Adeus, Corinthians Paranaense

Timãozinho acaba em junho (foto: Geraldo Bubniak/FutebolPR.net)

O Campeonato Paranaense se foi e com ele, vai embora também o Corinthians Paranaense. O polêmico acordo entre o J. Malucelli Futebol S/A e o Corinthians Paulista se encerra, três anos depois, com o saldo de um vice-campeonato e uma grande revelação: o volante Jucilei, hoje no Anzhi, da Rússia.

O Corinthians-PR foi tratado com desprezo pelas torcidas locais, que consideraram um ultraje ao futebol paranaense a anexação de uma marca paulista ao cotidiano paranaense – especialmente após a divulgação da última grande pesquisa de torcidas no Paraná, que aponta o Corinthians Paulista como o time de maior preferência, a frente, pela ordem, de Atlético, Coritiba e Paraná Clube. O fato da bandeira do Estado de São Paulo ter ficado no escudo do clube só aumentou a rejeição. Na época, o presidente de honra do clube, Joel Malucelli, explicou que o Corinthians-SP vetou a bandeira paranaense no escudo por conta das cor verde, que remete ao rival paulista, o Palmeiras.

Conversei com Joel Malucelli sobre a reversão do Timãozinho em Jotinha – com o clube voltando a se chamar J. Malucelli Futebol S/A – a experiência com a marca corintiana e o cenário do futebol paranaense:

Napoleão de Almeida: Porque o Corinthians Paranaense vai acabar?
Joel Malucelli: O prazo vencia em junho. E já estamos com tudo na FPF e CBF para mudar de novo. E esperamos que a marca do Jotinha, um nome simpático, volte a agradar as pessoas.

NA: E por que não deu certo?
JM: O motivo principal era tentar agregar torcedores. E não tivemos sucesso, não adianta. Até porque também porque o time não foi bem dentro de campo. E a bandeira de São Paulo no Corinthians Paranaense não pegou bem. E mesmo os corintianos de São Paulo não se entusiasmaram com o Corinthians-PR. Nós lançamos um plano de sócios, chegamos a ter 200, foi o máximo que conseguimos. Mas a maioria era funcionários do grupo [J. Malucelli]. E como a seguradora J.Malucelli cresceu muito no Brasil, nós vamos aproveitar pra trabalhar esse marketing. Estamos renegociando pra tentar renovar com o Coxa [clube do qual Joel foi presidente nos anos 90] também.

NA:  O Estado do Paraná tem algumas particularidades. No norte, por exemplo, vive-se muito mais o Estado de São Paulo que a própria terra. Vocês não pensaram em explorar mercadologicamente esse público em Londrina ou Maringá?
JM: A gente pensou em levar para Maringá, seria fantástico. Mas pra nós que moramos aqui em Curitiba, pros empresários virem ver os jogadores, é mais fácil ficar. A nossa estrutura está aqui. E tem outra coisa: eu estou nisso mais por paixão. E pra curtir a paixão só ela estando perto da gente.

NA: E você não ia querer uma Gaviões da Fiel no seu pescoço em cada derrota…
JM: (risos) Não! Também tem isso, não quero não, principalmente o Juarez [Malucelli, irmão e presidente do clube], iam me pedir o pescoço dele! Mas o J. Malucelli, o Corinthians-PR, a gente no grupo [J. Malucelli, com quase 70 empresas em diversas áreas] considera projeto social. Nós não queremos fazer aporte de dinheiro, até porque eu sou apaixonado por futebol, mas muitos sócios do grupo não são.

NA: E fora a negociação do Jucilei, o acordo valeu?
JM: Só o Jucilei já valeu. Mas o Ronaldo [volante] também foi um jogador nosso vendido ao Corinthians. E o futebol vale, como paixão. É o teu hobby e sendo Jota ou Corinthians você está fazendo o que gosta. Tá vendo os guris se desenvolvendo, nós temos uma estrutura muito boa. Logo, nós teremos que ser a 4ª força do futebol paranaense. Fomos vice-campeões em 2009, até com o Leandro Niehues de técnico. Esse ano ele não foi bem. Nós vamos mudar um pouco a filosofia e vamos usar mais a base. E vamos aproveitar o relacionamento que temos com Atlético, Coritiba e o próprio Corinthians pra usar mais jogadores dos planteis deles.

NA: Como o Douglas, que chegou ao Paraná?
JM: Pois é. Poderia ter vindo pra cá, era só ter um trabalho nosso. Nós temos um menino [o meia Matheus] que veio do Corinthians e que nos ajudou a se salvar no campeonato. Chegamos a nos preocupar, porque fora de Curitiba o time não tinha resultados. E foi um pouco de teimosia do pessoal que toca futebol lá, insistir com jogadores que já passaram pelo clube.

NA: E agora o clube para no profissional. Como você vê os estaduais, levando pouco público, sendo deficitários?
JM: Alguma coisa tá errada quando acontece isso. A televisão absorveu muito público. Mas eu estive no Atletiba da Vila Capanema. E ver no campo é outro jogo, outra sensação. Só que o estacionamento é caro, a comida não é boa, há o problema da segurança. Em casa o cara vê no HD. Mas precisamos mudar esse quadro.

