Abrindo o Jogo – Coluna no diário Metro Curitiba

Desde 09/09 passei a assinar uma coluna semanal no Metro Jornal Curitiba. O jornal é sucesso total de aceitação de público nas ruas da cidade, concorrendo ao Prêmio Caboré 2011. Passarei a partilhá-las aqui no blog – evidentemente, depois dela ir às ruas.

Ficha limpa

O Atlético marcou as eleições do clube para 15/12. Para se candidatar, as chapas devem apresentar certidões negativas de ações cíveis e criminais e também negativas de protesto de títulos nas comarcas de Curitiba e nas da cidade em que residirem os candidatos. Por ora, a única chapa registrada é a “Paixão pelo Furacão”, com Diogo Fadel e Enio Fornea. A “CAP Gigante”, com Mário Petraglia, ainda não oficializou nomes e candidatura.

Drama em três cores I

Rebaixado em campo, o Paraná esperava ver o Rio Branco punido no STJD pelo uso do atleta Adriano de Oliveira Santos sob o registro ‘Adriano Oliveira dos Santos’. “Preposições no nome não podem ser tão graves”, argumentou o relator, Francisco Mussnich. A partir dele, 9 auditores absolveram o time do litoral, o que resultou na confirmação da queda paranista.

Drama em três cores II

Com isso, o Paraná terá calendário fixo em 2012 só em maio, quando terá início a Série Prata. E quando começar a competição, a Série B nacional deve estar em curso. O clube ainda precisa confirmar a permanência com um empate no sábado, na Vila, contra o Bragantino. Rubens Bohlen, presidente eleito do Tricolor, atendeu a coluna durante uma reunião de emergência: “Tínhamos um projeto já encaminhado mas estamos nos refazendo, principalmente o primeiro semestre.” No entanto, pelo ranking da CBF, o Paraná deverá estar na Copa do Brasil 2012.

Drama em três cores III

Se perder para o Bragantino no sábado, e Icasa, Asa e São Caetano vencerem seus jogos, o Paraná pode ser rebaixado também no nacional, da B para a C. No estadual, já conhece seus adversários: Junior Team e Cincão EC (Londrina) Nacional (Rolândia), Grêmio Metropolitano (Maringá), Serrano (Prudentópolis), Iguaçu (União da Vitória), Foz do Iguaçu, FC Cascavel e Cascavel CR.

Taxativo

Questionado se pode mudar o início da B Estadual para não deixar o Paraná sem calendário, Hélio Cury, presidente da FPF, foi taxativo: “Não. Nenhuma. Temos um calendário definido. Em detrimento a 10, 12, mudar por um? Qual clube tem elenco agora? Infelizmente é isso.”

Enfim Presidente

Desde a última segunda-feira (21) Vilson Ribeiro de Andrade é, de fato e de direito, presidente do Coritiba. Vencedor de um pleito sem bate-chapa, Vilson foi homologado como presidente em reunião do conselho, enquanto passava por uma cirurgia no Rio de Janeiro. “Mas já estou bem”, disse, por telefone, enquanto recuperava-se no hospital.

“Entrega Coelhão!”

Corre nas redes sociais (Orkut, Twitter e Facebook) pedido da torcida do América-MG para que o time entregue o jogo contra o Atlético. O objetivo? Ver o rival Cruzeiro perto da Série B. O América já está rebaixado.

Anteriores (clique na data para ler):

16/0909/09

A situação política do Atlético

Situação ou oposição? Existe como separar os lados na eleição atleticana?

Sim e não. Ontem, em um hotel de Curitiba, a chapa “Paixão pelo Furacão” oficializou candidatura a presidência do rubro-negro, para os conselhos deliberativo e gestor. Os nomes: Enio Fornea e Diogo Fadel Bráz. Fadel é atual vice-presidente do clube; entrou no cargo para ocupar a vaga deixada por Fornea, que deixou a diretoria no meio de 2011. Logo na abertura da entrevista, a chapa se colocou como opositora a situação, um paradoxo; aos poucos, assumiram outra postura e explicaram as diferenças.

