Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 01/02/2012

Governo encampa potencial construtivo pela Arena 2014
O Governo do Paraná, através do FDE (Fundo de Desenvolvimento do Estado) vai bancar o financiamento de R$ 90 milhões (mais correções previstas em lei) na obra da Arena, o que corresponde aos 2/3 estatais na parceria com o Atlético pelo estádio da Copa 2014. A operação passa pelos títulos de potencial construtivo, concedidos pela prefeitura em cima da área da Arena. Os títulos podem ser negociados no mercado pelo clube e revertidos em nova modalidade de zoneamento urbano em construções.  O que o Governo está fazendo, no entanto, é receber os títulos como garantia do pagamento do financiamento estatal. “É um recebível do Atlético, como uma duplicata. O FDE é agente financeiro, vai vender os títulos para o clube”, exemplificou Luís de Carvalho, gestor da Copa na Prefeitura de Curitiba. Carvalho defende que o Estado ainda ganhará dinheiro com a operação. “A prefeitura de Curitiba vendeu 45 milhões ano passado”, disse, enquanto entrava em uma reunião no Rio de Janeiro, ao lado de representantes do Gov. Estadual e da CAP S/A, com a Fifa, para demonstrar o andamento das negociações. Além disso, hoje haverá reunião com os 16 moradores do entorno da Arena para a desapropriação das áreas, cujo decreto já foi assinado na prefeitura. Haverá ressarcimento, mas o Estado não conta com recusas: “Ainda não chegou ao momento de dizer não ou sim. Quem disser não vai ter que discutir na justiça. Já é fato. Está tudo bem encaminhado”, encerrou.

Roupa nova, mas não pra já
Na sexta-feira o torcedor do Coritiba irá conhecer a nova camisa do time para a temporada 2012. A expectativa é grande, já que a troca de material esportivo mexeu com os ânimos: sai a italiana Lotto entra a americana Nike. No entanto, o Coxa ainda não sabe se poderá estrear as camisas já no jogo de sábado, contra o Arapongas, no Couto Pereira. O clube ainda não recebeu a remessa inicial e além disso pretende organizar uma festa local para o anúncio da parceria. O lançamento de sexta será no Rio de Janeiro.

Campanha nas ruas
Hoje o marketing do Coritiba começa uma campanha institucional, aproveitando o mote “O Mais Vitorioso do Mundo”, slogan criado a partir do recorde de vitórias consecutivas registrado no Guinness Book. A campanha extrapola a marca coxa-branca e pretende valorizar as coisas do Paraná, trabalhando a mensagem “torça também para um time do seu estado” – com a sugestão de que seja pelo Coxa. A campanha será direcionada a Curitiba e Região Metropolitana, mas também será itinerante, acompanhando as viagens do Coritiba no Paranaense.

Caráter: passe adiante
O atacante equatoriano Joffre Guerrón chegou ao Atlético como a então contratação mais cara do futebol paranaense: US$ 1,8 mil em 2010. Destaque na LDU que venceu o Fluminense na Libertadores de 2008, nunca justificou o custo, mas demonstrou que não está preocupado com o clube com o qual colaborou a derrubar para a Série B, em entrevista ao Portal FutbolEcuador.com: “Estão pedindo alto e os clubes recuam. Fico mal porque houve possibilidades. O São Paulo me queria. Disse ao técnico [JR Carrasco] que quero sair, não tenho cabeça para ficar. Meus objetivos são outros, não quero ficar parado”, disse em tom de desabafo, esquecendo de fazer a conta entre o quanto custou e o quanto rendeu ao clube paranaense.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/01/12