Jucilei

Na busca por alguns gols do ex-jogador do Timãozinho, achei essa reportagem muito bacana da Record com o jogador. Vale assistir:

Mini-guia da Copa do Brasil, fase IV

Tínhamos quatro, agora seguem apenas dois paranaenses na Copa do Brasil. Mas, pensando bem, não é justo o uso da palavra “apenas” para medir o desempenho de Atlético e Coritiba na principal competição nacional do primeiro semestre. Melhor pensar que, dos oito clubes restantes, 25% são daqui. Outros 25% são da Bahia, 25% de São Paulo, 12,5% de Goiás e 12,5% do Rio Grande do Sul.

Agora não tem mais moleza (se é que algum dia teve) e dentro do que eu entendo ser possível, a dupla Atletiba está atingindo o limite previsto: aposto em ambos nas semifinais e, dali por diante, o que vier é lucro.

Para isso, ambos têm que vencer seus desafios. Vamos então à analise, por ordem cronológica:

Atlético x Palmeiras

Ida: 16/05 – 19h30 – Vila Capanema, Curitiba
Volta: 23/05 – 22h – Arena Barueri, Baruei

O Palmeiras foi o algoz do Paraná Clube na fase anterior e voltará à Curitiba um pouco mais fortalecido do que quando pegou o Tricolor, ainda padecendo da eliminação no Paulistão 2012. Isso já ficou pra trás com as duas vitórias na fase anterior e com a chegada de um atacante que estreou na Vila Capenama: Mazinho.

Mazinho fez dois gols e participou de outro nos 4-0 sobre o Paraná. Contratado junto ao Oeste-SP, foi apelidado pela torcida palestrina como “Black Messi”. É rápido, habilidoso e bom de arremate. Os demais nomes perigosos do Palmeiras continuam sendo Marcos Assunção, Barcos e Valdívia. E Felipão no banco. Vale lembrar que o ex-coxa-branca Henrique, zagueiro, está fora do primeiro jogo, suspenso por expulsão.

Na história, vantagem alviverde: 17 vitórias contra 7 do Furacão – em 35 jogos desde 1968. O Atlético, que jamais passou para as semifinais, terá outro tabu: em dois confrontos pela Copa do Brasil contra o Palmeiras, foi eliminado nas duas vezes. Em 1992, duas derrotas: 0-1 e 1-3. Em 2010, uma derrota e um empate: 0-1 e 1-1 na Arena, com gol do atual coxa-branca Lincoln já no finzinho do jogo:

Mas a série ficou marcada mesmo pela briga entre o ex-atleticano Danilo e o zagueiro Manoel, ofendido pelo ex-companheiro, num episódio lamentável de racismo, lembrado nessa reportagem da TV Bandeirantes:

Se passar pelo Palmeiras, o Furacão pega o vencedor de Grêmio x Bahia nas semis.

Coritiba x Vitória

Ida: 16/05 – 21h50 – Barradão, Salvador
Volta:  23/05 – 22h – Couto Pereira, Curitiba

Tricampeão paranaense, o Coxa mal teve tempo de comemorar e já atravessou o País para pegar um vice-campeão estadual: o Vitória. O time baiano perdeu o título em confronto com o maior rival, Bahia, após dois empates. É possível que ainda sinta o golpe, mas está longe de ser uma galinha morta. Na fase anterior, superou o Botafogo vencendo o jogo no Rio de Janeiro. E tem o artilheiro do Brasil na temporada: Neto Baiano, com 31 gols entre Baianão e Copa do Brasil.

O Vitória é comandado por um interino, Ricardo Silva, que substituiu Toninho Cerezo no comando em meio ao Baiano 2012. O zagueiro Rodrigo Silva (ex-Santos), o volante Robston (sim, aquele) e os meias Geovanni (ex-Barcelona), Tartá (ex-Atlético) e Lúcio Flávio (que começou no Paraná) são os rostos mais conhecidos do rubro-negro baiano, que ainda tem os ex-coxas-brancas Rodrigo Mancha e Pedro Ken, autor de um golaço contra o Botafogo na última fase:

Na história, vantagem coxa-branca com 11 vitórias e oito derrotas em 26 jogos. As equipes nunca se enfrentaram pela Copa do Brasil.

Atual vice-campeão, o Coxa tenta chegar pela quinta vez na história às semifinais.

Se passar pelo Vitória, o Coritiba encara São Paulo ou Goiás nas semifinais.

O campeão, a festa e as lições

Marcelo Oliveira sobreviveu às críticas e levou o caneco

Supremacia consolidada: mesmo sofrido, nos pênaltis, o Coritiba ficou com a taça do Paranaense 2012 e coroou o renascimento do clube após os episódios de 2009: tricampeão estadual depois 39 anos. Uma conquista com muitos elementos, mas que tem alguns símbolos: Vilson Ribeiro de Andrade, o capitão da reação; Felipe Ximenes, o mentor; e Marcelo Oliveira, o executor.

