Coritiba reencontra último adversário que não derrotou no Estadual

Daqui a pouco, no Couto Pereira, o Coxa recebe o Arapongas, duelo de dois times invictos pela 5a rodada do Campeonato Paranaense 2012 (também estão invictos Cianorte e Atlético, que se enfrentam amanhã).

O jogo tem mais um ingrediente: o Arapongão foi a última equipe, em campeonatos estaduais, que não foi batida pelo Coritiba. Foi na 5a rodada de 2011, em 30/01. Relembre o jogo:

De lá para cá, o Coxa emplacou 21 vitórias consecutivas. Eis a série:

2011
Arapongas 1-1 Coritiba
Coritiba 5-0 Iraty
Rio Branco 1-4 Coritiba
Corinthians-PR 1-2 Coritiba
Coritiba 3-0 Roma
Coritiba 4-2 Atlético
Cianorte 1-2 Coritiba
Coritiba 3-2 Operário
ACP 0-3 Coritiba
Coritiba 4-2 Paraná
Cascavel 0-3 Coritiba
Coritiba 2-0 Arapongas
Iraty 2-4 Coritiba
Coritiba 6-2 Rio Branco
Coritiba 1-0 Corinthians-PR
Roma 1-4 Coritiba
Atlético 0-3 Coritiba
Coritiba 2-0 Cianorte

2012
Toledo 0-2 Coritiba
Coritiba 2-0 Corinthians-PR
Coritiba 5-1 Iraty
ACP 1-3 Coritiba

O técnico do Arapongas é o uruguaio Darío Pereyra, que dirigiu o Coritiba em 1998. Foi o segundo clube da carreira do treinador, que destacou-se como jogador do São Paulo FC, onde também começou a ser técnico. Darío estava aposentado desde 2004, quando perdeu prematuramente a esposa. Voltou ao futebol nesse ano, a convite do Arapongas.

90 minutos no epicentro do futebol mundial

“Nesse mês fui ao meu primeiro Real Madrid x Barcelona em pleno Santiago Bernabéu. E o que eu não vi foi futebol…. Aquilo lá é outra coisa”

por Isabela Sperandio*

Real e Barça: mais que um jogo (foto: USA Today)

Há muito tempo digo que o futebol no Brasil é pouco profissional. Quando as pessoas comentam que é “um absurdo os jogadores ganharem tanto dinheiro”, eu discordo. Por que é um absurdo o Özil ganhar milhões de euros e a Angelina Jolie não? Ela aporta mais à sociedade do que o Messi? Para algumas pessoas pode ser que sim, para mim não. Também podemos olhar desde o ponto de visto da economia: Messi e Cristiano Ronaldo são “ativos” de duas das empresas esportivas mais valiosas do mundo. São investimentos amortizados e rentabilizados em negociações publicitárias, venda de camisetas, entradas para jogos, etc… Para mim, que moro na Espanha há 4 anos, o futebol é claramente um negócio maduro e rentável, mesmo em um país em crise.
E foi só depois desses 4 anos que eu tive a oportunidade de ir ao Santiago Bernabéu ver um jogo entre Real Madrid e Barcelona (que ganhou por 1 x 2, no jogo de ida da Copa del Rey – veja os gols abaixo). E posso garantir para vocês, um jogo desses impressiona: é muito mais do que futebol.

