Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 15/08/2012


A (única) entrevista de Petraglia

 

Na quarta passada a coluna sugeriu que o presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia, viesse a público falar sobre a decepcionante campanha do clube na Série B. Ele o fez, na sexta (10). Apesar de dedicar boa parte do tempo à velha história de que o clube “está em meio a um projeto que começou em 1995”, enumerando as obras passadas e próximas, o dirigente disse duas coisas relevantes para o momento do futebol. A primeira, de que errou em algumas avaliações na montagem do departamento de futebol. A segunda, de que, mesmo sem ainda ter um técnico definido (deve ficar mesmo com Drubscky), mudou a tempo de tentar o acesso. É fato que muitos jogadores chegaram e a direção mudou, comprovando a postura que está no discurso. Fato também que se perdeu um semestre – novamente. No geral, a entrevista mostrou um Petraglia mais sereno e deixou a promessa de que esses encontros, importantes para o torcedor entender a cabeça do dirigente, irão acontecer outras vezes.

 

Direitos e deveres

 

Mudo a chave para abordar outro tema palpitante: a postura do CREF (Conselho Regional de Educação Física) sobre o fato de Ricardinho, ex-jogador sem o diploma de Ed. Física, estar exercendo a profissão de técnico no Paraná. Ouvi e li muita bobagem sobre o tema, quase todas sob o signo do clubismo. Não é o caso. Ricardinho vem se mostrando competente na função, é talentoso e viveu o futebol. Mas em um país que ignora e menospreza a educação, não podemos tratar como apenas “revanchismo” a exigência do CREF. Ser um profissional de educação física e coordenar um grupo de atletas é uma função que exige conhecimento em fisiologia, biomecânica, pedagogia e psicologia, entre tantos outros além da tática. Seria incoerente defender o diploma para jornalistas e atenuar o pedido do CREF. O Brasil precisa amadurecer, valorizar a educação e o conhecimento. Ricardinho, diga-se, está cursando faculdade de Educação Física e sabe disso. Busca o conhecimento e deve ser exemplo: tem o direito de trabalhar (está amparado pela CBF) e o dever de aprender o melhor. O CREF-PR está certo, ainda que esteja sozinho no pedido. Se outros centros não fazem, estão errados. E Ricardinho , assim como todos os técnicos, sairá fortalecido desta, podem escrever.

 

Desempenho Coxa

 

O Coritiba tem sim um projeto, digno de elogios, já rasgados diversas vezes nessa coluna. Mas precisa repensar algumas rotas. Há tempos não perdia tantos pontos no Couto como nesse Brasileirão. A rotina perde/empata em casa e perde fora só tem um resultado conhecido: a queda. O Coxa precisa mudar sua estratégia antes que a água chegue ao pescoço. Perdeu pontos para Palmeiras e Sport em casa, clubes logo abaixo na classificação. Terá que buscar fora. E, previsível, tem perdido dos mais fortes e vencido apenas alguns dos mais fracos. E o grupo não é de todo ruim, como mostrou em um torneio de tiro curto, a Copa do Brasil. A estabilidade no clube é admirável, mas não pode ser confundida com apatia. Futebol às vezes exige um chacoalhão, para que quem fique relembre a razão pela qual está vestindo aquela camisa.

 

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 08/08/2012

A única entrevista de Petraglia

Na semana em que deve confirmar o 9º técnico em 18 meses (uma média impressionante de um treinador a cada 60 dias) o Atlético se vê em um beco sem saída na crise existencial que vive há pelo menos duas temporadas. Outrora estilingue, o “messias” Mário Celso Petraglia – que fez muito pelo clube em outros tempos – já não pode culpar o antecessor pelo fracasso em 2012. A atual direção repete os erros de Marcos Malucelli, com um agravante: não se explica à torcida. Petraglia não fala via imprensa e fechou-se também às redes sociais. Dá a impressão de que, munido pela obra na Arena, está distante do que o futebol atleticano faz: um fiasco total. Petraglia já trocou de técnico quando não devia, errou em contratações e segue apostando em uma diretoria de futebol ineficiente, sob a tutela de Dagoberto dos Santos. Ficar na Série B em 2013 parece ser o destino. O presidente atleticano, avesso a entrevistas desde que se elegeu (até então falava aos quatro cantos), só precisa dar uma única em Curitiba. Falou em Guarantiguetá, mas não fala em casa. E o que tem a dizer é simples: assumir que errou nas escolhas e ter humildade para recomeçar enquanto há tempo.

