaçu 1×0 Novo Mundo
Santa Quitéria 2×1 Nova Orleans
Combate Barreirinha 1×1 Urano

*Ana Claudia Cichon é jornalista e vai trazer imagens e história da Suburbana semanalmente aqui no blog.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/09/2012

“Futebol Paranaense Forte”

Meu Amigo Pedro*

O título dessa coluna vinha impresso nos ingressos da FPF na minha infância. Era uma demonstrar a vontade de evoluir que os clubes paranaenses tinham. Até então apenas um título nacional de elite, o do Coritiba em 1985. Pouco, muito pouco. E Séries B e C a parte, melhorou pouco até os dias de hoje. Como explicar que um Estado com o 5º maior PIB do Brasil, uma capital maior que Porto Alegre, pode estar tão abaixo dos quatro acima? É Pedro, as coisas não são bem assim.

“A rodada foi histórica para o futebol do Paraná”

Foi a partir de uma série de comentários de colegas sobre o desempenho dos paranaenses na rodada do feriado passado que comecei a pensar: como assim, histórica? Negativo. A frase, oriunda das quatro vitórias de Coritiba, Atlético, Paraná e Cianorte (da A pra D, ok?) é puro POPULISMO. Isso mesmo cara pálida, populismo e dos baratos. Cada clube tem sua realidade, são concorrentes de mercado, ganhou apenas por si. A hipocrisia do “todos contentes” só serve pra mascarar a eterna mania de puxar o tapete do vizinho. Histórico mesmo seria um movimento por um campeonato estadual com menos datas e mais rentável. Seria ver os clubes unidos para que a Série Prata deste ano fosse antecipada e o retorno da Copa Sul; seria ver a Federação tomar partido pelos clubes na Copa do Brasil e na Libertadores, onde uns podem algumas coisas, outros não. Deixar de usar o futebol só como trampolim político. Ver o aluguel de um estádio ao rival para faturar, com ações de marketing que se alimentam da rivalidade. Dar apoio ao Cianorte para abrir mais uma vaga nacional – coisa que em São Paulo, o Mogi Mirim terá. Seria ver o futebol paranaense sério, trabalhando para render a Copa do Mundo, e não menosprezando e até contra o maior evento do futebol mundial.

Rivalidade, inteligência, construção

Nunca, em nenhum espaço de mídia que ocupei nesses 11 anos de carreira, preguei campanha para que o torcedor torcesse para o rival. Rival é rival. O que deve haver é uma compreensão do negócio futebol e a briga conjunta por interesse comuns fora de campo. Leio no blog do brilhante Leonardo Mendes Jr. (que trabalha no concorrente, mas e aí? Não é disso que estamos falando?) que o Paraná Clube espera as mesmas benesses do Atlético para deixar a Vila em condições de uso para a Copa. Ótimo, apoiado. Mas que o Tricolor não espere sentado e apontando o dedo. Onde está o projeto e o que pretende reivindicar a diretoria paranista? Há prospecção de seleções? Isonomia é para iguais: se há um projeto apto e consistente, rentável e de evolução, os direitos têm de ser dados. Senão será apenas um capítulo do “eu quero também, mas não sei como nem por quê.” Cresce, futebol paranaense.

*Meu Amigo Pedro, música de Raúl Seixas que diz, entre outras coisas, que é fácil criticar; difícil mesmo é ser.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 29/08/2012


Pela volta da competitividade

Chegamos à metade do Brasileirão 2012 e olhar para a classificação é quase o mesmo que olhar a divisão de cotas pagas pelos direitos de TV. A exceção do intruso Náutico (11º.), os 12 primeiros são aqueles que estão no eixo da grana: RJ-SP-MG-RS. O Palmeiras, que está fora, está também na Libertadores via Copa do Brasil. Os times citados tem divisão interna discrepante também. Atlético-MG e Botafogo, por exemplo, estão mais próximos de Atlético e Coritiba que de Corinthians e Flamengo. Mas os 12 recebem mais, aparecem mais, conseguem mais público, melhor patrocínio. E a roda vai girando, abrindo ainda mais o abismo. Desde 2003 (início dos pontos corridos), são seis títulos paulistas, dois cariocas e um mineiro. Rara exceção, o Atlético foi vice em 2004, posto que foi ocupado no período citado quatro vezes pelos gaúchos, duas vezes por paulistas e uma vez pelos cariocas. Traduzindo: é quase impossível furar o bloqueio assim, esvaziando estádios e diminuindo o interesse nacional, exceto pra quem está dentro. Caminho para a falência do principal esporte nacional.

