“Time grande não cai!”

Não cai? Então é a hora de mostrar.

É um mantra atleticano. Algo que começou como uma provocação aos rivais (afinal, o Atlético já disputou a segunda divisão, mas o “não cai” é em virtude das quedas recentes de Coritiba e Paraná) mas que hoje é repetido por 11 em cada 10 rubro-negros na esperança de que o lema se faça real mais uma vez.

E chegou a hora de o Atlético provar, seguindo o lema, que é time grande.

Ainda que a máxima contradiza o que já aconteceu com Grêmio (2x), Fluminense (mais que 2x), Guarani, Sport, Bahia (foi até a Série C), Botafogo, Palmeiras, Coritiba, Atlético-MG, Vasco e até o Corinthians, se time grande não cai, é o momento de o Furacão mostrar que faz parte dessa selecionada casta de clubes.

O Atlético é o sexto time a mais tempo disputando o Campeonato Brasileiro. Perde para os nunca rebaixados Flamengo, Inter e Cruzeiro e para Santos e São Paulo, que não disputaram 1979 por opção (e eram mais de 90 clubes…). Subiu em 1995 e, apesar de ter passado perto em algumas ocasiões, sobreviveu. Namora com o rebaixamento há algumas temporadas (desde 2006), deu uma puladinha de cerca o ano passado com um honroso 5o lugar, mas esse ano o casamento parece inevitável.

Time grande que não cai, não pode se omitir da luta. Time grande joga em qualquer campo. Por isso, se é pra valer a máxima, o Atlético tem que ganhar do Bahia na marra em Salvador, na próxima quarta-feira. Se ganha, respira, volta a estar a dois pontos de deixar a famigerada ZR; se empata, segue na UTI, lutando contra o tempo. Mas se perder, verá um ou até dois adversários abrirem cinco a sete pontos de diferença. Três rodadas a menos, faltando 13 para o fim. Óbito (ou casório) com data marcada.

Não há outro caminho: chegou a hora de o Atlético fazer valer o status de time grande, de campeão brasileiro. Fazer o que o xará de Minas fez com ele: ganhar no terreno do rival (o Galo, há poucas rodadas, venceu o Atlético na Arena, 0-1). Fazer valer a estrutura do CT, os investimentos milionários em Morro Garcia e Guerrón (que estarão em campo), o estádio de primeiro mundo, etc, etc.

Há uma esperança: 2008. A Globo.com tem trazido comparações rodada a rodada com outros torneios de pontos corridos. Com 24 rodadas, naquele ano, um desacreditado Atlético tinha 23 pontos, mesma pontuação atual, dois a menos que o Fluminense, primeiro time da ZR, com 25. Hoje o Altético-MG, primeiro logo acima, tem 24. E os primeiros times fora da ZR era o Santos, com 26 – hoje, o Bahia tem 27.

Um resgate história mostra a campanha atleticana dali em diante, que resultou na fuga, numa dramática vitória na última rodada sobre o Flamengo (5-3). Acompanhe (dados da Furacão.com):