Sucessão de erros

A dúvida sobre onde o Atlético irá jogar é um atestado de incompetência para a gestão do futebol paranaense. Sem exceções. A Copa 2014 é fato na Arena desde maio de 2007, quase 5 anos atrás. Deixou-se para pensar em um palco para o Atlético, que cede seu estádio ao evento da Fifa e da cidade, na última hora. Então, ao invés de os dirigentes sentarem e negociarem sobre como o Couto, que comporta o número de sócios do Atlético, poderia ser usado, buscou-se um recurso jurídico, tentando empurrar goela abaixo do Coxa a decisão. Se a intolerância pelo tema já existia do lado alviverde, aumentou. Com razão. Por outro lado, o Coritiba poderia ter tido menos resistência e, negociando um valor de R$ 100 mil/jogo (especulado nos bastidores), embolsado R$ 7 milhões em um ano e meio. É quase o valor das cotas de TV antes de 2011. Bastava que os caciques conversassem e entrassem menos na rivalidade das torcidas. Ao partir para a Vila Capanema, faltou previsão, já que o estádio ainda carece de laudos. E agora se fala em inversão de mando na primeira rodada, com o Londrina recebendo o Rubro-Negro, para só vir a Curitiba no segundo turno. Se em 5 anos não resolveu-se, haverá solução até lá?

Três lados da mesma história: Atlético

O Atlético tem suas razões ao buscar uma morada, embora seja senso público que o Furacão pinta como o vilão da história. Não é. Colabora com um evento que é da cidade e de um parceiro comercial dela, a Fifa. Não se nega os benefícios que o clube terá, mas também não se pode ignorar o ônus, desde a saída da Arena até a gestão da mesma no pós-Copa. Um estádio padrão Fifa para disputar campeonatos deficitários como o Paranaense não é barato. Buscou refúgio na FPF, mas não encontra solução. E quem vai sofrer? Os sócios: seguirão pagando e não sabem se terão como acompanhar o time. E torcedor apaixonado não vai ao Procon.

Três lados da mesma história: Coritiba

Dinheiro não é tudo e o Coritiba se sentiu ofendido com o rumo que a história tomou. Vilson Andrade não é homem de duas palavras; assumiu, anteriormente, que poderia conversar e negociar no caso, mesmo a contragosto da torcida. O Coxa poderia embolsar um alto valor, valorizar espaços publicitários e movimentar bares e lanchonetes. Mas a imposição via FPF pegou mal. Ninguém aceita esse tipo de decisão goela abaixo. Nesse mesmo Jornal Metro, Vilson disse que não cederia mais. O Coxa se sentiu ferido e buscou seus direitos – terá que seguir buscando, pois está sob liminar. Como a FPF tomou frente no caso, uma conversa com o Atlético poderia acertar tudo. Mas ficou distante. E, convenhamos, não é problema do Coritiba.

Três lados da mesma história: Paraná

O Paraná sempre se colocou a disposição. Está com o estádio parado por três meses – pior: o clube só tem competições após o mesmo período – e um dinheiro faria bem. Foi procurado, ouviu uma proposta e fez outra. Age certo. Negociar é assim: tem que ser bom para ambos. E o que vale para os acima, vale para o Tricolor.

E o futebol?
Dentro de quatro dias, a bola rola. Mas pouco se vê ou sabe dos times, dos artistas que movimentam essa paixão. O noticiário está preso à burocracia. É fácil imaginar o ano de 2012 para o Trio, salvo mudança: o reflexo do que se vê fora de campo aparece no gramado. Me cobrem em dezembro, após o Brasileirão.

*Os tópicos da coluna de hoje são uma referência a máxima de que uma história sempre tem três lados: o seu, o meu e o verdadeiro. E também ao ótimo disco Three Sides of Every Story, do Extreme. Abaixo, uma faixa dividida em três, que dá título ao disco:

Sobre heróis e vilões

“O Atletiba de todos os tempos”. Ao menos é assim que boa parte dos colegas de imprensa venderam o clássico. Eu prefiro esperar. As possíveis combinações, o cenário do clássico, até dão a possibilidade de que isso seja real; mas, e se for um modorrento 0-0, rebaixando o Atlético e tirando o Coritiba da Libertadores, ainda será o maior? Rotular o clássico antes da bola rolar é o mesmo que achar que o favoritismo analítico do Coxa já garantiu a vaga na competição sul-americana e, de quebra, rebaixou o Furacão. Isso, talvez, só depois das 19h de amanhã.