Em entrevista exibida no Jogo Aberto Paraná – e colocada em tamanho maior aqui no blog – ambos comentam a relação com a atual gestão e o atual presidente, Marcos Malucelli. Além disso, Fadel falou sobre a profissionalização do futebol do clube e Fornea, sobre a Arena para a Copa e a relação com o outro candidato, Mário Celso Petraglia. Confira:

Com base nas entrevistas, tento responder a pergunta inicial do texto:

Sim, a chapa de Fornea e Fadel é situação. Não há como negar: Fadel É vice-presidente do clube e concorre a presidência; Fornea estava nessa chapa.

Mas, há oposição? Ao se analisar esse panorama político, é necessário lembrar que esse grupo está no poder com o apoio e campanha de… Mário Celso Petraglia. Todos, em algum momento, se encontraram na gestão do clube. Hoje, Petraglia se coloca como opositor, rompimento mais antigo que o de Fornea – que, de fato, não rompeu com Malucelli, como as imagens mostram. Me lembra o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade: “João, que amava Maria, que amava José…” todos, de alguma forma, interligados.

E Malucelli nessa? O atual presidente tem rejeição de parte dos sócios, muito pela campanha neste ano. Pode ficar marcado como o presidente que derrubou o Atlético para a Série B. A ele, no entanto, é atribuído o saneamento financeiro atleticano. Também  é de Malucelli boa parte da culpa dos atrasos nas obras na Arena para a Copa, da qual sempre se mostrou contrário a ver participação atleticana. E se o time escapar da Série B, qual será o peso dele nas eleições?

Não existem santos ou anjos nessa disputa. Petraglia é centralizador. Tanto que ainda, apesar de já ter se declarado candidato há bem mais tempo que Fornea, não divulgou a composição exata da chapa CAP Gigante; Fornea e Fadel podem carregar consigo parte dos fracassos da atual gestão, mas se propõem a descentralizar comando.

É só o começo da disputa. E no meio de tudo, é bom não esquecer, tem um time tentando três vitórias para fugir da degola.

Better man

A Vila Capanema recebeu na noite de quarta (9) a banda americana Pearl Jam; recebeu também a notícia de que Rubens Bohlen será o novo presidente do Paraná. É a vitória da chapa da situação, em uma eleição que teve menos de mil votantes, num universo de quatro mil possíveis.

A chapa vencedora já está no poder. De fato, a olho nu, vem desde Aurival Corrêa na mesma toada. É também a direção que deu fiasco no estadual/11; mas é a que reorganizou setores do clube, como o marketing, por exemplo. E dará poderes reais a Luis Carlos Casagrande – propriedade viva do clube –  e Paulo César Silva, no comando do futebol.

Andando pela Vila, durante o show do Pearl Jam, já sabedor do resultado das eleições, encontrei PC Silva. Ele estava sentado nas sociais, sozinho, anônimo. Parecia reflexivo. Olhava o palco e o show degustando uma cerveja – o que eu também fazia. Não esperava encontrar ninguém.

Então, me aproximei. Conversa rápida: ambos estávamos ali por outra razão. Eu, para ver uma das bandas que ajudou-me a formar o caráter; ele, para aliviar a pressão de uma eleição, no lugar que já é e será sua casa por mais um tempo. “Ganharam é? Parabéns.”, disse.

– Não sei se é uma vitória. É um baita de um desafio, isso sim.

A resposta, pés no chão, me fez lembrar algumas coisas. Paulão perdeu um neto esse ano. Golpe duro para qualquer um. Viu seu trabalho não dar os frutos esperados. Afinal, ninguém entra nessa pra perder. Mas, é claro, não quis deixar o clube. Sabe o preço. Desejei sucesso e disse que o papel da imprensa é seguir vigilante nas coisas que interessam ao público. Ganhei um abraço e segui para o show. Paulão seguirá na Vila mais do que eu.

Os erros da má gestão paranista estão aí, ninguém pode tapá-los. Mas tampouco podem negar que a realidade do clube é menor do que dimensionamos. Um exemplo? Menos de mil votantes na eleição. Outro? Média de público de 3926 torcedores, a 42a. do país em 4 divisões. Isso não diminui equívocos, mas deixa claro que a distância entre a paixão do torcedor e a realidade são grandes. Se há que se cobrar resultados de alguém por aqui, é de Atlético e Coritiba. O Paraná apequenou-se. Voltar, é papel que cabe a mais de uma pessoa. Cabe também à torcida.