24a. rodada – Goiás 4 x 0 Atlético – Mais um sintoma do rebaixamento próximo: goleado.
25a. rodada – Atlético 2 x 0 Portuguesa – Vitória em casa na marra. Parecia que o time embalaria.
26a. rodada – Atlético 0 x 0 Grêmio – Drama em casa e nova estacionada.
27a. rodada – Coritiba 1 x 1 Atlético – Rafael Moura abriu o placar, mas Ariel freou o Atlético.
28a. rodada – Santos 4 x 0 Atlético – Goleado por um adversário direto. Três jogos sem vencer.
29a. rodada – Atlético 1 x 3 Fluminense – O famoso jogo do pênalti com a mão de Rafael Moura. Aqui, o Atlético foi dado como morto.
30a. rodada – Inter 2 x 1 Atlético – Em cinco jogos, dois pontos ganhos. Mas a sorte ajudou: era só um ponto para sair da ZR, abaixo de Náutico e Portuguesa. Faltavam 7 jogos.
31a. rodada – Atlético 1-0 Cruzeiro – Rafael Moura voltou a aparecer.
32a. rodada – Vasco 2-2 Atlético – O Furacão ia quebrando o tabu de nunca vencer em São Januário, mas Madson empatou aos 42/2T. Mas a distância ainda era só de 1 ponto para Lusa e Timbu.
33a. rodada – Atlético 1-0 Sport – Rafael Moura, aos 46/2T, numa cabeçada inacreditável, garantia três pontos e a saída da ZR. Pasmem: o time pulou do 18o. para o 14o. lugar.
34a. rodada – Figueirense 0-2 Atlético – Jogo chave, tal qual esse que se aproxima contra o Bahia. Vitória fora com gols de Alan Bahia e Rafael Moura.
35a. rodada – Atlético 2-1 Vitória – Terceira vitória seguida. Sequência ainda não vista em 2011.
36a. rodada – Botafogo 2-2 Atlético – Empate no Rio manteve proximidade da ZR.
37a. rodada – Náutico 2-1 Atlético – Derrota fora de casa para adversário direto. A distância da ZR caiu para um ponto do Figueirense.
38a. rodada – Atlético 5-3 Flamengo – Dependendo só de si, jogo tenso, mas com muitos gols, e vitória sobre o Flamengo em casa. Escapou.

O Atlético fez 22 pontos nos 14 jogos finais. Com 45 no total, ainda chegou a um improvável 13o. lugar. Caíram Figueirense, Vasco, Portuguesa e Ipatinga.

No entanto, o que fez a diferença foi o ataque. Algo que não aconteceu contra o Figueirense ontem, como você pode ver abaixo:

Na quarta, não outra saída. Se time grande não cai, chegou a hora de o Atlético mostrar que é um deles.

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O holandês*

Vanderlei mudou.

Não que ele tenha melhorado (e nem que não, ou muito pelo contrário, diria o confuso cronista) sua condição técnica a ponto de encher os olhos de quem o vê em campo hoje em comparação ao passado. Ele sempre foi regular.

Vanderlei mudou sua postura. Em outras oportunidades, mesmo quando podia, preferia deixar a camisa 1 de lado e substituir Edson Bastos com a 12 mesmo. Podia ser só superstição, mas ao aparecer em campo com a camisa 1 do Coritiba no seu retorno a titularidade, mostrou que estava a fim de assumir mesmo essa condição.

Mas esse é só um detalhe da fase do goleiro coxa-branca. Certa feita, em um bate-papo em um estacionamento no Couto, Vanderlei, então amargando um ano e pouco de reserva e com uma sondagem do Santos, me disse encarar aquilo com naturalidade. Que era muito amigo de Edson e que a vida profissional era assim mesmo. Disse ter ficado feliz com a proposta do Santos, mas já que as coisas não tinham evoluído, o negócio era continuar trabalhando.

E demorou até que voltasse. Mas quando voltou, chamou a atenção pela segurança. E no jogo contra o Inter em Porto Alegre (1-1) foi decisivo ao pegar um pênalti. Na entrevista que deu a TV Bandeirantes POA, mostrou o quanto é profissional:

O Holandês curte a boa fase. O torcedor, também.

*Holandês é um apelido que vi na internet para Vanderlei ou “Van der Lei”. Infame, mas divertidinho.

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Redenção

O ano de 2011 tem sido generoso com o Coritiba. Recordes em campo, título invicto no Estadual com 3-0 sobre o Atlético na Arena e até uma decisão nacional no curriculo.

Mas é fora de campo que o clube mostra que não só escapou da falência (problema alertado pelo artífice da volta, Vilson Andrade) como está bem vivo naquele que é considerado o grande patrimônio de todo clube: a torcida.

