Camisão: que tal licenciar? (Foto: blog do Luiz @nuncaabandona)
Já disse em um post anterior: entendo a função das torcidas organizadas. Animam o estádio com cantos (exceção aos apológicos a drogas ou violência), atraem novos torcedores, em especial os jovens. Mas o bônus parece muito pequeno em função do ônus acarretado pela ação de gente ligada a elas.
Poucas vezes um clube foi tão preciso no combate aos problemas das organizadas como vem sendo o Coxa. Não é o pioneiro – o Atlético de Mário Petráglia comprou essa briga lá atrás – mas Vilson Andrade tem conduzido com discrição e categoria o tema.
Diz a nota (entre outros pontos):
“(o projeto) “Torcida Legal” tem o objetivo de cadastrar todos os torcedores, em âmbito nacional, nos principais estádios, mediante a implantação de um banco de dados centralizado. (…) Esta é uma excelente e oportuna iniciativa do Ministério, porque vai dar maior proteção e segurança a todos os torcedores brasileiros. Por acreditar nestes objetivos, o Coritiba nunca deixou de apoiá-la e aguarda a sua implementação no Couto Pereira.
O Coritiba recebeu a informação de que, numa ação conjunta do Ministério do Esporte e do Ministério Pública do Paraná, seriam realizados cadastramentos das torcidas organizadas dos clubes da capital. O Coritiba é favorável ao projeto do cadastramento global de todos os torcedores e não de segmentos ou facções em separado, porque possui a diretriz de impedir o acesso em seu estádio das organizadas, por motivos amplamente conhecidos. É preciso esclarecer, também, que, mesmo após o cadastramento de todos os torcedores, conforme previsto no projeto, o clube continuará a não permitir o ingresso das organizadas com seus adereços.
Esta postura, além de ter sido adotada para preservar a integridade e a segurança de todos seus torcedores, visa a proteger os direitos dos patrocinadores do clube, parceiros comerciais e combater produtos piratas e o uso ilegal da imagem do clube.
O Coritiba considera que TORCEDORES são seus sócios e todas as pessoas que ostentam as cores, símbolos e a tradição Alviverde com respeito, amor e honra.”
Por trás destas linhas, além da violência – que por ora parece contida, mas volta e meia surge em forma de ameaça – está a preocupação comercial. Em uma época em que Corinthians e Flamengo ganham horrores de dinheiro a mais que o próprio Coxa, entre outros, ter um concorrente desleal dentro das próprias trincheiras é dispensável. Para o torcedor mais humilde, o símbolo da Império equivale ao do Coritiba – a um custo mais baixo que a camisa oficial. Pirataria até então legalizada.
Vale lembrar que a organizada NÃO está proibida de assistir os jogos no Couto Pereira: o que ela não pode é ostentar a marca. Exibir sua paixão pelo Coritiba é permitido; fazer propaganda da marca, não.
Luiz Fernando Corrêa, o Papagaio, presidente da facção, é um sujeito acessível. Não parece violento, aparenta calma e é sempre receptivo. Já me mostrou boas idéias no combate a violência. Acha que é mais fácil controlar a violência com a existência das TOs, mas reconhece que segurar uma multidão é impossível. Daí o projeto de cadastramento, o qual colaborou muito. Mas ele sabe que a discussão central deixou de ser essa há tempos.
O Coritiba de Andrade age com correção. A nota mostra a real motivação do veto à TO e avisa aos demais torcedores o porquê. A fase no campo e a postura mais pacata fazem a reverberação ser menor do que foi anos atrás na Baixada.
Cada um sabe qual lado escolher. O Coritiba, se pode ter desagradado alguém pelos mais diversos motivos nessa, ao menos foi legal ao deixar claros os pingos nos is.
Conforme prometido no programa Jogo Aberto Paraná de hoje, vai abaixo conteúdo extra da coletiva dada em 28/06/2011 pelo ex-presidente do Atlético, Mário Celso Petráglia, na qual ele anunciou sua candidatura ao comando rubro-negro nas próximas eleições do clube.
Petráglia fala sobre Copa 2014, conclusão da Arena, gestão Marcos Malucelli e o futebol atleticano. Além do sarcasmo de sempre nas declarações, os trechos mostram o dirigente com uma postura incisiva em temas polêmicos.
Vale a pena conferir e opinar mais abaixo. E votar na enquete ainda mais abaixo.
O Jogo Aberto Paraná é exibido de segunda a sexta pela Band Curitiba, às 12h30.
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Em tempo: faço minhas as palavras do colega Léo Mendes Jr., que trata também do tema no blog dele, Bola no Corpo. Assim como ele, “não apoio candidato algum e não farei campanha para esse ou aquele. Felizmente, tenho amigos e bons contatos dos dois lados da política rubro-negra. Como também sou atendido com cordialidade e respeito pelo Petraglia ou pelo Malucelli sempre que ligo para um dos dois em busca de informação. E é exatamente isso que vocês sempre verão por aqui: informação e opinião”. O mesmo que lá no blog dele e no Jogo Aberto Paraná. (Obrigado Léo, por me poupar tempo com esse mini-editorial).
Petráglia anunciou candidatura ao Atlético nesta terça (foto: Geraldo Bubniak/@futebolpr)
Mário Celso Petráglia fez o que muitos já imaginavam, apesar das negativas anteriores, e confirmou seu próprio nome no bate-chapa atleticano marcado para 8 de dezembro desse ano, em entrevista coletiva hoje a tarde.
Não se sabe qual Mário Petráglia se propõe a voltar a presidencia do Atlético: se o ousado e revolucionário Petráglia de 1995 ou o desgastado e passivo dos últimos anos, que chegou até a declarar que a Série B não seria o fim para o clube (ainda que verdade, nunca pode ser dito pelo presidente de uma associação).
O fato é que Petráglia agiu bem em confirmar já sua candidatura. Não posará de oportunista em um eventual rebaixamento, pois se propõe a voltar a casa que deixou após romper com o ex-aliado Marcos Malucelli com o clube ainda vivo na Série A; deixa claro também sua ambição política: agora, toda declaração de Petráglia deixa de ser uma acusação ao vento para se tornar um fato de campanha. E já avisa a quem interessar possa que o Atlético tem mais alguém de olho no poder no clube, que não apenas o grupo atual – que, convenhamos, vem se notabilizando mais pelas perdas que pelos ganhos.
Um assunto que irá girar de ambos os lados é o rompimento entre Petráglia e Malucelli, que pode ser algo como a briga Taniguchi x Beto Richa para muitos, mas ainda soa como ódio mortal. E o aditivo de que foi Petráglia quem pôs Malucelli lá só deve esquentar a briga nos próximos meses, talvez com o despertar da atual diretoria, sobretudo para as questões do futebol e do Mundial 2014 na Arena, na tentativa de se provar uma independência de atitudes. É de se aguardar. Inclusive para saber se Ênio Fornea irá querer bater chapa com Petráglia. Ainda pode se esperar uma terceira corrente, algo que parece improvável no momento.
Por fim, candidato declarado, Petráglia encerra os boatos de tentativa de golpe no conselho. Terá de aguardar até dezembro. E deixa a atual diretoria, se não tranquila, ao menos ciente do que terá de fazer e trabalhar para tentar se manter a frente do clube por mais dois anos.
Já leu? Aproveite e vote abaixo na enquete sobre a candidatura de Mário Petráglia a presidencia do Atlético!