Imerso na transmissão da Olimpíada Londres 2012, confesso que tenho visto pouco do Brasileirão A e B. A internet ajuda, mas o difícil mesmo é ver que as perspectivas paranaenses já começam a ser reduzidas nas duas divisões (na B ainda mais preocupante, pois há estagnação em inferioridade) com 1/3 já disputado em ambas. No entanto, ontem teve início a Copa Sul-Americana para o Coritiba. A coluna foi fechada antes do resultado. Mas dá pra falar da oportunidade de internacionalizar a marca.
“Mind the gap”
Essa é mensagem do metrô de Londres a cada parada. Significa que você deve ver o espaço entre o trem e a plataforma na hora de desembarcar. Ver o espaço, “mind the gap” que a Sul-Americana proporciona, é necessário. No Brasileiro, o Coxa não deve recuperar terreno pela Libertadores. Vencer um torneio internacional e se classificar em uma competição sem gigantes latinos e que deve ser dominada por brasileiros é um belo “gap” a ser visto. Começou antes mesmo de ontem, com estratégia pela vaga. Ano após ano, os clubes desperdiçam essa competição em nome do Brasileiro. E no eterno looping local, lamenta-se mais tarde e comemora-se ao final do a vaga que é desperdiçada no ano seguinte. Em 2011, o Atlético, dando a chave do clube para Renato Gaúcho, jogou fora; acabou caindo no nacional. Já o Vasco, campeão da Copa do Brasil e disputando o título brasileiro, foi às semifinais. Dá pra correr em paralelo, com planejamento para um Brasileiro razoável, salvando o ano do Coritiba.
Bezona
Acho cruel o comparativo entre Paraná e Atlético – mas para o Tricolor. Tem 1/5 do valor pago pela TV, não tem a estrutura, o glamour e a atenção midiática do Furacão. E ainda assim faz uma campanha melhor na Série B que o rival. Não se pode cravar que irá terminar assim, mas vendo os resultados e ouvindo as análises de atuação, fica a clara impressão que o acerto nas escolhas na Vila foi maior que na Baixada. O Paraná tem mais ambiente, joga melhor, sonha mais. O Atlético decepciona e ninguém entende exatamente por que. De fato, o rubro-negro não começou o campeonato com expectativa maior apenas que a do Paraná, mas também que a dos outros 19 competidores. É, ao lado do Guarani, o campeão Série A na competição. Tem uma das maiores torcidas do País e, principalmente, a maior verba. Difícil dizer se foi apenas um sapo enterrado há pelo menos duas temporadas na Baixada ou se as feridas políticas seguem atrapalhando o caminho atleticano.
De volta à Londres
Emanuel, melhor do Mundo no Vôlei de Praia, atleticano; Giba, melhor na quadra, paranista. Wanderlei Silva, não olímpico, mas campeão mundial no UFC, coxa. Confesso que não entendo porque SPFC e Corinthians, por exemplo, aproveitam seus ídolos identificados pra promoção e os paranaenses não. Timidez?
Pausa na Olimpíada para aproveitar uma pequena folga em Sampa. Estive no Bar São Cristóvão, na Vila Madalena, um museu do futebol informal, montado pelo proprietário – que não estava na casa, pena – um goiano muito provavelmente fanático pelo Atlético-GO, dado a quantidade de artefatos do Dragão no bar (mas com alguma coisa do Goiás também).
A entrada do bar, quase sem um centímetro de parede branca
O bar reúne na parede fotos, artefatos, camisas, revistas, faixas, cachecóis e qualquer coisa que remeta a futebol. Todos os funcionários trabalham com a camisa do São Cristóvão FR do Rio, o clube que revelou Ronaldo.
Um bem gelado, servido pela camisa 6 do São Cristóvão
Entre fotos do Pelé, artefatos de times dos mais diversos cantos do Mundo (por ser São Paulo, imagine a quantidade de coisas sobre o Corinthians…) de forma democrática, encontrei, claro, coisas do futebol paranaense. Apesar de muito procurar, não vi nada do Londrina ou do Operário. Mas a capital está representada.
