A decisão do Ministério Público e o que ela significa

No final da tarde desta terça-feira o MP-PR finalmente publicou oficialmente o que pensa sobre o Atletiba 349 para uma só torcida. E, numa daquelas decisões que só vemos no Brasil, reconheceu o contraditório, mesmo fechando com a ideia de limitar o acesso à Vila Capanema. Confira uma imagem editada da publicação e, ao clicar nela, o ofício original:

Ao admitir que rasga o Estatuto do Torcedor para cumprir o desejo dos clubes, o MP, também amparado pela PMPR, se torna incoerente e pode arrumar mais trabalho para si próprio. Qualquer torcedor que se sinta alijado do seu direito de acompanhar o jogo pode acionar o próprio MP, que terá que responder pela decisão. O Estatuto é soberano e é por isso que o Ministério Público fez questão de ressaltar o que vem a seguir (também editado; para ler o original, clique na imagem):

Os ingressos que seriam reservados a torcida visitante (no caso, a do Coritiba) terão que estar disponíveis. Não podem ser comercializados pelo mandante, o Atlético, nem mesmo com a definição de que a torcida visitante não vá ao estádio.

A reserva tem cunho técnico: se você, torcedor, ingressar ainda nessa quarta com uma ação no próprio MP do Consumidor, poderá ter acesso ao estádio. É claro, terá que contar com a agilidade do sistema e uma boa dose de paciência. Mas o MP não pode, por mais que queira, contrariar a lei. É por isso que essas reservas são feitas no documento oficial.

Que, aliás, não reserva nada sobre a mesma medida para o segundo turno. Em contato com o departamento jurídico do Coritiba, apurei que o clube espera o fim do plantão de carnaval do MP, amanhã 12h, para receber um documento oficial que garanta no mínimo a isonomia nas ações quanto às torcidas. O Coxa quer um documento como o exemplificado acima, assinado pelo MP, de que não só o Atletiba do turno, mas também o do returno, terá a mesma medida.

Hoje as partes contam apenas com a palavra uma das outras. O que mudou por diversas vezes desde a reunião de sexta, ao ponto de que só se soube na segunda de manhã a nova postura do MP quanto ao caso, cedendo à idéia do presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia.

Que não foi o único a aceitar a condição, ressalte-se. Mas isso já foi discutido no post abaixo.

 

Perdemos

Torcida única ocupará Vila Capanema no Atletiba 349

Perdemos todos. A notícia de que o Atletiba 349 terá apenas uma torcida presente (a do Atlético, o que faz por consequência que o Atletiba 350, no Couto, só tenha coxas-brancas) é um atestado de como retrocedemos no tempo. De como nós, paranaenses, não sabemos conviver desportivamente. De como a sociedade atual caminha para um lugar ainda mais obscuro, com os bons se fechando nos muros sob a sombra da violência.

A decisão da PM em conjunto com os clubes é preguiçosa. Tem como base o mau comportamento de alguns vândalos que se aproveitam das camisas das organizadas (algo explicado em várias obras antropológicas) para agredir quem os mesmos entendem ser diferentes. Problema crônico que seria sanado com punição correta, sistema judiciário eficaz – como na Inglaterra – e banimento dos responsáveis. Quiça das organizadas, que têm lá sua função social mas colhem muito mais o bônus (como venda de camisas alusivas aos clubes sem royalties) do que pagam o ônus. Quando há confusão, “é impossível controlar o grupo.”

Só que segurança pública vai além de um ou dois grupos de marginais. Vai ao fato de que o mesmo governo que só aparece para fotos pouco faz na condução do processo Copa 2014. Mais do que isso: Curitiba hoje é considerada a 6a capital mais violenta do Brasil. Como por aqui mata-se o cachorro para se acabar com as pulgas, lá vamos nós a mais uma invenção dos cartolas: agora, somos incapazes de dividir arquibancada com outros seres humanos, apenas porque gostamos de cores diferentes.

Claro, há muito mais por trás do que só a questão segurança. Não é a primeira vez que o tema vem à tona – embora só agora ele esteja praticamente concretizado. Desde 1996, quando do Atletiba 284 (aquele 0-0 que garantiu o Coxa na decisão contra o Paraná), Mário Celso Petraglia já queria que os estádios recebessem torcida única. A idéia por trás do fato é simples: sem a obrigatoriedade de se vender entradas aos visitantes, a capacidade real do estádio está voltada aos sócios, principais colaboradores do clube. Não é ruim, mas é anti-democrática e sectarista. Mesmo na Europa, em clássicos como Barcelona x Real Madrid ou Celtic x Rangers, que envolvem questões políticas ou religiosas com histórico muito acima dos vistos nos Atletibas, há a reserva mínima aos visitantes. Afinal, é apenas futebol, não uma disputa de vida ou morte.

E diga-se que o sim de Vilson Ribeiro de Andrade também não foge à risca. Aliás, o dirigente coritibano, revolucionário no Alto da Glória, tem muito de Petraglia na maneira de atuar. Mais democrático, é verdade, mas com idéias similares. Uma delas é a proibição (na minha visão correta) das faixas de organizadas, vetando a publicidade de um concorrente mercadológico em materiais esportivos, que não paga royalties e vampiriza preços. Para o torcedor comum, uma camisa da Fanáticos ou da Império tem o mesmo valor sentimental que uma da Umbro ou Nike do clube.

