Alex, o Messias

por Rodrigo Salvador*

Quando Alex foi anunciado como jogador do Coritiba, em 18/10/2012, eu escrevi algumas linhas sobre o significado daquilo. Falava sobre a volta “profetizada” nas arquibancadas, naquele que seria o auge de toda uma geração que começou a torcer pro Coritiba pouco antes de 1995. Eu sou dessa geração. E o cumprimento da profecia no jogo de sábado, apesar de (pretensamente) amistoso, me deixou tão ansioso quanto nas recentes finais de Copa do Brasil.

O mundo em 1995 era outro. Todo mundo sabe o que aconteceu desde que Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência, que os Mamonas Assassinas foram lançados ao estrelato, que o Guns’n’Roses acabou pela primeira vez, que o Mike Tyson saiu da prisão, que Forrest Gump ganhou o Oscar de melhor filme, que a Malhação começou e que Os Trapalhões acabou. O que quero contar a vocês aqui é um pouco mais restrito, coisas que não estão na wikipédia e não estarão em nenhum outro link da internet.

Em 1995, eu era um aluno da quarta série de uma escola de bairro; hoje, formado em Matemática Industrial e funcionário público. Meu irmão, hoje engenheiro civil, estava saindo do Prezinho. Meu pai era frequentador esporádico de arquibancada, coisa que não faz há uns 9 anos. Minha mãe esteve no Couto uma vez, e hoje contabiliza quatro idas. Minha namorada tinha 3 anos, e sequer pensaria em ir ver o Coxa ao vivo tantas vezes quantas foi. Lorenza, hoje com 5 anos, não era nem um sonho. Alex era Alex, e hoje é Alex.

A presença de cada um destes teve seu simbolismo na tarde de sábado. Especialmente meu pai, que me levou pra ver o Alex em 95, e agora eu pude retribuir a gentileza. E a Lorenza, que foi ao seu primeiro jogo na vida, levando nas veias o sangue do Fedato – sim, AQUELE, bisavô dela. Eu tenho um fraco por crianças em estádio, porque toda vez que vejo um pirralhinho com o pai, lembro dos meus dias de “aluno”, aprendendo os caminhos mais seguros, as músicas da torcida.

Na hora dos fogos, eu pude ver nos olhos da Lorenza o mesmo brilho dos meus quando vi as torres de fumaça na frente da Mauá no meu primeiro jogo em 95. Foi nos meus braços que ela comemorou seu primeiro gol no Couto, enquanto eu corria pelo terceiro anel, que ela tinha acabado de pedir pra conhecer. E mais do que isso, proporcionei este momento à bisneta do maior jogador da história do meu time. E o fiz ao lado do homem que fez o mesmo comigo.

E tudo isso com Alex no campo. Alex que arrasta quatro torcidas aos pés. Que colocou Turquia e Brasil em sintonia. Que tem um caráter que poucos homens no futebol e no mundo têm. Que inspira famílias a voltarem ao Couto. Que fez uma sessão de autógrafos prevista pra uma hora durar quatro. Que motivou a Lorenza a chegar em casa, olhar pro avô e dizer: “Vô Dinho, sabe a história do Alex? Então, ELE VOLTOU!”.

Salvador, Lorenza e Alex, num sábado com gosto de infância

A volta do Alex, em suma, simboliza a fé no futebol. Lamento porque quem acredita em um futebol que começa e termina com apitos e se restringe a linhas de cal. O futebol é um sentimento, tal qual amor, compaixão e raiva. É abstrato, não me venham tentar provar o contrário. O futebol existe e eu acredito nele. Sábado, com Alex no campo e minha família na arquibancada, eu pude mais uma vez dimensonar o futebol: ele começou, mas não vai acabar.

*Rodrigo Salvador dos Santos, 27 anos de vida e 16 de arquibancada. Coxa-branca e, nas horas vagas, analista de sistemas. Talvez o único bacharel em Matemática Industrial de quem você tenha conhecimento. Fã do Hagi, do Leandro Donizete e do Claudio Caçapa.

Abrindo o Jogo: coluna no Jornal Metro Curitiba de 23/01/2013

O valor de um ídolo

O amistoso do Coritiba contra o Colón, da Argentina, no próximo sábado, será exibido para todo o Brasil. Será a reestreia de Alex com a camisa alviverde. O Coxa tratou de negociar a transmissão com um dos principais canais de TV a cabo do Brasil, em meio a terceira rodada do Paranaense. No domingo, dia seguinte, o Coxa novamente estará na telinha, enfrentando o Cianorte, desta vez com exibição apenas para o Paraná. A mídia nacional tem total interesse em saber de Alex pelas passagens no Palmeiras (campeão da Libertadores 1999) e Cruzeiro (no inesquecível 2003 celeste). Cruzeirenses, que sempre foram simpáticos ao Atlético no Paraná, podem até “virar a casaca”, dada a importância de Alex. E o Coxa ainda não explora tudo o que cerca o ídolo. Durante a semana que passou, um turco, de nome Murat Kapki, comprou nada menos do que 80 camisas oficiais do Coritiba, com o 10 de Alex, para levar para o seu país. Alex é rei no Fenerbahçe, uma espécie de Corinthians da Turquia, que vende em média 10 mil camisas por semana, segundo reportagens da imprensa local. Murat desembolsou cerca de 15 mil reais a vista para presentear amigos, entre eles o primeiro ministro turco, Recep Erdogan. Ainda contou ao advogado coxa-branca Percy Goralewsky que há um reality show na TV turca que premia o vencedor com um milhão de euros e uma visita à Curitiba, para conhecer Alex. São mercados que o Coritiba ainda não resolveu explorar, oficializando, por exemplo, uma loja em Istambul. Mas tem se aproveitado da exposição da marca para todo o Brasil, desde a confirmação da chegada de Alex.

