2o. Turno do Brasileiro: em que acreditar – e por que

Por que e em que acreditar nesse segundo turno do Brasileirão?

Vai começar o segundo turno do Brasileirão. É apenas simbólico. Na verdade, tudo continua como antes, apenas com a tabela com menos jogos pela frente. Mas o que é a vida senão uma sequência de interpretações simbólicas, como quando pulamos sete ondas e vestimos branco no ano novo? Poderia ser apenas mais um ciclo de 24h, mas não é. E se for para usar como impulso, porque não?

Sendo assim, farei uma análise técnica, apesar do momento ser puramente sentimental, do que esperar das equipes no segundo turno no Brasileirão 2011. A começar pela dupla da terrinha na Série A:

Atlético

1o. Turno: 17º lugar, 18 pts, 31.6%

Resumo: Viveu o pior início de Brasileiro de todos os tempos, conseguindo a primeira vitória somente na 11ª rodada, ao superar o Botafogo em casa (2-1). Foi o terceiro jogo de Renato Gaúcho no comando do Furacão; com ele, em 30 pontos, a equipe fez 17 – 56,6% de aproveitamento, o mesmo do Palmeiras, sexto colocado, o que fez o time se agarrar na esperança de repetir o feito do Grêmio/10 do mesmo Renato: da ZR para a Libertadores.

Renato: com ele, o Atlético mudou (foto: Joka Madruga)

Pior momento: A derrota para o Fluminense (1-3), na 7ª rodada, com erros do então goleiro Márcio e do zagueiro Rafael Santos. A equipe completava a sexta derrota em sete jogos e o único ponto fora conseguido em casa, no empate com o Flamengo (1-1).

Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2), em confronto então direto, já que o Peixe de Neymar amargava a ZR. Era o início da reação que chegou a tirar o Furacão da ZR por uma rodada – o que pode voltar a acontecer se vencer o xará mineiro nesta quarta.

No que acreditar: Nas mudanças que já aconteceram e nas que podem vir, como a chegada de algum centroavante (pedido insistente do técnico) ou o retorno e decolagem dos gringos Morro Garcia, Nieto e/ou Guerrón. Para entender o que já mudou, vamos ver as diferenças entre o time da estréia e o provável time do início do 2º turno:

1ª rodada: Atlético-MG 3-0 Atlético

Renan Rocha; Rômulo (Wendel), Manoel, Rafael Santos e Paulinho; Deivid, Cléber Santana (Adaílton), Paulo Roberto e Marcelo Oliveira; Paulo Baier (Madson) e Guerrón.
Técnico: Adilson Batista

Em negrito estão os jogadores que deixaram o time titular do Atlético de lá para cá; alguns sequer são opções do novo treinador, Renato Gaúcho. Do banco ao ponta, nada menos que seis mudanças em relação ao provável time:

20ª rodada: Atlético x Atlético-MG

Renan Rocha; Wagner Diniz, Gustavo, Fabrício e Paulinho; Deivid, Kleberson, Cléber Santana, Marcinho e Madson; Edigar Junio.
Técnico: Renato Gaúcho

Do time acima, além da recuperação do futebol de Cléber Santana e da entrada de Fabrício, destaca-se o crescimento de Deivid e a chegada de Marcinho, ao lado de Renato, símbolo da recuperação atleticana.Vale dizer que a escalação acima está sem dois titulares: o zagueiro Manoel e o lateral-direito Edilson. Aposta ainda nas recuperações físicas de Paulo Baier e Paulo Roberto e nas recuperações técnicas de Madson e do trio de ataque internacional.

Com o que se preocupar: Não tem atacantes. Como futebol tem por base o número de gols marcados, é alerta vermelho nesse item. Também depende da estabilidade emocional do técnico Renato Gaúcho e da permanência do mesmo até o final do ano, já que o “projeto” passa totalmente por ele. Se acontecer o mesmo que em 2010, quando Carpegiani trocou o clube pelo São Paulo FC, pode dar problema.

Projeção: Escapa do rebaixamento, mas não aspira nada mais que a Copa Sul-Americana. Para tanto, precisa de cerca de 26 pontos em 57, 45,6% – menos que o índice atual de Renato.

Coritiba

1o. Turno: 9º lugar, 26 pts, 45.6%

Resumo: Começou o campeonato dividindo atenções com a Copa do Brasil, da qual foi finalista. Com o passar dos jogos, deu a impressão de ter sentido a perda do título da copa e de não estar 100% no Brasileiro. Faz uma campanha regular – ótima para um clube que esteve à beira da falência em 2009-10 – mas aquém do que a equipe demonstrou ter poder para fazer e abaixo da exigência da torcida, que ficou com um gosto de “quero mais” ainda em 2011.

Pior momento: Pode ser considerado o jogo contra o São Paulo FC em casa (3-4), quando chegou a estar perdendo por 0-4 e atuando com um homem a menos. Ainda assim, o Coxa não teve um momento ruim: acabou diminuindo suas pretensões em pequenos tropeços, como na estréia com o Atlético-GO (0-1) ou empates em casa com Inter (1-1) e Palmeiras (1-1).

Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2) na Vila Belmiro, épica. Virou uma partida contra um adversário em recuperação, com Neymar e Borges no ataque, superando uma arbitragem confusa, que errou em demasia, em especial em um lance claro de pênalti em Leonardo. Ali, provou que as cobranças da torcida por melhores resultados tem fundamento.

No que acreditar: Na qualidade do elenco, que em 2011 já demonstrou que pode mais do que vem fazendo, em jogos como o 6-0 no Palmeiras pela Copa do Brasil e nas goleadas nos Atletibas, 4-2 e 3-0. A perda preciosa de pontos contra adversários diretos em casa e resultados ruins contra times em situação inferior na tabela desanimaram, mas sabe-se que o time tem potencial. Em relação a estréia no campeonato, pouco mudou, o que fortalece o conjunto:

1ª rodada: Coritiba 0-1 Atlético-GO

Edson Bastos; Jonas (Willian), Cleiton, Emerson e Lucas Mendes (Geraldo); Leandro Donizete, Léo Gago, Rafinha e Davi; Anderson Aquino (Éverton Costa) e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.

Em negrito, os jogadores que não vêm sendo muito utilizados – Cleiton, por exemplo, foi emprestado e se machucou. Levando-se em conta os desfalques de Tcheco e Jéci por suspensão, o Coxa estréia no returno assim:

20ª rodada: Atlético-GO x Coritiba

Edson Bastos; Jonas, Pereira, Emerson e Lucas Mendes; Leandro Donizete, Léo Gago, Willian e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.

