Dallas Cup: ganhar é bom, mas o importante é revelar

Coxa bateu o alemão Frankfurt e decide com o Manchester United

O Coritiba enfrenta às 20h de hoje, em Dallas-EUA, o Manchester United da Inglaterra em busca do título da Dallas Cup, competição tradicional na categoria Sub-20.

Claro que vencer a competição dará alegria ao torcedor e prestígio aos jogadores, técnico e ao clube, internacionalizando a marca. Mas não é o principal.

O Coxa tentará conseguir o que o Atlético conseguiu duas vezes, em 2004 e 2005. Bicampeão nas temporadas citadas, o Furacão atualmente não tem um time S-20. O Coxa, aliás, é o único brasileiro na competição, que já revelou jogadores como Wayne Rooney e Michael Owen e foi vencida 10 vezes por clubes brasileiros nos 27 anos de disputa. Nas duas conquistas do Atlético, os adversários foram o Argentinos Jrs. (2004) e o Santos Laguna-MEX (2005).

Resolvi dar uma olhada no elenco do Furacão bicampeão da Dallas Cup nos anos citados para ter uma base do real valor dos títulos: as revelações e quem realmente deu certo entre os profissionais.

Hoje no Coxa, Anderson Aquino foi bicampeão pelo Atlético

A lista não é animadora – e aqui está o grande alerta para quem está gerenciando a base do Coritiba hoje. Muitas vezes o time é bom na base por ter conjunto, não necessariamente peças que possam ter sucesso entre os profissionais. Daqueles dois times atleticanos, dois jogadores verdadeiramente tiveram destaque com a camisa rubro-negra: o zagueiro Rhodolfo, hoje no São Paulo, e o volante Chico, atualmente no Palmeiras. Os demais, ou tiveram algum brilhareco ou desapareceram no mercado da bola.

O goleiro Vinícius, atualmente titular, o meia Evandro (vice da Libertadores 2005), os atacantes Anderson Gomes (que passou pelo Coxa), Anderson Aquino (hoje no Coritiba) e Schumacher (que teve destaque rápido no time titular em 2005), levantaram a primeira taça atleticana. O técnico era Lio Evaristo, que atualmente está no Operário. Nenhum conseguiu grande destaque no Atlético ou rendeu grande valor em dinheiro. Todos tiveram chances no profissional, o que é fundamental – e não está acontecendo hoje no Coritiba. Outro que era daquele time e rendeu uma boa venda ao futebol russo, ao Locomotiv Moscow.

No ano seguinte, o Atlético levou metade do elenco campeão, reforçado por outros nove jogadores – entre eles Chico. Nenhum foi aproveitado no elenco profissional. Ilustres deconhecidos como Thiago Gasparino e Leandro Bravin. O técnico era Leandro Niehues, hoje no Corinthians-PR.

O técnico Zé Carlos vem colhendo bons resultados com o Coritiba na base. Foi semifinalista na Copa São Paulo 2012 (o Atlético também) e terá que assumir uma continuidade do que fazia Marquinhos Santos, que agora é da base da CBF, trabalhando na Seleção. As principais promessas, já apresentadas na Copa São Paulo, são os meias José Rafael e Thiago Primão (em especial) e o atacante Alex, que enjoou de fazer gols na competição nacional (7, fechando como vice-artilheiro).

Mas de nada valerá se os meninos do Coxa não tiverem espaço no time titular e forem trabalhados para integrar elencos profissionais, não apenas formarem bons times na base. A mentalidade vencedora, formada já na base, valoriza a possível conquista de hoje. Mas, ganhando ou perdendo, é importante que os clubes saibam fazer a migração correta das revelações para o time profissional.

O twitter oficial do Coritiba (@coritiba) e o da Dallas Cup (@dallascuplive) acompanharão o jogo lance a lance. Eu atualizarei o resultado após a partida aqui no blog.

Atualização: O Coritiba venceu o Manchester United por 2-1, gols de Alex e Zé Rafael, e ficou com a taça!

 

O erro de Vinícius

E se fosse outro goleiro que tivesse protagonizado o lance incomum em Criciúma 1-2 Atlético? Fiquei pensando nisso após o fim da partida. Se não fosse Vinícius que estivesse no gol, será que a reclamação seria unânime na hora do lance? Será que a grita dos torcedores e de grande parte da imprensa local seria diferente? Pra mim, sim.

Vinícius é estigmatizado por aqui. Tudo ainda por um erro de quatro anos atrás, que custou ao Atlético o título paranaense contra o Coritiba. Na época, 2008, um choque entre Vinícius e o então zagueiro Danilo proporcionou que Henrique Dias descontasse para o Coxa, que havia vencido o jogo de ida por 2-0. O gol de HD deixou o placar em 2-1. O Atlético venceu, mas não levou. E Vinícius ficou marcado para sempre.

Sem carregar a mesma cruz nacionalmente, a análise da imprensa nacional foi mais objetiva: o árbitro José de Caldas Souza (DF) errou grosseiramente. “Erro primário”, analisou Leonardo Gaciba, ex-árbitro e comentarista de arbitragem do SporTV. No lance, o auxiliar Marrubson Melo Freitas levantou a bandeira na hora, mas Caldas bancou o lance e prejudicou o Atlético. Veja o lance, uma entrevista de Vinícius e a análise de Gaciba, no vídeo abaixo:

Por aqui, deu-se mais atenção à “mosqueada”de Vinícius. Eu, inclusive, tive dúvidas no lance, muito rápido. Mas admito que tive dúvidas na aplicação da regra, que na verdade não é nada interpretativa. É só ler o trecho abaixo, extraído do livro de regras do futebol da CBF:

O goleiro não deverá manter a posse da bola em suas mãos por mais de seis segundos. O  goleiro estará de posse da bola:

• enquanto a bola estiver em suas mãos ou entre sua mão e qualquer superfície (por exemplo: o solo, seu próprio corpo)

• enquanto segurar a bola em sua mão aberta estendida

• enquanto bater a bola no solo ou lançá-la ao ar

Quando o goleiro controlar a bola com suas mãos, nenhum adversário poderá disputá-la com ele.