Diferentes, porém iguais

As coisas não estão simpáticas à Coritiba e Paraná.  Em séries diferentes, com exigências diferentes, vivem o mesmo problema: a falta de gols. O Coxa sofre pela expectativa exagerada, criada por ele mesmo quando chegou (e perdeu) pela segunda vez seguida à decisão da Copa do Brasil. E sem um atacante definidor, faz o óbvio: perde de quem é melhor, mesmo em casa (Botafogo, Fluminense) e vence quem é pior, mesmo fora (Náutico). Não cairá, mas não sairá disso. O atacante também é problema na Vila. Joga bem, mas não vence. Li uma boa comparação: é como a pretendente que te dispensa dizendo que “gosta de você, mas só como amigo.” Porém, se o Coxa tem mercado e potencial financeiro para arrumar a peça que falta, o Tricolor não. Está no limite do que pode fazer. Vai com o que tem. E convenhamos, pelo cenário que se desenhava em janeiro, está indo muito bem. Mas assim não subirá – evidentemente.

Cultura esportiva

Respiro a Olimpíada de Londres, acompanhando os mais diversos esportes. Já estive em transmissões de natação, boxe, vôlei de quadra e praia, basquete, judô e handebol. A euforia que toma conta da torcida, interessando-se pelo desempenho dos atletas no decorrer dos jogos, é proporcional à cobrança injusta quando os brasileiros fracassam. Não que não deva haver cobrança; deve, afinal, quem quer projeção está na mira. Mas não temos cultura esportiva no País. Gostamos é da vitória. Dizer isso significa que temos que entender que não somos uma potência esportiva, que os atletas não são infalíveis, mesmo quando favoritos. Favoritismo não é certeza de vitória. Nos quatro anos que antecedem os jogos, ignora-se nada que não seja futebol. Nos jogos, se quer múltiplos ouros. Não dá. O esporte é parte importante de um círculo virtuoso social: integra, ensina, afasta do crime e das drogas. Poderia ser uma saída para o crescimento. E então nascerá a cultura esportiva geral – possivelmente junto com mais vitórias.

Top Hits Esportivo: pequena crônica musical nos assuntos da semana

#1 Brasil Olímpico:

Não entendeu? Clique aqui, aqui e aqui (old, but g…, bronze mesmo)

#2 Rodolfo & Keirrison:

Aqui e aqui.

#3 Fabiana Murer

Você já sabe o que fazer. (Abraço especial para Baloubet du Rouet)

#4 Atlético Série B 2012

Acolá, e .

#5 Paraná Série B 2012

Aqui.

BONUS TRACK: Coritiba e o futebol PR

Clique.

Abrindo o Jogo – Coluna de 01/08/2012 no Jornal Metro Curitiba

De novo, chance de crescer

Imerso na transmissão da Olimpíada Londres 2012, confesso que tenho visto pouco do Brasileirão A e B. A internet ajuda, mas o difícil mesmo é ver que as perspectivas paranaenses já começam a ser reduzidas nas duas divisões (na B ainda mais preocupante, pois há estagnação em inferioridade) com 1/3 já disputado em ambas. No entanto, ontem teve início a Copa Sul-Americana para o Coritiba. A coluna foi fechada antes do resultado. Mas dá pra falar da oportunidade de internacionalizar a marca.

“Mind the gap”

Essa é mensagem do metrô de Londres a cada parada. Significa que você deve ver o espaço entre o trem e a plataforma na hora de desembarcar. Ver o espaço, “mind the gap” que a Sul-Americana proporciona, é necessário. No Brasileiro, o Coxa não deve recuperar terreno pela Libertadores. Vencer um torneio internacional e se classificar em uma competição sem gigantes latinos e que deve ser dominada por brasileiros é um belo “gap” a ser visto. Começou antes mesmo de ontem, com estratégia pela vaga. Ano após ano, os clubes desperdiçam essa competição em nome do Brasileiro. E no eterno looping local, lamenta-se mais tarde e comemora-se ao final do a vaga que é desperdiçada no ano seguinte. Em 2011, o Atlético, dando a chave do clube para Renato Gaúcho, jogou fora; acabou caindo no nacional. Já o Vasco, campeão da Copa do Brasil e disputando o título brasileiro, foi às semifinais. Dá pra correr em paralelo, com planejamento para um Brasileiro razoável, salvando o ano do Coritiba.