Supercampeão Paranaense 1988, faixa original do Atlético
O primeiro título de Nelsinho Baptista e Adilson Batista (então um promissor zagueiro) veio sobre o extinto Pinheiros, em 1988, após uma série dramática que incluiu a perda de um pênalti no último minuto do segundo jogo, por parte do artilheiro Carlinhos Sabiá. No 3o jogo, em desvantagem (perdera o 1o por 0-1) o Furacão superou um dos pais do Paraná e ficou com a taça. A faixa de campeão está emoldurada em uma das paredes do São Cristóvão.
"Ahá-uhu! O mini-estádio é nosso!"
Entre alguns outros artefatos, o Coritiba está representado pelo Couto Pereira nas paredes do São Cristóvão. O mini-estádio, presente do extinto jornal Primeira Hora da RPC no início dos 2000’s, está lá, emulando o maior estádio paranaense. Um pouco amarelado pelo tempo, o mini-estádio (que na promoção do jornal vinha em partes para montagem e atendia às três torcidas curitibanas) tem até o detalhe do escudo do Coritiba atrás do gol da Perpétuo Socorro.
Tricolor, pertinho do Rei
Num cantinho – mas não menos importante – está representado o Paraná Clube, com um escudo de tecido tal qual os das primeiras camisas, emoldurado, próximo a uma foto histórica dos maiores times brasileiros nos 60’s: Santos, de Pelé e Pepe, e Botafogo, de Didi e Nilton Santos.
Linha retrô de camisas, fabricação do bar
O bar, além de quitutes, acepipes e drinks refrescantes, também tem uma linha de camisas retrô de alguns clubes brasileiros. Olaria e São Cristóvão são intrusos no seleto grupo do eixo (que exclui a Portuguesa) RJ-SP-MG-RS. A camisa da Seleção também está disponível. Futebol paranaense? Ficou pra uma outra. Quem sabe se eu voltar e conseguir encontrar o dono para sugerir.
De todo modo, não é o bairrismo que deve atrapalhar sua visita neste museu informal do futebol, quando estiver de passagem em São Paulo.
Escrevo de São Paulo, onde irei transmitir, em uma central de mídia/TV, os Jogos Olímpicos 2012 pelo portal Terra. A Olimpíada ainda não ocupou todos os espaços midiáticos que merece e, mesmo quando ganhar corpo, irá dividir espaço com o Brasileirão. Amamos a Pátria e nos empolgamos com nossos heróis nacionais, mas é pelo clube do coração que a cabeça realmente vira. Para qualquer torcedor, em um hipotético jogo entre Brasil e seu time, não há dúvidas: a camisa amarelinha estará em segundo plano. Por isso, entre uma rodada da Série B ontem, uma da Série A hoje e uma semana da perda do Coritiba na Copa do Brasil, ainda cabe uma reflexão: por que o futebol paranaense ainda não se coloca entre os grandes do País? O que fazer para mudar? Começo pela mentalidade dos envolvidos: diretores, atletas, imprensa e até mesmo os torcedores.
Pequeno histórico
O Coritiba perdeu a Copa do Brasil pela segunda vez em casa; o Atlético, quando decidiu a Libertadores, sequer jogou em Curitiba. Nas finais internacionais, nacionais e regionais a que chegaram – some-se aqui o Paraná Clube – perderam para os grandes do eixo, ou até para o segundo escalão, Minas-Rio Grande do Sul. Os paranaenses venceram Bangu e São Caetano – o futebol brasileiro agradece – mas quando toparam com São Paulo, Santos, Vasco, Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio, perderam – exceção ao Atlético na Seletiva de 99. Na hora H, falta algo. Falta, por exemplo, o costume de estar sempre na decisão. Falta a política de bastidores que inibe os erros de arbitragem, falhas humanas que acabam pesando mais para um lado, ou permite que Santos e Corinthians decidam a Libertadores para menos de 40 mil pessoas. Ter a confiança, para que um jogador mediano não perca um gol que faria em uma pelada. Falta acostumar-se a vencer.