Vale ressaltar que em 5 anos, desde a definição da Copa na Arena, não se buscou um acordo. Vale dizer que o Atlético agiu pessimamente em não procurar diretamente o Coritiba; que o Coxa fez ouvido mouco, pressionado pela torcida (mais intolerância) para não ceder o estádio, algo plantado sine qua non – mesmo com décadas de usufruto múltiplo da praça; que noves fora a questão Arena-Governo-Copa, a vantagem técnica de se jogar em casa valia pressão pró-Coritiba, o que se inverteu pelos resultados, e o Atlético desinteressou-se em jogar no estádio rival, pensando também na disputa, mesmo após a primeira abertura de Vilson Ribeiro.

Compreendido isso, é importante lembrar que optamos pelo caminho da separação. Bem distante dos Atletibas históricos da década de 70, como por exemplo na decisão de 1978, quando quase 180 mil pessoas, dividindo o Couto Pereira meio a meio, viram três 0-0 épicos (Manga decidiu o título nos pênaltis a favor do Alviverde). A separação é um passo perigoso pela intolerância. Sai de campo a flauta, a boa rivalidade, entra em campo o ódio. Simplesmente não sabemos conviver.

Tecnicamente, ampara-se a escolha na falta de tempo para a instalação de outras 7 câmeras de segurança na Vila, o que limita a capacidade para 9.999 expectadores – dos quais, pelo regulamento 999 deveriam ser coxas. A capacidade liberada é maior que a suportada na inauguração do primeiro estádio paranaense, a Baixada, em 1914. Lá, se enfrentavam América, Internacional, Coritiba, Britânia e tantos outros, sempre com o apoio dos seus simpatizantes.

Passados 98 anos, estamos piores como sociedade.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 15/02/2012

O que vem por aí

Mário Celso Petraglia apresentou uma série de novidades ao conselho atleticano após a visita do Ministro do Esporte Aldo Rebello à Curitiba. Aos poucos o clube irá confirmar as informações via site oficial – Petraglia disse a amigos que não falará tão cedo com a imprensa – mas a coluna antecipa alguns bônus que a Copa está trazendo ao clube e à cidade. O primeiro deles é um projeto piloto de mini-usina solar na Arena, tendo a Copel e a Eletrobrás à frente, com o Atlético recebendo R$ 25 milhões para a execução. A energia a ser produzida suportará a demanda da Arena e o excedente será usado na região. A estimativa é que a produção chegue a 2,2 megawatts de potência. Petraglia ainda apresentou outras duas novidades: a rua Buenos Aires deixará de existir na frente da Arena, tornando-se um calçadão integrado com a praça Afonso Botelho, que será um centro de convivência da prefeitura. E o clube montará uma escola para crianças carentes na região do Umbará, próximo ao CT, em parceria com a prefeitura, que fornecerá a mão de obra.

 

Os ônus

A indefinição no estádio onde mandará os jogos – e também a queda para a Série B – já fez o Atlético perder cerca de 6% dos sócios, número considerado baixo pela atual gestão. No entanto, a forma de pagamento antecipado via cartão acaba impedindo maior inadimplência. O clube lançou campanha de marketing tentando fidelizar o torcedor e busca um acordo com o Paraná Clube para mandar jogos na Vila Capanema. Além disso, o Atlético afirma que já aplicou R$ 15 milhões na obra da Arena e irá financiar R$ 135 milhões junto ao BNDES contando com os títulos de potencial construtivo como garantia.

Aluga a Vila!

Tendo por base a necessidade atleticana e olhando também para seu próprio bolso, alguns funcionários do administrativo confidenciaram que torcem para que o Paraná Clube alugue a Vila Capanema para que o Atlético mande seus jogos ao menos até o final do estadual. Os salários de diversos colaboradores na área social do Tricolor estão atrasados; na última segunda, o clube acertou a dívida que tinha até o mês de novembro/11, mas já tem mais três meses a vencer. O Paraná pediu R$ 120 mil por jogo ao Atlético, que ofereceu R$ 30. Sai meio termo?

Nota: Durante a tarde desta quarta (15/02), a diretoria do Paraná entrou em contato com o blogueiro e garantiu que depois de acertar os salários dos colaboradores até novembro na segunda passada, ainda ontem pagou também os vencimentos de dezembro.O aluguel da Vila Capanema por 8 jogos também está praticamente certo, embora o clube não queira abrir o valor da locação – o que não resolverá muito, pois constará no borderô da primeira partida que o Atlético realizar na Vila.

Reforços gringos no Coxa?

Depende de um investidor o anuncio do acordo do Coritiba com o médio-volante Luís Enrique Cáceres, 23 anos, do Cerro Porteño. O valor de US$ 1,6 milhão para trazer o jogador está além do que o Coxa pretende investir. Cáceres e seus empresários quer abrir mercado no Brasil e ele foi oferecido ao Alviverde.Segundo o empresário Audinei Azevedo resta agora o aval de um grupo investidor que viabilizaria a vinda do jogador ao Coxa por pelo menos até o final da temporada. O clube não confirma o acerto, mas reconhece o interesse no jogador. O Coritiba também negou o boato que surgiu em Porto Alegre de que o atacanrte Ezequiel Miralles, ora no Grêmio, estaria acertado com o clube: “Não tem nosso perfil”, disse o superintendente Felipe Ximenes.

Rápidas e Precisas

Início de noite agitado nessa segunda-feira, aproveito para atualizar o blog com os temas do dia:

Atletiba 349

Ainda não há confirmação do local, mas desde o pedido do Ministério Público-PR para que o jogo não seja no Eco-Estádio, passou-se a buscar soluções. Como é de conhecimento público, Vilson Ribeiro de Andrade abriu a possibilidade de realizar os dois clássicos no Couto Pereira, mas não foi procurado pelo Atlético. Quem procurou o Coritiba foi a CBF, apenas consultando a possibilidade de emprestar o estádio ao Rubro-Negro – diferente da requisição impositiva da FPF, que ainda terá julgamento no STJD.