Na rápida comparação, o time é praticamente o mesmo da estréia e quem não estava, pode ser considerado reforço. Pereira é segurança na zaga, apesar de ter dificuldade em jogadas mano a mano; Willian ganhou o respeito da torcida e o titular, Tcheco, dá ritmo a meia-cancha mais do que Davi fez enquanto teve chances; e Marcos Aurélio é mais atacante que Anderson Aquino.

O otimismo com o Coritiba é justificável se os próprios jogadores reencontrarem o nível de atuações que vinham tendo no Estadual, na Copa do Brasil e em algumas rodadas do Brasileiro.

Coxa comemora: segredo está no elenco

 

Com o que se preocupar: Com a fase de Edson Bastos. A muralha alviverde vive período conturbado, cobrada pela torcida. Pode sentir e goleiro, como diz a música, não pode falhar. Também tem carências no ataque, ressentindo-se de um matador; Bill oscila bons e maus jogos, o que explica também a oscilação do time.

Projeção: Classifica-se ao torneio consolação, a Copa Sul-Americana. Para fazer mais, precisará somar 33 a 34 pontos em 57, 59,6% de aproveitamento – é o índice que tem hoje o Botafogo, detentor da vaga que o Coxa aspira.

E os demais?

América-MG (20º/13pts): Dificilmente escapa do rebaixamento. Será decisivo em jogos contra rebaixáveis e aspirantes ao título: quem perder pontos para o Coelho, estará em maus lençóis.

Atlético-GO (12º/25pts): Brigará para não cair no final do campeonato, mas é um dos que menos corre riscos. Ficará com vaga na Sulamericana.

Atlético-MG (19º/15pts): Vive situação dramática, mas tem elenco, torcida e camisa. Vai até o fim brigando para não cair. A sequência de derrotas com Cuca (o coxa-branca sabe) pode ser fatal.

Avaí (18º/17pts): Já demonstrou que não vai se entregar com facilidade, em jogos contra Figueirense e São Paulo. Mas é outro que briga para não cair com dificuldades.

Bahia (16º/20pts): Não está fácil ser um dos primeiros do alfabeto: também brigará para não cair. Está em decadência e perdeu Jobson por problemas extracampo. Amargou anos nas divisões inferiores e, apesar da gigantesca e apaixonada torcida, terá dificuldades quando precisar de fôlego.

Bahia: só com muita fé do povão

 

Botafogo (5º/34pts): Vai chegar a Libertadores. Tem elenco e um bom técnico, Caio Júnior. Desta vez a frase “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” não irá emplacar.

Ceará (13º/25pts): Enganou bem, mas vai acabar brigando para não cair. Tem um time envelhecido e instável.

Corinthians (1º/37pts): É líder e vai até o final brigando pelo título com Flamengo e São Paulo. E se acostume, porque com os novos valores das cotas de TV, será assim até o fim. Meu palpite? Não fica com a taça.

Cruzeiro (7º/ 27pts): Está abaixo do que pode render. Depende demais de Montillo em dias inspirados. Mas pode engrenar e ser o principal adversário do Botafogo na briga pela Libertadores.

Cruzeiro e a Montillodependência

 

Figueirense (10º/26pts): Sabe aquela equipe que fica o campeonato inteiro no meio da tabela e quando menos percebe, está ameaçada de rebaixamento? Então, é o Figueira.

Flamengo (2º/36pts): Está em segundo, mas pela campanha no ano, o técnico que tem (Luxemburgo) e os craques Thiago Neves, Ronaldinho, mesmo dependendo de Deivid ou Jael, é o favorito para o título. Poderá ser Hexa em 2011.

Ronaldinho tem feito a diferença no Fla

 

Fluminense (11º/25pts): O atual campeão brasileiro não cai, não vai disputar título, não vai para a Libertadores… 2012 tá aí.

Grêmio (15º/21pts): Viverá um final de ano dramático. Vai até o fim brigando para não cair. Ao lado de Atlético e Atlético-MG, é daqueles que tem de onde tirar recursos quando o cinto apertar de vez.

Internacional (8º/27pts): Sonha com a Libertadores e tem elenco e estrutura para tanto. Terá que correr para pegar Cruzeiro e/ou Botafogo. É o que menos tem chances dos três.

Palmeiras (6º/32pts): Só Felipão salva. Assistir o Palmeiras jogar é um desafio a compreensão do porquê o Alviverde paulista está entre os postulantes à Libertadores. Construindo estádio, não terá fôlego para a briga. Sulamericana à vista.

Santos (14º/22pts): Fará uma campanha de recuperação no 2º turno e chegará entre 12º e 8º lugar antes de ir medir forças com o Barcelona e outros menos famosos no Mundial de Clubes.

São Paulo (3º/35pts): Acabará sendo o principal obstáculo do Flamengo ao Hexa. E pode ser Hepta, coroando de vez a era Rogério Ceni. Tem força, elenco e vai brigar até o fim.

Vasco (4º/35pts): Com a missão do ano cumprida, já achava difícil que o Vasco tivesse pernas para ir até o fim sonhando com a dupla coroa nacional; sem Ricardo Gomes, vai depender muito de como a equipe e a diretoria reagirão ao que acontecer com o treinador.

Concorda? Discorda? Opine abaixo!

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Que beleza de camisa! #10: Barcelona

Essa bate um bolão!

Começou ontem, com uma semana de atraso por conta de uma greve, o Campeonato Espanhol. E o atual campeão, FC Barcelona, estreou surrando o forte Villarreal por 5-0. Só me restou pedir a @kellypedrita que vestisse a camisa do maior clube do Mundo na atualidade… ficou bom?

Que beleza de camisa!

#10 Futbol Club Barcelona

Quem é? Um dos grandes do futebol mundial, fundado em 29 de novembro de 1899.

Já ganhou o que? 1x Campeão Mundial (2009), 4x Campeão da Liga dos Campeões (1992, 06, 09 e 11) e 21x Campeão Espanhol, entre outros.

Grande ídolo: Muitos grandes nomes do futebol mundial passaram pelo Barcelona: os brasileiros Evaristo, Rivaldo, Romário, Ronaldo e Ronaldinho; os argentinos Maradona e Messi; o português Luis Figo. Mas nenhum nome é mais importante para o Barça que o do holandês Johann Crujiff. Foi com o principal artífice da Laranja Mecânica vice-campeã das Copas de 74 e 78, com quem o Barcelona voltou a vencer o Campeonato Espanhol após 14 anos, período em que o futebol da Espanha foi dominado pelo Real Madrid – boa parte durante o Governo Franco. Na mesma época, o Barcelona se tornou “més que un club” (mais que um clube), um símbolo do povo da Catalunha. Crujiff simbolizou essa mudança e mais tarde, como técnico, criou a escola barcelonista de futebol total. O que vemos hoje, com Guardiola e Messi, surgiu com conceitos de Crujiff, como retrata entrevista da Revista ESPN.