Mudar para crescer
Ouvi uma história, do Coritiba 2009, quando rumava ao rebaixamento. Paulo Jamelli, então diretor de futebol, viu o barco afundando e sentenciou: “Vamos cair. Eu já joguei em clube vencedor. Quando está nessa situação, a camisa pesa, impulsiona. Aqui, estamos mais acostumados a perder do que ganhar, parece que não faz efeito.” O Coxa caiu, as coisas mudaram, a começar pelo comando diretivo, mais altivo. Ainda não foi o suficiente. É o resgate que também vive o Atlético e até mesmo o Paraná, dentro das suas limitações. Mas estão ainda longe. Jamelli falava sobre a exigência e apoio do torcedor; mentalidade vencedora. Não o ganhar por querer, mas por ter consciência de que esse é o caminho natural. Passa pela escolha de quem vai vestir as camisas. Por ousar em contratações e posicionamentos. Por dar estabilidade de trabalho. Criar um ambiente positivista. Mesmo a cobertura da imprensa (me incluo) deve ser mais profissional, sem apelar para os chavões “nós contra o eixo do mal” ou favores junto aos clubes. A cobrança, bem dosada, é que impulsiona. A questão é: ser dignos de dó, pelos erros, ou ser grandes? Eu quero ser grande.
Alexandre Gomes, curitibano campeão mundial de poker, desistiu de disputar o título dessa temporada no WSOP Las Vegas para ver a decisão de hoje na Copa do Brasil, envolvendo o seu Coritiba contra o Palmeiras. Alê disse: “WSOP tem todo ano, final de Copa do Brasil não.” Curiosamente, nos últimos dois anos, para o Coxa, foi freqüente – feito só alcançado por Grêmio, Corinthians e Flamengo (o único a não ser campeão quando decidiu por duas vezes seguidas). Reverter o 0-2 imposto pelos paulistas não será tarefa fácil – nem impossível. É fato que o 6-0 do ano passado ainda impõe terror na cabeça dos palmeirenses. Mas uma coisa é golear ao natural, outra é vencer precisando fazer a diferença, contra o relógio. Campeão ou não, vislumbro que a máxima de Alê Gomes deve ser levada em consideração hoje. Precisamos que o futebol do Estado seja mais regular em decisões para não perder as chances que foram perdidas no primeiro jogo. A perna tem que pesar menos. O Atlético o fez no início dos anos 2000, mas de 2006 pra cá, ostracismo. Ao Coxa, resta saber lidar com o título aproveitando o crescimento e, em caso de perda, entender que o projeto tem que ser maior. Senão perderá o bonde da história.
Marcelo Oliveira
Questionado pela torcida, desde que chegou até pouco tempo atrás, finalmente o técnico Marcelo Oliveira é reconhecido como peça-chave no sucesso recente do Coxa. Mais do que ninguém, tenho certeza, ele quer vencer o jogo e ficar com a taça hoje. Para Oliveira, é a confirmação do que muitos que vêem o trabalho nos bastidores já sabem. Mais do que isso, deixará para trás de vez o questionamento a respeito da decisão de 2011, contra o Vasco, quando alterou o time no jogo final. Sedimentará a entrada no rol dos grandes treinadores do Brasil. Mesmo sem título, já está em outro patamar. Não à toa foi sondado pelo São Paulo FC antes da decisão. Ficou por caráter e pela vontade de vencer. É o personagem da finalíssima.