Hoje o repórter Eduardo Luiz, da rádio 98 FM, trouxe a informação de que o jogo será na Vila Capanema. A diretoria do Paraná não confirmou o empréstimo do estádio ao Atlético, mas admitiu que houve nova conversa, desde o episódio das notas oficiais. Porém tudo foi intermediado pela FPF e o Tricolor quer negociar diretamente com o Atlético. A possibilidade existe, mas além da necessidade de uma reunião entre Paraná e Atlético, o estádio precisa ser liberado. “Mas é coisa simples. São alguns laudos que têm de ser renovados, se tiverem pressa, dá até quarta. Depois complica, porque já é carnaval”, disse-me Amilton Stival, vice-presidente da FPF. Ele também negou que o jogo já esteja confirmado para a Vila, na quarta de cinzas, 22.

Caso o jogo se confirme para a Vila Capanema, será o 17o. Atletiba na casa tricolor. O último foi há 35 anos, o #190, no dia 23/01/1977, vencido pelo Coritiba por 3-1. A vantagem estatística nos jogos no Durival Britto e Silva é coxa-branca: 8 vitórias e 35 gols marcados contra 5 vitórias e 23 gols do Furacão. Dois jogos realizados na Vila entram na lista dos mais importantes do clássico: a maior goleada do confronto, imposta pelo Coritiba por 6-0 em 14/11/1959 e o histórico Atletiba de Paulo Vecchio, de 1968, quando o Atlético ia vencendo por 1-0 até os 46/2T e ficando com uma taça que não via há 10 anos, mas viu o atacante alviverde empatar no último minuto e prorrogar a agonia o Furacão com o título do Coxa.

Luís Enrique Cáceres

O meia do Cerro Porteño deve ser o novo reforço do Coritiba. Uma reunião entre os empresários do jogador e a diretoria do Coritiba define entre amanhã e quarta-feira a contratação do jogador de 23 anos, que atua como segundo volante. Segundo informações, ele chega para suprir a vaga de Léo Gago, que foi para o Grêmio.

Cáceres é considerado um volante com chegada e qualidade na armação, além de bons arremates de fora da área. Abaixo, um gol dele pelo Cerro Porteño no Campeonato Paraguaio:

O jogador passará por exames. Ele teve um problema no joelho no ano passado, quando quase acertou contrato com o Atlético. O contrato também depende dessa aprovação.

Guerrón por Saulo?

Corre em Recife a informação de que o Sport está interessado em levar o atacante Guerrón e emprestar o goleiro Saulo por uma temporada ao Atlético. O interesse pernambucano foi confirmado pelo editor do Globo Esporte em Recife, Leonardo Aquino, mas sem precisar exatamente o avanço das negociações. No Atlético, como de praxe, nem um pio sobre o tema.

Saulo tem 22 anos e se destacou no ano passado por duas situações pitorescas. O primeiro foi quando marcou um gol de cabeça aos 45/2t contra o Vitória-PE no Campeonato Pernambucano 2011. Na comemoração, o goleiro machucou-se seriamente e ficou afastado do futebol por nove meses. Veja o lance:

A segunda foi extra-campo: mostrando que é mesmo pegador (característica importante a um goleiro) Saulo caiu na net em fotos e filmes pornográficos com uma garota. Segundo ele, a menina teria perdido o celular. Vale a pena ler a reportagem aqui.

Estádio não é problema só em Curitiba

Time grande, de massa, campeão nacional, já decidiu a Libertadores e tem um dos maiores parques associativos do seu país; foi rebaixado para a segunda divisão no ano passado e nesta temporada não tem estádio para jogar. Identificou? É possível que você tenha pensado no Atlético, mas quem também vive esse problema é o River Plate, da Argentina (que, por sinal, também é Atlético: CARP).

River Plate não sabe onde e quando estréia no 2o. turno da B Nacional

Vice-líder da segundona argentina (que ao contrário da primeira, não se divide em dois torneios, somando os pontos de Clausura e Apertura para o acesso), o River Plate vendeu mais de 10 mil entradas para o jogo contra o Chacarita Jrs., mesmo sem ser mandante. O acordo lá é diferente daqui: a AFA permitiu nessa temporada que os visitantes pudessem levar torcida nos campos dos adversários, o que não era permitido até a queda do River. A intenção é faturar com a presença do gigante portenho na Bzona. Só que o Chacarita Jrs., mandante, também vendeu ingressos e seu estádio em San Martín não suporta o volume de torcedores. A AFA então requisitou o estádio do Racing, em Avellaneda, região metropolitana de Buenos Aires, para o jogo. Ouviu um não do clube e da prefeitura.

O Chacarita resolveu então impor seu direito de mandante e quer jogar em San Martín, sem presença da torcida visitante. O River sugeriu La Plata e a AFA ainda está definindo se o jogo que seria realizado neste sábado (11) será amanhã em San Martín ou segunda, em La Plata. A definição tem de sair hoje. Por via das dúvidas, o River Plate já começou a devolver o dinheiro dos ingressos a quem procurar o clube. Mas tanto River quanto Chacarita seguem vendendo ingressos para quem quiser ir ao jogo, em diferente setores. Entendeu? Nem eu. Na verdade, pobre dos torcedores da Argentina, lá como cá, jogados a segundo plano.