Os números não deixam dúvidas: o Coxa foi o melhor time do Paranaense 2012. Melhor ataque, com 55 gols, maior número de vitórias (16) e menor de derrotas (apenas 1), um aproveitamento de 80%. Foi o único a vencer clássico e sairá da temporada – a não ser que os rivais se cruzem na decisão da Copa do Brasil, o que é possível – sem perder Atletibas.

Hão de dizer que houve erros de arbitragem que ajudaram o Coritiba, como o já histórico gol anulado do Londrina em disputa direta. Fato. Mas na hora da onça beber água, o Coxa foi buscar os resultados que lhe interessaram.

O Coritiba sai do Estadual com o astral em alta e sabedor das limitações que tem. No clássico de ontem, improvisou os dois laterais (Lucas Mendes é zagueiro, embora já tenha mais currículo como lateral-esquerdo), foi pouco criativo no primeiro tempo, com saída de bola lenta e se ressentiu de mais presença no ataque. Mas tem uma boa defesa e descobriu em Éverton Ribeiro um potencial substituto para Marcos Aurélio. Quando Rafinha recuperar a condição física, a dupla poderá dar samba.

Nas comemorações, Marcelo Oliveira e o vice-presidente Ernesto Pedroso admitiram uma briga interna entre o técnico e o superintendente Felipe Ximenes. A razão seria duas opiniões diferentes sobre a montagem do elenco. É fato que Marcelo Oliveira teve que remontar a equipe, que não tem a mesma força de 2011. E foi ele quem absorveu as críticas da torcida – mas, se o clube não tivesse comando, poderia ter deixado o barco no meio. Deu a entender que segue no Coritiba. Melhor assim: mesmo com algumas críticas, Marcelo entende o projeto do Coritiba, as limitações financeiras e as ambições do clube. E não é fácil substituir: sempre que se falar em trocar o técnico, faça a você mesmo a pergunta, “e quem vem?”

Vanderlei, que havia falhado no primeiro jogo, recuperou-se defendendo a cobrança de Guerrón. Justo Guerrón, de quem os atleticanos esperavam mais e, sintomaticamente, era o mais vaiado em campo pela torcida coxa quando pegava na bola. Faz parte das ricas histórias do futebol: redenção de um, condenação de outro. Guerrón e o Atlético serão assunto mais abaixo; já Vanderlei chega ao penta-estadual (venceu com o ACP em 2007) mostrando apenas que não é infalível, mas é um bom goleiro.

Quem também sorri é Tcheco, líder da equipe em campo, encerrando a carreira em alta e em casa. Tcheco é peça impossível de se repor por tudo o que representa, mas o papel de líder caberá a alguém que o Coxa deve buscar para o Brasileiro. Quem? Não sei. Mas equipes vencedoras precisam de uma referência em campo.

Como já disse o Leo Mendes Jr., o gol do título, de Éverton Ribeiro, simboliza o que foi o campeonato coxa-branca: parecia que não ia, quando deu na trave, mas entrou. A ressaca pelo título tem que ser curada hoje: na quarta, tem Salvador no caminho, pela Copa do Brasil, contra o Vitória. O tri é digno de festa e, em um campeonato de dois times, mexe com o ego e em si mesmo é um fim, pois a razão de um clube de futebol é levantar taças. Mas o vôo tem que ser mais alto e, passada a festa, o trabalho segue. Já no domingo, tem Campeonato Brasileiro.

As lições

O Coritiba tricampeão tem muito a ensinar ao Atlético. Em 2009, mascarada pelo centenário do clube, a crise rondava o Alto da Glória. Dirigentes se aproveitando do clube para fazer política, disputa interna, muita vaidade, elenco disperso. Para festa, prometeu-se AC/DC, veio a banda 100% Paraíba, do camisa 10 Marcelinho – mais politicagem. Fanfarronices agudas, que resultaram no que todos já sabem. O rebaixamento, as punições e a quase falência do clube, admitida pelo atual presidente Vilson Ribeiro de Andrade, só foi evitada porque houve assertividade nas escolhas. Projeto de longo prazo com técnicos (se a CBF não chama Ney Franco, estaria até agora aqui; Marcelo Oliveira segue na mesma linha), contratações com perfil de identificação ao clube, demonstrações de maturidade dos dirigentes, que nunca evitaram as críticas, apenas lidam melhor com elas.

O Atlético levantou a taça pela última vez em 2009, em meio a esse panorama coxa-branca. Não fosse isso e o Coritiba poderia ser penta. E o Furacão, àquela época, já demonstrava que perdeu o rumo na administração, com a atual gestão batendo forte na anterior – que, diga-se, cometeu muitos erros.

Para voltar a crescer, o Atlético precisa se resolver internamente. A cada derrota, os atleticanos se dividem em Petraglistas e Malucellistas, como se só as duas figuras importassem. Precisa também ter um objetivo: clube de futebol existe para vencer, não ser apenas superavitário. Se os estaduais estão falidos e são desinteressantes (e de fato estão), são também a conquista mais a mão do clube. Num campeonato com dois clubes, o Atlético foi o segundo.