Um clássico para ser histórico tem de ter muitos elementos. O 348 se apresenta com credenciais, mas ainda não o é. Não é maior que o histórico Atlético 4-3 Coritiba de 1971, o #156, com diversas viradas, com Nilson Borges perdendo pênalti para o Atlético, que perdia por 2-0; não é maior que o #275, de 1995, quando Brandão aplicou um chocolate na páscoa atleticana, transformando os 5-1 do Coritiba sobre o rival no estopim da revolução petraglista. Ou ainda o #146, quando Paulo Vecchio impediu, no último minuto, que o Atlético saísse de uma fila de 9 anos sem títulos, no 1-1 que deu ao Coxa o título daquela temporada. Quem sabe o #305, quando depois de estar perdendo por 0-1, o Furacão aplicou 4-1 no adversário em pleno Couto Pereira, na Seletiva da Libertadores em 1999, o de maior relevância nacional até aqui. São 347 edições e entre Bergs e Dirceus, Tutas e Danilos, o clássico tem muitos heróis e vilões.

Não há como esconder o favoritismo do Coritiba, aberto nos objetivos distintos e nos números de toda a competição. Será que o herói vestirá alviverde? Marcos Aurélio, um ex-atleticano, pode fazer o gol da sentença rubro-negra? Ou Jéci, o capitão do Coxa mágico de 2011, do recorde mundial? Ou Vanderlei, vilão em 2009, salvará o Coxa de lances agudos? Conseguirá o Coritiba a vaga para a 3a Libertadores da sua história ou sua gente deixará a Arena frustrada? Clássico tem favorito? No Estadual, teve. E agora, no jogo que pode mudar a história dos dois clubes?

Ou o herói vestirá rubro-negro, podendo ser Cléber Santana, que perdeu pênalti ao longo do campeonato em pontos que hoje fariam a diferença? Poderá ser o “maestro” Paulo Baier, que não brilhou ainda em Atletibas, e pode quebrar um tabu de 3 anos, que corresponde a passagem dele e do presidente Marcos Malucelli no clube? E se o Atlético fizer 2, 3 a zero no Coritiba e não for o suficiente? O herói atleticano virá de Minas Gerais ou da Bahia? Poderá ser Souza ou Cuca, um no Bahia, outro no Galo, salvando o Furacão do rebaixamento, como De Vaca, do Libertad o fez em 2005, quando fracassou por conta própria na Arena (o que não é permitido dessa vez) ao levar 1-4 do Medellín, mas contou com a derrota do América em Cali para chegar ao vice da Libertadores, hoje o sonho do Coritiba, que ganhou segunda chance após a Copa do Brasil.

Quem, entre tantos que mal dormiram nessa semana, arrisca cravar? A gigantesca expectativa, a semana cercada de silêncio dos dois lados, mas com trocas de provocações entre as torcidas – diga-se, a torcida do Coxa deitou nos atleticanos como nunca se viu – mas que, também ressalte-se, parece apontar para um cenário tranquilo no jogo. A soma de tudo, para termos novos heróis e vilões, para que a previsão dos colegas sobre a relevância do #348 se confirme.

Será impossível agradar os dois lados. Ótimo, não? É disso que a rivalidade é construída; antagonismo. E não inimizade, violência. No futebol, nada é impossível, tudo é mágico. E certamente muitos terão histórias a contar a partir de segunda-feira. Com paz e tranquilidade, espera-se.

E um ótimo espetáculo dentro de campo.

Manchester já viu um clássico como esse

Na semana do #Atletiba348, uma lembrança me veio a cabeça: o cenário em que o Coxa rebaixa o Atlético na casa rubro-negra é inédito para nós, mas já aconteceu em Manchester. E com pitadas de sadismo, como pode acontecer aqui – com a diferença que a cereja coxa-branca é a vaga na Libertadores.

Em 1974, no final da temporada 73-74, o Manchester United capengava. Após anos de domínio no futebol inglês, com os Bubsy Babes, o campeonato daquele ano reservou um drama aos Red Devils até a última rodada, quando a tabela programava o derby de Manchester contra o City.

O United precisava vencer e torcer por uma derrota do Southampton para permanecer na elite inglesa. O empate não servia aos Devils, que recebiam os Citzens no Old Trafford.

Um dos grandes craques da história do United, Denis Law, havia acertado com o City para a temporada 73-74. Law faz parte da Trindade Divina do United e tem até estátua no clube, ao lado de George Best e Bobby Charlton. Mas já no fim da carreira e com a família fixando residência em Manchester, topou vestir a camisa do City.