Enquanto isso, na Espanha…

a Real Federação Espanhola de Futebol não sabe onde marcará o jogo final da Copa do Rei, entre Barcelona e Atlhetic Bilbao. A decisão acontece em jogo único e em campo neutro. Madrid seria o local mais indicado, mas o Real Madrid, alegando possibilidade de decidir a Liga dos Campeões da Europa poucos dias antes da decisão da Copa nacional, se recusa a emprestar o Santiago Bernabéu. Segundo o clube merengue, há risco de confrontos entre as torcidas porque os madrilenhos pretendem fazer uma festa no estádio; já o Atlético de Madrid também descartou empréstimo: o Vicente Calderón, seu estádio, está alugado para a mesma data (20/05) para um show do Coldplay.

No fundo, tudo é cortina para o principal: Madrid teme um confronto entre os munícipes da capital, os bascos do Atlhetic e os catalães do Barça no dia da final. Fora o fato de os torcedores do Real não admitirem a possibilidade de o Barcelona levantar uma taça no templo merengue – o que jamais aconteceu.

A cidade de Valencia também se manifestou contra a possibilidade de abrigar o jogo. Em 2009 os mesmos dois clubes decidiram a Copa no estádio Mestalla, do Valencia – deu Barca, 4-1 – e a cidade foi palco de brigas entre as torcidas. Os demais estádios do país são considerados pequenos demais para abrigar a final.

A Federação estuda a possibilidade de realizar o jogo no Camp Nou – o que seria uma vantagem para o Barcelona – mas dividindo a carga de ingressos entre as torcidas: 40 mil entradas para cada. A decisão sairá na terça-feira.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 08/02/2012

Atletiba 349 no Eco-Estádio e com torcida única?

Só a Polícia pode impedir a realização do clássico 349 no Eco-Estádio, caso entenda não haver segurança. Com a recusa do Coritiba em emprestar o Couto Pereira, o que está respaldado pela justiça, o Atlético irá mandar seus jogos no Janguito Malucelli. E a FPF não tem como arbitrar sobre o tema. “Não posso obrigar a jogar em outro lugar. O Atlético indicou lá e se a polícia liberar vai ser lá”, disse Amilton Stival, vice-presidente da Federação, que ainda confirmou que pode, em contrapartida, solicitar que o jogo tenha torcida única. A 15 dias do primeiro clássico do ano, a decisão deve passar por uma avaliação do que acontecerá hoje à tarde no jogo entre Atlético e Toledo. Mas é a PMPR, junto com a Rodoviária, quem realmente tem poder de veto sobre a realização do clássico no estádio que tem capacidade para 3.976 torcedores. 

E as conseqüências?

Assim sendo, evidentemente a PMPR e a PRF garantiriam a segurança dos torcedores, que passam a ter outras questões. A primeira: o jogo de volta, no Couto Pereira, também teria torcida única? Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, já sinalizou que caso essa decisão seja tomada, irá requerer o mesmo para o segundo turno – quando 37.182 pessoas poderão ver o jogo. Um número dez vezes maior. Além do diminuto número de sócios atleticanos que poderão fazer valer seu direito ao acesso no primeiro jogo, há a preocupação com a circulação no entorno do estádio e também na chegada dos times. Realmente desaconselhável. Solução? Difícil. Outra opção seria Paranaguá e aí há o risco de confronto de torcidas na estada. Vale lembrar que o Atletiba 349 acontece dia 22/02, quarta de cinzas.

All Blacks

A camisa III do Coritiba, lançada ontem, será o segundo uniforme do clube por um bom tempo. A idéia é apostar na proposta monocromática para fixar no mercado. A camisa estreará no jogo de hoje à noite, contra o Londrina. Tudo aconteceu rapidamente: o Tubarão avisou o Coxa que jogará com uniforme claro, predominante branco, e o Coritiba apressou-se em organizar um lançamento. A camisa, criada em conjunto pela Nike e pela Netshoes (que também patrocina o Atlético) remete ao tempo em que o Alviverde era chamado de Alvinegro, pelo conjunto “camisa-branca-com-detalhes-verdes-e-calções negros. Foi depois dos anos 70 que o Coxa passou a ser conhecido como alviverde”, relembra o historiador Heriberto Ivan Machado.

Comunidade latina

Com a oficialização de Martín Liguera no Atlético, o Furacão passa a ter quatro estrangeiros no elenco (Nieto, Guerrón e Morro García completam a lista). Se o elenco pode ter quantos estrangeiros o clube entender, vale uma ressalva: a CBF só permite que até três assinem a súmula de um mesmo jogo.

Um estádio para o Atlético: atualização

Mesmo com alguns acordos entre Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Prefeitura de Curitiba, Atlético e FPF para que o Eco-Estádio esteja liberado para que o rubro-negro mande seus jogos no Paranaense por lá, ainda não está confirmada a desistência da Federação no recurso no STJD, para que o Couto Pereira seja cedido ao Furacão.

“Nós vamos consultar o Atlético se há desistência da indicação anterior”, explicou o advogado da FPF, Juliano Tetto, “Ainda não foi confirmado. O Atlético não confirmou que não tem mais interesse no Couto. Se eles confirmarem isso, a FPF irá retirar a ação.” Resta saber, portanto, se o Janguito será considerado mesmo um paliativo até que a justiça defina a questão do Couto ou o Atlético o assume de vez. O auditor Flávio Zveiter recebeu a ação e teria prometido para ainda hoje uma resposta.

Update: O STJD não concedeu efeito suspensivo para a FPF em cima da liminar do Coritiba. Trocando em miúdos: o Coritiba não precisa alugar/emprestar o Couto Pereira ao Atlético até a data do julgamento, prevista para até 15 dias a partir de hoje. A FPF não irá retirar a ação. Segundo o que apurou Diego Sarza, repórter do Jogo Aberto Paraná que esteve na FPF no momento do recebimento da resposta, a FPF quer fazer valer o estatuto, que é a base da ação pelo pedido.

