Suburbana: Iguaçu perde invencibilidade para cria da casa

Ah, o futebol. Traiçoeiro como uma cobra, nos pega de surpresa em qualquer ambiente, seja na Champions League, seja na Suburbana. Azar do Iguaçu, que viu um jogador criado em casa, agora atuando no Novo Mundo, acabar com a invencibilidade do time no campeonato.

 

por Ana Claudia Cichon*

Enquanto assinava a súmula, antes do início da partida, o camisa 19 do Novo Mundo virou para o diretor de futebol do Iguaçu, Jadir Setti, e comentou: “Já joguei pelo Iguaçu, quanto eu tinha uns 15, 16 anos. É um clube muito bem estruturado, gostoso de jogar”. O dirigente, é claro, ficou contente em ouvir e sorriu, agradecido. Só não imaginava o desfecho do jogo…

O volante Jhony, que há onze anos vestia a camisa alvinegra, trocou o preto pelo vermelho e agora defende o alvirrubro, inclusive honrando a tarja de capitão da equipe do Novo Mundo. Com passagens também pelo Uberlândia, conta que ficou longe do futebol amador por algum tempo, mas já soma cinco anos nos campos de várzea e afirma: “Aqui no futebol amador somos uma família”.

Com 27 anos, Jhony comanda o Novo Mundo ao lado dos habilidosos Fernando e Natan (responsável pelo gol que abriu o placar da partida, após bonita tabela com Juliano) e garante que, mesmo recebendo valores irrisórios quando comparado com o futebol profissional – ou mesmo com o que alguns medalhões têm recebido no amador – a Suburbana tem um diferencial muito importante, que compensa todas as outras situações. “O churrasco e a cervejinha entre amigos depois do jogo não têm preço”.

  • O jogo

Com a equipe de Santa Felicidade liderando o grupo B com folga e o Novo Mundo em último, somando apenas um ponto, esperava-se uma superioridade do Iguaçu, mas não foi isso que se viu nos gramados da Arena Vermelha. A equipe alvinegra estava perdida em campo, errando muitos passes, e parando na boa marcação do mandante. O primeiro tempo acabou com vitória parcial do Novo Mundo, após gol anotado por Natan, aos 34 minutos.

Marcação dura e o tradicional “Não fiz nada, psôr” no flagra (Fotos e vídeo: Ana Cichon)

Buscando manter a invencibilidade nesta segunda fase, o Iguaçu voltou do intervalo mais ligado e com duas alterações: Murilo deu lugar a João Madureira e Jé entrou na vaga de Ricardo. E parecia que a estrela do técnico Juninho estava brilhando neste sábado com tempo indefinido na capital paranaense: logo aos cinco minutos Jé deixou tudo igual. O jogo ficou mais aberto e as duas equipes tiveram boas chances, mas aos 32 Jhony esqueceu os bons tempos vividos com a camisa alvinegra e marcou o gol da vitória do Novo Mundo, que agora está em terceiro no grupo B, com quatro pontos, e ainda segue vivo na luta pela classificação às semifinais.

Confira aqui a entrevista que com o volante:

Novo Mundo: Fábio, Thiago (Clodoaldo), Alex, Biro, Cléverson, Jhony, Ferro (Bruninho), Evandro, Fernando (Nene), Natan e Juliano. Técnico: Leandro Chibior

Iguaçu: Leandro, Clé (Fábio), Flávio, Luciano, Merci, Luisinho Netto, Douglas, Hideo, Marlon, Ricardo (Jé) e Murilo (João Madureira). Técnico: Juninho

  • Resultados da rodada

Novo Mundo 2×1 Iguaçu
Bairro Alto 2×1 Trieste
Nova Orleans 3×4 Santa Quitéria
Urano 1×1 Combate Barreirinha

  • E, finalmente, o pão com bife

Depois de três rodadas e nada da avaliação do melhor pão com bife da Suburbana, hoje temos a análise do primeiro concorrente. No estádio Orlando Rinoldin o sanduiche mais famoso do amador custa R$3,50 e é digno de uma nota 9. O pão é fresquinho e bem crocante. No recheio, bastante carne, muito bem temperada. Só não leva a nota máxima por não estar tão macia como eu gostaria. Mas vale a pena provar!