A CBF divulgou a média de público do Coxa no Brasileirão. E a saudade da Série A somada ao resgate do orgulho alviverde colocam o Coritiba como o quarto clube do País em presença de torcida no seu estádio. Confira a classificação geral da Série A até a 23a. rodada:

1   26.715         Corinthians/SP
2   22.333         Bahia/BA
3   19.277         São Paulo/SP
4   18.748         Coritiba/PR
5   16.094         Flamengo/RJ
6   15.341         Grêmio/RS
7   15.305         Palmeiras/SP
8   15.275         Internacional/RS
9  14.788         Atlético/PR
10  13.151         Atlético/MG
11  12.143         Ceará/CE
12  12.107         Botafogo/RJ
13  11.336         Figueirense/SC
14  9.065         Vasco/RJ
15  8.866          Cruzeiro/MG
16  8.421         Fluminense/RJ
17  7.835          Santos/SP
18  6.617          Atlético/GO
19  6.455          Avaí­/SC
20  2.493          América/MG

Os números são muito significativos. O Coxa está a frente de clubes com torcida maior e mais: com maior número de sócios, como Grêmio e Internacional; supera também as (decepcionantes) médias de público do Fluminense, atual campeão brasileiro, e do Santos, atual campeão da Libertadores. Não só isso: a manter os números, a média de público coritibana em 2011 será a quarta maior da história do clube na Série A – a maior foi em 1980, com 21.754 torcedores presentes em média nos 11 jogos que disputou na época.

Apesar de estar atrás do rival, a média do Atlético também é digna de nota. Com uma campanha abaixo do normal, o clube arrasta mais gente que Botafogo e Vasco, que disputam o título. Na história, o Atlético é o clube paranaense com a maior média de público na Série A: 23.801 torcedores em média acompanharam o Furacão em 1983.

Não há dúvidas que a saída para competitividade e redenção do futebol paranaense é a participação ativa dos torcedores e sócios – que será ainda mais direta em dezembro, quando quase 10 mil torcedores de cada time decidirão as eleições na dupla.

Curiosidades:

– Se é o quarto melhor em média, o Coxa tem participação no pior público do Brasileirão/11: foi no jogo América-MG 1-3 Coritiba, em Sete Lagoas, para 732 heróis.

– Aos paranistas: a maior média de público do clube na elite nacional foi em 2005: 11.414 torcedores por jogo.

– O registro histórico das médias está no confiabilíssimo site RSSSF (Fundação do registro histórico do esporte futebol, em tradução livre)

Grato ao leitor Gilmar Alberto pela dica de tema.

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Os planos de Petraglia

Não importa seu time ou seu posicionamento político, se caso você for atleticano: é impossível ser indiferente a Mário Celso Petraglia quando o assunto é futebol paranaense. Polêmico, empreendedor e por vezes considerado antipático, Petráglia não costuma se esconder quando provocado. E sempre parece ter uma resposta na ponta da língua para qualquer questionamento.

Idolatrado por uns, odiado por outros, o ex-presidente do Atlético é, até agora, o único candidato a presidência do clube no final do ano. E esteve nos estúdios da Band Curitiba para gravar o programa “Entrevista Coletiva”, apresentado pelo diretor de jornalismo da casa, Fabrício Binder, e que contou ainda com os jornalistas Zé Beto e Henrique Giglio, o comentarista Caxias e este que vos escreve. Sabatinado, Petraglia respondeu vários temas, que irão ao ar no domingo 18/09, em duas edições; 7h30 AM e 0h30 AM na madrugada de domingo para segunda.

Entre os assuntos, Petraglia anunciou o início das obras na Arena, para a Copa, para o mês de outubro, além de dizer que o clube não sai de lá antes de 2012:

Ele evitou falar do Pinheirão e do suposto projeto do Coritiba para o local, mas assegurou que nada tira a Copa e também a Copa das Confederações da Arena.

Algo que não estará no programa (que era para ser um, mas se tornou dois, tamanha quantidade de temas) será a engenharia financeira para que o clube arranje os R$ 60 milhões que lhe cabem para a construção do estádio – Petraglia orça o projeto em R$ 180 milhões, embora governo e prefeitura não anunciaram ainda como farão para desapropriar terrenos para o entorno da Arena, por exemplo.

Pela falta de tempo, a resposta ficou só para o blog: o Atlético abrirá uma empresa com 99,9% para si e 0,01% em nome de um sócio, por exigência do modelo de empréstimo financeiro. Essa empresa já tem, apalavrada, uma linha de crédito de R$ 60 milhões oriundos do FDE, Fundo de Desenvolvimento do Estado do Paraná, que será paga em 15 anos. Petráglia ainda pleiteia uma carência de 3 anos, a partir de 2014, para começar a pagar.

