Atletiba 350: entenda a situação da “torcida única”

O TJD-PR irá julgar na próxima quarta-feira, 04/04, na 3a comissão, a medida tomada por Atlético e Coritiba de realizar o Atletiba 349, no dia 22/02, com a presença apenas da torcida rubro-negra.

A decisão fere o Estatuto do Torcedor em dois artigos (13 e 14) e também o artigo 24 do regulamento do Campeonato Paranaense. A procuradoria do TJD-PR ofereceu denúncia contra os dois clubes pelo descumprimento da lei, em uma petição de quatro laudas, feita pelo procurador Marcelo Contini. Nela, a procuradoria afirma não ter nenhum pedido oficial do Ministério Público do Paraná exigindo a realização do clássico com restrição de torcidas. De fato, a única manifestação do MP-PR foi um pronunciamento lamentando a decisão e assumindo estar “rasgando o Estatuto do Torcedor”, como você pode conferir nesse link.

Aliás, recomendo a leitura do post do link, de fevereiro, e o que está logo abaixo, para que você torcedor entenda a parte que lhe cabe no processo.

Agora, a parte que mais interessa ao torcedor: a decisão do TJD-PR, seja qual for, não tem poder de influir na realização do clássico 350, em 22/04, com torcida única ou não. O que o TJD pode fazer é punir os clubes pela medida adotada, mas não pode obrigar a que o jogo do Couto Pereira tenha duas torcidas. Isso só pode ser feito pelo MP-PR – e pelo próprio torcedor, na ocasião da definição dos ingressos, caso haja interesse, via procuradoria do consumidor.

O que o TJD-PR fará é apenar (ou não) os clubes com multa pela decisão tomada, após julgamento. Se inocentados, um problema a menos para a realização de novo clássico com torcida única; se não, a tendência é que os clubes, se repetirem a decisão, sejam novamente punidos financeiramente, com multa que pode chegar a R$ 100 mil por infração.

Em tempo: o Atletiba 349 foi marcado por violência na cidade, mesmo com torcida única, como mostram os links abaixo.

http://www.bemparana.com.br/noticia/206584/vrios-pontos-da-cidade-registram-confrontos-de-torcedores

http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais/noticias/0,,OI5627962-EI19282,00-Atletiba+com+torcida+unica+nao+evita+casos+de+violencia.html

http://blogs.98fmcuritiba.com.br/98narede/2012/02/23/policia-militar-afirma-que-atletiba-com-torcida-unica-nao-mudou-panorama-de-violencia/

Mercado & Torcidas, parte III: o espaço a se conquistar e consolidar

Com dois dias de atraso em virtude de um problema pessoal, volto a atualizar o blog com a pesquisa divulgada pela Pluri Consultoria durante a semana, com a relação tamanho das torcidas do Brasil x potencial de consumo.

A parte três traz aquilo que é fundamental na renda de um clube e que chegou até a virar bordão em Curitiba: “torcida se mede no estádio”, ou, nesse caso, se mede na força de consumo. E aí os paranaenses dão bons sinais, mas ainda assim estão aquém do que podem conquistar e obter para maior competitividade. Onde se vê crise pelo domínio de outros times na terrinha, se vê oportunidade de crescimento com base no mercado a se conquistar e em um “gap” importante: a fidelidade do torcedor paranaense.

O Atlético é o 13o maior clube do Brasil em potencial de consumo de seus torcedores, atrás apenas dos 12 que estão no eixo RJ-SP-MG-RS. Coladinho no Furacão, em 14o, está o rival Coritiba. Isso analisando somente os números brutos, que estão nas tabelas abaixo:

Potencial de consumo máximo mensal em reais
Potencial de consumo per capta em reais

Considerando o número de paranaenses que não gostam de futebol (mercado a se conquistar) que é de 33% e o aspecto cultural a se reverter – aqueles que residem no Paraná, mas preferem os times de fora, 64,4% dos que torcem –  há uma perspectiva positiva em relação ao crescimento da dupla Atletiba para entrar no “G-10”, suplantando três clubes com potencial parecido mas já mais nacionalizados: Atlético-MG, Botafogo e Fluminense.

Essa leitura permitirá a dupla se consolidar entre os gigantes do País, algo que ainda não é visto com frequência na mídia nacional, mesmo com títulos de Série A conquistados. Mas, mais do que isso, a conquista do mercado interno trará aumento de renda proporcionalmente maior que a de gigantes como Flamengo e Vasco que, de acordo com o estudo, estão no limiar de seu potencial de arrecadação. Explica-se lendo as partes anteriores da pesquisa, logo abaixo aqui no blog: o gargalo dos dois cariocas citados (e outros grandes nacionais) está no fato de a maioria de seus torcedores residirem longe das sedes de seus clubes, o que os impede de frequentar os estádios, diminui o interesse em associação e faz com o que o torcedor seja menos propenso a consumir produtos oficiais.