Não há dúvidas: o árbitro errou gravemente e prejudicou o Atlético. É só rever o lance: Vinícius está com a mão estendida enquanto Zé Carlos retira a bola com a cabeça. Falta do atacante, que custou caro ao Furacão.

Sim, caro. Porque o time poderia ter conseguido a vaga para a outra fase da Copa do Brasil ainda ontem. Agora terá que disputar uma nova partida. Acredito que a vantagem de poder perder por 0-1, empatar e vencer, seja boa o suficiente para que o Atlético confirme a vaga, mas terá um desgaste de um jogo a mais na reta final do Paranaense. E qualquer jogo a mais, um cansaço a mais, no futebol moderno, é inchaço de calendário, dificuldade de recuperação, treinamento a menos. O Atlético deve cobrar da CBF uma postura contra a arbitragem.

Mas, e Vinícius? O goleiro foi condenado antes mesmo de uma noção maior das regras. “Vinícius não serve”, “Um erro infantil”, e outras críticas. E assim foi por 2008, não por 2012. Qualquer outro goleiro na meta e, estou convencido, todos seriam mais complacentes com o jogador e menos com o árbitro. O lance passaria de “duvidoso” para “absurdo”.

Vinícius não é o goleiro ideal para o Atlético. Ontem mesmo falhou em outros dois lances, uma furada com os pés em uma saída de bola no primeiro tempo e um “bate-roupa” no segundo,  do qual se recuperou a tempo. Mas ele deve ser julgado pelo que vem fazendo, não pelo que errou antes. O Atlético não precisa de um Barbosa* no gol.

Curiosidade

Foi impossível ver o lance e não lembrar da micagem de Rodolfo Rodrigues pelo Bahia, contra o Cruzeiro de Ronaldo, em 1993. Relembre o lance, validado pelo árbitro:

*Barbosa foi o goleiro da Seleção Brasileira de 1950, que perdeu a decisão para o Uruguai em um Maracanã lotado, 1-2. Ele fez parte de um dos mais vitoriosos times da história do Vasco, o Expresso da Vitória, seis vezes campeão carioca entre 1945 e  1958 e campeão do Sul-Americano 1948, o embrião da Taça Libertadores. Barbosa era um exímio goleiro, mas carregou por toda a vida o estigma de ter falhado no gol de Ghiggia, o do título uruguaio. A bola passou entre ele e a trave em um chute a queima-roupa. Mas a falha foi mesmo da zaga, que não fez a cobertura correra. Barbosa morreu em 2000 aos 79 anos, depois de, como ele mesmo dizia, “cumprir uma pena de 50 anos, maior que a de qualquer criminoso julgado pela Justiça no Brasil.”

Atlético planta embrião para jogar em Joinville; entenda

Arena Joinville: caldeirão para o Atlético?

O Atlético jogar o Brasileiro Série B na Arena Joinville ainda é apenas um embrião, mas com pinta de que pode dar liga, após os rompimentos de Coritiba e Paraná com a diretoria (leia-se Mário Celso Petraglia) atleticana.

O que há de verdade na história: houve sondagem do Atlético, que já recebeu resposta positiva do JEC, mas tudo ainda no campo da especulação. Isso porque o Joinville não pode fazer nada na Arena sem consultar a Felej (Fundação de Esporte e Lazer de Joinville) que é o órgão da prefeitura que faz a gestão da Arena Joinville. Isso só deve esquentar mesmo na próxima semana, uma vez que houve mudança no comando do secretariado da fundação. O novo secretário, Flávio Sérgio Psheidt, não foi encontrado para falar sobre o assunto.

O JEC não paga um centavo sequer a prefeitura para o uso da Arena Joinville e é o arrendatário do estádio até novembro de 2014. Os únicos custos que o clube tem são os de manutenção do estádio – gramado, arquibancadas, vestiários. O JEC, com o aval da prefeitura, tem licença para lucrar com aluguel de campo e exploração de publicidade na Arena, o que facilitaria muito as negociações com o Atlético. Hoje, o rubro-negro paga R$ 50 mil por jogo ao Paraná pelo uso da Vila Capanema.

O presidente do JEC, Márcio Vogelsanger, demonstrou interesse na negociação: “Não vejo nenhum problema. Assim como o Coritiba fez aqui, o Atlético pode fazer também. Mas temos que sentar com a prefeitura e negociar, isso ainda não foi feito.” Vogelsanger estava em uma reunião e foi curto e evasivo nas respostas. Disse ainda que pessoalmente não conversou com ninguém do Atlético, mas que algum diretor do clube já poderia ter feito isso por ele – ainda não sabia afirmar.

Curiosamente, Joinville e Atlético se enfrentam na Arena Joinville na primeira rodada da Série B. Eles, caso se acertem, precisam da ajuda da CBF e da TV para recoordenar três rodadas no turno, outras três no returno, a inversão de mando na abertura do segundo turno e a ajuda da PM no derby com o Paraná, em 24/11, última rodada com movimentação nas estradas. Confira os jogos conflitantes:

16/06 – 6ª rodada – sábado
16h – JEC x Ceará
16h – Atlético x Goiás

03/08 – 15ª rodada – sexta e sábado, com clássico catarinense
Sex – Atlético x São Caetano
Sáb – JEC x Criciúma

14/08 – 17ª rodada – sábado
16h – JEC x Bragantino
16h – Atlético x ASA

22/09 – 26ª rodada – sábado – movimentação dupla paranaense nas estradas
16h – Atlético x Ceará
16h – JEC x Paraná

27/10 – 33ª rodada – terça-feira
21h – JEC x América-MG
21h – Atlético x Guaratinguetá

06/11 – 35ª rodada – sábado
16h – JEC x Guaratinguetá
16h – Atlético x América-RN

24/11 – 28ª rodada – sábado – movimentação dupla paranaense nas estradas
16h – Atlético x Paraná

Em 2010, quando usou a Arena Joinville por 10 jogos, o Coritiba arcou com custos de manutenção estimados em R$ 20 mil por jogo e ainda fez o repasse de 10 a 12% da renda em jogos diurnos e 12 a 15% da renda em jogos noturnos. A média de público do Coxa foi de 2454 torcedores nas 10 partidas, sendo a maior presença em um jogo contra o Sport Recife, num sábado: 7022 pessoas viram a vitória alviverde por 2-1.

