Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 03/10/2012

Alex e o Coritiba

Alex rompeu com o Fenerbahçe da Turquia nessa semana. Por coincidência, às vésperas do aniversário de 103 anos do Coritiba, no próximo dia 12. É o que basta para um alvoroço da volta do meia ao clube. Bem, em primeiro lugar, até pode sair acerto já, mas é preciso deixar claro que Alex não joga no Brasil em 2012. As inscrições estão encerradas e o único time brasileiro que ele poderia defender nessa temporada seria o Corinthians, em uma improvável negociação para o Mundial. Para 2013, o Coxa disputa o meia com Palmeiras e Cruzeiro. Coxa-branca declarado, Alex foi ídolo do clube sem justificar isso em campo. Ficou pouco tempo. É bem-quisto por nunca deixou de se assumir coxa, mesmo com outras camisas, sem fazer média. Noves fora o risco da Série B (tão vivo para o Palmeiras quanto para o Coritiba) e a Libertadores, não existe outro caminho para Alex que não seja o Alto da Glória. Que o diga Ronaldinho.

Intolerância

Neymar entra em campo cercado de crianças gremistas no Olímpico. Por aqui, Lucas é cuspido e uma fã de 13 anos, infiltrada na torcida do Coritiba, é acossada junto com o pai, enquanto ganhava uma camisa do jogador. Em São Paulo, um turista escocês é constrangido e retirado da área VIP (aquela dos bem nascidos) por estar desavisadamente com a camisa verde e branca do Celtic em meio a corintianos. Quando foi que desaprendeu-se educação no Paraná e em São Paulo? Não há justificativa que aplaque os péssimos exemplos de intolerância nos dois estados. Os gaúchos, por sua vez, mostram que sabem levar o futebol como ele é: um esporte. A flauta de que colorado não tem azulejo, “tem vermelejo”, não passa pro campo da hostilidade. É folclore inteligente. Ainda dá tempo de aprender.

Longe de casa

O número mágico do acesso pode chegar a 69; historicamente é 64. O Atlético deve perseguir algo em torno disso para voltar ao seu lugar na elite nacional. Começa no sábado, contra o América-MG, mas passará por importante decisão em São Caetano do Sul, no dia 03/11, contra o time da casa. Será um dos três jogos contra concorrentes diretos longe de Curitiba (Vitória e Criciúma são os demais) e o mais decisivo deles, justamente no palco da maior glória rubro-negra. Daqui até lá, no entanto, o Furacão não tem mais direito a erro. Como observado semana passada, será um trabalho com a cabeça, porque os pés que aí estão não podem ganhar companhias mais qualificadas.

Um ano

Passa voando. Essa coluna marca um ano de nosso convívio semanal aqui no Metro. Um jornal que pegou a cidade de jeito, ganhou pela qualidade e objetividade. Só tenho a agradecer a confiança da casa, o respaldo pela liberdade e, principalmente, o carinho e a sua participação, leitor, opinando, criticando, pautando e debatendo. Que continuemos assim.

Pelo fim da intolerância

Quem é o verdadeiro amante de futebol hoje no Brasil? Quem é o torcedor que vai apoiar seu time e ver os astros – ou, para os menos favorecidos em seus elencos, vibrar pela camisa que ama?

Nesse final de semana, em dois episódios, descobrimos quem NÃO SÃO torcedores; num show de demonstração de força, intolerância, intransigência e imbecilidade, vimos o verde da esperança ser manchado por meia dúzia de patrulheiros que se acham donos dos estádios e pensam que controlam a maneira com a qual cada um deve torcer.

Na foto que abre o post, o mau exemplo em São Paulo; no vídeo abaixo, da TV Band, o ocorrido de ontem no Couto Pereira, quando uma menina de 13 anos e seu pai foram acossados após pegarem a camisa do meia sampaulino Lucas.

Sob o signo da defesa da honra, truculentos resolveram impor suas doutrinas e expulsar gente fragilizada do seu território – que, confesso, pensava ser dos clubes e das pessoas de bem.