Além disso, Atlético e Coritiba tem que trabalhar (e comemorar) a fidelidade de suas torcidas, ajudadas pela boa média de renda per capita do Estado do Paraná, que permite com que atleticanos e coxas-brancas consumam mais seus clubes, ajudando na arrecadação. Não a toa ambos estão entre os cinco maiores parques associativos do Brasil, superados pelo gigante São Paulo FC e os gaúchos Inter e Grêmio, que têm características de domínio regional ímpares no Brasil. Ao ampliar seu estádio, o Atlético dará um salto nessa área, já que hoje tem cerca de 17 mil sócios, mantidos mesmo com a impossibilidade de mandar jogos na Arena; já o Coritiba, que consideram um parque associativo de 19 mil adimplentes e mais 6 a 7 mil flutuantes (títulos em vigor com parcelas em atraso) já está próximo de seu gargalo em público no estádio; mas mais do que reformar o Couto Pereira, o Coxa já traça outra estratégia associativa: passou a trabalhar a inclusão, ao invés da exclusão.

Explico: o título associativo a R$ 9,90 não oferece os mesmos benefícios que os títulos acima dos R$ 60, para presença garantida no estádio, mas faz com que o torcedor apaixonado pelo Coxa faça parte da vida do clube, pagando menos. Ponto para o Coritiba, que antenou-se a isso antes.

E o Paraná Clube? Em primeiro lugar, os tricolores devem cuidar da manutenção do seu parque associativo, que está aquém do potencial em pelo menos 100%. O Paraná tem hoje cerca de 6 mil sócios-torcedores (não esquecer que o clube tem característica própria de ter um parque associativo social, para piscinas e outros), o que o deixa com cerca de 2% de sua massa total participando da vida do clube. O 27o. posto em potencial máximo de consumo para os paranistas está de acordo com o tamanho aferido na pesquisa – atrás de clubes como Avaí, Figueirense, Goiás, Náutico e Ceará.

O que está em desacordo com o potencial paranista é o aporte de sua própria gente no clube. Veja a tabela abaixo, que traz ótimas perspectivas ao Paraná, e principalmente, coloca o Coritiba como o 3o maior clube do Brasil em voluntariedade de gastos do seu torcedor:

Apesar do empate em números brutos, o Coxa está considerado abaixo dos catarinenses por ter uma torcida maior que a dupla de Floripa; ainda assim, tem ótimo Índice de Propensão ao Consumo, o que significa dizer que o coxa-branca é fiel e ajuda seu time; não menos orgulhosos devem ficar os atleticanos, 4o lugar no Brasil (muito também em função de ter uma torcida maior que os três acima, de acordo com o estudo) mas que mantém-se longe do gargalo de crescimento. O Paraná Clube também aparece positivamente nesse índice, mostrando que um trabalho sério pode trazer mais do que apenas 2% da massa torcedora para o quadro associativo: o Tricolor é o 8o, a frente de grandes torcidas nem tão participativas, como Atlético-MG, Fluminense e Santos.

Os clubes devem voltar seus olhos a dois pontos: atender a necessidade de seu torcedor, fidelizando-os cada vez mais, com benefícios promocionais aos sócios e boas instalações, para gerar renda e conseguir montar times competitivos. A máquina passará a girar sozinha, pois com melhores resultados em campo, maior a atração de público que, fidelizado, trará mais resultados, até que o looping se complete e aumente. Por outro lado, os paranaenses devem perder a timidez e atuar com um marketing agressivo em outras regiões do estado, buscando novos torcedores. Devem trabalhar melhor a relação com a mídia local, buscar campanhas em especial entre os jovens e tentar formar uma nova geração de torcedores.

A má notícia da primeira parcial da pesquisa é também a ótima notícia das parciais subsequentes: se hoje o Paraná não compra os times locais como deveria, o potencial de crescimento dos clubes locais está entre os maiores do País. Há muito a se fazer, mas há saída para o Trio de Ferro chegar ao topo do futebol nacional.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 21/03/2012