Aí volto ao Pearl Jam e um dos seus hits – não ipisis literis – Better Man.

Bohlen, Paulão, Casinha, Romani e muitos outros erraram. E seguirão errando. É humano. Isso não é alvará para tal; falta visão profissional, capacidade de gestão e liderança, enxergar oportunidades.

Mas o Paraná “Can’t find a Better Man”:

Então, boa sorte aos que seguem.

Pinheirão: Coritiba nega novas possibilidades

Travada desde o pagamento da dívida com o INSS pela Federação Paranaense de Futebol, a negociação entre a construtora OAS e a FPF para a aquisição da área do Pinheirão, nas palavras do terceiro interessado (o Coritiba) “esfriou”.

“Esfriou sim”, me disse Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do Coxa, “O Coritiba, ressalte-se, nunca mudou sua postura. Se um investidor aceitasse nossos termos, negociaríamos. Mas isso dependeria da negociação entre o investidor e a FPF. Não sei o que houve com eles, parece que até podem retomar as negociações, pagarem o que a federação pede [nota: estima-se algo em torno de R$ 60 a 85 milhões], e só então o Coritiba volta a pensar no assunto. Nós não temos esse dinheiro e nunca pretendemos comprar um terreno e tocar a obra por conta própria.”

Vilson também falou sobre a imagem abaixo, que circula na internet, de um suposto acordo de Naming Rights para o estádio, envolvendo a Petrobrás:

“O investidor faz isso para vender, mas não há nada. É como uma construtora. Eles colocam os tapumes e a central de vendas antes mesmo do prédio ser erguido. Vendem e constroem com o nosso dinheiro (risos).”

Amanhã, no Jornal Metro Curitiba, detalhes sobre possíveis contratações do Coxa e a relação com a Nike. Fique atento!

Rápidas e precisas

Miranda: No muro, mas mais pra fora

Politicamente forte dentro do Paraná Clube – e até há pouco cotado para ser candidato -, o ex-presidente Professor Miranda ainda não manifestou apoio público, mas disse ao blog que deve ficar com a oposição, desagradado com a possível chapa da situação. “Não foi o que foi agendado, mas nós estamos recebendo convites e o segundo vice (Oliveiros Machado Neto) é do nosso grupo. Eu apenas combinei de aguardar, mas parece que não vai mudar o quadro”, disse.

A chapa de oposição terá o conselheiro Ivan Ravedutti como candidato a presidência. Como o atual presidente, Aquilino Romani, recusou tentar a reeleição, a situação pode fechar com Arnaldo Reis para a presidência, com Paulo César Silva como um dos vices.

Dispensas de Edilson e Rafael Santos

O Atlético demorou, mas tomou a medida de dispensar os jogadores acima citados “para dar um exemplo aos demais”, segundo um diretor que pediu para não se identificar. Edilson estava junto com Madson no episódio da cerveja no CT, que resultou na dispensa do meia – e, tardiamente, no retorno do lateral para o Grêmio. Rafael Santos, pelo que descobri no clube, era fiel companheiro de ambos. Além de que não viveu um ano muito iluminado. Falhou grosseiramente contra Grêmio, Fluminense, Ceará e Vasco, entre outros, como mostra o compacto abaixo, exibido no Jogo Aberto Paraná há alguns dias:

Morro García

Apesar de algumas negativas públicas, o Atlético esteve com representantes jurídicos no Uruguai essa semana, estudando alternativas para o caso de Morro García, suspenso por doping no Uruguai. Como ainda não foi informado oficialmente pela Fifa, o clube preferiu tirar o jogador das partidas, para não correr mais riscos. Uma nova alternativa é estudada pelo jurídico do clube: adiar o pagamento de algumas parcelas até o fim da suspensão (se a Fifa confirmar a mesma) do jogador.

Cris fora

O zagueiro Cris também sentiu a navalha nessa quinta-feira: foi dispensado pelo Paraná Clube. O diretor de futebol Paulo César Silva não deu entrevistas sobre os motivos da dispensa. Cris chegou a ser capitão da equipe nessa Série B.

Copel no Paranaense 2012?

Promessa antiga do ex-vice-governador Orlando Pessuti, a Copel pode patrocinar as equipes no Campeonato Paranaense 2012. Comenta-se nos bastidores que o valor seria de R$ 500 mil para as equipes do interior e um valor maior para os times da capital. A assessoria da Copel disse não ter informações sobre o assunto.