Acordando
Depois da bronca pública do técnico Jorginho, que chegou a dizer que o time atual do Atlético fedia, outra bronca nos vestiários contra o América-MG, uma reação não suficiente no placar, mas motivadora em atitude. Parece que o Furacão está acordando. Talvez, enquanto você lê essa coluna, já tenha conseguido a primeira vitória sob o comando do novo técnico. Mas mais do que isso, os nomes de Wellington Saci, João Paulo e Elias, próximos ou já certos, e os já estreados Weverton e Luiz Alberto mostram que demorou, mas a diretoria viu que era necessário reforçar. Com a recuperação física de Liguera e Zezinho, o time ficará encorpado. Dar tempo para Jorginho trabalhar e arrumar um 9 – quem sabe o uruguaio Morro Garcia, patrimônio “sucateado” do clube – podem ser a salvação do desastre anunciado do rubro-negro na Série B.
Semana cheia, videocast comentando a decisão da Copa do Brasil para o Coritiba, a carência já crônica no Atlético, o impacto de uma conquista do Corinthians no Paraná, o retorno do Paraná Clube à elite local, o fim (ou não) do Pinheirão e alguns golaços!
A constatação clássica explica porque o Coritiba tem ligeiro favoritismo frente ao Palmeiras na decisão da Copa do Brasil, que se inicia amanhã. O Verdão é um time com mais talentos individuais (que são poucos) que o Coxa, mas não tem a vantagem de jogar em seu estádio, tampouco tem o grande trunfo coritibano: o entrosamento. A montagem desse time, acredite, vem do fatídico 2009. A manutenção daquela espinha dorsal, reforçada sutilmente ano a ano, quase deu frutos em 2011, com um time mais talentoso que o atual. Mas nesse ano, está madura. Curiosamente, estudo da Pluri Consultoria aponta uma diferença de R$ 57 milhões entre o que gastou o Coritiba e o que aplicou o Palmeiras na montagem dos times. Já é uma vitória do Coxa. Por isso, o leve favoritismo, a ser provado dentro de campo, deve ser comemorado. Escolhas inteligentes, time competitivo.
R$ 57 milhões ou uma casa nova
O que o Palmeiras gastou a mais que o Coritiba para montar o time é, coincidentemente, o valor que arrematou (mais 500 mil reais) o Pinheirão em leilão na semana que passou. O grupo Destro agora corre com a documentação para acertar as pendências do arremate. Por isso, o destino do ex-estádio da FPF segue em aberto. Mas o próprio empresário João Destro, em entrevista à jornalista Nadja Mauad, admitiu que já foi sondado por gente falando pelo Coritiba e pela construtora OAS para saber o destino da obra. Há muito que o presidente coxa Vilson Andrade mantém o negócio de se construir um novo estádio em sigilo (quase) absoluto. Ao que tudo indica – e isso não é uma informação – os alviverdes poderão ter boas notícias ao final da conclusão do arremate.
A César o que é de César
A coluna é fechada antes do termino dos jogos da noite, por isso é impossível afirmar que o torcedor paranista acordou comemorando a volta à elite estadual, o que aconteceria com uma vitória simples sobre o Grêmio Maringá. Mas, se ela ainda não veio, virá; é inevitável. A campanha diz tudo: apenas um empate e só vitórias em 14 jogos. Nesse momento, justiça seja feita a um personagem: Paulo César Silva. Apaixonado pelo Paraná estava na diretoria que caiu em 2011 e foi um dos poucos a ficar. Reinventou-se como dirigente e como ser humano, ao passar por um drama familiar, recolhendo-se dos holofotes e delegando funções acertadamente. Assim trouxe Alex Brasil e Ricardinho para a linha de frente do futebol. Volta à primeira divisão paranaense e já faz campanha melhor que a do Atlético na B nacional, com um orçamento quatro vezes mais modesto. Ao Paulão, o reconhecimento pela vitória.
Odor
Reforços. Reforços. Reforços. Repita até virar realidade, pois só assim o Atlético voltará à primeira divisão nacional. O elenco atual, disse Jorginho acertadamente, fede.