Mas é o regulamento que está errado?

Sinceramente, não. Sem dúvida a fórmula de pontos corridos aponta o melhor. É básico: quem somar mais pontos depois de enfrentar todos os times dentro e fora dos próprios domínios, é mesmo superior. O problema está na formulação desse melhor time. O garimpo e a montagem dos elencos são desiguais. Rápido exemplo: o Coritiba descobriu Leandro Donizete na Ferroviária-SP; não teve como o segurar em uma melhor proposta. Hoje no Atlético-MG, é líder do campeonato ao lado de Ronaldinho, Jô, Victor, selecionáveis atraídos pela grana, e comanda a melhor defesa da competição – o Coxa tem a pior. E a distância vai aumentar em breve: com os estádios da Copa servindo também aos “gigantes”, o abismo será tão grande que não haverá mais como alcançar. São mercados desperdiçados e que serão quase falimentares, como Paraná, Bahia, Pernambuco – isso só para ficar entre os que têm campeões brasileiros entre si. Na Copa do Brasil, em fases eliminatórias, os clubes médios tem mais chance. Por isso, sem mudar o sistema de cotas, que volte o mata-mata.

A mudança: como e por quê

É claro que o Corinthians, por exemplo, merece ganhar pela exibição mais que o Atlético: tem mais torcida, dá mais audiência. Mas a divisão do bolo não precisa ser toda baseada nisso. Na liga mais rica do mundo, a inglesa, 56% do dinheiro é dividido igualmente entre os 20 clubes da elite, 22% do valor se baseia na classificação do ano anterior e outros 22% são divididos conforme o interesse midiático. O campeonato inglês é o mais forte entre os europeus e mesmo os clubes médios, como o Tottenhan, conseguem ter mais arrecadação que grandes espanhóis, como o Atlético de Madrid, que fica à margem de Barça e Real em negociação parecida com a brasileira. É bom para o futebol num todo e premiará a competência. Quem dará o primeiro passo?

A expectativa é a pior inimiga do Paraná Clube

O “meme” acima circula no Facebook e somado ao resultado do Derby do final de semana, me fez expor uma reflexão que, embora pareça dolorosa aos tricolores, é na verdade a chave para a retomada de um Paraná Clube forte e vitorioso:

Não há grau de comparação entre o Paraná e os outros dois clubes da cidade, Atlético e Coritiba. 

Nós, da imprensa, somos em parte culpados da percepção que se tem de que o Paraná tem as mesmas obrigações dos rivais de outrora. Não tem: falta ao Paraná muito no comparativo com a dupla, especialmente dinheiro. O Paraná é cobrado como se recebesse o mesmo que Atletiba, como se tivesse o potencial midiático da Velha Firma* da cidade, como se tivesse a mesma estrutura dos outros dois. É vendida ao torcedor a ideia de que o Paraná de hoje é tão competitivo quanto os outros dois e, por mais doloroso que isso possa soar, não é.

Um rápido resgate histórico mostra alguns porquês. Escolhas erradas, como a venda do terreno do antigo Britânia ao invés da exploração imobiliária da região, a famigerada parceria que trocou direitos de jogadores por alimentação e uma sequencia de administrações nocivas minaram o que era a proposta inicial do Paraná: um clube com estrutura sólida (Pinheiros) e uma torcida participativa (Colorado). Basta ver quanto Thiago Neves, um dos melhores jogadores em atividade no futebol brasileiro, rendeu ao Paraná. Nem o orgulho de dizer que ele é do clube ficou.

A revolução de 1995, que guindou o Atlético ao patamar de um dos maiores clubes do Brasil, com a conquista do título nacional de 2001, iniciou-se na verdade em 1989. Foi a fusão entre Pinheiros e Colorado que acordou a dupla Atletiba. Isso depois de 5 anos de domínio absoluto tricolor. O Coritiba, destaque nacional no fim dos 70, meados dos 80, ressurgiu na mesma época e voltou a frequentar a Série A, mais recentemente chegando a duas decisões de Copa do Brasil. A Velha Firma paranaense ficou à sombra do Paraná antes de se mobilizar. E o que fazia o Paraná se sobrepor aos dois era organização e dinheiro, que foram embora.

O Paraná hoje tem menos estrutura, menos torcida, menos capacidade de arrecadação, menos dinheiro (é chato repetir, mas é isso: dinheiro) que os outros dois. Como o futebol ainda reserva mágica, pode ganhar e surpreender em campo. Mas a lógica é que não. Isso explica as 8 derrotas consecutivas para o Atlético e outras 5 partidas sem vencer o Coxa desde 2010. Isso explica porque o clube começa bem a Série B há três temporadas, mas não consegue se sustentar o suficiente para ficar no G4 ao final das 38 rodadas.