Exclusivo: José Carlos de Miranda promete oposição “se não nos atenderem”

O Paraná Clube saberá até sexta-feira se terá ou nào bate-chapa nas eleições do clube, em novembro. Cotado para ser candidato de oposição o ex-presidente tricolor, José Carlos de Miranda, o Professor Miranda, disse em entrevista exclusiva ao blog: “Não serei candidato”. Aos 73 anos, Miranda criticou a gestão do futebol atual e disse que nunca foi ouvido sobre o caso que culminou com sua saída e posterior suspensão do clube: a negociação do meia Thiago Neves (hoje no Flamengo), entre outras denúncias de favorecimento pessoal ilícito.

Napoleão de Almeida – O prazo para inscrições a candidatura do Paraná está se encerrando. O senhor será candidato?
Prof. Miranda – Não, estamos apenas… (pensa) temos um grupo que pretende lançar uma chapa caso a situação não apresente uma chapa que condiga com a realidade.

N – Oposição ou situação?
M – Isso, isso. Já temos um grupo formado.

N – Desculpe, não entendi.
M – Estamos aguardando pra saber qual a chapa deles (situação). O Aquilino (Romani, atual presidente), o Aramis (Tissot, vice-presidente)… aguardaremos até sexta.

N – O que está errado no Paraná?
M – Na verdade nós achamos que o marketing e o administrativo estão bem, mas quando vai para o social e o futebol, a coisa não está boa, não está correta. Nós achamos que não tem como tocar futebol dessa forma. As pessoas estão erradas. Você não pode ter pessoas que não tenham controle emocional, que tratem de assuntos particulares do clube com quem não faz parte… e também a conduta. Conversar com quem tem experiência. Sempre falo que no futebol ninguém sabe nada, mas tem que ouvir as pessoas.

N – O senhor tem uma frase que diz que “futebol é jogo de azar…”
M – Futebol é quase jogo de azar. Mas no quase entra a competência, saber fazer o negócio. Tem quem nunca sentiu cheiro de zig e acha que sabe tudo. Você aprende com a idade que voe não sabe nada. Duas cabeças sempre pensam melhor que uma, não só um ditado, é verdade. Democracia pode ser ruim, mas ninguém encontrou algo melhor, já dizia o Churchill.

N – Os que estão no futebol do clube hoje são o Paulo César Silva e o Guto de Mello. Posso entender que é uma crítica a eles?
M – O Paulão ameaça toda hora sair, mas quando tem uma viagenzinha ele vai… o Guto é um menino que empolgou-se. Até fui eu que levei ele. Na minha gestão foi várias vezes em viagens, estava preparando para o futuro. Afinal, sou professor. Mas ele não ouviu mais ninguém, acho que deslumbrou. O melado fez mal, ele lambuzou-se.

N – E o senhor se sente apto a voltar ao clube, mesmo com aquelas denúncias que o envolveram no caso Thiago Neves? A suspensão acabou, mas e você, como está?
M – Eu frequento o clube, todas as reuniões. Não quis contestar, não entrei na justiça, nada. O Luis Carlos de Souza (conselheiro do Paraná) disse que vai tentar me impugnar se eu sair candidato. Ele foi um dos meus grandes erros. Achei que era melhor não brigar na ocasião. Todo mundo achou que o Prof. Miranda tinha levado dinheiro do clube. Beleza…

N – Hmm.
M – Nunca me deram uma chance, ninguém na imprensa, de falar. Falam de uma gravação da LA (Sports, empresa que empresaria jogadores de futebol), mas preferem o lado mais sujo. Até quem sabe bem da história.

N – O senhor quer falar agora sobre isso?
M – Não… (pensativo) quando chegar a hora… vão saber. Eu fui… (pensativo novamente) eu aceitei tudo. Eu me culpo, saí para evitar rebaixamento. Hoje dizem que se eu tivesse ficado, não teria caído. Eu dancei conforme a música, não sou anjo não.