Quando os esportistas chegam a um nível tão alto de desempenho e superação, o quê se vê é um espetáculo com todas as letras. Velocidade, disputa e muita inteligência. Não tem corpo mole, nem chutão ou tempo perdido. É futebol do princípio ao fim. Apesar de o Real ter jogado muito menos do que esperávamos, do Mourinho ter decepcionado os torcedores brancos e do Cristiano Ronaldo ter atacado menos do que gostaríamos, não tenha dúvidas de que os 90 minutos foram intensos. Principalmente após o gol de Cristiano Ronaldo no primeiro tempo. Depois disso começou uma nova etapa na partida: muita marcação, corpo a corpo e especial velocidade nas disputas de bola.
Os dois times se movimentam sem parar, cada passe é feito com uma precisão cirúrgica e, naquele clássico, a estratégia do Barcelona ficava clara. Nós estamos acostumados a ver esse time na televisão – sabemos que seu futebol está baseado no toque de bola – mas, ao vivo, impressiona ainda mais. O Barça é uma equipe com todas as letras: todos os jogadores trabalham pelo bem do time e se ajudam durante o tempo inteiro.
Já o Real Madrid tem um jogo mais individual, cada um quer mostrar seu talento, o quê prejudica o toque de bola e o futebol. Muitos chamam o jogo de Mourinho de anti-futebol, e não estão completamente errados. Depois do empate de Puyol ainda no primeiro tempo, um Real ultradefensivo e perdido em campo passou a apelar para uma marcação mais forte e violenta.
Faltas, como o pisão infame do Pepe na mão do Messi ainda no chão, não foram suficientes para tirar o brilho do espetáculo e de um Barcelona que teve seus jogadores saindo de campo aplaudidos em pleno Bernabéu e que venceu por 1 x 2 com um gol de Abidal no segundo tempo.
O Barça deu uma lição de futebol ao Real Madrid dentro da sua própria casa. E não foi a primeira vez: durante a Era Mourinho, que começou em 2010, foram 11 enfrentamentos com apenas 1 vitória do Real Madrid e 3 empates.
O jogo de volta da Copa del Rey era decisivo, apenas um dos dois clubes se classificaria para a seguinte fase e o Barcelona a conquistou, depois de um empate de 2 x 2 (veja os gols abaixo). Nesse jogo vimos um Real Madrid mais lutador e unido. Outro espetáculo, que deixa claro duas coisas: o Barça é obviamente superior ao Real Madrid em qualidade de jogo e em equipe. E a Espanha, apesar de viver uma das maiores crises da sua história, é o país que tem o melhor futebol da atualidade.

*Isabela Sperandio é jornalista, curitibana residente em Madrid.No blog Igualzinho ao Brasil, ela conta o cotidiano espanhol e as comparações entre os países; no texto, contou com a colaboração de Raul Suhett.

Exclusivo: veja uma das novas camisas do Coritiba

Amanhã, a Nike lança a nova linha de uniformes do Coritiba.

O modelo abaixo foi confirmado por mim com uma pessoa ligada ao Coritiba e ao projeto e será a camisa 3: monocromática, com formato polo. Confira:

Update: Muitos leitores têm dado falta do patrocínio principal, da BMG. Ele estará na camisa a ser apresentada, apesar de não constar no modelo acima. Outras fotos já circulam pela internet, como essas postadas no blog Minhas Camisas e reproduzidas abaixo. Ainda vale ressaltar que esse é o uniforme 3 e é preto e branco (monocromático) e não azul, como pode parecer. E, claro, a diretoria só vai se manifestar amanhã, mas a fonte que confirmou o modelo é de inteira confiança.

Mais fotos:

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 01/02/2012

Governo encampa potencial construtivo pela Arena 2014
O Governo do Paraná, através do FDE (Fundo de Desenvolvimento do Estado) vai bancar o financiamento de R$ 90 milhões (mais correções previstas em lei) na obra da Arena, o que corresponde aos 2/3 estatais na parceria com o Atlético pelo estádio da Copa 2014. A operação passa pelos títulos de potencial construtivo, concedidos pela prefeitura em cima da área da Arena. Os títulos podem ser negociados no mercado pelo clube e revertidos em nova modalidade de zoneamento urbano em construções.  O que o Governo está fazendo, no entanto, é receber os títulos como garantia do pagamento do financiamento estatal. “É um recebível do Atlético, como uma duplicata. O FDE é agente financeiro, vai vender os títulos para o clube”, exemplificou Luís de Carvalho, gestor da Copa na Prefeitura de Curitiba. Carvalho defende que o Estado ainda ganhará dinheiro com a operação. “A prefeitura de Curitiba vendeu 45 milhões ano passado”, disse, enquanto entrava em uma reunião no Rio de Janeiro, ao lado de representantes do Gov. Estadual e da CAP S/A, com a Fifa, para demonstrar o andamento das negociações. Além disso, hoje haverá reunião com os 16 moradores do entorno da Arena para a desapropriação das áreas, cujo decreto já foi assinado na prefeitura. Haverá ressarcimento, mas o Estado não conta com recusas: “Ainda não chegou ao momento de dizer não ou sim. Quem disser não vai ter que discutir na justiça. Já é fato. Está tudo bem encaminhado”, encerrou.