Para pensar:

Nas redes sociais, a torcida do Atlético já chia com a falta de habilidade da diretoria em negociar com o Coritiba e, mais recentemente, com o (novo) racha com o Paraná Clube e a possível perda da Vila Capanema, atual refúgio atleticano.

O torcedor se dói, mas o clube nem tanto. Nenhum dirigente jamais irá admitir, mas para um clube com um bom parque associativo em dia, não é vantagem ter muitos torcedores presentes ao estádio. A conta é simples: supondo que os 17 mil sócios que o Atlético afirma manter sejam no máximo 10 mil, para facilitar os números; e que cada um pague R$ 70 por mês, numa média de 4 jogos em casa (R$ 17,50 por jogo), o clube tem arrecadado mensalmente 175 mil reais. Mas, com a média de público na Vila não ultrapassando 4 mil, tem declarado e prestado contas (impostos, taxas de federação) de apenas 70 mil reais/mês, sobrando aos cofres do clube 105 mil limpos e justificados.

Não é mau negócio para a economia atleticana mudar-se para Joinville, reduzir custos de aluguel de campo e aumentar a sobra de caixa. É sim para o torcedor, mais uma vez jogado para o quinto plano.

Para pensar II:

A frase atribuída a Mário Celso Petraglia na reunião na câmara de vereadores sobre a Vila, “Precisamos de outro lugar para jogar”, não traz nenhuma ofensa ao Paraná Clube. É na verdade uma forma de pressão do atleticano sobre os governantes, para agirem junto ao Coritiba pelo Couto Pereira.

Mas, há dois meses aqui mesmo no blog, já trazia a informação de que o Tricolor, com excesso de jogos entre Série B e segundona paranaense e tendo o Atlético como rival na competição nacional, não queria danificar o gramado da Vila.

Foi um pedido de Ricardinho. O técnico não quer que o time sofra mais esse prejuízo. É um direito do Tricolor.

Só que a diretoria paranista não precisa jogar para a torcida. Fazer Petraglia de vilão já é o esporte favorito da praça, não havia necessidade de jogar novamente o desgastado presidente atleticano na fogueira.

Para pensar III:

Petraglia está certo em pedir dinheiro à prefeitura e ao Estado. O Atlético está pagando quase sozinho a conta da Copa, que é um evento da cidade, gostem ou não. É claro que o lucro de se ter um estádio novo é excepcional ao clube, mas e se o Atlético virar as costas, botar as cadeiras no lugar enquanto ainda há tempo e desistir do projeto, deixando o Paraná fora do Mundial? O mico é de quem?

Do mesmo governo que mantém o secretário que sugeriu calote no cargo?

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 04/04/2012

Paradas indigestas

Atlético e Coritiba iniciam nessa semana a segunda fase da Copa do Brasil; o Paraná, na semana que vem. Ninguém terá moleza. O Coxa pega hoje o ASA de Arapiraca, com perspectiva de jogo duro no interior de Alagoas, sem Rafinha. O Atlético terá amanhã um gostinho do que o espera na Série B nacional ao pegar o perigoso Criciúma. Já o Paraná, que só entra em campo semana que vem (11/04), pega o Ceará, líder do Cearense e adversário também na Série B. A vantagem dos três é poder decidir em casa e, quem sabe, eliminar o segundo jogo se vencerem por dois ou mais gols de diferença.

Torcida contra?

Se passar para a próxima fase da Copa do Brasil, o Paraná Clube irá complicar a vida da FPF, que se recusou a antecipar a segunda divisão estadual e teve que enxertar nada menos que 21 jogos em 60 dias, pelo conflito de datas com a Série B nacional. A tabela, refeita na última semana, prevê dois jogos entre 1 e 3 de maio; se eliminar o Ceará, o Paraná entra em campo pela Copa nacional dia 2 do mesmo mês, acabando com o paliativo de duas datas da FPF. Será que tem diretor de federação torcendo contra?

Cáceres, só em julho

O Coritiba aguarda o fim do contrato entre o volante Luís Enrique Cáceres e Cerro Porteño para retomar as negociações e trazer o reforço ao Brasil. O jogador está perto de ganhar passe livre e o clube paraguaio tem “blindado” o jogador, que vem atuando pouco no Campeonato Paraguaio. Em julho o jogador deve assinar com o Coxa, com quem já tem proposta firmada. Com 23 anos, Cáceres pode ser a grande aposta alviverde para acertar a saída de jogo da equipe para o Brasileirão, deficiente desde a saída de Léo Gago para o Grêmio.

Paranaense Sub-20 esvaziado

Atual campeão, o Atlético se recusou a disputar o Paranaense Sub-20, que teve início no último final de semana. O clube não deu muitas explicações sobre o porquê de abrir mão de disputar a última categoria antes do profissional no Estadual, mas os jogadores foram deslocados para um time Sub-23, que tem realizado amistosos. Já o Coritiba inscreveu um time com média de idade dois anos abaixo da categoria, com o time Sub-20 excursionando pelos EUA para a Dallas Cup. Na estréia, o Coxa perdeu por 0-1 para o Corinthians-PR.

Articulando

Hélio Cury, presidente da FPF, esteve ontem em um almoço no Rio de Janeiro com José Maria Marin, novo presidente da CBF. Cury e os presidentes das federações gaúcha, carioca, catarinense e baiana estiveram aparando arestas. Quando da renúncia de Ricardo Teixeira, o grupo queria uma nova eleição para o comando da entidade, mas respaldado principalmente pela federação paulista, Marin assumiu o cargo como vice-presidente mais velho.