São lances como esse, de Rivaldo, em 2001:

Apelidos: Blaugrana, Barça (positivos), Culés (pejorativo).

Como anda? É o atual da Liga dos Campeões e tricampeão espanhol; disputará, contra o Santos e mais 5 clubes o Mundial deste ano. É considerado o melhor time do Mundo.

Curiosidades: É considerado um símbolo de orgulho regionalista da Catalunha, região espanhola que nunca aceitou o reino da Espanha como país. Atua não só no futebol, mas também no basquete, handebol e até hóquei. Além do período franquista, o Barça teve problemas com o governo espanhol já em 1925, quando torcedores vaiaram a execução do hino espanhol. Na ocasião, o ditador Primo de Rivera fechou o clube por seis meses, até que o fundador, o suíço Hans Joan Gamper, foi obrigado a renunciar. Gamper, aliás, escolheu as cores do Barça com base no pequeno Basel, da Suíça. Não a toa, a maior rivalidade do Barcelona não é com o vizinho de cidade Espanyol e sim com o Real Madrid. Na história*, são 215 jogos, com 84 vitórias do Barça, 45 empates e 86 triunfos madrilenhos.

O Barcelona e o futebol paranaense: Ainda não tivemos o privilégio de ver um clube paranaense enfrentar o FC Barcelona. Mas no elenco titular atual do Barça está um curitibano: o lateral-esquerdo Adriano, formado no Coritiba. E um dos gols mais importantes da história do clube foi marcado por outro paranaense, Juliano Belletti, na decisão da Champions League de 2006:

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Polêmicas do Atletiba 347

Fechando a série de posts sobre o Atletiba 347, repriso aqui lances e comentários feitos no Jogo Aberto Paraná da Band Curitiba, que vai ao ar de segunda a sexta, 12h30, para Curitiba, RMC, Paranaguá e litoral e Ponta Grossa e Campos Gerais.

São lances que separei a pedidos de muita gente que nos dá a alegria da companhia. É polêmica, então não espero concordância e sim disponibilizo os momentos para uma análise mais aprofundada para mim e para vocês.

1) Bill cuspiu em Fabrício?

As imagens acima são da TV Bandeirantes e são as únicas a que tive acesso. Por elas, é impossível ter uma conclusão, ainda que utilizemos o recurso zoom.

No entanto, fiquei com alguns indícios de que Bill NÃO cuspiu em Fabrício. Pelas imagens, percebe-se que ambos seguem se estranhando após o lance, mas, se cuspido fosse, difícilmente Fabrício não reagiria: cuspe na cara é uma desonra enorme para quem leva e maior ainda para quem executa. Um telespectador/leitor já perguntou se não questionamos ambos sobre isso: não. Nem Bill, nem Fabrício, estiveram na coletiva do Atletiba. Amanhã, com as coletivas da semana, pode ser que isso tenha sido feito. Eu não estive em nenhum treino. Mas falo mais se souber mais.

Em tempo: outros perguntaram se foi pênalti de Fabrício em Bill no mesmo lance. Pra mim, não: Bill perde a passada e se joga. Lance normal.

Update: O repórter Osmar Antônio, da Rádio Banda B, afirmou que, ao perguntar para o zagueiro Fabrício se Bill teria cuspido nele, a resposta foi sim. Repito o que afirmei no Jogo Aberto Paraná nessa terça: as imagens da Band não mostram o cuspe. Se outro canal tem, seria de bom tom jornalístico oferecer. Ainda: acredito que agora cabe ao jogador e ao clube irem atrás do que acham correto. Por fim, uso o update e não uma edição porque quero manter o teor original do texto, sem compromisso com o erro.

2) Houve inversão na falta que originou o lance do Atlético?

Não. Mas se Héber Roberto Lopes marcasse falta e amarelasse o meia Branquinho, do Atlético, também estaria correto.

O lance é claro: Willian faz a falta por baixo no mesmo momento em que Branquinho reage por cima, esticando o braço no rosto do atleta do Coxa. Foi falta de Willian; foi falta de Branquinho. A questão é o tempo.

Héber entendeu que Willian “bateu” antes e apitou. O resto vocês já sabem.

3) Foi pênalti no lance com Jéci e Madson?

Não. Enquanto a Fifa (ou no caso a International Board) determinar que o que vale é a intenção no eventual toque da mão na bola, nenhum lance assim pode ser considerado pênalti. Diferentemente do basquete, quando a bola tocada no pé é falta não importando a razão, o futebol permite esse tipo de lance. E Jéci só não tocaria a bola se não tivesse um braço.

Além do mais, observando a movimentação dos jogadores, percebe-se que Jéci faz o possível para não reter a bola com o braço e Madson, na disputa dela, em nenhum momento pede o toque.

4) Edson Bastos falhou no gol do Atlético?

Não. Na minha opinião, e a imagem acima mostra, houve mérito na proteção de bola feita por Cléber Santana em cima de Lucas Mendes, impedindo o corte. Não só isso: o posicionamento da defesa do Coritiba permitiu que a bola, batida na direção do gol e com força, quicasse logo a frente de Bastos. Esse tema gerou debate acirrado no programa, já que a opinião do ex-goleiro e comentarista do Jogo Aberto Paraná, Gerson Dall’Stella, é contrária. Para ele, Bastos falhou – deveria ter se antecipado ao quique.

Na verdade, o futebol é feito de erros. O gol invariavelmente nasce de algum erro. Foi assim com o gol do Coritiba, quando, mal posicionada, a defesa do Atlético permitiu o cabeceio de Emerson. E do jogo.

O que se discute na verdade não é se Edson falhou ou não e sim se ele deve se manter no time titular. Bastos ainda paga pelo erro da Copa do Brasil e qualquer suspeita já é o suficiente para que a paciência com ele se acabe. Eu acho que, em termos práticos, não há nada demais em dar uma oportunidade para Vanderlei, outro grande goleiro.

Mas o que tem se tentado fazer com Bastos é cruel. Como disse Renan Ceschin hoje no programa, se ele não pode ser titular com tudo o que já fez pelo Coxa e passa a ser questionado em lances difíceis como esse, então, não deve ficar. E aí já é demais, não concordam?