Roupa nova, mas não pra já
Na sexta-feira o torcedor do Coritiba irá conhecer a nova camisa do time para a temporada 2012. A expectativa é grande, já que a troca de material esportivo mexeu com os ânimos: sai a italiana Lotto entra a americana Nike. No entanto, o Coxa ainda não sabe se poderá estrear as camisas já no jogo de sábado, contra o Arapongas, no Couto Pereira. O clube ainda não recebeu a remessa inicial e além disso pretende organizar uma festa local para o anúncio da parceria. O lançamento de sexta será no Rio de Janeiro.

Campanha nas ruas
Hoje o marketing do Coritiba começa uma campanha institucional, aproveitando o mote “O Mais Vitorioso do Mundo”, slogan criado a partir do recorde de vitórias consecutivas registrado no Guinness Book. A campanha extrapola a marca coxa-branca e pretende valorizar as coisas do Paraná, trabalhando a mensagem “torça também para um time do seu estado” – com a sugestão de que seja pelo Coxa. A campanha será direcionada a Curitiba e Região Metropolitana, mas também será itinerante, acompanhando as viagens do Coritiba no Paranaense.

Caráter: passe adiante
O atacante equatoriano Joffre Guerrón chegou ao Atlético como a então contratação mais cara do futebol paranaense: US$ 1,8 mil em 2010. Destaque na LDU que venceu o Fluminense na Libertadores de 2008, nunca justificou o custo, mas demonstrou que não está preocupado com o clube com o qual colaborou a derrubar para a Série B, em entrevista ao Portal FutbolEcuador.com: “Estão pedindo alto e os clubes recuam. Fico mal porque houve possibilidades. O São Paulo me queria. Disse ao técnico [JR Carrasco] que quero sair, não tenho cabeça para ficar. Meus objetivos são outros, não quero ficar parado”, disse em tom de desabafo, esquecendo de fazer a conta entre o quanto custou e o quanto rendeu ao clube paranaense.

Cover da semana #1 – Coritiba-SE

Estreando hoje quadro novo aqui no blog: é o cover da semana. Falarei de um clube cujo nome seja inspirado em outro, contando uma rápida história de ambos. E também, de acordo com o sucesso do cover, um parelelo entre uma música e sua versão cover. Comente e sugira novas equipes e músicas logo abaixo!

Cover da semana #1:  Coritiba Foot Ball Clube, de Itabaiana, Sergipe

Coritiba-SE: homenagem ao Coxa começou no futsal

Cover de quem? O Coritiba-SE é uma homenagem ao paranaense Coritiba Foot Ball Club. Fundado em 1972, o Coxa sergipano foi criado no futsal, migrou para o futebol de campo, mas não obteve o sucesso do xará; hoje está reativado no futsal de Sergipe.

Qual versão é melhor? O Coritiba original, fundado em 1909, tem 35 títulos estaduais e 4 nacionais, sendo um deles o da primeira divisão brasileira em 1985; o cover mandou e desmandou no futsal do Sergipe nos anos 90, com um heptacampeonato entre 93-99 e o título da Copa Nordeste de Futsal de 92; quando migrou para o gramado, conseguiu apenas um título, a segunda divisão estadual de 1999.

Como foram compostos? O Coritiba original foi fundado em 1909 em Curitiba por um grupo de desportistas alemães, em especial Fritz Essenfelder, que foi quem trouxe pela primeira vez uma bola para o Estado do Paraná; o cover surgiu em 1972, fundado por Wilson Gia da Cunha, que residiu em Curitiba e ficou admirado com a equipe dos anos 70 do Coxa, que venceria o Torneio do Povo e um hexacampeonato estadual naquela época.

A capa do álbum:

O original, o cover em 1ra versão e o escudo da fusão com o Itabaiana

E na guitarra?

Uma boa comparação são as versões de “Goin’ Blind”, do KISS, banda que ao exemplo do Coxa, teve anos dourados entre 70’s e 80’s, e do Dinosaur Jr, grupo que apareceu na onda do Grunge nos 90’s.

A versão original ganhou uma ótima releitura no álbum MTV Unplugged, de 1999. A versão original é do disco Hotter than Hell, de 1974 – dois anos depois da fundação do Coxa sergipano.

Eis a versão original:

E esse é o cover. Convenhamos, bem ruinzinho:

Semana que vem vamos apresentar o Atlético Paranaense do… Paraguai! Já na fila estão o Londrina-RS, o Roma, o Corinthians-PR e alguns outros mais. Enquanto isso, comente o quadro abaixo e faça sugestões de times e músicas também!