O estádio do Pinheirão foi arrematado por R$ 57,5 milhões na tarde desta quinta-feira, em leilão em Curitiba. O comprador foi identificado como João Destro, que seria representante do grupo atacadista Destro (update: Reginaldo Cordeiro, inspetor da FPF, identificou-o como representante da J D Engenharia) . A FPF não conseguiu o valor necessário para retirar o imóvel do leilão, como havia feito na primeira vez em que o Pinheirão esteve perto de ser leiloado, tampouco conseguiu uma liminar que impedisse a venda. Neste ano, a FPF conseguiu cerca de R$ 700 mil junto às federações gaúcha e catarinense e impediu o leilão – garante já ter pago essa dívida.
Com isso, poe-se um fim em uma história de 27 anos, completos no último dia 15, desde que as seleções paranaense e catarinense fizeram a bola rolar no campo projetado ainda nos anos 60 para ser o “Maracanã Paranaense.”
O Pinheirão quase sepultou o Atlético – que é credor de parte desse dinheiro, segundo conselheiros do clube, R$ 15 milhões – e o Paraná Clube. Muito embora os resultados em campo não foram ruins para a dupla, o estigma do estádio, considerado longe e de difícil acesso, espantava os torcedores. A eterna pendência em finalizá-lo era outro problema. O Paraná, por exemplo, chegou a fazer contrato de arrendamento de 100 anos com a FPF pela praça.
Na FPF, ainda se estuda entrar com alguma medida judicial ou mesmo aguardar o desenrolar do processo de arremate, que inclui uma vasta documentação e pagamentos a serem comprovados. A FPF foi, até a data de hoje, a única federação brasileira a ter um estádio. Muitos confundem o Pinheirão com um estádio público – o que não é verdade, embora haja um acordo com a prefeitura pela cessão do terreno.
Pelo que pude apurar na FPF, a venda do Pinheirão via leilão é considerada ruim, mas nem tanto. Ruim porque perde-se um patrimônio com potencial para ser vendido por um valor ainda maior. Nem tão ruim porque injeta dinheiro nos cofres da instituição, ainda que todo o recurso seja imediatamente direcionado para os credores. A FPF ficaria praticamente livre de toda a dívida que tem, podendo finalmente contar com um caixa administrável.
Ainda resta saber qual o destino do terreno, que esteve na mira do Coritiba para a construção de um novo estádio. Um dispositivo no acordo entre FPF e prefeitura exige que o local seja usado para fins esportivos. Os próximos dias podem reservar uma grande surpresa com a confirmação do arremate. Seja um novo estádio ou o fim do local como praça esportiva.
Está tudo errado no futebol do Atlético em 2012 e a classificação na Série B do Brasileiro atesta isso. Por isso, apesar de cair na chacota popular, a troca de comando técnico – ainda não 100% confirmada – de Ricardo Drubscky, recém chegado (dois jogos) não deve ser vista como um erro; é uma correção de rota. Erro é insistir em um técnico inexperiente comandando um elenco falho. Drubscky, até o fechamento dessa coluna ainda no cargo, não tem o perfil necessário que o Furacão precisa para voltar à elite ainda nesse ano. Pode ser útil na base, no Sub-23, time que deverá jogar o Estadual 2013. Mas para a Série B o nome de Jorginho, campeão desta competição no ano passado com a Portuguesa, é sem dúvida o mais adequado ao momento. Atlético ou ninguém deve ter compromisso com o erro e ao se confirmar essa informação, isso deve ser mais valorizado do que a aposta errada. Mas vale lembrar que só a troca de treinador não resolve: reforços são exigidos para o objetivo.
A frase
“O melhor para o torcedor do Atlético é ver o time campeão e de volta a Serie A. O Atlético precisa ser forte e eu to pensando mais no Atlético”, disse Jorginho, dando a entender que comprou o projeto, em entrevista à Rádio CBN Curitiba ontem.