N – E para a campanha…
M – (interrompe) Eu não serei candidato. Só estou na coordenação. Com a minha vivência, tem traições muito grandes na política. As voltas nunca são boas. O Evangelino (Neves, presidente do Coritiba em diversas ocasiões, em especial 1985, campeão brasileiro) voltou e foi execrado. O Getúlio (Vargas, ex-presidente do Brasil) até se matou. Historicamente não funciona bem. E outra: a minha idade. Tá na hora de deixar gente mais jovem tocar. Eu fui presidente do Colorado em 85, vivemos uma crise… fomos os primeiros a irmos para o Pinheirão, não foi o Atlético. Estávamos ameaçados de rebaixamento… tenho história nesse clube.

N – E o senhor já tem algum nome? Quem pode sair candidato?
M – Hoje eles (situação) tem uma reunião. Ele (Aquilino) vai me ligar depois. Se algumas das nossas metas forem atendidas, podemos até apoiar a situação.

N – José Domingos é um nome?
M – O Zé também não quer sair não. Mas tem muitas pessoas no nosso grupo. O problema é quem está disposto a enfrentar. Vou convencer o professor Motti Domitt. Tô aqui com ele (risos).

Ênio Fornea será o adversário de Mário Petraglia nas eleições do Atlético

Fornea lançará candidatura depois do feriado (foto: site Notícia FC)

A chamada “terceira via” das eleições do Atlético em dezembro já tem nome: Ênio Fornea. O ex-vice-presidente do Rubro-Negro decidiu na madrugada de hoje (quinta para sexta) que vai concorrer ao conselho deliberativo do clube, até aqui, contra um único candidato: Mário Celso Petraglia.

Fornea e sua chapa não se dizem oposição, mas também desvinculam-se de Marcos Malucelli, atual presidente atleticano. Já Petraglia se posiciona como opositor. De curioso, o fato de que Fornea era vice de Malucelli até julho e Petraglia elegeu o atual mandatário como seu sucessor.

Nas negociações para a montagem da chapa, cogitou-se uma aproximação entre os lados, mas que não foi aceita. Petraglia chegou a se manifestar favorável a uma terceira via nas redes sociais, mas, por ora, haverá bate-chapa.

No entanto, a princípio, nenhum dos dois deve ocupar a presidência do conselho gestor, subordinado ao deliberativo. Ambos ainda decidem quem será seu indicado na chapa. Para entender: o cargo que ambos disputam é ocupado hoje por Glaucio Geara; o cargo de presidente gestor é que é de Malucelli.

Para esse posto, a chapa de Fornea tenta articular um nome que poderia causar impacto junto aos sócios-torcedores: convencer Marcos Coelho, campeão brasileiro em 2001, a aceitar a indicação. É possível que esse sim venha até quarta, 03/11. Petraglia ainda não ventilou nenhum nome para o posto.

Como a política do Atlético acaba sempre recorrendo aos mesmos nomes, cabe outra curiosidade: Fornea era o homem da obra na Arena para a Copa quando vice de Malucelli; ao criar a comissão de auto-gestão, esse posto passou para Petraglia. Ou seja: se vencer o pleito, Fornea conviverá com Petraglia de qualquer maneira.

Estima-se que cerca de 9 mil sócios possam votar nas eleições do clube, em dezembro.

Hélio Cury: “O Pinheirão é matéria vencida”

A Gazeta do Povo (clique para ler) traz matéria hoje explicando origem de parte do dinheiro para a quitação da dívida da FPF com o INSS, que impediu o leilão do Pinheirão na última quinta. Mais que isso: a reportagem, na verdade, aponta que o Pinheirão ficou mais distante do Coritiba. E, com base nas declarações de Helio Cury, presidente da FPF, dá a entender que o comprador do terreno não necessariamente precise erguer uma praça esportiva no local, o que seria obrigatório pela Lei Municipal 3.583/69.

Em um telefonema rápido agora, no fim da tarde, tentei aprofundar o assunto com Hélio Cury:

Napoleão de Almeida – Houve mesmo o rompimento com o investidor? O que o senhor diz da matéria da Gazeta do Povo?
Hélio Cury – A partir de hoje, não trato mais sobre esse problema. Esse assunto, quando for resolvido, eu vou convocar uma coletiva e passar para todo mundo. Se for resolvido. Senão fica essa lenga-lenga. Já falaram demais.