FAQ

Muitos assuntos espinhosos nos últimos dias, em especial a disputa jurídica entre FPF e Coritiba pela cessão do Couto ao Atlético. Achei mais fácil usar o sistema FAQ (Frequently Asked Questions, ou, no portuga, Perguntas Frequentes) para tentar esclarecer os pontos dessa e de outras questões. Para tanto, falei com a maioria dos personagens envolvidos na história e reuni reportagens anteriores. Quando exigido, dei minha opinião – que nunca teve a pretensão de se tornar verdade absoluta. Espero colaborar com o tema e manter esse canal aberto. Vamos lá?

Com a indicação do Janguito Malucelli, a ação da FPF perde objeto, ou seja, deixa de ter razão de ser?

Não. Mas o Coritiba pode tentar fazer com que o STJD entenda que sim. A verdade é que a indicação do Eco-Estádio (JM daqui pra frente) é um paliativo: o Atlético não tem pra onde correr e acertou com o Corinthians-PR para jogar lá até que ache uma solução que abrigue seus  17 mil sócios. Cabe ao Coritiba anexar ao processo o acordo entre FPF, Corinthians local e Atlético e o STJD pode entender que o caso está resolvido. No entanto, é difícil que isso aconteça sem a anuência das partes – no caso, sem que a FPF retire a ação. A ação pode perder objeto em outro caso também: se o julgamento ficar marcado após o fim do estadual.

Porque a FPF comprou a briga do Atlético e está forçando o Coritiba a emprestar o estádio?

Hélio Cury responde: “Faríamos o mesmo por qualquer filiado que precisasse da FPF. O Atlético indicou e a Federação entende que o Estatuto deve ser cumprido.” Na verdade, além as palavras do presidente, o próprio ofício da FPF ao Coxa já responde a questão: o Atlético está cedendo o estádio à Fifa para a Copa 2014. A FPF, subordinada a CBF, está defendendo os interesses do Mundial. A ação é legal? É, está dentro da justiça. É moral? Talvez. Moral cada um tem a sua. Fato é que o Atlético não tem onde jogar e isso não é problema do Coritiba, mas os clubes poderiam (incluindo o Paraná) ter pensado nisso muito antes.

Teorias envolvendo política? Não comento.

Domingos Moro vai defender o Atlético contra o Coritiba?

Pra quem não sabe, o advogado Domingos Moro é conselheiro vitalício do Coxa e advogado permanente do Furacão. Nunca precisou defender o cliente contra o clube do coração, mas terá de decidir se o fará caso o Atlético resolva entrar como terceiro interessado no recurso da FPF. “Não vou falar sobre hipóteses, entendo a necessidade ética do caso e na hora certa, decidirei entre a paixão e a razão”, me disse Moro, sem antecipar posição.

O que você faria?

Qual sua posição sobre o tema Empréstimo do Couto?

Acredito, e não é de hoje, que um bom acordo entre Atlético e Coritiba poderia ter evitado todo esse desgaste. O Atlético requer o Couto pelo número de sócios que têm; o Coritiba poderia ter lucrado com o negócio. Não aconteceu e a coisa ficou insustentável quando passou a ser uma imposição. Foi uma prova de como somos tacanhos: precisava ir à justiça? Desde então virou questão de honra. E vocês sabem melhor que eu: futebol é paixão.

Ninguém mais escapa ileso moralmente: alguém perderá. Porém discordo de todos que temem uma praça de guerra: isso é futebol, gente. Se o Atlético jogar no Couto por imposição da CBF, Fifa, FPF ou do Papa, o Coritiba tem que ir buscar o que deve na justiça e acatar a lei; se não, o Atlético tem que arrumar um lugar que comporte seus sócios, aqui ou no Uruguai, e ressarcir aqueles que forem relegados no valor das mensalidades. E ponto. Nada de sair no cacete na rua. Até porque normalmente é você, torcedor, que volta pra casa de olho roxo ou acaba na cadeia. Ou no cemitério.

E o Paraná? A indicação é pelo Couto, logo, não está em questão.

E o rodízio de sócios no Janguito?

A informação é extra-oficial e está em estudo no Atlético. É simples: o clube analisa se distribuirá senhas e quem chegar primeiro, leva.

A Arena está sendo construída com dinheiro público?