Atletiba do dia 22: nada está definido. Amilton Stival, vice-presidente da FPF, já chegou a cogitar torcida única nos jogos. Como ainda há a pendência acima, segue em aberto.

O acordo feito pela segurança pública, o clube e a federação será detalhado no site oficial do Atlético, que já está efetuando por acesso remoto as reservas de entradas no Eco-Estádio para o jogo contra o Toledo – o segundo por lá. Apurei que basicamente procurou-se melhorar o acesso dos torcedores em relação a BR 277. Um exemplo: serão distribuídos mapas de estacionamentos que estejam ao lado o estádio na rodovia, evitando-se o uso do Parque Barigui. A PRF e a PM prometeram um efetivo maior.

Descaso

A morte do torcedor atleticano André Lopes, na última quarta-feira, atropelado quando saia do Eco-Estádio após a vitória do Atlético (4-0) sobre o Roma, é mais uma demonstração do descaso dos organizadores do futebol local, cada vez menos preocupados com o bem-estar e a segurança do torcedor e muito mais em tapar os buracos que os mesmos se encarregaram de abrir. Infelizmente, esse buraco agora é ocupado por um jovem de 21 anos, que apenas queria acompanhar seu time do coração, mas sofreu com a falta de planejamento de quem liberou e confirmou o evento sem garantir segurança.

A faixa acima é um protesto de moradores e torcedores que perderam um amigo por pura falta de compromisso e planejamento. O conceito do Eco-Estádio é criativo e digno de nota. É feito para comportar a torcida do Corinthians-PR. Até o jogo desta quarta, o recorde de público era o jogo J. Malucelli 3-2 Coritiba, em 2008: 2.173 pessoas. Já um volume substancial de torcedores. O novo recorde foi estabelecido pelo Atlético, tem exatamente 1201 pessoas a mais, mais de 50% do público anterior: 3474. Com 17 mil sócios o rubro-negro dificilmente arrastará menos pessoas a campo do que o volume de quarta-feira. E pelo Facebook, único meio de contato com Mário Celso Petraglia desde que ele assumiu o Atlético, o presidente do clube anunciou:

A média de público do Corinthians-PR em 2011 foi de 383 pessoas, quase 10x menos do que se espera em público médio nos jogos do Atlético desde o anúncio acima. A liberação do estádio feita pensando no público médio do Timãozinho está dentro da normalidade; até mesmo o esquema de segurança, elaborado para um público tão diminuto, está de acordo. Para o Atlético, não. A movimentação é maior, desde o volume de torcedores e ambulantes até os profissionais de imprensa e da organização, mobilizados em maior número dado o apelo popular do Furacão.

E de quem foi a culpa pela morte de André Lopes? Cheguei a ler uma absurda troca de acusações clubísticas, como se Coritiba ou Paraná tivessem relação com a fatalidade – que, aliás, poderia ter acontecido num domingo de sol, com um visitante do Parque Barigui, já que não existe passarela na BR 277 – por não terem chegado a um acerto com o Atlético. Oras!, Coxa e Tricolor estavam quietos em suas casas, um ainda indignado pela maneira com a qual recebeu a imposição (ainda em processo judicial) de empréstimo do Couto Pereira, outro contabilizando o que vale/merece/precisa nas propostas pelo uso da Vila, já descartada. Atribuir culpa a esses clubes no acidente é desrespeitar a família e ignorar que o caso ainda está pendente de solução.

O Atlético, co-organizador do evento (que é da FPF) mostrou que cumpriu sua parte ao apresentar um ofício pedindo segurança a Polícia Rodoviária Federal com dois dias de antecedência:

A Rádio Banda B trouxe a público o documento acima. Aqui, o primeiro sinal de descaso: avisada, a PRF não  percebeu a relevância do evento. Ou, no mínimo, subestimou a importância de coordenar a entrada e a saída de 3,5 mil pessoas em uma rodovia. E o faz de novo: fará um teste hoje num jogo de menor apelo, entre Corinthians-PR x ACP. Pode ter a impressão de que o esquema já é satisfatório.

A Gazeta do Povo estampa que a PRF pode proibir os jogos do Atlético no Eco-Estádio. Diz Anthony Nascimento, inspetor da corporação: “Vamos avaliar se há uma forma para adequar o local para a travessia segura dos torcedores. Se não chegarmos a um consenso, a PRF vai pedir que o evento não seja realizado naquele estádio.” Como você viu acima, esse não será o único jogo do Furacão no Eco-Estádio, segundo o presidente rubro-negro. Após a tragédia (que poderia ter mais de uma vitima, diga-se) a PRF pode mesmo entender que não tem capacidade para fazer a segurança em jogos de grande porte na praça do Timãozinho. E então volta a tona o problema do Atlético: onde o clube jogará enquanto seu estádio está em reforma para atender à Fifa e à cidade na Copa 2014? Minha opinião está nesse link, mas em suma: foram cinco anos para pensar nisso e nada foi feito. Mais descaso.

Fato é que nessa semana o comitê paranaense esteve no Rio, reunido com a Fifa, apresentando as fórmulas de conclusão do estádio. Um nó que passa pela cessão de títulos urbanos de Curitiba (o potencial construtivo) ao Atlético, que os repassará ao Governo do Estado como garantia do financiamento via FDE. Aqui, cabe uma pergunta: entre os R$ 4 bi disponibilizados pelo PAC da Copa – a principal razão da briga de Curitiba pelo Mundial – não cabe orçar uma passarela na região?