Ele vislumbra uma arrecadação anual de R$ 100 milhões para o Atlético no pós-Copa; na entrevista, falou do futuro do futebol brasileiro, da política da CBF, de cotas de TV, dos rivais e de uma possível parceira com o Coritiba em ações extra-campo, em especial se ele se eleger e o mesmo acontecer com Vilson Ribeiro de Andrade, por quem manifestou “imensa admiração”. E ainda prometeu fazer uma administração “voltada exclusivamente para o futebol”:

Petraglia esmiuçou, em 78 minutos de gravação, todos os planos que tem para o clube. Projetou não só o Atlético, mas o futebol do Estado e do País no pós-Copa.

O programa vai ao ar nesse domingo, 18, em horários um pouco ingratos: 7h30 da manhã e 0h30 da madrugada, já invadindo a segunda 19. Mas vale a pena acordar cedo e acompanhar, se você se interessa pelo futebol local.

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Que beleza de camisa! #12: Colón

"Soy Colón... soy Colón... soy Colón de Santa Fé..."

Com um dia de atraso em função da gravação de um programa especial para a Band, chegou o Que beleza de camisa! dessa semana. A homenagem (e a camisa também) é iniciativa do leitor do blog* Guilherme Linhares, que além de sugerir o Club Atlético Colón, da Argentina, teve a oportunidade conhecer de perto a magnífica @carolboadebola e acompanhar a gravação do Jogo Aberto Paraná dentro dos nossos estúdios. Que mamata! Mas vamos ao que interessa: quem é o Colón?

Que beleza de camisa! #12 Club Atlético Colón

Quem é? Clube médio do futebol argentino, fundado em 05/05/1905.

Já ganhou o que? Campeão da Segunda Divisão da Argentina (atual Primera B Nacional) em 1965; 16x campeão da Liga Santafesina (espécie de Estadual na Argentina, disputado em paralelo com o Nacional)

Grande ídolo: Para os mais velhos, o grande ídolo é Orlando “el negro” Medina, principal jogador do time campeão do único título nacional do Colón, a 2a. Divisão de 1965.

Apelidos: Sabalero (algo como “pescadores”, pois é referente ao peixe Sabalo) ou Los Negros (era considerado pejorativo, como o era o apelido “coxa-branca”, em virtude de racismo).

Como anda? Está na elite argentina há 16 anos, tendo subido em 1995 como vice-campeão da 2a. divisão. Foi vice-campeão da primeira divisão em 1997, 3o. em 2000 e o último grande resultado foi em 2009, quando chegou em 4o. lugar. Vive a expectativa de fazer novamente o clássico de Santa Fé na elite argentina, contra o Unión, que voltou para a primeira divisão nacional após 3 anos de série b.

Curiosidades: Foi fundado como Colón Foot-Ball Club, mas mudou o nome para Club Atlético Colón em 1920. Orgulha-se de ter 25 mil sócios e alguns feitos contra grandes times do mundo, como aplicar 8-1 no Boca Juniors em um amistoso e de ter vencido, também em amistosos, o Santos de Pelé (2-1), o Peñarol campeão do Mundo em 1967 (3-2) e até a Seleção Argentina, por 2-0, sempre jogando em Santa Fé. Por isso seu estádio, o Brigadier Estanislao López (38 mil pessoas) é conhecido como Cemitério dos Elefantes.

O Colón e o futebol paranaense: O Colón não desfilou seu vistoso futebol contra nenhum time paranaense até entáo. Mas foi vestindo a camisa de Los Negros que o atacante Federico Nieto chamou a atenção do Atlético. Nieto marcou três gols no seu ex-clube, o Huracán, que estão registrados abaixo:

*Quer fazer como o Guilherme e ajudar no quadro Que beleza de camisa!? Escreva nos comentários ou no Twitter sugerindo times e camisetas para Kelly Pedrita e Carol Boa de Bola vestirem. Se a sua idéia for aprovada, você conhecerá as meninas e os bastidores do programa!