Sim, concordo que não é muito prudente ir a um jogo do Corinthians de verde e branco; concordo também que é irresponsabilidade de um pai levar a filha adolescente no meio de uma torcida adversária (descobriu-se depois que a menina é torcedora do São Paulo) em um jogo fora de casa. Mas nada, absolutamente nada, justifica agressão e truculência.

Vejamos os fatos. Um escocês, turista, queria ver o futebol brasileiro de perto. Foi ao Pacaembu desavisadamente de verde e branco em um dia de jogo do Corinthians. Encontrou um povo intolerante às cores, como se elas fossem culpadas por qualquer frustração pessoal. De fato, a raiva cega não permite a alguns sequer ver cores: julgam a bel prazer o que é diferente do que conhecem como mal e atacam.

Pergunto: não seria melhor avisar o turista de que o verde é a cor do rival do Corinthians? Um abraço, uma troca de camisas dando a ele um presente com a camisa do time da casa e teríamos, quem sabe, uma nova amizade, um novo simpatizante do Timão.  Mas tivemos um episódio em que um cidadão estrangeiro, que pagou ingresso nas sociais para ver um jogo, foi abruptamente retirado de seu lazer. Levará para a Escócia a recomendação de que ninguém vá à Copa no Brasil – especialmente na Arena do Corinthians.

No Couto Pereira uma adolescente ganhava uma camisa de um ídolo da Seleção quando, nas palavras de Rodrigo Salvador, coxa-branca e testemunha do momento, “veio o primeiro tapa na cabeça do pai. A menina gritava e chorava, desesperada, não tinham por onde sair. Alguém meteu a mão na cara do pai e tirou os óculos da cara dele.

Um terrorismo injustificável, cujas imagens estão ali, incontestes. Um péssimo exemplo de intolerância, de falta de convivência. Já disseram por aí “no Couto quem manda é o Coxa!” ou “ela não tinha nada que estar lá”, etc. Justificar uma agressão (que não é apenas socos e pontapés, pode ser cusparadas e ofensas) a uma menina de 13 anos é a consolidação de um caminho sem volta para o fim do futebol.

Que o pai foi irresponsável, não se discute. Ele, como alguém mais velho, conhece a vida e os campos de futebol. Deveria saber que as pessoas de bem foram vencidas nessa guerra faz tempo.

Mas qual o mal de uma menina, ou um torcedor qualquer, pegar uma camisa de um atleta? Um souvenir, uma lembrança que em nada diminuiria a paixão de qualquer torcedor pelo seu time de coração, ainda que ela fosse coxa-branca – o que, sinceramente, pouco importa. O futebol não é uma guerra. Futebol é lazer, entretenimento. Deve ser tratado como tal. Imagina-se que os valentões das imagens acima não tenham irmãs ou amigas/os de outros times. O Coxa tem que mandar no Couto sim, mas em campo.

E, deixando bem claro, foi com o Coritiba, mas lamentavelmente sei que seria assim na maioria dos outros campos. Já vi exemplos parecidos na Arena, como se a cor verde fosse criminosa. Pinte-se a grama, então.

O Coritiba precisa se posicionar oficialmente e repudiar essa ação em sua praça. Combater a intolerância que quase quebrou o clube em 2009. A Polícia, impávida no caso, deve identificar e vigiar os valentões.

Mas acima de tudo isso, todos nós devemos por a mão na cabeça e pensar: o que queremos do futebol e da sociedade? Quando deixamos de ser apaixonados pelos nossos clubes para sermos vigilantes do comportamento alheio, intolerantes à diferença que antes movia brincadeiras e bom convívio?

Chega. Pelo fim da intolerância.

  • Carnaval

Para o Coxa ainda vale o alerta: ficar quieto é dar milho pra bode. Se as atitudes foram reprováveis e a indignação justificável, o clube que abra o olho com a movimentação de bastidores para que o Coritiba saia do Couto Pereira por uns jogos.

O Palmeiras, concorrente direto ao rebaixamento, perdeu quatro mandos de campo por arremesso de objetos no gramado.

Paboentemeipabá.