Não. Pelo menos até aqui, uma vez que uma questão importantíssima ainda não foi esclarecida: como serão feitas as desapropriações no entorno do estádio? Só o governo pode desapropriar algo e esse sistema nunca foi colocado a público.

Mas o potencial construtivo, benefício concedido até agora, não é dinheiro público. Pelo contrário, acredite, a prefeitura sai no lucro. Quem explica é o ex-vice-presidente do Sinduscon-PR, Sérgio Buerger: “A concessão dá a prefeitura uma moeda. Ninguém perde nada com isso. Encontra-se uma maneira de financiar o negócio com o interesse do mercado privado.” Aqui, uma matéria de 2010 explicando esse papel do governo cedido ao Atlético.

Então, não há dinheiro público legalmente, mas e os direitos de Coritiba e Paraná nessa?

Segundo Luiz de Carvalho, secretário da prefeitura na Copa, como o Atlético recebeu autorização para transformar papéis de potencial construtivo no valor de R$ 80 milhões, foi pedido um prazo de carência para a emissão de novos títulos. No entanto a lei municipal beneficia os dois clubes, que podem requerer o uso quando entenderem e após a tal carência – certamente após a venda dos atuais títulos.

E o BNDES vai aceitar isso como garantia?

Tudo indica que não. Não há uma resposta sobre o tema: Mário Celso Petraglia ainda não concedeu entrevistas, não escreveu nada no Twitter ou Facebook e tampouco colocou algo no site oficial. Mas o colunista Augusto Mafuz, advogado notadamente ligado às coisas atleticanas, disse hoje em sua coluna que Petraglia pode colocar o CT do Caju como hipoteca. Sim, eles são desafetos e há que se ter cuidado com essa informação. Mas enquanto ninguém se manifesta oficialmente, é o que tem de resposta.

E você quer dizer que o Atlético não vai ser beneficiado?

Jamais! O clube é um dos grandes beneficiados, lógico. Qual seria chance de se construir um estádio Fifa sem a Copa? Não dá pra tapar o sol com a peneira e quem nega isso é muito cara de pau.

Porque o Paraná, que precisa de dinheiro, não aceitou a proposta do Atlético?

Isso foi respondido na nota oficial do clube: o valor ficou abaixo daquilo que o Tricolor entende como preço de mercado. Nessa questão, ao menos teve diálogo e negócio. Aceitar e acertar são outras coisas.

Cara, eu não engulo essa coisa da Copa ser de Curitiba!

Paciência. Pra mim, é. Pra Fifa, também: são prefeitura e Estado que tem assinatura para sediar o evento. O Atlético é um parceiro, como o Inter no RS.

Fato é que Curitiba nunca se vendeu como cidade-sede: não há marketing, não há interesse a não ser na hora das fotos. Roberto Requião, Beto Richa e Luciano Ducci nunca deram muita trela pro evento. Orlando Pessuti foi quem mais se empenhou. E usar a camisa do Atlético em algumas ocasiões não colaborou muito para que coxas e paranistas tivessem mais simpatia pela Copa. Assim como existe a disputa natural pelo estádio privado ficar com a sede.

Mas isso não diminui a importância do Mundial para a cidade, desde a vinda do PAC até o legado que (esperamos) ficará. É lucro para o comerciante, o hoteleiro, o empresário, o taxista, pra quem estiver pronto para o evento, seja da cor que for. Ah!, sim, seria interessante que o Estado já tivesse começado algumas ações nesse sentido. Mas…

Qual seu time do coração?

Essa pergunta foi feita inúmeras vezes, passou pelo pessoal do TJD-PR essa semana, e volta a tona quase que diariamente para quem trabalha em jornalismo esportivo.

É claro que eu tenho um time. Quem não tem e trabalha com jornalismo esportivo está no ramo errado. Só que não acho essa informação relevante. Ela não decidirá nenhum dos temas acima, não fará gols e nem mudará resultados. É a informação mais básica de futebol que eu tenho – o time que eu torço – mas isso é particular.

Meu time do microfone/computador/câmera para frente é a ética e o profissionalismo. Amo o que faço e faço com dedicação e seriedade extrema. Tem gente que mede as pessoas com a própria régua e julga: “fulano escreve isso porque torce pro time tal.” Certamente, fulano vai mal das pernas no trabalho. Temos que amadurecer alguns conceitos e respeitar o trabalho dos outros. Sim, eu mexo com a paixão de vocês e nem sempre com notícias boas, mas tá no preço. Alguém tem que fazer. Acredite, é trabalho, não é lazer. Pergunte à minha esposa.