Copa do Brasil: mini-guia da segunda fase

O Operário tombou, mas o trio da capital segue firme na Copa do Brasil, com jogos nessa semana (à exceção do Paraná Clube, que só entra em campo dia 11).

Assim sendo, vamos ao mini-guia da segunda fase da competição, que ainda permite que um time avance se vencer o primeiro jogo fora de casa por 2 ou mais gols de diferença. Melhor para os paranaenses, que pegam times pior ranqueados na CBF e têm essa possibilidade.

ASA x Coritiba 

Depois de penar mais que o esperado para superar o Nacional-AM, o Coxa faz o “clássico do frango” contra a ASA: Agremiação Sportiva Arapiraquense. Será o primeiro jogo dos paranaenses nessa fase, já amanhã (quarta, 4).

Vitima de uma jocosa comparação do cantor de MPB Chico Buarque na música “E Se…”, com um verso que duvidava da capacidade do Arapiraca ser campeão, o ASA já não é mais uma galinha morta – com o perdão do trocadilho. É o atual campeão alagoano (são 7 títulos ao todo) e está na Série B do Campeonato Brasileiro.

O Coxa não terá moleza e pela bola que vem jogando, deve fazer o jogo de volta em Curitiba, marcado para 11/04. No ASA, o destaque é o atacante Neto Potiguar, que já defendeu Bahia e Guarani e jogou no futebol mexicano. O técnico é Heriberto da Cunha, ex-Atlético. No atual campeonato alagoano, o ASA é o 2o colocado no segundo turno, depois de perder a decisão do primeiro nos pênaltis para o CRB. Quatro equipes avançam às semifinais dos turnos. Na última rodada, o ASA ficou no 2-2 com o CSE (sim, em Alagoas quase todos os times são conhecidos pelas siglas. Na primeira divisão, são 5 dos 10: CRB, CSA, CSE, CEO e ASA.)

Na história são 2 jogos, com duas vitórias do Coxa, 4 gols marcados e 1 gol sofrido. O último jogo foi no Couto Pereira, em 25/09/2010, vitória por 2-0.

Se passar pelo ASA, o Coxa pega o vencedor de Sport Recife x Paysandu.

Criciúma x Atlético

Parada indigesta para o Furacão na vizinha Santa Catarina, na quinta-feira 05/04. O primeiro grande desafio pensando na Série B nacional é o Criciúma, adversário que também está na vida do Atlético na volta da equipe à segunda divisão nacional após 17 anos – jogos marcados para a 18a e 36a rodadas. Antes, a Copa do Brasil, competição na qual o Tigre tem mais know-how que o Rubro-Negro: foi campeão em 1991 sob o comando de Luís Felipe Scolari.

Depois de passar com dificuldades pelo Sampaio Corrêa, está na expectativa atleticana realizar o jogo de volta em 12/04, na Vila. Pela frente, o vice-líder do segundo turno do Catarinense que não foi bem no primeiro turno, mas vem em recuperação. No entanto, levou 3-0 do Joinville na última rodada do Estadual, quando perdeu a liderança.

Pelo lado do Criciúma, rostos conhecidos como o do goleiro Andrey (campeão paranaense pelo CAP em 2005), o ex-coxa-branca Fabinho Capixaba e o ex-paranista Itaqui, destaque da equipe ao lado do artilheiro Zé Carlos, que esteve cotado a defender o Atlético no ano passado. O técnico é o ex-zagueiro Sílvio Criciúma.

Na história, vantagem catarinense: 6 vitórias contra 5 do Atlético e quatro empates.

Se passar pelos catarinenses, o Furacão encara Cruzeiro ou Chapecoense-SC na outra fase.

Ceará x Paraná

Ninguém terá moleza nessa fase da Copa do Brasil, mas talvez seja o Paraná quem tenha as maiores dificuldades na série eliminatória. Beneficiado pelo ranking histórico por apenas 2 pontos de vantagem (1110 x 1108) o Tricolor poderá decidir em casa, contra o Ceará, a vaga na outra fase da competição. A série só se inicia em 11/04, com jogo no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza – a volta poderá ser em 18/04, se o Paraná não vencer por 2-0 a ida.

O grande problema é a inatividade paranista no ano até aqui. Apenas dois jogos oficiais, com um empate e uma vitória sobre o Luverdense-MT em quatro meses de atividade. Enquanto isso o Ceará, que será adversário tricolor também na Série B nacional, ocupa a liderança do Cearense, com 45 pontos em 19 jogos – são 22 ao todo, pontos corridos ida e volta entre 12 times, com os quatro primeiros indo às semifinais. Ou seja: tudo que o Paraná não jogou no ano até aqui, o Ceará abusou.

O time é experiente, com jogadores como o goleiro Fernando Henrique e o zagueiro Daniel Marques (aquele mesmo) que fizeram parte da equipe que caiu para a Série B ano passado, e outros conhecidos, como o lateral-direito Apodi e os atacantes Lima, o “falso lento” ex-Atlético, e Mota, ex-Cruzeiro. O técnico é PC Gusmão.

Paraná e Ceará se enfrentaram na Copa do Brasil 2001 e deu Vovô: 2-2 em Curitiba e 1-3 em Fortaleza. Se o Tricolor passar, pega o vencedor de Palmeiras x Horizonte-CE. E se o Paraná passar, a FPF terá problemas, mas isso você lê aqui.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 28/03/2012

Rompidos

Não convide para o mesmo evento os presidentes do Atlético, Mário Celso Petraglia, e do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade. Os dirigentes, que trocaram elogios mútuos no início do ano, estão com relações rompidas com os sucessivos episódios envolvendo a necessidade de o Furacão ter um estádio para jogar. Nos bastidores, comenta-se que Vilson e Petraglia estavam próximos de um acerto para o empréstimo do Couto Pereira para o Brasileiro, mas o mandatário atleticano, em paralelo, tentou forçar a barra junto a CBF, com medo de levar um não de Vilson. O coxa-branca, por sua vez, sentiu-se traído e informou a Petraglia que “não quer mais conversa” com ele.