O símbolo
Dinheiro não é tudo, nem mesmo no mercado do futebol. Lúcio Flávio estreou bem e faz bem ao Paraná Clube – que já é melhor que o Atlético na Série B.
O fator casa
Faltam ainda 15 dias para o início da série decisiva da Copa do Brasil entre Coritiba e Palmeiras, mas desde já firmo posição. No campo, confronto equilibrado, com o Coxa vivendo um momento ligeiramente melhor. Fora dele, vantagem ampla paranaense. Não dá para negar que o Couto Pereira pesará na decisão, enquanto o Palmeiras mandará o jogo em um campo sem identificação, Barueri. Esse ano, o Coxa não deixa escapar.
Pobre mercado esportivo
Defende – justamente – fim da censura em alguns casos, mas aplica censura velada em outros; majora em 40% o valor da anuidade, sem realizar reciclagem de profissionais, ciclo de palestras, integração com universidades e outros benefícios para a classe; tornou-se um pedágio inconstitucional para o trabalho, mesmo de quem está referendado por um veículo, tem 10 anos de exercício, formação acadêmica e está autorizado pelo dono do espetáculo; usa de truculência nas ações; libera associação mediante pagamento, se pretendendo reguladora profissional, botando os clubes em maus lençóis; serve como trampolim político. Qual o futuro de quem leva a notícia ao público esportivo com esse cenário em determinada associação? Que interesses são defendidos por quem escreve a notícia que você lê/ouve? Olho aberto, leitor.
Títulos proféticos são um chamariz para a condenação de qualquer jornalista. É querer adivinhar o futuro, o que no futebol pode ser muito cruel. No entanto, dezembro é o mês do “dez mais”: os craques do ano, os gols mais bonitos, as razões do sucesso e, claro, as do fracasso.
Passado o ano, é mais fácil avaliar. Nem sempre é mais aproveitável – afinal, a obra já está pronta.
É por isso, com base em 6 meses de atividade profissional no futebol brasileiro, que me coloco na mira da torcida ao antecipar 10 razões para o fracasso atleticano na briga do acesso pela Série A em 2013 – em tempo ainda de serem evitados. Se não forem, prometo: repito a postagem ao final da Série B, com direito a contestações postadas.
1) Home sweet home
Jogar em casa, um luxo em 2012 (foto: Geraldo Bubniak)
Qualquer time tem como principal arma o fator campo. O Atlético sempre se vangloriou do “Caldeirão”, o alçapão em que a Arena se tornou nos momentos decisivos.
Em 2012, por conta da obra para 2014, o Atlético perdeu essa força. Não foi uma ou duas vezes em que os próprios jogadores reclamaram ter de jogar em um campo diferente, sem identificação. O Atlético já transitou por Germano Kruger, Eco-Estádio, Vila Capanema e agora milita no Caranguejão, em Paranaguá.
Não conhecer (no sentido de saber bem quais são) as dimensões do gramado, vestiário, ter ao lado a presença da torcida, saber que aquele é o seu local de trabalho. Somadas, as razões são muitas para a inibição de um bom desempenho, treinando o que treinar. Jogar contra o Atlético hoje não assusta mais que o normal: é uma partida de futebol profissional em um campo homologado. Falta o fator casa.
E, diga-se, a discussão é longa e não vale nesse post, tamanha novela. Mas, olhando pelo prisma atleticano, algo deveria ter sido pensado antes.
2) Ambição – tem que querer
"Yo?"
“Nunca nos pediram a conquista (sobre Copa do Brasil e Série B). A prioridade é o acesso”, disse Juan Ramón Carrasco em sua despedida do Atlético.
Querer ganhar o título é o passo número um para chegar lá. É a história do cara que reclama que nunca ganhou na mega-sena – mas não joga. A falta de ambição nas cobranças sobre Juan Carrasco e a conquista da Série B são sintomáticas.
Ao dizer o que disse, o ex-treinador atleticano deixou claro que o bicampeonato da Segundona não é prioridade no Furacão. Aceitável, na última rodada; nunca na primeira. Pego o Coritiba como exemplo.