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O mistério vai além

Se tem uma coisa que eu nunca fiz em 10 anos de militância na imprensa esportiva foi pegar no pé de treinador que resolve fechar o treino para os repórteres. Acho isso o cúmulo da ingerência no trabalho de outro. Se o método dá resultado, é o que importa. De mais a mais, já fui repórter-setorista nos três clubes e sei que 90% dos colegas estão sempre muito mais de olho nas pernas de uma ou outra jornalista do que se o técnico mesclou times A e B no coletivo, com esquema 6-2-2.

O que é bem diferente de perceber um sintoma: com o treino fechado e o mistério para o jogo de hoje, o técnico Roberto Fonseca dá pistas de que começa a não ter segurança nas ações que vem tomando. Pudera: são três derrotas nos últimos quatro jogos em casa. E o Paraná que se reinventava na Série B, deixou o G4, motivo suficiente para muitos acharem que já há crise na Vila.

Na reportagem abaixo, de Henrique Giglio para o Jogo Aberto Paraná e hoje (anote aí: segunda a sexta, 12h30, na Band Curitiba, canal 2), você vai conferir a preparação final do Tricolor para o jogo contra o Boa Esporte-MG:

Eu vou além: não divulgar a equipe não é o único mistério acerca da Vila Capanema recentemente. Outro é: como se dá a relação de Roberto Fonseca com os jogadores? Há quem diga que não é das melhores. Só posso me fiar no que disse Serginho, volante do Tricolor, quando falou comigo pela última vez, garantindo que não há e nunca houve nada. O que está bem claro é que o time caiu de rendimento.

Há outro mistério: quem quer Fonseca longe da Vila (além de alguns torcedores, irritados com os resultados recentes)?. Em um café da manhã com um influente conselheiro, soube que há um grupo disposto a “rachar” os salários de Geninho, entendendo que o campeão brasileiro da Série B em 2000 é o único que pode reconduzir o Paraná à elite nacional. Tudo extraoficial, mas já ouvi gente dizer que Fonseca não passa de hoje, não importando o resultado.

Não acho que seja essa a solução. Se o problema é o primeiro – relacionamento – o Paraná deve agir com rigor e afastar os focos de insatisfação. Esse mesmo elenco já deu mostras do que pode ou não fazer. Convenhamos, não é muito. Alguns reforços seriam obrigatórios para brigar pelo acesso.

Além de que, sem esquecer que o Paraná está rebaixado para a Série Prata Estadual, e se o TJD-PR não entender culpa do Rio Branco no Caso Adriano (como já o fez uma vez), o calendário do Tricolor será desastroso, com nada a se disputar de janeiro a maio e dois campeonatos duríssimos, um pela logística, outro pela qualidade, no segundo semestre de 2012? E sem dinheiro no bolso. Arrumar mais uma dívida com um treinador que, bem ou mal, deu resultados, é o caminho? Com o caixa vazio, é difícil pensar no ano que vem.

Aí sim, será um mistério saber como agir.

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Por una cabeza: o favoritismo Coxa no Atletiba 347

Pela primeira vez em 2011 – há quem diga que em três anos – o Atletiba apresenta um quadro extremamente parelho em relação às equipes que vão* a campo hoje. Com base nas escalações apuradas ao longo da semana, fiz um levantamento com 11 colegas de imprensa para saber qual seria a seleção do Atletiba, ou seja: qual time tem vantagem sobre o outro em cada posição. E, ‘por una cabeza’ (como o tango de Carlos Gardel), deu Coritiba.

Na opinião de repórteres e comentaristas de vários veículos da cidade, o Coxa teria 6 jogadores contra 5 do Atlético em um suposto clássico Atletiba. E também leva o treinador ao combinado. Vamos conferir a análise da seleção (a lista de votantes e votos está no fim do post), com base nas equipes abaixo:

Couto Pereira 18h

Coritiba:

Edson Bastos; Gil, Jéci, Emerson e Lucas Mendes; Demerson, Léo Gago, Tcheco e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill. Téc.: Marcelo Oliveira

Atlético:

Renan Rocha; Edílson, Manoel, Fabrício e Paulinho; Deivid, Kléberson, Cléber Santana e Marcinho; Madson e Edgar Junio. Téc.: Renato Gaúcho

*Considerou-se que Willian, possível surpresa de Marcelo Oliveira no Coxa, está fora do jogo, com Demerson jogando improvisado.

Goleiro

Bastos: unânime

Não houve divergências: entre Edson Bastos e Renan Rocha, os votantes ficaram com a experiência do camisa 1 do Coritiba. Mesmo questionado por parte da imprensa e da torcida alviverde, Bastos segue em alta, em especial na comparação com o rival.

Foram 11 indicações para Edson Bastos, incluindo a do ex-goleiro Gérson, comentarista da 91Rock e do Jogo Aberto Paraná da Band. Com 31 anos, 4 deles no Coritiba, o paranaense de Foz de Iguaçu já passou por grandes e maus momentos no Alviverde.

Se um grande time começa com um grande goleiro, o Coxa larga na frente do Furacão na preferência dos votantes com seu camisa 1 escolhido para a seleção do clássico – antes do jogo.

Lateral-direito

Por 10 votos a 1 – exceção feito ao editor da Band Curitiba, Marco Rafael Pires, que preferiu o improvisado volante Gil – Edilson foi o escolhido para ocupar a lateral-direita do Atletiba 347. É por ali, justamente por outra improvisação (Lucas Mendes), que passa um dos atalhos de uma possível vitória atleticana.

Vantagem de Edílson é ser da posição

Edilson, 25 anos, paranaense de Nova Esperança, vai disputar seu primeiro Atletiba.

Chegou ao Furacão por empréstimo do Grêmio, a pedido do técnico Renato Gaúcho e logo ocupou a vaga que era de Wagner Diniz, mas mesmo assim, alterna bons e maus momentos, não sendo um jogador regular. Vem sendo substituído constantemente pelo antigo titular da posição.

Edílson é melhor na marcação que no apoio, mas costuma fazer bons cruzamentos. Também é bom em cobranças de falta.

Dupla de zaga

Emerson e Fabrício são considerados mais seguros

Ainda que atuem pelo mesmo lado do campo, Emerson e Fabrício foram os escolhidos pelos 11 votantes para formar a dupla de zaga do clássico 347.

Com 9 votos, Emerson é presença em quase todas as seleções do clássico. Vindo do Avaí no início do ano, ajeitou a defesa do Coritiba e chama a atenção pelas atuações sempre seguras. Costuma marcar seus golzinhos em jogadas de bolas paradas pelo Coxa. Tem 28 anos e é natural de Taguatinga-DF.