Bezona

Acho cruel o comparativo entre Paraná e Atlético – mas para o Tricolor. Tem 1/5 do valor pago pela TV, não tem a estrutura, o glamour e a atenção midiática do Furacão. E ainda assim faz uma campanha melhor na Série B que o rival. Não se pode cravar que irá terminar assim, mas vendo os resultados e ouvindo as análises de atuação, fica a clara impressão que o acerto nas escolhas na Vila foi maior que na Baixada. O Paraná tem mais ambiente, joga melhor, sonha mais. O Atlético decepciona e ninguém entende exatamente por que. De fato, o rubro-negro não começou o campeonato com expectativa maior apenas que a do Paraná, mas também que a dos outros 19 competidores. É, ao lado do Guarani, o campeão Série A na competição. Tem uma das maiores torcidas do País e, principalmente, a maior verba. Difícil dizer se foi apenas um sapo enterrado há pelo menos duas temporadas na Baixada ou se as feridas políticas seguem atrapalhando o caminho atleticano.

De volta à Londres

Emanuel, melhor do Mundo no Vôlei de Praia, atleticano; Giba, melhor na quadra, paranista. Wanderlei Silva, não olímpico, mas campeão mundial no UFC, coxa. Confesso que não entendo porque SPFC e Corinthians, por exemplo, aproveitam seus ídolos identificados pra promoção e os paranaenses não. Timidez?

Um museu do futebol na Vila Madalena

Pausa na Olimpíada para aproveitar uma pequena folga em Sampa. Estive no Bar São Cristóvão, na Vila Madalena, um museu do futebol informal, montado pelo proprietário – que não estava na casa, pena – um goiano muito provavelmente fanático pelo Atlético-GO, dado a quantidade de artefatos do Dragão no bar (mas com alguma coisa do Goiás também).

A entrada do bar, quase sem um centímetro de parede branca

O bar reúne na parede fotos, artefatos, camisas, revistas, faixas, cachecóis e qualquer coisa que remeta a futebol. Todos os funcionários trabalham com a camisa do São Cristóvão FR do Rio, o clube que revelou Ronaldo.

Um bem gelado, servido pela camisa 6 do São Cristóvão

Entre fotos do Pelé, artefatos de times dos mais diversos cantos do Mundo (por ser São Paulo, imagine a quantidade de coisas sobre o Corinthians…) de forma democrática, encontrei, claro, coisas do futebol paranaense. Apesar de muito procurar, não vi nada do Londrina ou do Operário. Mas a capital está representada.

Supercampeão Paranaense 1988, faixa original do Atlético

O primeiro título de Nelsinho Baptista e Adilson Batista (então um promissor zagueiro) veio sobre o extinto Pinheiros, em 1988, após uma série dramática que incluiu a perda de um pênalti no último minuto do segundo jogo, por parte do artilheiro Carlinhos Sabiá. No 3o jogo, em desvantagem (perdera o 1o por 0-1) o Furacão superou um dos pais do Paraná e ficou com a taça. A faixa de campeão está emoldurada em uma das paredes do São Cristóvão.

"Ahá-uhu! O mini-estádio é nosso!"

Entre alguns outros artefatos, o Coritiba está representado pelo Couto Pereira nas paredes do São Cristóvão. O mini-estádio, presente do extinto jornal Primeira Hora da RPC no início dos 2000’s, está lá, emulando o maior estádio paranaense. Um pouco amarelado pelo tempo, o mini-estádio (que na promoção do jornal vinha em partes para montagem e atendia às três torcidas curitibanas) tem até o detalhe do escudo do Coritiba atrás do gol da Perpétuo Socorro.

Tricolor, pertinho do Rei

Num cantinho – mas não menos importante – está representado o Paraná Clube, com um escudo de tecido tal qual os das primeiras camisas, emoldurado, próximo a uma foto histórica dos maiores times brasileiros nos 60’s: Santos, de Pelé e Pepe, e Botafogo, de Didi e Nilton Santos.