Panos quentes
O Governo do Estado do Paraná, até o presente momento, pôs panos quentes nas declarações do Secretário de Estado para a Copa 2014, Mário Celso Cunha, de que “o Atlético não deveria se preocupar em como pagar o empréstimo do BNDES, já que o Governo deverá anistiar as dívidas do Mundial”. A declaração foi dada em uma reunião do Conselho Deliberativo do clube em 2010 e levada a público pelo jornal Gazeta do Povo no domingo passado. Em nota, o Palácio Iguaçu limitou-se a dizer que o processo do Mundial é “idôneo”. Cunha, em entrevista a TV Bandeirantes afirmou que “jamais quis fazer apologia ao calote.”
O que cabe ao Atlético?
Em relação às declarações de Mário Celso Cunha, nada. O clube não tem nenhuma relação antiética com o Mundial e colocou o CT do Caju a disposição do BNDES para o caso de inadimplência. Por isso, não se deve misturar a sugestão de calote pelo gestor público à postura da instituição, que já está beneficiada pela realização da Copa 2014 na cidade. Um exemplo é a negociação que levará a modernização da Arena: são 138,6 milhões via Agencia de Fomento para a obra, dos quais o Atlético pagará um terço (R$ 46,2 mi) a serem pagos em 15 anos a contar de 2015 (são três anos de carência) com juros de 1,8% ao ano, considerado irrisório no mercado. Os outros dois terços do valor serão oriundos da comercialização dos títulos de potencial construtivo cedidos pela Prefeitura. O próprio BNDES irá vendê-los.
Mercado adverso
A Pluri Consultoria, empresa de marketing e gestão esportiva sediada em Curitiba, divulgou números de uma pesquisa sobre torcidas no Brasil, realizada em janeiro deste ano em 144 cidades do País, com 10.545 entrevistas. O objetivo é mapear o potencial de consumo das equipes (ao longo dos próximos dias, detalharei a pesquisa no blog bemparana.com.br/napoalmeida, fica o convite*) junto às torcidas. Quem gasta mais? Em que região? No primeiro relatório apresentado, a demonstração de como o mercado para os paranaenses ainda é adverso – mas, olhando-se o copo meio cheio, como ainda pode crescer.
*Nota do blog: desça a página e leia as duas primeiras partes; por motivos particulares, ainda não pude detalhar a terceira e última, mas prometo para essa sexta.
Primeiro, mandar em casa
No relatório, o Atlético aparece como a maior torcida de um clube paranaense, com estimados 1,2 milhão de torcedores (a 17ª maior do Brasil); coladinho atrás está o Coritiba, com 1,1 milhão (18º no geral). O Paraná Clube tem estimados 300 mil aficionados (27º em todo o País). No entanto, mais que a quantificação das torcidas estaduais, o relatório apresenta números desfavoráveis aos paranaenses. Segundo o estudo, dos 10 maiores estados da nação, o Paraná é o que menos tem torcedores de futebol: 67% dos residentes gostam de algum clube. No Rio Grande do Sul, o número é de 90%. Dos 67% dos paranaenses que torcem para algum time (estimados 7 milhões), 64,4% preferem as equipes de fora do Paraná. Apenas 35,6% apóiam os times paranaenses. Ainda há muito a se fazer.

O exemplo de Ghandi

“Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível.” (Mahatma Gandhi)

O vídeo acima foi divulgado pela Gazeta do Povo nesse domingo (e está disponível na íntegra nesse link) e foi feito em uma reunião a portas fechadas do Conselho Deliberativo do Atlético, no início de 2010.

Ali, ainda com Marcos Malucelli na presidência do clube, o Atlético discutia o formato pelo qual deveria tomar o empréstimo do BNDES para a conclusão da Arena para a Copa 2014. Receosos, os dirigentes à época temiam deixar o patrimônio do clube em risco ao assumir um investimento para reformar o estádio para um evento que não é do clube. Em contrapartida, sabiam das vantagens de poder fazer o mesmo patrimônio crescer aproveitando a Copa e os incentivos governamentais – isenção de impostos, taxas baixas de juros, potencial construtivo aplicado na área do estádio, desapropriações baseadas nas necessidades do Estado. O risco é inerente a oportunidade. São as dores do crescimento. Mas estamos pensando só no modo lícito.

Então vereador e conselheiro do Atlético, o atual gestor do Estado para a Copa do Mundo, Mário Celso Cunha, pediu a palavra. E soltou a pérola:

Eu tenho quase certeza que os clubes que vão assumir esse financiamento não vão pagar coisa nenhuma. E na sequencia eles não vão ter dinheiro. (…) Então vai ser como essas dívidas de clubes com o Governo, que não vão ser pagas. (…) Eu acredito muito que eles vão perdoar essa divida, porque não vai ter como.

Cunha queria convencer os pares de diretoria a tomar a decisão corajosa de empenhar o patrimônio do clube em prol de uma modernização do estádio que pode efetivamente colocar o Atlético em outro patamar no futebol brasileiro, quiçá mundial. Um estádio Fifa é sinônimo de mais rendas em público, publicidade, eventos. É outro padrão.

Despido da necessidade que um homem público tem, Mário Celso Cunha mostrou a diferença entre ética e caráter, ao incentivar o Atlético a assumir qualquer risco prevendo um calote no Governo. Em síntese: ignorem-se os riscos, o Governo absorverá tudo. Cunha, então vereador e gestor das contas públicas, não imaginava que estava sendo vigiado. Foi na contramão do que seu cargo exige – e hoje ainda mais, pois ocupa a cadeira mais importante no Estado sobre Copa do Mundo, abaixo apenas do Governador Beto Richa.

Bonachão e quase sempre sorridente, Mário Celso Cunha cometeu um equívoco ético: jamais deve incentivar um calote, especialmente sendo um homem de governo. Ele sabe que o dinheiro público é de todos, e não de ninguém, como se costuma pensar no Brasil. E que este benefício deve ser bem administrado, especialmente em um país com sérias distorções sociais. Cunha, entre quatro paredes, foi quem realmente é. E como ensina Ghandi, a vida é indivisível: somos o que somos em qualquer lugar.

O Atlético não precisa do calote. É um parceiro do Governo (já mal visto por boa parte da população por essas e outras coisas mal conduzidas) em um processo que é prioritário para o Estado e para outro parceiro, a Fifa. Não se nega jamais os benefícios que o clube tem e terá; e que terá que pagar para isso também, nessa via de mão dupla. O Atlético tem recursos para honrar com sua parte no acordo – e a diretoria que estiver no poder tem que levar isso a ferro e fogo, se tiver caráter.