Campeão nacional em 1985, nos anos 2000, rebaixado e campeão em 2007, amargou uma nova queda em 2009. Acompanhei cada passo daquela conquista. A título de galhofa, no início da competição, atleticanos zombavam coxas sobre o “bicampeonato”. Certa feita, assunto corrente na cidade, conversei com o então vice-presidente Vilson Ribeiro sobre o tema. “O Coritiba entra em qualquer campeonato para ser campeão. Não queríamos estar na Série B, mas já que estamos, vamos atrás do título.”
O grau de exigência mínimo deve ser esse para qualquer clube que se pretende grande. Foi assim com Palmeiras, Atlético-MG, Corinthians, Vasco e com o já citado Coritiba. Mas, pela declaração de JR Carrasco e principalmente pelos investimentos feitos pela diretoria atleticana, não parece ser o mesmo no Rubro-Negro.
3) Liderança e bons exemplos
A história de David Trézéguet no River Plate pode ser um exemplo para qualquer clube grande em baixa. Todos que se encaixam nessa categoria têm ídolos, exemplos, gente que pode simbolizar uma retomada. Alguém que, em campo, seja o símbolo de algo que é uma verdadeira guerra – afinal, presume-se que o verdadeiro habitat desse padrão de clube não seja uma divisão inferior.
Ao Atlético, falta isso.
Paulo Baier, o ídolo de um Atlético carente (tem brio e caráter, mas vivencia uma era sem conquistas) se apresenta para o papel, mas carrega consigo o peso do parênteses anterior e também da idade. O time não tem uma liderança em campo – convenhamos, não é de hoje.
Um Trézéguet que mostre “Eu jogo aqui porque é grande”, não importa a divisão. Algo como Ney Franco fez pelo Coritiba 2010 ou Fernando Prass no Vasco 2009 ou mesmo Chicão, líder do elenco do Corinthians 2008. Um símbolo, enfim.
4) Tranquilidade & ambiente
Sitting, waiting, wishing (Foto: Allan Costa Pinto, PRON)
Muitos podem não enxergar, mas o que acontece com Morro Garcia é nocivo ao Atlético. Contratação mais cara da história do clube, Morro não pode jogar por ordem da diretoria, que não aceita a negociação feita pela gestão anterior.
Ao mesmo tempo, outro jogador qualificado, Joffre Guerrón, também está na geladeira. No clube, pelo que apurei, alega-se que o atleta não quer ficar; o mesmo já deu demonstrações disso, mas está aí à disposição. Além disso, a pressão da queda (o elenco quase não foi reformulado), o peso sobre os da base e a insistente improvisação em vários setores, tanto Carrasco quanto com Drubscky, deixam todos em alerta.
O que importa, na verdade, é algo que qualquer um pode transportar para o seu ambiente de trabalho. Você chega para um dia de trabalho, um colega está impedido de exercer a profissão, outro está em espera, outros estão em funções diversas as que estão acostumados ou deveriam exercer.
Aí tem cobrança, pressão, pouca ou nenhuma badalação – não se esqueça que pecado ou não, vaidade é um combustível. Bingo!, está criado um ambiente pesado.
5) Prioridades
Liguera, Fernandão, Weverton, Renan Teixeira, Zezinho e Gabriel Marques. Ainda pode se considerar nessa lista Rafael Schimitz e o lateral Adriano.
Esses foram os reforços de um Atlético rebaixado para a tentativa do acesso. Zezinho demonstrou potencial, Liguera (machucado um bom tempo), Fernandão e Weverton carecem de melhor avaliação. Marques é dedicado. Nenhum convincente.
Juan Ramón Carrasco uma aposta; Ricardo Drubscky, outra. Mal avaliada, pois defende como teórico que um treinador deve estar sempre à beira do campo, mas foi contratado com seis jogos de suspensão.