Caminhos diferentes

Se ainda não rentabiliza o máximo que pode com Alex, o Coxa opta por aproveitar ao máximo todos os espaços que lhe são oferecidos na mídia, na estratégia de comunicação do clube. O Atlético, ao contrário, restringe. Existem razões para tal, mais do que somente uma represália à imprensa paranaense. Ainda assim, o caminho mostra alguns equívocos. Primeiro, pontuemos: é nocivo aos atletas e à torcida a restrição de entrevistas imposta pelo clube, mas não é ilegal. Trata-se de uma orientação de patrão para funcionário, prerrogativa do clube. Mas, ao contrário do fenômeno Alex, como criar um ídolo em ambiente enclausurado? Como o torcedor, insatisfeito com o desempenho em campo – pra ficar só no empate com o Rio Branco – pode questionar seus atletas, através da imprensa, se estes só falam ao veículo oficial? É como saber do Governo pela Voz do Brasil. Manter a porta com a mídia tradicional é importante. Além de tudo, é um desperdício de espaço midiático, o que poderá desagradar ou afastar patrocinadores. No entanto, há uma estratégia: o contrato com a AEG, que irá gerir a Arena, prevê a comercialização de conteúdo de mídia. Age bem o clube ao criar seus espaços próprios, como TV e Rádio – só que o faz por caminhos tortos. Real Madrid e Barcelona já os têm e são rentáveis e de qualidade. Aqui, o erro: na Espanha, são fomentadores da mídia. Dão material exclusivo, inédito. Abrem as portas, com disciplina, para qualquer questionamento da imprensa. E são os maiores clubes do Mundo. Já pensou o que seria de Cristiano Ronaldo se ele nunca pudesse dar entrevistas?

Frases de 2012

Fim de ano, hora de relembrar as principais frases que marcaram o esporte e o futebol paranaense em 2012 – hora de exercitar a memória e agradecer a todos os peixes que comi durante o ano.

“A FPF tem em seu estatuto a prerrogativa de requisitar o estádio e aí vamos ver o que acontece. A FPF vai cumprir o seu papel”

Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol, em Janeiro, ao receber a requisição do Atlético para mandar jogos no Couto Pereira.

“Sou sócio do Paraná há 35 anos, já fui duas vezes conselheiro. Não tenho nada contra o Paraná”

Hélio Cury, que teria um Janeiro movimentado, explicando porquê não poderia antecipar o início da Série Prata estadual para adequar o calendário da CBF ao local, como fizeram em Minas (pelo América) e em São Paulo (pelo Guarani). A competição seguiu em maio e o Tricolor chegou a jogar duas partidas em menos tempo que as 48h exigidas pela lei.

“O time está fechadíssimo. Nós montamos uma equipe boa e forte para as primeiras competições”

Ernesto Pedroso Jr., ex-vice-presidente de futebol do Coritiba, em Janeiro.

“Nunca está totalmente fechado. Contratamos os substitutos para o Leandro Donizete [Junior Urso] e Léo Gago [Lima]. Estamos atentos aos pedidos da comissão técnica e oportunidades de contratação”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, rebatendo Pedroso, dias depois. O ex-par de diretoria deixaria o Coxa no decorrer do ano, em função de divergências. Essa foi a primeira.

“O Conselho Administrativo do Coritiba reafirma aos conselheiros sócios, torcedores e a toda nação coxa-branca a sua disposição de lutar até o fim, usando as medidas judiciais cabíveis, para garantir os interesses do Clube e os direitos sobre de suas propriedades”

Nota oficial no site do Coritiba, emitida logo após a requisição do Couto Pereira para o Atlético, formalizada pelo presidente da FPF, Hélio Cury; o Coxa fez valer seu ponto de vista e o rival não jogou no Couto, a despeito da exigência da FPF. Em Janeiro.

“Foi solicitada a cessão por aluguel do Estádio Durival Britto e Silva, somente para o campeonato paranaense, pois, segundo o dirigente [N.B.: Mário Celso Petraglia, pres. do Atlético], para o campeonato brasileiro já acertou a cessão do estádio Couto Pereira”

Nota oficial no site do Paraná, revelando negociações com o Atlético, enquanto corria na justiça a questão sobre o Couto Pereira. O Atlético chegou a disputar 13 jogos como mandante na Vila Capanema.

“Repudiamos a atitude do Paraná Clube, que além de noticiar inverdades sobre a questão (…) tem como objetivo nivelar por baixo Instituições da grandiosidade do Clube Atlético Paranaense e do Coritiba Foot Ball Club”

Nota oficial no site do Atlético, publicada em Janeiro, rebatendo as afirmações do Paraná na nota anterior.

“Será que a Federação pode obrigar o Coritiba a emprestar jogadores também? Isso vai contra o princípio do direito desportivo, que vai contra o direito da própria competição”

Peterson Morosko, presidente do TJD-PR, explicando porque decidiu, em voto-desempate, pela não-obrigatoriedade do aluguel do Couto Pereira ao Atlético, por ordem da FPF. Em Janeiro.

“O Santos ainda deve pensar que aqui é a 5.ª Comarca de São Paulo. Se quer levar, tem preço. Se quer levar, tem de pagar esse preço. Senão não leva”

Vilson Ribeiro de Andrade,  em Janeiro, revoltado com a diretoria santista por ter prometido um aumento salarial ao lateral Maranhão, que seria pago pelo Coritiba, para que houvesse uma troca pelo também lateral Jonas; o negócio não saiu e Maranhão acabou defendendo o Atlético na Série B.

“Usam argumentos fora da realidade atual, do romantismo do passado e escondem como o avestruz sua cabeça na areia”

Mario Celso Petraglia (presidente do Atlético) em Fevereiro, então pelo Twitter, defendendo que os Atletibas tenham torcida única; nos jogos dos turnos do Paranaense, fez valer sua ideia; na decisão, não. E em 2013?

“Sempre acho que não é positivo [torcida única]. Mas se for para evitar maiores transtornos, eu sou propenso a aceitar”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, num dos poucos momentos de concordância com Petraglia, em Fevereiro.

“Era uma área interessante [o Pinheirão], mas inviabilizou-se pelos motivos que todo mundo conhece. O Coritiba hoje não está pensando no novo estádio”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, adiando mais uma vez o sonho de um novo estádio para o clube. O Pinheirão foi arrematado pelo grupo Destro Atacadista e ainda tem destino incerto. Em Fevereiro.

“Quero dar muitas alegrias à torcida”

Rodolfo, goleiro do Atlético, em Março. O ex-jogador paranista chegou a rival para ser titular, mas foi suspenso por doping no começo da Série B.

“Quero voltar para a minha casa, o Coritiba”

Keirrison, atacante do Coritiba, em Março, que pertence ao Barcelona e estava no Cruzeiro. Ele negociou um retorno para tratar uma contusão no Coxa, mas não entrou em campo em 2012.