Ao sugerir o calote em um ambiente interno, Cunha demonstra não ser o gestor ideal para quem quer lisura no processo do Mundial 2014. Desta vez, com quase dois anos de atraso, alguém estava de olho. Em outras, pode ter a liberdade que pensou que tinha nesse caso. Pouco importa o contexto com o qual o atual gestor da Copa no Paraná sugeriu o calote: a simples idéia é suficiente para que ele deixe o cargo por arrependimento próprio ou, caso não, seja exonerado da função.

E o ensinamento de Ghandi serve também ao atual governador. Não se divide a vida, não se divide a política. Absorver a idéia sugerida acima é compactuar com ela. É um recibo oficial para o calote.

Com a ação, o governo.

Abrindo o Jogo – coluna no Jornal Metro Curitiba de 14/03/2012

Muda o que?

A saída de Ricardo Teixeira da presidência da CBF não deve mudar em muita coisa o futebol brasileiro. Afinal, o sistema continua o mesmo. Até a diretoria segue intocada, agora sob a tutela de José Maria Marin. Resta saber se ele também vai acumular, como fazia Teixeira, a coordenação do COL (Comitê Organizacional Local) da Copa 2014 – o que é pouco provável. Ronaldo é forte candidato a tal. E resta também saber se Teixeira saiu estrategicamente ou está mesmo com dificuldades de saúde.

E por aqui?

“Vai ficar melhor a relação. Ele [Teixeira] já não recebia mais ninguém”, disse Hélio Cury, presidente da FPF, que esteve no Rio e em São Paulo nos últimos dias. Cury foi ver a cerimônia que apresentou a renúncia de Teixeira (sem a presença do mesmo) e também articular com os presidentes da Federação Paulista e Gaúcha, entre outras, eleições antecipadas – estão marcadas para 2015. Mas mudou de idéia. “É melhor não mexer nisso agora, as coisas estão andando, falta pouco para a Copa”, contou.

Resultado duvidoso

“O atraso na decisão tem efeitos comprometidos e o sistema de sucessão é preocupante. A estrutura está arquitetada para não mudar. E tivemos quase 10 anos de impunidade. É importante o governo influir na indicação do coordenador do comitê da Copa, afinal, a maior parte é com dinheiro público.” As frases fazem parte do discurso do senador paranaense Álvaro Dias, um dos principais opositores de Teixeira na CBF. Dias comandou a CPI do Futebol entre 2000 e 2001, com acusações de recebimento de propina, evasão de divisas e lavagem de dinheiro contra Teixeira. Mas apenas após uma série de reportagens da BBC de Londres, com eco na imprensa e no governo brasileiro, Teixeira começou a se sentir pressionado.

Coritiba: mudança na base

O Coritiba perderá o técnico Marquinhos Santos, das categorias de base, para a Seleção Brasileira. Só falta assinar a rescisão, o que deve acontecer até o final de semana. A saída de Marquinhos Santos é um pedido da CBF, que quer dedicação exclusiva à categoria sub-15; no Coxa, Santos dirigiu as equipes sub-20 nos últimos três anos. Quem deve assumir a vaga em definitivo é Zé Carlos, que dirigiu a equipe sub-18 na última Copa São Paulo, chegando nas semifinais.

Paraná: mudança na base

O Paraná Clube, irritado com a gestão da empresa BASE (Bom Atleta Sociedade Empresarial) nas categorias de base do clube, deu grande passo para voltar a ter autonomia financeira: rompeu ontem o contrato que tinha com a empresa. A BASE ficava com 50% dos valores das revelações paranistas e em contrapartida ajudou a construir o CT Ninho da Gralha e teria de remunerar os funcionários do local. No último final de semana, os funcionários entraram em greve reclamando de salários atrasados. O presidente Rubens Bohlen assinou a rescisão do contrato e o clube reassumirá as categorias integralmente.

Teixeira fora da CBF: relembre a relação com o futebol paranaense

Teixeira em 1989: 23 anos até sair do cargo

Ricardo Teixeira deixou a CBF. O que parecia impossível aconteceu nessa segunda, 12 de março de 2012. Foram 23 anos a frente da entidade. alguns escândalos, como o da alfândega na Copa 94, CPIs e milhares de denúncias; Teixeira também foi o presidente das viradas de mesa, em 1993 pelo Grêmio, em 1997 pelo Fluminense e em 2000, pelo Botafogo.

Sem contar o canetaço histórico no Coritiba em 1989, rebaixando o clube que levou WO por não jogar em Juiz de Fora contra o Santos, mesmo amparado por uma liminar (o América-MG também sofreu represália, ainda pior, em 1993). Na época, Coritiba e Vasco disputavam uma vaga na segunda fase da competição. O Coxa estava praticamente classificado.

