TJD mantém liminar e Couto não precisa ser alugado ao Atlético até julgamento

O Coritiba fez valer seu desejo e está desobrigado, via liminar, de alugar o Estádio Couto Pereira ao Atlético, ao menos para o primeiro jogo do Campeonato Paranaense 2012.

Isso porque o TJD-PR, através do presidente Peterson Morosko, manteve a liminar que o Coxa conseguiu, desobrigando-o a ceder o estádio através da interpretação do artigo 42 do Estatuto da FPF (como foi explicado aqui e aqui). Segundo Morosko, “a interpretação do artigo é dúbia. Você pode requisitar para um evento especial, por exemplo. Nesse caso poderia até se entender que é uma sublocação. Então mantive a liminar e vamos levar para o pleno.”

Morosko ainda disse que levou em consideração uma defesa da FPF de cinco páginas, assim como a justificativa do Coritiba, com laudos de um engenheiro agrônomo, de que o gramado recém-reformado poderia ser danificado com tantos jogos seguidos.

Agora, o caminho se divide:

1) Atlético x Londrina pode ser realizado em Ponta Grossa ou Paranaguá; a definição sairá em instantes, até às 16h de hoje (quinta, 19).

Mário Celso Petraglia, que não tem atendido os telefonemas, disse pelo Facebook que “o Atlético se licenciaria do campeonato antes de jogar fora de Curitiba”:

2) A disputa segue. O Coxa está desobrigado a ceder o Couto à FPF (e por tabela ao Atlético) até a próxima quinta-feira, quando deve ocorrer o julgamento. As partes serão intimadas, um relator será sorteado e a procuradoria irá atrás das provas. Independentemente da decisão do TJD-PR na próxima semana, as duas partes poderão recorrer. O Atlético só entra no processo como terceiro interessado.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/01/12

Sucessão de erros

A dúvida sobre onde o Atlético irá jogar é um atestado de incompetência para a gestão do futebol paranaense. Sem exceções. A Copa 2014 é fato na Arena desde maio de 2007, quase 5 anos atrás. Deixou-se para pensar em um palco para o Atlético, que cede seu estádio ao evento da Fifa e da cidade, na última hora. Então, ao invés de os dirigentes sentarem e negociarem sobre como o Couto, que comporta o número de sócios do Atlético, poderia ser usado, buscou-se um recurso jurídico, tentando empurrar goela abaixo do Coxa a decisão. Se a intolerância pelo tema já existia do lado alviverde, aumentou. Com razão. Por outro lado, o Coritiba poderia ter tido menos resistência e, negociando um valor de R$ 100 mil/jogo (especulado nos bastidores), embolsado R$ 7 milhões em um ano e meio. É quase o valor das cotas de TV antes de 2011. Bastava que os caciques conversassem e entrassem menos na rivalidade das torcidas. Ao partir para a Vila Capanema, faltou previsão, já que o estádio ainda carece de laudos. E agora se fala em inversão de mando na primeira rodada, com o Londrina recebendo o Rubro-Negro, para só vir a Curitiba no segundo turno. Se em 5 anos não resolveu-se, haverá solução até lá?

Três lados da mesma história: Atlético

O Atlético tem suas razões ao buscar uma morada, embora seja senso público que o Furacão pinta como o vilão da história. Não é. Colabora com um evento que é da cidade e de um parceiro comercial dela, a Fifa. Não se nega os benefícios que o clube terá, mas também não se pode ignorar o ônus, desde a saída da Arena até a gestão da mesma no pós-Copa. Um estádio padrão Fifa para disputar campeonatos deficitários como o Paranaense não é barato. Buscou refúgio na FPF, mas não encontra solução. E quem vai sofrer? Os sócios: seguirão pagando e não sabem se terão como acompanhar o time. E torcedor apaixonado não vai ao Procon.

Três lados da mesma história: Coritiba

Dinheiro não é tudo e o Coritiba se sentiu ofendido com o rumo que a história tomou. Vilson Andrade não é homem de duas palavras; assumiu, anteriormente, que poderia conversar e negociar no caso, mesmo a contragosto da torcida. O Coxa poderia embolsar um alto valor, valorizar espaços publicitários e movimentar bares e lanchonetes. Mas a imposição via FPF pegou mal. Ninguém aceita esse tipo de decisão goela abaixo. Nesse mesmo Jornal Metro, Vilson disse que não cederia mais. O Coxa se sentiu ferido e buscou seus direitos – terá que seguir buscando, pois está sob liminar. Como a FPF tomou frente no caso, uma conversa com o Atlético poderia acertar tudo. Mas ficou distante. E, convenhamos, não é problema do Coritiba.