Os resultados não ajudavam o United, tampouco o próprio time, esbarrando no nervosismo. Já no final da partida, Law recebeu uma bola na área, de costas para o gol. E o resto vocês acompanham no vídeo abaixo:

A invasão de campo da torcida do United, logo após o gol, teve como principal motivo a tentativa de impugnar a partida. Não adiantou. O United voltou à elite no ano seguinte, como vice-campeão da segunda divisão e acabou a primeira, em 76, na terceira posição. De 1980 para cá, tornou-se o principal clube inglês.

Curiosamente, ao conceber a Arena da Baixada, Mário Petraglia visitou o Manchester United e inspirou-se no Old Trafford para o conceito do estádio atleticano.

O futebol é terreno fértil para heróis e vilões; o Atletiba 348 poderá ter um coxa-branca como Denis Law (Marcos Aurélio?) ou um atleticano que, contando com os demais resultados, salve o time e elimine o rival da Libertadores/12.

Mas o importante é que todos sigam para contar novas histórias nos anos seguintes.

Notas

Sem via alternativa

Apesar da promessa da CBF em dar a eventual vaga do Vasco na Libertadores ao Coritiba, caso a equipe carioca vença também a Copa Sulamericana, a Conmebol definiu hoje que nenhum país poderá ter mais de seis vagas e, em caso de título de algum time já qualificado, a vaga fica na competição, ou seja: o vice – ou melhor colocado sem vaga – fica com o prêmio.

Coxa no Pinheirão I

Esquentou a negociação para a compra do Pinheirão por parte da OAS, construtora baiana que já havia tentado participar da obra na Arena. O leilão do estádio, marcado para essa quinta-feira (6) pode nem sair: para executar o direito de compra antecipada, modalidade comum em leilões, a OAS deve antecipar cerca de R$ 65 milhões para quitação de débitos judiciais principalmente com o governo. Caso isso não ocorra, o estádio vai a leilão público com preço inicial de R$ 66 milhões. Durante toda a terça e também na quarta, o presidente da FPF, Hélio Cury, esteve em reuniões.

Depois de Atlético e Paraná, Pinheirão pode ser lar do Coritiba

Coxa no Pinheirão II

Se arrematar o imóvel, a OAS deve anunciar uma parceria com o Coritiba, para que esse possa ser o principal beneficiário do futuro novo estádio, em um projeto que contemplaria não só a praça esportiva, mas também um centro comercial e uma área para eventos e espetáculos. Oficialmente, o Coxa nega que já tenha algum tipo de negociação, mas a coluna apurou que existem alguns entraves na conversa, como por exemplo a maneira com a qual o clube obteria renda, já que placas e espaços comerciais/publicitários, além da bilheteria, interessam a OAS. O modelo é parecido com o da Arena da Copa em Recife – que, em tese, ainda não tem nenhum clube como beneficiário, já que os três grandes de Pernambuco tem suas próprias casas. O Coxa também evita anunciar o destino do Couto Pereira, mas a intenção de Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do clube, é pô-lo abaixo e construir um centro comercial que dê renda ao Coritiba – manifestou-me essa intenção ainda em 2010, quando os primeiros rumores surgiram.

Bom para o Atlético

Credor de R$ 15 milhões junto a FPF, o Atlético é outro que sairá no lucro com a venda do Pinheirão, seja qual for o destino. O clube, que nesta mesma semana lançou a etapa final das obras na Arena, ganharia novo fôlego financeiro.

Quem fala o que quer…

Pegou mal com alguns jogadores do elenco do Paraná as declarações do zagueiro Cris após o empate com o Duque de Caxias, pior time da Série B do Brasileiro. De cabeça quente após o resultado que praticamente sepultou as chances de acesso do Tricolor e deixou a equipe a quatro pontos de distância do rebaixamento. Alguns jogadores reclamaram da postura do jogador, que acusou, sem citar nomes, colegas de estarem “fazendo corpo mole” e, por isso, o time caiu de rendimento. “Trairagem”, confidenciou-me um jogador que pediu para não falar no assunto abertamente. Ouça a entrevista, gentimente cedida pela Rádio Banda B:

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Miranda Strikes Back

Ainda Paraná: o ex-presidente José Carlos de Miranda articula uma chapa de oposição para concorrer às eleições do clube, que ocorrem na segunda semana de novembro. Miranda dirigiu o clube entre 2004 e 2007, conquistando um Estadual e uma vaga à Copa Libertadores, mas deixou o comando sob denúncias de receber comissões em negociações de jogadores. Em 2009, cogitou lançar uma chapa, mas acabou apoiando a situação.