Diretoria do Coxa de 2008 recebe Teixeira: agraciado

Em 4 de outubro daquele ano, o goleiro Rafael Cammarota, campeão brasileiro pelo clube, defendia o Sport Recife. Um torcedor coxa-branca invadiu o gramado para agredi-lo, o que fez com que o Coxa perdesse um mando de campo. A CBF então marcou o jogo da punição, contra o Santos, para Juiz de Fora-MG, em horário diferente da partida entre Sport x Vasco, concorrente direto. O Alviverde conseguiu uma liminar exigindo que os jogos fossem no mesmo horário, o que não foi acatado pela CBF. Então, em uma decisão de diretoria, o Coritiba não viaja a Minas Gerais e perde por WO. A CBF cassa a liminar e rebaixa o clube para a Série B. O Coxa chegou a cair para a Série C em 1990, mas não disputou, com a divisão sendo extinta. Voltou a elite em 1996, após o vice da Série B de 1995.

Teixeira, Requião e Mário Petraglia: política e sorrisos

Teixeira prejudicou o Atlético em 1993, retirando o Furacão do grupo principal em que estava em 1992 e relegando-o a um grupo secundário, praticamente rebaixando o clube. Em 92, o Rubro-Negro terminou a Série A em 15º lugar entre 20 clubes, longe da zona do rebaixamento. O Grêmio então estava na Série B e não conseguiu acesso. A CBF mudou o campeonato em 1993, guindando 12 clubes para a elite – entre eles o Grêmio. O campeonato foi dividido em quatro grupos: A e B, com proteção contra o rebaixamento, e C e D, no qual apenas 8 clubes permaneceriam na elite. O Atlético, dono da vaga na Série A, foi colocado no Grupo D, perdendo o privilégio adquirido em campo. O Grêmio participou do Grupo B, blindado contra a queda. O Furacão acabou a competição na 24ª posição (dentro dos 24 melhores) mas foi rebaixado mesmo com mais pontuação que Fluminense (28º), Bahia (30º), Botafogo (31º) e Atlético-MG (32º). Voltaria a Série A em 1996, como campeão da B-95.

Também em 1993, o Paraná, então campeão da Série B 92, se viu obrigado a disputar a elite no grupo desprotegido, mas garantiu novamente sua vaga, acabando em 10o no geral.

Mas em 2000 Teixeira prejudicou o Paraná Clube indiretamente, ao abrir mão do Brasileirão que se tornou Copa João Havelange e que teve organização do Clube dos 13, com o Tricolor em um grupo secundário, mesmo estando no principal em 1999. Na ocasião, a CBF instituiu que o rebaixamento viria da média dos dois últimos anos de campeonato (pontos somados e divididos por 2, entre 98 e 99, numa cópia do modelo argentino). O Paraná acabou a competição em 17º de 22 clubes, mas a CBF e o STJD julgaram que o São Paulo utilizou irregularmente o atacante Sandro Hiroshi na vitória por 6-1 sobre o Botafogo-RJ. O time carioca então somou três pontos e escapou.

Só que o Gama, outro atingido pela decisão de ser usada a média, entrou na Justiça Comum e conseguiu fazer valer o regulamento antigo. Sem abrir mão da decisão desportiva, a CBF se viu obrigada a não rebaixar o Botafogo mas arrumar uma vaga para o Gama na elite. Então, abriu mão da organização da competição em 2000, que ficou no colo do Clube dos 13. O C13 criou a Copa João Havelange, dividindo a competição em 4 módulos que teriam cruzamento nas finais. No módulo principal estavam 29 times, entre eles Fluminense (que em 1999 venceu a Série C e estaria na B, mas foi guindado a elite) e Bahia, que estava na B. O Paraná ficou fora deste grupo e teve que disputar a segunda classe. Mas venceu o torneio e chegou até a fase de quartas de final, quando perdeu para o Vasco, futuro campeão. Assim, a CBF impôs ao Tricolor a proeza de jogar duas divisões na mesma temporada.

Teixeira negociou os direitos dos jogos da Seleção Brasileira, deixando o povo distante do antigo orgulho nacional. Assinou contratos milionários com um fornecedor de material esportivo que nunca deixou a impressão de valorizar a marca da Seleção individualmente.

Mas, admitamos, Ricardo Teixeira teve suas contribuições. Com ele, o Brasil foi bicampeão mundial, vencendo as Copas de 1994 e 2002, também ganhou cinco copas América e três copas das Confederações. Reorganizou o Campeonato Brasileiro de 2003 para frente, consolidando o formato de pontos corridos. Deixa a CBF alegando problemas de saúde.

Teixeira e Hélio Cury: hoje em lados opostos, mas modelo copiado

A grande pergunta que fica é: o que muda de fato? A substituição de Teixeira por José Maria Marin trará novos ares ao futebol nacional? Evidente que não. O ciclo continua. As diretorias estão mantidas. A Federação Paranaense de Futebol se posicionou como opositora a Ricardo Teixeira desde o surgimento de que o ex-presidente da CBF iria se afastar. Só que Hélio Cury, que entrou na FPF como interventor, acabou eleito e prorrogou seu mandato para até depois da Copa 2014, num modelo similar ao que manteve Ricardo Teixeira 23 anos no poder.

É cedo para afirmar se a saída de Ricardo Teixeira será mesmo um benefício ao futebol brasileiro ou só mais um artifício, ainda coberto de mistério, para que a pessoa se afaste no momento oportuno, antes de um tombo maior.