Três lados da mesma história: Paraná

O Paraná sempre se colocou a disposição. Está com o estádio parado por três meses – pior: o clube só tem competições após o mesmo período – e um dinheiro faria bem. Foi procurado, ouviu uma proposta e fez outra. Age certo. Negociar é assim: tem que ser bom para ambos. E o que vale para os acima, vale para o Tricolor.

E o futebol?
Dentro de quatro dias, a bola rola. Mas pouco se vê ou sabe dos times, dos artistas que movimentam essa paixão. O noticiário está preso à burocracia. É fácil imaginar o ano de 2012 para o Trio, salvo mudança: o reflexo do que se vê fora de campo aparece no gramado. Me cobrem em dezembro, após o Brasileirão.

*Os tópicos da coluna de hoje são uma referência a máxima de que uma história sempre tem três lados: o seu, o meu e o verdadeiro. E também ao ótimo disco Three Sides of Every Story, do Extreme. Abaixo, uma faixa dividida em três, que dá título ao disco:

Atlético e sua busca por uma casa: atualização

Já está entrando no folclore do futebol o ano de 2012: a novela “Atlético e um estádio para jogar” está se prolongando mais do que se esperava (ou devia, ao menos), mas o primeiro capítulo (o jogo contra o Londrina) irá se encerrar sem falta na quinta-feira. Então entenda o que ainda pode acontecer nas opções possíveis de momento:

A) Vila Capanema:

A Vila foi oferecida pelo Paraná Clube como refúgio para o Atlético (clique para ler) após o não do Coritiba e Mário Celso Petraglia foi até a sede Kennedy para negociar com o presidente tricolor Rubens Bohlen para acertar os ponteiros, mas isso pode não ocorrer. Segundo Paulo César Silva, dirigente paranista que esteve na reunião, a distância entre a oferta atleticana e o pedido paranista, nas palavras dele, “é grande.”

PC Silva confirmou que Petraglia ofereceu R$ 30 mil por jogo, fora as despesas, o que foi considerado baixo pela diretoria do Paraná, que prometeu uma contra-resposta ainda nessa terça. O valor que circula na imprensa, trazido pela Rádio Banda B, é de R$ 100 mil por jogo. PC Silva negou que Petraglia tenha oferecido jogadores como parte do pagamento ao Paraná. Segundo ele, “Nós ainda nem temos treinador, que possa avaliar os nomes. E o Atlético ainda está escolhendo quem sai e quem fica. Para agora, não tem nada, não sei de onde saiu. Só falamos em dinheiro para o aluguel.” O Atlético, por sua vez, não fez nenhuma manifestação sobre a proposta pela Vila e, aparentemente, segue no aguardo.

Além disso, a Vila Capanema tem dois outros problemas a serem sanados até domingo: a instalação de câmeras de seguranças em dois locais do estádio – portões de acesso e bilheterias – e a inspeção da Vigilância Sanitária e Ministério Público, para fechar os laudos técnicos faltantes. Não bastasse isso, o Sul-Americano de Futebol Feminino S-20, competição da Conmebol, tem dois jogos marcados para a Vila no domingo, 22 (confira a tabela aqui). O último, às 18h10, entre Bolívia x Peru; Atlético x Londrina está marcado para 19h30 no mesmo dia, no caso, durante a realização do 2 tempo do jogo feminino.

Detalhe: como os jogos do feminino não têm cobrança de ingresso (a entrada é 1kg de alimento), não estão submetidos ao estatuto do torcedor e por isso a Vila está liberada.

Portanto, um grande nó a se desatar naquele que seria o “plano B” da FPF quanto ao problema, mas tornou-se o “A” com a recusa e o recurso do Coritiba. Que ainda pode render.

B) Couto Pereira

Embora já seja praticamente senso comum que o Coritiba não irá ceder o Couto ao Atlético, a questão não está resolvida. O que o Coxa possui é uma liminar, dada pelo presidente do TJD-PR, Peterson Morosko, enquanto não se julga o mérito do pedido.

A FPF entende que o artigo 46 do estatuto (que é aceito por cada filiado) abre o precedente necessário para que a entidade solicite o Couto quando bem entender; o Coritiba entende que o artigo deve ser aplicado somente em casos extraordinários, como desastres naturais que danifiquem a outra praça, requisição da emissora de TV que transmita o campeonato ou, o mais comum, jogos de seleção. Enquanto não se julga o mérito, o Coxa conseguiu a liminar que o desobriga a cumprir a norma estatutária.

A FPF prometeu interpor sua defesa, uma vez que a ação do Coritiba que rendeu a liminar fez o TJD-PR intimar a federação, até amanhã, 19h30 – prazo limite. Aí, dois caminhos são possíveis:

O TJD pode cassar a própria liminar, ao ler a defesa da FPF, e o Coritiba volta a estar sujeito a emprestar o estádio, ao menos para o primeiro jogo. O Coxa já disse que não vai à Justiça Comum, mas que vai levar o recurso até o STJD, se necessário. No entanto, sem a liminar, a FPF pode marcar e homologar a partida entre Atlético x Londrina para domingo, no Couto, obedecendo o Estatuto do Torcedor, que obriga a definição até 72h antes da realização da partida.