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Nem chegou e…

…já tem forte rejeição da torcida. É Guilherme Macuglia, nome mais cotado para assumir o Paraná após a saída de Roberto Fonseca. Uma reunião às 18h deve definir a contratação do ex-técnico do Coritiba em 2007. Macuglia já teria até apart-hotel reservado em Curitiba.

Mas no que depender da torcida, é melhor desmarcar. Pelo twitter, a hashtag #foramacuglia chegou ao topo das mais usadas na capital paranaense:

E você, o que acha? Macuglia é um bom nome para tentar levar o Paraná à primeira divisão nacional? Responda a enquete abaixo:

Opinião:

Em 2007, Macuglia dirigiu o Coxa até o início da Série B, com duas vitórias e duas derrotas, que lhe custaram o cargo. Mas caiu muito mais por ter sido eliminado nas semifinais do Paranaense, ante ao AC Paranavaí, que viria a ser campeão contra o Paraná.

Macuglia já teve sucesso no Criciúma; já teve insucessos em outros lugares. Nos últimos 4 anos, é possível que tenha aprendido muito mais do que demonstrou naquela temporada no Coxa. Mas é péssimo negócio chegar com a rejeição da torcida.

Entendo que o Paraná deveria ser mais ousado. O acesso a elite nacional pode salvar mais que 2012; pode salvar o clube de um buraco negro previsto com a eventual disputa da Série Prata Estadual, em paralelo com a Série B nacional e com um primeiro semestre morto no calendário. Qualquer custo agora pode ser diminuído – ou agravado – no próximo ano, dependendo do calendário do clube. Eu ousaria.

De qualquer maneira, fico com duas opiniões de dois amigos: a de Greyson Assunção, da Rádio Banda B, ao comentar a pressão da torcida: “Diretoria tem que decidir. Se não der força pra quem trouxer, é melhor fazer enquete com a torcida pra trazer técnico”; e a de Léo Mendes Jr., da Gazeta e da ESPN: “O nome de Macuglia dá a exata dimensão do que o Paraná quer na Série B.”

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Desconstruindo o mito

O ano é o já distante 2007. O Paraná de Caio Júnior tinha surpreendido grandes clubes (e principalmente orçamentos) e abocanhou uma vaga na pré-Libertadores. Caio foi embora, chegou Zetti e, com ele, algumas novas caras. Entre elas, Dinélson.

O Paraná, pode-se dizer, fez uma boa Libertadores. Passou pelo Cobreloa-CHI na fase inicial, encarou Flamengo, Real Potosí-BOL e Unión Maracaibo-VEN na fase de grupos e parou no Libertad-PAR nas oitavas. Fez mais que o Coritiba em duas participações. No Estadual, quebrou um tabu nas semifinais contra o Atlético, 3-1 na Arena, e avançou a decisão. Nela, derrota surpreendente para o AC Paranavaí e um vice-campeonato amargo, que era apenas indício do Brasileirão ruim, que resultaria na Série B.

Mas a imagem que ficou foi a de um time que superou o desempenho de um rival na Libertadores e quebrou um tabu em cima de outro, muito pela habilidade de um meia habilidoso: Dinélson. Um mito foi criado em cima de um promissor jogador e uma torcida carente, hoje ainda mais, após 4 anos de desilusão.

O tempo andou. E nesses quatro anos, Dinélson viveu às voltas com problemas físicos. Uma lesão no joelho esquerdo fez com que o meia atuasse apenas 736 minutos* e tendo marcado 3 gols, mesmo rodando por Corinthians, Coritiba e Avaí, além do próprio Paraná, no período, como mostra o quadro abaixo:

*Números apurados pelo Blog Torcedor Paranista, de Luís Hansen

Ao voltar para o Paraná, Dinélson reencontra o clube com a torcida precisando do mito. E isso pode ser prejudicial a ambos.

O Tricolor demonstrou perda de fôlego na Série B nas últimas rodadas e pior: perdeu Wellington, maestro da equipe nos bons momentos, pelo resto da competição. A chegada de um meia com o perfil de Dinélson – e ainda mais por ser ele – enche a torcida de esperanças. Mas não se pode pedir isso dele.