Torcida única em julgamento

A medida por um Atletiba com torcida única, tomada por iniciativa de Petraglia no clássico 349, é outro ponto de discórdia. Andrade concordou com a decisão com a prerrogativa de que o Atletiba 350 também fosse disputado dessa forma; o MP-PR, que poderia impedir a infração ao Estatuto do Torcedor foi complacente. Mas o TJD-PR, através do procurador Marcelo Contini, não. Uma petição de quatro laudas denuncia os clubes, que podem ser apenados em até R$ 100 mil. O julgamento será na quarta que vem pela 3ª comissão. Seja qual a decisão, ela não obrigará nada em relação ao clássico 350, em 22/04.

Tcheco e a gerência de futebol

O meia Tcheco, 36 anos, deverá deixar os gramados em julho, quando o Coritiba pretende realizar uma festa de despedida. A intenção da diretoria do Coxa é convidá-lo para auxiliar Felipe Ximenes na gerência de futebol. “Ele é identificado com o clube e tem perfil”, sinalizou o presidente alviverde Vilson Ribeiro de Andrade.

Parreira e Ney Franco em Curitiba

Calma: nem Juan Carrasco, nem Marcelo Oliveira estão perdendo os empregos. Os dois técnicos da Seleção (o primeiro do tetra em 94, o segundo atual auxiliar de Mano Menezes) estarão em Curitiba em 28/05 no Footecon, o congresso brasileiro dos profissionais de futebol. Será um dia com debates e oficinas para profissionais e entusiastas da área, com a visão de quem está dentro do mercado. As inscrições já estão abertas no site footecon.com.br/curitiba.

Festa do interior

O Coritiba recebe hoje o Londrina no Couto Pereira em jogo que pode encaminhar a conquista do 2º turno pelo time do norte, três pontos à frente do Coxa e cinco a mais que o Atlético nessa etapa do campeonato. Se não levar 5 ou mais gols, o Londrina deixa Curitiba com a liderança. Se vencer então, põe uma mão na vaga da final – a outra já é do Atlético. Desde 2007, quando ACP e Paraná decidiram o campeonato (vitória interiorana), as disputas ficaram apenas entre Atlético e Coritiba. Já o Londrina, três vezes campeão paranaense, não vê a taça desde 1992.

Atlético 88 anos: 5 grandes momentos na história

Para não passar em branco a data comemorativa atleticana, nada de análise tática, técnica ou política: o blog propõe uma pequena lembrança de cinco grandes momentos na história rubro-negra.

1) O primeiro jogo oficial

O recorte acima (cedido via twitter pelo atento blogueiro Fusketa) marca a data do primeir0 jogo oficial do “Athletico” (como a grafia da época), já válido pelo Paranaense de 1924.

O rubro-negro já havia entrado em campo antes, em um amistoso contra o extinto Universal, e venceu por 4-2. E no torneio início, costume que durou até meados dos anos 90, o Atlético já havia até derrotado o Coritiba, 2-0, em uma partida com menos de 90 minutos de duração – como eram os jogos dos torneios início.

Mas seria no domingo 18/05 que o Atlético faria seu primeiro jogo oficial. O adversário era o Campo Alegre, também extinto, cuja sede era no bairro do Cajuru.

O Atlético derrotou o Campo Alegre por 4-1, dando início a longa trajetória em Campeonatos Paranaenses. Naquele ano, acabou a competição em 5o lugar.

A campanha:

4-1 Campo Alegre
3-6 Coritiba
5-0 Paraná*
1-3 Palestra Itália
2-1 Britânia
1-2 Savóia
4-2 Universal

* O Paraná em questão não é o atual Paraná Clube e sim o extinto Paraná Sports Club, que deixaria de existir no ano seguinte: 

 

 

 

 

 

2) O fim dos jejuns

Depois de alternar conquistas com o Coritiba, disputando cabeça a cabeça a hegemonia do estado até a década de 50, o Atlético passou por dois períodos de largo jejum: 12 anos cada, entre 1958-70-82.

Parecia um castigo interminável para o povão rubro-negro. Após a conquista de 1958, quando já havia passado 9 anos desde a última conquista, o atleticano esperou 12 anos até ver novo título. E ele veio em 1970, com um time com Nilson Borges, Djalma Santos e Sicupira. E olha que o Furacão perdeu os três primeiros jogos do campeonato. Mas engrenou após um 6-2 no Cianorte e uma vitória por 1-0 no Atletiba 151. A taça viria após um 4-1 no extinto Seleto, em Paranaguá. Abaixo, a imagem de um dos gols do jogo, marcado por Sicupira, hoje comentarista na Rádio Banda B:

Mas o rubro-negro passaria uma das piores décadas da sua história, assistindo ao rival Coritiba chegar ao hexacampeonato e ainda levantar outras duas taças entre 1971 e 1979, tendo o ciclo interrompido só em 1977 pelo Grêmio Maringá. A agonia só passaria em 1982. Com um timaço formado por Roberto Costa, Nivaldo, Capitão, Washington e Assis, o Atlético ficou com o título de 1982 e papou também o bi, em 1983.

3) Despedida e volta para a Baixada (I)

A Baixada foi o primeiro estádio com arquibancadas no Paraná. Foi casa de todos os clubes do Estado por algum tempo, em algum momento na história. Mas o dono dela é o Atlético – e poucos clubes no Mundo são tão identificados com sua casa quanto o Furacão. Todo clube é mais forte em seu estádio, mas o atleticano crê que há uma magia em torno do “Caldeirão do Diabo”.