Se Atlético e Paraná se acertarem, o Couto ainda pode ficar fora da questão definitivamente, ao menos para o Campeonato Paranaense. Um acordo formalizado e citado nos autos pode dar a questão mérito encerrado, perdendo a razão de ser do julgamento. Afinal, o Atlético já teria onde jogar e não precisaria da FPF para isso.

Outra hipótese é o TJD manter a liminar e marcar o julgamento do mérito. Mas, mesmo em caráter de urgência, se a FPF não protocolar o recurso ainda nesta terça, o julgamento só será realizado na próxima semana. Assim, o Coritiba ganharia tempo e o jogo entre Atlético x Londrina não poderá ser marcado para o Couto Pereira.

E aí entra o plano C.

Update: A FPF não interpôs defesa ao recurso do Coritiba nesta terça, o que praticamente inviabiliza a realização de julgamento nesta semana. Amanhã é o prazo final.

C) Inversão de mando

Ou adiamento da partida. Se o Atlético não se acertar com o Paraná e o TJD-PR não derrubar a liminar do Coritiba, a FPF já trabalha com as duas hipóteses. O adiamento é, em tese, mais simples, mas ao mesmo tempo mais desmoralizante para o campeonato. Empurraria o problema para frente e em algumas rodadas, o Atlético ainda poderá estar sem ter onde mandar jogos.

A inversão de mando soluciona o problema de forma mais imediata, mas para isso seria necessário que Atlético e Londrina entrassem em acordo e aceitassem que o Tubarão mandasse a partida no Estádio do Café, com o Rubro-Negro tornando-se mandante no jogo de volta, programado para Londrina.

“Só vou pensar nisso amanhã, se não chegarem a acordo ou a liminar prevalecer. É um baita nó”, me disse Amilton Stival, vice-presidente da FPF.

Atlético no Couto: atualização

A FPF exigiu formalmente o Couto Pereira para uso do Atlético nos jogos do Campeonato Paranaense. Os argumentos usados pela Federação, escritos no ofício disponível nesse link, foram os mesmos antecipados pelo blog nos posts anteriores a esse, logo abaixo. Mas a questão ainda está longe do fim.

O Coritiba deve entrar com um mandado de garantia no TJD-PR para evitar atender a requisição da FPF. Nele, vão ser questionados todos os tópicos: desde a legalidade do pedido, considerado abusivo pelo Coxa – uma vez que a norma é exceção e costume em jogos de Seleção, catástrofes naturais ou pedidos da patrocinadora do campeonato, como a TV – até mesmo o valor arbitrado, de R$ 30 mil mais as despesas. O trâmite será o mesmo dos casos recentes no tapetão paranaense: o caso vai para o TJD e só acabará no STJD. Até lá, quem exercer força política vai conseguindo espaço.

Vale lembrar que o que a FPF fez foi uma requisição formal pelo estádio. Ainda não marcou o jogo entre Atlético x Londrina para o Couto. Faltam detalhes para isso, incluindo essa ação possível do Coritiba, que pode só ser tomada na semana quem vem, mais próxima do jogo.

Apurei ainda que o Coritiba também descarta qualquer ação na justiça comum. O episódio de 1989, quando uma liminar da justiça comum foi descartada pela CBF e o Coxa acabou rebaixado por não jogar contra o Santos em Juiz de Fora, é muito vivo no clube e a diretoria trabalha com a hipótese de contestar a medida da FPF apenas na justiça desportiva. Se não obtiver sucesso, o Coxa irá acatar a decisão, para não repetir o que aconteceu com o América-MG em 1993, quando acabou relegado a Série B (assim como o Atlético, que estava na A) quando a CBF decidiu guinar o Grêmio ao grupo de elite. O América entrou na justiça comum e a CBF o excluiu de competições nacionais por três anos.

O TJD-PR deve tratar a questão com urgência máxima, o que vale dizer que uma vez que a ação seja tomada, uma sessão extraordinária pode ser convocada para resolver o caso. O mesmo não se aplica ao STJD – mas já se antevê outra dificuldade para o Coxa: a CBF, de maneira muito mais clara que a FPF, também pode requisitar o Couto Pereira para o Atlético mandar seus jogos na Copa do Brasil e na Série B. O Coxa também já se prepara para isso, mas pretende manter tudo na esfera desportiva.