A atual diretoria prefere atacar à responder. Não se sabe onde o clube jogará no Brasileiro B, já que o estádio que tem e cederá à Copa da Fifa está em obras e não chegou a um acordo com os rivais; mas esse assunto não é abordado pela diretoria. Como nenhum outro: questionar a direção atleticana é quase um crime. Pode ser o plano de sócios, os critérios de contratação da gestão de futebol, o currículo dos profissionais escolhidos no cargo ou ainda o departamento de marketing e comunicação, ineficaz e com escolhas distorcidas.

Personificando o clube como se fosse apenas seu, o atual presidente não responde sobre contratações, ambições, projetos, dívidas, etc. Prefere usar os veículos oficiais para atacar quem o questiona. Sem explorar os espaços de mídia que tem, o clube levanta sobre si um sem número de boatos e o principal: não ostenta um patrocínio central na camisa, fonte de renda importantíssima.

Durante a semana, uma despropositada carta a arbitragem sob o pretexto de motivação simbolizou a gestão em comunicação do clube. Se não era ofensiva, perdeu o sentido por não ter valor prático – arbitragem já definida e para questioná-la existem outros meios – e principalmente por não valorizar a própria necessidade do clube, preferindo amparar-se no rival. Desnecessária.

Por sua vez, o Coritiba, que tem janelas e horários para entrevistas como qualquer outro clube, lida melhor com a relação com a mídia e tem, apenas na camisa, 9% de sua arrecadação.

O Atlético de hoje propõe-se a ser campeão do Mundo, mas não vence sequer o campeonato que ele mesmo despreza. Há uma falta de sintonia entre o discurso e a prática.

Evidentemente, não está tudo errado. O Estadual serve para o Atlético ver que o time é mediano. Para voltar à Série A, carece de reforços. O técnico Juan Ramón Carrasco é bom: basta ver que aproveitou a base que caiu em 2011 e alguns pratas da casa e fez um time competitivo. Mas é pouco. Rodolfo, Liguera, Ricardinho e Edigar Junio são boas surpresas. Outros, como o goleiro Vinícius, desperdiçaram oportunidades. Mesmo Guerrón, que na hora H acaba refugando – um Baloubet du Roet dos campos – tem utilidade na Série B e na Copa do Brasil. Só é preciso entender melhor a cabeça do equatoriano, que dizem os próximos, vive em mundo só seu.

Petraglia tem uma inigualável lista de serviços prestados ao próprio Atlético. Mas deveria aproveitar essa segunda, com ressaca de derrota, para refazer alguns conceitos. O exemplo está logo ao lado.

Estaduais

O campeão é o melhor time do Paraná e tem mais é que fazer festa. Mas os Estaduais estão mofando no calendário brasileiro. À exceção do Paulistão e do Carioca, amparado pela maior rede de TV do país, os demais dão prejuízo. São cinco meses perdidos, com déficit em arrecadação, pouca atratividade e pouca competitividade. O abismo que se abre entre os médios – onde estão os paranaenses –  e os gigantes nacionais só aumenta com os Estaduais.

Passou da hora de retomar os Regionais. Não é preciso ser mágico pra saber que um Grêmio x Coritiba levará mais gente ao campo ou à frente da telinha que um jogo com o Iraty. Os Estaduais devem ser uma porta de acesso aos Regionais, movimentando o calendário o ano todo. O que mataria o futebol do interior não é o fim desse tipo de competição e sim o que já acontece: um clube com a história e estrutura do Londrina parado o resto do ano. O mesmo para o Operário. Estes, se não estiverem nos Regionais, devem jogar um Estadual de ano inteiro, disputando vaga na Copa do Brasil e na Copa Sul.

Não é difícil, é só copiar o que já foi feito. Impulsionará o futebol local de várias maneiras. Mas é preciso vontade e desapego político.

Pensando bem, é difícil sim.

Videocast #002 – Abrindo o jogo dessa p#rr@ aí

Gravação 002 tá no ar! Com Copa do Brasil, decisão do Paranaense, a sua participação e um monte de gente falando palavrões nos gramados do Brasil! (Favor não assistir com menores ao lado.)

X razões para o seu time ganhar o título no Atletiba #352

Falta pouco para o Atletiba #352 da história, que vale a taça do Paranaense 2012. E para alimentar a conversa nos botecos nos momentos que antecedem a decisão, uma lista de razões para que o seu time saia campeão no domingo:

#Atlético – Na última decisão com partida final no Couto Pereira, em 1990, foi campeão sem precisar vencer: 2-2.

#Coritiba – Não perde para o Atlético no Couto Pereira desde 2008, com 8 jogos de invencibilidade e 4 vitórias no período.

#Coritiba – No Couto Pereira, aproveitamento com Marcelo Oliveira é de 89,1%, com 42 vitórias e apenas 2 derrotas em 49 jogos.

#Atlético – Venceu 50% dos jogos fora de casa nesse ano: 7 vitórias e 3 empates em 14 jogos.