 

Camisa 2 do Coritiba vaza na internet; clube não confirma, mas não nega

Algumas imagens da camisa número 2 do Coritiba vazaram na internet. Tudo é parte de uma estratégia da Nike para divulgar a camisa nova, cercada de expectativa, após o mal-fadado lançamento do uniforme 3, todo preto, que não agradou a torcida. Essa segue o tradicional modelo 2, a “jogadeira”, marcada pelo título brasileiro de 1985. As imagens chegaram até o blog que, é claro, “caiu” na armadilha do viral – não sem antes conferir a veracidade. A camisa acima não foi confirmada pela diretoria do clube como a oficial entre as imagens que circulam na web. Há um contrato que impede a confirmação oficial. Mas o mistério não passa do final de semana, quando ela estará em campo contra o Santos. Uma fonte confidenciou ao blog que o modelo acima é “o mais próximo” da real. Você gostou?

Update:

Acima, imagem que recebi de um leitor do blog, com a camisa nova já a venda, com um modelo muito próximo ao divulgado aqui, exceção já observada para a gola, que segue o padrão dos outros dois uniformes feitos pela Nike.

Uma reflexão sobre o esporte brasileiro e o jornalismo esportivo

Mayra Aguiar fez história nesta quinta e eu tive a honra de acompanhar. A judoca gaúcha ficou com o bronze na categoria meio-pesado (até 78kg) em Londres 2012. Mayra (pronuncia-se ‘Má-y-ra’) medalhou e eu, 10 anos depois de começar nisso, finalmente posso falar com convicção que sou narrador esportivo. De fato, até uma semana atrás, era no máximo narrador de futebol, como muitos dos meus colegas. É o que resume o esporte no Brasil, salvo o intervalo de 20 dias a cada 4 anos chamado Olimpíada.

Em uma semana, fiz Judô, Boxe, Natação, Basquete e Vôlei de Praia nas transmissões que o Terra tem feito, inovando e oferecendo essa alternativa ao internauta. Ah!, fiz Futebol também. Masculino, ressalte-se – mas podia ser feminino, tão escanteado (ops, olha o ato falho) quanto os demais esportes “amadores”. Nós, narradores esportivos, nos apresentamos assim, mas na verdade falamos mesmo é de futebol. Até mesmo a famigerada associação da crônica local, que se diz “esportiva” e pretende ser reguladora da profissão, não aparece em eventos como Stock Car, MMA ou futsal. Mama no futebol e só. É a cultura do País. Cultura que também faz atletas como Mayra como vitimas. Vão de heróis a vilões em segundos, a cada quatro anos, para depois mergulharem no ostracismo. Até a outra olimpíada.

Quando Mayra venceu a disputa do bronze, acreditem, me senti medalhando junto. Antes da luta, eliminada por sua grande rival, a americana Kayla Harrison, em uma final antecipada, Mayra dividiu opiniões nos comentários no Terra. Líder do ranking mundial, Mayra parou – depois soubemos –  na futura campeã olímpica. Mas o cruzamento atrapalhou. E, convenhamos, só uma pode vencer. Hoje, foi Harrison, em outras 4 ocasiões havia sido Mayra. Ela virou “amarelona”, o Brasil virou sinônimo de fracasso olímpico. Todos passamos a entender Judô como se fosse… futebol. Nossa cultura esportiva é de amor à vitória, não ao desporto. Tanto é que o bronze de Mayra logo apagou a frustração.

É assim com todos os atletas olímpicos. Saem da obscuridade para se tornarem heróis e decepcionarem em segundos. Culpa nossa – a mídia – também. Alimentamos isso como se o Brasil fosse uma potência olímpica. Não é. Temos atletas talentosos, esforçados e em grande maioria com pouco apoio. Parece chover no molhado, e é. Mas basta ver que nosso esporte número 1, o futebol, jamais foi ouro olímpico (cá entre nós, acho que o ano é esse. Me cobrem). Isso resume tudo.