Operacional

Questionável ou não, o valor de R$ 30 mil de aluguel por jogo arbitrado pela FPF não inclui despesas como manutenção, água e energia, nem pessoal. Esse valor terá que ser pago pelo Atlético à parte. O Atlético também terá que deixar um cheque caução na FPF no valor de R$ 300 mil, o equivalente a 10 alugueis, para fazer uso do estádio.

*Obrigado ao leitor André Tesser pela colaboração ao alertar um erro de português.

Couto e Atlético: desdobramentos

Atualizando o post abaixo com a informação agora pública de que o Atlético pediu à FPF o Couto Pereira e que a federação vai fazer o pedido ao Coritiba. Conversei há pouco com Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coxa, que disse o seguinte:

– A negativa tem como fundamento técnico o fato de o Coritiba ter realizado uma reforma recente no gramado e acreditar que a sequência de jogos pode danificar o piso.

– O Coritiba não pode habilitar a área das cadeiras, 5 mil lugares, sem a anuência dos sócios. O clube já recebeu notificações de proprietários pedindo que não disponibilizem a área ao Atlético.

As duas razões acima estão entre as apresentadas e protocoladas na FPF em um documento sigiloso, que é de acesso da FPF e dos clubes. Fiz duas perguntas a VRA:

1) Não há hipótese de acordo?

“Acordo tem quando nos procuram. Até agora, não fui procurado e eles sabiam desde o ano passado que iam precisar do estádio. Se vierem conversar, porque não? Mas assim, de jeito nenhum.”

2) E se a FPF forçar a barra via regulamento e normas?

“Vamos até a Justiça. Não vou aceitar isso assim. O Paranaense não termina se isso vier desse jeito.”

Como já havia dito aqui no blog, Vilson e Petraglia conversaram ontem. VRA diz que não recebeu consulta sobre o campo e sim uma conversa cordial.

Também tentei contato com Mário Celso Petraglia. O celular está desligado. No site oficial, nenhuma nova informação.

Update

Há pouco, na CBN Curitiba, o presidente da FPF Hélio Cury tornou público o que o blog antecipou no post abaixo. O pedido pelo Couto segue, com a FPF tentando acordo. O que disse Cury na CBN:

– O jurídico da FPF vai analisar recusa do Coxa; Hélio Cury quer ver documentação: “Quero ver os laudos. É bem claro que a FPF tem poder de requistar o estádio.”

“O valor do aluguel tem que estar dentro do bom senso.”

Atlético

O site oficial do clube traz a seguinte nota:

“(…) o Clube Atlético Paranaense encaminhou ofício ao Presidente da Federação Paranaense de Futebol, Dr. Hélio Cury, com cópia ao presidente do Coritiba Football Club, Dr. Vilson Ribeiro de Andrade, com a solicitação de permissão para utilização do Estádio Major Antonio Couto Pereira nas partidas das competições oficiais que o CAP disputará até a conclusão das obras da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014.

Além das obras de adequação para o evento que será de todos os paranaenses, no ofício de requisição foram citadas outras questões como a quantidade de sócios torcedores do CAP, a dificuldade de locomoção dos mesmos para estádios de outras cidades e o fato de os jogos do Coritiba e do Atlético Paranaense não serem em datas conflitantes.

O CAP também aproveitou a oportunidade para deixar consignada a utilização da Arena da Baixada pelo Coritiba, caso este necessite efetuar reformas em seu estádio e/ou construir um novo no mesmo local. Ontem, o Coritiba enviou um ofício à Federação Paranaense de Futebol com cópia para o CAP justificando a sua negativa em relação à cessão do estádio.

Desta maneira, o Clube Atlético Paranaense aguarda a definição da Federação Paranaense de Futebol de acordo com os estatutos da FPF e o regulamento da competição.”

Update II:

Com a inestimável ajuda do editor de esportes da Gazeta do Povo, Rodrigo Fernandes – com quem debatia a viabilidade jurídica da exigência da FPF – segue mais um artigo com o qual o Coritiba deve estar atento e a Federação pode exercer. Está no Estatuto da FPF, da concordância de todos os filiados:

Artigo 46 do estatuto da FPF:

São obrigações das entidades de práticas desportivas
VII Ceder gratuitamente à FPF e às entidades superiores, quando requisitados, seus atletas e suas praças de desportos

Evidentemente, também é interpretativo. Pode se entender que é a qualquer momento, pode se entender que é para jogos de Seleção, por exemplo.

Consultando um membro do TJD-PR, questionei: e se o Coritiba não acatar a determinação, o que pode haver? A resposta: “Se houver essa interpretação, de que a FPF pode requisitar, o artigo é o 191 do CBJD: Deixar de cumprir requisição ou ato normativo da instituição de esportes a que estiver filiado: multa de R$ 100 a R$ 100 mil, com fixação de cumprimento da obrigação. Se for cometida por pessoa jurídica, as pessoas responsáveis podem ser suspensas do exercício da função.”