#Atlético – Venceu 7 das 13 decisões de Paranaenses entre os clubes desde 1924.

#Coritiba – Na última vez que decidiu no Couto Pereira em pênaltis, em 1978, foi campeão.

#Coritiba – Não jogou durante a semana, só treinando e recuperando para o Atletiba; deve ter a volta de Rafinha.

#Atlético – Venceu e eliminou o Cruzeiro, vai embalado pro Atletiba; deve ter a volta de Guerrón.

#Atlético – Já foi campeão no Couto Pereira em três ocasiões: 1982 (x Colorado), 1983 e 1990 (x Coritiba).

#Coritiba – Terá maioria absoluta de torcida a seu favor dentro do Estádio.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 09/05/2012

Retrocesso

Uma tendência triste, da qual se torna cada vez mais difícil escapar: semanas pós-clássico no Paraná têm tido mais discussões em cima de arbitragens, violência e condutas extra-campo do que do jogo em si. O resultado é nítido: estádios esvaziados. Não à toa a decisão do Estadual 2012 levou apenas cerca de 9 mil pessoas a Vila Capanema. O futebol paranaense retrocedeu no tempo. Estancou na arbitragem, incompetente e sem renovação; erra nas fórmulas dos campeonatos e intransigência dos mandatários; peca no controle à violência, incentivando diferenças. Andamos para trás nos últimos anos. É uma hora uma profunda reflexão. A apregoada modernidade que a Copa 2014 pode trazer não combina com 90% do que vem sendo feito na terrinha.

Crescimento e desproporção

O Coritiba foi o 5º clube que mais cresceu em arrecadação em 2011, segundo estudo do balanço financeiro coxa-branca feito pela Pluri consultoria, divulgado ontem. Foram 117% de receitas a mais que em 2010, ano em que disputou a Série B, com boa parte dos jogos em Joinville. Em compensação, as despesas cresceram 74%. Natural: mudaram as ambições e circunstâncias. Mas o Coxa ainda está longe de poder competir com os gigantes brasileiros em receitas. A principal dela, responsável por 56% do volume de arrecadação, vem da TV: R$ 24,8 milhões. Corinthians e Flamengo recebem cerca de R$ 110 milhões da mesma fonte. Os sócios representam 26% do volume da renda do Coxa. Atlético e Paraná não tiveram seus estudos apresentados pela empresa até o fechamento da coluna.

Mico

Alguém não identificado, mas com o texto em tom muito parecido com o que usa o presidente Mário Celso Petráglia, usou o twitter oficial do Atlético para reclamar de arbitragem e se queixar das mazelas do clube em tom nada solene. Um mico ainda sem responsável. O canal institucional do clube não deve se prestar a desabafos e rompantes e sim servir a comunidade esportiva com informações precisas e técnicas, ou promoção institucional. Tratá-lo como parte de uma posse pessoal mostra que o profissionalismo está passando longe da Baixada.

Informações que interessam

Mas como o twitter atleticano se propôs a um bate papo “aberto” sobre as coisas do clube, enquanto o principal gestor se recusa a dar entrevista, lanço algumas perguntas abertas, para quem sabe encontrar respostas no mesmo canal: qual o critério na montagem do time, mantendo a base rebaixada e repatriando jogadores sem sucesso em passagens anteriores, como o goleiro Vinícius e o zagueiro Bruno Costa? Qual o valor e o destino das cadeiras da Arena, removidas do estádio? Qual a versão dos dirigentes para as acusações da “Operação Uruguai”, denunciada recentemente, envolvendo favorecimento pessoal em transações nos anos 90? No aguardo.

Atletiba #351: ainda a arbitragem – mas era pra ser mais que isso

Foi um grande jogo. Placar de 2-2 e vantagem pequena para o Coritiba, que agora decidirá em casa, onde não perde há 4 anos para o Atlético – que, de quebra, terá que fazer jogo duro em MG, contra o Cruzeiro, enquanto o Coxa descansa.

O Atletiba 351 merecia ser lembrado pelas alternativas: o Coxa que saiu na frente em jogada individual de Éverton Ribeiro, limpando bem o bote errado de Bruno Costa e batendo com o “pé ruim”, segundo ele. Menino tem estrela em clássicos; poderia também ser lembrado pela insistência de Liguera no primeiro gol atleticano, ao brigar pela posse de bola duas vezes, até que no bate-rebate, sobrasse para Bruno Mineiro. Que se não é um Batistuta, mete gols (não a toa tem 12 gols, mesmo tendo ficado de fora de quase todo o segundo turno). O insistente Liguera também dividiu com Vanderlei, que falhou no gol da virada rubro-negra; depois, Anderson Aquino empatou, premiando a ousadia de Marcelo Oliveira em detrimento do erro de Juan Carrasco, que sacou Ricardinho para entrada de Zezinho, recuando o time. Oliveira foi pra cima e buscou o empate.

Mas aí começam as reclamações. E, sempre com a ressalva de estar horas depois, com o controle da TV na mão, peguei mais um piolho na arbitragem ruim de Evandro Rogério Roman, que pelo porte físico acima do peso mostra que a Secretaria de Esportes lhe está dando prosperidade.