Já Fabrício obteve 5 votos, contra 4 de Jéci e Manoel, com quem forma dupla no Atlético. Muito da reação atleticana no Brasileiro é atribuída a ele, já que o Furacão tinha sérios problemas defensivos antes dele chegar, por empréstimo. Já defendeu o Paraná e estava no Cruzeiro, mas seus direitos são do Hoffenheim-ALE. Tem 21 anos e é natural do Rio de Janeiro.

Lateral-Esquerdo

Paulinho: peça fundamental

Se quiser vencer o Coritiba e quebrar um tabu de 10 jogos, três anos, o Atlético precisará como nunca de Paulinho. Com Gil improvisado na direita, o Coxa ganha em marcação, mas fatalmente acabará atraindo o lateral-esquerdo atleticano para seu campo de ataque (para o Alviverde, a solução pode ser Rafinha).

No entanto, Paulinho ainda não convenceu os atleticanos de que pode ser esse homem decisivo. Nem totalmente os votantes, que por 8 votos a 3, o preferiram a Lucas Mendes – zagueio improvisado na esquerda.

Sem ser unanimidade, Paulinho vai disputar seu terceiro Atletiba. Chegou ao Rubro-Negro em 2010, para o Brasileiro. Nasceu em Guaranésia-MG e tem 26 anos.

Volantes

Deivid e Gago, os cães de guarda

Formado na base do Atlético, Deivid é a grata surpresa do elenco 2011 do Furacão. É implácável na marcação e sabe sair pro jogo, justamente por ser simples: toca rápido a bola para os meias atleticanos, ao invés de inventar grandes lançamentos.

Caiu nas graças dos rubro-negros ao parar, entre outros, Neymar, Ganso, Lucas (SPFC) e Ronaldinho Gaúcho. Hoje terá a missão de parar Rafinha.

Teve 11 dos 11 votos possíveis, mas competiu contra Demerson; o quadro poderia ser um pouco diferente caso a competição fosse contra Willian, que pode aparecer na função (que é de outro grande marcador, Leandro Donizete). Ainda assim, particularmente, eu manteria meu voto em Deivid, que nasceu em Londrina e tem 22 anos.

Léo Gago abocanhou de ninguém menos que o pentacampeão mundial Kléberson a outra vaga entre os volantes. Gago, que esteve cotado para a Seleção no início do ano, não passou por uma boa fase recentemente, mas ainda assim é um dos principais jogadores do Coxa.

É rápido na marcação e melhor na saída de jogo. Também tem como arma as cobranças de falta. Superou Kléberson por 7 a 3 nos votos (Nadja Mauad, da RPCTV, escalou Tcheco como 2o volante).

Gago já defendeu o Paraná e chegou ao Alviverde vindo do Avaí, em 2010, para auxiliar na caminhada do Bi da Série B. Tem 28 anos e nasceu em Campinas.

Meias

Sem dúvida, a disputa mais apertada e que mostra que o cérebro do Atletiba 347 está em bons pés.

Cléber Santana se reencontrou no Atlético

Por 7 x 5, Cléber Santana superou Tcheco na preferência dos votantes para formar a meia-cancha da seleção.

Decisivo nos últimos jogos atleticanos e com um domínio de bola e noção de espaço invejáveis, Santana certamente será o principal articulador do Atlético no clássico (trabalho para Demerson ou Willian); Cléber Santana andava cabisbaixo com o ex-técnico Adilson Batista, mas se reencontrou com Renato Gaúcho e demonstra o ótimo futebol que o levou do Sport Recife ao Atlético de Madrid.

Nasceu em Olinda-PE e tem 30 anos. Vai para o seu primeiro Atletiba.

Seu “companheiro’ de meia cancha é, na verdade, o principal “inimigo”em campo.

Rafinha: por ele passará o desempenho alviverde

Rafael da Silva Francisco, 28 anos, natural de Guarulhos-SP, chegou ao Coritiba por empréstimo, junto ao São Paulo FC, em 2010, depois de uma passagem pelo Paraná.

Foi decisivo na Série B ano passado, especialmente depois de domar seu gênio intempestivo. Aos poucos, com toques rápidos e tabelas com muita movimentação, tornou-se o principal homem da meia-cancha coritibana.

Firmou contrato com o Coxa após romper na justiça com o Tricolor paulista. Já disputou quatro Atletibas e venceu 3, com um empate. Mas ainda não marcou gols – o que prometeu tentar fazer nesse de logo mais.

Ataque

Ataque: arma alviverde, incógnita rubro-negra

Eis o ponto de desequilíbrio do Atletiba 347, na opinião dos votantes: o ataque.

Bill e Marcos Aurélio foram escolhidosem detrimento da dupla atleticana, Edigar Junio e Madson.

Ex-atleticano, Marcos Aurélio superou Madson por 7 votos a 3 (Nadja Mauad escolheu Marcinho no ataque) e vai para mais um Atletiba alviverde, já que já atuou no Furacão. Ele disfarça mágoa do ex-clube, mas sempre alfineta. É rápido e bom nos arremates. Dará trabalho a Manoel e Fabrício. No último encontro entre ambos pelo Brasileiro, marcou o gol da vitória alviverde por 3-2 no último minuto, em 2009. Eu narrei aquele jogo pela 91Rock e os gols estão aqui, no ótimo serviço do Futebol Paranaense.net. Aurélio tem 27 anos e nasceu em Cuiabá-MT.

A dupla dele, no jogo e na seleção, é com o outrora contestado Bill, mineiro de São Lourenço, 27 anos, que venceu o jovem Edigar junio por 9 votos a 2. Bill vem se tornando um carrasco do Atlético e só nesse ano marcou 3 gols no Furacão. É o típico centroavante de área, tido como grosso pela torcida, protagonizando lances esquisitos, mas muito perigoso e eficiente quando recebe a bola na área.

Técnico

As peças acima ganharão contorno e vida em campo graças aos comandos de dois homens: Marcelo Oliveira e Renato Gaúcho. E por 7 a 4, o técnico coxa-branca venceu o atleticano na preferência dos votantes.

Oliveira superou Gaúcho na votação

Mineiro de Belo Horizonte, Oliveira tem 56 anos e nessa temporada conduziu o Coxa ao título paranaense e a decisão da Copa do Brasil (perdeu para o Vasco). Faz o estilo oposto ao de Renato Gaúcho fora de campo: é discreto e fala pouco, muito embora o treinador atleticano está mostrando uma faceta muito tranquila em Curitiba.