“Com certeza a torcida do Paraná vai lotar a Vila Capanema. A nossa torcida é muito maior que a do Atlético”

Paulo César Silva, diretor de futebol do Paraná, apostando que o Tricolor levaria mais torcida que o Rubro-Negro em seu jogo da Copa do Brasil, contra o Luverdense, enquanto o Atlético pegaria no dia seguinte o Sampaio Corrêa. Ele ganhou a aposta: 7365 x 4849 pessoas em cada jogo, respectivamente.

“Eu é que tenho que aguentar”

Amilton Stival, vice-presidente da FPF, ao alterar pela terceira vez a tabela da 2a divisão paranaense, em Abril, após mais um conflito de datas com os jogos do Paraná na Série B.

“Eu não sou dirigente covarde, que muda de treinador quando as coisas não vão bem. O Marcelo Oliveira será o treinador enquanto eu for o presidente. O culpado disso tudo sou eu”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, mantendo o pressionado técnico no cargo em Abril

“O Sr.Vilson nos enganou, pois nós confiamos nas palavras dele e, por isso, nada fizemos politicamente para pressionar a CBF. O “homem bom” se revelou um traidor!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Maio, dando sua versão dos fatos quanto ao pedido do Atlético pelo Couto Pereira.

“Se Petraglia acha que eu sou traidor dele, me sinto honrado. Trair o Petraglia melhora o meu currículo. Vou ser levado nos braços pelo povo de Peabiru [N.B.: cidade natal de Andrade]. Eu nunca traí ninguém. Eu tenho convicções na minha vida e é o pensamento da torcida do Coritiba”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Maio, rebatendo a frase acima.

“O Atlético vai jogar em Curitiba. Essa é uma posição já declarada pelo nosso presidente. Essa situação está nas mãos da CBF”

Mauro Holzmman, diretor de comunicações do Atlético e braço-direito de Petraglia, afirmando em Maio que o clube não sairia de sua sede; o Furacão acabou disputando nove dos 19 jogos como mandante na Série B em Paranaguá.

“É tentá matá essa porra aí!”

Guerrón, ex-atacante do Atlético, em Maio, em jogo contra o Cruzeiro em Minas, pela Copa do Brasil, reclamando dos gols perdidos pelos colegas no primeiro tempo da partida, que acabaria 2-1 para o Furacão, que viria a ser eliminado pelo Palmeiras.

“O si$tema existe independente do resultado! Não deveria estar acontecendo as finais, fomos assaltados pela aldeia!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, pelo Twitter, reclamando da arbitragem nos clássicos com o Coritiba, em Maio. O dirigente queria marcação de impedimento em dois lances de gol do Coxa, que acabaria campeão estadual. Petraglia, seria punido pelo TJD pelas reclamações e abandonaria a rede social poucos dias depois.

“Aprendi que aqui lateral tem de jogar na lateral”

Juan Ramón Carrasco, ex-técnico do Atlético, ao ser demitido sob a alegação de que improvisava demais. O uruguaio ficou no clube até o início da Série B. Em Junho.

“Isso tem que haver; para qualquer manager, qualquer diretor de futebol que tem um conhecimento e tem uma função nessa área e também um cargo que lhe permita essa interação”

Sandro Orlandelli, gerente de futebol do Atlético, assumindo em Junho que as reclamações de Juan Ramón Carrasco, ex-técnico, eram fundamentadas – o que é diferente de justificadas.

“Estou muito feliz e esperançoso”

Ricardo Drubscky, recém-contratado técnico do Atlético, em Junho, antes de saber que mal assumiria o cargo. Naquele momento, ao menos.

“O que?? O Ricardo [Drubscky] ainda está como técnico?”

Jorginho, técnico com passagem relâmpago em Junho pelo Atlético, dizendo que só conversaria com o clube se o cargo estivesse livre, até que foi avisado pelo repórter. Era o mês mais turbulento na Baixada.

“O nosso time é muito fedido”

Jorginho, poucos dias antes de ser demitido, em Julho, após um empate em 0-0 em casa contra o Bragantino, tecendo críticas ao elenco rubro-negro, que seria reforçado a seguir.

“Era uma obrigação nossa, mas foi uma caminhada de difícil. Calendário duro, campos ruins, assim como os horários. Mas esta era a realidade e tínhamos que encarar”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, comemorando o acesso do clube à primeira divisão estadual, quando o time chegou a jogar em intervalos menores que 48h, em paralelo à Série B nacional.

“O Palmeiras e a sua torcida deveriam se envergonhar. Uma arbitragem desastrosa em São Paulo que matou o Coritiba. Hoje, ganhávamos de 1 a 0 e o juiz inverteu uma falta. Por isso eles são campeões”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Julho, após a final da Copa do Brasil, reclamando da arbitragem. Foi o segundo vice-campeonato saeguido do Coxa na competição.

“Ninguém tem direito de recusar um clube como o Inter”

Felipe Ximenes, gestor de futebol do Coritiba, falando sobre a proposta para que ele deixasse o clube em Julho. Apesar da frase, Ximenes ficou e ainda negou nova sondagem em Dezembro, além de dizer não à Flamengo e Vasco.

“Tomara que não achem um treinador tão cedo, que demorem muito e que todos que procurem não queriam vir, porque tenho certeza que eu tenho competência suficiente e posso dirigir esta equipe”

Ricardo Drubscky, técnico que conseguiu o acesso com o Atlético, com a interinidade mais longa da história do futebol. Em Agosto.

“Esquecemos como se joga a Série B, porque ficamos 17 anos na Série A”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Agosto, justificando a má campanha do time naquele momento. Com reforços no elenco, o clube  ‘lembrou’ como se faz para vencer na competição.

“Quando a gente puser o nosso pé no G4 a gente não vai sair mais”

Weverton, goleiro do Atlético, em Agosto, após o time vencer o então líder Criciúma em casa.

“Quero ser o prefeito da Copa em Curitiba”

Luciano Ducci, prefeito de Curitiba até 31/12/12, em campanha eleitoral, em Agosto. O “prefeito da Copa”, no entanto, não compareceu ao debate sobre Copa do Mundo realizado pela ÓTV entre os então candidatos e ainda retirou da pauta pré-eleição a decisão de ajuste de valor para o Potencial Construtivo, essencial para a construção da Arena da Copa.