Rio 2016 vem aí. Há poucos dias, escrevi sobre a necessidade de se mobilizar e a oportunidade que Curitiba pode ter para fazer parte de tudo. Em época de eleições, é possível que vejamos muitas promessas e fotos com os medalhistas. Mas é tempo de mudar essa cultura. Fato é que os narradores futebolí… digo, esportivos, também não vêem muito como acompanhar os torneios ao longo dos quatro anos que antecedem e formam o ciclo olímpico. É um círculo vicioso, que se dissipa só durante os Jogos. Difundir o esporte, montar equipamento urbano, incentivar a prática, socializar crianças e jovens e acostumá-los aos holofotes é o caminho para que deixemos de ser especialistas de ocasião e nos tornemos uma força olímpica verdadeira.

Mini-Guia da Copa do Brasil 2012: Decisão

A imagem: um ano depois do massacre, alviverdes se encontram na final

Chegou o dia! Pelo segundo ano consecutivo, fazendo história, o Coritiba está na decisão da Copa do Brasil. Desta vez o adversário é o Palmeiras.

Como em todas as fases anteriores, o blog apresenta um mini-guia dos adversários paranaenses. Saibamos então o que espera o Coxa nos dois jogos da final:

A campanha do Palmeiras

O time paulista chega à decisão invicto e, caso campeão da Copa do Brasil, poderá reivindicar também o título paranaense: foi algoz de Paraná e Atlético nas fases anteriores. Foram 7 vitórias e 2 empates em 9 jogos, tendo levado 5 gols e marcado 20.

Para chegar à decisão contra o Coxa, o Verdão passou por Coruripe-AL (1-0 e 3-0), Horizonte-CE (3-1), Paraná (2-1 e 4-0), Atlético (2-2 e 2-0) e Grêmio (2-0 e 1-1). A campanha é linear: em casa, 3 vitórias e 1 empate; fora, 4 vitórias e 1 empate.

No comparativo: o Coxa fez 10 jogos (1 a mais) com 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, marcou 16 e levou 4. Logo, o Coxa pega um time com ataque mais efetivo, mas tem defesa menos vazada.

Na história

O Coxa fará a sua segunda decisão de Copa do Brasil na história (a primeira foi ano passado, acabou perdendo o título para o Vasco) enquanto o Palmeiras chega pela terceira vez a uma final. Para os supersticiosos, vale a pena ler esse texto.

Em 1996, perdeu a decisão para o Cruzeiro  (1-1 e 0-2) e ficou com o vice; deu o troco dois anos depois, contra o mesmo Cruzeiro, ao vencer por 2-0, depois de perder o jogo de ida por 0-1. O gol do título saiu aos 44 do 2o tempo, com o ex-atleticano Oséas:

Em confrontos diretos, vantagem palmeirense. São 11 vitórias coritibanas contra 16 paulistas e 10 empates. Pela Copa do Brasil, 4 encontros. Em 1997, o Palmeiras eliminou o Coritiba ao vencer por 1-0 no Couto e 4-2 em SP; no ano passado, o Coxa despachou o Porco, com requintes de crueldade. O massacre por 6-0 entrou para a história:

No jogo de volta, virtualmente eliminado, o Palmeiras, que havia perdido o recorde nacional de vitórias para o próprio Coritiba, acabou encerrando uma sequencia de 24 vitórias que entrou para o Guinness Book como a principal série de triunfos no futebol mundial. A vitória foi por 2-0:

Do time que foi goleado pelo Coritiba, o Palmeiras tem poucos jogadores que estarão em campo nessas finais. João Vitor, Marcos Assunção e Márcio Araújo seguem no time, enquanto o técnico ainda é Luiz Felipe Scolari. Dois jogadores que defenderam o time paulista naquele ano estão agora no Alviverde paranaense: Lincoln e Chico.

As armas

O Coxa leva vantagem no entrosamento, mas deve abrir o olho com três jogadores do Palmeiras.

Valdívia é o meia armador. Habilidoso e rápido, cria boas situações para os atacantes e também costuma chegar para o arremate. É genioso – logo, facilmente irritável – e, como quase todo latino (é chileno), joga com muita aplicação.

Mazinho é o atacante que cai pelos lados. Habilidoso, conduz a bola em velocidade e arremata com perigo. Ganhou o apelido de “Messi Black” pelos mais fanáticos palmeirenses. A comparação é válida até a página 2. Mas isso não diminui o perigo.