A decisão do Ministério Público e o que ela significa

No final da tarde desta terça-feira o MP-PR finalmente publicou oficialmente o que pensa sobre o Atletiba 349 para uma só torcida. E, numa daquelas decisões que só vemos no Brasil, reconheceu o contraditório, mesmo fechando com a ideia de limitar o acesso à Vila Capanema. Confira uma imagem editada da publicação e, ao clicar nela, o ofício original:

Ao admitir que rasga o Estatuto do Torcedor para cumprir o desejo dos clubes, o MP, também amparado pela PMPR, se torna incoerente e pode arrumar mais trabalho para si próprio. Qualquer torcedor que se sinta alijado do seu direito de acompanhar o jogo pode acionar o próprio MP, que terá que responder pela decisão. O Estatuto é soberano e é por isso que o Ministério Público fez questão de ressaltar o que vem a seguir (também editado; para ler o original, clique na imagem):

Os ingressos que seriam reservados a torcida visitante (no caso, a do Coritiba) terão que estar disponíveis. Não podem ser comercializados pelo mandante, o Atlético, nem mesmo com a definição de que a torcida visitante não vá ao estádio.

A reserva tem cunho técnico: se você, torcedor, ingressar ainda nessa quarta com uma ação no próprio MP do Consumidor, poderá ter acesso ao estádio. É claro, terá que contar com a agilidade do sistema e uma boa dose de paciência. Mas o MP não pode, por mais que queira, contrariar a lei. É por isso que essas reservas são feitas no documento oficial.

Que, aliás, não reserva nada sobre a mesma medida para o segundo turno. Em contato com o departamento jurídico do Coritiba, apurei que o clube espera o fim do plantão de carnaval do MP, amanhã 12h, para receber um documento oficial que garanta no mínimo a isonomia nas ações quanto às torcidas. O Coxa quer um documento como o exemplificado acima, assinado pelo MP, de que não só o Atletiba do turno, mas também o do returno, terá a mesma medida.

Hoje as partes contam apenas com a palavra uma das outras. O que mudou por diversas vezes desde a reunião de sexta, ao ponto de que só se soube na segunda de manhã a nova postura do MP quanto ao caso, cedendo à idéia do presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia.

Que não foi o único a aceitar a condição, ressalte-se. Mas isso já foi discutido no post abaixo.

 

Estádio não é problema só em Curitiba

Time grande, de massa, campeão nacional, já decidiu a Libertadores e tem um dos maiores parques associativos do seu país; foi rebaixado para a segunda divisão no ano passado e nesta temporada não tem estádio para jogar. Identificou? É possível que você tenha pensado no Atlético, mas quem também vive esse problema é o River Plate, da Argentina (que, por sinal, também é Atlético: CARP).

River Plate não sabe onde e quando estréia no 2o. turno da B Nacional

Vice-líder da segundona argentina (que ao contrário da primeira, não se divide em dois torneios, somando os pontos de Clausura e Apertura para o acesso), o River Plate vendeu mais de 10 mil entradas para o jogo contra o Chacarita Jrs., mesmo sem ser mandante. O acordo lá é diferente daqui: a AFA permitiu nessa temporada que os visitantes pudessem levar torcida nos campos dos adversários, o que não era permitido até a queda do River. A intenção é faturar com a presença do gigante portenho na Bzona. Só que o Chacarita Jrs., mandante, também vendeu ingressos e seu estádio em San Martín não suporta o volume de torcedores. A AFA então requisitou o estádio do Racing, em Avellaneda, região metropolitana de Buenos Aires, para o jogo. Ouviu um não do clube e da prefeitura.

O Chacarita resolveu então impor seu direito de mandante e quer jogar em San Martín, sem presença da torcida visitante. O River sugeriu La Plata e a AFA ainda está definindo se o jogo que seria realizado neste sábado (11) será amanhã em San Martín ou segunda, em La Plata. A definição tem de sair hoje. Por via das dúvidas, o River Plate já começou a devolver o dinheiro dos ingressos a quem procurar o clube. Mas tanto River quanto Chacarita seguem vendendo ingressos para quem quiser ir ao jogo, em diferente setores. Entendeu? Nem eu. Na verdade, pobre dos torcedores da Argentina, lá como cá, jogados a segundo plano.

Enquanto isso, na Espanha…

a Real Federação Espanhola de Futebol não sabe onde marcará o jogo final da Copa do Rei, entre Barcelona e Atlhetic Bilbao. A decisão acontece em jogo único e em campo neutro. Madrid seria o local mais indicado, mas o Real Madrid, alegando possibilidade de decidir a Liga dos Campeões da Europa poucos dias antes da decisão da Copa nacional, se recusa a emprestar o Santiago Bernabéu. Segundo o clube merengue, há risco de confrontos entre as torcidas porque os madrilenhos pretendem fazer uma festa no estádio; já o Atlético de Madrid também descartou empréstimo: o Vicente Calderón, seu estádio, está alugado para a mesma data (20/05) para um show do Coldplay.

No fundo, tudo é cortina para o principal: Madrid teme um confronto entre os munícipes da capital, os bascos do Atlhetic e os catalães do Barça no dia da final. Fora o fato de os torcedores do Real não admitirem a possibilidade de o Barcelona levantar uma taça no templo merengue – o que jamais aconteceu.