“Eu trabalho duro para ganhar título e não para agradar torcedor. Se não gostaram, não posso fazer nada. Não vivo para agradar torcedor”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, em Setembro, no primeiro sintoma de que ficaria sem clima para seguir no Coxa, ainda comentando perda do segundo título seguido na Copa do Brasil.

“Montamos um time dentro das possibilidades , mesmo com todas as situações financeiras. Chega um momento em que falta. Pedi à diretoria várias vezes. Prefiro, pelo bem do Paraná, sair e que um outro profissional possa dar continuidade ao trabalho”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, ao pedir demissão em Setembro, após um empate em 1-1 em casa com o Barueri, deixando publico pela primeira vez o problema financeiro no Paraná.

“Os jogadores estão no direito deles, mas o que já havíamos falado antes para eles é que estávamos buscando recursos. Esse manifestamento (sic) dos jogadores acabou me fazendo voltar de mãos vazias, mas já estamos resolvendo e eles vão receber centavo por centavo”

Rubens Bohlen, presidente do Paraná, em Outubro, comentando a carta divulgada pelos jogadores que reclamavam de atraso nos salários. Na última rodada do Brasileiro Série B, em Novembro, os jogadores não concentraram nem treinaram alguns dias, pela mesma razão.

“Eu cheguei para o Felipão e disse: vocês vão ser campeões”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, revelando em Outubro um papo com o técnico palmeirense que o comandou na Seleção, logo após a eliminação tricolor, em Maio. O Palmeiras eliminou Paraná, Atlético e Coritiba e foi o campeão da Copa do Brasil.

“Não somos gigolôs do dinheiro público!”

Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do Coritiba, durante a festa de aniversário da torcida organizada “Império”, em Outubro, quando selou a paz com a facção e aproveitou a deixa para provocar o rival, parceiro da Prefeitura e do Estado no projeto da Copa.

“Eu não posso ter uma força como você no meu vestiário”

Aykut Kocaman, técnico do Fenerbahçe, explicando em Outubro para Alex porque o barrou no time turco. Alex estava próximo de ultrapassar o proprio Kocaman como maior artilheiro da história do Fener e acabou rescindindo contrato, sendo pretendido depois por Palmeiras, Cruzeiro e Coritiba.

“O Coritiba é minha mãe e o Fenerbahçe, minha mulher”

Alex, meia do Coritiba, resumindo porque decidiu voltar para o Coxa em detrimento de Cruzeiro e Palmeiras, para espanto de muita gente em São Paulo. Em Outubro.

“Eu quero agradecer as orações de vocês. E a minha família, que me apoiou no meu problema e disse: ‘você é a razão da nossa vida e sabemos que o Coritiba é a razão da sua!'”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Outubro, em um discurso emocionado, ao anunciar uma reforma para concluir o terceiro anel de arquibancadas do Couto Pereira, situado na Rua Mauá.

“Será um jogo de cachorro louco”

Weverton, goleiro do Atlético, antes do duelo direto em Salvador contra o Vitória, em Outubro, confundindo um pouco o ditado.

“Nós tivemos que tomar uma posição mais drástica de não concentrar. Agora nós tomamos a decisão de não treinar. Nós comparecemos só. Não jogar está descartado, pois somos profissionais”

Fernandinho, meia do Paraná, anunciando a greve dos jogadores em Novembro, a uma semana do derby com o Atlético, que valia acesso ao Furacão. Ainda assim, Tricolor fez jogo duro e por pouco não ganhou a partida.

“Cumpri minha promessa. O Atlético não pode estar na Segunda, o Atlético tem de estar sempre na Primeira. E daqui para frente, não cai mais!”

Paulo Baier,  meia do Atlético, em Novembro, logo após o suado empate com o Paraná (1-1) que garantiu a volta atleticana à primeira divisão.

“Temos orgulho muito grande que somos o único clube independente, que não tem vínculo com investidor e empreitera. Este trabalho será vitorioso, com muito trabalho e empenho. Vamos ajudar não só o clube e a cidade, como o estado e todo o país”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, anunciando em Novembro, num evento em São Paulo, parceria pioneira no Brasil com a AEG, empresa que faz a gestão de Arenas em todo o Mundo, caso do Staples Center, do Los Angeles Lakers.

“Eu me surpreendi um pouco quando eu fui demitido”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, confessando em Dezembro que esperava continuar no clube, dada a promessa feita por Vilson Andrade em Abril.

“Vimos, por intermédio desta, manifestar o nosso protesto pela falta de transparência, ilegalidade e imoralidade da engenharia financeira da operação que pretende prover de recursos públicos, na forma de financiamento, a obra do estádio do Clube Atlético Paranaense, por intermédio da CAP S/A”

Nota oficial (mais uma, entre tantas dos três clubes em 2012) no site do Coritiba, direcionada aos políticos paranaenses uma semana antes da votação da adequação de valores dos papéis de Potencial Construtivo, em Dezembro. A nota tem uma incorreção de concordância: o Coxa protesta a falta de ilegalidade e de imoralidade no processo.

“O Coritiba também será beneficiado com a Copa”

Aldo Rebello, ministro do Esporte, em Dezembro, rebatendo a carta publicada pelo Coxa, que considera imoral e ilegal a parceria entre Governos estadual e municipal e o Atlético para a construção da Arena para a Copa; Rebello ainda garantiu que todos os clubes das Séries A e B estão como reservas técnicas: “Basta ter projeto.”

“Ele conhece não só o CT, como também a torcida e a força do clube. Ele aceita um projeto de dois anos, se o clube buscar objetivos como a Libertadores ou títulos. Isso é importantíssimo.”

Jorge Baidek, empresário de Juan Román Riquelme, meia argentino que está nos planos do Atlético para 2013 – em Dezembro. A concorrência com Palmeiras e Boca Jrs. deixa no ar a vinda e a expectativa: Alex x Riquelme no Paranaense 2013? A conferir.

Gostou da retrospectiva? Então volte um pouco mais no tempo e relembre as principais frases de 2011 clicando aqui.