Marcos Assunção é o líder do time. Volante que sai pro jogo, ajuda na armação de jogadas e é perigosíssimo nas bolas paradas. Por isso é melhor evitar faltas próximas à área.

O Palmeiras perdeu outro bom jogador para as finais, o atacante Barcos, que acordou com apendicite nesta quinta. O desfalque de última hora pode fazer o time mudar a forma de jogar, com dois atacantes de velocidade, se optar por Maikon Leite (ex-Atlético) ou simplesmente mudar a peça, usando Betinho (aquele mesmo, do Coritiba 2010) no ataque.

Ainda vale lembrar a história de Felipão com o lateral-direito Arce. Foi em 1996, pelo Grêmio, antes da final contra a Portuguesa.

O fator casa

Tenho defendido que o Coxa tem uma leve vantagem nessas finais, sobre o Palmeiras. E parte disso é o fator Couto Pereira. Na primeira partida, o Coxa encara um estádio em formato arena, com proximidade da torcida, mas que não tem identificação com o adversário.

Torcedor é vibrante em qualquer campo na hora da decisão. Mas conhecer as dimensões do gramado, estar ambientado aos funcionários, aos vestiários, conhecer os atalhos, é uma senhora vantagem. Além da mística de jogar realmente em casa.

O trunfo do Coxa é o Couto Pereira. Em Barueri, o Coxa encara um bom time e alguma pressão; em Curitiba, o Palmeiras estará num alçapão hostil em que o dono conhece cada centímetro do gramado.

Faz diferença.

Videocast #007 – É hora de decisão: Copa do BR, Libertadores, Série Prata…

Semana cheia, videocast comentando a decisão da Copa do Brasil para o Coritiba, a carência já crônica no Atlético, o impacto de uma conquista do Corinthians no Paraná, o retorno do Paraná Clube à elite local, o fim (ou não) do Pinheirão e alguns golaços!

Confira e comente!

Um feito para a história

Emerson: jogada aérea, com gramado encharcado, seria mortal. E foi. (foto: AI)

Aguerrido, pragmático, preciso. Seja qual o adjetivo escolhido para qualificar o Coritiba que eliminou o São Paulo e está pela segunda vez seguida na decisão da Copa do Brasil. O Coxa foi melhor que o São Paulo nos dois jogos e, convenhamos, nem passou tanto sufoco assim, muito embora Vanderlei tenha feito duas boas defesas. Não houve um único destaque: todos em campo jogaram demais. Até mesmo o criticado Roberto. Se há algum mérito individual – nenhum que se sobresaia ao coletivo – é para o técnico Marcelo Oliveira, que foi ousado na escalação e não arredou pé durante os 90′.

Agora, a decisão. Seja contra Palmeiras ou Grêmio – dois papões da Copa do Brasil – o Coritiba chega em pé de igualdade. Deve pegar o Verdão paulista (a se confirmar hoje) o que pode ser melhor por um fato significativo: o Palmeiras não tem casa. Enquanto o Couto Pereira tem a impressionante marca de 11 vitórias seguidas (incluindo 2011) pela Copa do Brasil a favor do dono da casa.

Campeão ou não, o Coxa justifica cada palavra escrita neste texto (clique para ler). Agora é impossível prever. Mas é possível colocar o Coritiba 2011/12 entre um seleto rol, com uma curiosa tendência, a ser observada abaixo.

O Coritiba se junta à Grêmio, Corinthians (este, por duas vezes) e Flamengo como únicas equipes a chegar a duas finais de Copa do Brasil consecutivas. E a história aponta que o torcedor coxa-branca pode sonhar como nunca antes com o título.

Os times que conquistaram esse feito antes levantaram o caneco na segunda decisão – exceção ao Flamengo, que perdeu as duas.

Em 1993, o Grêmio perdeu a taça para o Cruzeiro; em 94, papou o Ceará. Os gaúchos ainda conseguiram a proeza de chegar novamente em 95, mas perderam para o Corinthians.

Em 2001, o Corinthians levou o troco na final, perdendo para o Grêmio. Mas voltou no ano seguinte e foi campeão, sobre o Brasiliense. Nova dobradinha corintiana em 2008/09: derrota para o Sport, vitória sobre o Internacional.