*Ana Claudia Cichon é jornalista, gosta de pão com bife, Suburbana e futebol-verdade.

Gols: resumo da rodada européia de 04 a 07/10

Veja os gols da Liga Europa e dos campeonatos Alemão e Português

04/10 -Liga Europa

Panathinaikos 1-1 Tottenham

Em Atenas, o Panathinaikos, em crise, recebeu o embalado Tottenham, pelo Grupo J da Liga Europa. Os gregos seguraram os ingleses, mas o resultado não foi bom pra ninguém. Clique na imagem pra assistir!

Liverpool 2-3 Udinese

Pelo Grupo A, em Liverpool, os donos da casa saíram na frente. Mas a italiana Udinese mostrou que não está para brincadeira na Liga Europa.

05/10 – Campeonato Alemão

Augsburg 3-1 Werder Bremen

Pela sétima rodada do Alemão, o Augsburg, que ainda não havia vencido, derrotou em casa o Werder Bremen. O detalhe curioso: Baier, de falta, fez o terceiro gol dos donos da casa. Não, não é Paulo; é o alemão Daniel Baier. Parentes?

07/10 – Campeonato Português

Porto 2-0 Sporting

Em Portugal, teve clássico: Porto e Sporting se enfretaram no Estádio do Dragão. Com direito a um golaço de calcanhar, os Dragões engoliram os Leões em jogo com polêmica arbitragem.

 

No clássico dos italianos, quem decide é o japonês voador

Inter x Milan? Que nada! Foi em Santa Felicidade que o sangue italiano ferveu

por Ana Claudia Cichon*

O caminho rumo ao estádio Francisco Muraro, palco da partida deste sábado (6), já trazia um ar do duelo italiano. Os restaurantes típicos de Santa Felicidade – com o tradicional cardápio de frango, polenta e risoto, além de um belo vinho – serviam como aperitivo aos torcedores que aproveitaram o dia ensolarado para acompanhar mais uma rodada da Suburbana.

Trieste e Iguaçu, ou o clássico da polenta, representam uma das maiores rivalidades do futebol amador de Curitiba.  Desde a década de 1940 imigrantes italianos se reuniam nos campos para acompanharem seus conterrâneos em partidas disputadíssimas. “Já vi jogador discutindo com adversário e brigando com torcedores, mulheres de sombrinha e vestidos longos torcendo por namorados ou familiares, jogos de muitos gols, lances inusitados e outras situações que só jogos entre estes dois clubes proporcionam”, conta Leônidas Dias, um dos maiores radialistas esportivos do Paraná, que há anos dedica-se ao futebol amador do estado.

Nas arquibancadas ainda é possível ouvir algumas vozes com aquele sotaque típico, seja nas conversas informais do intervalo, nos cantos de incentivo às equipes e até mesmo no bate-papo com os presidentes e diretores dos times, mas já não se vê descendentes do país da pizza defendendo os clubes. Tanto é que o grande destaque da partida foi Hideo, o japonês voador.

Com 34 anos, Hideo Garcia ainda está voando nos gramados. A velocidade, as jogadas inesperadas e, claro, a origem oriental, lhe renderam o apelido de japonês voador. “Quem inventou isto foi o Chicora [narrador esportivo da equipe Rolando a Bola], por eu ser um jogador rápido e com boa movimentação”, explica.

