Petráglia agiu bem

Petráglia anunciou candidatura ao Atlético nesta terça (foto: Geraldo Bubniak/@futebolpr)

Mário Celso Petráglia fez o que muitos já imaginavam, apesar das negativas anteriores, e confirmou seu próprio nome no bate-chapa atleticano marcado para 8 de dezembro desse ano, em entrevista coletiva hoje a tarde.

Amanhã, você confere o vídeo da entrevista no Jogo Aberto Paraná, da Band Curitiba, e mais tarde aqui mesmo no blog; por ora, se você não ouviu nada ainda, ouça o ótimo resumo da entrevista de duas horas dada pelo ex-presidente do Atlético, num ótimo trabalho de síntese das jornalistas Monique Vilela e Tábata Viapiana, para a rádio Banda B, clicando aqui.

Não se sabe qual Mário Petráglia se propõe a voltar a presidencia do Atlético: se o ousado e revolucionário Petráglia de 1995 ou o desgastado e passivo dos últimos anos, que chegou até a declarar que a Série B não seria o fim para o clube (ainda que verdade, nunca pode ser dito pelo presidente de uma associação).

O fato é que Petráglia agiu bem em confirmar já sua candidatura. Não posará de oportunista em um eventual rebaixamento, pois se propõe a voltar a casa que deixou após romper com o ex-aliado Marcos Malucelli com o clube ainda vivo na Série A; deixa claro também sua ambição política: agora, toda declaração de Petráglia deixa de ser uma acusação ao vento para se tornar um fato de campanha. E já avisa a quem interessar possa que o Atlético tem mais alguém de olho no poder no clube, que não apenas o grupo atual – que, convenhamos, vem se notabilizando mais pelas perdas que pelos ganhos.

Um assunto que irá girar de ambos os lados é o rompimento entre Petráglia e Malucelli, que pode ser algo como a briga Taniguchi x Beto Richa para muitos, mas ainda soa como ódio mortal. E o aditivo de que foi Petráglia quem pôs Malucelli lá só deve esquentar a briga nos próximos meses, talvez com o despertar da atual diretoria, sobretudo para as questões do futebol e do Mundial 2014 na Arena, na tentativa de se provar uma independência de atitudes. É de se aguardar. Inclusive para saber se Ênio Fornea irá querer bater chapa com Petráglia. Ainda pode se esperar uma terceira corrente, algo que parece improvável no momento.

As declarações de Petráglia podem ter efeito direto no campo, onde o Atlético mais patina hoje. Falta comando aos jogadores, como ficou evidenciado no caso da saída de Adilson Batista (leia aqui).

Por fim, candidato declarado, Petráglia encerra os boatos de tentativa de golpe no conselho. Terá de aguardar até dezembro. E deixa a atual diretoria, se não tranquila, ao menos ciente do que terá de fazer e trabalhar para tentar se manter a frente do clube por mais dois anos.

Já leu? Aproveite e vote abaixo na enquete sobre a candidatura de Mário Petráglia a presidencia do Atlético!

Os bastidores da saída de Adilson Batista

Causa e consequência: ainda Geninho x Adilson (foto: montagem)

Ninguém aprovou a maneira com a qual Geninho, após vencer um clássico sobre o Paraná (3-2), acabou demitido; mas era consenso entre dirigentes, imprensa e torcedores que o técnico campeão brasileiro não vinha dando um ritmo legal ao time e que a oportunidade batia à porta com a disponibilidade de Adilson Batista, técnico promissor, jovem, ex-jogador do Atlético e amigo de Valmor Zimmermann, então na direção de futebol.

Então Geninho saiu e Adilson veio. Mas esqueceram de falar com quem ele comandaria: os jogadores.

Conversei por vários minutos com duas pessoas que vivem como poucos o dia-a-dia atleticano. E ficou bem claro pra mim que a boleirada se doeu pela saída de Geninho.

O ex-técnico atleticano é mais vivido que Adilson Batista e está mais acostumado com a cabeça do grupo de jogadores. É bem verdade que o Atlético deu adeus ao Paranaense ao perder para o Operário em casa (0-2) sob o comando de Geninho; mas foi a única derrota dele no comando rubro-negro. Geninho falava a lingua dos jogadores. Deixou o clube com mais de 80% de aproveitamento. Os comandados não entenderam. Sentiram-se traídos junto com o técnico. E jogador não costuma perdoar isso.