Os votos

Napoleão de Almeida
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Cléber Santana e Marcinho; Marcos Aurélio e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

Gerson Dall’Stella – 91Rock, Band Curitiba
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Tcheco e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

Nadja Mauad – RPCTV
Edson Bastos; Edilson, Manoel, Emerson e Paulinho; Deivid, Tcheco, Cleber Santana e Rafinha; Marcinho e Bill. Técnico Marcelo Oliveira

Caio Derosso – Jornal do Estado
Edson Bastos; Edílson, Jéci, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Cléber Santana, Marcinho; Marcos Aurélio e Bill Técnico Renato Gaúcho

Rodrigo Feres – Paraná Online
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Manoel e Paulinho; Deivid, Kléberson, Cléber Santana e Marcinho, Madson e Bill Técnico Renato Gaúcho

Marco Pires – Band Curitiba
Edson Bastos; Gil, Jeci, Manoel e Lucas Mendes, Deivid, Kleberson, Cleber Santana e Rafinha; Marcos Aurelio e Bill Técnico: Renato Gaucho

Renan Ceschin – Band Curitiba
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Lucas Mendes; Deivid, Léo Gago, Cléber Santana e Rafinha; Madson e Edigar Junio Técnico: Renato Gaúcho

Gustavo Marques – CBN Curitiba, PFC
Edson Bastos; Edílson, Jéci, Emerson, Paulinho; Deivid, Léo Gago, Tcheco e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill Téc.: Marcelo Oliveira

Nicolas França – Gazeta do Povo
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Tcheco e Rafinha, Marcos Aurélio e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

Kako Mazanek – Rádio Transamérica
Edson Bastos; Edílson, Manoel, Emerson e Lucas Mendes; Deivid, Léo Gago, Tcheco e Rafinha, Madson e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

Silvio Rauth Filho – Jornal do Estado
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Cléber Santana e Marcinho; Marcos Aurélio e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

Seleção
Edson Bastos; Edílson, Fabrício, Emerson e Paulinho; Deivid, Léo Gago, Cléber Santana e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill. Técnico: Marcelo Oliveira

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Até que demorou

Agora deixou de ser chiadeira e virou ação

Me chamou a atenção via Twitter o colega Linhares Jr., do SporTV: “O futebol paranaense precisa evoluir. Discutir arbitragem não leva a nada”. Vindo de quem está radicado em São Paulo, maior centro do País – e com dois clássicos nesse final de semana – mas mesmo assim vive de antena ligada no Paraná, achei pertinente. Linhares fala do nosso provincianismo, da mania de depreciar as coisas daqui. “A imprensa não presta, os juízes roubam, nossos clubes são fracos” e outras que estamos acostumados a ouvir e pensar: “É, tudo bem.”

O debate deveria mesmo ser conduzido no sentido de perguntar não porque Héber Lopes vai apitar o Atletiba, mas sim porque há tempos no Paraná ele ou Evandro Roman são as únicas opções; por que é que não fortalecemos nossa escola. Mas não deu.

O ótimo site Furacão.com, dedicado a cobertura do Atlético, logo estampou na capa: “Coritiba 1 x 0 Atlético”, atribuindo a vitória ao Coxa, 5880 minutos antes do apito inicial, marcado pras 18h de sábado, no Couto Pereira. Via Twitter, usando do RT para movimentar a discussão, logo comecei a ler a impressão coxa-branca da escolha. Todas muito mais no sentido de galhofa em cima dos atleticanos – “começou o choro” – que aprovando ou desaprovando (salvo 2 ou 3 que reclamaram da atuação de Héber no último Paratiba). E tudo isso faz parte do folclore do clássico, 346 edições* mais velho que em 1924.

Poderiam ser os ingressos (que podem ser 3,5 mil para os atleticanos, que querem mais, ou o velho meio a meio, sequer cogitado no Alto da Glória); poderia ser o calção negro, a galhofa atleticana de chamar o Coxa de “tricolor” ou a imposição estatutária do mandante – que até poderia ser aceita, já que o Atlético mesmo trocou seu calção em ocasiões nessa temporada. Poderia ser qualquer desculpa, mas foi a arbitragem.

Calçados em números, os atleticanos foram aos protestos – agora oficiais. Com Héber no comando em Atletibas, 10 jogos, 7 vitórias do Coritiba, 1 empate e 2 triunfos do Furacão. Evidentemente não foi Héber o responsável solitário pelos números. No futebol, são muitos os componentes. Até hoje, não recebi ou consegui uma única prova cabal de corrupção ou erro deliberado de juiz Fulano contra clube X a favor do Y. Se você tiver, é só enviar. O que acontece é que os árbitros são RUINS no geral. Não a toa há muito que se pede o auxílio eletrônico.

O Coritiba, por sua vez, não reclamou. Marcelo Oliveira, aliás, foi taxativo ao dizer: “Eu gosto muito quando ele apita”. Confira (e mais Léo Gago e Renato Gaúcho, que adiou o tema, em entrevista ao Jogo Aberto Paraná):

Significa que Héber então irá ajudar o Coxa? Evidente que não.

O que Marcelo Oliveira quis foi neutralizar a polêmica. Tirar do apito a importância. Mas acabou acirrando, já que a cúpula rubro-negra esperou a repercussão para ir atrás do pedido de mudança, ao invés de tentar o veto no sorteio – a explicação atleticana é que ele foi antecipado. Paulo César Oliveira, de SP, foi o outro nome.

Não adianta. O Atletiba tem disso e a lenha já está queimando na fogueira. Há até quem esqueça que o Atlético tem jogo nesta quarta, contra o Flamengo. Até que demorou para ferver.

Se a CBF vai acatar o pedido, ninguém sabe. Acho improvável. Se Héber estará mais ou menos pressionado, ou terá alguma tendência após tanto falatório, não se saberá antes de sábado, por volta das 21h. Se já era importante, o clássico de sábado passou a não ter justificativa para derrota, seja qual for o lado.

…imaginem então quando for o da última rodada, finalizando o destino dos clubes no Brasileirão.

*Update via História do Coritiba

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Marcelo Oliveira: “Atlético vai entrar de igual para igual”

Para o técnico do Coritiba, Marcelo Oliveira, o fato de o Atlético atuar na noite desta quarta-feira pela Copa Sulamericana não significa nada para o clássico.

Marcelo entende que o time titular estará descansado: “Eles jogarão de igual para igual”. Confira:

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Atlético x Flamengo: confira o pré-jogo

Reportagem exibida no Jogo Aberto Paraná desta quarta-feira na Band Curitiba, sobre o segundo jogo da série eliminatória entre Atlético x Flamengo (0-1 na ida). Confira:

Update:

Renato Gaúcho pode lançar o volante Fransérgio como atacante. Para o técnico, consagrado na posição, o jogador “leva jeito”:

A Band transmite o jogo para todo o Paraná! Em Curitiba, no canal 2 da NET/TVA/UHF e 302 da Sky!