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Prazo de validade

Existe uma corrente no Coritiba que defende a saída de Felipe Ximenes do departamento de futebol do clube. Parte da torcida apoia e aquele ciclo de críticas é iniciado. Convenhamos, o Coxa brigou para não cair no Brasileirão, muito embora o que ficará para a história é o 13o lugar: nem lá, nem cá. Para alguns, o ciclo de Ximenes no Coritiba acabou. É hora de mudar.

Quando se propõe a saída de um profissional no futebol, a pergunta que sempre me vem a cabeça é: e quem assume? A partir dessa reflexão, é possível entender se as críticas são gratuítas ou se há uma necessidade real de mudança. Afinal, todos querem o melhor para si – no Coxa não é diferente –  e se o profissional em questão já não é o top no mercado, nada mais sugestivo que mudar, certo?

Ou não. Primeiro que no caso de Felipe Ximenes, isso não se aplica. Basta olhar um pouco além das divisas paranaenses para entender que quando clubes como Internacional e Flamengo o procuram, tops que são, certamente querem o que há de melhor. Ximenes é atualizado e sempre convidado a estar em palestras, circulos de discussões sobre gestão no futebol, etc. Ao lado de Rodrigo Caetano, é o principal nome brasileiro no segmento até então.

E isso porque, por mais que o coxa-branca não queira reconhecer, pegou um time do segundo escalão nacional e conseguiu resultados que poucos do primeiro escalão conseguiram, com menos dinheiro do que 12 outros clubes recebem, por um motivo ou outro. Deixou para trás São Paulo, Grêmio e Internacional, por exemplo, parando em duas decisões de Copa do Brasil contra Vasco e Palmeiras, que tiveram seus méritos na conquista, mas contaram com atuações ruins dos árbitros nos jogos das finais. Não fosse isso, talvez pudesse ter coroado a remontagem de um clube após os episódios de 2009 com ao menos um título nacional. Se é pouco, superou o maior rival em três estaduais e ainda levantou uma Série B no processo. Tudo isso com muito menos verba que alguns privilegiados, como Botafogo e Atlético-MG.

Atribuir um prazo de validade para Felipe Ximenes no Coritiba é um contra-senso. É não reconhecer as limitações do clube – o que nem de longe significa pensar pequeno. Com a verba que tem, Ximenes montou bons times. Se não atendeu a todos os anseios da torcida, é bom lembrar que outros com mais força também não o fizeram. Só um vence.

O fim do ano foi melancólico sim. Muito mais pela surpresa de quase se ver envolvido no risco de queda mais uma vez, acentuado com um resultado desastroso em SP contra o Corinthians (1-5). Uma noite ruim contra uma equipe que vai decidir o Mundial de Clubes, com a maior verba da TV e o maior patrocínio de camisa do País. Pensando bem, talvez haja um exagero na avaliação da desagradável goleada.

O Coritiba, com dívidas trabalhistas e no INSS, tem feito o possível para manter-se competitivo. Ximenes é o articulista principal desse desafio. Qualquer entrevista com Alex, ídolo que retornou, e se perceberá a importância da direção de futebol, respaldada pelo clube. Não se sabe se o time de 2013 será vitorioso. Mas percebe-se uma movimentação. O trabalho a longo prazo, cantado pela diretoria em 2009, está apenas na metade. Essa compreensão é importante, baseada nos fatos acima.

De todo modo, a opinião é livre. Só que é preciso coerencia. Criticos dizerem que o prazo de validade esgotou-se apenas pelo tempo é o mesmo que assumir que é impossível ficar no mesmo emprego por mais de 5 anos. Teremos pedidos de demissões em massa em Curitiba? Creio que não.

Liga Europa: prévia da 5a rodada

Mais uma rodada de Liga Europa pra você assistir ao vivo e de graça pelo Terra! É a 5a da fase de grupos e muitas definições devem acontecer. Alguns classificados estão definidos e duelam por melhor posição. Outros ainda sonham em estar entre as 32 equipes que receberão os terceiros melhores colocados da Champions League. Atlético de Madrid, Liverpool, Napoli e Internazionale, entre outros, podem receber a companhia de Chelsea, Ajax ou Manchester City e Zenit, por exemplo.

Abaixo, o preview dos jogos que transmitirei nesta quinta!

14h – Rubin Kazan x Internazionale – Estádio Central, Kazan, Russia

Em Milão, o Rubin Kazan surpreendeu e segurou a Inter (Foto: blog Inter Brasil)

Jogo que vale a liderança do Grupo H. Ambos os times têm 10 pontos e estão classificados. A Inter viajou 2993 km para chegar até Kazan, capital da República do Tartaristão, estado russo, para encarar pela 4a vez na história o Rubin. Nos confrontos anteriores, uma vitória interista (2-0, pela Champions League de 2009) e dois empates, o último em 2-2 no Giuzeppe Meazza, na primeira rodada desta competição.

A Inter, que tem usado times mistos nesta fase da Liga Europa, aposta na dupla sul-americana Guarín (Colômbia) e Palácio (Argentina), que juntos já marcaram 7 gols nesta competição. Vice-líder do Italiano, 4 pontos atrás da Juventus, a Inter pode passar a priorizar a Liga Europa a partir da fase de mata-mata. Na história, é a maior campeã do torneio (ao lado de Juve e Liverpool) com três conquistas. Os brasileiros Juan (ex-Inter-RS) e Jonathan (ex-Cruzeiro) têm sido titulares; o também brasileiro Philippe Coutinho, ex-Vasco, pode aparecer nessa partida.

O Rubin Kazan, 4o colocado no Campeonato Russo, vê na Liga Europa uma chance de internacionalizar sua marca. Recebe a Inter no Estádio Central com expectativa de lotação (28.500 lugares) para ficar com o primeiro lugar no grupo. Por isso o técnico Kurban Berdyev deve escalar o que tem de melhor, com destaque para o meia russo Aleksandr Ryazantsev, com 2 gols no torneio. Carlos Eduardo, ex-Grêmio, é o brasileiro no elenco russo.

17h05 – Olympique Marseille x Fenerbahçe – Estádio Velodrome, Marselha, França

Jogo de ida em Istambul (2-2) marcou a despedida de Alex no Fener

Classificado, o Fenerbahçe encarou os 1957 km de Istambul até Marselha para pegar um time que precisa da vitória a qualquer custo. O Olympique é o terceiro colocado no Grupo C, com 5 pontos, metade do que tem o Fener. A pontuação é a mesma do alemão Borussia Monchengladbach, que encara o Limassol dentro de casa na mesma rodada. Os concorrentes não se enfrentam mais – OM e M’Bach ficaram no 2-2 na França na última rodada, enquanto que os alemães venceram por 2-0 no jogo de ida.