Adilson tentou. Trouxe um, dois, três reforços, quis se fortalecer. Mas o grupo não respeitava o comando dele. E isso piorou com a saída de Zimmermann. Os jogadores sentem a falta de comando no grupo. Adilson cobrava, dizia publicamente que o grupo precisava de reforços – e é claro que quem ali estava não gostava de ser cobrado. Discurso diferente do de Geninho, muito mais no sentido de valorizar quem ali está.

Com Adilson o Atlético foi surrado pelo maior rival na Arena, no dia do título do Coritiba (0-3); caiu ante um Vasco que se mostrou competitivo, mas não era brilhante, sendo mal-escalado em casa. Muito pela questão de confiança do treinador, que foi ficando sozinho; no Brasileiro, seis jogos, um gol marcado, um ponto. A fritura chegou ao ponto. Mas a culpa não é de Adilson – ou só dele.

O Atlético tem jogadores rodados, caros e de categoria. Noves fora um ou dois que tem deficiência técnica, não se pode dizer que Paulo Baier, Branquinho, Guerrón, Kléberson e Madson não sabem jogar bola. Interessados, eles podem tirar o Atlético desse buraco – e para isso, precisarão vencer 15 jogos em 32.

A solução também passa pela escolha certa do comandante. Diego Aguirre, que pode ser confirmado nas próximas horas, fez miséria com um Peñarol renascido. Mas terá que se adaptar ao futebol brasileiro, à lingua e à máfia instalada no CT do Caju. Talvez precise de pulso firme da nova diretoria de futebol, que terá que obrigatoriamente que afastar alguns jogadores, para devolver o comando ao treinador. É o susto para lembrar quem manda.

Caso contrário, o azeite continuará fervendo. O Atlético seguirá triturando treinadores, jogadores e principalmente, o coração da torcida.

Túnel do Tempo: relembre os confrontos de hoje

A dupla Atletiba joga hoje pela primeira divisão. Aproveito para relembrar dois confrontos entre Atlético x Bahia e Cruzeiro x Coritiba, nos respectivos mandos de campo.

18h30 – Arena da Baixada – Atlético x Bahia

Esses dias mesmo o Atlético surrou o Bahia pela Copa do Brasil, com um 5-0. Mas preferi relembrar essa vitória de 2001, que colocou o Furacão no rumo do título nacional:

Kléber fez 3 gols, com 2 de Alex Mineiro e Adauto fechando o placar histórico sobre o time de Evaristo de Macedo. Como todos sabem, naquele ano, o Atlético acabou Campeão Brasileiro. Detalhe para o segundo gol de Kléber, sem ângulo.

21h – Arena do Jacaré – Cruzeiro x Coritiba

Em 2004, o Coxa surpreendeu a Raposa no Mineirão. Abaixo, dois gols dos 3-0 no Cruzeiro em BH – Ataliba e Laércio:

Gravaram em speed! E ainda faltou o 3o, de Tuta. Mas enfim, é o que a internet nos oferece.

Naquele ano, o Coritiba acabou o campeonato em 12o lugar. Foi a segunda vitória em BH sobre o Cruzeiro na história. A primeira havia sido em 1985 – ano do título nacional.

Entenda a engenharia por ‘Morro’ García

Santiago García, uruguaio de 20 anos, é a contratação mais cara da história do futebol paranaense. Ele, que no vídeo acima se apresenta a torcida atleticana, custou US$ 2 milhões por 50% dos seus direitos, em contrato de 3 anos. Mas essa não foi a grande sacada do Atlético na negociação.

A experiência do Coritiba com Ariel Nahuelpan, liberado por força da lei trabalhista no segundo ano de contrato, ainda que houvesse um documento esticando o vínculo para 5 anos, fez o mercado, e em especial o Atlético, aprender.

O que o Furacão tem hoje com Morro García e o Nacional-URU é um empréstimo com preferência de compra. Assim, o vínculo principal segue no Uruguai, com os direitos atleticanos assegurados, me confirmou Alfredo Ibiapina, ontem, por telefone.

O vinculo trabalhista de no máximo 2 anos, que pode ser renovado, vale menos que o registro Fifa que segue com o Nacional, agora sócio do Atlético no negócio. Trocando em miúdos, caso Morro deseje seguir o caminho de Ariel e romper com base na lei brasileira, não poderá; segue ligado ao clube uruguaio, que o emprestou ao Furacão.