A cidade de Valencia também se manifestou contra a possibilidade de abrigar o jogo. Em 2009 os mesmos dois clubes decidiram a Copa no estádio Mestalla, do Valencia – deu Barca, 4-1 – e a cidade foi palco de brigas entre as torcidas. Os demais estádios do país são considerados pequenos demais para abrigar a final.

A Federação estuda a possibilidade de realizar o jogo no Camp Nou – o que seria uma vantagem para o Barcelona – mas dividindo a carga de ingressos entre as torcidas: 40 mil entradas para cada. A decisão sairá na terça-feira.

Um estádio para o Atlético: atualização

Mesmo com alguns acordos entre Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Prefeitura de Curitiba, Atlético e FPF para que o Eco-Estádio esteja liberado para que o rubro-negro mande seus jogos no Paranaense por lá, ainda não está confirmada a desistência da Federação no recurso no STJD, para que o Couto Pereira seja cedido ao Furacão.

“Nós vamos consultar o Atlético se há desistência da indicação anterior”, explicou o advogado da FPF, Juliano Tetto, “Ainda não foi confirmado. O Atlético não confirmou que não tem mais interesse no Couto. Se eles confirmarem isso, a FPF irá retirar a ação.” Resta saber, portanto, se o Janguito será considerado mesmo um paliativo até que a justiça defina a questão do Couto ou o Atlético o assume de vez. O auditor Flávio Zveiter recebeu a ação e teria prometido para ainda hoje uma resposta.

Update: O STJD não concedeu efeito suspensivo para a FPF em cima da liminar do Coritiba. Trocando em miúdos: o Coritiba não precisa alugar/emprestar o Couto Pereira ao Atlético até a data do julgamento, prevista para até 15 dias a partir de hoje. A FPF não irá retirar a ação. Segundo o que apurou Diego Sarza, repórter do Jogo Aberto Paraná que esteve na FPF no momento do recebimento da resposta, a FPF quer fazer valer o estatuto, que é a base da ação pelo pedido.

Atletiba do dia 22: nada está definido. Amilton Stival, vice-presidente da FPF, já chegou a cogitar torcida única nos jogos. Como ainda há a pendência acima, segue em aberto.

O acordo feito pela segurança pública, o clube e a federação será detalhado no site oficial do Atlético, que já está efetuando por acesso remoto as reservas de entradas no Eco-Estádio para o jogo contra o Toledo – o segundo por lá. Apurei que basicamente procurou-se melhorar o acesso dos torcedores em relação a BR 277. Um exemplo: serão distribuídos mapas de estacionamentos que estejam ao lado o estádio na rodovia, evitando-se o uso do Parque Barigui. A PRF e a PM prometeram um efetivo maior.

Descaso

A morte do torcedor atleticano André Lopes, na última quarta-feira, atropelado quando saia do Eco-Estádio após a vitória do Atlético (4-0) sobre o Roma, é mais uma demonstração do descaso dos organizadores do futebol local, cada vez menos preocupados com o bem-estar e a segurança do torcedor e muito mais em tapar os buracos que os mesmos se encarregaram de abrir. Infelizmente, esse buraco agora é ocupado por um jovem de 21 anos, que apenas queria acompanhar seu time do coração, mas sofreu com a falta de planejamento de quem liberou e confirmou o evento sem garantir segurança.

A faixa acima é um protesto de moradores e torcedores que perderam um amigo por pura falta de compromisso e planejamento. O conceito do Eco-Estádio é criativo e digno de nota. É feito para comportar a torcida do Corinthians-PR. Até o jogo desta quarta, o recorde de público era o jogo J. Malucelli 3-2 Coritiba, em 2008: 2.173 pessoas. Já um volume substancial de torcedores. O novo recorde foi estabelecido pelo Atlético, tem exatamente 1201 pessoas a mais, mais de 50% do público anterior: 3474. Com 17 mil sócios o rubro-negro dificilmente arrastará menos pessoas a campo do que o volume de quarta-feira. E pelo Facebook, único meio de contato com Mário Celso Petraglia desde que ele assumiu o Atlético, o presidente do clube anunciou:

A média de público do Corinthians-PR em 2011 foi de 383 pessoas, quase 10x menos do que se espera em público médio nos jogos do Atlético desde o anúncio acima. A liberação do estádio feita pensando no público médio do Timãozinho está dentro da normalidade; até mesmo o esquema de segurança, elaborado para um público tão diminuto, está de acordo. Para o Atlético, não. A movimentação é maior, desde o volume de torcedores e ambulantes até os profissionais de imprensa e da organização, mobilizados em maior número dado o apelo popular do Furacão.

E de quem foi a culpa pela morte de André Lopes? Cheguei a ler uma absurda troca de acusações clubísticas, como se Coritiba ou Paraná tivessem relação com a fatalidade – que, aliás, poderia ter acontecido num domingo de sol, com um visitante do Parque Barigui, já que não existe passarela na BR 277 – por não terem chegado a um acerto com o Atlético. Oras!, Coxa e Tricolor estavam quietos em suas casas, um ainda indignado pela maneira com a qual recebeu a imposição (ainda em processo judicial) de empréstimo do Couto Pereira, outro contabilizando o que vale/merece/precisa nas propostas pelo uso da Vila, já descartada. Atribuir culpa a esses clubes no acidente é desrespeitar a família e ignorar que o caso ainda está pendente de solução.