Por isso, para o Olympique do técnico Élie Baup, só a vitória interessa. Com 6 gols na temporada, o atacante ganês Jordan Ayew, filho do ídolo do clube Adebi Pelé, comanda o ataque marselhês. Lucas Mendes, ex-Coritiba, é o brasileiro do elenco. Ele disputou três dos quatro jogos do OM na Liga Europa depois de ter se recuperado de uma lesão e vem se firmando como titular.

Lucas deixou o Coxa e não jogou em Istambul no jogo de ida, que marcou a despedida de um atual coxa-branca do Fener: Alex. Ídolo na Turquia, Alex marcou o segundo gol sobre o OM, quando o Fener abria 2-0 em casa. Foi substituído em seguida pelo técnico Aykut Kocaman, o que deu início a uma briga que resultou na rescisão do contrato do meia, que acabou retornando ao Coritiba, clube que o revelou. Naquela partida, sem Alex, o Fenerbahçe caiu de produção e cedeu o empate. Mas depois, sem Alex, o Fenerbahçe, que ainda tem o brasileiro Cristian (ex-Atlético e Corinthians), venceu seus 3 jogos: 4-2 no M’Bach e 1-0/2-0 sobre o Limassol.

O valor de Alex

Alex já pagou ao Coritiba o custo que dará aos cofres do clube sem ter sequer entrado em campo. A análise não passa só pelo volume de venda de camisas ou pelo retorno de mídia que o clube teve nacionalmente desde o anúncio da contratação até aqui.

Alex deu ao Coritiba uma moeda não-vendável: estima. 

O Coxa passou a ser olhado de outra forma. Ganhar a concorrência de um jogador ainda com potencial físico e técnico no retorno ao Brasil, disputado por clubes de centros maiores fez muita gente que não conhece o Coritiba pensar “que raios Alex foi fazer em Curitiba?!” E não se trata somente da paixão que o meia tem pelo clube; a declaração de que escolheu um projeto de futuro para tentar ser campeão pela primeira vez por quem o revelou, abrindo mão de uma Libertadores, por exemplo, dá a dimensão da escolha. Alex sempre se portou de maneira profissional e, mesmo se tratando de Coritiba, não entraria em uma fria só por amor.

Não só os clubes passam a olhar o Coxa como um clube competitivo no mercado a partir de então; o efeito-rebote, justamente iniciando um processo positivo, é que os próprios jogadores vêem no clube um bom lugar para trabalhar. Jogador quer salário em dia, projeção e competitividade, nem sempre nessa ordem. O Coritiba hoje parece oferecer os três. Não será fácil, como nunca foi, competir com um Flamengo e as praias maravilhosas do Rio, mas já não é o fim do Mundo jogar na gelada Curitiba. Em proporções maiores, Alex dará ao Coritiba o que Ricardinho deu ao Paraná por alguns meses: credibilidade junto aos atletas. A diferença está na estrutura: o Coxa convence a permanecer, o Tricolor, não. Mas esse é outro papo.

Rafinha, ex-lateral-direito do próprio Coritiba, hoje no poderoso Bayern de Munique, já é exemplo prático disso. Joga no melhor campeonato do Mundo – mais organizado, mais competitivo, melhor média de público –  e não toparia voltar ao Alviverde só para jogar em casa. Mas sente firmeza na proposta de clube que hoje o Coxa é. Via Twitter já anunciou que um dia voltará:

Mas é claro que a mídia também pesa. Segundo o departamento de comunicação do Coritiba, o volume de buscas pelo nome do clube na Internet aumentou três vezes; nas redes sociais, aumento em 10 vezes, pelo Facebook e pelo Twitter. No dia da apresentação de Alex, a ÓTV, televisão local da RPC, transmitiu ao vivo o evento, que foi colocado simultaneamente na Internet pela Globo.com; o portal Terra também iria transmitir, mas teve problemas técnicos. Na busca por vídeos on demand (disponíveis a qualquer hora para o internauta) o interesse da mídia do centro do País cresceu pelo Coritiba – basta dar uma busca no Google. Alex é muito bem-quisto em especial por palmeirenses, que seguem interessados em saber do ídolo da última grande fase do clube, perto de cair pela segunda vez para a Série B.

O Coritiba não confirma o número exato, mas acredita que o volume de camisas vendidas aumentou em até 8x desde a chegada de Alex. Mais da metade das camisetas vendidas saem com o nome dele. A Nike ainda não emitiu o relatório oficial, mas estima-se que o clube vendeu entre 5 e 6 mil camisas só no último mês.

O mercado turco também passou a ser explorado pelo Coxa. A diretoria tenta encontrar uma maneira de encaixar as temporadas para a realização de dois amistosos com o Fenerbahçe. Por enquanto, existe apenas a conversa nos corredores, nada oficial. Mas aos poucos o Coxa vem buscando entrar na Turquia com o nome de Alex à frente. Ações como o vídeo abaixo têm dado muito retorno:

O vídeo foi assistido por quase 23 mil pessoas. O vídeo de apresentação de Alex, sem falar do Fenerbahçe, teve pouco menos de 9 mil visualizações. No Facebook, o Coritiba saudou os turcos pela passagem do dia da república turca, nessa segunda 29/10. O post teve quase 2700 “curtir”; para efeito de comparação, no jogo mais importante do Brasileirão, a revanche contra o Palmeiras em Araraquara, ainda com o Coxa ameaçado pela ZR e em competição direta com o adversário, foram 182 “curtir”. Nos números, Istambul é a segunda cidade que mais visita as páginas do Coritiba, perdendo apenas para Curitiba.

Não só o Coritiba é ajudado por Alex. O Atlético se vê obrigado a responder à altura. Na segunda divisão e vendo o domínio alviverde há três anos no Paraná, o Furacão terá que montar um time competitivo para responder à expectativa coxa-branca nas disputas – algo já afirmado pelo vice-presidente de futebol rubro-negro, João Alfredo Costa Filho. Até mesmo o Campeonato Paranaense, desinteressante por natureza por vários fatores, ganha charme com Alex em campo. Melhor para Londrina, Operário, Toledo e outros, que podem trabalhar essa marca nos encontros com o Coxa.