Invasão atleticana

O Atlético mobiliza a torcida para uma invasão à Florianópolis, para o confronto decisivo de domingo, 18h, contra o Avaí na Ressacada. Os sócios do clube participarão de uma promoção que dará 150 ingressos e direito de compra de mais um, a partir desta quinta (6); além disso, a carga total de 1.200 entradas foi comprada pelo Atlético e estará sendo vendida a R$ 20,00 na Arena a partir de sexta pela manhã. Com 27 pontos na 17a. posição, uma vitória sobre o Avaí em Florianópolis (19o., 22 pontos) e uma combinação de resultados podem tirar o Furacão da zona de rebaixamento. Ano passado, o Atlético venceu o adversário em Floripa: 1-0, gol de Maikon Leite:

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Mário Celso Petraglia no Entrevista Coletiva – parte II

Seguem abaixo os 4 blocos restantes do programa “Entrevista Coletiva” com Mário Celso Petraglia, exibido no domingo 18/09 na BandCuritiba, sobre diversos temas que interessam ao futebol do Paraná.

Assista e comente!




 

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Mário Celso Petraglia no “Entrevista Coletiva”

No domingo 18/09, a Band Curitiba apresentou dois programas especiais com Mário Celso Petraglia, o polêmico ex-presidente do Atlético, pai da revolução rubro-negra e, porque não, de uma revolução no futebol paranaense num todo. É o “Entrevista Coletiva”, que vai ao ar aos domingos na Band, canal 2.

Foram quase 80 minutos de papo com Petraglia, discutindo conceitos de administração futebolística, Copa 2014, rivalidades, futuro, futebol brasileiro, CBF e, claro, o Atlético. Participaram do papo eu, os jornalistas Fabrício Binder, Henrique Giglio e Zé Beto e o ex-jogador Caxias, comentarista de futebol.

Abaixo, estão as duas primeiras partes do vídeo, nas quais Petraglia fala sobre o momento do Atlético e a Copa em Curitiba:

Assista e comente; em breve, as demais quatro partes que fecham o pacote.

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Os planos de Petraglia

Não importa seu time ou seu posicionamento político, se caso você for atleticano: é impossível ser indiferente a Mário Celso Petraglia quando o assunto é futebol paranaense. Polêmico, empreendedor e por vezes considerado antipático, Petráglia não costuma se esconder quando provocado. E sempre parece ter uma resposta na ponta da língua para qualquer questionamento.

Idolatrado por uns, odiado por outros, o ex-presidente do Atlético é, até agora, o único candidato a presidência do clube no final do ano. E esteve nos estúdios da Band Curitiba para gravar o programa “Entrevista Coletiva”, apresentado pelo diretor de jornalismo da casa, Fabrício Binder, e que contou ainda com os jornalistas Zé Beto e Henrique Giglio, o comentarista Caxias e este que vos escreve. Sabatinado, Petraglia respondeu vários temas, que irão ao ar no domingo 18/09, em duas edições; 7h30 AM e 0h30 AM na madrugada de domingo para segunda.

Entre os assuntos, Petraglia anunciou o início das obras na Arena, para a Copa, para o mês de outubro, além de dizer que o clube não sai de lá antes de 2012:

Ele evitou falar do Pinheirão e do suposto projeto do Coritiba para o local, mas assegurou que nada tira a Copa e também a Copa das Confederações da Arena.

Algo que não estará no programa (que era para ser um, mas se tornou dois, tamanha quantidade de temas) será a engenharia financeira para que o clube arranje os R$ 60 milhões que lhe cabem para a construção do estádio – Petraglia orça o projeto em R$ 180 milhões, embora governo e prefeitura não anunciaram ainda como farão para desapropriar terrenos para o entorno da Arena, por exemplo.