Linha retrô de camisas, fabricação do bar

O bar, além de quitutes, acepipes e  drinks refrescantes, também tem uma linha de camisas retrô de alguns clubes brasileiros. Olaria e São Cristóvão são intrusos no seleto grupo do eixo (que exclui a Portuguesa) RJ-SP-MG-RS. A camisa da Seleção também está disponível. Futebol paranaense? Ficou pra uma outra. Quem sabe se eu voltar e conseguir encontrar o dono para sugerir.

De todo modo, não é o bairrismo que deve atrapalhar sua visita neste museu informal do futebol, quando estiver de passagem em São Paulo.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/07/2012

Um problema de mentalidade

Escrevo de São Paulo, onde irei transmitir, em uma central de mídia/TV, os Jogos Olímpicos 2012 pelo portal Terra. A Olimpíada ainda não ocupou todos os espaços midiáticos que merece e, mesmo quando ganhar corpo, irá dividir espaço com o Brasileirão. Amamos a Pátria e nos empolgamos com nossos heróis nacionais, mas é pelo clube do coração que a cabeça realmente vira. Para qualquer torcedor, em um hipotético jogo entre Brasil e seu time, não há dúvidas: a camisa amarelinha estará em segundo plano. Por isso, entre uma rodada da Série B ontem, uma da Série A hoje e uma semana da perda do Coritiba na Copa do Brasil, ainda cabe uma reflexão: por que o futebol paranaense ainda não se coloca entre os grandes do País? O que fazer para mudar? Começo pela mentalidade dos envolvidos: diretores, atletas, imprensa e até mesmo os torcedores.

Pequeno histórico

O Coritiba perdeu a Copa do Brasil pela segunda vez em casa; o Atlético, quando decidiu a Libertadores, sequer jogou em Curitiba. Nas finais internacionais, nacionais e regionais a que chegaram – some-se aqui o Paraná Clube – perderam para os grandes do eixo, ou até para o segundo escalão, Minas-Rio Grande do Sul. Os paranaenses venceram Bangu e São Caetano – o futebol brasileiro agradece – mas quando toparam com São Paulo, Santos, Vasco, Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio, perderam – exceção ao Atlético na Seletiva de 99. Na hora H, falta algo. Falta, por exemplo, o costume de estar sempre na decisão. Falta a política de bastidores que inibe os erros de arbitragem, falhas humanas que acabam pesando mais para um lado, ou permite que Santos e Corinthians decidam a Libertadores para menos de 40 mil pessoas. Ter a confiança, para que um jogador mediano não perca um gol que faria em uma pelada. Falta acostumar-se a vencer.

Mudar para crescer

Ouvi uma história, do Coritiba 2009, quando rumava ao rebaixamento. Paulo Jamelli, então diretor de futebol, viu o barco afundando e sentenciou: “Vamos cair. Eu já joguei em clube vencedor. Quando está nessa situação, a camisa pesa, impulsiona. Aqui, estamos mais acostumados a perder do que ganhar, parece que não faz efeito.” O Coxa caiu, as coisas mudaram, a começar pelo comando diretivo, mais altivo. Ainda não foi o suficiente. É o resgate que também vive o Atlético e até mesmo o Paraná, dentro das suas limitações. Mas estão ainda longe. Jamelli falava sobre a exigência e apoio do torcedor; mentalidade vencedora. Não o ganhar por querer, mas por ter consciência de que esse é o caminho natural. Passa pela escolha de quem vai vestir as camisas. Por ousar em contratações e posicionamentos. Por dar estabilidade de trabalho. Criar um ambiente positivista. Mesmo a cobertura da imprensa (me incluo) deve ser mais profissional, sem apelar para os chavões “nós contra o eixo do mal” ou favores junto aos clubes. A cobrança, bem dosada, é que impulsiona. A questão é: ser dignos de dó, pelos erros, ou ser grandes? Eu quero ser grande.

Videocast #007 – É hora de decisão: Copa do BR, Libertadores, Série Prata…

Semana cheia, videocast comentando a decisão da Copa do Brasil para o Coritiba, a carência já crônica no Atlético, o impacto de uma conquista do Corinthians no Paraná, o retorno do Paraná Clube à elite local, o fim (ou não) do Pinheirão e alguns golaços!