Só o Flamengo, vice do Cruzeiro em 2003 e do Santo André em 2004, não aprendeu a lição de um ano para outro.

Restará ao Coritiba mostrar, à Palmeiras ou Grêmio, que também tirou lições de 2011. E levantar mais um título nacional, o primeiro da Copa do Brasil para o Paraná, o primeiro de grande importância desde 1985.

Prorrogação

Tcheco não parou nesta quarta. Bem conversado, vai até  dezembro – ou a Libertadores, porque não?

Loucura

Os coxas são mesmo uns loucos, ao menos para Mário Celso Petraglia.

Arremate

Por corporativismo barato e em desrespeito à constituição brasileira, fui impelido (com “l” mesmo) de trabalhar na partida entre Coritiba x São Paulo por uma associação de classe que se pretende reguladora de profissão. O tempo e a justiça mostrarão a verdade. Em tese, o torcedor não tem nada com isso. Mas paga por encontrar um mercado viciado – e reclama, muitas vezes generalizando os profissionais de imprensa. Há males que vem para bem e tomara que seja o caso, o início de uma nova mentalidade na imprensa.

Em tempo: agradecimento à vários colegas e ao Coritiba Foot Ball Club pelo suporte no caso.

Green Hell, por que não?

Festa de luzes e cores no Couto: por que não?

Na semana que passou o futebol deu mais um passo para trás. No clássico paulista entre Santos x Corinthians (0-1) pela Libertadores, a PM proibiu aquilo que chamou de provocações: faixas das torcidas tirando sarro dos rivais. “Eterno 7 x 1” e “Às vezes em segundo, nunca na Segunda” eram textos vistos frequentemente dos dois lados quando os times se encontram e que no jogo da Vila Belmiro foram vetados, sob a justificativa de preservar a paz. No entanto, isso não impediu a torcida do Santos de, reprovadamente, retirar o capacete de um PM de SP e atirá-lo ao gramado. Com isso, já surgiram comentários espirituosos como “no próximo clássico, vão proibir torcedores com mãos de ir ao estádio”. É o velho raciocínio preguiçoso das autoridades brasileiras: matar o cachorro para acabar com as pulgas.

Proibir é a regra, estejam certos ou errados os torcedores. O “Green Hell” criado pela torcida coxa-branca é uma bonita festa de cores (verde, claro), luzes e fogos e não incita ninguém à violência. Também não deixa os jogadores em campo em perigo – talvez deixe os adversários do Coxa um pouco assustados, no máximo. Serve para “incendiar” o ambiente, no sentido mais positivo da palavra. É parte da mística do futebol. Aquela que tentam acabar a cada dia.

Talvez o “Green Hell” tenha um outro problema: atrasa um pouco o início do jogo. Não que o horário seja uma preocupação central de quem transmite o evento. Afinal, o horário das 22h já privilegia a imensa maioria de interessados que não vai ao estádio, ficando no conforto do lar, com ou sem aquela cervejinha (a mesma proibida nos estádios desde antes dos episódios de 2009 no Couto, por exemplo) na mão. Os poucos privilegiados que podem ver o espetáculo ao vivo (tanto pelo preço quanto pela disposição) já sabem – e creio que não se importem – que um jogo in loco tem seus atrasos. Vão demorar a chegar em casa e o que querem mesmo é ao menos voltarem felizes ou orgulhosos.

“Secretamente” (se é que há como organizar algo coletivo numa rede social sem que ninguém saiba), a torcida do Coritiba pretendia surpreender o time e a diretoria com um “Green Hell ilegal” na partida dessa quarta-feira contra o São Paulo, no jogo de volta (0-1 SP ida) pela Copa do Brasil. Foi o que bastou para o clube soltar uma nota de esclarecimento que diz, entre outras, que “o clube também pede a colaboração de seu torcedor para que não traga ao estádio nenhum tipo de fogos de artifício, piscas ou sinalizadores, lembrando que haverá uma revista minuciosa na entrada dos torcedores.” Algo do tipo, “nem vem que não tem.”