Entre idas e vindas, já soma seis anos no futebol amador, sempre com muita dedicação e esforço. “Hoje para mim já é um trabalho, algo que eu realmente faço por amor”. Hideo teve passagens por alguns clubes do futebol profissional, como Paraná Clube, Locomotiva (Rússia) e CFZ, mas acabou retornando ao futebol varzeano, onde já foi eleito destaque em diversos campeonatos e vem conquistando títulos, como a Suburbana de 2011 pelo Bairro Alto e a Taça Paraná deste ano pelo Internacional de Campo de Largo. E para esta temporada espera levantar mais um caneco.

  • O jogo 
Antes do jogo, tudo em paz. Depois… (Foto e Vídeos: Ana Cichon)

Como todo clássico, a partida foi bastante disputada e o árbitro José Mendonça da Silva Jr. teve trabalho para acalmar os ânimos dentro e fora de campo. Foram entradas duras, diversos cartões amarelos e discussões com os bancos de reserva, principalmente no lance mais forte da partida – uma falta justamente no jogador Hideo, que rendeu reclamações dos dois lados.

Apesar do jogo nervoso, o primeiro tempo foi bastante morno, com poucas chances de gols. Mas já no início da segunda etapa o Iguaçu abriu o placar com Clé e passou a dominar a partida, principalmente com as jogadas do japonês voador, que se define como o equilíbrio do time. “O Juninho [treinador do Iguaçu] orienta para que todas as bolas passem por mim”, ressalta. E foi justamente em jogada de Hideo que surgiu o lance para o segundo gol da equipe alvinegra. Em cobrança de pênalti, Marlon ampliou o marcador.

Clássico italiano ferveu em Santa Felicidade (Foto e vídeos: Ana Cichon)

Atrás no placar e precisando de um bom resultado para continuar na briga para classificação para a próxima fase, o Trieste foi para cima e conseguiu descontar com Zico, em jogada pela direita. Mas foi só. O Iguaçu segue na liderança do grupo, com 10 pontos, enquanto o Trieste, após dois empates e uma derrota, está em terceiro lugar, com apenas 2 pontos.

  • Curiosidade

O trio de ferro da capital esteve bem representado no embate deste sábado. Pelo lado o Iguaçu, a dupla Atletiba: Flávio (ex-zagueiro do Coxa) e Luisinho Netto (ex-lateral direito do Furacão). Já o Trieste contou com o ex-zagueiro paranista Ageu que, fora de ritmo, saiu ainda no início do primeiro tempo.

Trieste: André, Rafael, Zico, Baloi, Ageu (Dalton), Raul, Aroldo (Dudu), Goiano, Flávio, Malzoni e Edvaldo (Edu). Técnico: Rossano

Iguaçu: Vilson (Leandro), Murilo, Flávio, Luciano, Emerson, Luisinho Netto, Hideo, Nilvano (Clé), Douglas, Marlon e Guilherme (Jé). Técnico: Juninho

  • Resultados da rodada

Trieste 1×2 Iguaçu
Novo Mundo 0x1 Bairro Alto
Combate Barreirinha 2×1 Santa Quitéria
Nova Orleans 3×3 Urano

*Ana Claudia Cichon é jornalista e acompanha o futebol amador de Curitiba

Ex-atleticano decide jogo contra “Furacão” Bairro Alto

Mesmo sem Alex Mineiro e com Nem nas cabines, Bairro Alto contou com a estreia de Marcão, mas não conseguiu segurar o Iguaçu e a perna direita diferenciada de Luisinho Netto

por Ana Claudia Cichon*

Aos 38 anos, Luís Idorildo Netto da Cunha – ou Luisinho Netto, aquele mesmo, que a torcida do Atlético não se cansou de aplaudir – vem desequilibrando as partidas pelo lado do Iguaçu. O pé direito parece estar sempre calibrado, e a bola, velha conhecida, sabe exatamente qual direção tomar ao ser tocada, seja num passe, cruzamento, cobrança de falta ou escanteio.