Caso o jogador seja vendido durante o tempo de contrato, o Atlético tem a preferência de recebimento da sua fatia; se ninguém se interessar por García, o clube poderá adquiri-lo em definitivo, após os 3 anos, por mais US$ 2,5 milhões.

Linha tênue

Alfredo Ibiapina, diretor de futebol do Atlético, aprovou o protesto da organizada “Fanáticos” no CT do Caju na tarde de hoje. ” Foi um papo bem tranqüilo, foi até bom. Essa cobrança é até positiva”, disse-me, por telefone, no primeiro papo que tive com o homem que hoje comanda o futebol do Rubro-Negro, mas que já está no clube desde 2009.

Alfredo parece um homem bem intencionado, mas deve ter cuidado. Toda relação com torcida organizada é uma linha tênue. O protesto físico, já transcrito nessa nota oficial no site da torcida deixa um aviso bem claro: “Neste protesto não foi necessária nenhuma atitude violenta por parte da Torcida”, diz o item 4; nesse não, nos próximos, não se sabe. Por via das dúvidas, o Atlético também emitiu nota oficial.

E todo caminho que pende para o choque termina mal, como bem sabem os paranaenses, em especial a torcida coxa-branca. Questionado por mim, Ibiapina ponderou. “Concordo que não pode virar rotina, mas hoje foi positivo. Cobraram raça e desenvoltura”, disse, quase que grato pela ajuda junto ao apático grupo de atletas. Pois nisso Ibiapina e a torcida – não só a organizada – tem razão.

“Os jogadores precisam saber que a torcida não está satisfeita. Queira ou não, Os Fanáticos representam a torcida como um todo”, seguiu o dirigente. A pressão, agora levada de fora para dentro, pode ter efeito reverso: ao concordar com a entrada da organizada, pode se sentir ainda mais a falta de comando. Caberá a Ibiapina colocar os pingos nos is, limitando a “ajuda” na gestão do futebol do clube a essa chiadeira de hoje. Que pode piorar, obviamente, se o time não vencer.

Ao menos, após 15 dias fora do país negociando por Morro García, Ibiapina parece que está pondo a mão na massa, ao chamar Adilson Batista a explicar as declarações que sugeriram racha no grupo. “Conversei com ele hoje, essa semana toda vamos averiguar alguns fatos. Temos que ver como organizar esse grupo. A maioria dos jogadores do grupo do Atlético joga em qualquer clube do Brasil. Os jogadores não são ruins, mas nós temos que transformar isso em verdade.”

Mexer no técnico? “É um grande treinador, de primeira linha. Não há intenção tirar o Adilson.”

Contra o Bahia, no meio do feriadão, todos saberão os efeitos das conversas de hoje.

Organizadas

Torcidas organizadas são uma parte já inseparável do convívio do futebol. Dão um colorido legal ao estádio, puxam cantos, incentivam crianças a escolherem seu time do coração. Mas estão longe de ser só alegria.

Quando questionadas sobre o controle da violência, se dizem incapazes de controlar a massa; ainda assim, lucram com a venda de materiais inspirados nos clubes, a maioria sem recolher royalties. Costumam ser ponto fácil para venda de entorpecentes e tem um largo histórico de confusões e até mortes. Muitas vezes, seus líderes tornam-se semideuses no meio, ameaçadores, governando pelo medo.

Se um clube abre suas portas para a organizada, é preciso saber, como deixa bem claro o aviso acima: o papo de hoje pode ser o cacete de amanhã. Cada dirigente lida com as TOs como quer; as consequências também vem na mesma medida.

Mas de tudo que possa se tirar do episódio, uma frase é emblemática: “NÃO estamos do lado de MM, MCP, ETA, ASSOCAP, nem de porra nenhuma, apenas do lado do ATLÉTICO!!!”, diz o ítem 8. Que procura eximir a ação da política, ainda que o chefe da torcida seja um vereador que há poucos dias, politicamente, assumiu torcida pelo maior rival na Copa do Brasil.

Tênue, não?

Túnel do Tempo: “Caiu.”

Inauguro com esse post a seção Túnel do Tempo, para relembrar momentos importantes do futebol paranaense aqui no blog. Vamos dar um pulo em 2009. Muito provavelmente as manchetes eram muito parecidas com as de hoje na quinta rodada daquele Brasileirão, especialmente para o Atlético.