Dinélson também procura o mito, o sonho que teve lá atrás, ainda no Corinthians. É talentoso, mas sofreu demais com as lesões e, a exemplo do que o Paraná viveu com Kerlon, pode não dar resultados. E a fantasia irá se desfazer no primeiro passe errado.

É hora de desconstruir o mito. Esqueça 2007, os bons momentos; é hora de o paranista entender que esse é um novo Dinélson, em um novo momento. Ele pode ser útil ao clube na briga pelo acesso, mas é assim que deve ser tratado: como um jogador útil, não o Messias que reconduzirá o Paraná a elite nacional. Se torcida, clube e ele próprio entenderem isso, pode ser que em dezembro a volta por cima surja para ambos.

No vídeo abaixo, você confere a primeira entrevista de Dinélson no retorno ao Paraná, exibida no Jogo Aberto Paraná da Band, de segunda a sexta, 12h30:

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Que beleza de camisa! #11: Dínamo Zagreb

Carol se admirou: "O Dínamo teve peito de passar pelo fim da Iugoslávia!"

O clube homenageado na semana pelo Que beleza de camisa! vem da Croácia, conhecida no Mundo do futebol como “o Brasil da Europa”. É o Dínamo Zagreb, clube que sobreviveu a duas transições políticas na complicada área da antiga Iugoslávia. “Me admirei com a história de luta desse clube. Eles têm peito!”, me contou a modelo que homenageia o Dínamo, @carolboadebola, após ler a história que você vai ler abaixo.

Que beleza de camisa!

#11 GNK Dínamo Zagreb

Quem é? Um dos grandes do futebol croata, fundado em 9 de junho de 1945.

Já ganhou o que? Campeão Europeu da Taça das Cidades com Feira* (1967), 13x Campeão Croata e 4x Campeão Iugoslavo, entre outros.
*Atual Liga Europa

Grande ídolo: Dessa vez, não foi possível identificar o grande ídolo do clube, mas na categoria de ídolos recentes está um brasileiro: Eduardo da Silva, naturalizado croata, e que destacou-se no Dínamo na Liga dos Campeões e no título croata de 2007, quando marcou três gols na vitória do Dínamo sobre seu maior rival, o Hajduk Split, por 3-0, se tornando o único jogador da história do derby eterno a conseguir esse feito. Na mesma temporada, fez 34 gols em 32 jogos da Liga local, alguns dos quais retratados nessa entrevista abaixo:

Apelidos: Plavi (os azuis).

Como anda? É o atual hexacampeão croata e maior campeão de todos os tempos, com 7 conquistas a mais que o principal concorrente, Hajduk Split (6x campeão). Passou por três etapas eliminatórias na Champions League (3-0 e 0-0 no Baku, do Azerbaijão, 1-0 e 2-1 no Helsinki, da Finlândia e 4-1 e 0-2 com o Malmo, da Suécia) e, no sorteio, caiu no nada mole Grupo D, com Real Madrid, Lyon e Ajax.

Curiosidades: É fruto da fusão de três clubes: HASK, Gradanski (algo como “da comunidade”) e Concordia, que acabaram sendo extintos pelo governo comunista da Iugoslávia após a II Guerra Mundial. Com o fim da Iugoslávia, em 1990, passou a se chamar HASK Gradanski e em 1993, ainda por força política, passou a se chamar Croácia Zagreb. Em 2000, mudou novamente o nome, para Dínamo Zagreb. Usa as cores e parte da bandeira do país no escudo. É o único clube croata a ter um título europeu.

O Dínamo Zagreb e o futebol paranaense: Nenhum clube paranaense jamais enfrentou o Dínamo Zagreb, mas o capitão da equipe que vai encarar Lyon, Ajax e o Real Madrid na Liga dos Campeões é formado no CT do Caju: o meia Sammir. Com 24 anos, Sammir nunca jogou no Atlético profissionalmente e deixou o clube rumo à Croácia em 2007. Por lá, já marcou 42 gols em 188 partidas com a camisa do Dínamo até agosto de 2011. Alguns deles estão aqui:

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O 9 e os 3 (ou mais)

Manhã movimentada após mais uma rodada no Brasileiro, com mexidas nos elencos da dupla Atletiba.