Guardadas as proporções, Alex já faz pelo Coritiba o que Ronaldo fez pelo Corinthians: internacionalização da marca, aumento da exposição, maior volume de vendas. Em campo, só 2013 responderá se o Menino de Ouro repetirá o Fenômeno, campeão da Copa do Brasil e Paulista pelo Timão.

Abrindo o Jogo – Coluna de 24/10/2012 no Jornal Metro Curitiba

Tropeço inesperado
Os pontos perdidos contra o Guarani deixaram o Atlético novamente à espera do que faria o São Caetano à noite (o jogo ocorreu após o fechamento da coluna). Se teve sorte ou azar (o que era a lógica para o Azulão, contra o Ipatinga), o impacto do tropeço inesperado é o peso ainda maior para a reedição da decisão da Série A 2001 no próximo dia 3 de novembro, em São Caetano do Sul. Com sorte, o Atlético jogará pelo empate; do contrário, se obrigará a vencer. Fruto da ansiedade no jogo de ontem contra o Bugre. Faltou força para a quinta vitória seguida, mas nada está perdido ainda.<

Cadeiras da discórdia
Depois das denúncias feitas pelo ex-vice Cid Campêlo Filho, Mário Celso Petraglia ganhou o apoio do conselho atleticano. Enquanto o tema for interno, se o conselho aprovar gastos maiores por opção, bom para quem está no comando, com o custo bancado pelos sócios do clube. Se o tema passar a ser de interesse geral, mediante decisão do Tribunal de Contas, a situação muda. Dentro do policiamento que faz a imprensa, questiona o leitor Luiz Fernando Bolicenha por que a não se dá o mesmo espaço a quem tem dívidas com a união, como INSS e outros pormenores públicos. Falar pela imprensa, creio, ninguém tem autonomia. Pela coluna, respondo a seguir.

Dívidas: quem paga?
A oportuna colocação vem de encontro à uma reportagem da Revista Galileu, divulgada no início da semana, sobre os clubes maiores devedores do País e quanto tempo levariam para quitar essas dívidas em um estudo envolvendo receitas e plano de parcelamento. O Atlético, justiça seja feita, é o único do Brasil que não tem dívidas. O Coritiba ocupa a 10ª colocação entre 25 clubes, e o Paraná é o 9º, num ranking que leva em consideração o tempo que cada um levaria para quitar suas pendências; o Botafogo-RJ é o pior rankeado. Dívidas das mais diversas ordens, com impostos e atletas/treinadores por ações trabalhistas. Segundo o estudo, o Coxa precisaria de 25 meses para pagar seus 63,9 milhões, enquanto o Tricolor levaria 28 meses para quitar 34,5 milhões. O time carioca precisaria de 86 meses para zerar nada menos que 378,2 milhões. As públicas saem sim do bolso do contribuinte. É tão nocivo quanto o mau uso de dinheiro estatal em qualquer outra atribuição – pior é ver isso ser tratado com displicência pelo comando esportivo do País. De certa forma, exemplificando, todos nós pagamos para que Seedorf defenda o Fogão. É fazer cortesia com o chapéu dos outros.

Alex e o bem que faz ao futebol paranaense
A volta de Alex merece uma coluna só para si (e ela estará no blog napoalmeida.com*) mas, em rápidas linhas – e sem entrar na engenharia financeira, que desconheço – o retorno do ídolo coxa mexe com a estima do futebol da terrinha. Alex não precisaria  marcar mais nenhum gol: o sim ao Coritiba demonstrou caráter, abnegação e reciprocidade. Um tapa de luva em um mundo de negociações e mercados inflados.

*Promessa é dívida e, em semana de Liga Europa aqui no Terra, encaixo algo até a noite desta quarta sobre o tema.

Alex é do Coritiba! Saiba detalhes

Nem Palmeiras, nem Cruzeiro: Alex é do Coritiba.

O contrato de dois anos com o meia será celebrado nessa noite, durante o jogo entre Coritiba e Náutico pelo Brasileirão. O Coxa prepara uma homenagem ao jogador, que volta ao clube que o revelou para encerrar a carreira.

A apresentação deve ficar para amanhã (quinta) ou até mesmo sábado. Faltam detalhes entre as assessorias do clube e do jogador. O Coritiba já tem uma estratégia de marketing para aproveitar a volta do jogador, que era desejado por clubes que já contaram com ele em grandes momentos, casos do Palmeiras, onde venceu a Libertadores 99 e o Cruzeiro, multi-campeão em 2003.

Pesou para Alex o desejo de voltar ao clube do coração e o desejo da família. O Coxa ainda apresentou um projeto ao jogador, parecido com o que tem com Tcheco, para que ele continue no Coritiba após encerrar a carreira de atleta, atuando na área de gestão. Na conversa com interlocutores ligados ao clube, ficou a impressão positiva sobre a visão do negócio futebol por parte do jogador.

Detalhes como salário e bonificações foram mantidos em sigilo. Alex só poderá atuar oficialmente em 2013 e a diretoria ainda não planejou nenhum amistoso ou jogo antecipado para festa.

Abrindo o Jogo – Coluna de 10/10/2012 no Jornal Metro Curitiba


A diferença entre união e complacência

É forte a repercussão da participação de Vilson Ribeiro na festa da torcida organizada do Coritiba, reatando relacionamento cortado desde 6 de dezembro de 2009. Todos se lembram o que aconteceu e como as coisas caminharam para aquilo. Novamente, o Coxa flerta com o rebaixamento. É natural que se pregue união de esforços para que o clube saia disso. Nesse ponto, o gesto é louvável. Mas há real benefício na ação? Além da ficha corrida de alguns dos comandantes das facções, as torcidas organizadas vampirizam os clubes, com uma pirataria branca (venda de camisas, por exemplo), são cortina para guerra de gangues de bairros e ambiente notório de consumo de drogas. Na festa, Vilson disse que a organizada “é a razão da existência do Coritiba.” A grande maioria dos torcedores, “desorganizados”, talvez não concorde. Depois de surgir com novos conceitos e pregar modernidade nessa relação, o dirigente volta atrás. Pode ser só uma “segunda chance” – o histórico não recomenda. Mas 2013 está aí, com eleições no clube. Mário Petraglia, do rival Atlético, se reaproximou da organizada após anos de conflitos no final do ano passado. Foi eleito. A relação é, sem dúvida, perigosa.