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Que beleza de camisa! #9: Peñarol

"Fico bem de dourado?"

Terça-feira = Que beleza de camisa! E hoje vamos contar a gloriosa história do Peñarol, atual vice-campeão da Copa Libertadores, representado pela não menos gloriosa @kellypedrita. Vamos lá?

Que beleza de camisa!

#9 Club Atlético Peñarol

Quem é? Um dos grandes do futebol mundial, fundado em 28 de setembro de 1891.

Já ganhou o que? 3x Campeão Mundial (1961, 66 e 82), 5x Campeão da Copa Libertadores (1960, 61, 66, 82 e 87) e 48x Campeão Uruguaio.

Grande ídolo: Com 119 anos, falar em um ídolo só para o Peñarol é arriscado; por lá passaram o carrasco brasileiro Alcides Ghiggia, Pablo e Diego Forlan (pai e filho) e Pedro Rocha. Mas para a atual geração de torcedores, o principal nome do clube é Diego Aguirre, autor do gol do título da Libertadores de 1987 no último minuto da decisão contra o América de Cáli e que, 24 anos depois, quase repetiu o feito ao conduzir o então apagado Peñarol ao vice-campeonato da mesma competição, perdendo para o Santos.

Apelidos: Carboneros, Aurinegros.

Como anda? É o atual vice-campeão da Libertadores, depois de anos de ostracismo no continente. Também superou um jejum de sete anos em 2010, quando voltou a vencer o Uruguaião.

Curiosidades: Fundado em 1891 com o nome de CURCC (Central Uruguay Railway Cricket Club), mudou em 1913 para Club Atlético Peñarol sob forte apelo de nacionalismo uruguaio – Peñarol é a localidade em Montevidéo onde foi criado o clube. O nome Peñarol vem do agricultor Pedro Pignarolo, dono da propriedade que deu origem ao clube. Apesar de muito se falar no Santos de Pelé, quem mandou mesmo no continente na década de 60 foi o Peñarol, tricampeão continental. Sua torcida orgulha-se de ter “o maior bandeirão do Mundo”, de 15 mil metros quadrados.

O Peñarol e o futebol paranaense: Ao contrário do rival Nacional, o Peñarol nunca enfrentou Atlético, Coritiba ou Paraná. Mas nesse ano as notícias dos Carboneros se cruzaram com as do Furacão, que tentou a contratação do técnico Diego Aguirre, que preferiu seguir no Uruguai em função do momento político do Atlético. No entanto, Aguirre deu uma grande demonstração de amor ao clube uruguaio ao recusar propostas do São Paulo FC e do milionário futebol árabe para seguir no Peñarol.

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Atletiba*: Top 5

Começo a semana do Atletiba #347**** elaborando uma lista dos 5 jogos mais importantes para cada clube ao longo da história do clássico – pelo menos na minha visão. Serão 10 partidas memoráveis e uma rápida historia sobre elas, justificando o porquê da escolha do Top 5:

Coritiba #5 – Atletiba #1

Coritiba 6-3 Atlético – Paranaense 1924

O primeiro fica para sempre. E coube ao Coritiba a honra de vencer o primeiro Atletiba da história, no distante ano de 1924. Por 6 a 3, com quatro gols de Ninho, o Coxa vencia o primeiro clássico oficial entre os clubes (o Atlético reivindica uma vitória por 2-0 no Torneio Início do mesmo ano, mas que não teve 90 minutos de duração). Até hoje Ninho é o jogador que mais fez gols em um mesmo Atletiba. O jogo foi no Estádio Parque da Graciosa, o primeiro usado pelo Coritiba.

Estádio Parque Graciosa: tudo começou aqui

Atlético #5 – Atletiba #27

Coritiba 1-2 Atlético – Paranaense 1933

Esse é o famoso Atletiba da Gripe, o que marcou na história pelo estopim entre a rivalidade entre os clubes. Com seis jogadores doentes, o Atlético solicitou ao Coritiba o adiamento da partida, o que não foi aceito. Indignados, os atleticanos se propuseram a não comparecer ao jogo, cedendo os pontos ao rival; mas os jogadores adoecidos vão contra a idéia e pedem a confirmação da partida, o que foi feito através de uma carta enviada a Gazeta do Povo, cujo texto está reproduzido abaixo:

‘Comunicamos aos nossos prezados consórcios e à família curitibana que, em virtude de seis amadores do nosso quadro principal, acharem-se alguns gripados e outros contundidos, era nossa intenção não disputar a primeira rodada, entregando os pontos ao nosso antagonista, dada a sua atitude pouco cordeal para com o nosso club, quando não concordou com a transferência do jogo para outra data. Acontece porém, que nossos amadores, sabedores da nossa intenção, compareceram incorporados a nossa sede social, pondo-se não só à nossa disposição, como, também, exigindo a realização do jogo. Em face da abnegação dos nossos amadores, resolvemos disputar o jogo em apreço, prestando assim uma homenagem aos nossos denodados defensores que, com sacrifício da sua própria saúde, vão combater ardorosamente em prol do nosso pavilhão. ‘Não nos move a veleidade da vitória’.

Sem outro motivo, atenciosamente subscrevemo-nos.

             Pelo Club Atlético Paranaense
             A Diretoria”

O Atlético entra em campo e vence o Coritiba no Belfort Duarte por 2-1.

Coritiba #4 – Atletiba #146

Atlético 1-1 Coritiba – Paranaense 1968

Paulo Vecchio empata no finzinho: Coxa campeão, Atlético no jejum (Acervo Helênicos)

A fase não era das melhores para a dupla; o Atlético encarava um jejum de 10 anos, o Coritiba de oito. Mas havia um agravante: no ano anterior, o Furacão acabou rebaixado para a segunda divisão estadual e só não a disputou a pedido dos principais dirigentes do Estado, como Evangelino Neves, do Coxa, e Hipólito Arzua, do Ferroviário (hoje Paraná Clube), ambos mobilizados pelo presidente atleticano, Joffre Cabral e Silva. Joffre montou um time com grandes jogadores, como Zé Roberto, Nilson Borges, Sicupira e os campeões mundiais Bellini e Djalma Santos.

E o Atlético ia conseguindo a taça até os 46 do segundo tempo na partida na Vila Capanema, quando surgiu Paulo Vecchio. Ele, a pedido do treinador, havia descido para o vestiário no intervalo. E já eram 30/2o. quando o mandaram chamar. Irritado, Vecchio perguntou: “Porque demorou tanto?” A resposta: “O técnico [Francisco Sarno] esqueceu de você.” O combustível funcionou e Vecchio meteu uma na trave e outra na rede, retratada na foto acima. O Coritiba ficava com o título, que o Atlético só conseguiria em 1970.