Todo jornalista tem um time, um partido político, uma ideologia. Somos humanos, oras! Ok, eu sei que alguns não parecem. Mas eu particularmente gosto muito dessa interatividade com vocês. E humanos erram. Só que há uma distância muito grande entre errar e ser corrompido. E eu não admito qualquer tipo de insinuação quanto a minha conduta ética e profissional: rede social não é boteco e pode ser documentada. Então, se acusar, tem que provar. Combinado?

Dito isso, volto ao tema: não importa. Importa é que você seja bem informado, com isenção e precisão – não confundir com pressa – e também possa manifestar sua opinião. É pra isso que criei o blog, com o incentivo do Léo Mendes Júnior, meu goleiro nos tempos de pelada. Aliás, aquele sim era o meu time.

Agradecimento especial aos vários leitores do Twitter e também aos que comentam aqui no blog, que enviaram as perguntas acima. Ia citar os nomes junto a cada questão, mas era muita gente e alguns eu só conheço por @algumacoisa, o que certamente não está no RG.

(Nem tão) Pequenas doses de informação

Ainda Couto e Atlético

A FPF entrou agora há pouco com seu recurso junto ao tribunal e já pediu um efeito suspensivo sobre a decisão do TJD-PR. Caso consiga, poderá marcar Atlético x Roma, na próxima quarta-feira, para o Couto Pereira. “Nossa idéia é fazer isso o mais rápido possível, para garantir essa rodada”, disse o advogado Juliano Tetto, da FPF. Quem concede ou não o efeito é o STJD.

“Nós já imaginávamos isso, sabíamos que ontem era apenas o primeiro tempo”, disse-me o advogado Gustavo Nadalin, do departamento jurídico do Coritiba, sem querer se aprofundar muito no tema. O clube ainda espera para saber se o efeito será ou não dado pelo STJD. O CBJD não prevê recurso ao efeito, caso seja dado. Trocando em miúdos: se o STJD conceder o efeito, o jogo do Atlético poderá ser marcado para o Couto. Nadalin está no Rio de Janeiro.

Agora, assista a reportagem abaixo:

A última frase do advogado do Atlético, Domingos Moro, no vídeo acima, também é enigmática. O Rubro-Negro não entrou como 3o. interessado na ação e nem poderia fazê-lo se a FPF não recorresse. O Atlético não tinha esse direito; agora tem e aí sim Domingos Moro pode entrar em cena. E teria um dilema pessoal a resolver: é conselheiro vitalício do Coritiba, que nessa disputa seria seu adversário.

Falei com Moro que prefere não antecipar o assunto. Diz que tudo depende ainda da FPF e que no momento certo tomará sua decisão. Fato é que ele mesmo considera antiético ocupar a cadeira no conselho e defender outro interesse nesse caso – que seria o primeiro, desde que destacou-se no direito esportivo, em que teria que trabalhar contra os interesses do Coritiba. Pela conversa, entendi que caso as coisas cheguem a esse ponto, ou ele se afastará do caso, quiça abrindo mão de seu emprego no Atlético, ou renunciará ao conselho do Coritiba. Esperemos.

Ainda sobre o que pode haver no STJD, recomendo esse post de agosto de 2011. Ele explica as razões que podem fazer a CBF requisitar o Couto Pereira para o Atlético nas suas competições, leitura que poderia induzir uma compreensão igual no caso da FPF.

As respostas não devem tardar, até porque a Federação tem homologado duas rodadas por vez. Logo, deverá fazer até amanhã isso em relação aos jogos do meio da semana que vem.

Janguito

Como antecipado ontem no Metro Curitiba, o Atlético entrou em contato com a diretoria do Corinthians-PR para tentar acordo para jogos no Eco-Estádio Janguito Malucelli. Extra-oficialmente, como o estádio comporta 5 mil pessoas mas uma carga de 10% deve ser destinada aos visitantes, comenta-se que o clube pode fazer um rodízio entre os sócios, com distribuição de senhas.

Mas a informação do recurso da FPF pode mudar o quadro. Assim como o método no caso de eventual aluguel do JM ainda está em estudo.

Reforços

Diego Gaúcho já chegou ao Coritiba. Ele não é tratado como reforço, mas será avaliado pelos médicos e também pelo técnico Marcelo Oliveira. Abaixo, um vídeo dele garimpado pelo Léo Mendes Jr.:

Martín Liguera também já está treinando no Atlético, mas seu nome ainda não está no BID.