Pela falta de tempo, a resposta ficou só para o blog: o Atlético abrirá uma empresa com 99,9% para si e 0,01% em nome de um sócio, por exigência do modelo de empréstimo financeiro. Essa empresa já tem, apalavrada, uma linha de crédito de R$ 60 milhões oriundos do FDE, Fundo de Desenvolvimento do Estado do Paraná, que será paga em 15 anos. Petráglia ainda pleiteia uma carência de 3 anos, a partir de 2014, para começar a pagar.

Ele vislumbra uma arrecadação anual de R$ 100 milhões para o Atlético no pós-Copa; na entrevista, falou do futuro do futebol brasileiro, da política da CBF, de cotas de TV, dos rivais e de uma possível parceira com o Coritiba em ações extra-campo, em especial se ele se eleger e o mesmo acontecer com Vilson Ribeiro de Andrade, por quem manifestou “imensa admiração”. E ainda prometeu fazer uma administração “voltada exclusivamente para o futebol”:

Petraglia esmiuçou, em 78 minutos de gravação, todos os planos que tem para o clube. Projetou não só o Atlético, mas o futebol do Estado e do País no pós-Copa.

O programa vai ao ar nesse domingo, 18, em horários um pouco ingratos: 7h30 da manhã e 0h30 da madrugada, já invadindo a segunda 19. Mas vale a pena acordar cedo e acompanhar, se você se interessa pelo futebol local.

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Atlético x Flamengo: confira o pré-jogo

Reportagem exibida no Jogo Aberto Paraná desta quarta-feira na Band Curitiba, sobre o segundo jogo da série eliminatória entre Atlético x Flamengo (0-1 na ida). Confira:

Update:

Renato Gaúcho pode lançar o volante Fransérgio como atacante. Para o técnico, consagrado na posição, o jogador “leva jeito”:

A Band transmite o jogo para todo o Paraná! Em Curitiba, no canal 2 da NET/TVA/UHF e 302 da Sky!

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Atletiba*: Top 5

Começo a semana do Atletiba #347**** elaborando uma lista dos 5 jogos mais importantes para cada clube ao longo da história do clássico – pelo menos na minha visão. Serão 10 partidas memoráveis e uma rápida historia sobre elas, justificando o porquê da escolha do Top 5:

Coritiba #5 – Atletiba #1

Coritiba 6-3 Atlético – Paranaense 1924

O primeiro fica para sempre. E coube ao Coritiba a honra de vencer o primeiro Atletiba da história, no distante ano de 1924. Por 6 a 3, com quatro gols de Ninho, o Coxa vencia o primeiro clássico oficial entre os clubes (o Atlético reivindica uma vitória por 2-0 no Torneio Início do mesmo ano, mas que não teve 90 minutos de duração). Até hoje Ninho é o jogador que mais fez gols em um mesmo Atletiba. O jogo foi no Estádio Parque da Graciosa, o primeiro usado pelo Coritiba.

Estádio Parque Graciosa: tudo começou aqui

Atlético #5 – Atletiba #27

Coritiba 1-2 Atlético – Paranaense 1933

Esse é o famoso Atletiba da Gripe, o que marcou na história pelo estopim entre a rivalidade entre os clubes. Com seis jogadores doentes, o Atlético solicitou ao Coritiba o adiamento da partida, o que não foi aceito. Indignados, os atleticanos se propuseram a não comparecer ao jogo, cedendo os pontos ao rival; mas os jogadores adoecidos vão contra a idéia e pedem a confirmação da partida, o que foi feito através de uma carta enviada a Gazeta do Povo, cujo texto está reproduzido abaixo:

‘Comunicamos aos nossos prezados consórcios e à família curitibana que, em virtude de seis amadores do nosso quadro principal, acharem-se alguns gripados e outros contundidos, era nossa intenção não disputar a primeira rodada, entregando os pontos ao nosso antagonista, dada a sua atitude pouco cordeal para com o nosso club, quando não concordou com a transferência do jogo para outra data. Acontece porém, que nossos amadores, sabedores da nossa intenção, compareceram incorporados a nossa sede social, pondo-se não só à nossa disposição, como, também, exigindo a realização do jogo. Em face da abnegação dos nossos amadores, resolvemos disputar o jogo em apreço, prestando assim uma homenagem aos nossos denodados defensores que, com sacrifício da sua própria saúde, vão combater ardorosamente em prol do nosso pavilhão. ‘Não nos move a veleidade da vitória’.