NA – Mas isso se deu porque o senhor falou que “agora os coadjuvantes estão fora”…
HC – Tudo bem, já fizeram todo o tipo de interpretação, não tem o que fazer. É matéria vencida, acabou quando não teve o leilão na quinta passada.

NA – Eu acho que o Pinheirão ainda interessa a muita gente…
HC – …olha… Eu não falei com os outros, não falarei com você também. Seria deselegante.

Sobre a lista de Petraglia

O dia está acabando e como estive aterefado com a Copa e suas consequências, além de um trabalho para a pós-graduação em Gestão Esportiva, acabei só podendo escrever agora sobre a lista de Mário Celso Petraglia, divulgando supostos valores de salários de alguns jogadores do Atlético. Não colocarei os valores aqui. Considero um assunto particular de cada um e também de interesse do clube. Mas como escrevo para todas as torcidas e o tema ferveu o dia todo, desde o Jogo Aberto Paraná, blogs locais, Twitter e a cobertura das rádios, manifesto-me sobre o assunto. Pra mim, a coisa é simples, e colocarei em tópicos misturando informação e opinião:

– Indelicada e invasiva, a lista não acrescenta nada, nem na situação dura do Atlético no Brasileiro, nem na campanha de Petraglia a presidência do clube. Ao contrário; pela repercussão negativa, o candidato parece ter perdido até.

– Não se revela o salário de qualquer profissional. O patrão sabe quanto paga e o empregado aceita porque merece ou precisa. Isso vale para futebol, jornalismo, medicina ou qualquer área. “Cada um sabe onde o calo aperta” é um ditado que resume.

– Todo clube tem suas diferenças salariais. Neymar ganha mais que Pará, no Santos, por exemplo; o mesmo vale para Ronaldinho e Willians, no Flamengo. E, como disse o Léo Mendes Jr., quando nós começamos como repórteres, ganhávamos menos que os editores, que ganhavam menos que os diretores de redação, etc. É a ordem natural das coisas.

– É populismo dos mais baratos julgar os jogadores pelos valores citados. Qualquer profissional de futebol padrão Série A ganha mais que 98% dos trabalhadores brasileiros. É o mercado, inflacionado, e não é uma exclusividade do Atlético. Lamentavelmente, o Brasil tem discrepâncias em todas as áreas sociais. Futebol é só mais uma. Quisera eu fossem os professores, policiais e médicos.

– Dizer que isso é reflexo de má administração também é bobagem, já que o mercado impõe esses valores. O melhor jeito de dizer isso é mostrar a tabela do Brasileirão.

– De positivo, a prerrogativa aberta: adepto da transparência, Petraglia dá sinais de que colocará ao público todos os valores da obra na Arena, da qual é gestor. Ou não?

– O Atlético informou que a lista tem valores reais e outros nem tanto. Segundo a diretoria do clube, com a qual conversei, mas que não quis dar entrevista oficial, os meninos da base têm um plano de aumento de salários por participação nos jogos e evolução ano a ano; além disso, garantiu que Kléberson é pago pelo Flamengo, integralmente, e Marcelo Oliveira o mesmo, mas pelo Corinthians. E que os demais, como Cléber Santana, são pagos 50% aqui, 50% na origem. É a versão oficial.

Mais uma:

A Folha de SP informa que o Atlético está contratando o meia Thiago Potiguar, considerado o craque do Paysandu na Série C – o time luta pelo acesso para a Série B – em troca de cadeiras da Arena da Baixada, o que causou rebuliço no Pará.*

Conversando com diretores do Atlético, a posição é: não existe essa negociação. O clube desconhece e, como já vem repetindo há tempos, o atual presidente Marcos Malucelli não fará contratações já que deixa o Atlético em dezembro. Ainda, segundo a diretoria do Atlético, as cadeiras podem até ir para a Vila Capanema, que teria uma pequena reforma para abrigar jogos menores do clube durante as obras.

No Pará, a negociação é dada como certa. Quem estaria por trás?

*Por falar em rebuliço no Pará, confira a presepada que se meteu Josiel, ex-Paraná, que hoje defende o Paysandu. Mau exemplo.

Uma dolorosa lição

Por fora, bela viola...

A Fifa anunciou as sedes da Copa das Confederações 2013 e o número de jogos que cada uma das 12 cidades-sede da Copa 2014 receberá no Mundial.