Vamos rapidinho porque tem muito Jogo Aberto Paraná para editar ainda:

Coritiba

Marcel deve assinar daqui a pouco seu retorno ao Alto da Glória. O jogador é esperado para exames até 12h. Marcel tem uma luxação no ombro, em tratamento e, se estiver apto, retorna ao clube que o lançou.

A diretoria reluta em confirmar a informação, mas em Santos o retorno do camisa 9 é dado como certo. Até 12h30, na Band, confirmaremos.

Update:

Entre Coritiba e Marcel, tudo certo. O jogador já é do Coxa.

Mas agora resta saber se ele poderá atuar após 15 dias a contar de hoje ou só na próxima temporada. Explico:

O contrato de Marcel foi rescindido antes do fechamento da janela de transferências internacionais, o que permite que ele ainda possa se encaixar em algum clube brasileiro – no caso, o Coxa. Resta saber se a CBF vai acatar o pedido do departamento jurídico do Coritiba e legalizar a participação dele no BID, o que só deve acontecer em 2 ou 3 dias.

Fisicamente, Marcel está recuperado da lesão no ombro. Mas está fora de forma e houve um pedido para que ele tenha ao menos 10 dias antes de uma possível estréia.

Ou seja: Marcel é do Coxa, mas o torcedor só poderá vê-lo em campo em 15 dias ou mais, caso o departamento jurídico não seja atendido no pedido. “Tem chance, é 50%/50%. Pode ter contratempo sim”, me disse Ernesto Pedroso, diretor alviverde.

Atlético

“Não haverá dispensas; vamos poupar alguns jogadores”, me disse há pouco Alfredo Ibiapina, que já está em Curitiba. Ele atribuiu a palavra “dispensas” a cabeça quente do staff atleticano após a goleada em Porto Alegre, mas entende que os jogadores tem potencial para tirar o clube dessa vexatória situação, como mostraram com Renato Gaúcho.

No entanto deve haver afastamentos. “Vamos poupar alguns jogadores”, me confirmou. Entre os nomes, Fransérgio, Robston e Paulinho. Mas outros podem fazer parte dessa lista.

Sobre reforços, o clube “continua procurando”, embora o atacante de área em que as fichas estão depositadas é Nieto, que estará a disposição ainda essa semana – ou contra o Palmeiras, ou contra o Flamengo.

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As 24h que mudaram o futuro do Atlético

Lopes: um chambão para afastar a crise (Foto: Heuler Andrey)

Saber o que um coxa-branca pensa de Ney Franco é fácil; mas não se surpreenda se atleticanos também forem elogiosos ao técnico que deixou uma marca de caráter e bom trabalho no Paraná. Hoje é cada vez mais raro ver isso. E o episódio da saída de Renato Gaúcho, o não de Carpegiani e a chegada de Antônio Lopes num verdadeiro Furacão de notícias, deixaram novas lições de comportamento no futebol.

É bem verdade que a atual diretoria do Atlético não prima pela organização e pelo planejamento. E que o mercado de técnicos é cruel para os dois lados: Renato e Carpegiani saíram por conta própria, mas Geninho, ídolo campeão brasileiro, foi dispensado com mais de 80% de aproveitamento por opção da direção. Então que não se queixe disso: cada um sabe onde o calo aperta.

Mas a saída de Renato tem mais coisas por trás que apenas uma insatisfação ou um problema pessoal. Conversei com três pessoas da cúpula atleticana e é unânime: o gênio do treinador é um problema sério. Renato Gaúcho é acostumado a paparico, assédio, badalação. Não se trata de viver a noite; é aquilo que muita gente reclama ao vir para Curitiba: difícil fazer amigos, há uma timidez natural dos curitibanos que impede a criação de ídolos. Aqui, nada presta. Bem diferente do Rio, onde Renato é rei.

