E o Coxa com isso?

O Atletiba 353 terminou 2-1 para o Coritiba, mantendo um tabu de 5 anos no Couto Pereira e colocando o Coxa na rota de colisão do Londrina (por essa a FPF não esperava), cujo encontro será justamente na última rodada do primeiro turno. Enquanto o Atlético discute se o Estadual vale ou não, se o time Sub-23 é bom ou não, o Coxa terá um adversário difícil no primeiro duelo na busca pelo tetra.

Não vou falar do jogo que não vi, mas não vou me prender só ao resultado. A verdade é que o Coritiba se deixou levar um pouco pelas opções atleticanas, pro bem e pro mal. Explico: tanto faz o time que entraria em campo pelo rival; era Atletiba, valia a liderança do campeonato. Por isso, nem a frustração da (exagerada) expectativa por goleada é correta, nem deve-se deixar de entender o que faltou para tanto. Afinal, vem aí um Brasileirão e, salvo se o controle de jogo da equipe estiver extremamente afiado, a queda de desempenho nas segundas etapas dos jogos deve ser melhor avaliada.

Não foi o primeiro jogo em que o Coxa reduz a marcha no segundo tempo – e afirmo isso pelos relatos das rádios que ouvi, me permitindo ser corrigido pelo amigo leitor. O Paratiba foi outra prova. Contra o Toledo, no entanto, o time foi avassalador na primeira etapa e caiu de ritmo no segundo tempo, permitindo-se até tomar um gol – o que também aconteceu no clássico. É controle total de jogo ou descompasso? Por ora, vamos entender que seja o primeiro. Afinal, também deve se pensar se uma goleada no clássico seria realmente benéfica ao Coritiba. Em 2011, contra o Palmeiras, não foi; depois, pra que despertar um rival em desleixo no Estadual?

Sendo mais crítico, vamos assumir que seja. O teste contra um Atlético desfigurado, três pontos acima da zona de rebaixamento e com saldo negativo, foi abaixo da média. Em dois minutos, aproveitando-se da inexperiência do rival, o time abriu 2-0. Depois, Deivid se envolveu em confusão e foi expulso novamente (já havia sido contra o Toledo). Acabou tomando o gol muito mais pelo brio dos meninos atleticanos do que por uma real ameaça, pelos relatos. Mesmo assim, com 10 contra 10, o jogo foi mais equilibrado. Agora, enfrentará um ataque forte e um time mais maduro, com torcida grande contra. O Londrina de Germano e Celsinho, com o Café lotado, não é de se matar com a unha.

O Coritiba de Marquinhos Santos tem sido pragamático. Há uma expectativa de se ver mais do que tem sido apresentado, mas enquanto o time estiver vencendo, não há muito espaço para questionamentos. Mas e se o fio virar? Impressionar é necessário ou não? Se os resultados faltarem a reflexão sobre o nível técnico para o Brasileiro vai aparecer. E aí o Coritiba pode se deixar levar novamente pelas decisões que os rivais tomaram para o Estadual.

Atletiba #353: o duelo dos ícones

Um representa uma mudança da água para o vinho, numa relação conturbada, mas que reposicionou o status quo do Furacão nacionalmente; outro é um ídolo em campo, que saiu jovem e se consagrou fora do Coxa, mas voltou trazendo consigo um orgulho imenso de ter escolhido o clube do coração em detrimento de propostas melhores.

Na história recente do Atlético, ninguém é mais importante que Mário Celso Petraglia.

Na história recente do Coritiba, ninguém é mais importante que Alex.

No domingo, ambos vão voltar a disputar um Atletiba. Será também um choque de ideais: a tentativa de Alex em ser campeão pela primeira vez com a camisa alviverde contra a estratégia de Petraglia em preterir o Estadual por uma pré-temporada. Com isso, mandará uma equipe Sub-23 para o jogo. Alex é midiático, atrai atenções; Petraglia é avesso à mídia – desde que ela o questione.