O departamento de futebol ainda parece muito teórico. Mas já se passaram seis meses. Claro que a cúpula que mantém o sistema é visada (ler abaixo), mas a responsabilidade é funcional.
6) Estabilidade política
Você, atleticano que lê esse texto (coxas e paranistas se divertindo não contam), responda mentalmente, sem pestanejar: é malucellista ou petraglista?
…
…
Desculpe, pensei que você fosse atleticano.
Fato é que o Atlético dividiu-se em setores políticos. Em 2011, o fracasso era sinônimo de alegria para muitos; em 2012, a resposta vem à galope. Resultado? Um clube desunido, fragmentado. Na riqueza (porque quem viu o Atlético 80’s sabe) o clube vive sua pior fase. Tipo divisão de herança de rico.
Enquanto isso, o navio vai rumo ao iceberg.
7) (Falta de) Mobilização
Letargia. Nenhuma palavra resume melhor a torcida atleticana. O Atlético não mobiliza mais ninguém. O golpe foi forte. É verdade que os tópicos acima só deixam a coisa ainda pior. Mas, enfim, qual é o papel do torcedor?
Oras!, torcedor, torce. Na 1a ou na 10a divisão. Sendo assim, tá na cara que falta ânimo aos atleticanos, que nem cobrar mais cobram. Basicamente observam os eventos, quase que impávidos. Não, não é intenção do colunista promover a desordem. Até porque, cá entre nós, mobilizar-se é um problema do Atlético e dos seus.
Mas o estado de “ah, é assim mesmo” tomou conta. Ovo ou galinha?
8) Sucesso alheio (ou inveja)
Não se pode negar que a má fase do Atlético é concordante com a boa fase do Coritiba. E não falo da final da Copa do Brasil de 2012, mas sim das duas, do tricampeonato e da diferença na condução do futebol que um clube abriu de outro.
Desde a declaração do ex-presidente Marcos Malucelli de que o “Coritiba está 10 anos atrás do Atlético”, a “distância” diminui a cada dia. Para o contínuo da contabilidade, não importa o melhor CT, o melhor estádio; o time do colega está surrando o dele. Quem paga a aposta – e o mico – é ele (e isso, amigos, é o que move o futebol. Rivalidade sadia e bom humor). Mas não é mole pra quem tá por baixo.
Então, se a derrota para o Boa já é ruim, imagine se o Coxa vencer o São Paulo e…, ops. Entendeu, né?
Assim sendo, o que o Atlético tem que fazer não é evitar essa pressão, porque é impossível.
É conviver com ela e fazer o seu melhor.
Oras, não foi o que o Coxa, campeão paranaense em 2003/05, fez enquanto o Atlético brilhava? Então volte ao tópico “Ambição.”
9) Qualidade
Pé de jabuticaba dá jabuticaba. Ponto.
Você pode passar sementes de maracujá na árvore, usar o melhor adubo, conversar, abraçar, regar todos os dias. Fazer simpatias, pular num pé só, vestir-se de maracujá.
Pé de jabuticaba não dará maracujá.
Um elenco que demonstrou falhas desde janeiro, perdendo pontos para o rebaixado Roma, não vai conseguir o acesso. Insistir nisso é incompetência, cegueira ou má intenção.
10) Investimento
Em 2011, Mário Celso Petraglia divulgou a lista de salários do então elenco atleticano. Condenável abrir o sigilo de cada atleta, ainda que cada salário ali pudesse ser um acinte. R$ 50 mil para jogar mau futebol, quando tem cientista que não ganha isso para pesquisar a cura do câncer… enfim. É a regra do mercado.
De todo modo, MCP não pode esquecer algo: em 2012, comanda o clube de maior orçamento da Série B. Dos 12 clubes acima do Atlético na classificação nesse momento (23/06/12), quantos tem folha de pagamento maior que o rubro-negro?
Não se deve violar a intimidade financeira dos jogadores, mas acho que a resposta pode ser constrangedora.