Sem outro motivo, atenciosamente subscrevemo-nos.

             Pelo Club Atlético Paranaense
             A Diretoria”

O Atlético entra em campo e vence o Coritiba no Belfort Duarte por 2-1.

Coritiba #4 – Atletiba #146

Atlético 1-1 Coritiba – Paranaense 1968

Paulo Vecchio empata no finzinho: Coxa campeão, Atlético no jejum (Acervo Helênicos)

A fase não era das melhores para a dupla; o Atlético encarava um jejum de 10 anos, o Coritiba de oito. Mas havia um agravante: no ano anterior, o Furacão acabou rebaixado para a segunda divisão estadual e só não a disputou a pedido dos principais dirigentes do Estado, como Evangelino Neves, do Coxa, e Hipólito Arzua, do Ferroviário (hoje Paraná Clube), ambos mobilizados pelo presidente atleticano, Joffre Cabral e Silva. Joffre montou um time com grandes jogadores, como Zé Roberto, Nilson Borges, Sicupira e os campeões mundiais Bellini e Djalma Santos.

E o Atlético ia conseguindo a taça até os 46 do segundo tempo na partida na Vila Capanema, quando surgiu Paulo Vecchio. Ele, a pedido do treinador, havia descido para o vestiário no intervalo. E já eram 30/2o. quando o mandaram chamar. Irritado, Vecchio perguntou: “Porque demorou tanto?” A resposta: “O técnico [Francisco Sarno] esqueceu de você.” O combustível funcionou e Vecchio meteu uma na trave e outra na rede, retratada na foto acima. O Coritiba ficava com o título, que o Atlético só conseguiria em 1970.

Atlético #4 – Atletiba #156

Coritiba 3-4 Atlético – Paranaense 1971

Esse é o preferido do jornalista Carneiro Neto, que gravou o vídeo abaixo para a série especial dessa semana** para o Jogo Aberto Paraná:

**Várias personalidades do Paraná estão contando a história de seu Atletiba favorito. Acompanhe diariamente no Jogo Aberto Paraná, 12h30, na Band!

Coritiba #3 – Atletiba #279

Coritiba 0-0 Atlético – Paranaense 1978

Manga fechou o gol e garantiu a taça (acervo Helênicos)

Foram três jogos, os três no Couto Pereira. Novamente, o Atlético vivia um jejum (8 anos), mas dessa vez o Coritiba vinha de um hexacampeonato estadual, interrompido pelo Grêmio Maringá de 1977.  As torcidas, empolgadas, levaram mais de 150 mil pessoas ao Alto da Glória (em um tempo que reinava a tolerância e a educação, com estádios sem violência e convívio amistoso).

O experiente Manga, bicampeão brasileiro pelo Inter 75-76, reza a lenda, fingiu ter se machucado na coxa. Enfaixou a perna e não batia tiros de meta. E o Atlético pressionava, mas o Coritiba se segurava, levando a decisão para os pênaltis. E então Manga brilhou. Induzindo os batedores a tentarem o lado em que ele estava machucado, Manga fez três defesas e o Coritiba venceu por 4-1 nos pênaltis, consagrando-se campeão.

Atlético #3 – Atletiba #305

Coritiba 1-4 Atlético – Seletiva 1999

Foi possivelmente o mais importante Atletiba de todos os tempos em disputas nacionais. Eliminados da fase final do Brasileiro/99, a dupla se cruzou no torneio eliminatório que classificaria um quarto clube brasileiro para a Copa Libertadores. E a primeira partida foi no Couto Pereira.

Pela primeira vez um Atletiba valia vaga em outra fase de um torneio nacional. O Coritiba, em casa, saiu na frente.