Exigir do Paraná além do que ele pode oferecer é matar o clube a cada dia. E isso não é sinônimo de afastar o torcedor de campo, pelo contrário: esse tem papel fundamental no momento de reconstrução paranista. Há que se admitir que o potencial hoje é menor do que o de antes. Que fazer uma campanha honrosa, sonhando com pés no chão, é o melhor. Que o acesso no Estadual, obrigação, já veio. E por isso demitir técnico (o que nem foi cogitado) ou mudar todo um elenco, invadir campo, inverter faixas, só vai prejudicar.

Afinal de contas, não importa o resultado, o sujeito muda até de sexo, mas não muda de time. E clubes argentinos e ingleses lidam bem com suas expectativas temporada após temporada. Até o supercampeão Liverpool atualmente só briga pra tentar chegar à Champions League; sem dinheiro, título é pra United, City, Chelsea e Arsenal, mais afortunados.

A expectativa derrota o Paraná temporada após temporada. Ela parte de todos os setores do futebol paranaense, alguns mais hipócritas que os outros. Para que o clube possa realmente voltar a ser competitivo, é preciso repensá-lo e reinventá-lo.

*A Velha Firma, The Old Firm: clássico escocês entre Celtic x Rangers, que mexe com todo o país através do futebol e fanatismo religioso. Veja mais aqui.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 22/08/2012

Internacionalização

Coritiba e Grêmio, hoje à noite, no Couto Pereira. O tempo ajudou o Coxa nesse plano de internacionalização. Em Porto Alegre, a chuva segurou o embalo do Grêmio, que pegava um Coxa fragilizado. Os gaúchos fizeram 1-0. As semanas passaram desde o primeiro jogo e o momento ruim do Alviverde parece estar passando. O empate com o Vasco, jogando bem, e os 4-0 sobre o Cruzeiro dão novo alento para a disputa da vaga. Não será fácil: não pode tomar gol sob pena de ter de fazer sempre dois a mais e pega a escola “copeira & peleadora” gremista. Mas dá. E se passar, pega Cobreloa ou Barcelona do Equador (adversário na Libertadores 1986) na fase internacional.

O Derby da Rebouças

O jogo, que chegou a ser o principal do Estado no início dos anos 2000 quando os rivais da Rua Engenheiros Rebouças decidiram dois estaduais (2001 e 02) e representaram o futebol da terrinha na Série A sem o Coritiba em 2006 e 07, acontecerá no sábado na Série B pela primeira vez na história. Atlético e Paraná chegam iguais. Se o Tricolor joga em casa, o Furacão vem de três vitórias seguidas. Um empate mata os dois. A vitória coloca o Rubro-Negro em condições de brigar pelo acesso, algo que chegou a estar ameaçado; o mesmo, em menor escala, vale para o time da Vila. Jogo bom de ver, como há muito ambos não disputam entre si.

Despertar

Fora de campo, o Atlético parece ter mesmo despertado. A diretoria negociou com o J. Malucelli a volta à Curitiba, instalando arquibancadas modulares para até 9.999 torcedores e jogará no Barigui. O número é para atender ao Estatuto do Torcedor. Tivesse pensado isso antes e talvez o time estivesse em melhor situação na B. Além disso, um novo time chegou. Da estreia para o último jogo, apenas Manoel e Deivid se mantiveram titulares. Dois da casa, como Harrison, que está sumido, assunto que a coluna abordou há algumas semanas. Esclareceu o procurador dele, Pablo Miranda: “Nunca houve proposição de troca de procurador. Estou com ele desde 2009. Teve duas lesões graves e está se recuperando. É apenas o primeiro ano como profissional.”

Eleições

Meu voto vai para o primeiro candidato que formular uma proposta de inclusão de Curitiba na Olimpíada de 2016, organizando uma comissão que trate do incentivo ao esporte nas escolas municipais, a construção de um ginásio poliesportivo municipal e um comitê que traga para a cidade uma ou mais delegações para treinamentos e hospedagem, gerando renda para a cidade. Além disso, valorize o Mundial 2014, cobrando as contrapartidas do Atlético e assumindo o evento de peito aberto, abrindo as negociações, realizando ciclos de debates com profissionais e preparando o comércio e o cidadão para receber bem e rentabilizar com o turista na Copa. Quem se habilita?