Alex simboliza o Coritiba de hoje melhor do que qualquer outra pessoa. Petraglia é o homem a frente do Atlético, gostem ou não, concordem ou não – e esse é exatamente o seu estilo. Eles já se encontraram antes.

Em 1995 ambos começaram a ganhar notoriedade. Alex deixou o Coxa no início de 1997, em tempo de disputar dois Atletibas pelo Estadual. Rodou o Mundo: Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro, Parma, Fenerbahçe. Petraglia foi presidente do Atlético de 1995 a 1998, deixando o cargo para Nelson Fanaya, Ademir Adur e o campeão brasileiro Marcus Coelho. Voltou em 2002, dividindo a presidência com João Augusto Fleury da Rocha, deixando o clube em 2008, depois de eleger – e romper – com Marcos Malucelli. Voltou no ano passado.

Ambos têm vantagem nos duelos contra o rival. Domingo, um em campo, outro nos bastidores, escreverão mais uma página desta rivalidade sem fim.

*Somente partidas pelo Coritiba

Atletiba #353: nunca os rivais foram tão a antítese do outro

O colorido das arquibancadas sempre foi um choque: o contraste do vermelho contra o verde, do branco com o negro. Culturalmente, as duas equipes também são historicamente opostas: o atleticano é mais inflamado, apaixonado incondicional; o coxa-branca é mais exigente, defende o orgulho de sua história. Foram fundados em bairros opostos no mapa da cidade. Ora similares pelo sofrimento (a torcida do Coritiba tornou-se mais aguerrida de 2004 para cá), ora similares pelas glórias (a conquista de 2001 também mudou o Atlético, tornando seus torcedores mais “cornetas”), Atlético e Coritiba sempre foram diferentes. Mas nunca tanto como no clássico do final de semana no Couto Pereira.

  • Idade e experiência

A criação de uma equipe “Sub-23” em 2012 já denunciava: o Atlético iria usar o Estadual para testar seus jovens valores. Do lado coxa-branca, uma série de reforços com rodagem em outros clubes foram constituindo o elenco: Alex, Deivid, Lincoln. Ao se verificar as duas escalações nas partidas que antecederam ao 353, os números tornam isso evidente – as idades estão entre parênteses.

O Coxa que fez 7-0 no Rio Branco teve Vanderlei (29) no gol, Leandro Almeida (25), Pereira (33), Chico (26) e depois Junior Urso (22) e Gil (25), depois Geraldo (22) na linha de defesa, Willian (23), Patric (23), Robinho (25), depois Lincoln (34) e Alex (35) no meio e Rafinha (29) e Julio César (32*) no ataque. Uma média de idade de pouco mais de 27 anos, incluindo os substitutos.

O Furacão que fez 3-1 no J. Malucelli teve Santos (22) no gol,  Léo (21), Erwin (18), Bruno Costa (23) e Héracles (20) na linha de defesa, Renato (21), Renan Foguinho (23), Elivélton (20), depois Marcos Guilherme (17) e Harrison (20) no meio; Coutinho (19) depois Rafael Zuchi (19) e Pablo (20) depois Junior de Barros (19) no ataque. A média de idade é de pouco mais de 20 anos.

A diferença também é clara no currículo dos jogadores. Enquanto o Coxa conta com jogadores com rodagem internacional (Lincoln, Júlio César) e que já ganharam títulos até mesmo com a Seleção Brasileira, como Alex, o Furacão tem uma safra toda nova, com os mais experientes sendo Foguinho, Bruno Costa e Héracles, que já disputaram partidas pelo time principal.

*Fará 33 dois dias depois do clássico.

  • Prioridades

Essa não é segredo pra ninguém: o Coxa persegue um tetracampeonato que não vem desde 1974 enquanto o Atlético menospreza o estadual, priorizando uma pré-temporada de 4 meses sem jogos oficiais (o clube deve usar os titulares somente contra o Brasil de Pelotas, dia 03/04).