O Atlético, co-organizador do evento (que é da FPF) mostrou que cumpriu sua parte ao apresentar um ofício pedindo segurança a Polícia Rodoviária Federal com dois dias de antecedência:

A Rádio Banda B trouxe a público o documento acima. Aqui, o primeiro sinal de descaso: avisada, a PRF não  percebeu a relevância do evento. Ou, no mínimo, subestimou a importância de coordenar a entrada e a saída de 3,5 mil pessoas em uma rodovia. E o faz de novo: fará um teste hoje num jogo de menor apelo, entre Corinthians-PR x ACP. Pode ter a impressão de que o esquema já é satisfatório.

A Gazeta do Povo estampa que a PRF pode proibir os jogos do Atlético no Eco-Estádio. Diz Anthony Nascimento, inspetor da corporação: “Vamos avaliar se há uma forma para adequar o local para a travessia segura dos torcedores. Se não chegarmos a um consenso, a PRF vai pedir que o evento não seja realizado naquele estádio.” Como você viu acima, esse não será o único jogo do Furacão no Eco-Estádio, segundo o presidente rubro-negro. Após a tragédia (que poderia ter mais de uma vitima, diga-se) a PRF pode mesmo entender que não tem capacidade para fazer a segurança em jogos de grande porte na praça do Timãozinho. E então volta a tona o problema do Atlético: onde o clube jogará enquanto seu estádio está em reforma para atender à Fifa e à cidade na Copa 2014? Minha opinião está nesse link, mas em suma: foram cinco anos para pensar nisso e nada foi feito. Mais descaso.

Fato é que nessa semana o comitê paranaense esteve no Rio, reunido com a Fifa, apresentando as fórmulas de conclusão do estádio. Um nó que passa pela cessão de títulos urbanos de Curitiba (o potencial construtivo) ao Atlético, que os repassará ao Governo do Estado como garantia do financiamento via FDE. Aqui, cabe uma pergunta: entre os R$ 4 bi disponibilizados pelo PAC da Copa – a principal razão da briga de Curitiba pelo Mundial – não cabe orçar uma passarela na região?

Vamos seguir analisando o quadro num todo. É fato que o Atlético está sem opções para mandar seus jogos e que o Governo e a Prefeitura não mexeram um dedo para ajudar na solução, bem como há rompimento entre as diretorias do Trio de Ferro, pelos motivos já conhecidos. Mas há outra conta que pode ser feita: o CAP pagou ao Corinthians-PR R$ 20 mil de aluguel de campo, como está no borderô disponível no link. Como já citado, o Atlético tem cerca de 17 mil sócios. Cada um pagando R$ 70 mensais, enquanto o valor atribuído em borderô é de R$ 10. Claro, o sócio tem acesso a todos os jogos, o valor serve para cobrir as despesas dos ingressos – promocional para sócios – ao longo de um mês. Em fevereiro, por exemplo, o Atlético terá, contando o jogo com o Roma, quatro jogos em casa. A despesa, portanto, será de R$ 40, com R$ 30 ficando para o clube. A tarifação da FPF e da arbitragem, entre outros, entra na conta que o clube tem como prejuízo: R$ 9165,91.

No entanto, arredondando os números, 13.500 sócios estimadamente ficaram de fora do jogo, supondo ainda que estejam com a mensalidade em dia. São R$ 945.000,00 por mês, que certamente não cobrem o pedido público do Coritiba por jogo (R$ 250 mil) mas que possibilitaria um acordo mais justo e rentável entre as partes, sem a necessidade da justiça. Ou ainda na Vila Capanema, talvez não pelos R$ 30 mil oferecidos, talvez não pelos R$ 120 mil pedidos pela diretoria paranista. Resta ainda uma pergunta: apelando para o coração dos associados, o quanto a diretoria do Atlético vê ser necessária uma retomada de negociações? Quem sabe até aproveitando o embalo da nova campanha de marketing do Coxa, “Amo minha terra, torço pelo meu Estado”, que prega união e amor as coisas do Paraná – e pode dar um passo real fora de campo.

Aqui, não verso sobre a disputa judicial entre FPF e Coxa; essa opinião já foi emitida acima e foi a grande mola do desgaste. E a novela segue uma vez que a resposta do STJD, que sairia quinta, ficou pra sexta e passou o final de semana sem aparecer. E quando vier poderá causar até mais problemas do que soluções.

Um deles: entre os jogos de fevereiro no Janguito Malucelli, está o Atletiba de 22/02, uma quarta de cinzas. O estádio não tem iluminação e como antecipou Amilton Stival, vice-presidente da FPF, poderá receber torcida única no jogo.

Quem sofre é você, torcedor. É a família de André Lopes, para qual nenhuma das linhas acima servirá como consolo ou reflexão; é o consumidor, tratado para cima e para baixo como objeto, mas quase sem nenhum direito; é o cidadão, que acredita em um futuro melhor, mas vive sob a sombra do descaso dos governantes – que, não se esqueça, esse ano precisarão muito de você em outubro.