E recentemente o volante Cocito, em entrevista a Furacão.com, relembrou a partida:

“Em sua primeira passagem pelo Atlético, você marcou apenas dois gols. O primeiro foi na goleada por 4 a 1 contra o Coritiba, na Seletiva da Libertadores, em 99. Como foi aquele dia?
Na concentração, estava com o Lucas e o Gustavo jogando videogame, fiz um golaço e brinquei: “Vou fazer um gol desse amanhã no jogo”. Jogo no Couto Pereira, estava no banco, primeiro tempo 1 a 0 (para o Coritiba), mas já era pra estar uns cinco. Aquele sufoco, o time deles era muito bom, só bola na trave. Aí o Leonardo se machucou, o Fabiano foi para a zaga e o Vadão me colocou. Entrei bem, motivado, gritando com todo mundo pra levantar o astral do time e, aos 20 minutos, fiz o gol de empate. Sem modéstia, um golaço!”

Coritiba #2 – Atletiba #279

Coritiba 3-0 Atlético – Série B 1995

O Atlético já estava classificado para a Série A, como o timaço de Oséas e Paulo Rink. E poderia impedir o acesso coxa-branca, que tinha no ponta Pachequinho o ídolo de uma geração – e no jovem Alex uma das grandes revelações da história alviverde.

Mais do que garantir o acesso fazendo 3-0 no maior rival, foi o Atletiba que consagrou Alex com a camisa coritibana. Talvez o grande jogo de um ídolo pouco visto aqui, mas que é cultuado por carregar um orgulho de torcedor mundo afora.

Atlético #2 – Atletiba #296

Atlético 4-1 Coritiba – Paranaense 1998

O Atlético começava a montar a base do time que seria campeão brasileiro três anos depois. Os principais destaques eram o goleiro Flávio e o meia Adriano, ambos vindos do CSA. E pela frente uma decisão estadual, com um jejum de 8 anos a ser quebrado pelo Furacão; as coisas não eram mais fáceis para o Coxa, que já não vencia o Paranaense há 9 anos e foi beber na água do Paraná, então pentacampeão, buscando o goleiro Regis.

Decisões como estas costumam ser apertadas. Mas o Atlético goleou***:

***A qualidade do vídeo é pavorosa, mas é o que o YouTube oferece em pesquisa.

Coritiba #1 – Atletiba #325

Atlético 3-3 Coritiba – Paranaense 2004

Foi um Atletiba que formou uma geração. O Atlético tinha, como o Brasileiro comprovaria, um dos melhores times da história; o Coritiba de Antônio Lopes primava mais pela aplicação. Era a segunda decisão entre os times na Arena, o caldeirão rubro-negro. Mas, mesmo atrás do marcador em duas ocasiões, o Coxa buscou o empate (havia vencido o primeiro jogo) e ganhou mais que o título: quebrou o paradigma da Arena e o mito de ter uma torcida fria, que não parou de cantar “Coooxa!” durante todo o segundo tempo.

Atlético #1 – Atletiba #258

Coritiba 2-2 Atlético – Paranaense 1990

A exemplo do jogo acima, também formou uma geração. Naquela feita, quem tinha um timaço era o Coritiba – entre eles, o goleiro Gerson, hoje meu colega de Jogo Aberto Paraná. Já o Atlético de Zé Duarte era um time de raça, mas com um amuleto: Dirceu. O “carrasco dos Coxas” já havia aprontado na primeira partida, ao empatar (a vantagem, por força do regulamento, era atleticana, que venceu o turno decisivo, depois de o Coritiba ter faturado os dois primeiros) o jogo aos 45 do segundo. Dirceu botou o Atlético na frente; Pachequinho e Berg viraram o jogo para o Coritiba. E o restante da história, só com os próprios olhos:

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Repito que é um Top 5 de cada clube, com relação de importância individual.

*Nota importante: em semana de Atletiba, com nervos a flor da pele, vale o registro da grafia correta do nome do clássico. É “Atletiba”, sem partidarismo clubístico, com a junção do prefixo “Atle” com o sulfixo “tiba”, de Coritiba, cujo “t” não é maiúsculo na palavra. Assim como o correto é “Grenal” e não “Gre-Nal”; o mesmo não se aplica a outros clássicos regionais, como San-São (prefixos nos dois casos, Santos e São Paulo) ou Fla-Flu.

P.S.: Agradecimentos a Edson Militão, grupo Helênicos, Furacão.com, Luiz Betenheuser e Carneiro Neto pelas informações.

****Update via História do Coritiba

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