Vamos seguir analisando o quadro num todo. É fato que o Atlético está sem opções para mandar seus jogos e que o Governo e a Prefeitura não mexeram um dedo para ajudar na solução, bem como há rompimento entre as diretorias do Trio de Ferro, pelos motivos já conhecidos. Mas há outra conta que pode ser feita: o CAP pagou ao Corinthians-PR R$ 20 mil de aluguel de campo, como está no borderô disponível no link. Como já citado, o Atlético tem cerca de 17 mil sócios. Cada um pagando R$ 70 mensais, enquanto o valor atribuído em borderô é de R$ 10. Claro, o sócio tem acesso a todos os jogos, o valor serve para cobrir as despesas dos ingressos – promocional para sócios – ao longo de um mês. Em fevereiro, por exemplo, o Atlético terá, contando o jogo com o Roma, quatro jogos em casa. A despesa, portanto, será de R$ 40, com R$ 30 ficando para o clube. A tarifação da FPF e da arbitragem, entre outros, entra na conta que o clube tem como prejuízo: R$ 9165,91.

No entanto, arredondando os números, 13.500 sócios estimadamente ficaram de fora do jogo, supondo ainda que estejam com a mensalidade em dia. São R$ 945.000,00 por mês, que certamente não cobrem o pedido público do Coritiba por jogo (R$ 250 mil) mas que possibilitaria um acordo mais justo e rentável entre as partes, sem a necessidade da justiça. Ou ainda na Vila Capanema, talvez não pelos R$ 30 mil oferecidos, talvez não pelos R$ 120 mil pedidos pela diretoria paranista. Resta ainda uma pergunta: apelando para o coração dos associados, o quanto a diretoria do Atlético vê ser necessária uma retomada de negociações? Quem sabe até aproveitando o embalo da nova campanha de marketing do Coxa, “Amo minha terra, torço pelo meu Estado”, que prega união e amor as coisas do Paraná – e pode dar um passo real fora de campo.

Aqui, não verso sobre a disputa judicial entre FPF e Coxa; essa opinião já foi emitida acima e foi a grande mola do desgaste. E a novela segue uma vez que a resposta do STJD, que sairia quinta, ficou pra sexta e passou o final de semana sem aparecer. E quando vier poderá causar até mais problemas do que soluções.

Um deles: entre os jogos de fevereiro no Janguito Malucelli, está o Atletiba de 22/02, uma quarta de cinzas. O estádio não tem iluminação e como antecipou Amilton Stival, vice-presidente da FPF, poderá receber torcida única no jogo.

Quem sofre é você, torcedor. É a família de André Lopes, para qual nenhuma das linhas acima servirá como consolo ou reflexão; é o consumidor, tratado para cima e para baixo como objeto, mas quase sem nenhum direito; é o cidadão, que acredita em um futuro melhor, mas vive sob a sombra do descaso dos governantes – que, não se esqueça, esse ano precisarão muito de você em outubro.

FAQ

Muitos assuntos espinhosos nos últimos dias, em especial a disputa jurídica entre FPF e Coritiba pela cessão do Couto ao Atlético. Achei mais fácil usar o sistema FAQ (Frequently Asked Questions, ou, no portuga, Perguntas Frequentes) para tentar esclarecer os pontos dessa e de outras questões. Para tanto, falei com a maioria dos personagens envolvidos na história e reuni reportagens anteriores. Quando exigido, dei minha opinião – que nunca teve a pretensão de se tornar verdade absoluta. Espero colaborar com o tema e manter esse canal aberto. Vamos lá?

Com a indicação do Janguito Malucelli, a ação da FPF perde objeto, ou seja, deixa de ter razão de ser?

Não. Mas o Coritiba pode tentar fazer com que o STJD entenda que sim. A verdade é que a indicação do Eco-Estádio (JM daqui pra frente) é um paliativo: o Atlético não tem pra onde correr e acertou com o Corinthians-PR para jogar lá até que ache uma solução que abrigue seus  17 mil sócios. Cabe ao Coritiba anexar ao processo o acordo entre FPF, Corinthians local e Atlético e o STJD pode entender que o caso está resolvido. No entanto, é difícil que isso aconteça sem a anuência das partes – no caso, sem que a FPF retire a ação. A ação pode perder objeto em outro caso também: se o julgamento ficar marcado após o fim do estadual.

Porque a FPF comprou a briga do Atlético e está forçando o Coritiba a emprestar o estádio?

Hélio Cury responde: “Faríamos o mesmo por qualquer filiado que precisasse da FPF. O Atlético indicou e a Federação entende que o Estatuto deve ser cumprido.” Na verdade, além as palavras do presidente, o próprio ofício da FPF ao Coxa já responde a questão: o Atlético está cedendo o estádio à Fifa para a Copa 2014. A FPF, subordinada a CBF, está defendendo os interesses do Mundial. A ação é legal? É, está dentro da justiça. É moral? Talvez. Moral cada um tem a sua. Fato é que o Atlético não tem onde jogar e isso não é problema do Coritiba, mas os clubes poderiam (incluindo o Paraná) ter pensado nisso muito antes.

Teorias envolvendo política? Não comento.

Domingos Moro vai defender o Atlético contra o Coritiba?

Pra quem não sabe, o advogado Domingos Moro é conselheiro vitalício do Coxa e advogado permanente do Furacão. Nunca precisou defender o cliente contra o clube do coração, mas terá de decidir se o fará caso o Atlético resolva entrar como terceiro interessado no recurso da FPF. “Não vou falar sobre hipóteses, entendo a necessidade ética do caso e na hora certa, decidirei entre a paixão e a razão”, me disse Moro, sem antecipar posição.