O segredo do sucesso? “Após os treinos, fico cerca de meia hora treinando. Tenho o respaldo do Juninho [técnico da equipe], que deixa sempre um goleiro para me ajudar. É um hábito que eu tenho e vou levar até parar de jogar”.

Com dedicação admirável, Luisinho é o líder da equipe. Carrega a faixa de capitão e faz jus a ela dentro de campo. Orienta os atletas, cadencia o jogo quando necessário e troca muitas ideias com outro veterano que faz parte do elenco do Iguaçu: o zagueiro Flávio, ex-Coxa. E tudo isso sem deixar de ser ídolo: ao final da partida de sábado (29), contra o Bairro Alto, um torcedor entrou no gramado e pediu para Luisinho Netto autografar sua camisa do Atlético.

  • Amador desde cedo

Além da passagem pelo Furacão, Luisinho defendeu clubes como Atlético-MG, Sport, Inter, São Paulo e Cruzeiro. O início no futebol, porém, foi no amador, no clube de sua cidade natal – Cachoeira do Sul (RS). “A diferença para o profissional é bastante grande, mas é um campeonato muito gostoso de jogar”.

E o atleta tem propriedade para falar. Na sua segunda temporada pelo futebol amador de Curitiba já levantou três canecos. Pelo Internacional de Campo Largo conquistou o bicampeonato da Taça Paraná, em 2011 e 2012, e no ano passado chegou ao título da Suburbana com o Clube Atlético Bairro Alto.

“A expectativa para este ano? Ser campeão, é claro”.

  • O jogo

No jogo deste sábado (29), disputado contra o Bairro Alto no estádio Pedro de Almeida, a bola parada de Luisinho Netto fez a diferença novamente. Depois de sair atrás no placar (Marcelo Tamandaré marcou de pênalti), o Iguaçu conseguiu o empate na cabeçada de Douglas. E de onde veio a bola? Cobrança de falta de Luisinho Netto, é claro. A jogada se repetiu no terceiro gol da equipe de Santa Felicidade, mas desta vez com a conclusão do atacante Marlon.

  • Duelo atleticano na lateral 
Luisinho Netto de um lado, Marcão de outro (Foto: Ana Cichon)

O embate de sábado marcou a estreia de outro ‘ atleticano galáctico’ na equipe do Bairro Alto. O lateral esquerdo Marcão, que defendeu o Furacão em 2004 e 2005, se juntou aos campeões brasileiros de 2001 Rogério Correa, Alex Mineiro e Nem para ajudar o Caba na busca por uma vaga nas semifinais da Suburbana.

(Nem, aliás, deixou o cargo de técnico do Bairro Alto nesta semana e agora segue em recuperação para voltar aos gramados, conforme antecipado pelo blog na última postagem).

E logo em sua primeira partida, Marcão travou um duelo rubro negro na lateral do campo, justamente com o personagem da partida. Ele e Luisinho Netto não chegaram a jogar juntos pelo Atlético, mas são referências em suas posições na história do clube, além de grandes amigos. “Toda a semana nos encontramos para jogar society. Foi uma feliz coincidência estar presente na estreia dele na Suburbana”, conta Luisinho.

Bairro Alto: Dida, George, Rogério Correa, Luciano, Juninho (João Paulo), Marcão, Zé Nunes, Massai, Marcelo Tamandaré, Caio e Fábio (Edmílson). Técnico: Bananinha

Iguaçu: Leandro, Murilo, Flávio, Luciano (Márcio), Émerson, Ricardo (Marlon), Luisinho Netto, Douglas, Nilvano, Laércio e Guilherme (João Vitor). Técnico: Juninho

  • Resultados da rodada

Bairro Alto 1 x 3 Iguaçu
Novo Mundo 0 x 0 Trieste
Nova Orleans 4 x 6 Combate Barreirinha
Urano 2 x 2 Santa Quitéria

*Ana Claudia Cichon é jornalista, apaixonada por futebol e pela Suburbana.