Anderson Aquino estava impedido no gol de empate do Coxa. Vi, revi o lance, voltei a imagem, já no Revista RPC. Tarde, mas válida observação por que vai de encontro ao evidente: a arbitragem paranaense está em baixa. Primeiro, a imagem:

Emerson toca na bola para driblar Manoel e ela sobra para Aquino, impedido
O vídeo abaixo tem os melhores momentos da partida. Em velocidade, percebe-se melhor, no ângulo lateral, o erro de arbitragem que ia passando batido:

Update: link com a imagem da Revista RPC:

http://redeglobo.globo.com/platb/rpctv-revistarpc/2012/05/07/decisao-do-paranense-ficou-para-o-segundo-atletiba/

Não foi o único erro. Quando o jogo estava 2-1 para o Atlético, houve um pênalti claríssimo de Bruno Costa, ao tocar com a mão na bola dentro da área:

E ainda com o placar em 2-1 Furacão, um pênalti claro de Lucas Mendes em Zezinho, no link abaixo no site da TV Globo:

http://globotv.globo.com/globocom/tempo-real/v/polemica-zezinho-cai-na-area-mas-o-juiz-manda-seguir-aos-26-minutos-do-segundo-tempo/1935373

Não foi por falta de aviso: o campeonato inteiro foi repleto de erros de arbitragem. Como a questão se tornou política, esqueceram de se preocupar com a qualidade. Mas os dois melhores, Heber e Roman, vivem má fase. Pelo físico, Roman já está pensando em se aposentar. E Heber Lopes segue o mesmo caminho, apitando de longe os lances.

Já está virando folclore, claro. Afinal, o Atlético sempre acaba tendo algo a reclamar e, como a vantagem recente do Coritiba em clássicos perdura, tudo caminha para chacota. Normal para os torcedores.

Mas para quem dirige o futebol paranaense, não. Não creio em teorias da conspiração. Não seria a mesma FPF que brigou com o Coxa pelo uso do Couto Pereira ao Atlético que iria armar um campeonato para o Alviverde. A resposta é bem mais simples: desqualificação.

Ainda há tempo de pensar em árbitros melhores para a finalíssima.

Fiasco

Alguém, escrevendo em tom parecido com o que o presidente Mário Celso Petraglia usa em seu twitter pessoal, usou a ferramenta de comunicação do clube para culpar a arbitragem (nada sobre o lance de Anderson Aquino, acredito que a primeira menção seja aqui no blog) e… “desabafar” contra o momento do próprio clube.

Um fiasco. O twitter do clube, com cerca de 40 mil seguidores, é uma ferramenta institucional de comunicação. Não pode se prestar a desabafos de quem quer que seja. Se foi um estagiário ou profissional contratado, deve ser identificado e responder por isso; se foi o presidente, que já negou (mas tem um estilo muito característico de se expressar para ser confundido), pior ainda, pois teria se apossado de um meio institucional que ele mesmo prega ser o melhor canal de comunicação do clube. Provou que, nesse caminho, está longe disso.

Aliás, o próprio TJD-PR pode impor uma sanção ao clube, que tem meios oficiais para reclamar, protocolando na FPF.

Feio.

Vantagem

Uma semana para descansar, tratar Rafinha, defender um tabu de 4 anos, com casa cheia. O Coritiba é favorito para ser campeão, embora seja uma vantagem muito curta, já que os times são parelhos. Joga só pela vitória (novo empate e teremos pênaltis) mas evitou que o Atlético usasse o seu mando de campo como arma.

Longe de dizer que o Atlético está morto, porque não está. Mas existe uma pequena e inegável vantagem para que o Coxa chegue ao tri-estadual.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 02/05/2012

A rivalidade

O Atlético reencontra o Cruzeiro hoje, na Copa do Brasil, quase cinco meses depois de ser rebaixado na Série A do Brasileiro em disputa direta com os mineiros. Historicamente aliados – inclusive com torcidas organizadas amigas – os dois clubes vivem um momento conturbado na relação. O Furacão foi prejudicado por um erro de arbitragem no jogo entre as equipes em Minas (1-1) quando teve um gol anulado que poderia livrá-lo da queda. Após fracassar por conta própria e perder para o América-MG (que recebeu incentivo financeiro do Cruzeiro e da FMF para vencer por 2-1) ainda viu a vitória no Atletiba 348 (1-0) não adiantar nada, já que o Cruzeiro venceu o clássico mineiro por 6-1 sobre o Galo, até então a melhor defesa do 2º turno. O jogo criou uma aura suspeita, nunca apurada, de que houve manipulação de resultados. A começar pelo fato de os clubes terem o mesmo patrocinador, que detém o direito de mais de 13 jogadores de ambos os times. Na internet, a torcida atleticana lançou campanha pela “honra” do clube nessa eliminatória. O jogo promete.