Nesse ano, contra o Ceará pela Copa do Brasil, a torcida do Paraná fez sua parte levando sinalizadores e fazendo uma bonita festa. O clube acabou julgado no artigo 213 do CBJD pelo atraso de 3 minutos, em que podia ser punido de R$ 1 mil a 100 mil por minuto de atraso.  Foi apenado em R$ 1,2 mil – possivelmente 50 a 60% do valor da festa que a torcida coxa pretende fazer.

Mas o que importa mesmo é que ninguém tem um “porque” decente para o não. O “Green Hell” é esporádico (cada vez mais) o que só valoriza a ação; não agride, não ofende – embora os narradores fiquem com a respiração trancada por alguns minutos; talvez atrase um pouco o jornal, mas, vá lá, nem todos os filmes da madrugada são tão bons assim. Entre proibições, o futebol vai perdendo seu encanto. Deviam deixar pelo menos o pessoal torcer em paz.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 23/05/2012

O estádio, parte 178
A CBF indicou a Vila Capanema para três jogos do Atlético na Série B. Acertou no atacado, errou no varejo. Não há solução fácil para a questão, pendente – acredite! – desde 2007, quando a Arena confirmou-se sede da Copa-14. O acerto da CBF: o Atlético é parceiro da entidade, da Fifa e do Estado na realização do evento. Sim, se propôs a isso e terá benesses inegáveis. Tem ainda ônus que tem pago sozinho, como se fosse dono do evento (não é, embora a classe política omissa faça questão de referendar isso). O Atlético precisa jogar em algum estádio e em Curitiba. A política é o que pega.

No varejo…
O erro é a escolha do local. A Vila está com o gramado ruim e abrigará 10 jogos em 25 dias, incluindo uma data conflitante em dois jogos do Paraná, em 09/06: encontros com o Guaratinguetá e o Grêmio Metropolitano – palmas à FPF, que não antecipou a B local. Com as chuvas na cidade não haverá gramado que resista. A obrigatoriedade, movida pela falta de diálogo, também é motivo de revolta. Com base entre outras coisas no gramado, o Coritiba ganhou ação no TJD-PR para não alugar compulsoriamente o Couto Pereira que, de fato, era o melhor local para abrigar o Atlético.

Desejo, necessidade, vontade
O Paraná promete ir à justiça para valer sua visão. O Atlético é concorrente direto na Série B e lhe dar abrigo é lhe dar força. No Estadual, o Coxa fez isso. A intenção da CBF ao escolher a Vila, induzida pela FPF, foi clara: preferiu rusga com o Tricolor que com o Coxa. E irá sempre proteger seu parceiro na Copa, não tenha dúvidas. Talvez o Paraná não tenha a mesma força política do Alviverde, mas a novela está longe de acabar. Em um mundo ideal, Coxa e Atlético se acertariam, fariam promoções nos planos de sócios; o Coritiba ganharia valorização nos espaços publicitários do Couto, movimentando a praça mais que apenas uma vez por semana. Bom para os donos de lanchonetes do estádio. Rivais em campo, parceiros fora dele, com inteligência. Certo?

Manual prático de política
Errado. A falta de diálogo é o principal problema. Até essa semana, o público só soube uma versão da história. Mário Petraglia, presidente do Atlético, só se manifestou recentemente, em carta – sem contestações. Há quem assuma como verdade absoluta. Há muita verdade, mas, sem troca de idéias, é mono. Atitudes truculentas e impositivas distanciaram qualquer acordo. A rivalidade besta também: o Atlético jogou N vezes inteira no Couto; o São Paulo FC é tricampeão do Mundo alugando o Morumbi aos rivais. Mas se Petraglia, com seu estilo, não consegue nem agregar sua própria gente, iria conseguir fazê-lo com coxas e paranistas?

Em campo
Copa do Brasil: Coxa passa pelo Vitória, mas 0-0 fora não é tão bom como se supõe. Não pode tomar gols hoje. Precisa jogar mais que em Porto Alegre. Atlético em São Paulo é zebra, só vitória ou empate com mais de três gols. Zebras acontecem, mas eu não apostaria, embora será ótimo ver ambos nas semifinais.