No entanto, isso não impediu o Atlético de trocar a velha Baixada pelo projeto de um Pinheirão para 200 mil pessoas, em 1985. A intenção era que o rubro-negro tivesse o seu Maracanã, o que nunca saiu do papel. Na despedida, título paranaense. O Atlético venceu o Londrina (com o tetracampeão mundial Zetti no gol) por 3-0 e foi tentar a sorte no Tarumã. O inesquecível narrador Lombardi Júnior descrevia assim um dos gols da última partida do Furacão em seu lar antes da mudança:

Entre 1986 e 1994 foram oito anos de Pinheirão. Mas o então presidente José Carlos Farinhaqui decidiu reformar a Baixada e trazer o Atlético de volta ao Caldeirão. Era a retomada do alçapão rubro-negro. Mas a reportagem abaixo conta melhor (e se eu não estou muito enganado, a voz do narrador é de Marcelo Ortiz, hoje na 98 FM):

Ricardo marcou o primeiro gol depois da volta a Baixada, que viu o então “craque” do time, João Carlos Cavalo, perder um pênalti um pouco antes. Cinco anos depois, o Atlético teria outra inauguração, desta vez de um conceito então inédito no país, a Arena da Baixada, idealizada por Mário Celso Petraglia. Hoje,o Atlético vive nova peregrinação, em nome de mais uma reforma em seu santuário. Mas essas são outras histórias.

4) O pênalti em Adriano

Um jogo recheado de emoção. O Atlético jogava seu título máximo: o Brasileirão de 2001, dentro de casa. Com melhor campanha, o São Caetano precisava de dois resultados iguais para ficar com a taça. Restava ao Furacão fazer valer o Caldeirão.

O Atlético saiu na frente, tomou a virada e voltou a mandar no jogo, 3-2. Mas era pouco. Seria difícil sustentar a vantagem em São Caetano do Sul.

Já aos 46 do segundo tempo, Adriano Gabiru invadiu a área em velocidade e foi derrubado. Pênalti.

O resto da história todos conhecem – mas Gil Rocha e Rogério Tavares, da RPCTV, contaram no vídeo abaixo:

5) Na decisão da América

Uma primeira fase irregular, classificando-se na sorte de ver o virtual classificado América de Cali perder para o já eliminado Libertad em casa, enquanto tomava 1-4 do Independiente Medellín na Arena; depois, a reação, despachando Cerro Porteño e o rival Santos, com quem disputou o Brasileirão 2004, nas fases eliminatórias.

O Atlético foi a surpresa nas semifinais da Libertadores 2005, com um time liderado por Diego, Marcão, Fabrício, Aloísio e Lima, e comandado por Antônio Lopes. Pela frente, os mexicanos do Chivas Guardalajara, que contavam com a torcida de São Paulo e River Plate, outros semifinalistas, que já se garantiriam no Mundial Interclubes se o clube mexicano se classificasse.

O Furacão atropelou. Destaque para o golaço de Fabrício, o terceiro:

No jogo seguinte, pressão mexicana e uma atuação de gala de Diego e Lima:

Na decisão o Atlético perderia para o São Paulo. Mas esse é outro papo.

Sintetizar 88 anos em cinco grandes momentos não é simples, mas a ideia era fugir do lugar comum. E você, que outros momentos recordaria? Comente abaixo!

Mercado & Torcidas, parte III: o espaço a se conquistar e consolidar

Com dois dias de atraso em virtude de um problema pessoal, volto a atualizar o blog com a pesquisa divulgada pela Pluri Consultoria durante a semana, com a relação tamanho das torcidas do Brasil x potencial de consumo.

A parte três traz aquilo que é fundamental na renda de um clube e que chegou até a virar bordão em Curitiba: “torcida se mede no estádio”, ou, nesse caso, se mede na força de consumo. E aí os paranaenses dão bons sinais, mas ainda assim estão aquém do que podem conquistar e obter para maior competitividade. Onde se vê crise pelo domínio de outros times na terrinha, se vê oportunidade de crescimento com base no mercado a se conquistar e em um “gap” importante: a fidelidade do torcedor paranaense.

O Atlético é o 13o maior clube do Brasil em potencial de consumo de seus torcedores, atrás apenas dos 12 que estão no eixo RJ-SP-MG-RS. Coladinho no Furacão, em 14o, está o rival Coritiba. Isso analisando somente os números brutos, que estão nas tabelas abaixo:

Potencial de consumo máximo mensal em reais
Potencial de consumo per capta em reais

Considerando o número de paranaenses que não gostam de futebol (mercado a se conquistar) que é de 33% e o aspecto cultural a se reverter – aqueles que residem no Paraná, mas preferem os times de fora, 64,4% dos que torcem –  há uma perspectiva positiva em relação ao crescimento da dupla Atletiba para entrar no “G-10”, suplantando três clubes com potencial parecido mas já mais nacionalizados: Atlético-MG, Botafogo e Fluminense.

Essa leitura permitirá a dupla se consolidar entre os gigantes do País, algo que ainda não é visto com frequência na mídia nacional, mesmo com títulos de Série A conquistados. Mas, mais do que isso, a conquista do mercado interno trará aumento de renda proporcionalmente maior que a de gigantes como Flamengo e Vasco que, de acordo com o estudo, estão no limiar de seu potencial de arrecadação. Explica-se lendo as partes anteriores da pesquisa, logo abaixo aqui no blog: o gargalo dos dois cariocas citados (e outros grandes nacionais) está no fato de a maioria de seus torcedores residirem longe das sedes de seus clubes, o que os impede de frequentar os estádios, diminui o interesse em associação e faz com o que o torcedor seja menos propenso a consumir produtos oficiais.