O procurador

O site oficial do Atlético trouxe a informação de que o procurador do TJD-PR Glaucio Josafat Bordun, que denunciou cinco jogadores do clube por confusão no Atletiba 350, seria sócio do Coritiba, quase que atribuindo a denuncia a esse fato. Ora, caso típico de clubismo exacerbado, como se o restante dos membros do TJD não tivessem também seus clubes do coração. O advogado do Atlético no caso (que consta em súmula feita pelo árbitro Antônio Denival de Moraes), Domingos Moro, é conselheiro vitalício do Coritiba. E aí? A ação dele muda nesse caso? Não. Há que se confiar no caráter e na qualidade profissional das pessoas. O procurador está no papel ao denunciar os jogadores, o que nem de longe significa puni-los: isso caberá aos auditores. Que também têm seus times.

Reforços

Finalistas do Paranaense, Atlético e Coritiba começam a se mexer para as Séries A e B do Brasileiro. O Coxa já apresentou o volante Sérgio Manoel, ex-Mirassol-SP. Também deve trazer outros dois volantes: França, do Noroeste-SP e Chico, do Palmeiras, ex-Atlético. O elenco alviverde tem hoje nada menos que sete volantes; quem sai? Precisava de outros? Já o Atlético deve apresentar nessa semana o atacante Fernandão, ex-Palmeiras, 25 anos, típico jogador de área. E ainda pode trazer o zagueiro Diego Sacoman, que está na Ponte Preta, mas pertence ao Corinthians.

Maratona

A coluna foi finalizada antes da estréia do Paraná na Série Prata, ontem à tarde. O primeiro jogo dos três jogos até domingo. Haja fôlego!

Copa do Brasil: nervos à flor da pele

Quarta, Atlético x Cruzeiro; quinta, Paysandu x Coritiba. Os dois jogos, no início da reta final da Copa do Brasil (16 clubes seguem), tomaram dimensões acima do esperado em rivalidade extra-campo. O blog apresenta o que vai apimentar a disputa nesse meio de semana:

Atlético x Cruzeiro (jogo de ida)

Movimento no Facebook acirra ânimos para o jogo

Historicamente, cruzeirenses e atleticanos são aliados. Mas isso pode ter mudado desde o final do Brasileirão 2011. Tudo por conta do resultado do Cruzeiro contra outro Atlético, o Mineiro. O placar de 6-1 no clássico mineiro levantou muitas dúvidas, nenhuma apurada. O Ministério Público de Minas até ensaiou uma investigação, mas parou quando os organizadores do movimento citado nesse post, ambos torcedores do Galo, retiraram a petição online.

Ainda assim, a Raposa vem a Curitiba na mira dos rubro-negros, como mostra a imagem acima, retirada do Facebook. E debaixo de pressão, como conta o blogueiro Vinícius Dias, do “Toque di Letra”:

“Após ser eliminado nas semifinais do estadual, o Cruzeiro de Vágner Mancini enfrenta o Atlético/PR na quarta-feira, na Vila Capanema, visando reconquistar a confiança de seus torcedores. Decepcionados com a eliminação prematura no Estadual, os cruzeirenses se manifestaram, através das redes sociais, exigindo a saída do treinador, que tem contrato com o clube até Dezembro.

Mantido no cargo, Mancini promoverá duas alterações em sua equipe titular. Vetado pelo Departamento Médico, o uruguaio Victorino será substituído por Alex Silva, que fará sua estreia com a camisa celeste. Montillo, contundido, é outro desfalque. Souza, relacionado pela 1ª vez desde que chegou ao clube, e Wallyson, artilheiro da Libertadores 2011, com sete gols, disputam a vaga.

Esse será o quinto encontro entre as equipes pela Copa do Brasil. Nos duelos anteriores, muito equilíbrio: foram três empates e uma vitória cruzeirense. Em 1999, os curitibanos levaram a melhor. Um ano depois, os celestes saíram classificados, com dois gols do ex-atleticano Oséas.

Duelo de artilheiros

Goleador do Campeonato Mineiro, com 11 gols, o centroavante Wellington Paulista (ex-Paraná) tem se destacado nesse início de temporada, e é a principal arma da Raposa. Do outro lado, o equatoriano Joffre Guerrón (ex-Cruzeiro) é quem dá as cartas. Artilheiro da Copa do Brasil, com seis gols, ao lado do são-paulino Luís Fabiano, o meia-atacante tem incomodado os adversários.

Conexão América

Única possibilidade de título nesse semestre, a Copa do Brasil é também o caminho mais curto para se classificar à Taça Libertadores, torneio que o Cruzeiro disputou nas últimas quatro temporadas. Conscientes das dificuldades, os atletas da Raposa pregam respeito ao rival paranaense.”

Paysandu x Coritiba (ida: 1-4 Coxa)

A parada parece liquidada, certo? Não é o que pensam os jogadores e torcedores do Paysandu. Em Belém, um posicionamento do jornalista da Rádio e TV Transamérica Curitiba Dorival Chrispim fez com que o jogo se tornasse questão de vida ou morte para a torcida do Papão. O Coxa está sendo tratado como inimigo número 1 dos bicolores – e a expectativa é que o Mangueirão esteja lotado para a partida.