Confira e comente!

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 04/07/2012

Futebol é coletivo

A constatação clássica explica porque o Coritiba tem ligeiro favoritismo frente ao Palmeiras na decisão da Copa do Brasil, que se inicia amanhã. O Verdão é um time com mais talentos individuais (que são poucos) que o Coxa, mas não tem a vantagem de jogar em seu estádio, tampouco tem o grande trunfo coritibano: o entrosamento. A montagem desse time, acredite, vem do fatídico 2009. A manutenção daquela espinha dorsal, reforçada sutilmente ano a ano, quase deu frutos em 2011, com um time mais talentoso que o atual. Mas nesse ano, está madura. Curiosamente, estudo da Pluri Consultoria aponta uma diferença de R$ 57 milhões entre o que gastou o Coritiba e o que aplicou o Palmeiras na montagem dos times. Já é uma vitória do Coxa. Por isso, o leve favoritismo, a ser provado dentro de campo, deve ser comemorado. Escolhas inteligentes, time competitivo.

R$ 57 milhões ou uma casa nova

O que o Palmeiras gastou a mais que o Coritiba para montar o time é, coincidentemente, o valor que arrematou (mais 500 mil reais) o Pinheirão em leilão na semana que passou. O grupo Destro agora corre com a documentação para acertar as pendências do arremate. Por isso, o destino do ex-estádio da FPF segue em aberto. Mas o próprio empresário João Destro, em entrevista à jornalista Nadja Mauad, admitiu que já foi sondado por gente falando pelo Coritiba e pela construtora OAS para saber o destino da obra. Há muito que o presidente coxa Vilson Andrade mantém o negócio de se construir um novo estádio em sigilo (quase) absoluto. Ao que tudo indica – e isso não é uma informação – os alviverdes poderão ter boas notícias ao final da conclusão do arremate.

A César o que é de César

A coluna é fechada antes do termino dos jogos da noite, por isso é impossível afirmar que o torcedor paranista acordou comemorando a volta à elite estadual, o que aconteceria com uma vitória simples sobre o Grêmio Maringá. Mas, se ela ainda não veio, virá; é inevitável. A campanha diz tudo: apenas um empate e só vitórias em 14 jogos. Nesse momento, justiça seja feita a um personagem: Paulo César Silva. Apaixonado pelo Paraná estava na diretoria que caiu em 2011 e foi um dos poucos a ficar. Reinventou-se como dirigente e como ser humano, ao passar por um drama familiar, recolhendo-se dos holofotes e delegando funções acertadamente. Assim trouxe Alex Brasil e Ricardinho para a linha de frente do futebol. Volta à primeira divisão paranaense e já faz campanha melhor que a do Atlético na B nacional, com um orçamento quatro vezes mais modesto. Ao Paulão, o reconhecimento pela vitória.

Odor

Reforços. Reforços. Reforços. Repita até virar realidade, pois só assim o Atlético voltará à primeira divisão nacional. O elenco atual, disse Jorginho acertadamente, fede.

O fim do Pinheirão?

Arremate foi feito e estádio deixará de existir

O estádio do Pinheirão foi arrematado por R$ 57,5 milhões na tarde desta quinta-feira, em leilão em Curitiba. O comprador foi identificado como João Destro, que seria representante do grupo atacadista Destro (update: Reginaldo Cordeiro, inspetor da FPF, identificou-o como representante da J D Engenharia) . A FPF não conseguiu o valor necessário para retirar o imóvel do leilão, como havia feito na primeira vez em que o Pinheirão esteve perto de ser leiloado, tampouco conseguiu uma liminar que impedisse a venda. Neste ano, a FPF conseguiu cerca de R$ 700 mil junto às federações gaúcha e catarinense e impediu o leilão – garante já ter pago essa dívida.

Com isso, poe-se um fim em uma história de 27 anos, completos no último dia 15, desde que as seleções paranaense e catarinense fizeram a bola rolar no campo projetado ainda nos anos 60 para ser o “Maracanã Paranaense.”