Nike

Segundo Gustavo Marques, repórter da CBN Curitiba, o evento envolvendo Coritiba, Inter, Corinthians e Bahia, para o lançamento da nova linha da empresa no Brasil, será no Rio de Janeiro no dia 02/02 – e não em 10/02, como havia sido dito anteriormente.

FAQ

Muitas questões tem chegado ao blog ultimamente, dado o volume de assuntos espinhosos. Prometo um FAQ com aquilo que tem em cima da participações de vocês em breve. E agradeço a visita! 🙂

Abrindo o jogo – coluna no Jornal Metro Curitiba de 25/01/2012

Couto e Atlético: primeiro capítulo se encerra a noite

O TJD-PR julga hoje, a partir das 19h, o recurso do Coritiba contra o empréstimo compulsório do Estádio Couto Pereira ao Atlético, mediante interpretação jurídica do artigo 46 da FPF. A Federação recorreu da liminar do Coxa e pretende fazer valer o texto que indica, literalmente, “São obrigações das entidades de práticas desportivas

(…) Ceder gratuitamente à FPF e às entidades superiores, quando requisitados, seus atletas e suas praças de desportos.” Para o Coxa, trata-se de uma leitura abusiva do estatuto. O pleno julgará o recurso; se mantido, o Coritiba segue sem a obrigação de alugar o estádio. Caso contrário, a FPF marcará os jogos do Atlético para o Alto da Glória. O Rubro-Negro não tomará parte direta na ação. A direção do clube optou por esperar à distância a definição judicial. Seja qual for o resultado, é apenas o primeiro capítulo: caberá recurso das partes no STJD, no Rio.

 Janguito à vista?

Irritado pela falta de apoio do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal na questão, uma vez que o Atlético está fora da Arena pelas reformas para a Copa 2014, o presidente atleticano Mário Celso Petraglia confidenciou a amigos que se a FPF, CBF, Fifa ou governos não intercederem e resolverem a questão, o clube poderá mandar os jogos no Estadual no Eco-Estádio Janguito Malucelli. Há dois detalhes pendentes: a iluminação para jogos noturnos e principalmente: comportar os quase 18 mil sócios atleticanos em 5 mil lugares – sem contar a carga de 10% para os visitantes. Caso se confirme, Petraglia pretende emitir 3,5 mil senhas para que os sócios mais ágeis na reserva freqüentem os jogos do Paranaense. Para o Brasileiro, diz ter uma carta na manga em relação ao Couto, o que causou mal estar entre Coxa e Paraná.

Triplo conflito; Brasileiro B no Couto?

Foi o Paraná quem trouxe à tona a informação: Petraglia teria tentado o empréstimo da Vila Capanema somente para o Paranaense, já que para a Série B já teria se acertado com o Coritiba. Uma nota oficial da presidência paranista pôs fogo no assunto. Talvez tentando explicar aos tricolores o porquê da falta de acordo financeiro com o rival, Rubens Bohlen revelou o suposto acordo; então foi a vez do Coritiba emitir nota assinada pelo conselho, repudiando a revelação e classificando a atitude paranista como “antiética e desprovida de bom senso.” Porém, sem negar em nenhum momento o suposto acordo. No fim da tarde de ontem, o Atlético também emitiu uma nota (ver abaixo).

Atletiba do marketing

O Coxa abre frente no setor de marketing e comunicação neste início de ano, em relação ao Furacão. Enquanto renovou com seu patrocinador máster e ocupou espaços nas mangas e calções, o Coritiba viu o Atlético perder a principal receita da camisa. Além da exposição maior, natural em função da disputa da Série A, o Coritiba ainda aproveita melhor seus espaços na imprensa, liberando com mais freqüência jogadores para entrevistas e imagens do CT; já o Atlético, que verá sua exposição reduzida na Série B, convive com a Arena fechada para obras e não exibe as placas de publicidade no CT do Caju, com raras janelas de entrevistas e imagens. E enquanto o Coxa fará parte de uma grande campanha nacional do lançamento da linha Nike em quatro clubes brasileiros, a partir de 10/02, o Furacão viu a Umbro, parceira desde 1997, adiar o lançamento dos novos uniformes, programados para a semana que passou.