O que você faria?

Qual sua posição sobre o tema Empréstimo do Couto?

Acredito, e não é de hoje, que um bom acordo entre Atlético e Coritiba poderia ter evitado todo esse desgaste. O Atlético requer o Couto pelo número de sócios que têm; o Coritiba poderia ter lucrado com o negócio. Não aconteceu e a coisa ficou insustentável quando passou a ser uma imposição. Foi uma prova de como somos tacanhos: precisava ir à justiça? Desde então virou questão de honra. E vocês sabem melhor que eu: futebol é paixão.

Ninguém mais escapa ileso moralmente: alguém perderá. Porém discordo de todos que temem uma praça de guerra: isso é futebol, gente. Se o Atlético jogar no Couto por imposição da CBF, Fifa, FPF ou do Papa, o Coritiba tem que ir buscar o que deve na justiça e acatar a lei; se não, o Atlético tem que arrumar um lugar que comporte seus sócios, aqui ou no Uruguai, e ressarcir aqueles que forem relegados no valor das mensalidades. E ponto. Nada de sair no cacete na rua. Até porque normalmente é você, torcedor, que volta pra casa de olho roxo ou acaba na cadeia. Ou no cemitério.

E o Paraná? A indicação é pelo Couto, logo, não está em questão.

E o rodízio de sócios no Janguito?

A informação é extra-oficial e está em estudo no Atlético. É simples: o clube analisa se distribuirá senhas e quem chegar primeiro, leva.

A Arena está sendo construída com dinheiro público?

Não. Pelo menos até aqui, uma vez que uma questão importantíssima ainda não foi esclarecida: como serão feitas as desapropriações no entorno do estádio? Só o governo pode desapropriar algo e esse sistema nunca foi colocado a público.

Mas o potencial construtivo, benefício concedido até agora, não é dinheiro público. Pelo contrário, acredite, a prefeitura sai no lucro. Quem explica é o ex-vice-presidente do Sinduscon-PR, Sérgio Buerger: “A concessão dá a prefeitura uma moeda. Ninguém perde nada com isso. Encontra-se uma maneira de financiar o negócio com o interesse do mercado privado.” Aqui, uma matéria de 2010 explicando esse papel do governo cedido ao Atlético.

Então, não há dinheiro público legalmente, mas e os direitos de Coritiba e Paraná nessa?

Segundo Luiz de Carvalho, secretário da prefeitura na Copa, como o Atlético recebeu autorização para transformar papéis de potencial construtivo no valor de R$ 80 milhões, foi pedido um prazo de carência para a emissão de novos títulos. No entanto a lei municipal beneficia os dois clubes, que podem requerer o uso quando entenderem e após a tal carência – certamente após a venda dos atuais títulos.

E o BNDES vai aceitar isso como garantia?

Tudo indica que não. Não há uma resposta sobre o tema: Mário Celso Petraglia ainda não concedeu entrevistas, não escreveu nada no Twitter ou Facebook e tampouco colocou algo no site oficial. Mas o colunista Augusto Mafuz, advogado notadamente ligado às coisas atleticanas, disse hoje em sua coluna que Petraglia pode colocar o CT do Caju como hipoteca. Sim, eles são desafetos e há que se ter cuidado com essa informação. Mas enquanto ninguém se manifesta oficialmente, é o que tem de resposta.

E você quer dizer que o Atlético não vai ser beneficiado?

Jamais! O clube é um dos grandes beneficiados, lógico. Qual seria chance de se construir um estádio Fifa sem a Copa? Não dá pra tapar o sol com a peneira e quem nega isso é muito cara de pau.

Porque o Paraná, que precisa de dinheiro, não aceitou a proposta do Atlético?

Isso foi respondido na nota oficial do clube: o valor ficou abaixo daquilo que o Tricolor entende como preço de mercado. Nessa questão, ao menos teve diálogo e negócio. Aceitar e acertar são outras coisas.

Cara, eu não engulo essa coisa da Copa ser de Curitiba!

Paciência. Pra mim, é. Pra Fifa, também: são prefeitura e Estado que tem assinatura para sediar o evento. O Atlético é um parceiro, como o Inter no RS.

Fato é que Curitiba nunca se vendeu como cidade-sede: não há marketing, não há interesse a não ser na hora das fotos. Roberto Requião, Beto Richa e Luciano Ducci nunca deram muita trela pro evento. Orlando Pessuti foi quem mais se empenhou. E usar a camisa do Atlético em algumas ocasiões não colaborou muito para que coxas e paranistas tivessem mais simpatia pela Copa. Assim como existe a disputa natural pelo estádio privado ficar com a sede.

Mas isso não diminui a importância do Mundial para a cidade, desde a vinda do PAC até o legado que (esperamos) ficará. É lucro para o comerciante, o hoteleiro, o empresário, o taxista, pra quem estiver pronto para o evento, seja da cor que for. Ah!, sim, seria interessante que o Estado já tivesse começado algumas ações nesse sentido. Mas…

Qual seu time do coração?

Essa pergunta foi feita inúmeras vezes, passou pelo pessoal do TJD-PR essa semana, e volta a tona quase que diariamente para quem trabalha em jornalismo esportivo.

É claro que eu tenho um time. Quem não tem e trabalha com jornalismo esportivo está no ramo errado. Só que não acho essa informação relevante. Ela não decidirá nenhum dos temas acima, não fará gols e nem mudará resultados. É a informação mais básica de futebol que eu tenho – o time que eu torço – mas isso é particular.