Além disso, Atlético e Coritiba tem que trabalhar (e comemorar) a fidelidade de suas torcidas, ajudadas pela boa média de renda per capita do Estado do Paraná, que permite com que atleticanos e coxas-brancas consumam mais seus clubes, ajudando na arrecadação. Não a toa ambos estão entre os cinco maiores parques associativos do Brasil, superados pelo gigante São Paulo FC e os gaúchos Inter e Grêmio, que têm características de domínio regional ímpares no Brasil. Ao ampliar seu estádio, o Atlético dará um salto nessa área, já que hoje tem cerca de 17 mil sócios, mantidos mesmo com a impossibilidade de mandar jogos na Arena; já o Coritiba, que consideram um parque associativo de 19 mil adimplentes e mais 6 a 7 mil flutuantes (títulos em vigor com parcelas em atraso) já está próximo de seu gargalo em público no estádio; mas mais do que reformar o Couto Pereira, o Coxa já traça outra estratégia associativa: passou a trabalhar a inclusão, ao invés da exclusão.

Explico: o título associativo a R$ 9,90 não oferece os mesmos benefícios que os títulos acima dos R$ 60, para presença garantida no estádio, mas faz com que o torcedor apaixonado pelo Coxa faça parte da vida do clube, pagando menos. Ponto para o Coritiba, que antenou-se a isso antes.

E o Paraná Clube? Em primeiro lugar, os tricolores devem cuidar da manutenção do seu parque associativo, que está aquém do potencial em pelo menos 100%. O Paraná tem hoje cerca de 6 mil sócios-torcedores (não esquecer que o clube tem característica própria de ter um parque associativo social, para piscinas e outros), o que o deixa com cerca de 2% de sua massa total participando da vida do clube. O 27o. posto em potencial máximo de consumo para os paranistas está de acordo com o tamanho aferido na pesquisa – atrás de clubes como Avaí, Figueirense, Goiás, Náutico e Ceará.

O que está em desacordo com o potencial paranista é o aporte de sua própria gente no clube. Veja a tabela abaixo, que traz ótimas perspectivas ao Paraná, e principalmente, coloca o Coritiba como o 3o maior clube do Brasil em voluntariedade de gastos do seu torcedor:

Apesar do empate em números brutos, o Coxa está considerado abaixo dos catarinenses por ter uma torcida maior que a dupla de Floripa; ainda assim, tem ótimo Índice de Propensão ao Consumo, o que significa dizer que o coxa-branca é fiel e ajuda seu time; não menos orgulhosos devem ficar os atleticanos, 4o lugar no Brasil (muito também em função de ter uma torcida maior que os três acima, de acordo com o estudo) mas que mantém-se longe do gargalo de crescimento. O Paraná Clube também aparece positivamente nesse índice, mostrando que um trabalho sério pode trazer mais do que apenas 2% da massa torcedora para o quadro associativo: o Tricolor é o 8o, a frente de grandes torcidas nem tão participativas, como Atlético-MG, Fluminense e Santos.

Os clubes devem voltar seus olhos a dois pontos: atender a necessidade de seu torcedor, fidelizando-os cada vez mais, com benefícios promocionais aos sócios e boas instalações, para gerar renda e conseguir montar times competitivos. A máquina passará a girar sozinha, pois com melhores resultados em campo, maior a atração de público que, fidelizado, trará mais resultados, até que o looping se complete e aumente. Por outro lado, os paranaenses devem perder a timidez e atuar com um marketing agressivo em outras regiões do estado, buscando novos torcedores. Devem trabalhar melhor a relação com a mídia local, buscar campanhas em especial entre os jovens e tentar formar uma nova geração de torcedores.

A má notícia da primeira parcial da pesquisa é também a ótima notícia das parciais subsequentes: se hoje o Paraná não compra os times locais como deveria, o potencial de crescimento dos clubes locais está entre os maiores do País. Há muito a se fazer, mas há saída para o Trio de Ferro chegar ao topo do futebol nacional.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 21/03/2012

Panos quentes
O Governo do Estado do Paraná, até o presente momento, pôs panos quentes nas declarações do Secretário de Estado para a Copa 2014, Mário Celso Cunha, de que “o Atlético não deveria se preocupar em como pagar o empréstimo do BNDES, já que o Governo deverá anistiar as dívidas do Mundial”. A declaração foi dada em uma reunião do Conselho Deliberativo do clube em 2010 e levada a público pelo jornal Gazeta do Povo no domingo passado. Em nota, o Palácio Iguaçu limitou-se a dizer que o processo do Mundial é “idôneo”. Cunha, em entrevista a TV Bandeirantes afirmou que “jamais quis fazer apologia ao calote.”
O que cabe ao Atlético?
Em relação às declarações de Mário Celso Cunha, nada. O clube não tem nenhuma relação antiética com o Mundial e colocou o CT do Caju a disposição do BNDES para o caso de inadimplência. Por isso, não se deve misturar a sugestão de calote pelo gestor público à postura da instituição, que já está beneficiada pela realização da Copa 2014 na cidade. Um exemplo é a negociação que levará a modernização da Arena: são 138,6 milhões via Agencia de Fomento para a obra, dos quais o Atlético pagará um terço (R$ 46,2 mi) a serem pagos em 15 anos a contar de 2015 (são três anos de carência) com juros de 1,8% ao ano, considerado irrisório no mercado. Os outros dois terços do valor serão oriundos da comercialização dos títulos de potencial construtivo cedidos pela Prefeitura. O próprio BNDES irá vendê-los.
Mercado adverso
A Pluri Consultoria, empresa de marketing e gestão esportiva sediada em Curitiba, divulgou números de uma pesquisa sobre torcidas no Brasil, realizada em janeiro deste ano em 144 cidades do País, com 10.545 entrevistas. O objetivo é mapear o potencial de consumo das equipes (ao longo dos próximos dias, detalharei a pesquisa no blog bemparana.com.br/napoalmeida, fica o convite*) junto às torcidas. Quem gasta mais? Em que região? No primeiro relatório apresentado, a demonstração de como o mercado para os paranaenses ainda é adverso – mas, olhando-se o copo meio cheio, como ainda pode crescer.
*Nota do blog: desça a página e leia as duas primeiras partes; por motivos particulares, ainda não pude detalhar a terceira e última, mas prometo para essa sexta.
Primeiro, mandar em casa
No relatório, o Atlético aparece como a maior torcida de um clube paranaense, com estimados 1,2 milhão de torcedores (a 17ª maior do Brasil); coladinho atrás está o Coritiba, com 1,1 milhão (18º no geral). O Paraná Clube tem estimados 300 mil aficionados (27º em todo o País). No entanto, mais que a quantificação das torcidas estaduais, o relatório apresenta números desfavoráveis aos paranaenses. Segundo o estudo, dos 10 maiores estados da nação, o Paraná é o que menos tem torcedores de futebol: 67% dos residentes gostam de algum clube. No Rio Grande do Sul, o número é de 90%. Dos 67% dos paranaenses que torcem para algum time (estimados 7 milhões), 64,4% preferem as equipes de fora do Paraná. Apenas 35,6% apóiam os times paranaenses. Ainda há muito a se fazer.