Sempre ele

Paulo Baier. Ninguém no futebol paranaense é tão questionado quanto o experiente meia, que com 50 gols marcados com a camisa rubro-negra, mantém-se importante para o clube. Baier paga por não ter bons companheiros há algumas temporadas. Nesta, recebeu reforços no andamento da competição, acabou no banco, mas volta e meia é decisivo, como contra o América-MG. Não acho que possa ser titular, mas é imprescindível no grupo. Se não agüenta os 90 minutos, quando entra, mantém um padrão que vem sendo tocado pelo ótimo Elias. Baier é um ídolo em uma era dura para o Atlético, sem títulos. Mas merece seu lugarzinho na história atleticana.

Calculadora alviverde

O jogo de amanhã é decisivo para o Coritiba. Pegar o Palmeiras no interior paulista é pior para o Coxa, sem dúvida alguma. Em São Paulo, teria pela frente um time mais pressionado pela torcida palestrina, insatisfeita com a goleada no clássico com o São Paulo. A realidade é outra em Araraquara, ainda mais com uma zaga reserva. Mas desde já vale mentalizar: a derrota não será o fim do mundo. O Coxa tem uma vantagem de seis pontos para o Palmeiras, mas já não disputa só com o Verdão a permanência na elite. A Ponte Preta, em franca decadência depois de perder o técnico curitibano Gilson Kleina, pinta como favorita a integrar o grupo de descenso. Portanto, cabeça no lugar e pés no chão com qualquer resultado – claro que evitar a derrota será muito melhor.

Alex

Em São Paulo poucos cogitam que Alex possa defender o Coritiba na próxima temporada. É mais que má vontade com o Coxa; é a negação de que nem tudo na vida é poder, influência e dinheiro.

O destino de Alex só pode ser o Alto da Glória

Alex está a disposição no mercado após terminar abruptamente seu vínculo de oito anos com o Fenerbahçe, que lhe rendeu até uma estátua. Cruzeiro, por quem foi multicampeão em 2003, Palmeiras, do qual é o último grande ídolo (ao lado de Marcos) pela Libertadores de 1999 e até Santos e Grêmio já se assanham para repatriar o craque brasileiro.

Mas o destino de Alex só pode ser um: o Coritiba.

Alex é um ídolo do Coxa muito mais pelo que fez fora do clube do que pelo tempo – curto – que vestiu a camisa alviverde. Do vice-campeonato da Série B 1995 pouco se lembra. Alex ajudou o Coxa a voltar à elite nacional ao lado de Pachequinho e logo rumou ao Palestra Itália, sem levantar taças pelo Coritiba. Por sempre se declarar coxa-branca, sem querer fazer média com palmeirenses e cruzeirenses, Alex foi caindo nas graças da torcida coritibana, que via o filho do futsal da AABB Curitiba brilhar com as camisas de outros clubes.

Hipocrisia, aliás, nunca foi com Alex. Marcou gols no Coxa e comemorou; nem por isso deixou de ir ao Couto Pereira em qualquer folga que podia. De longe, enquanto colecionava taças pelo Fener, escrevia sobre o Coxa e até renegava qualquer hipótese de defender o rival Atlético, gozando amigos em Atletibas quando o seu time ganhava, ouvindo sarro desportivamente quando perdia.

Foram oito anos de Turquia e certamente um bom dinheiro acumulado. Mérito de Alex, que não precisa dar satisfação de quanto ganhou à ninguém (bem, talvez à esposa…), mas que certamente o dará uma aposentadoria tranquila. Presume-se que Alex não precisa mais trabalhar. Como não faz o perfil “boleiro burro”, Alex não torra seu patrimônio em noitadas e carros última geração. É discreto na vida pessoal. E convém lembrar que casou cedo, com esposa de família estruturada.

O sonho de todo menino é jogar no clube de coração. Com a vida feita, Alex poderá optar por encerrar a carreira em qualquer um dos clubes em que fez história. Todos o querem. Não é o dinheiro, creio, que o fará balançar.

Além disso, Alex não precisa procurar muito para ver exemplos de como sua escolha mudará sua vida. Paulo Rink, seu contemporâneo, voltou ao Atlético do coração para encerrar a carreira e toca a vida em Curitiba. Ronaldinho, com quem disputou vaga na Seleção por muito tempo, preferiu outro caminho. Formado no Grêmio, o craque que brilhou no Barcelona e se projetou como melhor do Mundo, faturando alguns milhões, acabou renegando a casa. Ronaldinho, sei por fonte segura, queria o Grêmio. Mas se deixou levar pela pressão do irmão-empresário e do Milan, que via no Flamengo uma chance maior de faturar. Deu no que deu e o ex-ídolo gremista mal pode pisar em Porto Alegre, sua terra natal.

Sim, o Coritiba não tem a projeção de Palmeiras e Cruzeiro. O Palmeiras, em especial, é um clube nacional, enquanto os outros dois, em escalas diferentes, são regionais. Mas de que importa isso para Alex? Projeção não é o que interessará um atleta consagrado; dinheiro, ao que parece, também não. O que pesará?

Certamente a chance de ser campeão. Alex, como todo atleta, é competitivo. Com uma estátua na frente do estádio do Fenerbahçe, poderia ter simplesmente ido treinar em separado, esperado a relação com o técnico Aykut Kocaman melhorar e, quem sabe, voltar ao time. Não aceitou. Sabia que estava sendo preterido porque podia superar os recordes do treinador – que, permito-me dizer, não deve ter vida longa no cargo, já que mistura interesse pessoal com desempenho.

Alex pode querer ser campeão paranaense pelo Coxa, por exemplo. Mas talvez nada o atraia mais que uma Libertadores. Difícil presumir. Fato é que ele declarou que não pretende jogar a Série B. Portanto é pre-requisito, para qualquer clube que o queira, estar na elite. Coritiba e Palmeiras vão brigar até o fim do campeonato pela vaga – e pra ter o atleta em 2013, quando poderá ser registrado.

Superada essa fase, com as opções na mesa, não vejo outro destino para Alex que não seja o Coritiba, que me desculpem palmeirenses e cruzeirenses.