E Curitiba saiu derrotada do processo.

A cidade, que no discurso dos políticos esteve sempre cotada para estar na Copa das Confederações, não ficou nem na suplência, casos de Recife e Salvador. Optando por Brasília (abertura), Belo Horizonte, Fortaleza e Rio de Janeiro (final), a Fifa deu um recado claro à Curitiba (e ao Sul do País, que nem Porto Alegre emplacou).

Ou melhor, deu dois recados. O outro foi a equiparação de Curitiba a cidades como Manaus, Cuiabá e Natal, todas insípidas no histórico futebolístico. Das três, conheço duas: Manaus e Natal. A segunda é bem planejada e com belas praias, turística. Tem seus problemas, como todas, mas não fica tão atrás de Curitiba em infraestrutura; já Manaus é um caos. Estive por lá para transmitir Holanda-AM 1-2 Coritiba, pela Copa do Brasil 2009. Tudo, do estádio a urbanização, precisa ser refeito.

E essas cidades só receberão quatro jogos do Mundial:

Curitiba não estará na segunda fase do Mundial

Concordemos que a Copa das Confederações estava nos planos somente dos mais entusiasmados. Mas receber apenas quatro jogos no Mundial é um acinte para quem se diz moderno e preparado, como é o caso do povo curitibano. De fato, a cidade em si não deve nada a muitas outras que ficaram mais bem posicionadas no Mundial. É melhor urbanizada que BH e Porto Alegre e mais populosa que a última; tem mais força desportiva que Brasília, cujo principal time disputa a Série C. O mesmo vale para Fortaleza, embora o cenário do futebol tenha crescido por lá recentemente.

O que atrapalhou Curitiba foi o crônico problema do autofagismo. Criou-se um fantasma na cidade: “a Copa é do Atlético”. Errado.

A Copa é da cidade. É para ela e seus hotéis, restaurantes e praças que o turista virá; é para Curitiba que serão feitas mudanças urbanísticas, desde o aeroporto até o já anunciado futuro metrô (lusitanamente programado para depois da Copa). O estádio é um meio, não o fim. E sim: o Atlético, único a apresentar um projeto coeso na época da candidatura (ou você compraria um carro usado de Onaireves Moura?), vai ser beneficiado com as obras.

Assim como a construção da Vila Capanema, com participação da prefeitura no passado – tanto que segue o litígio pela rodoferroviária – como o Pinheirão, com terreno da prefeitura, que pode até se tornar uma nova praça esportiva no futuro. Mas, curitibanamente, é melhor ver o vizinho mal do que todos progredirem. Chega-se ao absurdo de se propagar campanha para que Florianópolis pegasse a sede daqui. Tsc.

Não se defende aqui, de maneira nenhuma, desvio de verbas ou má gestão de recursos públicos. Para isso é que existe o TC, a procuradoria e, por que não, a imprensa, nem sempre simpática a olhos clubistas, mas cumpridora do seu papel, doa a quem doer.

A questão é política. Curitiba deixará, por não ser coesa na idéia, de aproveitar as benesses que terão outras cidades. O legado poderia ser maior. E tenho certeza que a lição não ficará para o futuro. Infelizmente, é da cultura do curitibano menosprezar o local e minar o crescimento do vizinho.

A derrota é de todos. Mas é claro que é ainda maior para os homens públicos que conduziram mal o processo.

Limão e limonada

Ruim como está, pior sem. Decepção a parte, é hora do povo da cidade acordar para o futuro. Curitiba jamais deixará de ser a quinta comarca paulista se não caminhar para um só lado. Ao invés de comemorar o fato de que a cidade só receberá quatro jogos por alguma razão pessoal, que tal pensar em como melhorar o ambiente, como cobrar os responsáveis?

A Copa vem de qualquer jeito. Um plano de negócios visando turistas, a reclamação junto aos responsáveis por transparência no uso dos recursos públicos, a realização de obras que visam a Copa mas devem ir além, sem exclusão social, tudo isso é papel da população.

Somos ótimos em protestar contra o Dunga quando a Seleção perde (e contra jornalistas quando achamos que o que ele escreve não nos agrada) mas péssimos em cobrar de nossas autoridades, funcionários públicos colocados lá com nosso voto, trocam os pés pelas mãos.