Mercado & torcidas, parte II: a saída paranaense

Dando sequência ao estudo divulgado pela Pluri Consultoria com relação ao tamanho e ao potencial das torcidas no Brasil (as 30 maiores), a segunda parte aborda a força de consumo de cada uma. E aqui aparecem boas novas aos clubes paranaenses, em especial o trio da capital, presente entre as citadas.

Mesmo com mais da metade da população torcedora do Paraná preferindo clubes de outros estados, Atlético, Coritiba e Paraná Clube crescem na relação tamanho/renda per capita. Com base na pesquisa de opinião feita pela consultoria em janeiro deste ano (clique aqui para ler mais) cruzando dados com as informações do IBGE, a dupla Atletiba atinge quase R$ 1 bilhão mensal de perspectiva de renda entre seus torcedores. O Paraná Clube vê sua torcida com quase 250 milhões de renda por mês, a frente de clubes de São Paulo como Guarani, Ponte Preta e Portuguesa. Neste ponto, o Corinthians torna-se o clube com maior renda per capita, ultrapassando o Flamengo, mesmo com maior torcida. Explica-se: São Paulo tem o maior PIB do Brasil. Confira os números:

A conclusão do estudo é boa para os paranaenses. Tendo por base a concentração de torcedores dentro de seu próprio estado e o acesso dos mesmos aos produtos que o clube oferece (planos de sócios, camisas, souvenires) o potencial de gasto de um torcedor nisso está intimamente ligado ao fato de ele viver na sede do mesmo.

É simples e explica os grandes parques associativos paranaenses: o coxa-branca ou o atleticano, entre os cinco maiores volumes de sócios do País (atrás de Inter, Grêmio e São Paulo) tem acesso ao estádio em maior número do que o flamenguista residente em Manaus. Cerca de 65% da torcida do Flamengo está fora do Rio, enquanto apenas 6% da torcida do Coritiba não é paranaense –  no Atlético, o número sobe para 9%.

Trazendo o Paraná Clube para a análise (100% dos torcedores dentro do Estado), percebe-se que se o volume dos torcedores paranaenses no todo é diminuto entre a população local, ao menos os que escolhem torcer para os times da terra são mais participativos. Resta aos clubes trabalhar melhor ações junto a esse público, para rentabilizar mais. Isso passa por respeito ao quadro associativo, atendendo a necessidades básicas do consumidor pagante, até pesquisas de opinião sobre esse ou aquele produto a ser lançado. Os clubes locais têm feito isso? Reflita.

Se há a vantagem da maior exposição dos gigantes brasileiros, estes também sofrem em maior número com a pirataria. O estudo indica que Flamengo e Corinthians, por terem torcedores em sua maioria distantes da sede, adquirem produtos piratas com maior índice do que os que estão próximos a base do clube do coração. Por outro lado, Atlético, Coritiba e Paraná já convivem com a “ameaça corintiana” (rótulo simbólico e extensivo a outros gigantes com a mesma característica) ao verem lojas como a “Poderoso Timão” se instalarem em shoppings da cidade. E ainda há a concorrência indireta, cada vez maior, de clubes como Barcelona, Milan e Manchester United.

O estudo ainda aprofunda os dados, trazendo mais boas novidades aos paranaenses, com os três presentes entre os 11 clubes com torcedores mais ricos do país – logo, com mais recursos a investir na paixão. Novamente, a base é o IBGE x pesquisa de opinião, chegando a renda média mensal de cada torcedor. Confira:

Aqui, tratando-se somente dos paranaenses, empate técnico: do Paraná Clube, que tem a menor média mensal de renda entre torcedores, para o Atlético, a maior, são apenas R$ 11 a menos. Considerando as capacidades de cada estádio da capital e o volume de torcedores apontado pela pesquisa para os três, chega-se a conclusão que é possível que cada clube tenha sua capacidade associativa esgotada. Vejamos:

– Considerando que o plano associativo do Paraná Clube custa R$ 40/mês para ver jogos na arquibancada (cerca de 5% da renda média mensal)

– Que o valor padrão no Coritiba é de R$ 60/mês para ver jogos na arquibancada (cerca de 8% da renda média mensal)

– Que o valor no Atlético é de R$ 70/mês para qualquer setor na Arena (aproximadamente 10% da renda média mensal)

E que nenhum dos três clubes tem mais do que 10% da capacidade máxima da sua torcida em área aproveitável no estádio, é possível que, convencendo menos de 10% da torcida de cada clube, se garanta uma arrecadação mensal proporcionalmente maior (quiça igual) a de Flamengo ou Corinthians.

A pesquisa chama ainda a atenção para a alta concentração de renda dos clubes catarinenses, da região de Campinas-SP (cerca de R$ 5 milhões de habitantes em um pólo produtivo paulista) e dos dois grandes gaúchos, virtualmente os maiores clubes do país em potencial de arrecadação e domínio territorial.

A saída competitiva para os paranaenses está aqui. Mas, pode ter mais boas notícias.

Amanhã, a Pluri Consultoria irá divulgar a última parte do estudo, sobre o potencial de consumo de cada torcida – especificando quem efetivamente gasta mais em seu clube atualmente. Aguardemos.