Cada um aposta numa fórmula diferente para a temporada. O Coxa chegou a esticar a preparação, mas passou a usar os principais jogadores no dia 31/01, na 4a rodada, contra o J. Malucelli. Para o superintendente de futebol do Coritiba, Felipe Ximenes, “não existe time A ou B. Existe um elenco forte, que possa disputar qualquer campeonato.” A fórmula, posta em funcionamento a partir de 2010, rendeu ao clube um brasileiro da Série B, três estaduais e dois vice-campeonatos da Copa do Brasil. Em 2013, são 9 jogos oficiais, com 6 vitórias e 3 empates.

A Copa do Brasil é a prioridade para o Atlético, de acordo com o que se ouve nos arredores do CT do Caju. Não há confirmação oficial, mas o time principal só passará a jogar pra valer em 2013 na primeira partida – e já decisiva – na Copa, contra o Brasil em Pelotas-RS. Enquanto o time “Sub-23” patina e cumpre tabela no Estadual, o time principal disputou uma competição amistosa internacional, a Marbella Cup, na Espanha. Venceu o Ludugorets Razgrad, o Dínamo de Kiev e o Dínamo Bucareste para ficar com a taça. Em paralelo, o elenco secundário conquistou 2 vitórias em 9 jogos na competição oficial – pela qual se disputará o Atletiba 353. No CT do Caju, ninguém é autorizado a falar sobre a estratégia do clube para a temporada.

  • Ídolos

Alex é o ídolo máximo do Coritiba e voltou para o clube para tentar ser campeão pela primeira vez com a camisa coxa-branca. O meia mesmo reconhece que é um “ídolo sem sê-lo” ou “selo”, como queiram. O valor de Alex é pelo que fez fora de campo, nunca esquecendo de citar o Coxa; em campo, traz a pressão de tentar as primeiras conquistas no clube que o formou. Além de Alex, Rafinha e Vanderlei são os jogadores mais queridos e identificados com a massa alviverde.

Pressão existe também no Atlético. Na vitória contra o J. Malucelli, pressionados pelas más atuações com a camisa atleticana no Paranaense, os jogadores ouviram da torcida somente o nome do goleiro Santos. Os gritos de incentivo partiram muito mais pelo que o jovem goleiro fez pelo clube na Copa São Paulo de 2009, quando foi vice-campeão, do que pela fase atual. No Atlético do Atletiba 353, não há ídolos rubro-negros – porém, as vagas estão em aberto.

  • Exposição midiática

Outro ponto em que os clubes tem posicionamentos completamente opostos. Se de um lado o Atlético optou por não fechar o contrato de transmissão de seus jogos e tem orientado seus jogadores e funcionários a não falarem com a imprensa, o Coritiba já teve 4 dos seus 9 jogos exibidos em rede estadual aberta e também um amistoso em rede fechada nacional, contra o Colón-ARG; na TV, o Atlético só apareceu na Marbella Cup, transmitida em TV fechada.

No Coxa, aproveita-se o espaço deixado pelo Atlético para explorar os canais de imprensa. O clube expõe patrocinadores muito mais que o rival – que recebeu críticas por isso. Se a exposição tem benefícios, também permitiu um episódio que chamou a atenção negativamente neste início de ano: a entrada de Lincoln sobre Botinelli, filmada e discutida em todo o país. Por outro lado, enclausurado, nem mesmo a inédita contratação do ex-Barcelona Fran Mérida pelo Atlético virou notícia nacional em larga escala.

  • Farpas nas diretorias

Homens de negócios bem-sucedidos, Vilson Ribeiro de Andrade e Mário Celso Petraglia já estiveram sentados à mesma mesa, mas, ultimamente, passaram a trocar provocações de maneira direta, desde o desacordo para que o Atlético de Petraglia jogasse no estádio do Coritiba de Vilson.

Petraglia por Vilson: “O dia em que eu ler carta do Petraglia pode me internar. Eu estarei indo consultar o psiquiatra.”

Vilson por Petraglia: “O ‘homem bom’ se revelou um traidor! Mesmo com meus 68 anos, faltam-me palavras para expressar a falta de ética do Sr.Vilson.”