Seguimos de olho…

Como e porquê o Atlético deve jogar no Couto Pereira

Torcida atleticana no Couto: cena pode se tornar frequente em 2012

Perto das 13h de hoje, sutilmente, a FPF irá divulgar onde o Atlético irá jogar na primeira rodada do Campeonato Paranaense 2012, contra o Londrina. E tudo indica que será o Couto Pereira. O mistério na divulgação de qual foi a indicação do Rubro-Negro  junto à FPF só aumenta a especulação, mas, salvo alguma mudança de postura do presidente Hélio Cury, ao menos a partida contra o Londrina será mesmo no Alto da Glória. Expliquemos:

A FPF entende que o Atlético está deixando a Arena por uma razão excepcional: a construção de um estádio para a Copa 2014. Logo, a questão “interdição” não se aplica; o Atlético está colaborando com a Fifa e a CBF e por isso está sem casa. Outra pequena confusão: a FPF pode solicitar qualquer estádio num raio de até 100km de Curitiba, mas não é obrigada a fazê-lo. Seria, se o caso fosse de interdição. Seria até se o Atlético fosse um adversário político da atual gestão da FPF, mas não é. Logo, comodamente para todas as partes, o jogo será em Curitiba, ou na Vila, ou no Couto.

Pera lá, eu disse todas as partes, certo? Errado. Há descontentamento no Coritiba. Não só na torcida, mas também na diretoria. Isso porque, como foi explicado aqui em agosto, há um dispositivo da CBF que obrigaria o Coxa a ceder o estádio, caso requisitado pela confederação. E aqui começa o rolo: querer ou não ceder o estádio, ao menos para a primeira partida, pode ficar além das possibilidades do Coritiba.

Segundo o Regulamento Geral de Competições da FPF – e também o regulamento do Campeonato Paranaense – a FPF pode requisitar aos seus filiados um estádio, quando necessário. E não há muito o que fazer. Claro, o clube pode dizer não, até entrar na Justiça. Mas a princípio, tem que atender a federação.

Nos links acima, você encontra a argumentação da FPF para requisitar o Couto Pereira para o Atlético. A base: a FPF pode requisitar qualquer praça, sendo que o clube mandante – não o proprietário – deve arcar com os custos da partida, que são: iluminação, água, pessoal, limpeza e outros menores. E não necessariamente aluguel – outro ponto de desacordo ao Coritiba. Leia os seguintes trechos:

Regulamento Geral das Competições FPF

Cap. III, art. 7, pár. 2o. – Jogar na casa do adversário deixa de ser inversão de mando em 2012
Cap. XIII, art. 58 – Jogos só em campos vistoriados e oficializados pela FPF
Cap. XV, art. 62 – FPF resolve casos omissos

Regulamento Campeonato Paranaense

Cap. I, art. 2, pár. 1o. – Tabela com jogos, horários e locais é feita pela FPF
Cap. VII, art. 34, pár. 30.  – FPF pode indicar a praça que bem entender, se não houver indicação

E por que não na Vila Capanema? Hoje, porquê o estádio é tido apenas como reserva técnica, com alguns laudos faltando e com capacidade máxima para 9.990 torcedores, pois ainda não tem instaladas câmeras de segurança. Segundo Reginaldo Cordeiro, da comissão de inspeção de estádios da FPF, não há tempo hábil de conseguir isso para a estréia. Logo, o Couto Pereira passa a ser a única alternativa para a FPF e o Atlético.

Agora, os fatos: Mário Celso Petraglia chegou de viagem e teve uma longa reunião com Hélio Cury. Nenhuma parte quer se desgastar  – o que, convenhamos, será quase impossível. Petraglia apresentou seus argumentos e ouviu de Cury que a FPF deve ajudar o Atlético, parceiro da Fifa.

Petraglia então ligou para Vilson Ribeiro de Andrade. A conversa foi amistosa e não definiu muita coisa. Vilson entende que um aluguel do Couto é danoso para a imagem da diretoria do Coxa. Há um estudo interno que aponta que 64% dos sócios são contrários ao aluguel do estádio para o Atlético. Mesmo assim, a negociação está em análise. Nenhuma parte quer ter que engolir uma imposição – a FPF inclusive deseja nem ter de fazê-la. Vilson ainda ressaltou que qualquer empréstimo com mais de 30 dias de uso do campo precisa, obrigatoriamente, passar pelo conselho do clube.

A FPF, no entanto, entende que pode pedir o estádio e cobrindo apenas os custos – sem contar aluguel, algo em discussão. Hélio Cury, por exemplo, confidenciou a parceiros que não teme críticas ou represálias se tiver que impor o uso do estádio. Vilson Andrade, em entrevista a Rádio Banda B ontem a noite, disse que não aluga o campo de jeito algum. O site oficial do Atlético está desatualizado.