Ele reclamou disso antes do Atletiba 347, e com razão. Disse que sentiu faltas das provocações dos grandes clássicos, de apostas e uma movimentação sadia. Eu entendo: sob o signo do puritanismo e da reserva moral, os personagens se calam. Nós, do Jogo Aberto Paraná, tentamos movimentar o jogo, mandando as belas Kelly Pedrita e Carol Boa de Bola para trazer bastidores e outros lados do clássico. Acredite: houve quem reclamasse, houve preconceito e falso moralismo. Tudo já superado, mas mostra o tamanho da hipocrisia e mediocridade de alguns do mercado da bola em Curitiba. Renato sentiu falta disso.

Mas não justifica o comportamento recente do treinador, agindo como criança mimada ao dizer que, mesmo com um salário de quase R$ 400 mil nas costas e um clube de 87 anos com um milhão de torcedores em suas mãos, “quem quiser que pegue”. Não, isso não é coisa de homem sério, comprometido. Desculpe, Renato, mas nessa você errou. Como errou ao destratar funcionários do Atlético, coisa que também ouvi nas conversas ao tentar entender a saída, quase ao estilo Lothar Matthaus – deixando a todos atônitos.

Do que está acima para a fritura pública de Madson (que todos sabem, não é santo, mas está correndo em campo, independente do que possa fazer fora dele), sem muitas explicações, foi um pulo. E, após soltar um “desse jeito eu não consigo trabalhar” num bate-boca por reforços com a diretoria de futebol, Renato somou as pontas e decidiu partir. Talvez na melhor hora, pois há tempo do Atlético se recuperar. E, para ele, sorte no futuro, que pode ser o Vasco, com Libertadores e no seio do seu amado Rio de Janeiro.

E então o Atlético foi atrás de Carpegiani. Sim, aquele que havia trocado o Rubro-Negro pelo São Paulo FC, depois de sair do ostracismo para brigar por uma vaga na Libertadores, abandonando o barco no meio do projeto. Não o condeno. Ele é profissional e tem que ir onde pagar melhor. Mas no mar de erros do Furacão, a volta dele, antítese da necessidade de compromisso que o clube precisa, poderia ser ainda pior.

Carpegiani chegou a ser confirmado por colegas mais afoitos. Houve quem o anunciasse como treinador. Entre os quase 50 telefonemas que dei ontem atrás da informação correta, pintou a dúvida: a diretoria queria o ex-técnico, acreditando ser ele, por conhecer o grupo, o único capaz de sair do buraco. Sabendo da crise atleticana, da restrição de 90 dias de contrato imposta pelo presidente Marcos Malucelli, e de que o Atlético arcava com quase 400 mil de salários para Renato, Carpegiani pediu 500 mil reais por mês até dezembro. Um milhão e meio de reais até o final do ano, com eventuais prêmios. Mais do que a patrocinadora-máster do clube paga anualmente.

Houve discussão entre os diretores, das 18h às 22h30, por telefone e presencialmente. E decidiu-se não pagar isso a Carpegiani, apostando num plano B. E aí surgiu Antônio Lopes, o mesmo que deixou o clube em 2010 após um empate com o Coxa na Baixada (1-1), em meio a problemas com Leandro Niehues e Ocimar Bolicenho. Entre 2000, 2005, 2007 e 2010, Lopes teve altos e baixos na Arena, com o vice da Libertadores, uma oitavas-de-final de Brasileiro e a fuga do rebaixamento em 2009 no currículo.

Mas esse não é o principal trunfo de Lopes nessa nova chegada. Ao telefonar para Lopes, o Atlético encontrou um homem solícito e disposto, que não quis discutir dinheiro e aceitou ajudar o clube pelo qual manifestou carinho (e agora, divide seu maior número de trabalhos com o Vasco). Disse-me, em entrevista ao Jogo Aberto Paraná: “Eu tenho carinho pelo Atlético e acho que posso colaborar. A situação é difícil, precisamos de 50% de aproveitamento. Mas o elenco é bom e no domingo vou para a beira do campo”.

Por essas e outras, ainda que por linhas tortas, o Atlético acertou ao trazer rápido alguém comprometido com a situação do clube. Se dará certo, não se sabe; afinal, a diretoria cansou de brincar com a sorte que, mais cedo ou mais tarde, falhará. Mas entre homens como Ney Franco e Antônio Lopes, sempre vale mais o compromisso que, no momento, é o que o Atlético mais precisa.

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