Quem conta a versão paraense da história é o jornalista Pedro Loureiro, dono do blog Pedrox:

Jogo com o Coxa tornou-se questão de honra para o Paysandu

“Os Vingadores do Futebol Paraense

Em cinemas abarrotados, filas quilométricas se formam para o filme que conta a história de super-heróis reunidos para uma missão especial, mas que falham miseravelmente em função de desentendimentos por vaidades e interesses difusos. Isso muda quando os protagonistas descobrem um objetivo comum, uma convicção que os motiva a lutar com todas as suas forças.

Quando pisou no Couto Pereira contra o Coritiba, o Paysandu disputava pela primeira vez uma oitava de final de Copa do Brasil. No cartel a campanha invicta na competição. Ter passado pelo Sport Recife com a autoridade de duas vitórias e goleada histórica em plena Ilha do Retiro dava a sensação de que vencer no Paraná não era algo impossível, mas a postura apática de um mal-escalado Papão e os 3 gols sofridos ainda no primeiro tempo escancararam a dura realidade de um clube que está na série C, eliminado pela campanha irregular no campeonato estadual e com orçamento 12 vezes menor que o do adversário.

O gol marcado por Tiago Potiguar e o pênalti defendido por Paulo Rafael no segundo tempo deram nova face ao confronto e ao Papão a esperança de que era possível reduzir a diferença e até empatar, se o ataque não perdesse tantas oportunidades. O pênalti convertido após expulsão do goleiro Paulo Rafael no finalzinho da partida poderia ter sido a pá de cal nas pretensões bicolores, que precisa vencer o jogo do volta em Belém por pelo menos 3 gols de diferença. A fatura estaria liquidada, pois a torcida do Paysandu – impaciente com os recentes fracassos do clube – não tem comparecido em grande número nos últimos jogos e a desclassificação iminente transformaria o Mangueirão em um campo neutro, sem torcida. Tarefa fácil para a classificação do Coxa.

A virada no roteiro aconteceu ainda no Couto Pereira, após o fim da partida, quando Dorival Chrispim, da rádio Transamérica, entrevistou o jogador bicolor Harisson, que havia entrado no segundo tempo, melhorado a movimentação do time e ainda substituiu o goleiro na sua expulsão:

http://transamerica.tv.br/Futebol/jogador-harison-do-paysandu-sai-em-defesa-da-torcida-do-papao.html

O evidente tom de deboche do radialista e a defesa veemente que o meio campista bicolor fez da torcida do Paysandu funcionaram como uma bomba motivacional em Belém. Se imprensa, clube e torcida andavam se desentendendo no decorrer da temporada, Dorival Chrispim fez com que todos se unissem. Vários jornalistas paraenses desafiaram o apresentador a vir para Belém ver de perto a vibração da torcida, a fiel – que não andava tão fiel assim – está comprando ingressos como se fosse uma final de campeonato e o Mangueirão quando fica lotado ferve e faz o time do Papão jogar como se lutasse por um prato de comida.

Talvez o obtuso radialista não tenha estudado o bastante para saber que quando o Paysandu esteve na primeira divisão, batia recordes com as maiores média de público do futebol brasileiro, mesmo figurando por muitas rodadas na zona de rebaixamento. Se tivesse feito o dever de casa, o radialista saberia que contra o Boca Juniors, na Libertadores da América de 2003, o Paysandu levou 65 mil torcedores ao estádio em dia de greve de ônibus com ingressos custando em média R$ 50 e também saberia que o torcedor paraense é um dos mais apaixonados do Brasil, não importa a divisão que seus times estejam.

O Papão, que precisa vencer por 3 a 0 para se classificar, volta ao papel de franco atirador e sabe da força do time Coxa-Branca. A torcida não tá nem aí para as estimativas desfavoráveis e em dois dias já comprou 20 mil ingressos – o dobro do público presente no Couto Pereira no jogo de ida – e está enfrentando sol e chuva nas filas para comprar mais. Espera-se a liberação da capacidade máxima do Estádio Olímpico do Pará (42 mil torcedores) para alcançar o recorde de público da Copa do Brasil de 2012. O torcedor do Papão sabe que a tarefa é dificílima, mas acredita que é capaz de empurrar o clube na superação de seus próprios limites.

Dorival Chrispim do alto de sua arrogância, mexeu no vespeiro e dificultou a vida do Coritiba, que perdeu a oportunidade de fazer um jogo tranquilo. Podem dizer que o Papão não tem estrutura, que falta dinheiro, que o futebol é desorganizado e que está na série C por (de)mérito próprio… Isso tudo é verdade. Porém, jamais mexam com a entidade que faz o futebol paraense sobreviver apesar de todas as dificuldades: a sua apaixonada torcida. Este foi o erro de Dorival, que despertou no torcedor e no time do Paysandu um legítimo espírito vingador!”

*Nota: Os dois textos, de Cruzeiro e Paysandu, são de autoria dos colegas blogueiros e ilustram o outro lado das séries eliminatórias entre as equipes, sendo assim um reflexo da opinião de cada um.