Essa pressão e essa costura é que está sendo feita agora, enquanto você lê esse texto. Com as armas acima, cada parte entendendo que deve fazer valer sua posição.

E, por volta das 13h, no site oficial da FPF, sairá a escala dos jogos da primeira rodada, no dia 22. Sem coletiva, sem muitas explicações: lá estará o local onde acontecerá Atlético x Londrina.

Só a Justiça pode antecipar a Série Prata

A Série Prata do Paranaense pode acabar na Justiça antes mesmo de começar. Isso porque o Paraná Clube está próximo de acertar com o advogado Domingos Moro, a fim de conseguir antecipar a competição, com base nas normas da CBF e da própria FPF (confira no link indicado mais abaixo).

Oito dos 10 clubes já pediram antecipação da competição (Jr. Team e Grêmio  Metropolitano não aderiram) mas não devem ser atendidos pela FPF. Procurei Amilton Stival, vice-presidente e diretor-técnico da FPF para entender o porquê da federação não rever a posição no caso, antes que ele pare na justiça.

Amilton Stival: "Se a lei determinar, cumpriremos" (Foto: Rádio Foz)

Napoleão de Almeida – Sendo objetivo: quando a FPF pretende iniciar a Série Prata?
Amilton Stival – A minha intenção é começar em 1º. de maio, uma terça, um feriado. Vamos estar terminando a primeira divisão.

NA – Como vocês pretendem lidar com os conflitos de tabelas? O Paraná argumenta que há um dispositivo da CBF e um amparo junto ao sindicato dos atletas que impede a realização de partidas de uma mesmo clube em menos de 66h? (clique aqui e leia post no blog do Leo Mendes Jr. que disseca a situação)
AS – Isso é da CBF. Aqui é FPF. O que nós não podemos fazer é conflitar as datas. Como na Série Ouro, que não tem jogo junto com a Copa do Brasil. Tanto é que o jogador que não for punido em dias (período) pode atuar no Paranaense. Não tem relação.

NA – Sim, mas a FPF não é submissa a CBF?
AS – Filiada. Sim, é filiada. Mas nós não podemos ter jogos aqui com menos de 66h entre si, entende? E não teremos. E não teremos conflitos com o calendário da CBF também, porque quero marcar jogos para quartas e domingos. A Série B é terça e sábado.

NA – O que você diria para quem entende que é má vontade da FPF no caso?
AS – Veja bem, eu sou paranista, ajudei a fundar o clube. Não é má vontade não, porque há uma regra. Aquilo que estamos fazendo, de recuperar a imagem da FPF, que não tem jeitinho… porque o brasileiro espera o último minuto… e aqui não tem jeitinho. Nós temos que seguir um caminho e estamos seguindo. Desde 2008 nós temos mantido o calendário. Mas não é porque é o Paraná que vamos mudar. Pras eleições, o voto do Tupinambá é igual ao do Coritiba.

NA – Só que não é só o Paraná que pode ter problemas. Os clubes do interior podem ter que esticar os contratos. Aliás, são oito a favor da antecipação…
AS – Se acaso houver unanimidade, não tem problema nenhum. Mas os clubes emprestaram todos os jogadores. Eles se planejaram para maio. Quando terminou o Paranaense, o Paraná devia ter procurado os times da segunda divisão e já conversado. Os clubes teriam se preparado. Mas não. O Paraná foi se preocupar em novembro.

NA – O Paraná foi buscar auxílio jurídico e deve brigar nos tribunais, contratando o Domingos Moro. E aí?
AS – O Moro é advogado, tá no papel dele. A decisão que vier do tribunal, cumpre-se, como fizemos com o Rio Branco. Se a lei achar que tem que mudar, nós mudamos, sem problema nenhum. Por isso a FPF tem credibilidade com os clubes.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 11/01/12

Atlético: deadline para estádio é hoje

A FPF “esticou” o prazo para que o Atlético indique o estádio em que vai mandar jogos no Paranaense 2012 – ou ao menos o que enfrentará o Londrina, na primeira rodada, daqui a 10 dias, enquanto procura solução definitiva. Segundo Amilton Stival, diretor técnico e vice-presidente da FPF, o clube já procurou a Federação e prometeu uma resposta, sob pena de ver a indicação sumária de um estádio num raio de 100km. Isso inclui, além da Vila Capanema e do Couto Pereira, o Germano Kruger, em Ponta Grossa e o Caranguejão, em Paranaguá.