Atlético #4 – Atletiba #156

Coritiba 3-4 Atlético – Paranaense 1971

Esse é o preferido do jornalista Carneiro Neto, que gravou o vídeo abaixo para a série especial dessa semana** para o Jogo Aberto Paraná:

**Várias personalidades do Paraná estão contando a história de seu Atletiba favorito. Acompanhe diariamente no Jogo Aberto Paraná, 12h30, na Band!

Coritiba #3 – Atletiba #279

Coritiba 0-0 Atlético – Paranaense 1978

Manga fechou o gol e garantiu a taça (acervo Helênicos)

Foram três jogos, os três no Couto Pereira. Novamente, o Atlético vivia um jejum (8 anos), mas dessa vez o Coritiba vinha de um hexacampeonato estadual, interrompido pelo Grêmio Maringá de 1977.  As torcidas, empolgadas, levaram mais de 150 mil pessoas ao Alto da Glória (em um tempo que reinava a tolerância e a educação, com estádios sem violência e convívio amistoso).

O experiente Manga, bicampeão brasileiro pelo Inter 75-76, reza a lenda, fingiu ter se machucado na coxa. Enfaixou a perna e não batia tiros de meta. E o Atlético pressionava, mas o Coritiba se segurava, levando a decisão para os pênaltis. E então Manga brilhou. Induzindo os batedores a tentarem o lado em que ele estava machucado, Manga fez três defesas e o Coritiba venceu por 4-1 nos pênaltis, consagrando-se campeão.

Atlético #3 – Atletiba #305

Coritiba 1-4 Atlético – Seletiva 1999

Foi possivelmente o mais importante Atletiba de todos os tempos em disputas nacionais. Eliminados da fase final do Brasileiro/99, a dupla se cruzou no torneio eliminatório que classificaria um quarto clube brasileiro para a Copa Libertadores. E a primeira partida foi no Couto Pereira.

Pela primeira vez um Atletiba valia vaga em outra fase de um torneio nacional. O Coritiba, em casa, saiu na frente.

E recentemente o volante Cocito, em entrevista a Furacão.com, relembrou a partida:

“Em sua primeira passagem pelo Atlético, você marcou apenas dois gols. O primeiro foi na goleada por 4 a 1 contra o Coritiba, na Seletiva da Libertadores, em 99. Como foi aquele dia?
Na concentração, estava com o Lucas e o Gustavo jogando videogame, fiz um golaço e brinquei: “Vou fazer um gol desse amanhã no jogo”. Jogo no Couto Pereira, estava no banco, primeiro tempo 1 a 0 (para o Coritiba), mas já era pra estar uns cinco. Aquele sufoco, o time deles era muito bom, só bola na trave. Aí o Leonardo se machucou, o Fabiano foi para a zaga e o Vadão me colocou. Entrei bem, motivado, gritando com todo mundo pra levantar o astral do time e, aos 20 minutos, fiz o gol de empate. Sem modéstia, um golaço!”

Coritiba #2 – Atletiba #279

Coritiba 3-0 Atlético – Série B 1995

O Atlético já estava classificado para a Série A, como o timaço de Oséas e Paulo Rink. E poderia impedir o acesso coxa-branca, que tinha no ponta Pachequinho o ídolo de uma geração – e no jovem Alex uma das grandes revelações da história alviverde.

Mais do que garantir o acesso fazendo 3-0 no maior rival, foi o Atletiba que consagrou Alex com a camisa coritibana. Talvez o grande jogo de um ídolo pouco visto aqui, mas que é cultuado por carregar um orgulho de torcedor mundo afora.

Atlético #2 – Atletiba #296

Atlético 4-1 Coritiba – Paranaense 1998

O Atlético começava a montar a base do time que seria campeão brasileiro três anos depois. Os principais destaques eram o goleiro Flávio e o meia Adriano, ambos vindos do CSA. E pela frente uma decisão estadual, com um jejum de 8 anos a ser quebrado pelo Furacão; as coisas não eram mais fáceis para o Coxa, que já não vencia o Paranaense há 9 anos e foi beber na água do Paraná, então pentacampeão, buscando o goleiro Regis.

Decisões como estas costumam ser apertadas. Mas o Atlético goleou***:

***A qualidade do vídeo é pavorosa, mas é o que o YouTube oferece em pesquisa.

Coritiba #1 – Atletiba #325

Atlético 3-3 Coritiba – Paranaense 2004

Foi um Atletiba que formou uma geração. O Atlético tinha, como o Brasileiro comprovaria, um dos melhores times da história; o Coritiba de Antônio Lopes primava mais pela aplicação. Era a segunda decisão entre os times na Arena, o caldeirão rubro-negro. Mas, mesmo atrás do marcador em duas ocasiões, o Coxa buscou o empate (havia vencido o primeiro jogo) e ganhou mais que o título: quebrou o paradigma da Arena e o mito de ter uma torcida fria, que não parou de cantar “Coooxa!” durante todo o segundo tempo.

Atlético #1 – Atletiba #258

Coritiba 2-2 Atlético – Paranaense 1990

A exemplo do jogo acima, também formou uma geração. Naquela feita, quem tinha um timaço era o Coritiba – entre eles, o goleiro Gerson, hoje meu colega de Jogo Aberto Paraná. Já o Atlético de Zé Duarte era um time de raça, mas com um amuleto: Dirceu. O “carrasco dos Coxas” já havia aprontado na primeira partida, ao empatar (a vantagem, por força do regulamento, era atleticana, que venceu o turno decisivo, depois de o Coritiba ter faturado os dois primeiros) o jogo aos 45 do segundo. Dirceu botou o Atlético na frente; Pachequinho e Berg viraram o jogo para o Coritiba. E o restante da história, só com os próprios olhos:

Concorda com a lista? Discorda? Sentiu falta de algum jogo? Participe do blog comentando!

Repito que é um Top 5 de cada clube, com relação de importância individual.

*Nota importante: em semana de Atletiba, com nervos a flor da pele, vale o registro da grafia correta do nome do clássico. É “Atletiba”, sem partidarismo clubístico, com a junção do prefixo “Atle” com o sulfixo “tiba”, de Coritiba, cujo “t” não é maiúsculo na palavra. Assim como o correto é “Grenal” e não “Gre-Nal”; o mesmo não se aplica a outros clássicos regionais, como San-São (prefixos nos dois casos, Santos e São Paulo) ou Fla-Flu.

P.S.: Agradecimentos a Edson Militão, grupo Helênicos, Furacão.com, Luiz Betenheuser e Carneiro Neto pelas informações.

****Update via História do Coritiba

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