Meu time do microfone/computador/câmera para frente é a ética e o profissionalismo. Amo o que faço e faço com dedicação e seriedade extrema. Tem gente que mede as pessoas com a própria régua e julga: “fulano escreve isso porque torce pro time tal.” Certamente, fulano vai mal das pernas no trabalho. Temos que amadurecer alguns conceitos e respeitar o trabalho dos outros. Sim, eu mexo com a paixão de vocês e nem sempre com notícias boas, mas tá no preço. Alguém tem que fazer. Acredite, é trabalho, não é lazer. Pergunte à minha esposa.

Todo jornalista tem um time, um partido político, uma ideologia. Somos humanos, oras! Ok, eu sei que alguns não parecem. Mas eu particularmente gosto muito dessa interatividade com vocês. E humanos erram. Só que há uma distância muito grande entre errar e ser corrompido. E eu não admito qualquer tipo de insinuação quanto a minha conduta ética e profissional: rede social não é boteco e pode ser documentada. Então, se acusar, tem que provar. Combinado?

Dito isso, volto ao tema: não importa. Importa é que você seja bem informado, com isenção e precisão – não confundir com pressa – e também possa manifestar sua opinião. É pra isso que criei o blog, com o incentivo do Léo Mendes Júnior, meu goleiro nos tempos de pelada. Aliás, aquele sim era o meu time.

Agradecimento especial aos vários leitores do Twitter e também aos que comentam aqui no blog, que enviaram as perguntas acima. Ia citar os nomes junto a cada questão, mas era muita gente e alguns eu só conheço por @algumacoisa, o que certamente não está no RG.

(Nem tão) Pequenas doses de informação

Ainda Couto e Atlético

A FPF entrou agora há pouco com seu recurso junto ao tribunal e já pediu um efeito suspensivo sobre a decisão do TJD-PR. Caso consiga, poderá marcar Atlético x Roma, na próxima quarta-feira, para o Couto Pereira. “Nossa idéia é fazer isso o mais rápido possível, para garantir essa rodada”, disse o advogado Juliano Tetto, da FPF. Quem concede ou não o efeito é o STJD.

“Nós já imaginávamos isso, sabíamos que ontem era apenas o primeiro tempo”, disse-me o advogado Gustavo Nadalin, do departamento jurídico do Coritiba, sem querer se aprofundar muito no tema. O clube ainda espera para saber se o efeito será ou não dado pelo STJD. O CBJD não prevê recurso ao efeito, caso seja dado. Trocando em miúdos: se o STJD conceder o efeito, o jogo do Atlético poderá ser marcado para o Couto. Nadalin está no Rio de Janeiro.

Agora, assista a reportagem abaixo:

A última frase do advogado do Atlético, Domingos Moro, no vídeo acima, também é enigmática. O Rubro-Negro não entrou como 3o. interessado na ação e nem poderia fazê-lo se a FPF não recorresse. O Atlético não tinha esse direito; agora tem e aí sim Domingos Moro pode entrar em cena. E teria um dilema pessoal a resolver: é conselheiro vitalício do Coritiba, que nessa disputa seria seu adversário.

Falei com Moro que prefere não antecipar o assunto. Diz que tudo depende ainda da FPF e que no momento certo tomará sua decisão. Fato é que ele mesmo considera antiético ocupar a cadeira no conselho e defender outro interesse nesse caso – que seria o primeiro, desde que destacou-se no direito esportivo, em que teria que trabalhar contra os interesses do Coritiba. Pela conversa, entendi que caso as coisas cheguem a esse ponto, ou ele se afastará do caso, quiça abrindo mão de seu emprego no Atlético, ou renunciará ao conselho do Coritiba. Esperemos.

Ainda sobre o que pode haver no STJD, recomendo esse post de agosto de 2011. Ele explica as razões que podem fazer a CBF requisitar o Couto Pereira para o Atlético nas suas competições, leitura que poderia induzir uma compreensão igual no caso da FPF.

As respostas não devem tardar, até porque a Federação tem homologado duas rodadas por vez. Logo, deverá fazer até amanhã isso em relação aos jogos do meio da semana que vem.

Janguito

Como antecipado ontem no Metro Curitiba, o Atlético entrou em contato com a diretoria do Corinthians-PR para tentar acordo para jogos no Eco-Estádio Janguito Malucelli. Extra-oficialmente, como o estádio comporta 5 mil pessoas mas uma carga de 10% deve ser destinada aos visitantes, comenta-se que o clube pode fazer um rodízio entre os sócios, com distribuição de senhas.

Mas a informação do recurso da FPF pode mudar o quadro. Assim como o método no caso de eventual aluguel do JM ainda está em estudo.

Reforços

Diego Gaúcho já chegou ao Coritiba. Ele não é tratado como reforço, mas será avaliado pelos médicos e também pelo técnico Marcelo Oliveira. Abaixo, um vídeo dele garimpado pelo Léo Mendes Jr.:

Martín Liguera também já está treinando no Atlético, mas seu nome ainda não está no BID.

Nike

Segundo Gustavo Marques, repórter da CBN Curitiba, o evento envolvendo Coritiba, Inter, Corinthians e Bahia, para o lançamento da nova linha da empresa no Brasil, será no Rio de Janeiro no dia 02/02 – e não em 10/02, como havia sido dito anteriormente.

FAQ

Muitas questões tem chegado ao blog ultimamente, dado o volume de assuntos espinhosos. Prometo um FAQ com aquilo que tem em cima da participações de vocês em breve. E agradeço a visita! 🙂