Top Secret I

No Atlético, ninguém se manifesta sobre isso (ou sobre coisa alguma). O Couto Pereira segue sendo a opção mais provável, mas ontem o presidente do Coritiba Vilson Ribeiro de Andrade, aqui mesmo no Metro Curitiba, disse pela primeira vez em público que não irá mais alugar o estádio. Já a Vila Capanema não poderia receber jogos atualmente – precisa de novos laudos – enquanto os estádios fora de Curitiba estão praticamente liberados pela FPF.

Top Secret II

Com uma semana de trabalho, tudo que se sabe sobre o time do Atlético até aqui é que nenhum reforço foi anunciado e a base é a mesma que caiu para a segunda divisão nacional após 16 anos – fato propulsor da eleição do atual presidente, Mário Celso Petraglia. “Não sei de nada. Só no site oficial”, é o mantra do dirigente quando entrevistado.

Amistoso internacional

O Coritiba deve confirmar para o dia 14* (ver nota no fim do texto) um amistoso contra o Daegu FC, da Coréia do Sul. O clube asiático irá fazer sua pré-temporada no CT da Graciosa e o jogo deve acontecer antes da estréia do Coxa no Paranaense, possivelmente em Foz do Iguaçu. O Coxa encara o Toledo na primeira partida do regional. Já o Deagu tentará adquirir experiência: em 9 anos de Liga Coreana, a melhor colocação foi um modesto sétimo lugar.

Sem papo
A FPF mantém a postura e considera ponto pacífico: a Série Prata (segunda divisão do Paranaense) será mesmo em maio. O ofício assinado pelos respectivos presidentes gestor e deliberativo do Paraná Clube, Rubens Bohlen e Benedito Barbosa, teve pouco ou nenhum efeito junto a direção da Federação. “Um elenco de 35 jogadores é o suficiente para jogar. Vou montar a tabela com jogos quartas e domingos; a Série B é terça e sexta”, disse Amilton Stival, vice-presidente e diretor técnico da FPF, que recebeu o ofício.

Domingos Moro na parada

A diretoria do Paraná Clube argumenta que o Regulamento Geral das Competições da CBF praticamente exige a antecipação da competição, ao determinar que o calendário nacional prevalece sobre o local (no caso, prioridade para a Série B em detrimento à Prata) e que nenhum clube ou atleta podem entrar em campo com menos de 66h entre os jogos. A questão pode parar na justiça, uma vez que a FPF pode alterar a competição sem unanimidade, com base nas próprias normas. Por isso, o Tricolor buscou ajuda jurídica em Domingos Moro.

*Nota: Um pequeno desencontro de informações, atualizado aqui no blog: no dia 14/01 o Coritiba enfrenta, em jogo-treino, o ABC Foz, time de Foz do Iguaçu; o jogo contra o Daegu FC ficou para 18/01 e não será mais um amistoso e sim outro jogo-treino. Segundo a assessoria do Coxa, trâmites burocráticos da FPF impediram que o jogo fosse aberto ao público.

Ano novo, velhos problemas

Férias, poucas coisas podem ser melhores na vida. Mas como tudo que é bom acaba, retomamos a rotina justamente na sexta-feira. E já com velhos problemas. Vamos por partes, como diria o açougueiro.

Arbitragem: árbitro carioca solta o verbo e promete mostrar provas de corrupção

A primeira bomba do ano vem da Jovem Pan-SP. É a entrevista deste link, dada pelo árbitro Gutemberg de Paula Fonseca, criticando duramente o diretor de arbitragem da CBF Sérgio Corrêa da Silva. Fonseca diz ter provas de corrupção no sistema e insinua ajuda ao Corinthians, citando um jogo de 2010 – o que só aumenta o bolo das denúncias, a serem comprovadas, pois falamos de duas temporadas em suspeita agora. A pérola da entrevista:

“Fui apitar Corinthians 5-1 Goiás e o diretor de arbitragem me disse: ‘é jogo do Timão, hein?'”

A frase diz por si só. Cabe apurar e investigar. Veremos o interesse da CBF nisso. Fato é que podemos ter um caso Ivens Mendes Reloaded ou quem sabe um novo escândalo como o de Edilson Pereira de Carvalho à vista. O problema é contar com a boa vontade de Ricardo Teixeira para isso.

No último Brasileiro, Gutemberg apitou Atlético-MG 2-1 Coritiba, entre outros.

A Pan deve apresentar sequencia da reportagem. Estarei de olho.

Ainda sobre escandalos ou suspeitas, a notícia vem de Recife (Cássio Ziporli, do Diário de PE) e pode atingir diretamente o Coxa: o BMG está saindo do futebol.

Saindo em termos, diga-se: o banco pode sair das camisas, mas manterá o fundo que tem mais de 50 jogadores, entre eles alguns de Cruzeiro e Atlético-MG, presentes no clássico da última rodada do Brasileirão/11, cuja licitude foi levantada pelo jornalista mineiro Idelber Avelar e reproduzida aqui no blog. Seria fruto da repercussão negativa do jogo?