No dia 08/06/2009 os atleticanos acordaram com uma certeza: “caiu”. Após três derrotas e um empate, o Furacão receberia o xará mineiro na Arena. E o Atlético de lá passeou:

Geninho, que havia conquistado o Estadual sobre o maior rival, não resistiu a goleada e foi demitido. Algo precisava ser feito e, como sempre, sobrou para o técnico – o Atlético ainda trocaria Waldemar Lemos por Antônio Lopes. A segunda troca foi a prova de que não era bem o técnico o problema.

O time engrenou três vitórias no final do primeiro turno e só então deixou a ZR. Àquela altura, Mário Petráglia havia se distanciado do futebol do clube, dando lugar a Marcos Malucelli – hoje, presidente atleticano.

O time que perdeu para o Galo por 0-4 tinha (segundo a ficha da Furacão.com):  Vinicius; Raul (Manoel 57′), Carlão, Antonio Carlos, Chico e Márcio Azevedo; Valencia, Julio dos Santos (Marcelo 58′) e Marcinho; Rafael Moura e Patrick (Wesley int). T: Geninho.

Cinco jogadores foram identificados como “laranjas podres” e acabaram afastados. A história real nunca veio a público. O fato é que o Atlético só se salvou na penúltima rodada, ao vencer o Botafogo, por 2-0 em casa, com o seguinte time em campo:  Galatto (Neto int); Wesley, Rhodolfo, Nei, Bruno Costa e Márcio Azevedo; Valencia, Alex Sandro (Rafael Miranda 80′) e Paulo Baier; Wallyson (Rodrigo Tiuí 82′) e Marcinho. T: Antonio Lopes. Apenas Marcio Azevedo, Valencia e Marcinho, dos que estavam em campo no vexame com o Galo.

Dois anos depois, a sensação entre os atleticanos é de Dèja Vu. O desânimo é geral. As lições estão na história.

Futebol é assim mesmo

Tapem seus ouvidos

Terminou há pouco Coritiba 1-1 Inter.

O domingão foi longo, rodada cheia e a Série A vai engrenando: só resta um jogo na Libertadores e no domingo que vem TODOS estarão ligados na Série A. E é claro que olhar a posição do Coritiba (do Atlético eu falei aqui) preocupa. Mas quem assistiu ao jogo percebeu que o destaque individual foi Muriel, baita goleiro do Inter.

Ou seja: o Coxa jogou bem.

E quem acompanha o Jogo Aberto Paraná na Band sabe que a preocupação era essa: a reação da equipe após a perda da Copa do Brasil e a derrota para oo Botafogo (1-3) no último final de semana. Do outro lado, estava o Internacional, um dos maiores investimentos da Série A. Não seria fácil de qualquer jeito. E fora atuações pontuais, o Coxa mostrou força, foi buscar o empate e acabou somando um ponto, que o deixa fora da ZR ao menos.

A cornetagem está a solta – e nem podia ser diferente. Mas uma análise fria ainda dá crédito a Marcelo Oliveira e a esse elenco do Coritiba. Sabe-se que esse time pode mais e que o momento de baixa tem razões físicas e psicológicas; tecnicamente, o time ainda é bom. Não é aquele supertime que pintou, mas é bom. E isso já é um grande passo para sonhos mais altos, já que o Brasileirão é muito igual – exceção ao surpreendente início do São Paulo.

Futebol é assim mesmo, ninguém ganha todas. Ainda não há motivo para desespero. Pode nem haver se as cornetas ficarem no armário.

Posfácio Atleticano

Mas por que raios há que se ter paciência com o Coxa e é só cacete no Atlético? Fácil: o Coritiba já mostrou qualidade no ano. É bicampeão estadual, vice da Copa do Brasil e venceu mais de 80% de seus jogos no ano. O Atlético não. Estamos em junho e o Furacão não mostrou NADA – e com quatro técnicos.

Léo Gago subiu no telhado

O site FutebolSC avisa que a negociação com Marcos Paulo e Avaí ficou pra próxima porque o Coxa pode negociar Léo Gago. Falei com gente da diretoria que não negou nem confirmou a saída. O que eu ouvi (e reservo a fonte) é: “Não me preocupa uma peça, negócio é negócio, se for bom, pode sair. O elenco é bom e é isso que vale. Nessa hora, surge de tudo. Pode ser como pode não ser”. Não foi @oclebermachado, mas parece que Léo Gago subiu no telhado.