O Pinheirão quase sepultou o Atlético – que é credor de parte desse dinheiro, segundo conselheiros do clube, R$ 15 milhões – e o Paraná Clube. Muito embora os resultados em campo não foram ruins para a dupla, o estigma do estádio, considerado longe e de difícil acesso, espantava os torcedores. A eterna pendência em finalizá-lo era outro problema. O Paraná, por exemplo, chegou a fazer contrato de arrendamento de 100 anos com a FPF pela praça.

Na FPF, ainda se estuda entrar com alguma medida judicial ou mesmo aguardar o desenrolar do processo de arremate, que inclui uma vasta documentação e pagamentos a serem comprovados. A FPF foi, até a data de hoje, a única federação brasileira a ter um estádio. Muitos confundem o Pinheirão com um estádio público –  o que não é verdade, embora haja um acordo com a prefeitura pela cessão do terreno.

Pelo que pude apurar na FPF, a venda do Pinheirão via leilão é considerada ruim, mas nem tanto. Ruim porque perde-se um patrimônio com potencial para ser vendido por um valor ainda maior. Nem tão ruim porque injeta dinheiro nos cofres da instituição, ainda que todo o recurso seja imediatamente direcionado para os credores. A FPF ficaria praticamente livre de toda a dívida que tem, podendo finalmente contar com um caixa administrável.

Ainda resta saber qual o destino do terreno, que esteve na mira do Coritiba para a construção de um novo estádio. Um dispositivo no acordo entre FPF e prefeitura exige que o local seja usado para fins esportivos. Os próximos dias podem reservar uma grande surpresa com a confirmação do arremate. Seja um novo estádio ou o fim do local como praça esportiva.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 27/06/2012

O compromisso com o erro

Está tudo errado no futebol do Atlético em 2012 e a classificação na Série B do Brasileiro atesta isso. Por isso, apesar de cair na chacota popular, a troca de comando técnico – ainda não 100% confirmada – de Ricardo Drubscky, recém chegado (dois jogos) não deve ser vista como um erro; é uma correção de rota. Erro é insistir em um técnico inexperiente comandando um elenco falho. Drubscky, até o fechamento dessa coluna ainda no cargo, não tem o perfil necessário que o Furacão precisa para voltar à elite ainda nesse ano. Pode ser útil na base, no Sub-23, time que deverá jogar o Estadual 2013. Mas para a Série B o nome de Jorginho, campeão desta competição no ano passado com a Portuguesa, é sem dúvida o mais adequado ao momento. Atlético ou ninguém deve ter compromisso com o erro e ao se confirmar essa informação, isso deve ser mais valorizado do que a aposta errada. Mas vale lembrar que só a troca de treinador não resolve: reforços são exigidos para o objetivo.

A frase

“O melhor para o torcedor do Atlético é ver o time campeão e de volta a Serie A. O Atlético precisa ser forte e eu to pensando mais no Atlético”, disse Jorginho, dando a entender que comprou o projeto, em entrevista à Rádio CBN Curitiba ontem.

O símbolo

Dinheiro não é tudo, nem mesmo no mercado do futebol. Lúcio Flávio estreou bem e faz bem ao Paraná Clube – que já é melhor que o Atlético na Série B.

O fator casa

Faltam ainda 15 dias para o início da série decisiva da Copa do Brasil entre Coritiba e Palmeiras, mas desde já firmo posição. No campo, confronto equilibrado, com o Coxa vivendo um momento ligeiramente melhor. Fora dele, vantagem ampla paranaense. Não dá para negar que o Couto Pereira pesará na decisão, enquanto o Palmeiras mandará o jogo em um campo sem identificação, Barueri. Esse ano, o Coxa não deixa escapar.

Pobre mercado esportivo

Defende – justamente – fim da censura em alguns casos, mas aplica censura velada em outros; majora em 40% o valor da anuidade, sem realizar reciclagem de profissionais, ciclo de palestras, integração com universidades e outros benefícios para a classe; tornou-se um pedágio inconstitucional para o trabalho, mesmo de quem está referendado por um veículo, tem 10 anos de exercício, formação acadêmica e está autorizado pelo dono do espetáculo; usa de truculência nas ações; libera associação mediante pagamento, se pretendendo reguladora profissional, botando os clubes em maus lençóis; serve como trampolim político. Qual o futuro de quem leva a notícia ao público esportivo com esse cenário em determinada associação? Que interesses são defendidos por quem escreve a notícia que você lê/ouve? Olho aberto, leitor.