Nota de repúdio

Eu, Napoleão de Almeida, jornalista e publicitário pós-graduado em gestão e comunicação esportiva, mantenedor deste nem tão nobre espaço, aproveito a onda de notas oficiais de repúdio entre os clubes paranaenses para manifestar meu repúdio a algumas questões acerca dos últimos acontecimentos:

– Um assunto tão sério quanto a realização da Copa do Mundo no Brasil esteja sendo tratado de forma tão amadora pelos dirigentes responsáveis na cidade de Curitiba, com um sem número de festival de erros cometidos desde 2007;

– A falta de diálogo entre as partes em busca de um denominador comum, a rivalidade besta e pequena que faz com que nossos clubes se apequenem enquanto o futebol de regiões como Santa Catarina, Bahia e Pernambuco se fortalecem e o conhecido quarteto SP-RJ-MG-RS segue na vanguarda;

– A falta de informações claras sobre temas relevantes como: origem e método de pagamento do financiamento da Arena e também o método e valores das desapropriações no entorno do estádio;

– A demora nas obras do mesmo estádio já citado, em obras para o Mundial;

– O método utilizado na requisição do Estádio Major Antônio Couto Pereira por parte do Atlético, via Federação e por caminhos judiciais;

– A resistência, em especial da torcida do Coritiba, em ver o clube alugando o estádio (mesmo antes da intervenção jurídica) a um rival que poderia lhe trazer rentabilidade financeira, seja no valor dos aluguéis, seja na valorização dos espaços publicitários. Ignorando solenemente também o fato que o Atlético jogou por anos a fio na praça alviverde, refutando a possibilidade de lucros aos lojistas do estádio, já atingidos pela restrição na venda de bebidas alcoólicas que, no entanto, não impediu episódios de violência mesmo após sua implantação.

– A lei citada acima, ineficaz no momento, e que será modificada para atender interesses comerciais durante o Mundial, como se os problemas supostos tivessem sido sanados;

– A falta de transparência nas ações das diretorias anterior e atual do Atlético na questão do aluguel do estádio, como se qualquer clube ou patrimônio estivesse a sua disposição e como se os cerca de 18 mil sócios não tivessem importância alguma na decisão, dada a demora em se buscar uma solução e o desleixo com os mesmos antes, durante e depois da partida contra o Londrina, em Ponta Grossa;

– À classe política do Paraná, ótima para aparecer na hora das fotografias, péssima na hora de tentar colaborar com o processo, abandonando o Atlético a própria sorte como se o evento Copa do Mundo Fifa 2014 não fosse da responsabilidade da Prefeitura e do Governo Estadual, como consta em contrato;

A inabilidade da diretoria do Paraná Clube ao emitir opinião desnecessária e até inoportuna ou intrometida, conforme a leitura, justificando o não-aluguel da Vila Capanema com um viés provocativo, como se houvesse outra razão melhor para não alugar o estádio do que a falta de um acordo comercial;

A falta de clareza e coerência na nota oficial-resposta do Coritiba, repudiando a mensagem da direção paranista, mas não negando claramente a informação e, pasmem, condenando o rival por não colaborar para o crescimento do futebol do Estado, como se a negativa de aluguel do estádio fosse exemplo de união;

A provocativa nota oficial-resposta-resposta da diretoria do Atlético, diminuindo a importância do Paraná Clube no cenário local, pregando uma irmandade não vista entre atleticanos e coxas (salvo se a nota paranista tiver fundamento) e presumindo que toda e qualquer vontade atleticana deva ser respeitada;

A tréplica da direção do Paraná, jogando para a torcida e dando sequencia a um looping infantil e sem perspectivas de melhora, incluindo ofensas pessoais ao presidente do Atlético – que pelo histórico não deixará barato e vai xingar muito no Twitter;

– Ao cenário num geral, lamentável e mostrando que o autofagismo curitibano está em cores vivas por todos os lados da cidade, que teve 5 anos para achar uma solução e não só não conseguiu, como: 1) não convence mais da metade da população que o evento é benéfico para a comunidade; 2) não faz uma ação de marketing envolvendo o Mundial; 3) não soluciona questões simples, como a novela do estádio; 4) perdeu a Copa das Confederações; 5) Abrigará apenas jogos da primeira fase em 2014; 6) arrasta-se numa sequencia infinita de erros que faz qualquer um perder a paciência.

Sem mais para o momento, subscrevo-me, de saco cheio.