Em tempo: o Ministério Público de MG está em recesso, por isso não se sabe que o pedido de Avelar, com quase 9 mil assinaturas, será levado adiante.

No nosso quintal, mais conflitos éticos. Sérgio Malucelli dirige o Londrina e o Iraty, dois times que estarão no Estadual. A FPF limitou-se a dizer, através de Amilton Stival: “Por precaução marcamos as partidas para a metade dos turnos, quando a importância delas será, teoricamente, menor.”

Realmente, não há nada tecnicamente ilegal. Apenas levanta-se suspeita sobre a moralidade do processo. Mas nada novo, em se tratando de Campeonato Paranaense. A Gazeta do Povo aprofundou o tema aqui.

Ainda cartolagem: e a Série Prata?

“O Paraná é quem tem de se adequar ao nosso calendário, montando um elenco maior, com mais jogadores”, disse Hélio Cury à Gazeta do Povo ao praticamente anular a possibilidade de antecipar a competição, mesmo com o desejo de 80% dos clubes que a disputarão.

Parece faltar inteligencia administrativa a FPF. A presença do Paraná é fator de motivação para a insípida disputa. Não fosse a presença do Tricolor e nenhuma emissora de TV se interessaria em transmitir a competição – o que não deve acontecer de qualquer jeito. Além de desmobilizar o campeonato e deixar de atender o pedido da maioria, a FPF, que deveria servir seus filiados, bate o pé e quer conflito de calendário.

Oras, o Paraná Clube pode, por direito, montar o time que quiser para as competições que tem. E pode, legalmente, buscar amparo no sindicato dos atletas para adiar jogos com menos de 66 horas entre si (isso se os locais forem a menos de 100km de distância; se for mais, 72h). Se isso acontecer, os jogos em datas conflitantes com a Série B serão adiados e o campeonato corre o risco de invadir 2013.

Resta saber o objetivo da FPF, que certamente não é democracia, já que há maioria de pedido pela antecipação. Sugiro o vídeo abaixo, em demonstração de incoerência de Hélio Cury no comando da entidade:

Carrasco, Petraglia e o início do Atlético

Esse é Juan Ramón Carrasco:

É cedo demais para avaliar as contratações diretivas do Atlético. Não só Carrasco, mas também o superintendente Dagoberto dos Santos. O técnico uruguaio pode ter problemas com a lingua, mas se falar a lingua dos boleiros, fará mais que os seis que passaram em 2011. E pelo vídeo acima, ele tem jeito pra coisa.

Além disso, já se nota um respeito ao comando de Mário Celso Petraglia no clube. Vide as tuitadas de Marcinho, fazendo média com o novo chefe, assim como nesta entrevista do Paraná OnLine. A entrevista coletiva do ex-presidente Marcos Malucelli evidenciou uma coisa: ao dizer que o elenco foi montado aos poucos pelos seis técnicos que passaram no Atlético, MM deixou claro que o futebol do clube era um navio a deriva. Claro, achou o rochedo.

Mas que a torcida esperava ver mais que Pedro Oldoni na reapresentação, isso esperava.

“Desmanche” alviverde

Já pipocam as críticas a saída de alguns valores do Coxa, como Leandro Donizete, Léo Gago e Jéci, confirmada hoje. Claro que mexe na base, são três bons jogadores, mas sejamos francos: incluindo Jonas e Bill no meio (quase meio time titular), LD e Gago são os que realmente farão falta.

VRA me disse que liberaria Donizete para que ele pudesse ganhar mais $$. É justo. Dedicou boa parte da carreira curta (começou tarde) ao Coxa, sempre com brio. Gago foi surpreendente, mas é o preço da parceria.

Jonas nunca convenceu; Bill estava de malas prontas desde outubro; e Jéci, baita sujeito e ex-capitão, vai comer sushi no Japão e faturar uns Yenes. Deixa Luccas Claro e Pereira de sobreaviso, para jogar ao lado de Emerson, que fica até 2015. Pelo que jogou em 2011, até eu na defesa do Coxa ao lado de Emerson ia bem.

A valorizar a iniciativa do Coritiba em apresentar aos jogadores o museu do clube. Faz diferença, podem estar certos:

Convite

Pegamos umas férias, mas o Jogo Aberto Paraná seguiu no ritmo de especiais, com muita gente boa e conteúdo bacana sendo apresentado. Ao longo da próxima semana, vou colocar tudo aqui no blog. Espero que vocês tenham gostado.

A parir de segunda, voltamos ao ritmo normal. Fica o convite para acompanhar, de segunda a sexta 12h30, na telinha da Band.